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  • Clóvis Ilgenfritz lutou por uma arquitetura comprometida com o social

    O arquiteto Clóvis Ilgenfritz da Silva, falecido no sábado, 23, aos 80 anos, foi o grande defensor da Lei da Assistência Técnica para a habitação social, uma espécie de SUS para atender os programas de moradia popular.
    A lei, pela qual Ilgenfritz se bateu quando deputado federal, está  aprovada há mais de dez anos, nunca foi efetivada e é atualmente uma bandeira nacional dos arquitetos.
    A lei cria um serviço público de arquitetura e urbanismo para cuidar dos programas de moradia para população de baixa renda.
    A moradia está entre os direitos fundamentais – educação pública, saúde pública, segurança pública, defensoria, mas não há o atendimento à moradia que está garantido na constituição, não há o serviço público para atender esse direito.
    A LAT coloca como sendo uma obrigação do Estado fornecer um serviço público para planejamento, reforma, ampliação de moradias, para regularização de áreas populares.
    “Nós estamos fazendo um grande esforço para levar às instituições, prefeituras, governos, mostrar que é uma lei que pode trazer enormes benefícios à população, com poucos recursos. Fazer cumprir essa lei é o nosso principal objetivo”, disse em entrevista recente ao JÁ o arquiteto Tiago Holzmann da Silva, filho de Ilgenfritz e presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo no RS. .
    Os prefeitos são sensíveis à idéia?
    A receptividade é muito grande. Já visitamos dezenas de prefeitos… Eles ficam empolgados com a ideia.  Criar dentro da Secretaria de Planejamento, por exemplo, um serviço público para as famílias que moram precariamente. Eles sabem a gravidade da questão da moradia, sabem também que é pouco investimento. Para resolver a vida de uma família precisa de poucos milhares de reais. É um investimento pequeno que gera resultados.
    Já tem esse serviço em alguma prefeitura?
    Nós temos boas experiências, mas não uma política implantada. Tivemos experiência muito boa no governo do Distritio Federal, no governo do  Rolemberg. Ele chamou uma turma do IAB para dentro do governo. Fizeram um trabalho muito intenso de regularização, mais de 60 mil moradias regularizadas no período de quatro anos, em comparação a cinco mil em toda a história. Fora muitas ações de qualificação urbana nas áreas periféricas do Distrito Federal. Depois, temos várias boas experiências em prefeituras, com ongs e movimentos sociais, mas ainda são ações isoladas, dependem de um agente que lidere para que ele tenha continuidade. Criamos aqui no CAU um Gabinete da Assistência Técnica que é exatamente para ajudar quem quer fazer, principalmente as prefeituras, ensinar a implantar o serviço, cada uma com sua particularidade.
    Que prefeituras estão no radar?
    Venâncio Aires, Carlos Barbosa, Xangrilá, Piratini, Santa Rosa, e várias outras que vão entrar num projeto piloto.
    O mercado é imenso, só em Porto Alegre 20% da população mora em condições irregulares…
    Se incluir a  Região Metropolitana, Alvorada, Viamão Eldorado… metade está em área irregular, muitas em áreas de risco, é muito urgente.
    Como se sustenta esse serviço, o orçamento da prefeitura?
    São várias possibilidades, estamos construindo alternativas. Pode ser um fundo público, gerido pela prefeitura…
     

  • Ano e meio depois, trânsito é liberado mas obra da Casa Azul não tem prazo

    O trânsito de veículos no entorno da Casa Azul foi parcialmente liberado na manhã desta segunda-feira, 25, prédio tombado no centro histórico de Porto Alegre, no cruzamento entre as ruas Riachuelo e Marechal Floriano Peixoto.
    Há um ano e meio o trânsito estava interrompido no local para “estabilização do prédio”, cuja restauração está longe de ser concluída..
    A prefeitura adverte que “mesmo com a liberação, é necessário atenção de pedestres e motoristas, pois a calçada e faixa de trânsito junto à edificação permanecerão bloqueados até o término da obra”.
    A nota da prefeitura não menciona data para o término.
    “Sabendo dos transtornos ocasionados pelas intervenções, mesmo com as questões climáticas desfavoráveis à execução da obra, trabalhamos para cumprirmos com a estimativa e liberarmos o trânsito o mais breve possível. Felizmente, conseguimos, mesmo que parcialmente, diminuir os embaraços de quem circula pelo local”, explicou o secretário de Infraestrutura e Mobilidade Urbana, Marcelo Gazen.
    Confira as alterações a partir desta segunda-feira:
    – Rua Vigário José Inácio volta a ter sentido único em direção à avenida Salgado Filho;
    – Rua Marechal Floriano Peixoto volta a ter sentido único da Salgado Filho em direção à Jerônimo Coelho;
    – Rua Jerônimo Coelho volta a ter sentido único, da avenida Borges de Medeiros em direção à avenida Duque de Caxias
    – Rua Riachuelo volta a ter sentido único da rua Dr. Flores em direção à avenida Borges de Medeiros;
    O cruzamento da avenida Salgado Filho pela rua Vigário José Inácio não será mais permitido e retorna a sua configuração original.

  • Lula define polarização como estratégia: "Nós somos o oposto do Bolsonaro"

    Em seu discurso na abertura do 7º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores, nesta sexta-feira (22), em São Paulo, o ex-presidente Lula definiu sua estratégia de se posicionar como o anti-bolsonaro. “O PT é sim o oposto de Bolsonaro”, disse.
    “Não fomos nós que falamos em fechar o Congresso com um cabo e um soldado. Em nossos governos as instituições foram respeitadas, nenhum general deu murro na mesa, nem esbravejou contra líderes políticos. Não fomos nós que sabotamos a economia do país para forçar um impeachment. Não fomos nós que forjamos um processo judicial para tirar do páreo um candidato das eleições. E são essas pessoas que nos dizem para não polarizar o país. Como se o Brasil já não estivesse polarizado há séculos entre os poucos que tem tudo e os muitos que nada tem. Nós somos sim o oposto de Bolsonaro. Somos sim radicais na defesa das universidades, da soberania nacional, da saúde. Nós somos oposição e meia. Enquanto ele semeia o ódio, nós vamos mostrar que o amor vai fazer esse país muito melhor”, disse Lula.
    “Eu sou o maior polarizador deste país. Eu quero é polarizar. Eles não sabem o que é enfrentar um senhor de 74 anos apaixonado”, advertiu.
    Lula não poupou Sergio Moro e a Lava Jato.
    “Como podem dizer que combateram a impunidade se Moro soltou pelo menos 130 dos 159 réus que ele mesmo havia condenado? Negociaram todo tipo de benefício com criminosos confessos, venderam até o perdão de pena que a lei não prevê, em troca de qualquer palavra contra o Lula.”
    Para ele, o Brasil só não está passando por uma convulsão social extrema, como acontece em outros países da América Latina, por causa da herança dos governos do PT. “Porque não conseguiram acabar com o Bolsa Família, último recurso de milhões de deserdados”, frisou.
    A ex-presidenta Dilma Roussef, os ex-ministros Fernando Haddad e José Dirceu, Guilherme Boulos, Manuela D’Ávila, além de parlamentares de todo o país participaram do congresso.
    (Com informações da Assessoria de Imprensa e do 247)
  • Com número 38, Aliança pelo Brasil tende a ser o "partido da bala"

    O presidente Jair Bolsonaro afirmou hoje (21) que o número de seu novo partido, o Aliança pelo Brasil, será 38.
    O anúncio foi feito durante sua live semanal transmitida no Facebook.
    Durante a live, Bolsonaro também destacou as principais características da sua nova legenda partidária:
    “Um partido conservador, que respeita todas as religiões, dá crédito aos valores familiares, defende a legítima defesa, defende a posse e o porte de arma com requisitos, o livre comércio com todo mundo, sem o viés ideológico”, disse.
    Pela manhã, o presidente participou da 1ª Convenção Nacional da legenda, realizada em um hotel de Brasília.
    Segundo a Folha de São Paulo, um quadro com o nome e o símbolo do partidos formados por cartuchos de bala foi apresentado no evento.
    Bolsonaro esclareceu que, caso o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não autorize a coleta de assinaturas por meio eletrônico, o seu partido não deverá estar homologado para disputar as eleições do ano que vem.
    “Por ocasião das eleições do ano que vem, acredito que nós podemos ter o partido funcionando, desde que as assinaturas sejam de forma eletrônica. Caso contrário, nós só poderemos estar em condições de disputar as eleições, aquelas de 2022”, disse.
    “E o número escolhido é o 38. Tínhamos poucas opções e acho que o número 38 é mais fácil de gravar”, acrescentou.
    Para a legenda Aliança pelo Brasil ser homologada e poder disputar as eleições, ainda será necessária a coleta de cerca de 500 mil assinaturas em pelo menos nove estados.
    As rubricas precisam ser validadas, uma a uma, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O prazo para que o partido seja registrado a tempo de disputar as eleições municipais de 2020 termina em março.
    “Estamos aguardando aqui. Na próxima semana o Tribunal Superior Eleitoral vai decidir se podemos ou não colher assinaturas, para a sua fundação, via eletrônica ou não. Se for via eletrônica, eu tenho certeza de que, com o apoio de todos vocês, creio que em um mês, no máximo, a gente consegue as 500 mil assinaturas. Caso não seja possível, a gente vai ter que colher assinatura física, aí demora mais e não ficará pronto o partido tão rápido. No meu entender, um ano ou um ano e meio para ficar pronto o partido”, projetou o presidente.
    O TSE analisa o assunto no âmbito de um consulta pública em andamento na Corte,  apresentada pelo deputado federal Jerônimo Goergen (PP-RS) no fim do ano passado.
    Na semana passada, Bolsonaro anunciou a saída do PSL, partido pelo qual foi eleito e que vem sendo acusado de ter usado candidaturas laranjas na última eleição.
    O grupo político mais próximo ao presidente, além dele próprio, vinha se desentendendo, nos últimos meses, com o fundador e presidente nacional da legenda, o deputado federal Luciano Bivar (PE).
    Segunda maior bancada parlamentar na Câmara dos Deputados, o PSL conta com 53 deputados. No Senado, a legenda possui três integrantes.
    (Com informações da EBC e da Folha)

  • Pressionado, o porteiro muda sua versão sobre entrada no condomínio de Bolsonaro

    Aconteceu o previsível: o porteiro do condomínio, onde o presidente Jair Bolsonaro tem casa no Rio, mudou sua versão no depoimento prestado à Polícia Federal.
    As informações sobre o caso, sem maiores detalhes, seguem sendo vazadas  para a Globo.
    No novo depoimento, nesta terça-feira (19), o porteiro voltou atrás sobre a informação que tinha dado anteriormente à Polícia Civil, nos dias 7 e 9 de outubro.
    Na versão anterior, o porteiro disse que no dia do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, 14 de março de 2018, um dos acusados do crime, Élcio Queiroz, entrou no condomínio dizendo que ia para a casa 58, que pertence ao presidente Jair Bolsonaro, na época deputado federal.
    Élcio está preso. Teria sido ele, segundo a policia, o motorista do carro usado no crime.
    Na primeira versão, o porteiro disse que ligou para a casa 58 duas vezes e que a autorização para a entrada de Élcio no condomínio veio de alguém cuja voz era a do “Seu Jair”.
    Está provado que, naquele dia, Jair Bolsonaro estava em Brasília e registrou presença em votações no plenário da Câmara. Mas registros nas planilhas da portaria indicam que seu filho, Carlos, estaria no condomínio naquele horário.
    No novo depoimento, o porteiro voltou atrás: disse que errou ao afirmar que havia falado com o “Seu Jair” e que se equivocou ao anotar o número 58 no registro do condomínio.
    Ele alegou que, nos dois primeiros depoimentos à Polícia Civil, ficou nervoso e não se corrigiu, mesmo sabendo que tinha errado ao anotar como sendo a casa 58 o destino de Élcio.
    Os depoimentos do porteiro à Polícia Civil vieram a público há um mês e levaram o ministro Sérgio Moro a acionar o Procurador Geral da República, o que levou a Polícia Federal a abrir inquérito para “apurar se ele cometeu crimes de obstrução da Justiça, falso testemunho e denunciação caluniosa contra o presidente”.
    Foi nessa condição, de réu num inquérito que apura “falso testemunho” ou “denunciação caluniosa” contra Bolsonaro, que o porteiro Alberto Mateus prestou esse depoimento à Polícia Federal.
    Residente numa comunidade dominada por milícia, o porteiro foi localizado por repórteres da revista Veja há duas semanas e foi definido como um “homem acuado”.
     
     

  • Festivais Lula Livre misturam política e festa popular

    “A luta será para libertar o país desse bando de milicianos que tomou conta do Brasil”, disse Lula em seu discurso no segundo “Festival com Lula Livre”, o novo formato de manifestação, espécie de showmício, que o ex-presidente está adotando.
    Ao sair da prisão, onde ficou 580 dias, Lula disse que retomaria as caravanas.  Mas até agora o que tem feito  é discursar na abertura de festivais de música popular. Discursos que misturam apelos à união e fraternidade com duras críticas aos que o condenaram e prenderam.
    Acompanhado de Fernando Haddad e de Rosângela da Silva, a Janja, Lula voltou a criticar o ministro da Justiça, Sérgio Moro, o procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol,  e a Rede Globo, “que trabalham para destruir a esperança no país  ao alimentar o ódio e as milícias”.
    O primeiro festival Lula Livre depois da libertação do presidente, no último dia 8, reuniu mais de 200 mil pessoas, segundo a organização.
    A Praça Nossa Senhora do Carmo, no bairro Santo Antonio, região central de Recife, foi palco para um show com mais de oito horas de duração e que prosseguiu após o discurso de Lula.
    Como fizeram em relação às caravanas, os grandes veículos da mídia minimizaram as manifestações até agora.
    Leia mais: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/lula-de-alma-lavada-ouve-os-versos-da-mae-pernambucana-eu-sabia-que-ia-voltar-para-me-abracar-por-joaquim-de-carvalho/

  • Mães de jovens mortos pela polícia do Rio denunciam a violência estatal como caso de saúde pública

    A 323ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Saúde (CNS) trouxe para debate o tema Genocídio da População Negra, que historicamente compõe os piores índices de mortes violentas no Brasil devido aos contextos de vulnerabilidade. Na ocasião, mães de jovens assassinados pela polícia do Rio de Janeiro denunciaram a violência estatal e o racismo como questão de saúde pública. A discussão ocorreu dia 8, na sede Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Rio de Janeiro.
    De acordo com os relatos das mães, a polícia atua norteada pela “filtragem racial”, onde pessoas pretas e pobres, moradoras das favelas do país, são as principais vítimas.  “Não podemos falar de saúde sem falar do racismo, que afeta todas as esferas do cotidiano da população negra. O Sistema Único de Saúde (SUS) deve saber acolher essa população historicamente vítima de violência física e psicológica, não podemos ter um SUS seletivo diante das patologias que essa violação de direitos gera”, afirmou a conselheira Altamira Simões, representante da Rede Nacional Lai Lai Apejo.
     
    Dados alarmantes
    O Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio de Janeiro divulgou que, em agosto deste ano, foram cinco pessoas mortas por dia pela polícia no estado. Ao todo, foram 170 homicídios em apenas um mês. Entre janeiro e maio, as forças de segurança do estado foram responsáveis por 731 mortes.
    Segundo o Mapa da Violência 2018, a população negra compõe o maior índice de vítimas da violência provocada pelo Estado, sobretudo jovens de 18 a 29 anos. Em setembro, após o assassinato da menina Ágatha Felix, de 8 anos, na periferia do Rio de Janeiro, o CNS publicou nota de repúdio contra a política genocida praticada pela polícia. “A dignidade dos cidadãos e cidadãs no Rio de Janeiro está sendo diariamente violada. Famílias estão tendo suas vidas colocadas em risco pela atuação desastrosa das forças de segurança pública”.
    O luto e a revolta das mães
    Mônica Cunha, coordenadora do Movimento Moleque, que reúne mães que perderam seus filhos, também teve o filho assassinado pela polícia – aos 20 anos. “Nossos filhos estão sendo assassinados porque são pretos. A maior fake news da história foi que a abolição acabou. Não somos seres humanos livres porque o tempo inteiro o sistema nos barra”, disse.
     
    Ana Paula Oliveira, coordenadora do Movimento de Mães de Manguinhos, perdeu o filho de 19 anos assassinado pela polícia. “Todos os dias mães têm sido dilaceradas por esses homicídios. O CNS não pode ficar de fora desse debate. As mesmas pessoas que servem de pesquisas são assassinadas”, disse ela, referindo-se à população atendida no entorno da sede da Fiocruz Rio de Janeiro, que está situada entre as comunidades de Manguinhos, Maré e Complexo do Alemão.
     
    Ações em Saúde para a população negra
    A Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN) foi instituída em 2009 pelo Ministério da Saúde no combate às desigualdades no SUS, que muitas vezes têm origem nas violências e violações de direitos humanos. Porém, ainda há muitos desafios. De acordo com a médica Rita Helena Bonet, que faz parte do Coletivo Negrex, organização que reúne médicos e médicas negros, “a medicina ainda é um espaço prioritariamente branco”, afirmou.
    Segundo ela, “estamos vivendo um massacre. Todos os dias atendo pessoas com relatos da violência estatal. Esse país se constituiu com base na escravidão e, após a abolição, a população negra nunca foi digna de direitos”, criticou. Jupiara Gonçalves de Castro, conselheira representante da Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnicos-Administrativos das Instituições de Ensino Superior Pública do Brasil (Fasubra) defendeu a ampliação do debate.
    “Precisamos fazer mais o debate etniocorracial no desenvolvimento de políticas. A maioria das ações não são pensadas para nós”. Conceição Silva, conselheira representante da União Nacional de Negros Pela Igualdade (Unegro) disse que “é sempre urgente falarmos sobre esse assunto. Muitas vezes, corpos negros estão sendo amputados no SUS pela falta de tratamento adequado”.
     
    Encaminhamentos
    Após a discussão, o CNS se comprometeu a discutir Saúde da População Negra e Racismo de forma transversal a todas as comissões do órgão, trazendo o tema como questão central para superação das desigualdades. A partir disso, a pauta racial passa a ser prioridade não só na Comissão Intersetorial de Políticas de Promoção da Equidade (Cippe). Após o debate, a plenária realizou uma manifestação do lado de fora do evento, que somou protestos contra a violência contra as mulheres no Brasil e o genocídio da população negra.
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    Veja todas as fotos da 323ª R.O do CNS
    (Com Ascom CNS)

  • Pesquisa mostra que 45% dos brasileiros não confiam em vacina

    Uma pesquisa da organização não governamental Avaaz, em parceria com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), mostra que a credibilidade das vacinas é menor entre homens e jovens de 16 a 24 anos.
    O estudo mapeou o impacto das fake news em vacinas e contou com um questionário domiciliar em que o Ibope ouviu 2.002 pessoas entre 19 e 22 de setembro deste ano, em todas as regiões do país.
    Segundo a pesquisa, 54% dos brasileiros consideram as vacinas totalmente seguras, e 31% avaliam que elas são parcialmente seguras. Para 8%, elas são parcialmente inseguras, e 6% responderam que elas são totalmente inseguras.
    A soma dos três últimos grupos mostra que 45% dos brasileiros têm algum grau de insegurança em relação às vacinas. Um percentual de 2% não respondeu ou não soube opinar.
    Entre os homens, cai para 49% o percentual dos que consideram as vacinas totalmente seguras, e os outros três grupos somam 48%.
    Em relação à faixa etária, a situação é mais preocupante entre os jovens de 16 a 24 anos, já que 45% veem as vacinas como totalmente seguras e 53% têm algum nível de insegurança.
    As pessoas com ensino médio se mostraram menos seguras sobre as vacinas do que aqueles com nível fundamental completo ou incompleto, sendo este último grupo o que dá maior credibilidade às imunizações (61%).
    Segundo a pesquisa, metade das pessoas que pararam de estudar ao concluir o ensino médio têm inseguranças em relação à vacinação, enquanto para quem tem nível superior esse percentual cai para 43%.
    Assim como nos níveis de escolaridade, a camada mais pobre da população, com renda de até um salário mínimo, é a que confia mais nas vacinas.
    O resultado se repete entre as classes D e E, que superam a A, a B e a C no percentual que avaliou as vacinas como totalmente seguras.
    Para o presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Juarez Cunha, os dados de renda, classe social e escolaridade mostram que a população mais pobre está menos impactada pelas fake news por consumir mais as informações da mídia tradicional, utilizar mais os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) e ter menos acesso às redes sociais.
    “Elas são bastante impactadas pelas mídias tradicionais, mesmo sendo populações mais carentes. E tem a ação do SUS. São pessoas que são usuárias do SUS. E quando elas conseguem acessar o sistema, os profissionais de saúde se tornam muito importantes na informação”.
    Outro dado trazido pela pesquisa é que os evangélicos dão menor credibilidade às vacinas que os católicos e as pessoas que se declararam de outras religiões.
    Enquanto 60% dos católicos e 49% do terceiro grupo consideram as vacinas totalmente seguras, esse percentual cai para 44% no caso dos evangélicos, o menor percentual entre todos os recortes populacionais.
    O questionário mostra que 61% dos entrevistados já receberam mensagens negativas sobre vacinas nas redes sociais, sendo que 9% disseram que essas mensagens chegam todos os dias ou quase todos os dias.
    Entre as pessoas que declararam considerar as vacinas parcialmente inseguras, 72% disseram ter recebido notícias negativas por redes sociais. E, entre os que disseram que elas são totalmente inseguras, esse percentual é de 59%.
    A pesquisa revela que a mídia tradicional ainda é a principal fonte de informação sobre vacinas para a população, sendo citada por 68% dos entrevistados, que podiam apontar as três fontes principais de informações sobre o assunto.
    As redes sociais ficaram em segundo lugar, com 48%, à frente do governo (42%) e dos profissionais de saúde (41%). O presidente da SBIm acredita que a disponibilidade das redes sociais contribui para que elas tenham ultrapassado fontes oficiais.
    “A gente tem que estar disponível para ensinar e esclarecer da mesma forma que as pessoas que disseminam essas inverdades estão. A gente tem que encontrar tempo, disponibilidade e uma linguagem pra isso”, diz ele, que reconhece que redes sociais como o Whatsapp favorecem a criação de “guetos”, onde informações que desmintam fake news dificilmente conseguem penetrar. “É importante a gente ter a parceria com as plataformas [de redes sociais]”.
    Para a coordenadora de campanhas do Avaaz no Brasil, Nana Queiroz, o país vive uma epidemia de desinformação que precisa ser combatida por diferentes esferas de governo, sociedades médicas e também pelas plataformas de redes sociais, como o Facebook, o YouTube, o Instagram e o Whatsapp. “Nesse caso, o remédio é que as plataformas mostrem correções (vindas de checadores de fatos independentes) a todos que foram expostos a notícias falsas. Essa estratégia ficou conhecida mundialmente como correct the record [corrigir o erro]. Ela é prática, justa e nos protege contra a censura, pois nada é tirado do ar: apenas corrigido”.
    O Avaaz analisou ainda 30 histórias falsas sobre vacinas desmentidas pelo Ministério da Saúde e por serviços jornalísticos de checagem de informações. Esses conteúdos tiveram  23,5 milhões de visualizações e 578 mil compartilhamentos no Facebook. Além disso, foram 2,4 milhões de visualizações no YouTube. Quase metade desses artigos ou vídeos foi traduzida de sites antivacina dos Estados Unidos.
    (Com informações e fotos da EBC)

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  • Surto de sarampo atinge 19 Estados: SP com 5 mil casos e 13 mortes é o mais atingido

    A segunda fase da Campanha Nacional de Vacinação contra o Sarampo começa na próxima segunda-feira (18) em todo o país.
    O foco desta etapa será o público com faixa etária de 20 a 29 anos de idade, considerado o mais difícil de ser alcançado em campanhas de vacinação.
    De acordo com o último boletim epidemiológico sobre sarampo, a faixa etária foco da segunda fase da campanha é a que mais acumula número de casos confirmados da doença.
    Nos últimos 90 dias de surto ativo, foram confirmados 1.729 casos em pessoas de 20 a 29 anos.
    O secretário de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, Wanderson de Oliveira, explica que um dos motivos é que esses jovens não tomaram a vacina em nenhuma fase da vida e, se tomaram, não voltaram para aplicar a 2ª dose.
    No total, o surto de sarampo já registra casos em 19 Estados, mas a maior concentração se dá em São Paulo onde já foram confirmados 5.123 casos e 13 óbitos. Esse número representa 90% do total de casos confirmados no pais..
    O secretário Wanderson explica que “existe uma perda da sensação de perigo por parte dos jovens de hoje pois a doença é vista como comum, e que não vai causar nenhum impacto grave para a saúde”.
    Para atingir esse público, o Ministério da Saúde aposta em algumas estratégias. Uma delas é a realização da segunda fase da campanha de vacinação em locais de grande circulação dessas pessoas.
    A ação será realizada em conjunto pelas três esferas do governo federal, estadual e municipal.
    Confira a entrevista com o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Kleber de Oliveira.
    Por que o público de 20 a 29 anos é o que mais tem registro de casos de sarampo?
    É porque, no passado, essas pessoas receberam apenas uma dose da vacina aos 9 meses de idade. Em muitos casos não era recomendado o reforço da vacina com a segunda dose. Estudos mais atuais mostram que essa dose aos 9 meses tem menor efetividade. Por isso, no Calendário Nacional de Vacinação atual é recomendada a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15 meses.
    Por que essa população é tão difícil de ser alcançada pelas campanhas de vacinação?
    Um dos motivos é que esse público não presenciou as sequelas que o sarampo deixa, como perda auditiva, pneumonia severa e óbito. Existe uma perda dessa sensação de perigo por parte dos jovens de hoje em dia pois a doença é vista como comum, e que não vai causar nenhum impacto grave. Eles não presenciaram os diversos surtos da doença no país, que ocorriam nas décadas de 70 e 80.
    O que o Ministério da Saúde tem feito para reverter esse quadro?
    Tem investido em campanhas para alcançar o público jovem. Além disso, incentivamos, em parceria com estados e municípios, que a vacinação, especialmente para essa faixa etária, seja realizada em locais estratégicos, como universidades, restaurantes, shoppings, centros comerciais, etc. Além disso, em parceria com a Atenção Primária da Saúde dos municípios são incentivadas estratégias para atingir essas pessoas, como realizar a busca ativa domiciliar, em horários alternativos, principalmente fora do horário comercial.
    Por que é tão difícil calcular a cobertura vacinal para adultos?
    Porque não tínhamos sistema de informação eletrônico no passado. As doses eram feitas baseadas na estimativa de pessoas nascidas vivas por cidade. Não tinha registro nominal dessas doses e isso possibilitou que uma pessoa pudesse se vacinar mais de uma vez na mesma campanha, por exemplo. Sem o dado nominal não é possível estimar cobertura vacinal porque não tem como saber quantas pessoas, individualmente, não tomaram determinada vacina. O que se tem é uma estimativa imprecisa baseada no número de doses aplicadas.
    Qual a orientação para as mulheres que pensam em engravidar?
    O ideal é que elas tomem a vacina tríplice viral antes de engravidarem, inclusive para se protegerem contra outras doenças, como a rubéola que pode ocorrer de forma congênita e tem mais sequelas para o recém-nascido do que o sarampo. A tríplice viral protege contra sarampo, rubéola e caxumba. O Brasil não tem relatos da rubéola congênita desde 2015, mas se o país tem baixas coberturas vacinais para o sarampo, que é a mesma vacina, também terá para rubéola. A única diferença é que o sarampo tem capacidade de infecção maior do que a rubéola. É de extrema importância reforçar a vacina para essa faixa etária. Quando devidamente vacinada antes da gravidez, a mulher protege o bebê com a produção de anticorpos que passam de mãe para filho.
    Caso a mulher esteja grávida ao tomar a vacina, a recomendação é fazer o acompanhamento da gestante, não havendo necessidade de interrupção da gravidez. Deve ser registrado no módulo de eventos adversos e feito acompanhamento da gestante durante o pré-natal.
    Qual a recomendação para quem quer doar sangue?
    Quem for doar sangue deve esperar quatro semanas (1 mês) após ter tomado a vacina contra o sarampo porque a dose contém o vírus atenuado. Se houver a doação de sangue antes das quatro semanas o doador pode transmitir o vírus para outra pessoa.
    A orientação é que a pessoa doe sangue 30 dias antes de se vacinar contra o sarampo.
    Quais serão os próximos passos para conter a cadeia transmissão do vírus?
    O Ministério da Saúde fez a maior aquisição de vacinas dos últimos 10 anos. O Brasil tem uma estimativa de 59 milhões de pessoas suscetíveis ao sarampo de todas as faixas etárias. O objetivo é atingir essa população suscetível ao vírus, incluindo o público que antes não fazia parte do Calendário Nacional de Vacinação, que são pessoas de 50 a 59 anos. A vacina era oferecida no setor privado e agora vamos fornecer no setor público também.
    Nós adquirimos, em 2019, 60,2 milhões de doses da vacina tríplice viral. Para 2020, o Ministério da Saúde adquiriu 65,4 milhões de doses. A pasta comprou esse montante expressivo, se comparado a 2018 (30,6 milhões), para realizar as quatro etapas da Campanha Nacional contra o Sarampo e, com isso, cobrir toda a população brasileira. As próximas etapas serão realizadas em 2020 para alcançar as faixas etária de 30 a 59 anos e de 5 a 19 anos.
    Por Natália Monteiro, da Agência Saúde

  • Porto Alegre já tem 12 casos de sarampo confirmados

    Jovens entre 20 e 29 anos compõem o público-alvo da nova etapa da campanha de imunização contra o sarampo, que começa nesta segunda-feira, 18.
    A campanha é nacional e se estende até o dia 30.
    Nesta nova etapa, o grupo foi escolhido em função da situação epidemiológica do país, com aumento da incidência de casos da doença nesta faixa etária.
    Em Porto Alegre, foram confirmados até o momento doze casos da doença, dos quais seis pacientes entre 20 e 29 anos, três de 18 anos e três adultos com mais de 30.
    A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) oferecerá a vacina em todas as unidades de saúde, com horários diferenciados de atendimento (unidades de saúde, 8h às 17h; US Tristeza, Ramos, Modelo e São Carlos, das 8h às 22h; Clínica da Família, na Restinga, das 8h às 20h).
    De acordo com o censo do IBGE de 2010, a Capital tem mais de 248 mil jovens entre 20 e 29 anos. Segundo a estimativa da Secretaria Estadual de Saúde (SES), cerca de 167 mil são considerados não vacinados e, por isso, precisam atualizar o esquema vacinal.
    O calendário oficial de vacinação do Brasil prevê que até os 29 anos todas as pessoas devem comprovar duas doses de vacina com componente de sarampo. “A campanha oferece a oportunidade de atualização da caderneta. É importante que os jovens compareçam a uma unidade de saúde para verificar a sua condição vacinal”, enfatiza o médico da Vigilância em Saúde da SMS, Juarez Cunha.