Enéas de Souza*
Todo mundo está querendo mudanças. Inclusive a Dilma.
E por que ela não mudou?
Antes de tudo, é preciso dizer: ela e o Lula já mudaram muito o país. Mudaram a economia e a sociedade que FHC e os tucanos deixaram.
Mas, por que, mesmo querendo mudanças, a Dilma não mudou a economia nesse ano?
Não mudou porque não se muda uma política econômica num ano eleitoral, sobretudo uma política econômica de longo prazo.
A mudança de uma política econômica precisa e leva tempo.
Isso é o que diferencia a Dilma do Aécio, o que diferencia o governo do Lula e da Dilma do governo neoliberal é exatamente isso: uma política econômica de horizonte amplo. Ou seja, uma política que parta de um projeto, de um projeto de Brasil.
A Dilma pensa um Brasil com desenvolvimento econômico e com desenvolvimento social.
E para que tenhamos estes dois desenvolvimentos é indispensável que tenhamos uma trajetória de longo termo, baseado numa concepção de um futuro de nação.
As etapas para chegar ao longo prazo
Qual é o projeto de longo prazo para o Brasil? Vale dizer que neste momento o referido projeto deve partir da colocação do país num mundo hegemonizado pelas finanças internacionais e pela eletrônica em processo de expansão.
Diante da primeira, o Estado deve armar uma forte defesa econômica, com a finalidade de deter a devastação que elas provocam.
Não fazer da dívida pública um instrumento das finanças; não fazer do orçamento um avanço do comportamento financeiro; não fazer do superávit primário e dos cortes fiscais um meio para pagar juros, etc.
Isto significa que só o longo prazo, a busca do investimento produtivo, vai reorganizar o país, depois de um período exitoso, na pós–crise mundial, de definição e transição pelo consumo.
Este, para a classe média e para a classe baixa, foi usado com o fim de sustentar a atividade econômica e o emprego num período de ruptura cíclica.
Ou seja, o consumo deu forte alento ao Brasil desde 2008 até agora. Trouxe, é claro, um tempo para preparar a reformulação e a metamorfose brasileira.
Estamos assim, hoje, aptos para fazer parte da arquitetura de uma nova economia mundial hegemonizada pela eletrônica.
Com o propósito de diminuir, ou até mesmo neutralizar, as mortíferas políticas das finanças, chegou sim, a hora de construir a mudança.
Com isso, depois de nos protegermos do impacto inicial da crise financeira de 2007/8, conseguimos nos assegurar, neste momento, das condições de provocar o investimento. Cabe frisar enfaticamente: investimento produtivo.
Ou seja, nada a ver com o investimento financeiro. E a demora de resolver o norte produtivo tem que ver com a necessidade de instalar e começar uma nova dinâmica econômica.
O que importa é, sem dúvida nenhuma, um conjunto de investimentos que faça a economia deslanchar.
E o ponto fundamental desta fase já está localizado; e até já principiou o seu movimento.
Estamos falando do investimento em infraestrutura.
Para tal, foi e tem sido indispensável, uma pausa para prepará-lo, para programá-lo. E ainda há muito que fazer. Contudo há que ser explícito. Esta liderança só o Estado pode ter.
Trata-se de executar inúmeros projetos estatais através de investimentos oriundos, principalmente, da parceria setor privado-setor público, com a participação de capitais estrangeiros e/ou capitais nacionais.
Podemos, desta forma, definir este momento como a oportunidade de inaugurarmos uma ampla onda de investimentos em infraestrutura. Um dinamismo que cobre um espaço enorme: estradas, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos, armazéns, transportes urbanos, energia, etc.
E, também, produzirmos a base para a tecnologia vitoriosa, a infraestrutura eletrônica. Vem com toda a força um mar volumoso de recursos e de realizações na direção das condições futuras de produção.
Estes investimentos caminham para dar origem a uma segunda fase desta etapa do desenvolvimento. Virá com ela uma segunda plataforma de crescimento, originada de investimentos internacionais e nacionais no nível produtivo das cadeias globais de valor.
O campo a ser preenchido é o das novas tecnologias de comunicação e informação, é o da internet, é o da nanotecnologia, é o da biotecnologia. Investimentos no bojo de um projeto de nação.
Um projeto de desenvolvimento que pode assegurar não só o crescimento do PIB, o crescimento da renda, o crescimento do emprego, mas também uma liderança na América Latina, uma integração avançada no BRICs, um dialogo em posição média de força na composição da nova geoeconomia e geopolítica mundial. (E isto já começou com a proposição do Banco de Desenvolvimento e um Fundo de Assistência Mútua em caso de crise financeira, na última reunião dos BRICS em Fortaleza.)
Como linkar o curto e o longo prazo?
A grande questão aqui é organizar os problemas de curto prazo a partir do longo prazo. É preciso ter clareza total: é o longo prazo que comanda o caixa, que comanda o orçamento, que comanda os gastos, que comanda o superávit fiscal, que comanda a inflação, que comanda a moeda, que comanda o nível de taxa de juros, etc.
Trata-se de uma implantação de uma política de longo curso numa negociação com as dificuldades do imediato.
Portanto, não é o curto que comanda o seu oposto. E este movimento na direção do futuro, ao criar o investimento produtivo gerando mais empregos, vai reposicionar, vai hierarquizar as questões de hoje, as questões do curto e do curtíssimo prazo.
E é assim que a Dilma enxerga esta estratégia econômica. Por essa razão ela tem tanto interesse em mudar. E em mudar para introduzir as mais notórias alterações sociais que podem vir na educação, na saúde, na previdência, na segurança.
Uma sociedade brasileira que entre na sociedade eletrônica do século XXI. O que está em jogo, no limite, na posição da Dilma é um manejo adequado das exacerbações das finanças, produzindo o contraveneno básico, o desenvolvimento produtivo e social do Brasil.
Pois bem, existe um Projeto Aécio?
Em função do que dizem Aécio e Armínio Fraga, não. Eles dizem só palavras vagas. Nenhuma ideia. Shakespeare diria; “Words, words, words”. Não se fala em investimento produtivo.
Na verdade, falam ambiguamente em inversores, investidores. Na linguagem dissimulada das finanças, esses investidores, de fato, são investidores financeiros que vão atuar na bolsa, no mercado de títulos, sobretudo no mercado de títulos públicos.
E é por esse canal que a dívida do Estado vai se tornando uma fonte de lucratividade das finanças. E com isso se corrói insidiosamente o projeto de longo prazo. E por quê?
Porque os recursos públicos vão se dirigindo, vão se tornando, vão se encolhendo para soluções e decisões de curto e de curtíssimo período. Importa a especulação de hoje e não a economia produtiva de agora e de amanhã.
Está aí a significação daquilo que Armínio Fraga fala quando diz que o Brasil precisa mobilizar capital. Entenda-se: mobilizar capital para o jogo dos papéis públicos e privados. Entra-se por todos os poros nas veredas desses mercados e desaba-se no furacão do cassino financeiro.
Desta forma, não há projeto de Brasil, não há projeto de investimento produtivo.
Não há preocupação com uma multiplicidade simultânea de investimentos de infraestrutura para preparar a continuidade de expansão dos investimentos na produção.
Não há nem política, nem estratégia, nem projeto de país e nem de nação. Porque impera um objetivo único e obsessivo: a expansão dos investimentos financeiros.
Repito para enfatizar: expansão dos investimentos financeiros. Que são dinheiro que procura mais dinheiro. Capital que não passa pela construção de uma nova estrutura produtiva, que mergulha direto na vertigem do jogo da bolsa e dos inumeráveis ativos fictícios criados para o rodopio das finanças.
Não foi o que ocorreu freneticamente no período neoliberal de 1994 a 2002 no Brasil?
O que existe, na visão de Aécio, na visão do PSDB, é um projeto de Brasil como uma praça, como um local, como um vasto mercado da expansão financeira mundial, que é uma expansão instantânea. É a economia do hotmoney.
E o problema é que é uma economia para quem tem muito dinheiro, porque só muito dinheiro traz especulativamente muito mais dinheiro. E se você é classe média, o máximo que você deve ter é uma migalha, que pode desaparecer como aconteceu com muita gente na catástrofe americana de 2008.
Ou como na crise dos bancos na época de FHC, quando o Estado pagou para a reordenação do sistema financeiro brasileiro. É sempre o mesmo esquema. Eles ganham e o Estado, paga. E nós – você, eu e o país – somos quem perdemos.
Pergunte aos gregos, aos portugueses, aos espanhóis, aos italianos, se não é assim? Pesquise para ver. Não será, portanto, o recomeço da ciranda financeira que pretende Armínio Fraga quando propõe o banco central independente, sem a interferência do presidente do país? Não é uma autoimolação de Aécio Neves e do Brasil? Não será um projeto de abandono da produção e do emprego?
Para variar um pouco, veja o que aconteceu, em termos de trabalho, no período governamental de 1994-2002, aquele do PSDB e do FHC. As taxas de desemprego foram muito altas: Salvador chegou a 25 por centro.
Os salários caíram pelas ladeiras do Brasil. A informalidade e a precarização atingiram níveis inquietantes. Inúmeros direitos trabalhistas foram retirados por portaria, decreto, medida provisória e até mesmo por lei. E pasmem queridos leitores: em cada dois desempregados um era jovem.
O governo começou com 4,5 milhões de trabalhadores desempregados e terminou com 7 milhões. Pode? Se você gosta de perigo e de sofrimento e do desespero: vote no sorridente Aécio – a sedução do precipício, como disse um amigo.
O Brasil quer mudanças
Eis o momento hamletiano; ser ou não ser. Você tem um menu com dois pratos, você pode escolher. Que tipo de mudança você quer? Você vai mudar com Aécio para um país dos papéis financeiros e sem desenvolvimento produtivo e com desemprego? Ou você vai mudar com a Dilma para uma economia com infraestrutura e produção avançada, uma economia moderna, contemporânea e se inserindo, com direitos sociais e emprego, na 3ª Revolução Industrial?
*Economista (no Sul21)
Autor: da Redação
Dilma, Aécio e as mudanças que o Brasil precisa
Sartori agenda debates, mas não vai à TVE
José Sartori, do PMDB, que disputa a eleição estadual com o governador Tarso Genro (PT), não compareceu a dois debates, Radio Gaúcha e Band, no início do segundo turno, dando a entender que iria adotar uma estratégia seletiva para não se desgastar
Seu adversário compareceu e explorou sua ausência no horário eleitoral, acusando-o de “fugir do debate” .
Nesta segunda feira, 13, a assessoria de Sartori confirmou a participação dele em sete debates até o pleito, dia 26 de outubro, já agendados com as principais redes de TV e emissoras de rádio do Estado.
Não foram incluidas a TVE e Rádio Cultura FM, emissoras públicas do Estado, que protestam contra a discriminação.
O primeiro encontro entre os dois candidatos será já nesta terça-feira (14), na Rádio Gaúcha. Ainda no mesmo dia, haverá debate na TV Pampa, no início da noite.
Até o dia 23, serão realizados outros cinco debates: Band Rádio e TV (dia 16), SBT (17), TV Record (19), Rádio Guaíba (22) e RBS TV (23). Assim como fez no primeiro turno, Sartori participará de todos os encontros que estão acordados entre as coordenações das duas candidaturas, para discussões de propostas para governar o Rio Grande.
Na avaliação da coordenação de campanha de Sartori, como a eleição acontece daqui a 13 dias, é inviável realizar o mesmo número de debates do primeiro turno, pois não haveria tempo ao candidato para percorrer o Estado e ter contato direto com a população.
CONFIRA A AGENDA
14 de outubro (terça-feira)
10h: Rádio Gaúcha
18h20: TV Pampa
16 de outubro (quinta-feira)
22h: Band TV
17 de outubro (sexta-feira)
18h15: SBT
19 de outubro (domingo)
18h: TV Record
22 de outubro (quarta-feira)
13h30: Rádio Guaíba
23 de outubro (quinta-feira)
22h30: RBS TV
Assessoria de Imprensa Sartori
Festa nacional da música reune artistas e empresas em Canela
Considerada o maior encontro da Música Popular Brasileira, a Festa Nacional da Música se tornou referência para artistas e gravadoras de todo o país.
A10ª Edição do evento será realizada entre os dias 19 e 23 de outubro, em Canela, Rio Grande do Sul.
A programação inclui apresentação de diversos artistas, noite de premiação, palestras, jam sessions e shows, além de lançamentos de novos músicos, novos trabalhos de artistas já consagrados, divulgação de parcerias e projetos.
A atual Festa Nacional da Música nasceu com outro nome: chamava-se Festa do Disco.
Durante 15 anos, nas décadas de 1970 e 1980, reuniu grandes nomes da Música Popular Brasileira, no início em Porto Alegre, na sede da Sogipa; e a partir de 1981, em Canela.
Passados mais de uma década, o evento voltou a ser realizado, em versão mais moderna e ampliada, a partir de 2005 já com o nome de Festa Nacional da Música.
Hoje, completando 10 anos de retomada, a Festa Nacional da Música está consolidada como o maior encontro musical da América Latina.
Apesar da modernização, a essência permaneceu a mesma. Um evento que congrega todos os gêneros da música para discutir temas ligados à música e ao mercado fonográfico.
EQUIPO PARTICIPA DA FESTA NACIONAL DA MÚSICA COM ESTANDE REPLETO DE PRODUTOS DE SUAS PRINCIPAIS MARCAS DE INSTRUMENTOS MUSICAIS, EM CANELA, RIO GRANDE DO SUL, DE 19 A 23/10
A Equipo, importadora e distribuidora de mais de 15 grandes marcas de instrumentos musicais, equipamentos de áudio e iluminação, participa novamente da Festa Nacional da Música
Dentre os inúmeros destaques levados pela empresa para a 10ª Edição do evento, os visitantes terão a oportunidade de conferir a guitarra Cort da linha Signature Matthias Jabs, de um dos maiores guitarristas do mundo e integrante da banda Scorpions, e o baixo Signature Gene Simmons, do Kiss.
Da marca japonesa Ibanez, dentre os consagrados modelos que serão expostos temos as inovações da linha como as guitarras 8 cordas da linha RG e a RG550XH, a primeira guitarra de 30 trastes perfeita para riffs e solos velozes e inimagináveis.
Já da linha de amplificadores Hartke, as atrações ficarão por conta da linha HD HyDrive e para os britânicos Laney teremos o mais novo Multi Instrumentos AudioHub e cabeçote/interface IRT Studio.
http://www. festanacionaldamusica.com.br/
Democratização da mídia: eventos e mobilizações em vários Estados
Atividades marcam a Semana Nacional de Luta pela Democratização da Mídia, de 13 a 18 de outubro, e serão realizadas em vários estados
Militantes, ativistas, entidades e movimentos sociais e sindicais ligados à democratização da comunicação preparam uma série de mobilizações para a Semana de Luta pela Democratização da Mídia, de 13 a 18 de outubro. Como no ano passado, o principal objetivo das ações é dar visibilidade ao Projeto de Lei de Iniciativa (PLIP) Popular da Mídia Democrática.
O dia 17 (sexta-feira) concentrará as atividades da semana, por ser o Dia Nacional de Luta pela Democratização da Comunicação.
Além da coleta de assinaturas para dar suporte ao PLIP, haverá panfletagens, debates, atos públicos, seminários, passeatas e protestos pelo fim do coronelismo eletrônico, entre outras ações.
A programação já está confirmada no Rio de Janeiro, São Paulo, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e no Distrito Federal (confira abaixo).
Outros estados devem confirmar ações no início da semana. A organização da semana é do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e seus comitês.
Contexto
O 17 de outubro como Dia Nacional de Luta pela Democratização da Comunicação é comemorado desde 2003 e está relacionado ao Media Democracy Day, ou Dia da Democracia na Mídia (numa tradução livre), que em vários países ocorre no dia 18 de outubro.
Se há motivos para lutar por uma comunicação mais democrática em outros países, no Brasil não ficamos atrás. Para começar, apenas seis grupos controlam 70% da mídia nacional. Além da concentração, esses grupos operam oligopólios formados, inclusive, com a propriedade cruzada de emissoras de rádio e TV, revistas, jornais e portais noticiosos.
Essa concentração impede a pluralidade de opiniões e quase sempre empobrece a representação da diversidade política e cultural da sociedade. “Trabalhadores e movimentos sociais são hoje vozes silenciadas; mulheres, negros e a população LGBT são sub-representados e vítimas de estereótipo”, observa Rosane Bertotti, coordenadora-geral do FNDC.
Rosane lembra que quatro dos cinco artigos da Constituição Federal sobre comunicação ainda não foram devidamente regulamentados. “Com isso, os avanços que obtivemos em 1988 ainda não vigoram.
A lei de 1962 que trata de televisão e rádio, além de estar desatualizada, não estabelece garantias mínimas para pluralidade e diversidade no setor”.
O que o movimento pela democratização da mídia no Brasil reivindica não é mais novidade em muitos países, inclusive aqueles que são exemplo de nações democráticas, como Reino Unido, França e Estados Unidos.
Nesses três, a regulação democrática não é impedimento à liberdade de expressão. “Ao contrário, é sua garantia. O mercado, por seus próprios meios, não garante diversidade e pluralidade.
Por isso nosso PLIP da Mídia Democrática é mais do que atual, ele é necessário para que prossigamos aprofundando nossa democracia”, destaca Rosane.
Programação
Atividades nacionais
15/10 (quarta-feira) – Ato pela Democratização da Mídia, em Brasília (DF), durante V Plenária Nacional do Plebiscito Constituinte do Sistema Político.
16/10 (quinta-feira) – tuitaço e facebucaço sobre Lei da Mídia e Coronelismo Eletrônico (políticos que controlam concessões de rádio e TV)
Atividades nos estados
Alagoas
17/10 (sexta-feira), 14h – Aula pública sobre coronelismo eletrônico
Local: em frente à TV Gazeta (Maceió)
Ceará
15/10 (quarta-feira), 18h – Debate sobre espetacularização da morte e da violência em programas de televisão, organizado pela Liga Experimental de Comunicação
Local: Centro de Humanidades II da UFC.
17/10 (sexta-feira) – Aula pública sobre coronelismo eletrônico
Local: em frente à sede da TV Jangadeiro (Fortaleza).
Distrito Federal
13/10 (segunda-feira), 19h – Prêmio Luiz Gushiken de Jornalismo Sindical e Popular
Local: Teatro dos Bancários (314/325 Sul)
17/10 (sexta-feira), 10h – Debate “Coronelismo eletrônico, eleições de democracia”
Local: Faculdade de Comunicação da UnB
Mato Grosso do Sul
15 a 17/10 – Encontro Regional Centro-Oeste de Adolescentes e Jovens Comunicadoras e Comunicadores – EREJOC/CO; “Construindo pontes, aproximando ações” – Campo Grande
Pernambuco
11/10 (sábado) – Roda de Diálogo “Trabalho Protegido e o direito humano à comunicação”
Local: Centro de Organização Comunitária Chão de Estrelas (rua João Prachedes de Oliveira Filho, nº 25, próximo ao Terminal Chão de Estrelas, ao lado da creche comunitária), Recife
14/10 (terça-feira), 14h – Debate “Diversidade de Mídia e Direito à Comunicação”
Local: Unicap (sala 510, bloco A), Recife
14/10 (terça-feira), 19h30 – Programa Opinião Pernambuco – especial na TV Universitária (canal 11)
15/10 (quarta-feira), 17h – Projeção e coleta de assinaturas para a Lei da Mídia Democrática
Local: Centro de Artes e Comunicação (CAC) da UFPE
15/10 (quarta-feira), 19h – Debate na ALEPE sobre Comunicação
Local: Auditório da Assembléia Legislativa PE, 6º andar, anexo I), Recife
16/10 (quinta-feira), 9h às 19h – Encontro Cultural Periférico Noix por Poix
Local: Comunidade do Detran (perto da caixa d’água), Recife
17/10 (sexta-feira), 15h às 17h30 – Oficina “Cineclubismo e empreendedorismo”
Local: Sala da Tecnologia do Colégio João Barbalho (rua do Hospício, 737, Boa Vista, m frente ao Parque 13 de maio), Recife
17/10 (sexta-feira), 19h – Ato cultural “Som na rural” especial
Local: Praça da República, Recife
17/10 (sexta-feira), 19h – Debate sobre comunicação altenrativa
Local: Favip, Caruaru
Rio de Janeiro
15/10 (quarta-feira) – Debate “Homofobia e jornalismo”
Local: Sindicato dos Jornalistas do RJ
16/10 (quinta-feira) – Cinebar sobre democratização na América Latina
Local: Sindicato dos Jornalistas do RJ
18/10 – 13h – Lançamento do Guia Mídia e Direitos Humanos
Local: Museu da Maré
Rio Grande do Norte
17/10 (sexta-feira) – Aula pública sobre coronelismo eletrônico
Local: Em frente à sede da Rede Globo (Natal).
21 a 24/10 – Stand de debate e coleta de assinaturas Lei da Mídia Democrática, durante a Feira de Ciências da UFRN (aberta ao público)
Local: UFRN
Sergipe
14/10 (terça-feira)
14h – Debate “Liberdade de Expressão no Brasil: desafios atuais”
Local: Auditório da CUT (Rua Porto da Folha 1039, bairro Cirurgia)
15/10 (quarta-feira)
19h – Seminário Economia Política da Música
Local: Intera Criativa (Rua Riachuelo 970, bairro São José)
16/10 (quinta-feira)
8h30 – Debate “Comunicação Pública em Sergipe e no Brasil”
Local: Fundação Aperipê (Rua Laranjeiras 1837, bairro Getúlio Vargas
17/10 (sexta-feira)
9h – Audiência Pública “Políticas de Comunicação em Sergipe: possibilidades e desafios”
Local: Assembleia Legislativa
do FNDCCultura: Ospa apresenta musical inédito no Theatro São Pedro
A orquestra, seu Coro Sinfônico, cantores, atores e bailarinos convidados se preparam para apresentar o espetáculo “Chimango”. Essa é a primeira vez que o poemeto homônimo de sátira política, lançado em 1915 por Ramiro Barcellos, é montado em forma operística. Com música de Arthur Barbosa e libreto de Alpheu Godinho, a obra será interpretada nos dias 17 e 18 de outubro, às 20h, e no dia 19 de outubro às 18h. Os ingressos custam entre R$10 e R$40 e podem ser adquiridos na bilheteria do teatro.
Às vésperas do seu centenário de lançamento, o poemeto “Antônio Chimango”, uma das joias da literatura regional, será apresentado em forma de musical pela Orquestra Sinfônica de Porto Alegre. Nos dias 17 e 18 de outubro, às 20h, e no dia 19 de outubro, às 18h, a orquestra, seu Coro Sinfônico, cantores, atores e bailarinos levam ao palco do Theatro São Pedro a adaptação da sátira política escrita pelo médico, jornalista e político Ramiro Barcellos (1851-1916) sob o pseudônimo de Amaro Juvenal. Com música de Arthur Barbosa e libreto de Alpheu Godinho, o Musical Chimango (baseado no poemeto) é a primeira montagem em forma operística do texto. Os ingressos custam entre R$ 10 e R$ 40 e já estão à venda na bilheteria do teatro.
O enredo de “Antônio Chimango”, lançado em 1915, gira em torno da ardilosa ascensão na política sul-rio-grandense de Antônio Augusto Borges de Medeiros, Presidente da Província do RS e adversário de Barcellos. O contexto histórico é a passagem do Império para a República. “No poema, Borges de Medeiros é transformado num personagem fracote, sem vontade, submisso e incompetente. Um anti-gaúcho, se formos considerar o mito criado em torno do homem rio-grandense”, afirma Alpheu Godinho. Arthur Barbosa completa: “é uma crítica incisiva sobre o governo da época, fala de inimizades políticas de Barcellos. O texto acaba sendo muito atual por satirizar quem briga pelo poder”.


Ensaios
Godinho assumiu liberdades poéticas ao adaptar a obra para os palcos, criando um libreto com humor e leveza comparável às operetas bufas. Barbosa inspirou-se em grandes orquestras de milongas e tangos do início do século XX para compor a música. “Apesar de o texto de Barcellos já ter sido apresentado em peças teatrais e musicais, nunca foi feita uma montagem em forma de opereta com tanta gente em cena. São quase cem pessoas”, reforça o músico, que será também o regente da orquestra na ocasião.
Quem encarna Chimango é o versátil ator e bailarino Raul Voges, que atuou nos musicais “O Apanhador”, “Godspell, a Esperança” e “Lupi, O Musical”. O pequeno Vinicius de Costa interpreta o papel-título na sua infância. No elenco figuram expoentes da cena artística regional, como Sirmar Antunes, Alvaro RosaCosta, Alexandre Borin, Ricardo Barpp, Cintia de los Santos, Eduardo Alves, Simone Rasslan, Pedro Coppeti, Analu Bastos e Elaine Fraga. Participam também os músicos Matheus Kleber, no acordeon, e Edison Silva, com suas boleadeiras.
A direção cênica é de Marcelo Restori; a assistência de direção cênica, de Fábio Cunha, a coreografia, de Aline Karpinski (que também é uma das bailarinas do espetáculo, ao lado de Gabriela Garcia Maia e Julia Ludke); o desenho e operação de luz, de Cláudia de Bem; e os figurinos, de Liane Venturella. Manfredo Schimiedt rege o Coro Sinfônico.
Os ingressos custam R$ 10 (galeria), R$ 20 (camarote lateral), R$ 30 (camarote central) e R$ 40 (plateia), com descontos para seniores, estudantes e titulares do cartão Clube do Assinante ZH. A bilheteria do teatro funciona de segunda a sexta-feira, das 13h às 21h (quando não há espetáculos noturnos, das 13h às 18h30); nos sábados, das 15h às 21h, e domingos, das 15h às 18h. Mais informações pelo site www.ospa.org.br ou pelo telefone 32275100.
Saiba mais:
Sinfonia para um poema centenário – Alcy Cheuiche, escritor
Chimango é gavião campeiro da planície americana. Ave nativa que irmana, no lenço branco altaneiro, um partido brasileiro que abriu picadas na História, dividindo sua glória com o lenço colorado, irmãos do mesmo passado, que vive em nossa memória.
Chimango é também poesia, o livro de um trovador, versos de ódio e amor, gauchesca rebeldia; um poema que recria, cantado junto ao bandônio, a vida de um tal Antônio, Chimango por sobrenome, magro como o lobisomem, mesquinho como o demônio.
Antônio Chimango, o Poemeto campestre de Amaro Juvenal, pseudônimo do médico e senador Ramiro Barcelos, está no limiar do seu centenário de nascimento. Escrito para satirizar a ascensão política de Antônio Augusto Borges de Medeiros, foi publicado em 1915, quando o Chimango exercia um poder quase absoluto. E ninguém melhor que Ramiro para conhecer a intimidade de Borges de Medeiros, para ele usurpador da herança de Julio de Castilhos, uma vez que pertencia ao mesmo partido, o Republicano Riograndense.
O livro Antônio Chimango é irmão de outra obra famosa no extremo sul da América: o Martin Fierro, de José Hernandez. Ambos com cheiro de campo e destinados à crítica social e política, ambos escritos em sextilha e representativos da cultura gaúcha nos dois lados da fronteira. A diferença é que Martin Fierro mereceu estudos profundos de argentinos do porte de Jorge Luiz Borges, enquanto os intelectuais do Brasil, como um todo, pouco conhecem do nosso Antônio Chimango.
Assim sendo, nada mais justo do que iniciar as comemorações do centésimo aniversário de uma das obras mais preciosas da literatura brasileira, com um espetáculo musical orquestrado pela Ospa. A música é irmã da poesia. E ambas só sabem respirar o ar puro da liberdade.
Arthur Barbosa
Regente
Bacharel em violino pela Universidade Federal da Paraíba, Arthur Barbosa iniciou seus estudos de violino em 1977 com Alberto Jaffé. Em composição, teve aulas com alguns grandes mestres, entre eles Hans Koelheuter. Se especializou no Chile em 1990, quando tocou na Filarmonica de Santiago. Em seguida foi para a Argentina, onde foi spalla da Orquesta de San Luis.
Em 1996 voltou ao Brasil, onde atua como spalla de naipe da Orquestra de Camara da Ulbra e é co-criador do projeto Sinos a Corda, na Unisinos. É Primeiro Violino da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre.
Entre 1997 e 2003 participou como co-fundador do projeto Orquesta Juvenil del Mercosur, e tornou-se membro fundador da Fundación de Acción Social por la Musica, com sede em Buenos Aires (RA). Em 1999, começou a estudar regência. Suas obras têm sido executadas por orquestras como Camerata Bern (Suíça), Klagenfurt Symphony Orchestra (Austria), Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Brasil), Orquestra Sinfônica de Mendoza (Argentina), Southern Mississipi Symphony Orchestra (USA), Symphony of the Americas (Flórida-USA), Orquestra de Câmara da Ulbra (RS), Orquestra Sinfônica Nacional (Brasília), entre outras.
Também tem se destacado na criação de trilhas sonoras para espetáculos diversos pelas quais foi indicado a vários prêmios no estado. Ganhou o Açorianos em 2005 e em 2010 de melhor trilha sonora em dança e teatro. Teve seu CD autoral “Concerto Incidental” como um dos selecionados para o 23º Prêmio da Música Brasileira.
Em 2013 foi convidado pelo Ministério da Cultura brasileiro a fazer parte da comitiva de dez maestros que representaram o país tanto dando assessoria consultiva como ativamente visitando a Venezuela, país com o qual o Brasil firmou acordo a fim de introduzir no Brasil núcleos baseados no sistema de orquestras juvenis daquele país.
Atualmente, além de músico da Ospa, é Regente Titular da Orquestra Eleazar de Carvalho (Fortaleza) e da Ospa Jovem (Porto Alegre).
Alpheu Godinho
Libreto
Alpheu Ney Godinho nasceu em Porto Alegre, em 16 de dezembro de 1936. Bacharelou-se em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, em 1979.
É cineasta amador desde 1954 e profissional a partir de 1970.
Foi Assessor Técnico na Secretaria de Estado da Cultura do Estado do RS, no período de 1999/2002.
Em 2003 e 2004 foi premiado nos Concursos: Histórias de Trabalho – 10ª Edição, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura, da Prefeitura Municipal de Porto Alegre – RS, com o conto “Sombras”; 13º Concurso de Contos Luiz Vilela – da Fundação Cultural de Ituiutaba – Ituiutaba – MG, com o conto “Batismo”; Nacional de Contos Newton Sampaio, promovido pela Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, com o conto “Um Maragato” (com o título de “Respingos de Sangue”).
Participou das seguintes antologias literárias: “101 que Contam” (2004), “Brevíssimos” (2005), “Histórias de Quinta” (2005 e “30 Contos Imperdíveis” (2006), organizadas por Charles Kiefer.
Em 2007, teve publicada sua antologia pessoal de contos “Eros em Decúbito e Outras Histórias”, editada pela editora Palmarinca de Porto Alegre – RS. Prêmio Açorianos 2008, para o autor da capa: Rudiran Messias.
Em 2008, adaptou o libreto do espetáculo musical francês “Notre Dame de Paris”, registrado na Biblioteca Nacional (nº do registro 418.252) sob o título de “O Corcunda de Notre Dame”; no mesmo ano adaptou para ópera o poema “Antônio Chimango”, registrou-o na Biblioteca Nacional (sob nº419.541), tendo o projeto cultural aprovado pela Lei Rouanet (Pronac nº 08 0189). Reapresentado e aprovado em 29/04/2011 – PRONAC N° 110750.
Em 2011 adaptou para libreto de ópera o romance “Frankenstein, ou o Moderno Prometeu” de Mary Shelley, com o título de “Frankenstein, a Ópera” – Conforme Registro n° 534.604 da Fundação Biblioteca Nacional.
Desde (2012) trabalha na adaptação para espetáculo musical (Ópera), do romance clássico, anônimo “As Mil e Uma Noites”.Cultura: Grupo relembra clássicos da “rainha do choro” na Santa Casa
Na quarta-feira (15/10), o Centro-Histórico Cultural da Santa Casa receberá o grupo Choro em Flor para um show em homenagem a cantora potiguar Ademilde Fonseca, conhecida como a “rainha do choro”. O espetáculo trará ao palco alguns clássicos do repertório da cantora, reunindo temas de Pixinguinha, Zequinha de Abreu, Waldir Azevedo, Ernesto Nazareth, Jacob do Bandolim, entre outros compositores do gênero. Os arranjos das canções foram concebidos por Luiz Machado, fundador do Grupo Reminiscências e orientador de instrumentistas de destaque na cena nacional.
Choro em Flor é formado pelas cantoras Bhia Tabert e Paula Dellazzana,, acompanhadas por um regional similar ao período áureo do rádio – Guilherme Falcão (violão 7 cordas), Daniela Eloy (bandolim), Daniel Haddad (cavaquinho) e Maicon Ouriques (percussão).
O projeto surgiu em 2013, a partir de pesquisa realizada dentro das oficinas de choro e samba, então ministradas pelo Professor Luiz Machado, no Santander Cultural. O espetáculo já foi apresentado em importantes espaços culturais da cidade, tais como Teatro Renascença, Foyer do Teatro São Pedro, Santander Cultural e Casa de Cultura Mário Quintana. O grupo faz um resgate da obra da cantora, que ganhou popularidade no início dos anos 40 e inovou a música brasileira ao introduzir voz ao chorinho, gênero que até então era estritamente instrumental.
Cantoras Bhia Tabert e Paula Dellazzana
Integrantes do Grupo
Bhia Tabert (voz), cantora e compositora, participou do Movimento Coral Unisinos e integrou o grupo Expresso 25 (Prêmio Açorianos de Música 2005), com direção de Pablo Trindade. A cantora participou também do 12º Festival de Música de Porto Alegre com a canção de sua autoria “Menininha”. Desde 2008 participa da oficina de samba e choro do Santander Cultural, ministrada pelo professor Luiz Machado. Atualmente está trabalhando também na produção do seu primeiro EP autoral, que será lançado em Novembro de 2014.
Paula Dellazzana (voz), cantora, iniciou seus estudos no Conservatório Leo Schneider do Colégio Americano. Integrou o Grupo Coro dos Contrários, com direção de Ernani Poeta, participando de montagens como a Ópera do Malandro (2006-2010), e apresentando-se em diversos espaços culturais da cidade de Porto Alegre. Participou das Oficinas de Samba e Choro do Santander Cultural, coordenadas por Luiz Machado entre 2009-2013. Estudou canto com a professora Lúcia Passos (São Leopoldo/RS) e violão com o professor Luiz Machado. Em 2014 mudou-se para Campinas/SP, onde cursa Canto Popular na UNICAMP, sob a orientação da professora Regina Machado.
Guilherme Falcão (violão 7 cordas), instrumentista, toca violão de 6 e 7 cordas, bandolim e cavaquinho. Atua em diversos grupos de samba e choro na cidade de Porto Alegre. Participa das oficinas de choro do Santander Cultural desde 2006. Atualmente está cursando Licenciatura em Música na UFRGS e é professor na Escola de Música Sol Maior.
Daniel Haddad (cavaquinho), instrumentista, participa das Oficinas de Samba e Choro do Santander Cultural coordenadas pelo Professor Luiz Machado há 04 anos. Participou do Festival de Choro em 2010 ministrado pelos professores da Escola Portátil do Rio de Janeiro e do Festival de Música de Pelotas em 2012 com ênfase em bandolim solo e cavaquinho centro. Atualmente atua como cavaco centro em grupos musicais de samba e choro.
Daniela Eloy (bandolim), instrumentista, começou sua formação no Projeto Prelúdio/UFRGS. Participou de grupos da nova geração do choro em Porto Alegre. Participou do Festival Nacional do Choro tendo aulas de bandolim com Pedro Amorim e com os demais professores da Escola Portátil do RJ. Participou das oficinas de choro e samba coordenadas por Luiz Machado desde 2006. Em 2013 cursou Songwriting da Berklee College of Music.
Maicon Ouriques (percussão), percussionista, participou das oficinas de cavaquinho da escola Imperadores do Samba e participa das Oficinas de Samba e Choro do Santander Cultural coordenadas pelo Professor Luiz Machado desde 2011. Atualmente estuda percussão com Luiz Machado e atua como percussionista de diversos grupos de samba e choro da região.
GRUPO CHORO EM FLOR – HOMENAGEM A ADEMILDE FONSECA
Quando: Quarta-feira (15/10), às 20h
Onde: Centro Histórico Cultural da Santa Casa (Independência, 75 – Porto Alegre)
Ingressos no local: R$ 40 (Estudantes, idosos e classe artística pagam R$ 20)Líderes pedem urgência para projeto que pune pesquisas fraudulentas
Líderes partidários da Câmara dos Deputados apresentaram requerimento de urgência para o projeto que aumenta a punição a institutos de pesquisa envolvidos em levantamentos fraudulentos (Projeto de Lei 96/11).
O requerimento ainda precisa passar pelo Plenário. Se a urgência for aprovada, no entanto, o projeto só poderá ser votado depois da análise de uma proposta sobre biodiversidade (PL 7735/14), que tranca a pauta.
Assim como em 2010 e em 2012, as divergências entre os números das pesquisas eleitorais e os resultados das urnas neste primeiro turno motivaram uma série de críticas na Câmara dos Deputados.
Entre os casos mais citados estão o para presidente da República, em que o segundo colocado, senador Aécio Neves (PSDB), obteve 33,5% dos votos válidos, enquanto os levantamentos de Ibope e Datafolha às vésperas da eleição indicavam-no com menos de 30%. A primeira colocada, presidente Dilma Rousseff (PT), aparecia nas últimas pesquisas com índices entre 44% e 46%, sendo que, nas urnas, alcançou 41,6% dos votos válidos.
Bahia e Rio Grande do Sul: disparates
Na disputa para o governo da Bahia, as pesquisas apontavam como favorito o candidato Paulo Souto (DEM). No domingo, no entanto, os baianos elegeram Rui Costa (PT) em primeiro turno.
No Rio Grande do Sul, às vésperas da votação, os institutos indicavam Tarso Genro (PT) à frente de Ana Amélia (PP) e José Ivo Sartori (PMDB), empatados, na corrida para o governo estadual. O resultado das urnas, contudo, levou Sartori ao segundo turno como o mais votado, seguido por Tarso Genro.
Multa e detenção
O projeto de lei com urgência requisitada pelos líderes determina, por exemplo, que seja considerada fraudulenta a pesquisa realizada e divulgada até cinco dias antes da eleição e cujo resultado apresente margem de erro acima do resultado das urnas. Pelo texto, de autoria do deputado Rubens Bueno (PPS-PR), o levantamento fraudulento poderá ser punido com multa de até R$ 1 milhão, além de detenção de até um ano.
Transparência
O deputado Félix Mendonça Júnior (PDT-BA) é relator, na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, de outra proposta (PL 4574/12), que permite a veiculação de pesquisas eleitorais somente até 15 dias antes das eleições.
No lugar desse prazo de divulgação, Mendonça Júnior propõe um prazo de dez dias antes da eleição para que os institutos publiquem detalhes sobre a metodologia do levantamento (o prazo atual é de cinco dias). Com base nessas informações, o juiz poderá determinar, cautelarmente, a não divulgação dos resultados de pesquisa impugnada ou a inclusão de esclarecimentos na publicação dos dados.
O deputado cobra mais transparência nas pesquisas e estuda mudanças em seu parecer para ampliar a possibilidade de checagem das informações divulgadas. “Precisamos saber, de forma transparente, como foi feita a pesquisa, os critérios usados, se ela está na técnica correta”, disse Mendonça Júnior.
Sistema de amostragem
Para o professor aposentado da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e consultor da empresa Statistika, José Ferreira de Carvalho, os erros são motivados pela estrutura dos levantamentos.
“Para ser barata e rápida, a pesquisa no Brasil é feita por um sistema chamado de amostragem por cota, que não é um sistema estatístico, não é uma amostragem científica. De modo que as margens de erro assim chamadas, que são divulgadas pelos institutos, não têm o menor respaldo científico”, disse Carvalho.
Procurados pela reportagem da Agência Câmara, Ibope e Datafolha não se pronunciaram sobre o assunto.Habitação: projetos para regularizar ocupações em Porto Alegre
As ocupações da Cooperativa Habitacional Morada dos Ventos (Coohamove) levaram o assunto à Tribuna Popular da Câmara, hoje. Diversas famílias no plenário, o advogado do Fórum das Ocupações Urbanas Metropolitanas, Paulo René, e o representante dos moradores, Juliano Fripp, defenderam a regulamentação legal de terrenos ocupados na cidade.
A proposta foi da bancada do PSOL, que pretende conseguir apoio para que o projeto tramite em regime de urgência, ou seja, encaminhando-se imediatamente para a Comissão de Constituição e Justiça. Enquanto estiver tramitando, cessam as desocupações.
“Temos, em Porto Alegre, um déficit habitacional terrível”, afirmou René. Para ele, o apoio da Câmara na realização do projeto de lei que torna 15 ocupações de Porto Alegre áreas especiais de interesse social (AEIS) é essencial.
“A inércia da administração pública contribuiu para os vazios urbanos”, ressaltou René. O projeto deve se basear nos artigos do Plano Diretor e do Estatuto das Cidades. “Os artigos são claros e devemos usar este instrumento emergencialmente”. Assim, as áreas serviriam para produzir moradias e reforçar o direito à habitação.
O morador Juliano Fripp vê pouco interesse do governo municipal em resolver o problema. “Estão mandando a BM para tirar as pessoas de suas casas. Morar é um direito constitucional. Não é justo que se usem essas áreas para exploração e tirem o direito da moradia. Não é justo que as pessoas sejam expulsas de suas casas”, destacou.
Além das AEIS, o Fórum trabalha em duas outras frentes. A primeira é o projeto que tramita no Tribunal de Justiça, para criar uma vara especializada em regularização fundiária. A segunda é apresentar na Assembleia Legislativa, em novembro, um projeto que inclua parcerias público-privadas para construir habitações.
O projeto tem como base o plano diretor de Porto Alegre, que não é utilizado como base dos governos municipais, segundo Paulo René. “A ideia é obrigar município a fazer essas decretações de AEIS e desapropriações para fins de interesse social tendo em vista que são vazios urbanos e fiscalização do município foi totalmente omissa há muitos anos”.
O projeto de lei proposto refere-se às ocupações Marcos Klassmann, São Luiz, Maria Leoni, Dois Irmãos, Morada dos Ventos, Morro Santana (Cruzeiro), Porto Seco, Tenda, Progresso, Continental, Nossa Senhora Aparecida, Império, Oscar Pereira e Vila Aparecida.Cultura: Ms. Full incita, provoca, excita
Ms. Full, escritora de literatura erótica, está lançando nesta segunda-feira, 13/10, seu terceiro livro, INCITAÇÕES, 265 páginas, produção independente, às 19h, na Livraria Cultura – Bourbon Shopping Country. A porto-alegrense foge de rótulos, verdades ou certezas. Prefere definir-se como uma anarquista, excêntrica e paradoxal. Nada em sua vida é definitivo, nem o próprio nome.
Este novo livro é de reflexões, aforismos, poemas e textos curtos. Enfim, um livro de ideias. Mas atenção: Ms. Full não está se afastando do erotismo. Com INCITAÇÕES, ela incita, instiga, desafia, excita. “É um convite à reflexão, com o sexo às vezes presente como pano de fundo, outras vezes completamente explícito”, revela.
Sua carreira de escritora teve início em 2008 com um blog chamado Olhobservando. Ali ela começou a transitar nos sinuosos caminhos do erotismo. Essa experiência levou à publicação de Olhobservando, seu primeiro livro de contos eróticos, lançado em 2010 pela editora Livre Expressão. Assinou com o pseudônimo de Marypop.
Em 2012, lançou seu segundo livro pela mesma editora: “Coquetel Molotov”, assinando Marinez Full, com textos de um erotismo mais filosófico, sem focar somente no sexo. Seu objetivo foi sair do lugar-comum, em que tudo gira em torno do ato sexual. Queria tratar o erotismo de forma mais profunda.
Ms. Full é resultado de múltiplas influências. No pacote está a francesa Anaïs Nin (1903/1977), mais Henry Miller (1891/1980), Pauline Réage, um dos pseudônimos de Anne Cécile Desclos (1907/1998), autora de um ícone da literatura erótica, A História de O; Marquês de Sade (1749/1814) e também a paulista Hilda Hilst (1930/2004), que se consagrou na poesia, dramaturgia e prosa narrativa, mas escreveu uma trilogia pornográfica de forma irônica e debochada. Ao mesmo tempo, Full é leitora do sociólogo polonês Zygmunt Bauman (1925), que investiga a fragilidade dos laços humanos na atualidade, gerando níveis de insegurança sempre maiores.
Ela adapta suas influências aos dias atuais. Neste momento de preconceitos explícitos, acredita que o erotismo não pode deixar de fora o relacionamento gay. E completa: “O que me incita é a quebra de paradigmas.”

Serviço
O que: Lançamento do livro INCITAÇÕES
Autora: Ms. Full
Onde: Livraria Cultura – Bourbon Shopping Country
Endereço: Avenida Túlio de Rose, 80, Porto Alegre
Quando: Dia 13 de outubro
Horário: 19hTerror em Santa Catarina: mais de 100 atentados em 33 cidades
Aline Torres*
Desde o dia 26 de setembro, a população está tensa em Santa Catarina.
O sexto Estado mais rico da federação, reconhecido pelo alto índice de desenvolvimento humano, é alvo pela terceira vez em menos de dois anos, da facção criminosa Primeiro Grupo da Capital (PGC).
Prédios públicos estão marcados a tiros, escolas não foram poupadas, 37 ônibus foram incendiados, policiais e agentes penitenciários tiveram as casas alvejadas. Um deles, foi baleado e morreu no portão.
É o revide dos líderes do tráfico aos horrores do sistema prisional, o chamado “salve geral”, que já atingiu 33 cidades catarinenses em mais de 100 atentados.
O epicentro da crise se encontra em São Pedro de Alcântara, uma cidade rural de 5.000 habitantes, fundada por imigrantes alemães, a 32 quilômetros de Florianópolis, capital do Estado.
Lá foi erguida sobre erros a penitenciária da cidade. O projeto inicial era de segurança máxima, mas na prática a unidade serviu como o berço do crime organizado. De lá são ordenados os ataques.
Entre a noite de terça-feira e a manhã desta quarta, uma série de ocorrências foram registradas.
Primeiro, a casa de um policial foi alvejada em Camboriú, no Litoral. Na sequência, um ônibus foi incendiado em Blumenau, na região dos Vales.
No Sul do Estado, um militar teve a casa metralhada em Tubarão, e um carro foi queimado em Laguna.
Na região Oeste, em Chapecó, dois homens armados renderam o vigia de um colégio e atearam fogo no prédio. A vítima escapou.
Na madrugada anterior, duas escolas foram queimadas em Navegantes, assim como veículos em Blumenau e Joinville.
Dois documentos, em poder da Polícia Civil, ajudam a esclarecer as raízes desta crise.
O “Manifesto Pacífico”, escrito dia 11 de agosto, descreve a pressão dos detentos para que algumas reivindicações fossem atendidas – “Pedimos em caráter de urgência, a manifestação dos órgãos responsáveis (…) se nos manifestarmos de forma radical seremos ouvidos mas estamos buscando diálogo (..)São Pedro de Alcântara é hoje uma bomba relógio”.
A carta que pedia o cumprimento das leis penais foi ignorada. Há também um áudio gravado um mês depois, desta vez, convocando os atentados. “Nossa realidade é de miséria.Na Penitenciária Sul [em Criciúma], a situação é pior. Pois não conseguimos vencer a opressão, torturas e covardias dentro do sistema. Quatro dias por semana é macarrão cru para comer. 70% dos irmãos não têm visita, não têm trabalho”.
Para coibir a onda de crimes, o governo de Dilma Rousseff enviou um pelotão da Força Nacional.
Os soldados chegaram no sábado, dia 4, também para garantir as eleições na capital.
A população estava com medo de voltar para casa, já que as concessionárias de transporte coletivo instituíram toque de recolher às 18h. Tempo cronometrado para o voto.
Há cinco dias não havia transporte noturno, o comércio fechou mais cedo, aulas foram canceladas e os táxis desapareceram dos pontos. A ordem era: os ônibus devem voltar seguros para as garagens.
O reforço nacional não resgatou a paz. Os atentados continuam frequentes, apesar das 55 prisões e das 21 transferências de líderes do PGC para a Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia. Mesmo com a suspensão do toque de recolher, a população não se atreve a ficar até tarde nas ruas.
O governador do Estado, Raimundo Colombo (PSD), reeleito em primeiro turno, não propôs nenhuma ação de combate à tortura de prisioneiros, mesmo com a questão escancarada na reta final da sua campanha por uma das mais violentas crises da segurança pública brasileira em 2014.
Uma guerra que começou há 11 anos com o nascimento do PGC, dentro da penitenciária de São Pedro de Alcântara. Oficializada pelo estatuto escrito pelo criador da facção, Nelson de Lima, o Setenta, no dia 3 de março de 2003.
O estatuto do PGC convocava a “união dos irmãos contra as opressões do Estado”. E irmão paga o dízimo. É lei.
Segundo investigações da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado, os 4.000 filiados pagam R$ 100 por mês à facção. Assim o PGC arrecada mais de R$ 4 milhões ao ano, dinheiro investido no fortalecimento de bocas de fumo em crise, na contratação de gravatas (advogados), no auxílio às famílias dos detentos e na corrupção de agentes penitenciários.
Presos libertos têm três meses de carência. Caloteiros são executados.
O estatuto foi inspirado no do Primeiro Comando da Capital (PCC), a maior organização criminosa do Brasil, criada para vingar a morte dos 111 presos no massacre do Carandiru em 1992, em São Paulo.
João Moacir Corrêa, presidente da Comissão de Assuntos Prisionais da OAB/SC, afirma que o PGC surgiu para suprir negligências: “Cadeia é lugar de frio, fome, dor, solidão. Os apenados se agrupam como defesa e respondem à violência com violência, a linguagem mais comum”.
A primeira denúncia de tortura em São Pedro de Alcântara é de 2008. Cinco agentes prisionais e o então diretor da penitenciária, Hudson Queiroz, afogaram prisioneiros nas privadas.
Em 2011, 15 homens foram assassinados na unidade. Os líderes do PGC avisaram que “se não trocarem o diretor haverá uma morte por mês”.
O diretor era Carlos Alves, que um ano mais tarde, foi acusado de agredir detentos. O ouvidor dos Direitos Humanos Bruno Teixeira encontrou 69 homens agonizando, uma semana sem médico, com perfurações profundas no corpo e ossos quebrados nas sessões de torturas.
Viu que na unidade não havia pratos ou talheres, a carne era servida crua, a água amarelada e os encarcerados passaram meses sem sol. As idas ao pátio estavam suspensas.
Para lidar com a crise, o Estado tem repetido a fórmula. Articula as forças de segurança sem intervir humanamente nas cadeias.
O problema de São Pedro de Alcântara, ao contrário das grandes prisões brasileiras, não é a superlotação. Há 1.250 vagas para 1.198 homens. O gatilho dos ataques são os crimes contra a Lei de Execuções Penais cometidos por servidores públicos.
Entretanto, o governador Raimundo Colombo disse que “o governo realizou um extraordinário trabalho durante os atentados”.
Em coletiva de imprensa, nesta segunda, 6, ele afirmou que “não existe tortura nas prisões catarinenses”, apesar dos sete inquéritos sobre o assunto.
Nenhum agente acusado de tortura foi demitido. Todos os inquéritos – desde 2008 – foram engavetados. O secretário de Justiça e Cidadania de Santa Catarina, Sady Beck Júnior, apenas conclui que a “situação já foi muito pior”.
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, esteve em Santa Catarina, no dia 3, com o objetivo de traçar estratégias para sufocar a facção. Nenhuma, no entanto, atenta para a garantia dos diretos humanos, o que surpreende já que ele ficou conhecido pela frase “prefiro morrer a ficar preso no Brasil”.
*Publicado originalmente no El Pais




