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  • Crise política pode ser mais danosa que a epidemia no Brasil

    Crise política pode ser mais danosa que a epidemia no Brasil

    “Brevemente o povo saberá que foi enganado por esses governadores e por grande parte da mídia nessa questão do coronavírus”.

    “Espero que não venham me culpar lá na frente pela quantidade de milhões e milhões de desempregados”.

    As declarações do presidente Jair Bolsonaro à Rede Record, na noite deste domingo, 22, são os sintomas mais leves da grave doença institucional que se dissemina  pelo corpo político do país, turbinada pela emergência da epidemia de Covid-19.

    O coronavirus, já sob controle nos países asiáticos, chegou há 35 dias ao Brasil, alcançando já 1.600 casos, com 25 mortes e com a expectativa de que se alastrará em progressão geométrica nas próximas semanas.

    A emergência médico-sanitária que assombra a população, no entanto, ainda não foi suficiente para promover uma trégua na guerra político-ideológica que se radicalizou no país desde o impeachment  da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2015.

    Ao contrário, a divisão se aprofundou e ampliou.

    O virus das ambições político-eleitorais racha a oposição, que nem o golpe de 2016 conseguiu galvanizar e, agora, se dissemina como uma epidemia pelas forças governistas, cujo líder, o presidente da República, de olho na reeleição, parece não ver a realidade.

    Desdenhou dos riscos da epidemia, não foi, até agora, capaz de liderar um esforço conjunto para enfrentar o vírus e, vendo ameaças às suas pretensões em todo o lado, esvazia seu ministro da Saúde e hostiliza governadores que tentam tomar a iniciativa.

    As desastradas manifestações do presidente-candidato solapam a sua popularidade  e estimulam ambições no Congresso (o presidente da Câmara já se move como candidato) e nos Estados (pelo menos quatro governadores são pré-candidatos) e até no Judiciário.

    Panelaços diários nas principais cidades do país registram a inconformidade da população e alimentam os discursos de ruptura – pelo menos três pedidos de impeachment do presidente estão protocolados no Congresso.

    Cinco anos de recessão, desemprego renitente, desigualdade crescente e um pleito municipal à vista -são os ingredientes básicos desse caldo grosso que alimenta o vírus da crise política.

    As estimativas mais pessimista falam em 40 milhões de desempregados em consequência da paralisação da economia por conta do combate à epidemia.

    A disseminação previsível do coronavírus nas cadeias, onde 700 mil prisioneiros estão segregados em condições sub-humanas,  e nas áreas vulneráveis das periferias das grandes cidades do país, onde vivem milhões e falta até água e sabão, completa o quadro da grave ameaça que paira sobre o Brasil.

    A epidemia vai passar, mas as consequências dela para os brasileiros são imprevisíveis.

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Bolsonaro ainda chamou os governadores de “exterminadores de empregos” por decretarem medidas restritivas à circulação de pessoas.

     

     

  • Governo chinês diz que 90% dos projetos de infraestrutura foram retomados

    Governo chinês diz que 90% dos projetos de infraestrutura foram retomados

    A China retomou a construção de grandes projetos de infraestrutura, paralisados desde meados de janeiro por conta da epidemia do novo coronavírus.

    Segundo a agência oficial chinesa, quase 90% dos onze mil “projetos-chave” definidos pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (CNDR) já estão em andamento.

    Na área de transportes ferroviários, são 533 projetos principais.

    Também foram retomadas as construções em 97% dos principais projetos de rodovias e hidrovias, 87% dos projetos de aeroportos e 86% dos projetos de conservação de água, segundo informou em entrevista coletiva no sábado um porta-voz da CNDR.

    Ainda há falta de mão de obra, meios de transporte e  fornecimento de matéria-prima, problemas que o governo pretende superar com a liberação de fundos do orçamento central e a emissão de “títulos de finalidade especial” para socorrer os governos locais.

    Segundo a mesma fonte, mais de 1 trilhão de yuans (US$ 144 bilhões) de títulos para fins especiais já foram emitidos para grandes projetos, como instalações de transporte, obras de conservação de água e parques industriais.

    O Conselho de Estado da China definiu também  medidas para acelerar a recuperação dos empregos e ajudar os trabalhadores migrantes a voltar ao trabalho.

    Outras medidas, como redução de impostos e taxas, devem ser adotadas para recuperar empregos, enquanto os investimentos em indústrias que podem criar mais postos de trabalho devem ser priorizados.

    Para “melhorar o ambiente para o empreendedorismo”, o governo promete uma cobertura mais ampla de empréstimos garantidos para as startups e apoio de políticas para investimentos de risco.

    Para ajudar os trabalhadores migrantes a voltar ao trabalho, o país manterá o transporte ininterrupto “ponto a ponto”, além de estabelecer uma série de iniciativas para ajudar os trabalhadores migrantes a encontrar trabalho nas suas proximidades.

    Para melhorar a oferta de emprego para trabalhadores graduados, será ampliada a escala de recrutamento nas empresas estatais, instituições públicas e exércitos, junto com matrículas em escolas de pós-graduação e postos de estágio profissional.

    O governo anunciou também que o seguro-desemprego estará disponível mediante solicitação online até o final de abril, e deve ser concedido apoio oportuno a pessoas cujos empregos foram afetados pela epidemia, especialmente em áreas mais atingidas, como a Província de Hubei.

    O país vai ampliar os programas de formação profissional, com foco em grupos-chave de trabalho, como trabalhadores migrantes.

    (Com informações da Xinhua News)

  • Nota da ARI: O antídoto da informação

    A Associação Riograndense de Imprensa emitiu hoje uma nota sobre a importância do acesso à informação neste momento de pandemia:

    “Neste momento preocupante da história da humanidade, em que uma pandemia de elevada letalidade ameaça a vida de milhões de pessoas, desafia a ciência médica, provoca abalos sem precedentes na economia e impõe extraordinárias mudanças comportamentais, a Associação Riograndense de Imprensa destaca a importância da informação independente, democrática e responsável como instrumento de defesa e proteção dos cidadãos.

    Ao reconhecer o trabalho incansável dos jornalistas e profissionais de comunicação que se empenham diariamente na apuração da verdade e na divulgação de notícias relevantes para o público, a ARI reafirma sua convicção de que a liberdade de expressão, o pluralismo de ideias e o acompanhamento crítico das ações dos governantes são indispensáveis não apenas para democracia, mas também para a saúde e o bem-estar de todos.”

    Associação Riograndense de Imprensa

    Diretoria Executiva
    Conselho Deliberativo

     

  • Governo contaminado

    Assessor Especial da Presidência, despachando da sala 315 no terceiro andar do Palácio do Planalto, ao lado do gabinete presidencial, o olavista Filipe G. Martins é o 22º membro da comitiva que viajou com Jair Bolsonaro aos Estados Unidos infectado pelo coronavírus.

    Com as confirmações nesta quinta-feira (19) dos casos de Martins, do chefe da ajudância de ordens, Major Cid; diretor do Departamento de Segurança Presidencial, Coronel Suarez; e do chefe do Cerimonial, Carlos França, Jair Bolsonaro já perdeu totalmente o controle do número de casos de contaminações pela Covid-19 no Palácio do Planalto.

    Segundo a coluna Radar, da revista Veja, servidores do Planalto vivem um cenário de “completo descontrole e paranoia”, já que até alguns dias atrás não havia qualquer protocolo contra contaminação na principal dependência do governo federal.

    O teste de Jair Bolsonaro deu negativo, mas o Ministério da Saúde recomendou que o exame seja refeito na próxima semana. Enquanto isso, a recomendação é para que Bolsonaro siga em “monitoramento”.

    Saiba quem são os 22 membros da comitiva de Bolsonaro infectados pelo coronavírus

    Fabio Wajngarten, secretário de Comunicação da Presidência da República

    Nelsinho Trad, senador pelo PTB-MS

    Nestor Forster, embaixador e encarregado de negócios do Brasil nos EUA

    Karina Kufa, advogada e tesoureira do Aliança pelo Brasil

    Sérgio Lima, publicitário e marqueteiro do Aliança pelo Brasil

    Samy Liberman, secretário-adjunto de comunicação da Presidência

    Alan Coelho de Séllos, chefe do cerimonial do Itamaraty

    Quatro integrantes não-identificados da equipe de apoio do voo presidencial aos EUA

    Robson Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI)

    Marcos Troyjo, secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia

    Flávio Roscoe, presidente da Federação das Indústria do Estado de Minas Gerais

    Daniel Freitas, deputado federal (PSL-SC)

    Augusto Heleno, ministro-chefe do GSI

    Bento Albuquerque, ministro de Minas e Energia

    Sérgio Segovia, presidente da Apex

    Filipe Martins, assessor internacional da Presidência

    Major Cid, chefe da ajudância de ordens

    Coronel Suarez, diretor do Departamento de Segurança Presidencial

    Carlos França, chefe do Cerimonial

    (Com informações da Forum)

  • Pesquisa mostra que 64% desaprovam comportamento de Bolsonaro diante da crise

    Pesquisa mostra que 64% desaprovam comportamento de Bolsonaro diante da crise

    Uma pesquisa da consultoria Atlas Político, feita entre 16 e 18 de março, mostra o desgaste do presidente Jair Bolsonaro nas últimas semanas.

    O Atlas Político faz pesquisas online, em tempo real.

    Em fevereiro, seu levantamento apontava que o presidente seria capaz de se reeleger em qualquer cenário.

    Agora mostra que 64% dos entrevistados reprovam a forma como Bolsonaro se comporta frente à crise da Covid-19.

    Quanto à expectativa sobre o desempenho da economia,  no levantamento anterior o percentual dos que esperavam melhoria na situação econômica era de 50,5%. Os que achavam que vai piorar eram 28,3%.

    Agora, 49,7% acreditam que ela vai piorar e os que prevêem melhora cairam para 31,6%.

    O número dos que apoiam uma deposição do presidente chega a 44,8%. Na pesquisa de 9 de fevereiro eram 38,1%, quase 7% de crescimento em pouco mais de um mês.

    A pesquisa entrevistou 2.000 pessoas entre os dias 16 e 18 de março, por meio de questionários randômicos respondidos pela Internet e calibrados por um algorítimo. Tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e um nível de confiança de 95%.

    “Nossa última pesquisa mostrava todos os indicadores de otimismo e confiança melhorando. Neste momento, o humor mudou em relação a tudo”, explica o cientista político Andrei Roman, criador do Atlas Político.

    Segundo os dados, 41% dos entrevistados consideram o Governo Bolsonaro ruim ou péssimo.

    O número dos que acreditam que sua gestão é regular é de 33%, e os que a consideram ótima ou boa são 26%.

    “A expectativa sobre a economia levou o maior tombo. Mas o otimismo em relação à criminalidade e à corrupção caiu também”, explica Roman.  Em fevereiro, por exemplo, era de 43,8% o percentual dos que acreditavam que a criminarlidade estã aumentando.  Agora, são 52,4%.

    Quanto à  corrupção, em fevereiro, era de 39,2% o percentual dos que acreditam que ela está mais elevada. Agora são 46,6% os que tem sensação de os crimes de colarinho branco estão crescendo.

    Quanto ao enfrentamento do coronavirus, embora 96% afirmem não ter ninguém de suas relações contaminado, chega a 80% o percentual dos que consideram que o sistema de saúde no país não está preparado para enfrentar a pandemia e 73% tem expectativa de que a situação vai piorar.

    Impeachment

    Para o cientista político autor da pesquisa, os dados relacionados ao impeachment captados pelo levantamento mostram que a adesão inicial ocorre entre os que já avaliavam mal o Governo.

    “Para esse grupo, essa crise parece ter sido a gota d’água. Mas também é possível que seja um pouco de comportamento estratégico. Que esses eleitores opostos a Bolsonaro sintam o enfraquecimento dele, então tenham decidido aderir ao impeachment”, explica.

    (Com informações do El País)

     

     

  • China diz que Eduardo Bolsonaro tem “comportamento errôneo e irresponsável”

    A Xinhua, agência oficial do governo chinês, divulgou a seguinte nota:

    A Embaixada da China no Brasil expressou quinta-feira sua “profunda indignação” e “forte protesto” às palavras do deputado federal brasileiro Eduardo Bolsonaro, que na quarta-feira acusou o país asiático de silenciar a COVID-19.

    Em uma nota, a Embaixada chinesa afirmou estar extremamente chocada “por tal provocação flagrante contra o governo e o povo chinês” e alertou que, como deputado federal e “figura pública especial”, as palavras de Eduardo Bolsonaro “causaram influências nocivas, vistas como um insulto grave à dignidade nacional chinesa”.

    As palavras “ferem não só o sentimento de 1,4 bilhão de chineses, como prejudicam a boa imagem do Brasil no coração do povo chinês” e “geram também interferências desnecessárias na nossa cooperação substancial”, disse o texto.

    A Embaixada da China chamou as palavras de Eduardo Bolsonaro, filho do presidente brasileiro Jair Bolsonaro, em seu Twitter, de “comportamento totalmente errôneo e inaceitável, veementemente repudiado pelo lado chinês” e afirmou que o embaixador Yang Wanming já expressou sua insatisfação com o chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, que defendeu Eduardo Bolsonaro.

    “Temos pleno conhecimento da política externa brasileira com a China e acreditamos que nas suas linhas não houve qualquer mudança. Ao mesmo tempo, opomo-nos às difamações e insultos contra a China impostos por qualquer um e sob qualquer forma”.

    A nota afirmou que a parte chinesa não aceitou “a gestão feita pelo chanceler Ernesto Araújo” para resolver o problema e ressaltou que “Eduardo Bolsonaro tem que pedir desculpa ao povo chinês pela sua provocação flagrante”.

    “O lado chinês defende sempre e de forma resoluta os seus princípios e jamais será ambíguo e tolerante com qualquer prática que afronte os seus interesses fundamentais. Esperamos que alguns indivíduos do lado brasileiro, na sua minoria, abandonem suas ilusões e muito menos subestimem a nossa resolução e capacidade de salvaguardar os nossos próprios interesses”, disse o texto.

    A nota lembrou que “ao longo do ano passado, com o esforço conjunto dos dois países, o relacionamento sino-brasileiro tem se desenvolvido de forma saudável e estável”, o que se refletiu nas visitas mútuas feitas pelos presidentes Xi Jinping e Jair Bolsonaro.

    A Embaixada chinesa lembrou que, desde o surto da COVID-19, “os nossos dois países têm mantido contatos estreitos e amistosos” e que o próprio Jair Bolsonaro “manifestou a solidariedade para com o governo e povo chinês, razão pela qual o lado chinês agradece muito” e que” atualmente, de acordo com o pedido do Ministério de Saúde do Brasil, estamos ajudando o país a adquirir os materiais médicos mais urgentes da China”.

    Segundo o texto, “os que atrapalham o desenvolvimento das relações bilaterais se limitam a uma minoria na população brasileira, enquanto a maioria esmagadora está em defesa da nossa fraternidade.

    “Esperamos que o Itamaraty possa tomar ciência do grau de gravidade desse episódio e alertar o deputado Eduardo Bolsonaro a tomar mais cautela nos seus comportamentos e palavras, não fazer coisas que não condizem com o seu estatuto, não falar coisas que prejudiquem o relacionamento bilateral e não praticar atividades que danifiquem a nossa cooperação”, segundo a Embaixada.

    As palavras infelizes de Eduardo Bolsonaro tiveram uma resposta rápida dentro do próprio governo brasileiro.

    Na quinta-feira, o vice-presidente do Brasil, general Hamilton Mourão, disse que as palavras do filho do presidente brasileiro criaram um constrangimento diplomático na relação entre os dois países e não representam a opinião do governo federal.

    “O Eduardo Bolsonaro é um deputado. Se o sobrenome dele fosse Eduardo Bananinha não era problema nenhum. Só por causa do sobrenome. Ele não representa o governo. Não é a opinião do governo. Ele tem algum cargo no governo?”, disse Mourão à imprensa brasileira.

    Por sua vez, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, pediu desculpas ao povo chinês pelas palavras de Eduardo Bolsonaro, que foram repudiadas por uma nota da Frente Parlamentar Brasil-China, enquanto a Frente Parlamentar da Agropecuária afirmou em uma nota nesta quinta-feira que deseja manter no mais alto nível as relações bilaterais entre Brasil e China.

    A China é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009 e o maior mercado de exportação do país sul-americano há uma década.
     

  • Medidas para o sistema prisional

    O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) emitiu nesta terça-feira (17/3) recomendação a tribunais e magistrados para adoção de medidas preventivas à propagação do novo coronavírus no sistema de justiça penal e socioeducativo (Recomendação CNJ 62/2020). As medidas devem vigorar por 90 dias, com possibilidade de prorrogação. A recomendação foi enviada aos presidentes de tribunais para divulgação aos magistrados.

    A recomendação traz orientações ao Judiciário em cinco pontos principais: redução do fluxo de ingresso no sistema prisional e socioeducativo; medidas de prevenção na realização de audiências judiciais nos fóruns; suspensão excepcional da audiência de custódia, mantida a análise de todas as prisões em flagrante realizadas; ação conjunta com os Executivos locais na elaboração de planos de contingência; e suporte aos planos de contingência deliberados pelas administrações penitenciárias dos estados em relação às visitas.

    O texto considera que a manutenção da saúde das pessoas privadas de liberdade, especialmente devido à situação de confinamento e superlotação nos presídios brasileiros, é essencial para a garantia da saúde coletiva e da segurança pública. Destaca, ainda, a importância da adoção de medidas para zelar pela saúde dos profissionais que atuam no sistema de justiça penal e socioeducativo enquanto se mantém a continuidade da prestação de Justiça.

    Sistema prisional

    O texto recomenda a suspensão da realização das audiências de custódia por 90 dias, com a manutenção do controle de prisão pela análise do auto de prisão em flagrante, além de medidas preventivas em outras audiências necessárias. Sugere também a reavaliação de prisões provisórias, especialmente quanto a grupos mais vulneráveis (como mães, portadores de deficiência e indígenas) ou quando o estabelecimento estiver superlotado ou sem atendimento médico. Recomenda, ainda, reavaliação de prisões preventivas com prazo superior a 90 dias ou que resultem de crimes menos graves, além de indicar que novas ordens de prisão devem respeitar ‘máxima excepcionalidade’.

    Quanto aos presos que já cumprem pena, o texto sugere que os magistrados avaliem a concessão de saída antecipada nos casos previstos em lei e na jurisprudência, e também a reconsideração do cronograma de saídas temporárias em aderência a planos de contingência elaborados pelo Executivo. Recomenda a opção pela prisão domiciliar aos presos em regime aberto ou semiaberto ou quando houver sintomas da doença, assim como suspensão da obrigatoriedade de apresentação em juízo pelo prazo de 90 dias nos casos aplicáveis.

    O texto ainda recomenda que os magistrados zelem pela elaboração e implementação de um plano de contingências pelo Poder Executivo com medidas sobre higiene, triagem e circulação, assim como racionalização da organização das visitas para garantir a saúde dos envolvidos enquanto se mantém o fluxo de abastecimento de itens de necessidades básicas trazidos pelos visitantes, muitas vezes essenciais para a manutenção de padrões mínimos de sobrevivência.

    Adolescentes

    Em relação aos adolescentes autores de ato infracional, o texto recomenda aos juízes a aplicação preferencial de medidas socioeducativas em meio aberto e a revisão das decisões que determinaram a internação provisória, especialmente em relação a adolescentes mães, indígenas e portadores de necessidades especiais, adolescentes que estejam em unidades superlotadas ou nas quais não exista equipe de saúde.

  • Pedidos de impeachment têm pouca chance de prosperar

    Pedidos de impeachment têm pouca chance de prosperar

    Dois pedidos de impeachment do presidente Jair Bolsonaro estão protocolados na Câmara Federal.

    Um do deputado Leandro Grass (Rede-DF) e outro de três deputados do PSOl: Fernanda Melchiona, Samia Bonfim e David Miranda.

    Este tem um abaixo assinado em que despontam artistas, acadêmicos e religiosos, como Zélia Duncan, Gregorio Duvivier, Pablo Ortelado, Debora Diniz, Rosana PinheiroMachado, Vladimir Safatle, entre outros.

    Um terceiro pedido, ainda não efetivado, foi anunciado pelo deputado Alexandre Frota, um ex-aliado de Bolsonaro, hoje critico acerbo do presidente.

    Cabe ao presidente da Casa, Rodrigo Maia dar ou não andamento a essas demandas. Ele teria, de saída, que criar uma comissão para analisar os pedidos e ver a consistência de cada um.

    Embora seja um crítico severo do presidente, é pouco provável nas circunstâncias atuais que Rodrigo Maia tome qualquer providência neste sentido.

    Primeiro porque, em função do coronavirus, os trabalhos na Câmara estão reduzidos ao mínimo indispensável.

    Segundo porque um processo de impeachment num ambiente nacionalmente conturbado em função da epidemia seria um transtorno sem precedentes, com terrível desgaste para o parlamento.

    Terceiro porque, conforme a Constituição se houver um impeachment nestas alturas, teria que ser convocada nova eleição o que é impensável neste momento.

    Ou seja, a menos que fatos novos muito graves apareçam, são próximas de zero as chances de um pedido de impeachment do presidente prosperar neste momento.

    Em todo caso, os pedidos estão lá e o coronavirus ainda que faça grandes estragos, em três ou quatro meses estará controlado, conforme todas as evidências.

    Quando a epidemia passar, teremos uma economia devastada e um ambiente político em ebulição. Poderá ser um terreno fértil para manobras radicais.

    Além disso, se o processo se estender até o ano que vem, até muitos bolsonaristas, hoje decepcionados com o presidente, poderão apoiar sua saída, se o lugar for ocupado pelo general Hamilton Mourão.

    Neste caso, até a Rede Globo, epicentro das críticas a Bolsonaro, apoiaria com entusiasmo.

     

  • Bolsonaro erra mais uma vez e até aliados admitem risco de impeachment

    Bolsonaro erra mais uma vez e até aliados admitem risco de impeachment

    A desastrada entrevista coletiva do presidente Jair Bolsonaro e ministros, todos com máscara, turbinou o panelaço programado nas redes sociais para o início da noite de quarta-feira.

    Já no momento em que o presidente fazia seu pronunciamento, os protestos se fizeram ouvir em diversas capitais.

    Na hora marcada, as panelas e os gritos de “fora Bolsonaro” se espalharam pelo pais, reforçados por imagens projetadas nas fachadas dos edifícios.

    O Jornal Nacional dedicou dois minutos reproduzindo cenas do panelaço em todos os Estados, gravadas pelos próprios manifestantes de dentro dos apartamentos.

    A entrevista no Palácio do Alvorada foi uma tentativa de reverter a repercussão negativa dos atos do presidente no domingo, quando saiu à rua para confraternizar com manifestantes na esplanada dos ministérios.

    Sua atitude contrariou as recomendações de todas as autoridades médicas e desautorizou seu próprio ministro da Saúde, que em reiteradas entrevistas pedia à população que evitasse aglomerações.

    O erro se tornou mais grave diante da constatação de que 17 integrantes do primeiro escalão do governo (inclusive dois ministros) estavam contaminados. Todos eles integravam a comitiva que, uma semana antes, acompanhou o presidente em sua viagem aos Estados Unidos.

    A repercussão negativa estimulou um panelaço já na terça-feira e deu ensejo a vários pedidos de impeachment  encaminhados ao presidente da Câmara Rodrigo Maia,  que tem sido um crítico implacável das atitudes de Bolsonaro. Depende dele levar avante o processo.

    Ao se apresentar, com seis ministros, todos usando máscaras, na entrevista coletiva desta quarta-feira, Bolsonaro pretendia reverter a sensação de que o presidente vem agindo de modo irresponsável em relação à epidemia do coronavirus. Em diversas vezes ele chamou de “histeria” o destaque que vem sendo dado à epidemia.

    O”teatro de máscaras”, como foi ironizada cena no Palácio Piratini, piorou mais a situação.  O próprio presidente demonstrou que não sabe usar a máscara. Iniciou falando com ela, depois tirou e deixou pendurada na orelha, para em seguida recolocar e logo tirar de novo.

    Os ministros também revelaram falta de sintonia,  uns falando com a mascara, outros retirando-a na hora de falar.  Esse desacerto, que em determinados momentos pareceu cômico, revelou o caráter improvisado da  manifestação presidencial.

    Renomados especialistas ouvidos pela imprensa condenaram a maneira como foram usadas as máscaras pelo presidente e seus ministros, revelando a falta de preparo da cúpula do governo e o mau exemplo dado à população.

    Pouco depois, o filósofo Olavo de Carvalo, tido como o “guru do presidente” manifestou nas redes sociais o seu desânimo com a situação.

    Ele diz: “desde o início do seu mandato, aconselhei ao presidente que desarmasse os seus inimigos ANTES de tentar resolver qualquer ‘problema nacional’. Ele fez exatamente o oposto. Deu ouvidos a generais isentistas, dando tempo a que os inimigos se fortalecessem enquanto ele se desgastava em lacrações teatrais. Lamento. Agora talvez seja tarde para reagir.”

    O panelaço foi registrado em São Paulo, Rio, Recife, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Salvador, Porto Alegre, Natal, Florianópolis e Curitiba  e cidades menores em diversos Estados.

    Houve também, atendendo a apelo do presidente, um panelaço pouco depois a favor do governo, mas de alcance muito menor.

    Pouco depois, Bolsonaro postou uma mensagem acusando o desgaste:

    “Nunca abandonarei o povo brasileiro, para o qual devo lealdade absoluta! Boa noite a todos!”, escreveu.

     

     

     

     

  • Chefe do Gabinete de Segurança é o 17º do governo Bolsonaro com coronavírus

    Chefe do Gabinete de Segurança é o 17º do governo Bolsonaro com coronavírus

    “Informo que o resultado do meu segundo exame, realizado no HFA, acusou positivo. Aguardo a contraprova da FioCruz. Estou sem febre e não apresento qualquer dos sintomas relacionados ao Covid-19. Estou isolado, em casa, e não atenderei telefonemas”.

    Esta foi a mensagem publicada na manhã desta quarta-feira em uma rede social pelo general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional do presidente Jair Bolsonaro.

    Aos 72 anos, o general é o 17° integrante da cúpula do governo brasileiro a ter resultado positivo no teste para coronavirus.

    Heleno integrou a comitiva do presidente Jair Bolsonaro na viagem à Flórida (EUA), na semana passada.

    Ele fez um primeiro teste, com resultado negativo, e realizou um novo exame na terça-feira (17).

    A primeira confirmação de contágio foi do secretário de Comunicação do governo, Fábio Wajngarten, que também integrou a comitiva na viagem aos EUA.

    Bolsonaro fez dois testes até o momento e, segundo ele, ambos deram resultado negativo.

    Após fazer o teste, o general Heleno conversou com jornalistas e disse que se sentia bem, porém não era algo “absolutamente tranquilizadora” a situação.

    Heleno tem 72 anos de idade, ou seja, está nos grupos considerados mais suscetíveis ao Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus.

    Conforme a agenda oficial de Bolsonaro,  Heleno esteve em pelo três audiências com o presidente na terça-feira (17).

    O ministro Fernando Azevedo e Silva, da Defesa, afirmou nesta terça que seu exame para coronavírus deu negativo.