Gaspari compara crise da Lava Jato à "República do Galeão"

As grandes corporações da mídia estão empenhadas em desidratar a crise que se abriu com a divulgação de conversas do então juiz Sérgio Moro com os procuradores durante a Lava Jato.
O enfoque geral é esse: mais grave do que o revelado nas conversas é a “ação criminosa da invasão ilegal de telefones privados”.  Mesmo que se revelem alguns “deslizes”, o importante é preservar a Lava Jato, simbolo do combate à corrupçao.
Na contramão desse jogo de abafa, que tirou o assunto da manchete dos principais jornais, Elio Gaspari, em sua coluna no Globo, nesta quarta-feira compara a crise deflagrada com os vazamentos da Lava Jato a um dos episódios mais turbulentos da história do país, a chamada República do Galeão, em 1954, quando se montou um Inquérito Policial Militar para incriminar o presidente Getúlio Vargas, que acabou se suicidando
“As conversas impróprias de Sergio Moro com o procurador Deltan Dallagnol enodoaram a Lava-Jato e fragilizaram a condenação imposta a Lula pelo tríplex do Guarujá”, diz Gaspari.
“Basta ler o que se tem lá e verificar que o fato grave é a invasão criminosa do celular dos procuradores”, disse Moro.
O colunista rebate: “O fato grave é ver um juiz, numa rede de papos, cobrando do Ministério Público a realização de “operações”, oferecendo uma testemunha a um procurador, propondo e consultando-o a respeito de estratégias”.

Além de tudo, “precisam explicar o conteúdo de suas falas. Sem explicações, a presença dos dois nos seus cargos ofende a moral e o bom senso. No caso de Moro, ofende também a lei da gravidade. Ele entrou no governo amparando Jair Bolsonaro e agora depende de seu amparo. Se o capitão soltar, ele cai”.

Uma das revelações mais tenebrosas das mensagens é aquela em que, dias depois de divulgar o conteúdo do grampo de uma conversa da presidente Dilma Rousseff com Lula, Moro diz :“não me arrependo do levantamento do sigilo, era a melhor decisão, mas a reação está ruim”.

“O viés militante de Moro e Dallagnol na Lava-Jato afasta-os do devido processo legal, aproximando-os da República do Galeão, instalada em 1954 em cima de um Inquérito Policial Militar que desaguou no suicídio de Getúlio Vargas”.

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Comentários

Uma resposta para “Gaspari compara crise da Lava Jato à "República do Galeão"”

  1. Avatar de Mauro
    Mauro

    Muito bem. Aí tivemos a opinião do Gaspari, declaradamente eleitor do PT. Agora vamos ler a opinião do Carlos Alberto Sardenberg, reconhecidamente um jornalista de centro.
    “Há, sim, uma campanha aberta contra a Lava Jato. Fazem parte os corruptos já descobertos e os que temem ser apanhados; os políticos que estavam acostumados a se servir do poder; a esquerda que quer livrar Lula, o comandante da operação toda; a direita que quer a farra de volta.
    E também estão nesse esforço advogados, por razões óbvias, e juízes. Por que juízes? Porque para muitos deles a Lava Jato é a prova viva de quantos crimes deixaram passar ou não quiseram ver.
    A divulgação das conversas Moro/Dallagnol faz parte disso. E o que tem ali é, sim, uma certa coordenação formal de trabalho. Legítima.
    Não republicanas são as relações entre magistrados, advogados, políticos e réus, mantidas a festas e jantares e viagens na corte brasiliense.
    E o pessoal do site Intercept não faz jornalismo. É pura militância.”
    Me parece que não é só o site intercept, não é mesmo “Já” ?

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