A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (26) um auxílio emergencial por três meses, no valor de R$ 600,00, para trabalhadores autônomos, informais e sem renda fixa durante a crise provocada pela pandemia de coronavírus.
O auxílio pode chegar a R$ 1.200 por família.
O valor é três vezes maior do que os R$ 200 propostoo pelo Executivo no início da pandemia. O projeto prevê ainda que a mãe provedora de família “uniparental” receba duas cotas.
Os trabalhadores deverão cumprir alguns critérios, em conjunto, para ter direito ao auxílio:
– ser maior de 18 anos de idade;- não ter emprego formal;
– não receber benefício previdenciário, seguro-desemprego ou de outro programa de transferência de renda que não seja o Bolsa Família;
– renda familiar mensal per capita (por pessoa) de até meio salário mínimo (R$ 522,50) ou renda familiar mensal total (tudo o que a família recebe) de até três salários mínimos (R$ 3.135,00); e
– não ter recebido rendimentos tributáveis, no ano de 2018, acima de R$ 28.559,70.
Pelo texto, o beneficiário deverá ainda cumprir uma dessas condições:
– exercer atividade na condição de microempreendedor individual (MEI);
– ser contribuinte individual ou facultativo do Regime Geral de Previdência Social (RGPS);
– ser trabalhador informal inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico); ou
– ter cumprido o requisito de renda média até 20 de março de 2020.
Pelas regras, o trabalhador não pode ter vínculo formal, ou seja, não poderão receber o benefício trabalhadores com carteira assinada e servidores públicos.
Pela proposta, também será permitido a duas pessoas de uma mesma família acumularem benefícios: um do auxílio emergencial e um do Bolsa Família.
Se o auxílio for maior que a bolsa, a pessoa poderá fazer a opção pelo auxílio. O pagamento será realizado por meio de bancos públicos federais via conta do tipo poupança social digital. Essa conta pode ser a mesma já usada para pagar recursos de programas sociais governamentais, como PIS/Pasep e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), mas não pode permitir a emissão de cartão físico ou cheques.
Com a medida, a estimativa é de um impacto de R$ 14 bilhões no orçamento fiscal.
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia argumentou que o valor pago aos trabalhadores informais deve ser mantido caso ainda haja necessidade após os três meses previstos no texto.
Estima-se que 25 milhões de brasileiros serão beneficiados pelo abono emergência.
“Nós aguardamos agora crédito para as pequenas e médias empresas, porque nós sabemos que também elas estão paradas e não têm como se sustentar”, disse o líder do MDB, deputado Baleia Rossi (SP).
O projeto segue para aprovação no Senado.
Hospitais filantrópicos
O plenário também aprovou a suspensão, por 120 dias, a contar de 1º de março, a obrigatoriedade de hospitais filantrópicos de cumprirem metas quantitativas e qualitativas contratadas junto ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Em troca de isenção de impostos, essas unidades de saúde precisam prestar serviços de saúde como consultas, exames e procedimentos de média e alta complexidade (cirurgias, por exemplo) ao SUS.
Outra proposta aprovada pelos parlamentares garantiu um adicional de insalubridade para trabalhadores de serviços essenciais ao combate a epidemias em casos de calamidade pública.
O texto prevê que profissionais da área de saúde, segurança pública, vigilância sanitária, corpo de bombeiros e limpeza urbana no combate de epidemias devem receber o pagamento de adicional de insalubridade em grau máximo, o equivalente a 40% do salário mínimo da região (R$ 418).
A partir desta quinta-feira, 26, cidadãos com mais de 60 anos de idade não poderão mais circular em parques e praças de Porto Alegre. A interdição dessas áreas urbanas para esse público foi divulgada em edição extra do Diário Oficial do Município (Dopa) desta quarta-feira, 25. O descumprimento desta norma prevê multa de até R$ 429,20, o equivalente a 100 Unidades Fiscais de Referência (UFR).
O Decreto 20.529 também mantém a regra de isolamento domiciliar para pessoas com 60 anos ou mais, que vale até o dia 15 de abril, além de determinar a abordagem individual e coletiva dos agentes fiscais para a orientação a idosos que forem encontrados fora de casa nesse período. O texto foi construído em consonância com as orientações do Ministério Público e preserva o direito constitucional de ir e vir, acolhido pelo artigo cinco da Constituição Federal. A restrição a parques e praças é similar à determinação do governo do Estado do Rio Grande do Sul, que proíbe a visitação às praias gaúchas neste momento.
Pessoas nesta faixa etária compõem grupo de risco para a Covid-19, de acordo com classificação do Ministério da Saúde e da Organização Mundial de Saúde (OMS). O controle da circulação de pessoas visa minimizar o risco de contágio pelo novo Coronavírus na capital gaúcha, que já tem 100 contaminados, de acordo com o último balanço divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
Em nove dias, 31 decretos já foram publicados por Marchezan com medidas de caráter excepcional que acompanham a situação epidemiológica do município.
O prefeito Nelson Marchezan Júnior determinou que, em até 48 horas, os titulares dos órgãos da Administração Pública Direta e Indireta apresentem uma revisão completa de todos os contratos e termos de parceria celebrados pelo Município. O decreto foi publicado em edição extra do Diário Oficial (Dopa) dessa quarta-feira, 25.
O objetivo é redimensioná-los, se necessário, às reais necessidades de Porto Alegre enquanto todos os esforços e prioridades da estrutura pública estiverem focados no enfrentamento da disseminação do novo coronavírus. A norma vale durante a vigência da situação de emergência do município, declarada pelo Decreto 20.505.
No Decreto 20.530, Marchezan detalha ainda que uma revisão periódica deverá ser reapresentada semanalmente, o que poderá incluir rescisão, implementação de novas condições temporárias, suspensão, redução ou alteração do objeto contratado.
A possibilidade de alterar contratos com fornecedores do município já estava prevista no Decreto 20.520, de 20 de março.
Um total de 413.467 casos da COVID-19 foram notificados globalmente até às 10h00 CET (0900 GMT) da quarta-feira, de acordo com o painel de situação da Organização Mundial da Saúde (OMS).
O número global de mortos pela COVID-19 subiu para 18.433, em 196 países e regiões.
Fora da China, o número de casos confirmados subiu para 331.619, dos quais cerca de 240 mil casos foram notificados pelos seis países mais afetados com mais de 20 mil casos cada, nomeadamente, Itália, Estados Unidos, Espanha, Alemanha, Irã e França.
“A pandemia continua a ter um enorme impacto não apenas na saúde, mas também em tantas partes da vida”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, na quarta-feira.
Tedros observou que muitos países introduziram medidas sem precedentes a um custo social e econômico significativo.
Segundo Tedros, ao pedir às pessoas que fiquem em casa e restringir o movimento da população, esses países estão ganhando tempo e reduzindo a pressão sobre os sistemas de saúde.
No entanto, o chefe da OMS ressaltou que essas medidas não extinguirão as epidemias por conta própria. Ele reiterou a necessidade de tomar medidas agressivas para identificar, isolar, testar, tratar e rastrear os casos da COVID-19.
Observando que mais de 150 países e regiões veem menos de 100 casos, Tedros disse que esses países e regiões têm a chance de evitar a transmissão comunitária e evitar alguns dos custos sociais e econômicos mais severos vistos em outros lugares.
O Ministério da Saúde informou nesta quarta-feira que em 24 horas os casos confirmados da Covid-19 passaram de 2.201 para 2.433 e o número de mortes, de 46 para 57, o que representa uma taxa de letalidade de 2,4%.
Foram registrados 48 óbitos em São Paulo, seis no Rio de Janeiro, um no Rio Grande do Sul e, pela primeira vez foram registradas mortes no Norte e Nordeste, uma no Amazonas e outra em Pernambuco.
A primeira morte no país foi registrada em São Paulo, dia 17 de março.
Os casos confirmados se concentram em São Paulo (862), Rio de Janeiro (370), Ceará (200), Distrito Federal (160), Minas Gerais (133), Rio Grande do Sul (123), Santa Catarina (109), Bahia (84), Paraná (81) e Pernambuco (46).
Na apresentação dos números, o ministro Luiz Henrique Mandetta ressaltou que o dia 26 de março marca 30 dias do aparecimento do primeiro caso da COVID-19 no país.
Com base nos dados coletados neste primeiro mês de epidemia, será elaborado um balanço nos próximos dias para projetar as ações para as próximas semanas.
“Do meu ponto de vista, temos uns números dentro do esperado. Mas vamos trabalhar até o fim da semana para ver quais são as projeções. A partir de amanhã, teremos nossa plataforma (online) disponível com mais detalhes para que a população entenda a maneira como essa virose se desenvolve em nossa sociedade”, afirmou o ministro Luiz Henrique Mandetta.
Ele disse que os números estão crescendo em um ritmo aproximadamente igual nos últimos dias e que a preocupação está nos estados mais populosos.
“São Paulo e Rio de Janeiro, além de Minas Gerais, são os estados que mais nos preocupam, pois é onde estão concentrado os casos. Os três estados somam 100 milhões de pessoas, quase a metade da população do Brasil”, destacou o ministro.
Diante da situação de calamidade pública no país, e mesmo depois de decretos restritivos para o funcionamento do comércio em Porto Alegre e dos constantes apelos do prefeito Nelson Marchezan Júnior para que as pessoas permaneçam em casa, a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), responsável por regular e fiscalizar as atividades relacionadas com o trânsito da Capital, ainda permite que a empresa Zona Azul Brasil, que opera o estacionamento rotativo na cidade, multe os motoristas que permanecerem estacionados em área azul sem o devido pagamento das tarifas e por tempo ilimitado.
Uma das situações ocorreu com motoristas na avenida Ramiro Barcelos, bairro Rio Branco, onde os moradores de um prédio que não dispõe de garagem foram surpreendidos com multas nos veículos. O servidor, mais conhecido por azulzinho, disse que recebeu orientação para continuar aplicando multas, que inclui, segundo ele, pagamento de R$ 190 e quatro pontos na carteira.
O jornal JÁ entrou em contato com a Zona Azul Brasil, com sede na rua Uruguai, no Centro, e solicitou contato com a assessoria de comunicação. O atendente, que não quis se identificar, informou que a assessoria de imprensa da empresa era feita pela Prefeitura de Porto Alegre. Diante do estranhamento do repórter, por se tratar de uma empresa privada, o funcionário explicou que são “apenas prestadores de serviço para o poder público municipal” e repassou o telefone da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC).
Na assessoria de imprensa da EPTC, ninguém atendeu. Foi enviada uma mensagem pela página da EPTC no Facebook pedindo esclarecimentos sobre a aplicação de multas, diante da necessidade de as pessoas permanecerem em suas casas, com os veículos estacionados na área azul sem ter de pagar pelo uso do espaço.
O único retorno foi uma resposta automática: “Boa tarde, como podemos ajudar?” Ao ligar novamente, um funcionário da EPTC disse que a área azul continua funcionando normalmente e que não havia decreto algum liberando os motoristas dos pagamentos nos estacionamento rotativos e da necessidade de respeitar os limites de tempo.
De acordo com o contrato celebrado com a Prefeitura, a empresa Zona Azul Brasil opera 220 parquímetros e controla 4,2 mil vagas de estacionamento, gerenciadas digitalmente.
No momento em que se prevê a aceleração da propagação da Covid 19 no Brasil, o país amanheceu nesta quarta-feira dividido entre a orientação seguida pelos governos estaduais e as autoridades médicas e a posição do presidente da República, expressa em polêmico pronunciamento na noite de terça-feira.
Alinhados às recomendações seguidas no mundo inteiro, os governadores e os especialistas da área de saúde adotam medidas para evitar a circulação de pessoas e as reuniões ou aglomerações para reduzir o ritmo do contágio.
Na direção oposta, Bolsonaro disse em rede nacional que não faz sentido suspender aulas, restringir transportes e manter as pessoas confinadas em casa, porque isso vai agravar as consequências da epidemia, provocando uma crise econômica e social de proporções incalculáveis.
O presidente brasileiro se alinha com Donald Trump, que resiste à orientação de confinamento de toda a população como forma de conter a propagação da doença, como vem sendo adotado em todos os outros países. Trump diz que isso vai provocar uma crise econômica que pode “destruir os Estados Unidos”.
Bolsonaro recomenda que os governadores revoguem as medidas de contenção já decretadas e seu posicionamento provoca uma reação em todas as áreas.
No meio desse embate, está a população que revela perplexidade pois a posição do presidente da República contraria até a linha que vinha sendo seguida pelo Ministério da Saúde desde o início da crise.
Neste contexto, o país perde uma condição que é apontada pelos especialistas como essencial no combate à doença que é a união de esforços e a solidariedade entre todos.
A crise política que se acirra com esta situação pode ser mais danosa ao país do que a própria pandemia.
Especialistas da área médica criticam desde o início a falta de iniciativa das autoridades brasileiras.
A contenção, que é a primeira fase do combate a uma epidemia, deve começar antes mesmo das primeiras notificações no país, com o controle de pessoas vindas de países ou regiões onde já há contaminação.
O Brasil, assim como Europa e os Estados Unidos , se encontra na fase de mitigação, que é quando as transmissões tem forma comunitária, sem possibilidade de saber a origem da contaminação. Segundo o Ministério da Saúde, há transmissão comunitária em todo o país.
É o momento em que os infectologistas recomendam medidas que possam reduzir a transmissão: cancelamento de eventos, fechamento de locais públicos e comércio, diminuição da circulação de pessoas e quarentena.
Quando o ritmo do contágio se acelera é preciso adotar medidas de supressão, para impedir o colapso dos serviços de saúde pelo grande número de pessoas contaminadas e os casos graves e as mortes.
No Brasil, a primeira morte aconteceu no dia 17 e nesta quarta-feira, oito dias depois, já são 48 mortes (40 em São Paulo, quatro no Rio, uma em Porto Alegre e outra em Manaus).
O posicionamento do presidente Bolsonaro, agora, dissemina a confusão, reforçando a conduta errática que se percebe no governo federal desde o início, apesar das atitudes do ministro da Saúde, Henrique Mendetta, que agora ficou sem o que dizer.
No início do mês de março, em visita aos Estados Unidos, o presidente Bolsonaro disse que o problema vinha sendo “superdimensionado”. E em nenhum momento assumiu a coordenação da estratégia de combate ao surto.
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mendetta, vinha quase na contramão da posição do presidente e foi o único apoio que tiveram governadores e prefeitos que tomaram no início do mês as primeiras iniciativas.
Os próximos dias serão decisivos no desdobramento desta crise.
O pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro na noite desta terça-feira, 24, beira a insanidade.
Ou ele vai dar um golpe ou vai ser interditado.
Bolsonaro disse que começou a enfrentar o novo coronavírus desde a chegada dos brasileiros que estavam de quarentena em Wuhan. Ele e o ministro da Saúde, Henrique Mandetta, lutaram “quase contra tudo e contra todos”, afirmou.
Para Bolsonaro, os meios de comunicação “espalharam a sensação de pavor” no Brasil e promoveram o que ele chamou de “histeria” no país.
O presidente mais uma vez minimizou a doença que já matou mais de 16 mil pessoas nos últimos três meses. Segundo ele, a realidade que afeta a Itália não será a mesma no Brasil por conta do clima – o que não é comprovado cientificamente.
Indiretamente, ele atacou o Jornal Nacional – ao citar um pedido de “calma” feito pelos âncoras do telejornal – e a TV Globo, usando o médico Dráuzio Varella, que em janeiro havia apontado que o cenário no Brasil seria outro em razão de pesquisas que circulavam naquela época.
O presidente mais uma vez mostrou-se mais preocupado com a economia do que com o contágio da doença e defendeu que se voltasse à normalidade do país.
“Nossa vida tem que continuar. Os empregos devem ser mantidos. Devemos sim voltar à normalidade. Algumas autoridades devem abandonar medidas de isolamento”, afirmou, atacando governadores e negando orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS).
“O que se passa no mundo mostra que o grupo de risco são as pessoas maiores de 60 anos. Não tem por que fechar escolas”, disse o presidente.
No pronunciamento, que durou cerca de 4 minutos, Bolsonaro ainda voltou a citar a cloroquina como uma possível cura da doença, exaltando o Hospital Albert Einstein, em São Paulo. “Acredito em Deus que irá capacitar médicos e pesquisadores”, disse ainda.
Até esta terça-feira, o Brasil registrou 46 mortes pela Covid-19 e mais de 2,2 mil casos confirmados de coronavírus em todo o país.
Presidente do Senado, David Alcolumbre, diz que país precisa de “liderança séria”. Em nota emitida logo após o pronunciamento do presidente em rede nacional, ele diz que Bolsonaro “está na contramão”:
“Neste momento grave, o País precisa de uma liderança séria, responsável e comprometida com a vida e a saúde da sua população. Consideramos grave a posição externada pelo presidente da República hoje, em cadeia nacional, de ataque às medidas de contenção ao Covid-19. Posição que está na contramão das ações adotadas em outros países e sugeridas pela própria Organização Mundial da Saúde (OMS). Reafirmamos e insistimos: não é momento de ataque à imprensa e a outros gestores públicos. É momento de união, de serenidade e equilíbrio, de ouvir os técnicos e profissionais da área para que sejam adotadas as precauções e cautelas necessárias para o controle da situação, antes que seja tarde demais. A Nação espera do líder do Executivo, mais do que nunca, transparência, seriedade e responsabilidade. O Congresso continuará atuante e atento para colaborar no que for necessário para a superação desta crise.”
O presidente da Câmara diz que falta “sensatez, equilíbrio e união”:
“Desde o início desta crise venho pedindo sensatez, equilíbrio e união. O pronunciamento do presidente foi equivocado ao atacar a imprensa, os governadores e especialistas em saúde pública. Cabe aos brasileiros seguir as normas determinadas pela OMS e pelo Ministério da Saúde em respeito aos idosos e a todos que estão em grupo de risco. O Congresso está atento e votará medidas importantes para conter a pandemia e ajudar os empresários e trabalhadores. Precisamos de paz para vencer este desafio.”
O presidente da Ordem dos Advogados recomendou à população que “não quebre a quarentena”:
“Entre a ignorância e a ciência, não hesite. Não quebre a quarentena por conta deste que será reconhecido como um dos pronunciamentos políticos mais desonestos da história.”
Gilmar Mendes, ministro do STF:
“A pandemia da Covid-19 exige solidariedade e co-responsabilidade. A experiência internacional e as orientações da OMS na luta contra o vírus devem ser rigorosamente seguidas por nós. As agruras da crise, por mais árduas que sejam, não sustentam o luxo da insensatez”.
Com pelo menos três meses de vantagem sobre todos os demais países, a China dá sinais de que não pretende perder a oportunidade de expandir sua influência em todos os continentes.
Na segunda-feira, o porta voz do Ministério das Relações Exteriores, Geng Shuang, informou que “a China pediu aos Estados Unidos que parem de politizar a COVID-19 e estigmatizar o país”.
Segundo o porta-voz, Donald Trump disse a repórteres no sábado que desejava que “a China tivesse nos dito mais sobre o que estava acontecendo na China”.
Geng cita “reportagens relevantes” sobre o plano de comunicação da Casa Branca, “com foco em acusar a China de orquestrar um encobrimento e criar uma pandemia global”.
O porta-voz chinês lembrou que na semana passada, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, acusou a China, a Rússia e o Irã de “realizarem campanhas de desinformação relacionadas à pandemia do coronavírus”.
Qualificando as acusações dos EUA de ”calúnia desajeitada”, Geng afirmou que a China “vem mantendo a Organização Mundial da Saúde e os países e regiões relevantes, incluindo os Estados Unidos, atualizados com sua situação epidêmica nacional de maneira aberta, transparente e responsável”.
“Os esforços da China vêm sendo apreciados pela comunidade internacional”, disse Cheng, “acrescentando que o povo chinês nos últimos dois meses e ganhou um tempo precioso para outros países”.
“Com trocas rotineiras de informações com a OMS e outros países, incluindo os Estados Unidos desde 3 de janeiro, a China anunciou o fechamento das saídas de Wuhan em 23 de janeiro”, assinalou o porta-voz.
“Em 2 de fevereiro, o governo norte-americano anunciou sua decisão de proibir os estrangeiros que visitaram a China nos últimos 14 dias de entrar no país, quando apenas dez casos confirmados eram registrados”.
Em 50 dias, o número subiu para cerca de 30 mil, disse Cheng. “Que medidas efetivas os Estados Unidos tomaram nos 50 dias?”, questionou.
“Estados Unidos desperdiçaram completamente o precioso tempo ganho pela China na luta com a COVID-19”, disse Cheng.
Essa retórica do porta-voz chinês faz parte de uma estratégia.
Nesta terça-feira, a Organização Mundial da Saúde reconheceu que os Estados Unidos podem se tornar o novo epicentro da epidemia, dada a aceleração do contágio no país.
Isso ocorre no momento em que a China, onde surgiu o novo coronavirus há quatro meses, dá demonstrações de que venceu a epidemia e está voltando a normalidade.
Todas as escolas de ensino fundamental e médio voltaram a funcionar normalmente desde segunda-feira na região de Xinjiang, noroeste da China, a primeira de nível provincial do país a retomar o ano letivo.
A reabertura ocorreu após 34 dias sem relato de novos casos de infecção do coronavírus.
Mais de 4 milhões de estudantes voltaram às aulas em 5.004 escolas de ensino fundamental, médio e profissional em toda a região.
A Província de Hubei, cuja capital Wuhan foi o epicentro da epidemia no país, anunciou que suspenderá nesta quarta-feira as restrições a circulação de pessoas em todas as áreas.
A capital Wuhan continua com restrições, que serão levantadas a partir de 8 de abril, segundo as autoridades locais.
Nesse contexto, o porta voz do Ministério das Relações Exteriores afirmou em entrevista coletiva que “a China vai aumentar seu apoio aos esforços de todos os países no combate à COVID-19”.
Geng disse que a ajuda de emergência do governo chinês com materiais anti-epidemia vai chegar a 54 países do continente africano.
“O país também continuará a coordenar e incentivar as empresas e instituições privadas chinesas a fornecerem ativamente apoio anti-epidemia aos países africanos”.
“A China presta estreita atenção à situação da epidemia na África e fornece ativamente aos países africanos e à União Africana (UA) vários tipos de assistência material, incluindo testes de reagentes e produtos de proteção médica”, informou Geng, acrescentando que alguns materiais já chegaram.
Especialistas chineses estão organizando videoconferências para orientar equipes médicas chinesas que já atuam na África.
“Muitas empresas, organizações não-governamentais e cidadãos chineses que vivem na África também prestaram assistência ao continente”, acrescentou Geng.
Não é só a África. Na segunda-feira uma equipe sete de médicos chineses chegou a Phnom Penh, a capital do Camboja, para ajudar o país a combater a pandemia da COVID-19, segundo Geng Shuang.
O presidente do Camboja recebe médicos chineses
O governo chinês também doou um lote de materiais anti-epidêmicos ao Camboja, incluindo kits de teste, máscaras de proteção N95, máscaras cirúrgicas, roupas de isolamento e roupas de proteção médicas, disse Geng em uma coletiva de imprensa.
“Isso não é apenas um reflexo da amizade especial China-Camboja, mas também o que devemos fazer como uma comunidade com um futuro compartilhado e amigos de ferro”, salientou o porta-voz.
Na segunda-feira, a Fundação Jack Ma, do fundador da multinacional chinesa Alibaba Group, anunciou planos de doar suprimentos médicos a 24 países latino-americanos para ajudá-los em sua batalha contra a propagação da COVID-19.
Dois milhões de máscaras, 400 mil kits de teste e 104 respiradores serão doados a 24 países latino-americanos, incluindo Argentina, Brasil, Chile, Cuba, Equador, República Dominicana e Peru.
Material destinado a países da América Latina
Também a Itália está recebendo ajuda. Desde segunda feira, especialistas da China estão em contato com médicos da Itália para ajudar no tratamento dos pacientes idosos infetados.
Segundo a agência oficial do governo chinês, foram especialistas italianos que “pediram pelos compartilhamento de experiências dos colegas chineses”.
Os especialistas chineses “compartilharão mais experiência e responderão a perguntas”, segundo Zhang Junhua, do Centro de Desenvolvimento de Recursos Humanos da Saúde da Comissão Nacional de Saúde.
“Estamos ansiosos para aumentar o intercâmbio e a cooperação científica e de pesquisa entre instituições de pesquisa médica chinesas e italianas”, disse Zhang.
Na noite de segunda-feira, o presidente chinês, Xi Jinping, disse que a China apoia os esforços do Egito de prevenção e controle da epidemia e está pronta para combater conjuntamente o surto da COVID-19.
Xi fez as observações em uma conversa telefônica com o presidente egípcio, Abdel-Fattah al-Sisi, segundo a agência chinesa.
“A humanidade é uma comunidade que compartilha tristeza e alegria, e todos os países devem se unir e trabalhar juntos para lidar com a epidemia”, disse Xi Jingping.
“A China trabalhará com outros países para intensificar a cooperação internacional em prevenção e controle epidêmicos, enfrentar juntos as ameaças e desafios comuns e salvaguardar a segurança de saúde pública global com base na noção de uma comunidade de futuro compartilhado para a humanidade”, destacou.
Ele disse que a China está disposta a compartilhar com o Egito informações relacionadas à epidemia, sua experiência em prevenção e tratamento e os resultados de pesquisas médicas, além de fornecer suprimentos médicos para apoiar seus esforços de prevenção e controle e vencer juntos a doença.
A China atribui grande importância ao desenvolvimento de suas relações com o Egito e está disposta a trabalhar para aprofundar a cooperação prática em diversos campos e transformar sua relação em um modelo piloto de uma comunidade de um futuro compartilhado China-Países Árabes e China-África.
No sábado, uma equipe médica chinesa com experiência na luta contra a COVID-19 chegou à capital da Sérvia, “para ajudar na batalha do país balcânico contra o vírus”.
A equipe de seis membros, segundo as fontes chinesas “foi recebida com aplausos calorosos do presidente sérvio, Aleksandar Vucic, do ministro da Saúde, Zlatibor Loncar, do ministro da Defesa, Aleksandar Vulin e de outros funcionários do governo no Aeroporto de Belgrado”.
“Com experiência em conter a propagação do coronavírus, espera-se que os especialistas chineses forneçam conselhos valiosos à Sérvia, que declarou estado de emergência há cinco dias em um esforço para conter a propagação do vírus e pediu ajuda à China”.
A equipe médica chinesa chegou com respiradores, máscaras médicas, kits de teste e outros suprimentos médicos no primeiro lote de 16 toneladas de doações. Um segundo lote foi carregado em outro voo partindo da China.
O presidente sérvio disse em um discurso de boas-vindas que a chegada dos especialistas chineses para ajudar é de “imensa importância para o nosso país” e que a ajuda médica é “salva-vidas”.
“De agora em diante, vamos ouvir tudo o que eles dizem. Isso excede a política. Queremos mostrar respeito às pessoas que conseguiram derrotar o maior inimigo do mundo de hoje, a COVID-19”, disse ele.
“Vucic também agradeceu ao presidente chinês Xi Jinping, ao Partido Comunista da China e ao povo chinês a amizade e o apoio que prestaram ao povo sérvio neste momento difícil”, segundo a Xinhua News.
“Nós lhes damos nossa imensa gratidão, especialmente por enviar seus especialistas. Eles provaram ser amigos nos momentos mais difíceis em que lutamos pela vida do povo sérvio”, disse o presidente sérvio, acrescentando que “cada um desses respiradores significa uma vida humana salva aqui na Sérvia”.
O embaixador chinês na Sérvia, Chen Bo, disse que os especialistas da Província de Guangdong, no sul da China, vieram diretamente das linhas de frente da batalha chinesa contra a COVID-19.
“Estamos nos momentos mais difíceis, China, Sérvia e todo o mundo. O novo coronavírus representa um inimigo para toda a humanidade, e a solidariedade é mais importante neste momento”, observou Chen.
Outro país que recebe ajuda chinesa é a Grécia. Na manhã de sábado, segundo as fontes chinesas, oito toneladas de suprimentos médicos, fornecidos pelo governo chinês “após o pedido urgente, chegaram na manhã de sábado ao aeroporto internacional de Atenas em um voo da Air China”.
A ajuda consiste em 550 mil máscaras e conjuntos de equipamentos de proteção, de acordo com um comunicado emitido pela embaixada chinesa na Grécia. Também chegaram nesse voo 10 toneladas em equipamentos doados por empresas e organizações chinesas.
Os suprimentos foram coletados e enviados para a Grécia dentro de oito dias, em um momento em que a China ainda estava sob imensa pressão para conter a epidemia e os materiais médicos ainda estão em falta, disse a embaixadora chinesa na Grécia, Zhang Qiyue, em uma cerimônia de entrega com o ministro grego da Saúde, Vasilis Kikilias, na pista do aeroporto Eleftherios Venizelos.
Citando as palavras do filósofo grego Aristóteles (“O que é um amigo? Um amigo significa uma única alma habitando dois corpos”), Zhang disse que “a China e a Grécia têm trabalhado estreitamente em conjunto na luta contra a COVID-19, mostrando evidências da profunda amizade entre as duas nações”.
“Agora, quando a situação na China está melhorando um pouco, estamos fazendo o nosso melhor para ajudar o povo grego no combate a isso. Acreditamos na solidariedade, acreditamos na cooperação. Achamos que a solidariedade e a cooperação são a melhor arma para combater esse vírus”, acrescentou Zhang.
“Estamos profundamente honrados e gratos, e esperamos que você continue a mostrar esses sentimentos de ajuda e apoio ao povo grego”, disse Kikilias.
Após o evento de entrega, Zhang disse à Xinhua que “a epidemia na Grécia está ficando cada vez mais séria (…). China e Grécia são excelentes amigas e parceiras, e por isso estamos fazendo tudo o que podemos para ajudar.”
O ministro grego do Estado, Giorgos Gerapetritis, o ministro do Meio Ambiente e Energia, Kostis Hatzidakis, e o ministro alternativo das Relações Exteriores para Assuntos Europeus, Miltiadis Varvitsiotis, também estavam presentes no evento, de acordo com um comunicado do Ministério da Saúde grego.
No início desta semana, Kikilias visitou a embaixada chinesa em Atenas, onde Zhang lhe entregou 50 mil máscaras faciais doadas pela comunidade chinesa na Grécia.
Até sexta-feira à noite, a Grécia havia registrado 10 mortes pela epidemia, de acordo com as informações da agência nacional de notícias do país. Mais cedo, o Ministério da Saúde grego informou 495 casos confirmados de COVID-19 em todo o país.
Também, segundo a Xinhua, dez países asiáticos receberam suprimentos médicos doados pela Fundação Jack Ma, para ” ajudá-los na luta contra o novo coronavírus”.
Afeganistão, Bangladesh, Camboja, Laos, Maldivas, Mongólia, Mianmar, Nepal, Paquistão e Sri Lanka receberão um total de 1,8 milhões de máscaras, 210 mil kits de teste de COVID-19, 36 mil peças de trajes de proteção e outros materiais, como respiradores e termômetros de testa.
“Entregar rápido não é fácil, mas vamos conseguir”, postou Jack Ma, fundador do Alibaba Group, em sua conta no Twitter. “Força, Ásia!”
As fundações anunciaram na quinta-feira que doarão 2 milhões de máscaras faciais, 150 mil kits de teste e 20 mil trajes de proteção para Malásia, Indonésia, Tailândia e Filipinas.
A cidade de Fuqing, Província de Fujian, leste da China, enviará 700 mil máscaras faciais doadas a países como Itália, Grã-Bretanha e Japão para ajudar os chineses no exterior a combaterem a COVID-19, segundo as autoridades locais.
As máscaras foram doadas por empresas e instituições de caridade da cidade, de onde são mais de 1,6 milhão de chineses que moram no exterior.
Nesta terça-feira, o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, e o presidente do Paquistão, Arif Alvi, reuniram-se em Beijing, prometendo “aumentar a cooperação na prevenção e controle da epidemia da COVID-19”.
Após início do surto, o Paquistão, como amigo da China, ofereceu assistência rapidamente ao povo chinês, lembrou Li.
Ele disse que os dois países estão enfrentando desafios da epidemia no momento, e a China está disposta a compartilhar experiências de controle e fornecer suprimentos médicos ao Paquistão.
Li assinalou que os esforços da China para conter a COVID-19 “alcançaram um ímpeto sustentado e sólido, já que a disseminação do novo coronavírus foi basicamente controlada”.
“À medida que o novo coronavírus está se espalhando em outras regiões do mundo, a China está disposta a intensificar a cooperação com a comunidade internacional para proteger conjuntamente a segurança global da saúde pública, ressaltou Li.
Essa doação faz parte dos esforços globais que a Fundação Jack Ma promoveu para apoiar as áreas mais afetadas pela crise de COVID-19, fornecendo e distribuindo vários tipos de suprimentos médicos para países como Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos, Itália, Bélgica, França, Espanha, Holanda e Eslovênia.
Fundada por Jack Ma, criador do conglomerado Alibaba Group, a Fundação Jack Ma foi criada em 2014 e tem se concentrado em educação, empreendedorismo, liderança de mulheres e meio ambiente.
Como os casos de COVID-19 continuam aumentando em todo o mundo, algumas empresas de internet com sede em Beijing estão fornecendo serviços de consulta médica e psicológica online gratuitos para as pessoas do exterior, a fim de ajudá-las a combater a epidemia.
Mais de 100 mil médicos da Baidu Health, uma plataforma de serviços de ajuda direta que integra grandes instituições profissionais de assistência médica na China, fornecem serviços de 24 horas para as pessoas, incluindo os chineses que vivem em outros países.
Outro portal da internet, a JD Health, também lançou uma plataforma global de consulta de saúde gratuita, reunindo vários especialistas e médicos com uma rica experiência antiepidêmica, incluindo 30 especialistas em medicina tradicional chinesa.
A JD Health também oferece serviços de consulta em inglês para facilitar que estrangeiros procurem ajuda médica.
Shenyang, capital da Província de Liaoning, no nordeste da China, doará 10 mil máscaras descartáveis e 500 trajes de proteção para a cidade de Braga, Portugal, segundo informou a prefeitura local.
Em uma carta ao prefeito de Shenyang, Jiang Youwei, na quinta-feira, Ricardo Rio, o prefeito de Braga, disse que sua cidade espera aprender com a experiência de Shenyang na prevenção e controle do coronavírus, bem como o apoio.
As autoridades de Shenyang organizaram uma videoconferência na sexta-feira à tarde com funcionários e especialistas médicos de Braga para compartilhar sua experiência na prevenção epidêmica e gerenciamento de crise de saúde pública.
Shenyang e Braga estabelecerão uma relação de cidade-irmã de acordo com um acordo assinado durante a visita de Ricardo Rio à cidade chinesa em outubro de 2017.
Especialistas chineses em medicina tradicional chinesa e na ocidental compartilharam, por videoconferência sua experiência no tratamento de pacientes de COVID-19 com seus colegas da Itália, Estados Unidos, Bélgica, Japão e Organização Mundial da Saúde (OMS).
“A melhor experiência da China é internar todos os pacientes no hospital”, disse Zhou Ning, cardiologista do Hospital Tongji, em Wuhan, o epicentro da epidemia, na chamada de vídeo ocorrida na sexta-feira à noite.
“Como a COVID-19 é altamente contagiosa, colocar os pacientes com sintomas leves em quarentena domiciliar é como espalhar fogo por toda parte, o que finalmente levará à infecção de toda a família”, disse ele.
“Internar todos os pacientes também pode impedir que os pacientes com sintomas leves se tornem casos graves, o que, por sua vez, diminui a taxa de fatalidade”, acrescentou Zhou.
A opinião é compartilhada por Li Guangxi, diretor da divisão pulmonar do Hospital Guang’anmen de Beijing, que acredita que, os pacientes devem receber tratamento precoce. “Precisamos focar na primeira semana da doença. É a janela dourada para evitar o desenvolvimento da doença de leve a grave.”
A COVID-19,ao contrário do que se diz, tem uma taxa de letalidade alta quando não tratado a tempo, disse Jeffrey Shaman, professor de Ciências da Saúde Ambiental da Universidade de Columbia, dos EUA. “Há uma cauda longa em que há uma parcela da população para a qual os resultados são bastante severos.”
Para o tratamento de pacientes graves e críticos, Zhou disse que a experiência do Tongji é usar um sistema de respiração para fornecer oxigênio suficiente, empregando máquinas de oxigenação de membrana extracorpórea (ECMO) e restringindo a tempestade inflamatória da doença com purificação do sangue.
“Usamos esteróides muito geralmente. É muito útil para os pacientes cujo índice de oxigenação é muito baixo”, disse Zhou. “Mas não acho que antibacteriano seja muito útil, especialmente no estágio inicial, já que a COVID-19 é uma doença de vírus, não é causada por bactérias.”
Li também recomendou o uso da medicina tradicional chinesa. “Usamos diferentes ervas chinesas para pacientes e eles têm uma boa recuperação.”
Segundo ele, cerca de 96 % dos pacientes de COVID-19 fora da Província de Hubei, a mais atingida, e 90% em Hubei receberam tratamento de medicina tradicional chinesa, de acordo com a Administração Nacional de Medicina Tradicional Chinesa.
“O teste de ácido nucleico, a vinculação em casos confirmados ou pessoas que estão expostas a esses casos, e a quarentena de todos foram feitos com muito sucesso em Wuhan. Isso é o que precisa ser feito”, disse Margaret Harris, porta-voz da OMS sobre a COVID-19, na videoconferência.
“Somos muito gratos pelo grande trabalho que vem sendo feito na China e em outros países asiáticos, porque está demonstrando que é possível parar esse surto”, acrescentou Harris.
“As crises de saúde pública colocam um desafio comum para a humanidade, e a solidariedade e a cooperação são as armas mais poderosas para combatê-las”, disse o presidente chinês, Xi Jinping, em uma recente mensagem de pêsames à chanceler alemã, Angela Merkel.
“A China deseja que os EUA reflitam seriamente sobre si mesmos e eliminem seu vírus político de preconceito ideológico”, disse o porta-voz Geng Shuang em resposta à alegação dos EUA de que as medidas impostas à mídia dos dois países não são recíprocas.
“A retórica agressiva expôs completamente o preconceito ideológico profundamente enraizado dos EUA”, disse Geng, observando que os EUA sabem claramente que a China é um país socialista liderado pelo PCC desde que os dois países estabeleceram laços diplomáticos, há mais de 40 anos.
“Desde que as agências de mídia chinesas estabeleceram filiais nos EUA, a natureza delas tem sido claramente entendida pelo lado dos EUA”, disse Geng, acrescentando que a liderança do PCC é ainda a característica mais essencial do socialismo com características chinesas, e a natureza da mídia chinesa permanece inalterada.
Notando que os países são diferentes nas condições nacionais e em sua maneira de gerenciar e administrar a mídia, Geng perguntou o que levou os EUA “a julgar a mídia de outros países com seu próprio padrão e com base em sua própria ideologia, e rotular, estigmatizar e suprimir irracionalmente a mídia chinesa”.
Geng disse que o lado chinês não pretende mudar o sistema político dos EUA, e espera que os EUA também respeitem o da China.
“Se o lado dos EUA acredita na superioridade do seu sistema e na vitória final da democracia e liberdade ocidentais, por que temeria o PCC e a mídia chinesa?”, perguntou o porta-voz.
Sinais de normalização
Desde domingo não se registram novos casos de infecção local pelo novo coronavírus na parte continental da China.
Os novos casos registrados no continente chinês pela Comissão Nacional de Saúde são todos oriundos do exterior.
O total de casos importados chegou a 353 no domingo.
Também no domingo, nove mortes e 47 novos casos suspeitos foram relatados no continente chinês, com todas as mortes registradas na Província de Hubei.
No mesmo dia, 459 pessoas foram curadas e saíram do hospital, enquanto o número de casos graves diminuiu para 1.749.
No total, os casos confirmados na parte continental da China chegaram a 81.093 até o final do domingo, incluindo 5.120 pacientes ainda em tratamento. O número dos pacientes infectados que receberam alta é de 72.703, segundo as autoridades chinesas.
O total de mortes na china desde o início da epidemia soma 3.270.
Já são 23 os integrantes da comitiva que acompanhou o presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos há duas semanas infectadas pelo novo coronavirus.
Entre elas estão seis auxiliares diretos do presidente, além de três ministros.
Bolsonaro, porém, já fez dois testes e, segundo ele, até agora o resultado é negativo. Bolsonaro disse que poderá fazer um segundo teste, se seu médico assim determinar.
Na entrevista coletiva à imprensa na sexta=feira, um repórter perguntou se e ele iria divulgar o laudo médico que resultou negativo. Bolsonaro ironizou (“agradeço seu interesse pela minha saúde”) e desconversou.
O jornalista insistiu, ele titubeou para responder e o ministro da Saúde, Henrique Mandetta, se antecipou dizendo que divulgar o laudo é “uma decisão pessoal que o presidente poderá tomar ou não, de a cordo com seu médico”.
Por enquanto, os efeitos do coronavirus em relação a Bolsonaro se restringem à sua popularidade, que vem caindo desde o início por conta do seu comportamento, definido como “errático” na imprensa.
Nesta segunda-feira, por exemplo, houve uma série de trapalhadas em relação à Medida Provisória assinada pelo presidente para amenizar os efeitos da crise na economia e no emprego.
Um dos artigos da MP, que permitia às empresas dispensarem seus empregados por até quatro meses sem pagar salários, provocou tantas críticas que o presidente se viu obrigado a revogá-lo poucas horas depois.
Ele também minimizou a pandemia, chegando a falar em “histeria” e chamar a Covid 19 de “gripezinha”.
Uma pesquisa do Datafolha, divulgada nesta segunda-feira, retrata o desgaste que a crise vem causando em sua popularidade.
O desempenho de Bolsonaro em relação à pandemia foi avaliado como ótimo/bom por 35% dos entrevistados na pesquisa, enquanto 33% consideram “ruim ou péssima” sua atuação frente à crise.
O percentual de aprovação é 20 pontos inferior ao desempenho do Ministério da Saúde, com atuação avaliada como ótima/boa por 55%.
Segundo o Datafolha, a avaliação de Bolsonaro também é inferior ao dos governadores no enfrentamento da crise.
Desde o dia 15 de março, quando chegou a incentivar manifestações públicas e abraçou apoiadores, contrariando as recomendações do próprio governo, as redes sociais refletem o desgaste crescente.
Bolsonaro tentou mudar de postura na semana passada, convocando entrevistas coletivas ao lado dos seus ministros no Palácio do Planalto.
Apareceu com máscara de proteção junto aos seus auxiliares e tentou colar sua imagem às ações do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que recebe elogios pela atuação da pasta nesta crise.
Outro sintoma desse desgaste são os “panelaços” que há sete dias se repetem no início da noite nas principais cidades brasileiras, acompanhados dos gritos de “fora Bolsonaro”. Na noite desta segunda-feira não foi diferente
Contaminados
Os 23 contaminados que integraram ou tiveram contato com a comitiva de Bolsonaro nos EUA são os seguintes, segundo o G1:
-Marcelo Thomé da Silva de Almeida, presidente da Federação de Indústrias de Rondônia
-Major Mauro César Barbosa Cid, ajudante de ordens do presidente
-Coronel Gustavo Suarez da Silva, diretor adjunto do Departamento de Segurança do GSI
-Filipe Martins, assessor especial da Presidência
-Embaixador Carlos França, chefe do cerimonial da Presidência
-Sergio Segovia, presidente da Apex
-Bento Albuquerque, ministro de Minas e Energia
-Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional
-Daniel Freitas, deputado federal
-Flavio Roscoe, presidente da Federação das Indústria do Estado de Minas Gerais (Fiemg)
-Marcos Troyjo, secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia
-Robson Braga de Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI)
-Fabio Wajngarten, secretário de Comunicação da Presidência da República
-Nelsinho Trad (PSD-MS), senador
-Nestor Forster, encarregado de negócios do Brasil nos Estados Unidos
-Samy Liberman, secretário Especial Adjunto de Comunicação Social da Presidência
-Francis Suarez, prefeito de Miami
-Sérgio Lima, publicitário que trabalha com a família Bolsonaro na criação do partido Aliança pelo Brasil
-Karina Kufa, advogada de Jair Bolsonaro
-Quatro integrantes da equipe de apoio da comitiva