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  • Recuperação da economia foi “miniciclo de crescimento” que se esgotou,  diz estudo

    Em sua carta técnica de maio, emitida nesta segunda, 6, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI) caracteriza a recuperação da indústria iniciada em 2017 como “um miniciclo de crescimento” que já estaria perdendo a força e em tendência da queda.
    “Na melhor das perspectivas , teremos uma curva no formado de W, o que configuraria um processo de crescimento nada consistente”, diz a análise que tem foco na indústria, mas reflete o ambiente de toda a economia, como mostram as sucessivas previsões de redução do PIB em 2019.
    A integra da carta técnica do IEDI, do dia 6 de maio:
     

    A contar pelos dados já disponíveis, é possível que a recuperação industrial iniciada em 2017 venha a ser, na verdade, apenas um miniciclo de crescimento depois de um prolongado e agudo período de crise.
    Na melhor das perspectivas, teremos uma curva no formato de “W”, o que configuraria um processo de crescimento nada consistente.
    Fatores de dinamismo que estiveram em operação em 2017, como a supersafra agrícola, liberação dos recursos do FGTS, forte desaceleração da inflação e queda da taxa básica de juros (Selic), bem como o maior dinamismo do comércio internacional, foram perdendo força a partir do ano passado sem que outros motores fossem reativados na intensidade necessária.
    O declínio os juros dos empréstimos e a conseguinte normalização do quadro do crédito no país eram candidatos importantes para introduzir maior dinamismo ao sistema industrial em 2018. Na realidade, deixaram muito a desejar e arrefeceram a recomposição do consumo e do investimento.
    Além disso, comprometeram o resultado da indústria no ano passado a greve dos caminhoneiros, a incerteza do processo político-eleitoral e a crise da Argentina, em meio à desaceleração do comércio mundial, e o próprio desemprego, que ainda se encontra em níveis recordes. Assim, a produção industrial saiu de uma alta de +5% no 4º trim/17 para uma queda de -1,2% no 4º trim/18 frente ao mesmo período do ano anterior.
    Muitos destes aspectos desfavoráveis permanecem em tela em 2019. Como consequência, a indústria não só continuou no vermelho, como aprofundou seu declínio no 1º trimestre do ano: -2,2% frente ao 1º trim/18. Em relação ao final de 2018, o desempenho também foi negativo: -0,7% ante out-dez/18, já com os ajustes sazonais. Ou seja, as perdas estão presentes qualquer que seja o ângulo em que olhamos o setor.
    A comparação do acumulado em doze meses frente ao mesmo período do ano anterior, que funciona como uma medida de tendência, não deixa dúvida sobre o movimento que a indústria assumiu nos últimos meses. Em mar/19 voltamos à mesma situação em que estávamos em ago/17, registrando -0,1% em ambos os casos. A diferença é que naquele momento a indústria ganhava velocidade e, agora, vem perdendo cada vez mais dinamismo. Este é um claro sinal de retrocesso.
    Ademais, não só a indústria parou de crescer, como a melhor marca atingida neste possível miniciclo foi de +3,9% nos doze meses encerrados em abr/18. Este é um ritmo que não chega a ser, nem de longe, aquele necessário a contrarrestar as quedas durante a crise, que chegaram a níveis próximos de -10% em 2016.
    Diante destes resultados, a expectativa de crescimento da indústria vem sendo sistematicamente reduzida. Segundo a pesquisa Focus do Banco Central do final do ano passado, a produção física do setor cresceria+3,2% em 2019, patamar que agora, na avaliação de início de maio, não passaria de +1,8%.
    Embora mais grave pra uns do que para outros, esta nova fase de retrocesso foi sentida pela grande maioria dos setores industriais. Dos 26 ramos acompanhados pelo IBGE, nada menos do que 21 deles (81%) ficaram no vermelho no 1º trim/19. Pior ainda, metade deles (isto é, 13 ramos) acompanharam a indústria geral e também tiveram queda no 4º trim/18 e quase ¼ já acumula mais de dois trimestres consecutivos de retração. Frente a isso, é possível que estejamos em emio a mais uma etapa recessiva.
    Dentre os grandes macrossetores industriais, todos mergulharam novamente no vermelho, mesmo o de bens de capital (-4,3% ante 1º trim/18), que ainda conseguia se manter na faixa positiva no final do ano passado. A seu turno, os bens de capital para a própria indústria, que cuja produção acompanha a evolução dos investimentos do setor, está de mal a pior, registrando queda tanto no 4º trim/18 (-5,5%) como no 1º trim/19 (-4,9%).
    Bens de consumo duráveis (-3,5%) recuaram em função do setor automobilístico, cujas exportações estão sendo bastante prejudicadas pela crise argentina, mas também de móveis e eletrodomésticos, que refletem mais os entraves à reativação da demanda doméstica.
    Bens intermediários (-2,0%) já vinham de um período baixíssimo crescimento na maior parte de 2018 e avançaram para o terreno negativo no 4º trim/18 (-1,6%) e agora no 1º trim/19 (-2%), sobretudo em função de segmentos associados a alimentos, têxteis, celulose e metalurgia.
    Bens de consumo semi e não duráveis não caíram tanto quanto os demais macrossetores industriais, mas neste caso há um longo processo de estagnação que parece estar resvalando mais claramente para uma etapa recessiva. Do 3º trim/18 ao 1º trim/19 as quedas foram cada vez maiores: -0,2%, -0,8% e -1,4%, respectivamente.
    Resultados da Indústria
    Em março de 2019, a produção industrial variou -1,3% na comparação com o mês anterior, já descontados os efeitos sazonais. Com isso, atingiu-se no terceiro mês do ano um nível de produção 1,4% inferior à de dez/18. Depois de um desempenho negativo no final do ano passado, a indústria permaneceu no vermelho neste início de 2019.
    O resultado da indústria em comparação com o mesmo período do ano anterior, por sua vez, foi ainda pior em março: retração de -6,1%, representando queda equivalente à de maio de 2018, quando a paralisação dos caminhoneiros trouxeram grande perturbação às atividades do setor. Parte disso, porém, deve-se a um efeito calendário, já que mar/19 teve dois dias úteis a menos do que mar/18.
    Deste modo, o saldo geral no 1º trimestre de 2019 não só foi mais uma vez negativo, como a queda foi mais intensa do que no 4º trim/18: -2,3% contra -1,2%, respectivamente, frente ao mesmo período do ano anterior. Chega-se, assim, a capítulos mais dramáticos de uma trajetória de continuada desaceleração verificada ao longo do ano passado todo. A indústria encontra-se, sem sombra de dúvida, em uma situação completamente distinta daquela do último quatro de 2017, quando registrava +5% de crescimento.
    Em relação aos macrossetores, na comparação com fevereiro de 2019, descontados os efeitos sazonais, os resultados foram quase todos negativos. A única exceção foi o de bens de capital, que registraram +0,4%. Bens intermediários caíram pelo terceiro mês consecutivo ao apresentarem resultado de -1,5% em março. Bens de consumo duráveis e semi e não duráveis declinaram em ritmo semelhante: -1,3% e -1,1%, respectivamente.
    Já na comparação de março de 2019 com março de 2018, obteve-se resultados negativos em todos os macrossetores. Bens de consumo duráveis foram os que mais caíram: -15,8%, seguidos por bens de capital, que registraram -11,5%. Bens de consumo semi e não duráveis, por sua vez, apresentaram resultado de -5,2%. Já bens intermediários, embora tenham tido a queda mais branda em março (-4,4%), está no vermelho desde setembro de 2018.
    Em março de 2019, o declínio interanual -15,8% de bens de consumo duráveis foi o mais intenso desde julho de 2016 (-16,1%), tendo sido pressionado pela queda na fabricação de automóveis (-16,8%), de eletrodomésticos da “linha marrom” (-29,2%), de motocicletas (-3,5%) e de móveis (-17,1%). Por outro lado, os impactos positivos vieram de eletrodomésticos da “linha branca” (+2,9%) e outros eletrodomésticos (+2,5%).
    Bens de capital, que declinou -11,5%, tendo sido a queda mais intensa desde abril de 2016 (-15,0%), foram influenciados, em grande medida, pelo recuo de bens de capital para equipamentos de transporte (-15,7%), bens de capital para fins industriais (-8,8%), uso misto (-9,5%), energia elétrica (-13,1%) e agrícolas (-9,2%). O único impacto positivo foi em bens de capital para construção (+6,7%).
    Já o macrossetor de bens de consumo semi e não-duráveis (-5,2%) foi condiconado principalmente pela queda no grupamento de não-duráveis (-10,6%) e pelos resultados negativos dos subsetores de semiduráveis (-9,3%) e de alimentos e bebidas elaborados para consumo doméstico (-2,0%). O subsetor de carburantes (+1,7%) foi o único a apontar variação positiva.
    Por sua vez, o macrossetor de bens intermediários, cuja produção regrediu -4,4%, foi influenciado pelas quedas de: indústrias extrativas (-14,0%), veículos automotores, reboques e carrocerias (-9,5%), produtos de borracha e de material plástico (-6,0%), máquinas e equipamentos (-8,4%), produtos alimentícios (-1,9%), outros produtos químicos (-1,9%), metalurgia (-1,6%), entre outros. Em contrapartida, contribuíram positivamente os ramos de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (+6,0%), produtos de metal (+1,9%) e embalagens (1,3%).
    Assim, no acumulado do primeiro trimestre de 2019, quando a a indústria geral caiu -2,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, todos os macrossetores ficaram no vermelho. A queda mais intensa ficou por conta de bens de capital (-4,3%), seguidos por bens de consumo duráveis (-3,5%) e bens intermediários (-2,0%). Bens de consumo semi e não duráveis foram os que apresentaram o declínio mais brando neste início de 2019 (-1,4%), mas já acumula três trimestres consecutivos de retração.
    Por dentro da Indústria de Transformação
    A variação de -1,3% da produção industrial geral em março de 2019 ante fevereiro, já realizado o ajuste sazonal, foi acompanhada de retração de -0,5% na indústria de transformação e de -1,7% no ramo extrativista, influenciado pelos efeitos do desastre de Brumadinho. No primeiro caso, os resultados têm sido negativos desde julho do ano passado, à exceção de jan/19, quando ficou estagnado e do crescimento de +0,8% em fevereiro. Ou seja, ao que tudo indica retomamos o anterior padrão desfavorável. No segundo caso, os três meses de 2019 só registraram declínio, que foi bastante intenso em fevereiro (-15,7%).
    Em relação a março de 2018, os resultados da indústria de transformação e do setor extrativista acompanharam a indústria geral (-6,1%) e perderam produção. No primeiro caso, a queda foi de -4,9%, mais do que compensando a variação positiva de fevereiro (+4%), que havia interrompido uma sequencia de três meses de retração. No segundo caso, devido em boa medida ao desastre de Brumadinho, houve queda de -14%, o pior resultado da série interanual desde ago/16. Isso porque o ramo extrativista já tinha registrado variação de -10% em fevereiro. Vale lembrar, porém, que o mês de mar/19 contou com dois dias úteis a menos do que mar/18.
    Frente a fevereiro de 2019, na série com ajuste sazonal, o decréscimo de -1,3% da indústria geral foi acompanhado por 16 dos 26 ramos pesquisados. As principais influências negativas vieram de produtos alimentícios (-4,9%), veículos automotores, reboques e carrocerias (-3,2%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-2,7%), indústrias extrativas (-1,7%) e outros produtos químicos (-3,3%).  Em sentido oposto, a principal contribuição positiva veio de farmoquímicos e farmacêuticos (+4,6%).
    Na comparação com igual mês do ano anterior, em que a indústria geral apresentou queda de -6,1% na produção, variações negativas marcaram o desempenho de 22 dos 26 ramos, 60 dos 79 grupos e 63,7% dos 805 produtos pesquisados. Os destaques desfavoráveis ficaram a cargo de veículos automotores, reboques e carrocerias (-13,3%), produtos alimentícios (-5,0%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-23,7%), máquinas e equipamentos (-7,8%), outros equipamentos de transporte (-22,1%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (-11,8%) e produtos de borracha e de material plástico (-6,7%), entre outros, além do ramo extrativa (-14,0%). Já entre os quatro setores que avançaram na produção, os principais impactos foram em coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (+5,0%) e bebidas (+9,9%).
    Exportação
    Segundo os dados da Funcex, divulgados pelo IBGE conjuntamente com os resultados da produção industrial, o quantum das exportações de manufaturados no mês de março de 2019 recuou -14%, frente ao mesmo período do ano anterior. Com isso, o desempenho do primeiro trimestre do ano foi igualmente negativo: -7,9% ante o mesmo período do ano passado, isto é, uma realidade bastante diferente do 1º trim/18, quando as exportações de manufaturados avançavam +16,5%.
    Por sua vez, as importações em quantum de matérias-primas para a indústria também decresceram, -21% na comparação com março de 2018. Apesar disso, o resultado acumulado no primeiro trimestre de 2019 continuou positivo em +3,3%, apresentando aceleração em relação ao desempenho do 1º trim/18 (+0,1%).
    Utilização de Capacidade
    O nível de utilização da capacidade instalada da indústria de transformação, de acordo com a série da FGV com ajustes sazonais, foi de 74,7% tanto em março como em fevereiro de 2019, um patamar abaixo daquele de um ano atrás (76,1% em mar/18). O indicador ficou, assim, ainda mais longe de sua média histórica, que é de 80,1%.
    Já o indicador da CNI, regrediu na passagem de fevereiro para março de 2019, já descontados os efeitos sazonais, ao variar -0,9 p.p. e chegar a 76,5%. Este patamar está quase 2 p.p. abaixo do nível de um ano atrás (78,3% em mar/18), mostrando a piora da evolução da indústria de transformação neste período. Tal como ocorre no caso do indicador da FGV, a utilização aferida pela CNI permanece razoavelmente abaixo da média histórica do indicador, iniciado em jan/03, e que é de 80,9%.
    A permanência da utilização da capacidade em níveis historicamente baixos e sem uma trajetória inconteste de acentuada melhora não é um indício favorável para a evolução futura do investimento, isso porque máquinas e equipamentos atualmente ociosos deverão ser postos em funcionamento antes de os empresários pensarem em ampliar sua capacidade de produção. Em contrapartida, a existência de capacidade ociosa significa que existem plenas condições de oferta para garantir uma recuperação da atividade econômica sem pressões inflacionárias.
    Estoques
    De acordo com os dados da Sondagem Industrial da CNI, os estoques de produtos finais da indústria em março de 2019 assinalaram índice de 50,5 pontos, superior ao patamar de fevereiro (50,2 pontos) e novamente acima da marca dos 50 pontos, o que indica aumento de estoques. Valores inferiores a 50 pontos, por sua vez, indicam redução de estoques. No caso do segmento da indústria de transformação, o indicador registrou 50,4 pontos (+0,3 ponto frente a fev/19 e +0,6 ponto frente a mar/18) e na indústria extrativa ficou em 52,8 pontos (+1,7 ponto frente a fev/19 e +6,3 pontos frente a mar/18).
    Na avaliação dos empresários, os estoques efetivos da indústria geral continuaram acima do nível planejado (isto é acima de 50 pontos), atingindo o patamar de 51,2 pontos em março de 2019. Este tem sido o padrão desde março de 2018, à exceção de dezembro, quando ficou em 48,9 pontos. No caso do setor extrativo e no caso da indústria de transformação, o indicador de satisfação dos estoques ficou em 49,7 pontos e em 51,3 pontos, respectivamente.
    No grupo industrial da indústria de transformação, 15 dos 26 ramos acompanhados pela CNI tiveram estoques iguais ou menores do que o planejado (50 pontos) em março de 2019, isto é, abaixo do número de ramos nesta posição em dez/18 (22), jan/19 (19) e fev/19 (16), reduzindo o número de ramos cujas produções podem avançar nos próximos meses para recompor estoques abaixo do planejado. Dentre eles, estão os ramos de outros equipamentos de transporte (43,8 pontos), biocombustíveis (43,8 pontos), e borracha (43,2 pontos), entre outros. Em contraste, ficaram com estoques efetivos acima do planejado em março os setores de couros (62,5 pontos), têxteis (54 pontos), papel e celulose (53,4 pontos) e móveis (53,2 pontos), entre outros.
    Confiança e Expectativas
    Diante da patente desaceleração do crescimento industrial, que se transformou em nova retração no final de 2018 e início de 2019, a confiança do empresariado industrial, segundo o Índice de Confiança do Empresário da Indústria de Transformação da CNI (ICEI), começou a ser corrigido no mês de março de 2019 em um movimento que ganhou intensidade no mês de abril. Depois de alguns meses de relativa estabilidade, o indicador passou de 64,7 pontos em fev/19 para 62,5% em mar/19 e chegou a 58,9 pontos em abr/19. Por se encontram acima da marca de 50 pontos, este indicador continua registrando otimismo dos empresários, embora cada vez menos. Esta não é uma trajetória que corrobore expectativas de retomada mais consistente do investimento industrial.
    O desempenho da confiança em abril do presente ano resultou principalmente de seu componente de avaliação das condições atuais dos negócios, que ficou na marca de 50,5 pontos neste mês, registrando o segundo recuo consecutivo frente ao mês anterior (69,1 pontos em fev/19 e 54,4 pontos em mar/19). O componente do ICEI-CNI de expectativas em relação ao futuro também regrediu, passando de 66,5 pontos em mar/19 para 63 pontos em abr/19. Em ambos os casos o quadro ainda é de otimismo, dados os níveis acima de 50 pontos.
    Já o Índice de Confiança da Indústria de Transformação (ICI) da FGV mostrou pequeno avanço no mês de abril, ao passar de 97,2 pontos em março para 97,9 pontos, com ajuste sazonal. Ainda assim, já esteve mais próximo da linha divisória (100 pontos), como em fev/19, ou mesmo acima dela, como entre dez/17 e mai/18, quando sugeria um retorno ao otimismo dos empresários do setor.
    Este movimento do ICI-FGV em abril foi condicionado por seu componente de situação atual. O Índice de Expectativas em relação ao futuro ficou estável em 97,4 pontos, depois de declinar por duas vez consecutivas. No caso do Índice da Situação Atual, o progresso foi de 97,1 pontos em mar/19 para 98,5 pontos em abr/19.
    Outro indicador frequentemente utilizado para se avaliar a perspectiva do dinamismo da indústria é o Purchasing Managers’ Index – PMI Manufacturing, calculado pela consultoria Markit Financial Information Services. Seu nível vinha se mantendo, em média, em 52,7 pontos entre novembro de 2018 e janeiro de 2019, avançou para 53,9 pontos em fevereiro deste ano, mas retrocedeu novamente para 52,8 pontos em março e 51,5 pontos em abril. Vale mencionar que níveis acima de 50 pontos sugerem melhora das condições de negócio.
    Os indicadores de confiança acima mencionados, notadamente seu componente referente às avaliações dos negócios correntes, sugerem que o desempenho industrial em abril pode ser fraco mais uma vez.
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  • Aplicações de inseticida contra a dengue na Zona Norte: já são 170 casos

    Quatro ruas no bairro Sarandi, entre a avenida Assis Brasil e a rua Minas Gerais, na Zona Norte de Porto Alegre, tiveram pulverização de inseticida nesta segunda-feira, 6, pela manhã: Oliveira Loes, Jackson de Figueiredo, Laudelino Freire e Alcides Maia.
    Além desses trechos, a avenida Assis Brasil, entre as ruas Oliveira Lopes e Alcides Maia, também receberam aplicação de inseticida. A operação acontece pela confirmação de um caso de dengue autóctone no local e  deve continuar nas próximas semanas.
    Os números parciais de casos são os seguintes: 171 confirmados, sendo nove importados e 162 autóctones, dos quais 139 no bairro Santa Rosa de Lima, na zona Norte.
    (Com informações da Assessoria de Imprensa)
     

  • Cais Mauá: investigações da Policia Federal seguem em andamento

    A assessoria de imprensa da Polícia Federal em Porto Alegre confirmou ao JÁ que a Operação Gatekeeper, que investiga operações ilegais com dinheiro de fundos de pensão, ainda não encerrou suas atividades em Porto Alegre.

    A operação Gatekeeper completou um ano neste 19 de abril. Começou  no Tocantins, veio fazer água no Cais Mauá, que recebeu R$ 30 milhões do fundo de pensão dos funcionários municipais de Palmas. “Intermediários” carrearam dinheiro de diversos fundos para projetos descapitalizados, como o Cais Mauá.
    O inquérito é sigiloso,  mas uma liderança do movimento Amacais confirmou ao JÁ que foi chamada para depor. Ela não quis revelar o que lhe foi perguntado ou respondido porque se comprometeu com o sigilo. “Algumas perguntas visavam personagens conhecidos”, afirmou essa testemunha.
    (A história completa está na edição impressa. Garanta seu exemplar)

  • Lula: "Guedes precisava criar vergonha"

    A entrevista de Lula  à Folha de São Paulo e ao El País está sendo dissecada, à esquerda e à direita, com repercussão internacional.
    A Globo tenta ignorar, mas é o fato político mais importante depois da eleição de Bolsonaro.
    Ele diz a certa altura:
    Ah, o povo tá devendo? Tire todo o penduricalho da dívida do povo e ele paga apenas o principal no banco e você vai perceber que as pessoas voltam a comprar. Um país que não gera emprego, não gera salário, não gera consumo, não gera renda, quer pegar do aposentado e do velhinho R$ 1 trilhão? O Guedes precisava criar vergonha.
    Onde ele fez esse curso de economia dele? Se ele quiser me visitar aqui, eu discuto com ele esse problema dos pobres sem causar prejuízo aos pobres”..

  • Estado vai rever contrato para cálculo do PIB

    Ao final da apresentação do desempenho da economia em 2018, a secretária do Planejamento, Leany Lemos confirmou que o governo gaúcho pretende retomar até o final deste ano os cálculos do PIB por meio do Departamento de Economia e Estatística (DEE).
    “Estamos reavaliando o contrato com a Fipe, mas precisamos também restabelecer a parceria com o IBGE”, anunciou. As estimativas do primeiro semestre de 2019 ainda serão realizadas pela Fundação.
    Segundo a estima tiva da Fipe,  a economia do Rio Grande do Sul apresentou resultado positivo pelo segundo ano consecutivo.
    O Produto Interno Bruto (PIB) fechou 2018 com crescimento real de 1,2%, conforme estimativas que constam do relatório elaborado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) divulgado nesta sexta-feira (26/4), pela Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag).
    Na comparação trimestral, o PIB gaúcho fechou os últimos três meses do ano passado com um avanço de 2,7% frente ao mesmo período de 2017, puxado especialmente pelo desempenho do setor industrial (7,9%).
    A soma de todos os bens e serviços finais produzidos no RS ao longo de 2018 demonstra que a economia gaúcha segue uma tendência nacional de leve recuperação após o período de recessão. O crescimento de 1,2% no ano passado se deve por um desempenho parelho dos setores do Comércio (+5,6%), Construção Civil (+5,2%) e Indústria (+5%). Esse comportamento, conforme o relatório da Fipe, compensou as perdas sobre as atividades ligadas à Agropecuária (-4,2%) e aos Serviços (-1%). No país, o PIB registrou variação positiva de 1,1% em 2018.

    É preciso manter o crescimento por um tempo maior para a expansão ajudar o Estado a reverter a crise fiscal, disse Leany – Foto: Frame de imagem de Luiz Mazarem / Secom

    “É um bom sinal, mas precisamos manter este caminho de crescimento por um tempo maior para que o crescimento econômico ajudar o Estado a reverter a sua crise fiscal”, destacou a secretária Leany Lemos. Com esse objetivo, prosseguiu a titular da Seplag, o atual governo trabalha com uma agenda para atração de investimentos. “Por isso, as reformas estruturais são importantes para sinalizar ao mercado. Mesmo em meio ao período de forte recessão e queda na sua receita, o Estado acabou ampliando seus gastos. Em três anos, apenas em termos de gastos com a folha salarial, houve um salto de R$ 5 bilhões”, disse Leany.
    Expectativa de retomada
    O PIB do RS alcançou a cifra de R$ 445 bilhões. O desempenho do último trimestre é o segundo consecutivo de alta (no 3º trimestre foi +4%), o que cria a expectativa de uma retomada mais consistente no crescimento da atividade econômica. O avanço de 2,7% no fechamento do ano se deve, em especial, pelo forte dinamismo registrado pelas indústrias (+7,9%), seguido de perto pelo setor do Comércio (atacado e varejo teve crescimento de 5,3%). A construção Civil registrou alta de 1,9%, ao passo que a Agropecuária (-2,3%) e Serviços (-0,2%) reproduziram um comportamento negativo verificado praticamente em todos os trimestres anteriores.
    Na avaliação do coordenador de pesquisas da Fipe, economista Eduardo Zylberstajn, o desempenho da economia gaúcha no segundo semestre é bastante animador. “O Rio Grande do Sul conseguiu crescer acima do país, mesmo sem depender diretamente do comportamento da agricultura”, observou. Para ele, embora ainda aquém das necessidades, os sinais de retomada são positivos na medida depois de um período de retração: “a crise foi muita severa”.
    Segundo o economista da Fipe, é fundamental que estados e o país resolvam seus problemas fiscais para demonstrar maior previsibilidade ao investidor. “Num cenário de desequilíbrio, o empresário sempre tem como temor a inflação ou mais imposto”, resumiu.
    Próximos relatórios
    Ao término da apresentação do desempenho da economia em 2018, Leany Lemos confirmou que a Seplag pretende retomar até o final deste ano os cálculos do PIB por meio do Departamento de Economia e Estatística (DEE). “Estamos reavaliando o contrato com a Fipe, mas precisamos também restabelecer a parceria com o IBGE”, anunciou. As estimativas do primeiro semestre de 2019 ainda serão realizadas pela Fundação.

  • Comercial da RBS foca no digital para atrair "clientes nacionais"

    O Grupo RBS está reformulando sua estratégia de marketing, para ” dar ainda mais foco no digital”  e ampliar suas operações comerciais para fora das fronteiras do Rio Grande do Sul.
    “Nossa frente no mercado nacional tem o objetivo de gerar mais oportunidades a grandes anunciantes que desejam se conectar com os gaúchos”, declarou Marcelo Pacheco, head da estrutura comercial do grupo.
    Segundo ele, o foco em mídia digital é para dar mais velocidade aos negócios com clientes nacionais.
    As mudanças começaram em Porto Alegre. Renato Mesquita, que atendia as Contas Estratégicas,  “deixa a empresa à qual dedicou os últimos 20 anos”.
    Gerente de Marketing, gerente-executivo Comercial e diretor Comercial dos jornais por 13 anos, Mesquita também liderou o Comercial da RBS TV e, desde a virada comercial (para o digital), há dois anos, estava à frente do segmento de Contas Estratégicas.
    As mudanças na área comercial do grupo chegam a São Paulo, uma vez que o digital está sendo priorizado como um caminho para ampliar a operação comercial no mercado nacional.
    Renan Blanco “deixa de ser executivo de vendas na Diretoria de Comercialização Nacional (DCN) para assumir o cargo recém-criado de gerente comercial para mercado nacional”.
    Sandra Schilardi assumirá as Contas Estratégicas, agregando a “função ao que já fazia, que era atender ao Governo”. .
    Está nos planos “um hub especializado em mídia digital, cuja missão será dar velocidade à disseminação desta cultura entre todos os segmentos da organização”.
    A promoção de Renan Blanco em São Paulo representa “um reforço na operação no mercado nacional”.
    Além da expertise comercial, Blanco tem experiência em marketing digital e, desde o ano passado, atende a clientes como Walmart, FCA e Bradesco. “Renan vai liderar a implementação do novo modelo de atuação comercial, adotado no Estado, no mercado nacional.
    Com informações do Coletiva Net

  • Pesquisa mostra que 86% reprovam a gestão de Nelson Marchezan

    A atual administração de Porto Alegre, comandada por Nelson Marchezan Júnior (PSDB) e Gustavo Paim (PP), é reprovada por 86,50% da população.
    Apenas 8% aprova a atual administração e 5,50% não soube opinar. Os mesmos 86,50% consideram que Porto Alegre está no rumo errado. Enquanto 13% afirma que a cidade está no rumo certo. Somente 0,50% não soube opinar.
     Os resultados foram obtidos na primeira de uma série de quatro pesquisas que serão realizadas ao longo de 2019 pelo Instituto Methodus e pela Foca Comunicação para entender o que pensa o eleitor de Porto Alegre.
    A pesquisa mostra, ainda, que 57,14% considera o governo municipal péssimo; 23,06% considera ruim. Para 15,54% o governo é regular e 4,26% considera que Marchezan e Paim estão desenvolvendo um bom governo. Nenhum eleitor classificou como ótima a atual a administração.
    Questionados se estão satisfeitos ou decepcionados com o prefeito Nelson Marchezan Júnior, 88,75% dos eleitores afirmam estar decepcionados; 7,25 estão satisfeitos; 4% não souberam responder.
    Nota para a administração municipal
    Nota   %
    126,25%
    229,75%
    314,75%
    414,25%
    516,50%
    68,25%
    77,50%
    82,50%
    90,25%
    100,00%
    Total100%
    Nota agrupada
    Nota   %
    1 a 465%
    516,50%
    68,25%
    7 a 1010,25%
    Total100%
    Otimismo
    Apesar da avaliação ruim da administração municipal e do prefeito Marchezan, o eleitor porto-alegrense acredita na cidade. Para 93,75% Porto Alegre poderia estar se desenvolvendo mais.
    Entende que a Capital está se desenvolvendo de maneira adequada 6% da população. Apenas 0,25% não soube responder. O otimismo é confirmado por 89,75% da população que afirmou acreditar que Porto Alegre tem jeito. Somente 9,25% acha que a cidade não tem jeito e 1% não soube opinar.
    Presidência e Governo do Estado do RS
    A pesquisa também mediu a avaliação dos governos do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e do governador Eduardo Leite (PSDB).
    Bolsonaro:
    Péssimo: 20,30%
    Ruim: 11,28%
    Regular: R$ 34,09%
    Bom: 28,75%
    Ótimo: 5,76%
    Leite:  
    Péssimo: 22,34%
    Ruim: 24,11%
    Regular: 42,64%
    Bom: 10,41%
    Ótimo: 0,51%
    Reforma da Previdência
    Sobre a reforma da previdência, 40% dos eleitores porto-alegrenses são a favor; 49,50% são contra; e 10,50% não soube opinar.
    Ficha técnica:
    Realizada de 10 a 16 de Abril de 2019 com eleitores de ambos os sexos, com 18 anos ou mais, de diferentes classes
    sociais, residentes no município de Porto Alegre. Foram realizadas 800 entrevistas em todas as regiões da cidade. A margem de erro é estimada em até 3,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95% (noventa e cinco por cento).
    (Com informações da Assessoria de Imprensa )
  • Cais Mauá tinha apenas R$ 4 milhões quando anunciou o início das obras

    O  Fundo Cais Mauá dispunha de apenas R$ 4 milhões em março de 2018, quando anunciou o início das obras, cuja primeira etapa estava orçada em R$ 140 milhões.
    Um mês depois, metade desse dinheiro foi bloqueado pela Justiça. O restante foi gasto em despesas correntes.
    Essas informações foram prestadas pelo ex-diretor do Consórcio Cais Mauá, João Carlos Mansur, em depoimento, segunda-feira 22, à Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga as irregularidades nas aplicações do PreviPalmas, Fundo de Previdência dos Funcionários Municipais de Palmas, capital do Tocantins.
    Pelo contrato de concessão da área, o empreendedor deveria apresentar uma garantia de R$ 400 milhões antes de iniciar as intervenções no porto.
    A CPI em andamento na Câmara Municipal de Palmas investiga o desvio de mais de R$ 58 milhões do fundo para aposentadoria dos servidores públicos municipais.
    Do total, segundo apurou a CPI, R$ 30 milhões foram aplicados no Cais Mauá, em Porto Alegre (RS), alvo de investigação da Polícia Federal (PF).
    Mansur declarou que geriu o fundo do Cais Mauá por apenas dois meses, tendo renunciado após ser deflagrada a Operação Gatekeeper, da Polícia Federal, em abril de 2018..
    Mansur declarou que a REAG Investimentos administrou o fundo do Cais Mauá entre o final de fevereiro até abril de 2018 e que, durante o período, o fundo dispunha de R$ 4 milhões, dos quais R$ 2 milhões sofreram bloqueio judicial, a pedido do próprio PreviPalmas.
    O  restante dos recursos foi utilizado para pagamento de despesas ordinárias. O ex- gestor se comprometeu, perante os membros da CPI, a enviar relatório discriminado dos levantamentos contábeis e financeiros realizados sob sua gestão. A CPI colhe novos depoimentos na próxima segunda-feira, 29.
    (Com informações da Câmara de Vereadores de Palmas)
     
     

  • Bullying: um em cada dez estudantes é vítima

    Por Tiago Lobo
    O fenômeno sempre existiu mas não era estudado. Virou bode expiatório perfeito para achar motivos para “explicar” tiroteios em massa. Especialistas refutam a tese.
    Um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) de 2004 concluiu que o Bullying é um problema universal que afeta cerca de um terço de crianças por mês, em todo o mundo. Para cerca de 11% de crianças, este tipo de abuso, praticado pelos seus companheiros, é severo (várias vezes por mês).
    No Brasil, um em cada dez estudantes é vítima segundo dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2015. A Lei nº 13.185, em vigor desde 2016, classifica o bullying como intimidação sistemática, quando há violência física ou psicológica em atos de humilhação ou discriminação e existe até uma data instituída por meio da Lei nº 13.277 para o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência nas Escolas, 7 de abril.
    O Diagnóstico Participativo das Violências nas Escolas, realizado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO) em 2015, com apoio do MEC, revelou que 69,7% dos estudantes declaram ter presenciado alguma situação de violência dentro da escola. Isso fez com que o bullying fosse incluído na Pesquisa Nacional da Saúde do Escolar (PeNSE) de 2015: 7,4% dos estudantes informaram que já se sentiram ofendidos ou humilhados e 19,8% declararam que já praticaram alguma situação de intimidação, deboche ou ofensa contra algum de seus colegas.
    A psicóloga e professora da Pós-Graduação em psicologia da PUCRS, Carolina Lisboa, pesquisa os processos de bullying, cyberbullying, desenvolvimento social e sócio-cognições em contextos virtuais. No estudo “O fenômeno bullying ou vitimização entre pares na atualidade: definições, formas de manifestação e possibilidades de intervenção”, publicado em parceria com os pesquisadores Luiza de Lima Braga e Guilherme Ebert, conclui-se que a participação contínua em episódios de bullying gera distorções nas concepções de emoções e desenvolvimento moral.
    Lisboa define o fenômeno como um processo de vitimização entre pares: pelo qual uma criança ou adolescente é sistemática e repetidamente exposta a um conjunto de atos agressivos (diretos ou indiretos), que ocorrem sem motivação aparente, mas de forma intencional. Pode ser protagonizado por um ou mais agressores e é caracterizado pelo desequilíbrio de poder e ausência de reciprocidade. A vítima possui, geralmente, pouco ou quase nenhum recurso para se defender.
    O estudo o avalia como um subtipo de comportamento agressivo que gera atos violentos e, na maioria das vezes, ocorre dentro das escolas. E emerge na interação social.
    “Como está associado a um processo normativo de formação de identidade e exclusão dos diferentes (na individuação eu vou definindo quem sou a partir de quem não sou), sempre acontece bullying”, afirma Lisboa, ressaltando que não significa dizer que a prática é justificável. Para a pesquisadora o Bullying se mantém por conta do preconceito e juízo de valor agregado a um processo natural de formação de identidade pessoal, passando pelo grupo de iguais.
    Os efeitos do bullying variam de acordo com cada vítima: “Uma pessoa pode sofrer bullying e não representar um trauma e pode sofrer um assalto e significar como trauma. Bullying e cyberbullying são violências gravíssimas com impactos negativos”, aponta Lisboa.
    Ela explica que as implicações possíveis na saúde mental de crianças e adolescentes passam por baixa autoestima, baixa autoconfiança e autoeficácia, dificuldades de controle de emoções (especialmente de raiva), dificuldades acadêmicas, profissionais, insegurança, agressividade, isolamento, fobia social, uso de substâncias, depressão e ansiedade.
    Quando pergunto se o bullying pode levar uma pessoa a cometer um tiroteio em massa Carolina Lisboa é categórica:
    “Não vou chancelar essa ideia. Gostaria de deixar claro que não acredito nesta linha de raciocínio. Muitas variáveis influenciam nestas tragédias inclusive histórico de saúde mental pregresso, cultura entre outros. Uma coisa é o bullying e outra é a psicopatologia”.
    Apesar de o ambiente escolar ser o palco de maior prevalência de bullying, o fenômeno ocorre em outros contextos, não se restringe a um determinado nível socioeconômico, tampouco a uma faixa etária específica ou gênero
    A pesquisadora revela que o que mais aprendeu nos seus estudos é que agressores também sofrem e permanecem na violência com medo de que sejam vítimas no futuro. Eles ficam reféns em um ciclo, e podem não ter intenção de machucar e nem entender que estão machucando, visto que as pessoas têm diferentes níveis de empatia e alguns não são empáticos.
    Para lidar com vítimas e agressores, a comunicação familiar é fundamental. Pais devem ir até a escola, estabelecer limites claros e criar oportunidades para favorecer diferentes habilidades que nutram a autoestima dos filhos, favorecendo relações do jovem fora da escola.
    Agressividade sempre gera agressividade e somos influenciados por modelos, portanto, Lisboa sugere que “Ao invés de eleger culpados deveríamos pensar em uma cultura não agressiva e violenta em todas as escolas e na sociedade. Sem punições inadequadas e com valorização do amor, da alegria, da solidariedade”.

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  • RS ocupa o 4º lugar no “ranking do ódio”


    Por Tiago Lobo
    Durante três meses – de abril a junho de 2016 – o Comunica Que Muda (CQM), uma iniciativa da agência de publicidade nova/sb, monitorou dez tipos de intolerância nas redes sociais e lançou um dossiê. Foram analisadas 542.781 menções. Nos dez temas pesquisados, o percentual de abordagens negativas estava acima de 84%. A negatividade nos temas que tratam de racismo e política era de 97,6% e 97,4%, respectivamente.
    A intolerância de maior audiência na época era a política (quase 274 mil menções), mais de três vezes superior à misoginia, que aparece em segundo lugar, com quase 80 mil menções. Vale lembrar que o país recém passara pelo processo de Impeachment da ex-presidente Dilma Roussef.
    A quantidade em números absolutos colocava o Rio Grande do Sul em 4º lugar com 14.479 menções. Analisando a proporcionalidade em relação à sua população, que era de 11.247.972 segundo dados do IBGE de 2015, o estado gaúcho desce 2 posições, ficando em 6º mais intolerante na internet.
    Imagine que o Facebook recebe, por dia, cerca de 1 milhão de denúncias de postagens de ódio ou conteúdo ilegal. Devido ao aumento dos casos, em fevereiro de 2016 ele inaugurou no Brasil a Central de Prevenção ao Bullying, que já existia em outros 50 países. Em maio do mesmo ano as gigantes Microsoft, Google, Twitter e Facebook assinaram um documento elaborado pela União Europeia para que o discurso de ódio fosse controlado com mais eficiência.
    Desde 2006  A ONG SaferNet Brasil*, mantém um canal para receber denúncias relacionadas a crimes de ódio online. Já foram mais de 2 milhões de casos reportados. 28% são sobre racismo e 69% das vítimas que procuram ajuda são mulheres. E estes dados são apenas de uma iniciativa que monitora a surface web, a camada que todos nós navegamos.
    De acordo com dados da ONG, entre 2010 e 2013 houve um aumento de mais de 200% no número de denúncias contra páginas que divulgaram conteúdos racistas, misóginos, homofóbicos, xenofóbicos, neonazistas, de intolerância religiosa, entre outras formas de discriminação contra minorias em geral.
    “De maneira geral, o discurso de ódio costuma ser definido como manifestações que atacam e incitam ódio contra determinados grupos sociais baseadas em raça, etnia, gênero, orientação sexual, religiosa ou origem nacional”, diz o site da SaferNet Brasil.
    Protegidas, pelo suposto anonimato, pessoas se sentem seguras para ofender, atacar, criar boatos e propagar preconceitos contra minorias. Isso é cyberbullying. Um crime. Mas como diria o escritor italiano Umberto Eco ao receber um título de doutor honoris causa em comunicação e cultura na Universidade de Turim, em junho de 2015, “as redes sociais deram voz a uma legião de imbecis”. Em alguma medida ele pode ter razão.
    *Caso encontre imagens, vídeos, textos, músicas ou qualquer tipo de material que seja atentatório aos Direitos Humanos, faça a sua denúncia aqui.
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