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  • Paulo Guedes sobre corte de aumento a servidores: “Colocamos a granada no bolso do inimigo”

    O economista Paulo Guedes emerge da fatídica reunião ministerial do dia 22 de abril como o ministro mais poderoso do governo Bolsonaro.

    “Eu tenho poder e vou interferir em todos os ministérios, sem exceção”, diz o presidente no vídeo divulgado por determinação judicial na sexta-feira, 22.

    Em seguida ele fez a ressalva: “Se eu tiver que mexer nos bancos, falo com o Guedes (…) Zero problemas com o Paulo Guedes, mas os demais [ministérios] vou [interferir]”, diz Bolsonaro.

    Guedes, empoderado,  foi um dos ministros que mais falou na reunião, em diversas intervenções, nas quais fez  jus à linguagem chula usada pelo presidente.

    Suas declarações, no entanto,  não tiveram grande repercussão na imprensa, que de modo geral apóia sua política.

    Entre outras coisas, ele revela sua urgência em privatizar o Banco do Brasil e comemora a proibição de aumento por dois anos para os servidores (“Botamos a granada no bolso do inimigo”), dando a entender que pretende aprofundar o ajuste fiscal, apesar da crise econômica decorrente da pandemia. “Vamos manter o rumo, vamos manter o rumo”, insistiu.

    Sua declaração mais preocupante, no entanto, refere-se ao financiamento para ajudar as empresas a se recuperarem da crise econômica agravada pela pandemia:

    “Nós vamos botar dinheiro, e … vai dar certo e nós vamos ganhar dinheiro. Nós vamos ganhar dinheiro usando recursos públicos pra salvar grandes companhias. Agora, nós vamos perder dinheiro salvando empresas pequenininhas”.

    A declaração explica as dificuldades que as micro e pequenas empresas estão enfrentando para ter acesso às linhas de crédito já anunciadas pelo governo.

    Esse é o segmento empresarial que mais emprega e que afeta um maior número de pessoas, mas pelas declarações de Paulo Guedes não vai ser uma prioridade nos programas para recuperação da economia.

    Veja as declarações de Paulo Guedes na reunião:

    “O Banco do Brasil não é tatu nem cobra. Não é privado, nem público. Então se for apertar o Rubem (Rubem Novaes, presidente do BB), coitado. Ele é super liberal, mas se apertar ele e falar: ‘bota o juro baixo’, ele: ‘não posso, senão a turma, os privados, meus minoritários, me apertam’ . Aí se falar assim: ‘bota o juro alto’, ele: ‘não posso, porque senão o governo me aperta’. O Banco do Brasil é um caso pronto de privatização”.

    Bolsonaro, então decidiu dar a palavra ao presidente do banco, Rubem Novaes, mas Guedes logo interrompeu: “Banco do Brasil a gente não consegue fazer nada e tem um liberal lá. Então tem que vender essa porra logo”.

    “Todo mundo está achando que, tão distraídos, abraçaram a gente, enrolaram com a gente. Nós já botamos a granada no bolso do inimigo – dois anos sem aumento de salário”.

    “E estamos agora no meio dessa confusão, derrubando a última, a última torre do inimigo. Que uma coisa é que nós vamos fazer a reconstrução e a nossa transformação econômica. A outra coisa são as torres do inimigo que a gente tinha que derrubar. Uma era o excesso de gasto na Previdência, derrubamos assim que entramos. A segunda torre eram os juros. Os juros tão descendo e vão descer mais ainda”

    “Nós sabemos para onde nós vamos voltar já, já, tá certo? E se o mundo for diferente, nós vamos ter capacidade de adaptação. Por exemplo: eu já tenho conversado com o ministro da Defesa, já conversamos algumas vezes. Quantos? Quantos? Duzentos mil, trezentos mil. Quantos jovens aprendizes nós podemos absorver nos quartéis brasileiros? Um milhão? Um milhão a 200 reais, que é o Bolsa Família, 300, para o cara. […] Faz ginástica, canta o hino, bate continência. De tarde, aprende, aprende a ser um cidadão, pô! Aprende a ser um cidadão. Disciplina, usar o … usar o tempo construtivamente, pô! […] É voluntário para fazer estrada, para fazer isso, fazer aquilo. Sabe quanto custa isso? É 200 reais por mês, 1 milhão de cá, 200 milhões, pô! Joga dez meses aí, 2 bi. Isso é nada!”.

    “O sonho do presidente de transformar o Rio de Janeiro em Cancún lá, Angra dos Reis em Cancún… Aquilo ali pode virar Cancún rápido. Entendeu? A mesma coisa aí é a Espanha. Espanha recebe trinta, quarenta milhões de turistas. Isso aí é uma cidade da Ásia. Macau recebe vinte e seis milhões hoje na … na China. Só por causa desse negócio. É um centro de negócios. É só maior de idade. O cara entra, deixa grana lá que ele ganhou anteontem, – ele deixa aquilo lá, bebe, sai feliz da vida. Aquilo ali num atrapalha ninguém. Aquilo não atrapalha ninguém. Deixa cada um se foder. Ô Damares. Damares. Damares. Deixa cada um … Damares. Damares. O presidente, o presidente fala em liberdade. Deixa cada um se foder do jeito que quiser. Principalmente se o cara é maior, vacinado e bilionário. Deixa o cara se foder, pô! Não tem … lá não entra nenhum, lá não entra nenhum brasileirinho”.

    “A China é aquele cara que cê sabe que cê tem que aguentar, porque pro cês terem uma ideia, pra cada um dólar que o Brasil exporta pros Estados Unidos, exporta três pra China. Você sabe que ele é diferente de você. Cê sabe que geopoliticamente cê tá do lado de cá. Agora, cê sabe o seguinte, não deixa jogar fora aquilo ali não porque aquilo ali é comida nossa. Nós tamo exportando pra aqueles cara. Não vamos vender pra eles ponto crítico nosso, mas vamos vender a nossa soja pra eles. Isso a gente pode vender à vontade. Eles precisam comer, eles precisam comer”.

    “Montamos um comitê de bancos, estamos lá com o Montezano (do BNDES) agora fazendo justamente a reestruturação. Não vai ter molezinha pra empresa aérea, pra nada disso. É dinheiro que nós vamos botar usando a melhor tecnologia financeira lá de fora. Nós vamos botar dinheiro, e … vai dar certo e nós vamos ganhar dinheiro. Nós vamos ganhar dinheiro usando recursos públicos pra salvar grandes companhias. Agora, nós vamos perder dinheiro salvando empresas pequenininhas. Então, nós estamos fazendo tudo by the book, direitinho”.

  • Caixa informa que 30 milhões já receberam segunda parcela do abono emergencial

    Continua nesta segunda-feira, 25, o pagamento da primeira parcela do auxílio emergencial de 600 reais para os trabalhadores informais que foram incluídos na segunda etapa do programa.

    Podem sacar em dinheiro os beneficiários nascidos em agosto; na terça-feira é a vez dos nascidos em setembro, na quarta os aniversariantes de outubro e assim sucessivamente.

    A caixa orienta que o beneficiário cheque o dia certo do pagamento de acordo com a data de aniversário, antes de ir para a fila.

    Já o pagamento da segunda parcela, para aqueles que já receberam a primeira até 30 de abril, está na reta final.

    Também nesta segunda-feira será creditado na conta digital o auxílio para os nascidos em setembro e outubro, e na terça-feira para quem faz aniversário em novembro e dezembro.

    Já quem preferir sacar em dinheiro vai precisar esperar até sábado dia 30 de maio, o inicio do calendário.

    Ao todo, mais de 55 milhões de pessoas receberam a primeira parcela.

    O pagamento da segunda parcela ultrapassou até o momento 30 milhões de trabalhadores informais.

    Ontem, o banco abriu suas portas para atender o público e informou que já pagou 60 bilhões de reais de auxílio emergencial, isso somando a primeira e segunda parcelas.

    Os cadastros processados para pedir o benefício passaram de 100 milhões. Desse total, 59 milhões foram considerados elegíveis.
    O cadastro no programa pode ser feito até o dia 3 de junho.

    Mais informações pelo telefone 111 ou pelo site da caixa na internet no endereço: caixa.gov.br

    (Com a Agência Brasil)

  • Trump proibe entrada de brasileiros e estrangeiros que passaram pelo Brasil: “Não quero que venham aqui e infectem o nosso povo”

    Trump proibe entrada de brasileiros e estrangeiros que passaram pelo Brasil: “Não quero que venham aqui e infectem o nosso povo”

    A situação da pandemia no Brasil ganha repercussão mundial com a proibição anunciada neste domingo: brasileiros e estrangeiros que tenham passado pelo país nos últimos 14 dias não podem entrar nos Estados Unidos.

    O decreto foi assinado pelo presidente Donald Trump, no domingo, 24.  A entrada passa a ser proibida a partir do dia 29 de maio.

    “Não quero que as pessoas venham aqui e infectem o nosso povo”, declarou  Trump há dez dias, quando o aumento de casos colocou o Brasil em segundo lugar  entre os países com mais pessoas contaminadas, atrás justamente dos EUA.

    Neste domingo, o número de mortes registrado no Brasil (653) foi maior do que nos Estados Unidos (638), segundo a universidade Johns Hopkins.

    “Os Estados Unidos doarão 1.000 respiradores para o Brasil para ajudar nas necessidades de saúde. Essas restrições de viagem são projetadas para proteger os cidadãos dos Estados Unidos e do Brasil e não refletem de forma alguma uma redução no forte relacionamento bilateral entre nossos dois países”, diz o comunicado do governo americano.

    Segundo as agências internacionais,  Trump conversou com o presidente Jair Bolsonaro duas vezes nos últimos dois meses sobre o assunto.

    A cada semana, mais de 1.500 passageiros chegam a aeroportos dos EUA vindos do Brasil. Entre 11 e 17 de maio, cerca de 1.800 viajantes do Brasil entraram nos Estados Unidos.

    Os voos entre os dois países no momento estão bastante reduzidos. Atualmente, os únicos estados dos EUA que ainda operam voos com origem e destino ao Brasil são Texas e Flórida.

    A restrição não será aplicada a pessoas que residam nos Estados Unidos ou sejam casadas com um cidadão americano ou que tenha residência permanente no país, filhos ou irmãos de americanos ou residentes permanentes também poderão entrar, desde que tenham menos de 21 anos.

    Membros de tripulações de companhias aéreas ou pessoas que ingressem no país a convite do governo dos EUA também estão isentas da proibição.

    Neste domingo, os Estados Unidos chegaram à marca de 1.635.192 casos de Covid-19, com  97.599 mortes pela doença, segundo a universidade Johns Hopkins. Já o Brasil tinha 347.398 casos e 22.013 mortes.

    Filipe Martins, assessor especial da presidência brasileira para assuntos internacionais, usou seu perfil em uma rede social para comentar o decreto de Trump.

    “Ao banir temporariamente a entrada de brasileiros nos EUA, o governo americano está seguindo parâmetros quantitativos previamente estabelecidos, que alcançam naturalmente um país tão populoso quanto o nosso. Não há nada específico contra o Brasil. Ignorem a histeria da imprensa”, escreveu.

    Anteriormente, os EUA já tinham proibido a entrada de pessoas provenientes de outros países devido à pandemia de coronavírus: da China (excluindo Hong Kong e Macau), do Irã, de países europeus membros da zona Schengen, do Reino Unido e da Irlanda.

    As autoridades brasileiras também destacaram a cooperação do governo dos EUA à presidência brasileira no combate à pandemia e disseram que “as restrições não afetam o fluxo de comércio entre os dois países”.

    “A decisão do governo dos EUA baseou-se em critérios técnicos, que levam em conta uma combinação de fatores tais como os casos totais, tendências de crescimento, volume de viagens, entre outros.

    A restrição americana tem o mesmo propósito de medida análoga já adotada pelo Brasil em relação a cidadãos de todas as origens, inclusive norte-americanos, e de medidas semelhantes tomadas por ampla gama de países.”, diz a resposta do Itamaraty.

    (Com informações da EBC e G1)

  • “Não há base ideológica para sustentar um golpe militar”

    “Não há base ideológica para sustentar um golpe militar”

    “A questão militar no Brasil de hoje”, foi o tema do debate on line promovido pelo Comitê de Defesa da Democracia, coordenado pelo cientista político Benedito Tadeu César e a advogada Mari Peruso.

    Aldo Rebelo e Celso Amorim, dois ex-ministros da Defesa, foram os debatedores.

    Amorim  ocupou o cargo no governo Lula e foi também ministro das Relações Exteriores nos governos Itamar Franco, Lula e Dilma.

    Rebelo,  ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara, foi ministro da Defesa do governo Dilma.

    Ambos assinaram, no início de maio,  a nota conjunta divulgada pelos seis civis que ocuparam o Ministério da Defesa desde que ele foi criado em 1999, repelindo os apelos à intervenção militar, que tem sido estimulados durante o governo Bolsonaro.

    Segundo Celso Amorim, “hoje não há propriamente uma Questão Militar”, expressão criada no tempo do Império, quando havia “um confronto entre o Exército e o poder civil”.

    O que se tem no período recente são manifestações pontuais – como a nota emitida pelo então comandante do Exército, general Vilas Boas, na véspera do julgamento do ex-presidente Lula em segunda instância, em janeiro de 2018.

    “A manifestação do comando militar pode ter influenciado a decisão que condenou o ex-presidente e levou, em seguida, à sua prisão. Mas foi um fato isolado, não configurando uma intervenção dos militares no processo político.”

    Hoje, segundo Amorim, as manifestações dos comandos militares são no sentido de garantir a estabilidade e o processo democrático.

    Mesmo a recente nota do general Augusto Heleno, ameaçando  com “consequências imprevisíveis” caso  a Justiça determine a apreensão do telefone celular do presidente da República, não é  mais que “uma bravata”.

    “Hoje, disse Amorim,  temos uma situação muito diferente de 1964, quando as Forças Armadas foram o principal instrumento do golpe civil-militar”.

    Naquele período, segundo ele, havia uma ideologia gestada nas escolas militares, principalmente na Escola Superior de Guerra no contexto internacional da Guerra Fria, entre a União Soviética e os Estados Unidos.

    “Talvez hoje exista algum ressentimento, um sentimento de que os militares tenham ficado de lado  no processo de redemocratização ou mesmo uma vontade de voltar ao poder, mas não há uma ideologia a justificar uma intervenção militar”.

    Ideologicamente, explicou Amorim, os militares se identificam com a classe média, com muita sensibilidade para temas como corrupção e o anti-comunismo e que alguns interesses, inclusive estrangeiros, sabem explorar. “Mas não há uma base ideológica que una os militares no sentido de tomarem o poder.”

    Teriam sido esses fatores, na avaliação de Celso Amorim, que levaram muitos militares  a apoiarem  a candidatura e o governo de Jair Bolsonaro.

    “Os militares, ao menos os de alta patente, não eram bolsonaristas mas acabaram se identificando com essas bandeiras de anti-corrupção e de nova política que podem ter alimentado um desejo de voltar ao governo, mas não como uma corporação unida que tem um projeto de poder.”

    O caso mais emblemático nesse ponto seria o do general  Carlos Alberto Santos Cruz, que ocupou a Secretaria de Governo da Presidência e não demorou a se decepcionar, assim como vários outros militares que foram para o governo, mas logo saíram fora.

    “É preciso considerar também que quase todos esses militares que foram para o governo são da reserva”, disse Amorim.

    “Eles se julgam bons administradores e em algumas áreas, como a logística, realmente são bons e já demonstraram isso, como na organização da Copa do Mundo, das Olimpíadas e outros grandes eventos ou mesmo dirigindo setores estratégicos como o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes, que no governo Dilma foi presidido por um general, com bons resultados.”

    Segundo Amorim, é correta a afirmação de que o governo Bolsonaro “não é um governo militar, são militares no governo, embora se deva levar sempre em conta que a quantidade influi na qualidade”

    Para ele, um dos objetivos da presença dos militares  seria “não tutelar, mas moderar o presidente”. Com a crise  do coronavírus, porém,  “ficou claro que o presidente não é controlável”.

    Amorim acredita que “partir daí se tem uma situação diferente”, marcado pela “espantosa nomeação” de um general para o ministério da Saúde, num momento de crise sanitária e epidemiológica.

    A partir daí, segundo ele, vai ficando claro que os militares  se envolveram demais com um governo sem rumo e estão numa “situação difícil” cujo desdobramento ainda não se pode prever.

    Aldo Rebelo, de certa forma, corroborou as colocações  de Celso Amorim na abertura do debate. Ele disse que não se deve  “avaliar  as instituições pela posição de seus representantes momentâneos”, mas por sua história. “Não posso avaliar o Itamarati pelo Ernesto Araújo, nem as Forças Armadas pelo general Heleno”.

    O general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, segundo Rebelo, “não é representativo”.

    “As Forças Armadas, segundo ele,  têm um papel maior do que sugerem alguns episódios protagonizados por aqueles que se imaginam seus representantes”

    Para Rebelo, “não se pode olhar a conjuntura e, a partir dela, fazer julgamentos definitivos”.  Embora, diz ele, não se deva passar ao largo da conjuntura, para entender o papel dos militares é recomendável  um olhar mais abrangente.  “É preciso ver a história e o papel da instituição militar  na defesa e na construção do país em momentos difíceis.”

    Rebelo citou o período da Regência, no Regime Imperial, quando o Brasil enfrentou quatro guerras civis – na Bahia, no Maranhão, no Pará e, a maior delas, no Rio Grande do Sul, onde a “Guerra dos Farrapos durou dez anos”.

    “Nem o pulso e autoridade do regente Feijó foi capaz de pacificar o país, dividido pelos conflitos entre as lideranças regionais. Não havia uma ideia de nação, o  país poderia ter se fragmentado em cinco ou seis repúblicas.  Foi a instituição militar que  garantiu a unidade. Mais adiante, na Abolição, os militares tiveram participação decisiva. “Floriano Peixoto era abolicionista e participava de clubes clandestinos, os militares homenageavam os abolicionistas. Sem falar na proclamação da República que se concretizou pela ação militar. Na Revolução de 1930 também tiveram participação importante.  O general Góis Monteiro  governou junto com Getulio Vargas, que tinha um projeto de desenvolvimento para o país”.

    Segundo Rebelo, o que aconteceu em 1964 foi fruto da Guerra Fria, que dividiu o mundo em dois polos irreconciliáveis  e levou os militares brasileiros a um alinhamento total aos Estados Unidos e uma exacerbação anti-comunista. A situação hoje é outra.

    “Não acho que os militares estão no governo. Estão no governo os amigos de Bolsonaro. Não vejo engajamento dos militares que estão nos quartéis. Heleno, Braga Neto e outros que foram apoiadores de Bolsonaro  desde o início, não representam a instituição.”

    Para Rebelo, a atual crise institucional tem origem em outros fatores, para além da questão militar.

    As raízes da atual instabilidade, segundo o ex-ministro, estão no processo que derrubou a presidente Dilma Rousseff e que teve como principais protagonistas, não os militares, mas o Ministério Público, a Polícia Federal e o próprio STF.

    “Imagino se Dilma tivesse dado posse ao presidente Lula como chefe da Casa Civil, independente da decisão do supremo”, diz Rebelo.

    Ministro da Defesa durante a crise que culminou com a queda da presidente, Aldo Rebelo revelou que mandou para Dilma e seu ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, um parecer jurídico mostrando que o então juiz Sérgio Moro cometeu crime contra a Segurança Nacional quando vazou para a imprensa o telefonema da presidente para Lula, falando da sua nomeação para a Casa Civil.

    “Não tenho dúvida que ele cometeu crime contra a Segurança Nacional ao divulgar  o telefonema entre a presidente da República e o ex-presidente Lula”.

    Segundo Rebelo,  Dilma poderia ter mandado prender o juiz Sérgio Moro por esse motivo.  “Não tenho dúvida que ele cometeu crime contra a Segurança Nacional ao vazar uma comunicação pessoal da presidente da República. Eu mandei para a Dilma o parecer do meu Ministério da Defesa, comprovando isso, mandei para o ministro da Justiça o mesmo parecer. Ali, ele cometeu também crime contra a Administração pública.” Seriam dois crimes, portanto, segundo Rebelo.

    “Os defensores da legalidade, aqueles que estão hoje tão melindrados pelo respeito entre os poderes, o que fizeram? Nada, apoiaram o impeachment.”

    Segundo Rebelo, a disputa pelo poder entre as corporações do MP, PF e o próprio STF, que querem usurpá-lo da verdadeira fonte do poder que é o povo, “isso é o que está na origem da instabilidade que o país vive hoje”.

    “O ministro Heleno  julga que o STF extrapolou  suas atribuições ao pedir um parecer da Procuradoria Geral da República sobre um requerimento da oposição para recolher os telefones de Bolsonaro. Veja que o STF não mandou quebrar o sigilo nem recolher os telefones de Bolsonaro. O que o ministro fez foi consultar sobre o pedido de deputados da oposição,com base numa lei”.

    “Fica claro que essa nota ameaçando com “consequências imprevisíveis”  tem por objetivo  calar o parecer da procuradoria . O que o GSI tem a ver com isso?”

    “É bravata, inconsequência, que não faz bem à  biografia dele e vai destruindo o esforço de construção democrática, esse é o governo. Não acredito que os militares profissionais, que tem as responsabilidades, vão se meter numa situação dessas. Se meter para quê? Com que resultado? Patrocinar a defesa de um governo, que patrocina cenas deploráveis como as que foram mostradas no vídeo da reunião ministerial… é esse governo que ameaça as instituições?  O ministro Heleno deve saber que consequências imprevisíveis serão imprevisíveis para todos, inclusive para ele. Na minha terra se diz que cachorro que late não morde. Por isso vou dormir tranquilo, pois apesar do barulho midiático não terá maiores consequências”, disse o ex-ministro.

    Segundo Rebelo, a pior das consequências que já está se fazendo sentir nesse processo é o enfraquecimento do Poder Executivo, “o único poder que tem condições de enfrentar a grave crise econômica e social que estamos vivendo e que vai se agravar ainda mais”.

    O Congresso, segundo ele, “é uma instituição municipalista, o Senado é federalista,  é voltado para os Estados. Só o Executivo  atende à nação como um todo e o Executivo só se faz representar quando é forte, atuante, que tem iniciativa. No Brasil, só quando o executivo foi forte e teve iniciativa foi possível combater as desigualdade sociais e regionais”.

    Segundo Rebelo toda essa agenda de que o atual governo se queixa,  de esvaziamento do poder executivo, foi a agenda apoiada por muita gente,  para enfraquecer a presidente Dilma. “As pautas bombas, as emendas obrigatórias, o controle do orçamento, tudo para fragilizar o Executivo. Foi ali que tudo isso começou. E como diz o poeta: Rei fraco faz fraca a forte gente”

    O irônico, para Rebelo, é que o empoderamento das corporações  como o Ministério Público e a Polícia Federal e do próprio judiciário se deu nos governos do PT. “Hoje o alvo delas  é a política. As corporações acham que a política é corrupta, os votos são comprados, os políticos, incompetentes. Eles estão ungidos pelos seus concursos, sua meritocracia e se aproveitam de um governo ruim e desorientado.”

    Confira: http://www.youtube.com/watch?v=UgjcHJjc6Jk

  • Estudo das Nações Unidas prevê queda “sem precedentes” na saúde, educação e nível de vida

    Estudo das Nações Unidas prevê queda “sem precedentes” na saúde, educação e nível de vida

    O Programa  das Nações Unidas para o Desenvolvimento  divulgou uma previsão do impacto global da pandemia nos níveis de saúde, educação e condições de vida.

    Será “um retrocesso sem precedentes no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do planeta”.

    O recuo universal do IDH em decorrência da covid-19 seria o primeiro em 30 anos, desde que o indicador foi criado, em 1990.

    “O mundo passou por muitas crises nos últimos 30 anos, incluindo a crise financeira global de 2007 a 2009. Cada uma delas afetou fortemente o desenvolvimento humano, mas, em geral, os ganhos de desenvolvimento foram acumulados globalmente ano a ano. A covid-19, com seu triplo impacto em saúde, educação e renda, pode mudar essa tendência”, declarou o administrador do Pnud, Achim Steiner, ao comentar as conclusões do estudo.

    De acordo com a análise, a renda per capita global deve cair 4% em 2020, com elevação dos índices de desemprego e endividamento dos governos.

    Na saúde, o colapso dos sistemas de atendimento em todo o planeta deve ir além de não conseguir dar conta dos infectados pela covid-19. Pode inviabilizar o também atendimento de outras doenças, elevando os riscos de morte para outros segmentos, além dos grupos de risco do novo coronavírus.

    Em relatório divulgado na última semana, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estimou que 6 mil crianças podem morrer diariamente de causas evitáveis, nos próximos seis meses, em razão do enfraquecimento dos sistemas de saúde pelo mundo causado pelo coronavírus.

    Segundo o Pnud, a deterioração do IDH será maior nos países pobres e em desenvolvimento.

  • Celso de Mello anuncia que decidirá hoje sobre divulgação da reunião ministerial

    Celso de Mello anuncia que decidirá hoje sobre divulgação da reunião ministerial

    O ministro Celso de Mello decidirá até as 17h desta sexta-feira (22) sobre o sigilo da gravação da reunião ministerial apontada pelo ex-ministro Sergio Moro como prova de que o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir na autonomia da Polícia Federal.

    A informação é da assessoria de imprensa do Supremo Tribunal Federal.

    O vídeo é parte do inquérito autorizado pelo ministro, a pedido da Procuradoria Geral da República (PGR), para apurar a acusação de Moro.

    Segundo o ex-ministro, Bolsonaro tentou interferir na PF para evitar que familiares fossem investigados.

    Parte dos diálogos da reunião foram transcritos pela Advocacia Geral da União e entregues ao STF.

    No trecho selecionado, o presidente aparece reclamando da falta de informações da Polícia Federal e afirmando que iria “interferir”.

    De acordo com o documento, Bolsonaro afirmou na reunião que não iria esperar “foderem” alguém da família ou amigo dele para trocar a “segurança” no Rio.

    A realizada em 22 de abril e teve a presença de Bolsonaro, do vice, Hamilton Mourão, de Moro e de outros ministros. Ao todo, teriam participado 25 autoridades.

    Nesta quinta, Bolsonaro afirmou em uma transmissão ao vivo por uma rede social que a divulgação do vídeo mostrará que “não tem nada”, “nenhum indício” de que interferiu na Polícia Federal.

    “Agora, só peço [a Celso de Mello]: não divulgue a fita toda. Tem questões reservadas, tem particularidades ali de interesse nacional. O resto, do que eu falei, tem dois pedacinhos de 15 segundos que é questão de política externa e não pode divulgar. O resto, divulga. E tem bastante palavrão, tá? Se o ministro resolver divulgar, vou cumprir a decisão judicial, tá certo?”, afirmou o presidente.

    Para ele, o “mais importante” é que a divulgação do vídeo “vai dizer que não houve uma palavra” mencionando a Polícia Federal.

    Na última segunda-feira (21), Celso de Mello assistiu ao vídeo e informou que decidiria até esta sexta. Segundo a imprensa, o ministro se declrarou estarrecido.

    A defesa do ex-ministro Sérgio Moro pediu a retirada total do sigilo. Mas a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) defendem a divulgação apenas das falas do presidente.

  • Mortes pela Covid 19 no Brasil passam de 20 mil

    O Brasil ultrapassou as 20 mil mortes pela pandemia.

    Levantamento do G1, junto às Secretarias Estaduais computou 20.112 mortes provocadas pela Covid-19, até esta sexta-feira, 22.

    Os casos confirmados da doença no país chegaram a 312.074.

    O Brasil é o terceiro país no mundo com o maior número de casos confirmados da doença, atrás de Estados Unidos e Rússia.

    O balanço do Ministério da Saúde divulgado nesta quinta-feira (21) informa 20.047 mortos e 310.087 casos.

    Foram 1.188 mortes incluídas no balanço em 24 horas.

    Das 20 cidades com maior mortalidade, 15 estão no Norte e cinco no Nordeste.

    Taxa de ocupação de leitos de UTI
    Acre – 23,3% em todo o estado em 28/4
    Alagoas – 68% em todo o estado da rede pública e contratualizados em 20/5
    Amapá – 100% em todo o estado em 18/5
    Amazonas – 79% em todo o estado em 19/5
    Bahia – 53% em todo o estado em 17/5
    Ceará – 89% em todo o estado em 17/5
    Espírito Santo – 78,13% em todo o estado em 19/5
    Maranhão – 94,31% na capital em 17/5
    Mato Grosso – 12,20% em todo o estado em 20/5
    Mato Grosso do Sul – 1,40% em todo o estado em 17/5
    Minas Gerais – 59% em todo o estado em 5/5
    Pará – 81,16% em todo o estado em 17/5
    Paraíba – 65% em todo o estado em 17/5
    Paraná – 38% em todo o estado em 20/5
    Piauí – 50,20% em todo o estado em 17/5
    Pernambuco –52,20% em todo o estado em 7/5
    Rio de Janeiro – 98% em todo o estad86% publico em 4/5
    Rio Grande do Norte – 86% do sistema público em todo o estado em 17/5
    Rio Grande do Sul – 73,20% em todo o estado em 17/5
    Rondônia – 31,60% em todo o estado em 11/05
    Santa Catarina – 58% do sistema público em todo o estado em 20/5
    São Paulo – 71,70% em todo o estado em 20/5
    Sergipe – 56,30% do sistema público em todo o estado em 13/5
    Tocantins – 35% dos leitos ocupados em 8/5.

    Distrito Federal, Goiás e Roraima não divulgaram a taxa de ocupação.

     

     

  • Cloroquina causa mais uma baixa no Ministério da Saúde: secretário pediu demissão

    A polêmica em torno da cloroquina causou mais uma baixa no Ministério da Saúde do governo Bolsonaro.

    Por discordar do novo protocolo para uso do medicamento no tratamento da Covid 19, o secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde do Ministério da Saúde, Antonio Carlos Campos de Carvalho, pediu demissão.

    Sua exoneração, “a pedido”, foi publicada  na edição da madrugada desta sexta-feira (22) do “Diário Oficial da União”. O decreto foi assinado pelo Ministro da Casa Civil, general Walter Souza Braga Netto.

    Carvalho ficou no cargo apenas  18 dias e sua saída  foi atribuída à discordância com a posição do presidente Jair Bolsonaro, que estimula o uso da cloroquina em pacientes com os primeiros sintomas da Covid 19.

    Antes, ele já  havia declarado à  imprensa que era contra o novo protocolo para uso do medicamento, adotado por pressão de Bolsonaro.

    Em entrevista ao jornal “Folha de S. Paulo”, o então secretario disse que deixaria o cargo por considerar precipitada a mudança de protocolo no uso da cloroquina.

    O setor que Carvalho chefiava é responsável, segundo o site do Ministério da Saúde, pelo o desenvolvimento da capacidade científica, tecnológica e produtiva nacional para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde.

    Na quarta-feira (20), o Ministério da Saúde divulgou o protocolo que libera no SUS o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina até para casos leves de Covid-19.

    Não há comprovação científica de que a cloroquina é capaz de curar a Covid-19. Estudos internacionais não encontraram eficácia no remédio e a Sociedade Brasileira de Infectologia não recomenda o uso.

    O protocolo da cloroquina foi motivo de atrito entre Bolsonaro e os últimos dois ministros da Saúde, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich. Em menos de um mês, os dois deixaram o governo.

    O decreto:
    O MINISTRO DE ESTADO CHEFE DA CASA CIVIL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no art. 4º do Decreto nº 9.794, de 14 de maio de 2019, resolve:
    Nº 254 – EXONERAR, a pedido,
    ANTONIO CARLOS CAMPOS DE CARVALHO do cargo de Secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde do Ministério da Saúde, código DAS 101.6, a partir de 18 de maio de 2020.
    WALTER SOUZA BRAGA NETTO

  • Comitê pela Democracia debate a “militarização do governo Bolsonaro”

    Comitê pela Democracia debate a “militarização do governo Bolsonaro”

    Mais de dois mil cargos, inclusive nove dos 22 ministérios,  do governo Bolsonaro são ocupados por militares.  O próprio presidente, capitão reformado, e seu vice, o general Hamilton Mourão são oriundos da caserna.

    “Há mais militares no governo brasileiro do que na Venezuela, acusada por muitos de ser uma ditadura civil-militar”, diz o cientista político Benedito Tadeu César, que nesta sexta-feira, 22,  será o mediador de um debate on line sobre o tema, promovido pelo Comitê em Defesa da Democracia.

    Até que ponto essa “militarização do governo”, reforçada pelos discursos autoritários do presidente da República, representa um risco para a democracia no país?

    Essa é a pergunta central que os debatedores – Celso Amorim e Aldo Rebelo, dois civis que ocuparam o ministério da Defesa – vão responder.

    O debate on line começa às 18 horas  e será transmitido ao vivo pelos canais do jornal JÁ, Brasil de Fato, Rede Soberania, (Facebook), as rádios web Manawa e Vale do Mampituba, além do canal do Comitê no You Tube e Facebook.

    http://www.youtube.com/watch?v=UgjcHJjc6Jk

     

  • Celso Amorim e Aldo Rebelo participam do debate sobre a questão militar no Brasil

    Confira como foi a transmissão do debate clicando aqui.

    “A Questão Militar no Brasil Hoje” será o tema de mais uma edição dos Debates Mensais sobre Conjuntura Política do Comitê em Defesa da Democracia e do Estado Democrático de Direito, evento que será realizado na próxima sexta-feira, dia 22 de maio, a partir das 18 horas. O debate contará com a participação dos ex-ministros da Defesa Aldo Rebelo e Celso Amorim como debatedores e do jornalista e escritor Fernando Morais e do cientista político Benedito Tadeu César como mediadores.

    O evento faz parte das atividades promovidas pelo Comitê em Defesa da Democracia e do Estado Democrático de Direito e será transmitido pelos meios de comunicação do comitê: canal no Youtube, página no facebook e site, pela Rede Soberania, pelos jornais Brasil de Fato e Já Porto Alegre, pelos blogs Nocaute e Esquina Democrática, bem como pelas rádios Manawa Rádio Web e Vale do Mampituba Rádio Web.

    Confira como foi a transmissão do debate clicando aqui.