Enquanto EUA tornam-se o novo epicentro da Covid-19, China assume liderança mundial no combate à epidemia

Equipes chinesas chegam à Sérvia para auxiliar no combate ao coronavírus / Foto Xinhua

Com pelo menos três meses de vantagem sobre todos os demais países, a China dá sinais de que não pretende perder a oportunidade de expandir sua influência em todos os continentes.

Na segunda-feira, o porta voz do Ministério das Relações Exteriores, Geng Shuang, informou que “a China pediu aos Estados Unidos que parem de politizar a COVID-19 e estigmatizar o país”.

Segundo o porta-voz, Donald Trump disse a repórteres no sábado que desejava que “a China tivesse nos dito mais sobre o que estava acontecendo na China”.

Geng cita “reportagens relevantes” sobre o plano de comunicação da Casa Branca, “com foco em acusar a China de orquestrar um encobrimento e criar uma pandemia global”.

O porta-voz chinês lembrou que na semana passada, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, acusou a China, a Rússia e o Irã de “realizarem campanhas de desinformação relacionadas à pandemia do coronavírus”.

Qualificando as acusações dos EUA de ”calúnia desajeitada”, Geng afirmou que a China “vem mantendo a Organização Mundial da Saúde  e os países e regiões relevantes, incluindo os Estados Unidos, atualizados com sua situação epidêmica nacional de maneira aberta, transparente e responsável”.

“Os esforços da China vêm sendo apreciados pela comunidade internacional”, disse Cheng, “acrescentando que o povo chinês nos últimos dois meses e ganhou um tempo precioso para outros países”.

“Com trocas rotineiras de informações com a OMS e outros países, incluindo os Estados Unidos desde 3 de janeiro, a China anunciou o fechamento das saídas de Wuhan em 23 de janeiro”, assinalou o porta-voz.

“Em 2 de fevereiro, o governo norte-americano anunciou sua decisão de proibir os estrangeiros que visitaram a China nos últimos 14 dias de entrar no país, quando apenas dez casos confirmados eram registrados”.

Em 50 dias, o número subiu para cerca de 30 mil, disse Cheng. “Que medidas efetivas os Estados Unidos tomaram nos 50 dias?”, questionou.

“Estados Unidos desperdiçaram completamente o precioso tempo ganho pela China na luta com a COVID-19”, disse Cheng.

Essa retórica do porta-voz chinês faz parte de uma estratégia.

Nesta terça-feira, a Organização Mundial da Saúde reconheceu que os Estados Unidos podem se tornar o novo epicentro da epidemia, dada a aceleração do contágio no país.

Isso ocorre no momento em que a China, onde surgiu o novo coronavirus há quatro meses, dá demonstrações  de que venceu a epidemia e está voltando a normalidade.

Todas as escolas de ensino fundamental  e médio voltaram a funcionar normalmente desde segunda-feira na região de Xinjiang, noroeste da China, a primeira de nível provincial do país a retomar o ano letivo.

A reabertura ocorreu após 34 dias sem relato de novos casos de infecção do coronavírus.

Mais de 4 milhões de estudantes voltaram às aulas em 5.004 escolas de ensino fundamental, médio e profissional em toda a região.

A Província de Hubei,  cuja capital Wuhan foi o epicentro da epidemia no país, anunciou que suspenderá nesta quarta-feira as restrições a circulação de pessoas em todas as áreas.

A  capital Wuhan continua com restrições, que serão levantadas a partir de 8 de abril, segundo as autoridades locais.

Nesse contexto, o porta voz do Ministério das Relações Exteriores afirmou em entrevista coletiva que “a China vai aumentar seu apoio aos esforços de todos os  países no combate à COVID-19”.

Geng disse  que a ajuda de emergência do governo chinês com materiais anti-epidemia vai chegar a 54 países do continente africano.

“O país também continuará a coordenar e incentivar as empresas e instituições privadas chinesas a fornecerem ativamente apoio anti-epidemia aos países africanos”.

“A China presta estreita atenção à situação da epidemia na África e fornece ativamente aos países africanos e à União Africana (UA) vários tipos de assistência material, incluindo testes de reagentes e produtos de proteção médica”, informou Geng, acrescentando que alguns materiais já chegaram.

Especialistas chineses estão organizando videoconferências para orientar  equipes médicas chinesas que já atuam na África.

“Muitas empresas, organizações não-governamentais e cidadãos chineses que vivem na África também prestaram assistência ao continente”, acrescentou Geng.

Não é só a  África. Na segunda-feira  uma equipe sete de médicos chineses chegou a Phnom Penh, a capital do Camboja, para ajudar o país a combater a pandemia da COVID-19, segundo  Geng Shuang.

O presidente do Camboja recebe médicos chineses

O governo chinês também doou um lote de materiais anti-epidêmicos ao Camboja, incluindo kits de teste, máscaras de proteção N95, máscaras cirúrgicas, roupas de isolamento e roupas de proteção médicas, disse Geng em uma coletiva de imprensa.

“Isso não é apenas um reflexo da amizade especial China-Camboja, mas também o que devemos fazer como uma comunidade com um futuro compartilhado e amigos de ferro”, salientou o porta-voz.

Na segunda-feira, a Fundação Jack Ma, do fundador da multinacional chinesa  Alibaba Group, anunciou planos de doar suprimentos médicos a 24 países latino-americanos para ajudá-los em sua batalha contra a propagação da COVID-19.

Dois milhões de máscaras, 400 mil kits de teste e 104 respiradores serão doados a 24 países latino-americanos, incluindo Argentina, Brasil, Chile, Cuba, Equador, República Dominicana e Peru.

Material destinado a países da América Latina

Também a Itália está recebendo ajuda. Desde segunda feira, especialistas da China estão em contato com médicos da Itália para ajudar no tratamento dos pacientes idosos infetados.

Segundo a agência oficial do governo chinês, foram especialistas italianos que “pediram pelos compartilhamento de experiências dos colegas chineses”.

Os especialistas chineses “compartilharão mais experiência e responderão a perguntas”, segundo  Zhang Junhua, do Centro de Desenvolvimento de Recursos Humanos da Saúde da Comissão Nacional de Saúde.

“Estamos ansiosos para aumentar o intercâmbio e a cooperação científica e de pesquisa entre instituições de pesquisa médica chinesas e italianas”, disse Zhang.

Na noite de segunda-feira, o presidente chinês, Xi Jinping, disse que a China apoia os esforços do Egito de prevenção e controle da epidemia e está pronta para combater conjuntamente o surto da COVID-19.

Xi fez as observações em uma conversa telefônica com o presidente egípcio, Abdel-Fattah al-Sisi, segundo a agência chinesa.

“A humanidade é uma comunidade que compartilha tristeza e alegria, e todos os países devem se unir e trabalhar juntos para lidar com a epidemia”, disse Xi Jingping.

“A China trabalhará com outros países para intensificar a cooperação internacional em prevenção e controle epidêmicos, enfrentar juntos as ameaças e desafios comuns e salvaguardar a segurança de saúde pública global com base na noção de uma comunidade de futuro compartilhado para a humanidade”, destacou.

Ele disse que a China está disposta a compartilhar com o Egito informações relacionadas à epidemia, sua experiência em prevenção e tratamento e os resultados de pesquisas médicas, além de fornecer suprimentos médicos para apoiar seus esforços de prevenção e controle e vencer juntos a doença.

A China atribui grande importância ao desenvolvimento de suas relações com o Egito e está disposta a trabalhar  para aprofundar a cooperação prática em diversos campos e transformar sua relação em um modelo piloto de uma comunidade de um futuro compartilhado China-Países Árabes e China-África.

No sábado, uma equipe médica chinesa com experiência na luta contra a COVID-19 chegou à capital da Sérvia, “para ajudar na batalha do país balcânico contra o vírus”.

A equipe de seis membros, segundo as fontes chinesas  “foi recebida com aplausos calorosos do presidente sérvio, Aleksandar Vucic, do ministro da Saúde, Zlatibor Loncar, do ministro da Defesa, Aleksandar Vulin e de outros funcionários do governo no Aeroporto de Belgrado”.

“Com experiência em conter a propagação do coronavírus, espera-se que os especialistas chineses forneçam conselhos valiosos à Sérvia, que declarou estado de emergência há cinco dias em um esforço para conter a propagação do vírus e pediu ajuda à China”.

A equipe médica chinesa chegou com respiradores, máscaras médicas, kits de teste e outros suprimentos médicos no primeiro lote de 16 toneladas de doações. Um segundo lote foi carregado em outro voo partindo da China.

O presidente sérvio disse em um discurso de boas-vindas que a chegada dos especialistas chineses para ajudar é de “imensa importância para o nosso país” e que a ajuda médica é “salva-vidas”.

“De agora em diante, vamos ouvir tudo o que eles dizem. Isso excede a política. Queremos mostrar respeito às pessoas que conseguiram derrotar o maior inimigo do mundo de hoje, a COVID-19”, disse ele.

“Vucic também agradeceu ao presidente chinês Xi Jinping, ao Partido Comunista da China e ao povo chinês a amizade e o apoio que prestaram ao povo sérvio neste momento difícil”, segundo a Xinhua News.

“Nós lhes damos nossa imensa gratidão, especialmente por enviar seus especialistas. Eles provaram ser amigos nos momentos mais difíceis em que lutamos pela vida do povo sérvio”, disse o presidente sérvio, acrescentando que “cada um desses respiradores significa uma vida humana salva aqui na Sérvia”.

O embaixador chinês na Sérvia, Chen Bo, disse que os especialistas da Província de Guangdong, no sul da China, vieram diretamente das linhas de frente da batalha chinesa contra a COVID-19.

“Estamos nos momentos mais difíceis, China, Sérvia e todo o mundo. O novo coronavírus representa um inimigo para toda a humanidade, e a solidariedade é mais importante neste momento”, observou Chen.

Outro país que recebe ajuda chinesa é a Grécia. Na manhã de sábado, segundo as fontes chinesas, oito toneladas de suprimentos médicos, fornecidos pelo governo chinês “após o pedido urgente, chegaram na manhã de sábado ao aeroporto internacional de Atenas em um voo da Air China”.

A ajuda consiste em 550 mil máscaras e conjuntos de equipamentos de proteção, de acordo com um comunicado emitido pela embaixada chinesa na Grécia. Também chegaram nesse voo 10 toneladas em equipamentos doados por empresas e organizações chinesas.

Os suprimentos foram coletados e enviados para a Grécia dentro de oito dias, em um momento em que a China ainda estava sob imensa pressão para conter a epidemia e os materiais médicos ainda estão em falta, disse a embaixadora chinesa na Grécia, Zhang Qiyue, em uma cerimônia de entrega com o ministro grego da Saúde, Vasilis Kikilias, na pista do aeroporto Eleftherios Venizelos.

Citando as palavras do filósofo grego Aristóteles (“O que é um amigo? Um amigo significa uma única alma habitando dois corpos”), Zhang disse que “a China e a Grécia têm trabalhado estreitamente em conjunto na luta contra a COVID-19, mostrando evidências da profunda amizade entre as duas nações”.

“Agora, quando a situação na China está melhorando um pouco, estamos fazendo o nosso melhor para ajudar o povo grego no combate a isso. Acreditamos na solidariedade, acreditamos na cooperação. Achamos que a solidariedade e a cooperação são a melhor arma para combater esse vírus”, acrescentou Zhang.

“Estamos profundamente honrados e gratos, e esperamos que você continue a mostrar esses sentimentos de ajuda e apoio ao povo grego”, disse Kikilias.

Após o evento de entrega, Zhang disse à Xinhua que “a epidemia na Grécia está ficando cada vez mais séria (…). China e Grécia são excelentes amigas e parceiras, e por isso estamos fazendo tudo o que podemos para ajudar.”

O ministro grego do Estado, Giorgos Gerapetritis, o ministro do Meio Ambiente e Energia, Kostis Hatzidakis, e o ministro alternativo das Relações Exteriores para Assuntos Europeus, Miltiadis Varvitsiotis, também estavam presentes no evento, de acordo com um comunicado do Ministério da Saúde grego.

No início desta semana, Kikilias visitou a embaixada chinesa em Atenas, onde Zhang lhe entregou 50 mil máscaras faciais doadas pela comunidade chinesa na Grécia.

Até sexta-feira à noite, a Grécia havia registrado 10 mortes pela epidemia, de acordo com as informações da agência nacional de notícias do país. Mais cedo, o Ministério da Saúde grego informou 495 casos confirmados de COVID-19 em todo o país.

Também, segundo a Xinhua, dez países asiáticos receberam suprimentos médicos doados pela Fundação  Jack Ma, para ” ajudá-los na luta contra o novo coronavírus”.

Afeganistão, Bangladesh, Camboja, Laos, Maldivas, Mongólia, Mianmar, Nepal, Paquistão e Sri Lanka receberão um total de 1,8 milhões de máscaras, 210 mil kits de teste de COVID-19, 36 mil peças de trajes de proteção e outros materiais, como respiradores e termômetros de testa.

“Entregar rápido não é fácil, mas vamos conseguir”, postou Jack Ma, fundador do Alibaba Group, em sua conta no Twitter. “Força, Ásia!”

As fundações anunciaram na quinta-feira que doarão 2 milhões de máscaras faciais, 150 mil kits de teste e 20 mil trajes de proteção para Malásia, Indonésia, Tailândia e Filipinas.

A cidade de Fuqing, Província de Fujian, leste da China, enviará 700 mil máscaras faciais doadas a países como Itália, Grã-Bretanha e Japão para ajudar os chineses no exterior a combaterem a COVID-19, segundo as autoridades locais.

As máscaras foram doadas por empresas e instituições de caridade da cidade, de onde são mais de 1,6 milhão de chineses que moram no exterior.

Nesta terça-feira, o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, e o presidente do Paquistão, Arif Alvi, reuniram-se em Beijing, prometendo “aumentar a cooperação na prevenção e controle da epidemia da COVID-19”.

Após início do surto, o Paquistão, como amigo da China, ofereceu assistência rapidamente ao povo chinês, lembrou Li.

Ele disse que os dois países estão enfrentando desafios da epidemia no momento, e a China está disposta a compartilhar experiências de controle e fornecer suprimentos médicos ao Paquistão.

Li assinalou que os esforços da China para conter a COVID-19 “alcançaram um ímpeto sustentado e sólido, já que a disseminação do novo coronavírus foi basicamente controlada”.

“À medida que o novo coronavírus está se espalhando em outras regiões do mundo, a China está disposta a intensificar a cooperação com a comunidade internacional para proteger conjuntamente a segurança global da saúde pública, ressaltou Li.

Essa doação faz parte dos esforços globais que a Fundação Jack Ma promoveu para apoiar as áreas mais afetadas pela crise de COVID-19, fornecendo e distribuindo vários tipos de suprimentos médicos para países como  Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos, Itália, Bélgica, França, Espanha, Holanda e Eslovênia.

Fundada por Jack Ma, criador do conglomerado  Alibaba Group, a Fundação Jack Ma foi criada em 2014 e tem se concentrado em educação, empreendedorismo, liderança de mulheres e meio ambiente.

Como os casos de COVID-19 continuam aumentando em todo o mundo, algumas empresas de internet com sede em Beijing estão fornecendo serviços de consulta médica e psicológica online gratuitos para as pessoas do exterior, a fim de ajudá-las a combater a epidemia.

Mais de 100 mil médicos da Baidu Health, uma plataforma de serviços de ajuda direta que integra grandes instituições profissionais de assistência médica na China, fornecem serviços de 24 horas para as pessoas, incluindo os chineses que vivem em outros países.

Outro portal da internet, a JD Health, também lançou uma plataforma global de consulta de saúde gratuita, reunindo vários especialistas e médicos com uma rica experiência antiepidêmica, incluindo 30 especialistas em medicina tradicional chinesa.

A JD Health também oferece serviços de consulta em inglês para facilitar que estrangeiros procurem ajuda médica.

Shenyang, capital da Província de Liaoning, no nordeste da China, doará 10 mil máscaras descartáveis e 500 trajes de proteção para a cidade de Braga, Portugal, segundo informou a prefeitura local.

Em uma carta ao prefeito de Shenyang, Jiang Youwei, na quinta-feira, Ricardo Rio, o prefeito de Braga, disse que sua cidade espera aprender com a experiência de Shenyang na prevenção e controle do coronavírus, bem como o apoio.

As autoridades de Shenyang organizaram uma videoconferência na sexta-feira à tarde com funcionários e especialistas médicos de Braga para compartilhar sua experiência na prevenção epidêmica e gerenciamento de crise de saúde pública.

Shenyang e Braga estabelecerão uma relação de cidade-irmã de acordo com um acordo assinado durante a visita de Ricardo Rio à cidade chinesa em outubro de 2017.

Especialistas chineses em medicina tradicional chinesa e na ocidental compartilharam, por videoconferência sua experiência no tratamento de pacientes de COVID-19 com seus colegas da Itália, Estados Unidos, Bélgica, Japão e Organização Mundial da Saúde (OMS).

“A melhor experiência da China é internar todos os pacientes no hospital”, disse Zhou Ning, cardiologista do Hospital Tongji, em Wuhan, o epicentro da epidemia, na chamada de vídeo ocorrida na sexta-feira à noite.

“Como a COVID-19 é altamente contagiosa, colocar os pacientes com sintomas leves em quarentena domiciliar é como espalhar fogo por toda parte, o que finalmente levará à infecção de toda a família”, disse ele.

“Internar todos os pacientes também pode impedir que os pacientes com sintomas leves se tornem casos graves, o que, por sua vez, diminui a taxa de fatalidade”, acrescentou Zhou.

A opinião é compartilhada por Li Guangxi, diretor da divisão pulmonar do Hospital Guang’anmen de Beijing, que acredita que, os pacientes devem receber tratamento precoce. “Precisamos focar na primeira semana da doença. É a janela dourada para evitar o desenvolvimento da doença de leve a grave.”

A COVID-19,ao contrário do que se diz,  tem uma taxa de letalidade alta quando não tratado a tempo, disse Jeffrey Shaman, professor de Ciências da Saúde Ambiental da Universidade de Columbia, dos EUA. “Há uma cauda longa em que há uma parcela da população para a qual os resultados são bastante severos.”

Para o tratamento de pacientes graves e críticos, Zhou disse que a experiência do Tongji é usar um sistema de respiração para fornecer oxigênio suficiente, empregando máquinas de oxigenação de membrana extracorpórea (ECMO) e restringindo a tempestade inflamatória da doença com purificação do sangue.

“Usamos esteróides muito geralmente. É muito útil para os pacientes cujo índice de oxigenação é muito baixo”, disse Zhou. “Mas não acho que antibacteriano seja muito útil, especialmente no estágio inicial, já que a COVID-19 é uma doença de vírus, não é causada por bactérias.”

Li também recomendou o uso da medicina tradicional chinesa. “Usamos diferentes ervas chinesas para pacientes e eles têm uma boa recuperação.”

Segundo ele, cerca de 96 % dos pacientes de COVID-19 fora da Província de Hubei, a mais atingida, e 90% em Hubei receberam tratamento de medicina tradicional chinesa, de acordo com a Administração Nacional de Medicina Tradicional Chinesa.

“O teste de ácido nucleico, a vinculação em casos confirmados ou pessoas que estão expostas a esses casos, e a quarentena de todos foram feitos com muito sucesso em Wuhan. Isso é o que precisa ser feito”, disse Margaret Harris, porta-voz da OMS sobre a COVID-19, na videoconferência.

“Somos muito gratos pelo grande trabalho que vem sendo feito na China e em outros países asiáticos, porque está demonstrando que é possível parar esse surto”, acrescentou Harris.

“As crises de saúde pública colocam um desafio comum para a humanidade, e a solidariedade e a cooperação são as armas mais poderosas para combatê-las”, disse o presidente chinês, Xi Jinping, em uma recente mensagem de pêsames à chanceler alemã, Angela Merkel.

“A China deseja que os EUA reflitam seriamente sobre si mesmos e eliminem seu vírus político de preconceito ideológico”, disse o porta-voz Geng Shuang  em resposta à alegação dos EUA de que as medidas impostas à mídia dos dois países não são recíprocas.

“A retórica agressiva expôs completamente o preconceito ideológico profundamente enraizado dos EUA”, disse Geng, observando que os EUA sabem claramente que a China é um país socialista liderado pelo PCC desde que os dois países estabeleceram laços diplomáticos, há mais de 40 anos.

“Desde que as agências de mídia chinesas estabeleceram filiais nos EUA, a natureza delas tem sido claramente entendida pelo lado dos EUA”, disse Geng, acrescentando que a liderança do PCC é ainda a característica mais essencial do socialismo com características chinesas, e a natureza da mídia chinesa permanece inalterada.

Notando que os países são diferentes nas condições nacionais e em sua maneira de gerenciar e administrar a mídia, Geng perguntou o que levou os EUA “a julgar a mídia de outros países com seu próprio padrão e com base em sua própria ideologia, e rotular, estigmatizar e suprimir irracionalmente a mídia chinesa”.

Geng disse que o lado chinês não pretende mudar o sistema político dos EUA, e espera que os EUA também respeitem o da China.

“Se o lado dos EUA acredita na superioridade do seu sistema e na vitória final da democracia e liberdade ocidentais, por que temeria o PCC e a mídia chinesa?”, perguntou o porta-voz.

Sinais de normalização

Desde domingo não se registram novos casos de infecção local pelo novo coronavírus na parte continental da China.

Os novos casos registrados no continente chinês pela Comissão Nacional de Saúde são todos oriundos do exterior.

O total de casos importados chegou a 353 no domingo.

Também no domingo, nove mortes e 47 novos casos suspeitos foram relatados no continente chinês, com todas as mortes registradas na Província de Hubei.

No mesmo dia, 459 pessoas foram curadas e saíram do hospital, enquanto o número de casos graves diminuiu para 1.749.

No total, os casos confirmados na parte continental da China chegaram a 81.093 até o final do domingo, incluindo 5.120 pacientes ainda em tratamento. O número dos pacientes infectados que receberam alta é de  72.703, segundo as autoridades chinesas.

O total de mortes na china desde o início da epidemia soma  3.270.

(Com informações da Xinhia News, G1 e NYT)

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