Só os mais antigos entre os 12 mil moradores de Cacequi ainda lembram do tempo do trem – quando a cidade era um entroncamento ferroviário onde cruzavam linhas para todas as regiões do Estado.
As locomotivas fumegantes, os vagões apinhados de gente, o sino anunciando a partida. Era fácil chegar ou sair de Cacequi. Isso foi há 30 anos ou mais..
Os trilhos ainda estão lá, mas hoje por eles hoje só se movem pesadas composições de vagões-conteiners que levam soja e arroz a granel para o porto de Rio Grande.
Os ônibus substituiram os trens no transporte de passageiros, a majestosa estação ferroviária virou museu. Uma acanhada rodoviária passou a receber as poucas linhas de ônibus que traziam ou levavam passageiros, poucos, já que ninguém precisava mais passar por Cacequi para chegar a qualquer lugar.
Agora, com a crise, a situação se agravou.
A acanhada rodoviária está fechada há um ano. Uma licitação para que um empreendedor privado assumisse a estação rodoviária local, deu deserta, não apareceu interessado.
Quem quer sair ou chegar à Cacequi tem que se submeter a uma logística constrangedora, que inclui desembarcar na estrada a espera de um táxi ou um carro, ou ali ficar esperando o ônibus que vai de Santa Maria a São Vicente, cidade vizinha.
O caso de Cacequi não é único. Desde 2012, mais de 100 estações rodoviárias encerraram as atividades no Rio Grande do Sul. Os concessionários não tiveram interesse em renovar o contrato e não houve candidato a uma nova concessão.
Em 2019, mais da metade dos 497 municípios gaúchos não tinham uma estação rodoviária. Desde então, o DAER, a autarquia que regula o transporte de passageiros no Estado, tenta licitar 200 rodoviárias.
A informação mais recente no site do DAER diz que 77 licitações para concessão de rodoviárias “resultaram desertas”, ou seja não houve interessado. Algumas já foram licitadas duas vezes sem sucesso.
Confira aqui a situação da licitação em cada município:
https://www.daer.rs.gov.br/licitacoes-de-estacoes-rodoviarias


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