Autor: da Redação

  • Marina e as circunstâncias

    Eduardo Maretti*
    No início de setembro, o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), candidato à reeleição ao mesmo cargo este ano na chapa de Dilma Rousseff, foi perguntado numa coletiva sobre a então ascensão de Marina Silva e se a campanha dele e da presidente iriam atacar a adversária do PSB. A resposta, digna de uma velha raposa da política, foi a seguinte: “Não vejo necessidade (de atacar Marina). Acho que a desconstrução eventual dela pode ser feita por outras pessoas, pelas circunstâncias. Na política é assim. As circunstâncias vão mostrando o que é melhor para o país”.
    Pouco mais de três semanas depois, muitas circunstâncias concorreram para a desconstrução da candidatura de Marina Silva, inclusive, e talvez principalmente, ela própria, com suas idas e vindas, suas contradições, suas alianças obscuras e seus recuos, seu programa de governo que, para justificar mudanças súbitas, ela disse que é um “programa em movimento”. A questão da CPMF é só mais uma das já quase incontáveis “circunstâncias” previstas por Temer.
    Os recuos quanto ao casamento gay, a energia nuclear, o agronegócio, a ingênua tentativa de dizer que votou a favor da CPMF em 1995 (quando votou “não”) e as hesitações, que diante da câmera, num debate, são terríveis a uma candidatura, foram algumas dessas circunstâncias. Até chegar à quase cômica situação desta segunda-feira, quando a campanha da candidata, que desde domingo comemorava o apoio do ator Mark Ruffalo (o Hulk), que gravara até um vídeo por Marina, teve de engolir o próprio ator retirar seu apoio. “Descobri que a candidata à Presidência do Brasil, Marina Silva, talvez seja contra o casamento gay. Isso me colocaria em conflito direto com ela”, escreveu Ruffalo no Tumblr.
    E Aécio Neves pode mesmo virar o jogo pra cima de Marina. Hoje, o assessor de um importante dirigente do PT me disse que pesquisas internas do partido estão mostrando empate técnico entre o tucano e a ambientalista. Essa tendência será confirmada? A conferir. Faltando cinco dias para a eleição, é cada vez mais possível que a ex-favorita doutora em “Nova Política” seja rebaixada ao mesmo terceiro lugar de 2010 justamente por praticar a velhíssima “velha política”, com o perdão do pleonasmo.
    A “velha política” de Marina, além de velha, demonstrou-se amadora, vacilante e falsa. Ela vem despencando vertiginosamente em todas as classes sociais e demais filtros das pesquisas, e em todas as regiões do país.
     
    *Do blog Fatos etc

  • Campanhas: um modelo vai aparecendo, apesar da baixaria

    Luis Nassif
    Na atual campanha presidencial, os candidatos abusam da propaganda negativa. Não chega aos pés da campanha de 2010, na qual o candidato José Serra logrou jogar o nível nas tubulações de esgoto.
    Mesmo assim, a cantilena dos três candidatos é maçante. Aécio Neves repercute as denúncias da revista Veja – que têm desanimado até os demais veículos de imprensa, pela leviandade. Marina Silva pratica a lamúria permanente e Dilma tenta convencer o eleitorado que haverá um segundo governo menos centralizador.
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    Mesmo assim, as circunstâncias da economia e da política acabaram quase que conduzindo a um modelo de gestão que vai acabar se impondo.
    No âmbito dos jornais e das redes sociais, persiste uma radicalização anacrônica entre esquerda e direita.
    Cada proposta é analisada sob esse prisma. As grandes transformações brasileiras foram eminentemente pragmáticas, sem a tentativa de dividir o mundo entre medidas de esquerda ou direita.
    Abaixo da espuma tem a substância, um conjunto de políticas públicas quase inescapáveis, se se quiser de fato aspirar a uma nova etapa do desenvolvimento nacional.
    No plano estratégico, o país terá que definir políticas industriais consistentes, em cima de aspectos competitivos: os mercados que proporcionam ganhos de escala e os setores que podem se beneficiar de políticas de compras públicas. E necessita continuar desenvolvendo todo o macroambiente competitivo.
    No plano microeconômico, os sistemas de inovação, as ferramentas de financiamento, o aprimoramento das compras públicas, enfim, um autêntico receituário desenvolvimentista.
    Mas não poderá adiar mais as reformas microeconômicas, a desburocratizaçao, colocar ordem na parte fiscal e outras medidas destinadas a melhorar o ambiente econômico e que, em geral sao vocalizadas pelos chamados setores neoliberais.
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    Tem que apoiar setores estratégicos, como propõem os desenvolvimentistas, mas corrigindo os exageros  das decisões unilaterais, como defendem os neoliberais.
    A política econômica precisa ser proativa e, ao mesmo tempo, previsível. Trata-se de desafio perfeitamente factível desde que se tenha um plano de vôo.
    Precisa-se de um Estado forte, mas para cumprir o papel de indutor do setor privado. A contrapartida ao Estado forte é a exigência de definição de regras claras na concessão de benefícios, que impeçam as práticas odiosas dos benefícios a empresas ou setores, de acordo com a vontade do governante.
    Há a necessidade de uma política fiscal transparente, mas o ajuste não pode contemplar apenas as despesas correntes, mas encarar definitivamente a questão dos juros.
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    A postura da política monetária não é de ser a favor ou contra o capital, mas de mudar o rumo do dinheiro, da renda fixa e da aplicação preguiçosa em títulos públicos para o financiamento do desenvolvimento e a busca das aplicações de risco.
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    Caso Dilma seja reeleita, terá que aprender que política econômica proativa só se legitima se for absolutamente transparente e discutida com todos os setores sociais e econômicos.
    Terá que trocar a roupa de gerente pela de Estadista. Se conseguirá, é uma incógnita.

  • "Gosto de agradecer aos que vieram antes"

    Bia Diamente assina o espetáculo de teatro-dança “As ArtesFísicas”, que estreia em outubro.
    As apresentações acontecem na Urban Arts (Rua Quintino Bocaiúva, 715), em uma temporada com oito sessões, a partir de 3 de outubro.
    Em cena, a atriz Dani Dutra e a bailarina Juliana Rutkowski, resignificam a arte física com sensibilidade.
    A pesquisa foi aos primórdios do circo, do universo da mágica e do cinema mudo, quando o imaginário da arte ainda estava ligado às expressões físicas do artista e a fala não tinha a sua importância.
    “A nossa proposta é resultado de uma livre inspiração atemporal e contemporânea nas artes do corpo”, explica Bia.
    “Inovamos sem abandonar o passado, pois, para mim, é importante criar homenageando. Gosto da ideia de agradecer aos que vieram antes e nos proporcionaram tantos saberes.”
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    Tradicionalmente, os trabalhos de Bia são de duração confortável e para plateias pequenas, neste caso, 20 pessoas. Durante 35 minutos, Dani e Juliana constroem uma atmosfera íntima por meio de gestos precisos e jogos silenciosos. “O espetáculo busca o tempo físico da ação corporal, o jogo rápido e uma leve comicidade, tão difícil, tão exigente”, finaliza a diretora.
    As apresentações de Às Artes Físicas acontecem nos finais de semana dos dias 3 e 4, 10 e 11, 17 e 18, e 24 e 25 de outubro, às sextas-feiras, às 20h, e aos sábados, às 18h. Os ingressos serão vendidos no local, nos dias de espetáculo, uma hora antes, ao preço de R$ 20. Pessoas com mais de 60 anos, estudantes e classe artística têm 50% de desconto.
    Sobre a diretora
    Bia Diamante é carioca, e vive Porto Alegre há 16 anos. Sua carreira artística se completa em duas frentes: na construção de um entendimento singular na área da dança contemporânea e no ensino de educação somática. Em 2010, passou a integrar o projeto Descentralização da Cultura, da Prefeitura da Capital, dando aulas de dança no bairro Ponta Grossa.
    No mesmo ano, com um elenco formado por seis mulheres daquela comunidade, realizou, com financiamento do Fumproarte, o espetáculo À Sala. Em 2011, este trabalho recebeu o Prêmio Açorianos de Dança, na categoria “Estímulo à Criação”. Em 2013, dirigiu o espetáculo Sobre o Armário e a Atividade dos Objetos – estudo para natureza-móvel, que teve seis indicações para o Açorianos e venceu nas categorias “Melhor Direção”, “Melhor Coreografia” e “Melhor Iluminação”.
    Paralelo a este constructo estético em arte, há seis anos Bia é professora de educação somática do Grupo Experimental de Dança, do Centro de Dança da Secretaria  Municipal de Cultura. As aulas têm como objetivo criar uma abordagem de preparação corporal para profissionais de dança e teatro.
    Sobre o elenco
    Dani Dutra é atriz e professora de teatro, graduada em Licenciatura em Teatro, pela UFRGS, e integrante do Grupo Barraquatro. É professora de Arte Cênica do Colégio João XXIII. Atuou nos seguintes espetáculos: “Boca de Ouro”, dirigido por Aline Sokolowsky (2013); “O Linguiceiro da Rua do Arvoredo”, dirigido por Daniel Colin (2012); “DANKE”, dirigido por Giselle Cecchini (2012); “Geocoreografia: Cidade Não vista”, dirigido por Diego Mac e Tatiana Vinhais (2011); “Projeto 1: Desejo” e “Projeto Picasso: Um Sonho”, ambos dirigidos por Júlia Rodrigues (2008). No período de janeiro de 2006 a dezembro de 2007, trabalhou com um grupo de jovens atores orientado pelo ator e diretor Roberto Birindelli.
    Juliana Rutkowski, bailarina formada no Curso Superior de Dança pela Ulbra, em 2007. Já trabalhou com diversos grupos, como Ânima, da coreógrafa Eva Schul (2010); Cia Teatral Falos & Stercus, do diretor Marcelo Restori (2010 e 2011); Necitra, onde pesquisou circo, teatro, dança (2011 e 2012); e Grupo Experimental de Dança (2008 a 2011).
    É professora de dança em escolas de Educação Infantil desde 2011, ano em que também ministrou aulas de Atividade Circense para crianças no Programa Integrado de Inclusão Social da Prefeitura de Esteio. Como bailarina, desde 2012, pesquisa teatro-dança com Bia Diamante, diretora com a qual realizou o espetáculo “Sobre o Armário e a Atividade dos Objetos – estudo para natureza-móvel”, apresentado na Capital em 2013. Por este trabalho, recebeu o Prêmio Açorianos de Melhor Coreografia. Em 2014, além de estar no elenco de “Às Artes Físicas”, também faz parte do espetáculo “100 Formas Para o Amor”, da Macarenando Dance Concept, dirigido por Diego Mac.
    Onde: Urban Arts (Rua Quintino Bocaiúva, 715)
    Quando: nos finais de semana 3 e 4, 10 e 11, 17 e 18, e 24 e 25 de outubro, às sextas-feiras, às 20h, e aos sábados, às 18h.
    Valor: R$ 20. Pessoas com mais de 60 anos, estudantes e classe artística têm 50% de desconto.
    Vendas de ingressos: no local, nos dias de espetáculo, uma hora antes de iniciar.

  • Coalisão legitima ataques ao califado

    José Antônio Severo
    A coalizão de países da região do Golfo Pérsico que estão se alinhando ao governo do Iraque para atracar as fortificações e comboios do chamado Estado Islâmico (EI) está dando a conformação da aliança política das monarquias arábicas que se compõem com Estados Unidos, França e Austrália para fustigar os extremistas que estão infernizando a vida das populações civis no Levante.
    A coalizão é integrada, além dos ocidentais, por aviadores da Arábia Saudita, Jordânia, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Qatar. Esses governos, chefiados por monarcas sunitas, dão legitimidade religiosa à essa aliança.
    As potências ocidentais estão pisando em ovos, procurando evitar que a emenda saia pior que o soneto: uma ação desastrada, como é comum ocorrer quando se metem naquela região, pode, em vez de aglutinar uma aliança, produzir uma onda de apoio aos jihadistas se for constatado que eles estariam sob pressão de exércitos de apóstatas, como dos xiitas de Bagdá, dos alauítas de Damasco e dos sufistas de Ancara. Sem falar dos “cruzados”, como apresentam os ocidentais. É significativo que os mais demonizados sejam os descendentes dos antigos francos que lideraram as Cruzadas e o Reino de Jerusalém, no Século XI, hoje chamados de “nojentos franceses”.
    Para dar uma demonstração inequívoca de que os descendentes do profeta Maomé que ocupam os tronos das monarquias do Oriente Médio estão efetivamente  combatendo os fanáticos e consideram o EI uma heresia, a esquadrilha dos reis do golfo que voa ao lado dos F-22 norte-americanos e dos Rafale franceses, tinha entre os pilotos duas figuras emblemáticas: na esquadrilha da Arábia Saudita voava o príncipe Khaled bi Salmann, filho do príncipe Salman bin Abdulaziz, herdeiro do trono de Riad; no comando da esquadrilha dos Emirados estava nada menos que uma mulher, a major Marian Al Massour. Mandar uma mulher dar umas bordoadas num jihadista é a maior humilhação a que se lhes pode submeter. (Também aí uma dúvida: Marian, que vem de maria, não é nome muçulmano tradicional). Portanto, uma novidade e que vai pegar bem junto às feministas do ocidente.
    Para as operações terrestres, por enquanto, as potências ocidentais (EUA, França e Alemanha) estão armando os curdos, que também são sunitas. Ou seja: sunitas combaterem sunitas é aceitável. O que não se pode ainda é mandar para o front as tropas xiitas do Exército de Bagdá. O governo central do Iraque tem de esperar observado de longe enquanto seus vizinhos sunitas soltam seus aviões sobre o EI. As bombas sunitas são aceitáveis; as xiitas são apóstatas. O novo governo iraquiano está procurando uma composição com as tribos sunitas para só depois recrutar sunitas para seu exército. Até lá, as tropas que protegem Bagdá, compostas por xiitas, apenas observam os acontecimentos esperando novas ordens do seu governo.
    É por isto que Barak Obama diz que a guerra será longa. A única forma de resolver de forma satisfatória é deixar que a crise seja debelada pelos próprios sunitas. Qualquer interferência será desastrosa e servirá apenas para acelerar o recrutamento de jihadistas. O que pode ser feito no Exterior é evitar, sempre que possível, que nos fanáticos se desloquem para engrossar os contingentes do EI. Segundo informações, há 30 mil homens em armas, 15 mil estrangeiros, o que não significa que todos esses estejam indo do Ocidente. A maior parte é árabe de lá mesmo, naturais dos reinos da coalizão. De fora são jovens recrutados em madraças na Europa Ocidental, Estados Unidos, Canadá, Rússia (em ex-repúblicas transcaucasianas da antiga União Soviética), Balcãs e Austrália. Também há gatos pingados de toda a parte onde haja muçulmanos sunitas, porém são lutadores individuais que chegam ali por conta própria. Os demais são sírios e iraquianos desertores dos exércitos nacionais dos dois países ou simplesmente rebeldes políticos.
    Essa posição moderada de Obama, sugerindo que a guerra civil se limite aos crentes sunitas, também limita o território da luta, embora não se possa descartar que outros extremistas provoquem atentados e confusão fora da região do conflito. Neste caso, a Rússia corre maior perigo que a Europa Ocidental, pois os fanáticos muçulmanos dalí são mais perigosos e numerosos do que os emigrantes árabes no Ocidente. Para o presidente Vladimir Putin, também é melhor que os jihadistas estejam combatendo Bashar Assad.
    Nos próximos dias essa questão terá contornos mais definidos. Por enquanto há apoio, aceitação ou simples expectativa dos demais países da ONU.

  • Pepsi está fora dos parques da Redenção e do Gasômetro

    Contrato de adoção do parque  vence em 1º de outubro. A empresa já informou que não vai renovar.
    Quando foi assinado, em abril de 2008, o acordo mereceu discursos e notícias.
    Agora, está sendo desfeito, em silêncio. Nesta segunda-feira 29, nem a assessoria de imprensa da SMAM tinha a informação.
    O contrato envolvia a Secretaria Municipal de Meio Ambiente  e a Pepsico, fabricante de refrigerante, que assumiu a manutenção do Parque da Redenção, através do programa  “Adote uma Praça”.
    Foi anunciado que, no primeiro ano, a empresa investiria 600 mil reais na iluminação e outras melhorias do parque, entre elas uma “academia de ginástica para a terceira idade”, com dez aparelhos para exercícios físicos ao ar livre,  e a instalação de dois “chimarródromos”, equipamentos que fornecem automaticamente água quente para o chimarrão dos frequentadores do parque.
    Em contrapartida a Pepsi ganhou um espaço no mercado Bom Fim, onde funciona um café sob franquia,  colocou sua marca nos equipamentos instalados dentro do parque e  ganhou um ponto de vendas na área central.
    A “academia da terceira idade” é um sucesso, os equipamentos atraem também a criançada ( apesar da advertência de que são impróprios para crianças) e tem uso permanente. Agora talvez fiquem sem manutenção.
    Os chimarródromos, que fornecem água quente para o chimarrão, são também muito demandados, mas tem problemas de funcionamento na parte eletrônica que regula a temperatura a água, que certamente vão se agravar.
    Um dos problemas mais sérios com o fim do contrato de adoção do parque pela PepsiCola será o corte  de seis operários da Cootravipa, que trabalham na limpeza do parque, pagos pela empresa.
    Com isso, os serviços de manutenção do parque, para os quais já falta gente, podem ficar precários.
    Também o parque do Gasômetro, adotado no mesmo contrato, fica sem patrocinador.
    A Sinergy, empresa de mídia externa que intermédia o contrato entre a Pepsico e a Prefeitura, pretende continuar no negócio, buscando um outro patrocinador para adotar o parque. “Ainda não temos ninguém em vista, mas vamos prospectar novos parceiros”, disse ao JÁ o diretor da Sinergy, Aloisio Dias.
    É previsível que um dos interessados seja a Coca Cola, que já havia instalado uma trincheira na Redenção ao associar-se à Opus no Auditório Araújo Viana, junto com a OI.
    (Elmar Bones)

  • Hamilton de Holanda e Regional Espia Só tocam Octavio Dutra na UFRGS

    A série de concertos do Unimúsica, na UFRGS, homenageia grandes nomes da música  que tiveram algum vínculo com a universidade. O resultado é uma programação rica, que segue até dezembro.
    No dia 1º de outubro, às 16h, Hamilton de Holanda conversa sobre a obra de Octavio Dutra, no palco do Salão de Atos, em workshop aberto ao público.
    Octávio Dutra é um excepcional violonista e compositor que vem sendo redescoberto graças ao trabalho de pesquisadores como Márcio de Souza, Arthur de Faria e Hardy Verdana. Ele é um dos personagens mais importantes da música de Porto Alegre no início do século 20.
    Violonista e bandolinista virtuoso, Octavio Dutraintegrou as turmas iniciais do Conservatório de Porto Alegre, hoje Instituto de Artes da UFRGS, onde além de aprender a ler e escrever música estudou harmonia e contraponto.
    As partituras preservadas (em torno de 500!), cheias de “modulações raras” e “acordes desconcertantes”, nas palavras de Arthur de Faria, abarcam uma infinidade de gêneros, como polcas, valsas, sambas, maxixes e choros.

    Músico Octávio Dutra / Foto Divulgação Ufrgs
    Músico Octavio Dutra / Foto Divulgação Ufrgs

    Dia 2 de outubro, 20h, o concerto em homenagem a Octavio Dutra, no Salão de Atos, terá formação inédita: o Regional Espia Só, que já gravou músicas do pioneiro do chorinho, e o bandolinista Hamilton de Holanda, sob direção de Rafael Ferrari.
    Criado a partir das gravações do documentário dedicado a Octavio Dutra dirigido por Saturnino Rocha, o Espia Só tem Luis Arnaldo Cabreira no cavaquinho, Max Garcia no violão de sete cordas, Augusto Maurer no clarinete, Giovani Berticom o pandeiro e Rafael Ferrari (bandolim 10 cordas, arranjos e direção musical).
    O instrumentista Hamilton de Holanda demonstra nos mais diversificados projetos o virtuosismo de sua performance no bandolim de 10 cordas.
    Dia 23 de outubro, Nei Lisboa será cantado por Ná Ozzetti e a Camerata Unimúsica, sob direção de Vagner Cunha.
    Dia 06 de novembro: Armando Albuquerque por Celso Loureiro Chaves, Mirna Spritzer e convidados | Direção de Celso Loureiro Chaves
    Dia 27 de novembro: Vitor Ramil por Chico César
    04 de dezembro: Lupicínio Rodrigues por Adriana Calcanhotto
    17 de dezembro: Barbosa Lessa por Yamandu Costa e Camerata Pampeana do Maestro Tasso
    Bangel | Direção de Renato Mendonça
    UNIMÚSICA 2014 | SÉRIE COMPOSITORES – A CIDADE E A MÚSICA
    WORKSHOP COM HAMILTON DE HOLANDA
    Quando: 01 de outubro, quarta-feira, às 16h
    Local: Salão de Atos da UFRGS (Av. Paulo Gama, 110)
    Inscrições: www.difusaocultural.ufrgs.br
    CONCERTO EM HOMENAGEM A OCTÁVIO DUTRA POR REGIONAL ESPIA SÓ E HAMILTON DE HOLANDA
    Quando: 02 de outubro, quinta-feira, às 20h
    Local: Salão de Atos da UFRGS (Av. Paulo Gama, 110)
    Ingresso: A retirada de senhas pode ser realizada através da troca de 1kg de alimento não perecível por ingresso, a partir de 29 de setembro, das 9h às 18h, no mezanino do Salão de Atos da UFRGS ou pelo site www.difusaocultural.ufrgs.br.

  • Panfletagem em Copacabana alerta que maconha também é remédio

    Pais e parentes de pessoas que poderiam ser tratadas com medicamentos derivados da maconha andaram por Copacabana, no Rio, na tarde de domingo, em ato pelo acesso aos remédios, com a legalização das substâncias pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Atualmente, a importação de medicamentos sujeitos a controle especial, sem registro no país, por pessoa física, só é possível por meio de pedido excepcional de importação para uso pessoal.
    O grupo distribuiu cartilhas que abordam casos em que os remédios podem auxiliar o tratamento de algumas doenças e conversou com as pessoas que passavam, pela orla de Copacabana, sobre os argumentos em defesa de medidas que facilitem o comércio e diminuam os preços. Segundo o engenheiro Marcos Fernandes, de 31 anos, a liberação da importação para uso pessoal não resolve o problema, pois o gasto que se tem com a compra é muito elevado para grande parte dos brasileiros.
    “O importante é regulamentar não só o uso medicinal, mas também o plantio e a produção dos derivados da maconha. Gasto R$ 1 mil por mês importando. A maioria das pessoas não tem a condição de pagar, e a gente pode conseguir baratear plantando no Brasil”, defendeu.
    Ele conta que sua filha, de 6 anos, sofre de síndrome de Rett e parou de ter convulsões fortes desde que começou a tomar o canabidiol. Antes, as crises eram constantes: “Ela está melhorando muito”, comemora.
    A empresária Deolinda da Rocha Rodrigues, de 49 anos, também conseguiu autorização de uso pessoal para importar o remédio para a filha de 23 anos, que sofre convulsões de difícil controle há 20 anos. Desde que o remédio passou a ser administrado, há menos de um mês, a jovem não teve mais consulsões: “Minha filha não conseguia ir ao banheiro sozinha.” Ela chegava a ter de 30 a 50 crises convulsivas por dia. “Ela é especial, estava chateada e se sentia prisioneira.”
    Durante os 20 anos com tratamentos convencionais, ela conta que a filha sofria com queda de cabelo, perda de apetite, enjoo e outros efeitos colaterais. “Quando as pessoas ouvem que é derivado da maconha, elas se assustam, mas quando você explica, elas entendem. O importante é explicar”, argumenta ela, que defende que o governo federal custeie a importação do canabidiol, enquanto não regulamenta a produção em território nacional.
    No Senado, a Comissão de Direitos Humanos está fazendo uma rodada de audiências públicas para avaliar a legalização da maconha no Brasil. (Com informações da Agência Brasil/EBC)

  • Rafuagi leva o Hip Hop ao museu

    Um ciclo de cultura hip hop marca os dez anos do grupo Rafuagi, no Museu de Comunicação José Hipólito da Costa. A exposição começa nesta segunda-feira (29/9) com um coquetel aberto ao público e um pocket show do Rafuagi e Ana Lonardi, às 19h.
    A exposição conta a história do Rafuagi, que completou dez anos de carreira em 2014, por meio de fotos, recortes de jornais, painéis, vídeos, roupas, troféus e outros objetos importantes para o grupo. Ainda estão previstas palestras, debates e pocket shows com artistas parceiros do Rafuagi, como Carlinhos Carneiro, Ana Lonardi e Frank Jorge, entre outros, além de abrir espaço para novos talentos no palco livre.
    “Nosso objetivo é ocupar espaços atípicos para a cultura Hip Hop. Queremos fomentar o interesse da juventude na visitação a museus e espaços culturais, além de mostrar um pouco da nossa história, que se confunde com a história do Hip Hop de todo o Rio Grande do Sul, pois dez anos representa uma geração”, afirma Rafa, um dos rappers.
    PROGRAMAÇÃO
    29/09 – Coquetel de lançamento. Show com Rafuagi e Ana Lonardi (19h às 21h)
    30/09 – Palestra com Jean Andrade (Alvo Cultural) – (9h às 10h) – Palestra com White Jay (14h às 15h). Show com Zilla Sonoro e Dick Jay + Palco Livre (19h às 21h)
    01/10 – Palestra com Rafuagi (9h às 10h) – Palestra com Rafuagi (14h às 15h). Show com Rafuagi e Preserve Reggae (19h às 21h)
    02/10 – Visitação durante o dia. Show com Rafuagi e Frank Jorge (19h às 21h)
    03/10 – Espaço aberto para visitação ao dia. Show surpresa + Palco Livre (19h às 21h)
    04/10 – Visitação durante o dia. Show com Rafuagi e Hot Players Crew (19h às 21h)
    05/10 – (Museu Fechado – Eleição)
    06/10 – Visitação durante o dia. Palco Livre (19h às 21h)
    07/10 – Visitação durante o dia. Palestra com Dj Cabeção (Fat Duo) (14h às 15h). Show com Rafuagi e Carlinhos Carneiro (19h às 21h)
    Formado por Rafa, Ricky e DJ Croko, o Rafuagi é hoje uma referência em hip hop no Rio Grande do Sul – sendo um dos grupos independentes que está há mais tempo em atuação. Atualmente, o trio vem apresentando shows para a divulgação do novo álbum, Parte do Ciclo, que celebra os dez anos de carreira do Rafuagi e foi lançado em setembro, em Porto Alegre. Antes disso, os rappers realizaram uma turnê de shows e atividades no Uruguai e Colômbia, São Paulo, Distrito Federal, Goiás e interior do Rio Grande do Sul.
    O álbum tem 12 composições, com participações de diversos artistas, como Daniel Drexler, Emicida, MV Bill, RAPadura Xique Chico, Zilla Sonoro, Narrador Kanhanga, Dj Madruga e Dj RM. Além do cuidado com o conteúdo das letras, que retratam temas de relevância social, associando questões sobre direitos humanos e cultura urbana, a sonoridade única e original é um dos destaques do trabalho.
    O primeiro disco dos rappers, Esse é o Meu Lugar, com 15 faixas e que teve participações especiais de Rappin Hood, Nitro Di, SNJ e Lica Tito, foi lançado em 2012 e conquistou o prêmio Rap Longa Vida do Rap Gaúcho, na categoria Melhor Disco, além de receber indicação para o Prêmio Açorianos. Em 2012, o grupo estreitou os contatos com o grupo colombiano YBNT. Juntos, gravaram a faixa Ponto de Vista, lançada na Colômbia no novo disco do YNBT. Já em 2013, Rafuagi aprofundou sua experiência em terras sul-americanas: durante uma semana, o grupo esteve em Montevideo, onde participou do Break Dance Montevideo, um dos maiores eventos de rap no país vizinho.
    LINKS:
    www.rafuagi.com.br
    http://www.youtube.com/rafuagirap
    http://www.twitter.com/rafuagibrasil
    http://www.facebook.com/rafuagi.brasil
    http://soundcloud.com/rafuagi
     
     

  • Mafalda faz 50 anos. Quino, 81, recebe as homenagens

    Monica Yanakiew*
    Nos anos de 1960, uma garotinha de classe média de Buenos Aires, indignada com as notícias de violência e guerras, gritou: “Parem o mundo, que eu quero descer”. Essa e muitas outras frases de Mafalda – principal personagem de quadrinhos do cartunista argentino Quino – deram a volta ao mundo, foram traduzidas em vinte línguas e continuam atuais. É por isso que, nesta segunda-feira (29), velhos e novos fãs da menina inconformista, que vivia questionando políticos, economistas e adultos em geral, vão comemorar seu cinquentenário.
    Ao longo de todo o ano, Mafalda e seu criador, Quino, foram homenageados na Espanha, na França e em países da América Latina. Mas a festa de aniversario oficial ocorre amanhã (29) em San Telmo – bairro de Buenos Aires, onde a menina rebelde teria nascido no dia 29 de setembro de 1964. Nessa data, ela apareceu pela primeira vez, em uma tira em quadrinhos da revista argentina Primeira Plana.
    Mafalda ja tem uma estátua em San Telmo mas, aos 50 anos, não estará mais sozinha: vai festejar o aniversario com dois amiguinhos, a fofoqueira Susanita (que so pensa em casar com um bom partido e ter filhos) e o materialista Manolito (cujo sonho é ter uma enorme rede de supermercados), que também vão ganhar estátuas nesta segunda-feira.
    Baixinha, de cabelos curtos adornados por um enorme laço, Mafalda nasceu com seis anos e – apesar de ter sobrevivido menos de uma década (Quino decidiu parar de desenhá-la em 1973, três anos antes do último golpe militar argentino) – ganhou fama internacional. O escritor e sociólogo italiano Umberto Eco, autor de O Nome da Rosa, chegou a batizá-la de “heroína enraivecida”.
    Mafalda comentava os acontecimentos da época: eram tempos de Guerra Fria e ditaduras na América Latina. Mas suas frases, criticando a injustiça social, a destruição do meio ambiente e a falta de sensibilidade dos governantes, parecem ter sido ditas ontem. É o caso da tirinha em que pergunta o que há de errado com a “família humana” e que “todos querem ser o pai”.
    Aos 81 anos, o próprio Quino manifesta sua surpresa com a personagem que ganhou vida própria. Em entrevista em abril passado, na inauguração da Feira do Livro em Buenos Aires, ele disse: “Fico surpresa quando vejo como temas que abordei há 50 anos permanecem atuais. Ate parece que desenhei a tira hoje. Deve ser porque o mundo continua cometendo os mesmos erros”.
    *Correspondente da Agência Brasil/EBC

  • Um novo Brasil no "País Chamado Favela"

    No turbilhão das campanhas eleitorais no país, um novo Brasil foi apresentado aos brasileiros na semana que passou, com o lançamento do livro Um País Chamado Favela, de autoria do publicitário Renato Meirelles e do empreendedor social Celso Athayde (Ed. Gente).
    Athayde, carioca, é fundador da Central Única das Favelas – CUFA, instituição reconhecida pelo trabalho com jovens de periferias de mais de 300 cidades e 17 países; autor de três livros com grandes tiragens – “Falcão – Menino do Tráfico”, “Mulheres e o Tráfico” e “Cabeça de Porco” e, hoje, diretor executivo da Favela Holding Participações, um grupo de empresas que investe em negócios para desenvolver as comunidades carentes.
    Considerado um dos maiores empreendedores sociais do país, Celso lançou recentemente o conceito do “Setor F”, que reflete sobre a economia da favela como uma revolução social. “O modelo social adequado não é aquele que todos são ricos, mas que todos têm oportunidades”, analisa.
    Meirelles, diretor do Instituto Data Favela, instituição referência em pesquisas das classes C, D e E. Considerado um dos maiores especialistas em mercados emergentes do Brasil, foi colaborador do livro “Varejo para Baixa Renda”, publicado pela Fundação Getúlio Vargas, e conduziu mais de 300 estudos sobre o comportamento do consumidor tendo atendido empresas como P&G, Febraban, TAM, C&A, Vivo, Caixa, SEBRAE e Ambev.
    Em setembro do ano passado, o publicitário coordenou a maior pesquisa já feita sobre as favelas brasileiras, que incluem também bairros de periferia. Sua equipe percorreu 63 favelas e entrevistou dois mil moradores para mapear a visão de mundo e os padrões de consumo destes milhões de brasileiros que, agrupados, formariam o quinto maior estado brasileiro, maior que a população do Rio Grande do Sul. O resultado revela outros números impressionantes, e desconhecidos sobre “uma nova classe média brasileira”.

    O livro/Edissa Waldow/FamecosPUCRS
    Livro traz dados da pesquisa/Edissa Waldow/FamecosPUCRS

    Os dados foram apresentados de forma resumida no dia 22 de setembro na PUC de Porto Alegre, durante a realização do SET Universitário que a Faculdade de Comunicação Social (Famecos) realiza todos os anos. Já está na 27ª edição.
    Os autores foram os palestrantes da abertura do SET com o tema Que Brasil é esse que construímos? Tiveram a companhia de Eduardo Lyra, 26 anos, cujo depoimento ilustrou a revolução social que ocorre nas favelas. Filho de um ex-drogado e ex-criminoso, Lyra não se deixou levar pelo ambiente ruim que o cercava desde o nascimento, tomou como exemplo de vida as lições de sua mãe, tornou-se jornalista e escritor, autor de Jovens Falcões. Fundou o Instituto Gerando Falcões e por meio do hip hop, dança de rua, teatro e literatura, já tocou a vida de mais de 200 mil jovens de comunidades. Se não bastasse, foi eleito pelo Fórum Econômico Mundial, um dos 15 jovens brasileiros que pode melhorar o mundo e saiu na lista da revista Forbes Brasil como um dos 30 jovens mais influentes do País, sendo o único de periferia.
    Palestrantes /Edissa Waldow/FamecosPUCRS
    Palestrantes na abertura do SET/Edissa Waldow/FamecosPUCRS

    Meirelles apresentou a nova classe média brasileira, mais rica que 54% da população mundial. Disse que o Brasil mudou muito nos últimos dez anos, sendo que a renda dos 25% mais ricos cresceu 12,8%, enquanto a renda dos 25% mais pobres cresceu 44%. A estrutura do país passou da pirâmide social para um losango social, com mais gente nas classes C, D e E, a nova classe média. Isso significou uma enorme transformação no perfil do consumidor e no mercado de comunicação.
    “O controle da inflação e o crescimento dos empregos formais no país deram origem à nova classe média, ou classe C, que tem renda de R$ 320 a R$ 1.120 por pessoa da família”, afirmou.
    Outra questão interessante levantada pelo publicitário é que as classes ricas A e B, que representam 5% da população com renda de R$ 10 mil, não se reconhecem como ricas. Se veem como classe média e, por isso, se sentem incomodadas quando percebem a ascensão das classes C, D e E.
    Ele ressalta que a mobilidade de classes econômicas no Brasil aconteceu de baixo para cima. “Hoje, 44% das classes A e B representam a primeira geração com dinheiro da família. Os avós e os pais não tinham uma boa renda, mas ele tem. São milhões de brasileiros que têm o modo de pensar da classe C e o bolso da classe A”, disse.
    Athayde e Meirelles, atualizam as informações a respeito deste universo gigantesco / Foto Divulgação
    Athayde e Meirelles, os autores / Foto Divulgação

    “Renda dos moradores das favelas brasileiras é de R$ 64,5 bilhões, quase o consumo do Paraguai e Bolívia, juntos”
    Nesse contexto, segundo Meirelles, os territórios que eram completamente invisíveis ganharam força. “As favelas, locais de exclusão, de ocupações, são os consumidores antes invisíveis que agora tem poder de compra. Nas favelas, 53% das pessoas já passaram fome. Mas o quadro está mudando. O Brasil tem 14 milhões de pessoas morando em favelas. Se existisse um estado da federação chamado Favela, seria o 5º maior do país. Há mais favelado do que pessoas morando aqui no Rio Grande do Sul. A renda anual desses moradores de favelas é de R$ 64,5 bilhões. Essa renda é quase o consumo total do Paraguai e Bolívia. E, acreditem, ainda é invisível para muitas empresas, inclusive veículos de comunicação. As empresas não sabem se aproximar desse novo consumidor”, revelou.
    A expectativa é de que a favela continue melhorando porque a vontade de empreender lá dentro é muito grande, segundo o publicitário. “Nas favelas, 28% dos moradores têm intenção de um dia abrir seu próprio negócio, 81% gostam de viver na favela onde estão, 62% declaram ter orgulho de pertencer à comunidade onde moram e 2/3 não gostariam de mudar para outro bairro, sendo que apenas 16% acham que a favela onde moram vai ficar mais violenta e 76% acreditam ela vá melhorar”, completa.
    Cleber Dioni Tentardini