Categoria: Geral

  • Entidades debatem Plano Diretor neste sábado

    O Coletivo A Cidade Que Queremos promove neste sábado um debate com o tema: “A Cidade Mercadoria ou a Cidade de Direitos?” O evento discute o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Ambiental (PDDUA) e o Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano Ambiental (CMDUA) de Porto Alegre.
    Atualmente, Porto Alegre discute uma nova revisão do Plano Diretor. O Estatuto das Cidades determina que o plano diretor seja revisto a cada dez anos. O de Porto Alegre, de 1999 (Lei Complementar 434/1999), foi revisto em 2010. Criado em 1999, o plano foi alterado em 2000. Em março deste ano, foram realizadas audiências na Câmara Municipal.
    A atividade ocorre das 13h30 e 18h, no SIMPA (Rua João Alfredo, 61 – Cidade Baixa).
    Programação:
    13h30 – Abertura
    13h45 – Mesa
    – A cidade mercadoria ou a cidade de direitos?
    – Por que o Plano Diretor?
    – Por que o CMDUA?
    15h – Intervalo
    15h15 – Debates e propostas
    18h – Encerramento

  • Coleções do Museu de Ciências Naturais são referências no país e no exterior

    Cleber Dioni Tentardin
    As coleções científicas do JB e do MCN são consideradas pelos especialistas o maior acervo de material-testemunho da biodiversidade dos ecossistemas terrestres e aquáticos do RS. A coleção de insetos, por exemplo, é considerada a melhor do Estado, com cerca de 400 mil exemplares, e está entre as cinco melhores do Brasil, no que diz respeito à conservação e organização.
    São elas: Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém; Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, em Manaus – INPA, ambas vinculadas ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação; Museu Nacional, que pertence à Universidade Federal do Rio de Janeiro; Museu de Zoologia da USP e Museu de Ciências Naturais, da Fundação Zoobotânica do RS. Estas duas últimas são instituições estaduais.
    “As coleções se equivalem pela essência, mas, claro, tem algumas muito antigas, do século 19, como do Museu Nacional (1818), do Goeldi (1861) e da USP, antigo Museu Paulista (1890)”, explica o biólogo Luciano Moura, do Museu de Ciências Naturais.
    Luciano é especialista em besouros e divide as atividades com as biólogas Hilda Gastal e Aline Barcellos Prates dos Santos. Os três são curadores da coleção de insetos, cada um responsável por determinados grupos. Ambos respondem pelo Setor de Entomologia, da Seção de Zoologia de Invertebrados do MCN/FZB. Aline e Luciano são taxonomistas, com conhecimento para identificar e descrever novas espécies.

    Os pesquisadores e curadores da coleção de insetos acompanham Buckup em visita ao Museu/Cleber Dioni

    Hilda trabalha com biomonitoramento, avalia a qualidade de ambientes aquáticos com base nos insetos encontrados. E, seguidamente, participa de feiras de ciências e exposições do museu nas escolas, nas praças e parques.
    “Precisamos repassar todo este conhecimento, e não só às crianças, mas aos adultos, que também ficam maravilhados com tudo. Isso fortalece a conscientização ambiental. As pessoas acham, por exemplo, que o louva-deus é venenoso, o que não é verdade, mas acabam matando o animal por desinformação. Confundem cigarra com libélula ou inseto com aquelas listras parecidas com o barbeiro, mas que não causa danos”, explica Hilda, uma das mais antigas da Zoobotânica, com 42 anos de serviço.
    Aline é especialista no grupo de insetos chamados de hemípteros, os populares percevejos, fede-fedes, cigarras e barbeiros. Ela ressalta que nenhum museu do mundo conta com especialistas de todos os grupos porque a diversidade é muito grande, sendo que o dos insetos é o maior grupo animal que existe.
    Espécie de percevejo

    Por isso remetermos material para ser identificado fora do Brasil ou aproveitar o conhecimento de especialistas estrangeiros que visitam a coleção do MCN. Esse intercâmbio é permanente”, completa a pesquisadora.
    Aline reitera que o interesse dos estrangeiros em conhecer a coleção de insetos no museu é importante não só pela troca de conhecimento como também pela visibilidade da Fundação.
    “Quando os trabalhos são publicados nas revistas científicas, o nome do museu e da Zoobotânica vão estar elencados entre o material examinado, aí a importância de uma coleção. Brecar esse intercâmbio, é retroceder na busca de maior conhecimento da nossa biodiversidade”, adverte. “E o pior é que, além de toda essa fonte de informação ficar inacessível para a comunidade científica, a coleção torna-se obsoleta”, completa.
    Arlequim-da-mata, espécie de besouro

    Luciano ressalta que o Rio Grande do Sul tem particularidades que atraem muitos pesquisadores de outros estados e países. “É o estado mais meridional do Brasil, com uma diversidade de ambientes, formações vegetais, num espaço relativamente pequeno, o único estado com o bioma Pampa, a região do Espinilho, na Barra do Quaraí, é a única formação savana no Estado, sem falar no clima que é bem diferente. Então, há espécies que só ocorrem aqui”, destaca.
    Espécie de besouro Megasoma actaeon, machos (maiores) e fêmeas

    Coleção de insetos

    Do ponto de vista da infraestrutura, o Museu de Ciências Naturais é uma referência no Brasil, segundo Aline. “Nós temos a melhor estrutura no Estado para abrigarmos coleções, tanto que boa parte dos professores da UFRGS deposita material de estudo no museu”, diz orgulhosa.
    Ela lembra que há dois anos receberam uma coleção de insetos de interesse agrícola, do antigo Instituto Borges de Medeiros, que estava na Faculdade de Agronomia. “Essa coleção está sendo recuperada, estamos retirando fungos dos insetos”, afirma.
     
    Borboletas papilionídeas da Coleção Mabilde, tombada pelo IPHAN

    A pesquisadora entende que as coleções acabam por ser prejudicadas pela falta de cargo de curador na universidade federal. E, entre dar aulas e realizar pesquisas, os professores talvez nem tivessem tempo”.
    Dois técnicos dividem as atividades de manutenção da coleção de insetos (controle dos desumidificadores, limpeza de exemplares, confecção de etiquetas, elaboração de planilhas de controle, organização dos laboratórios). Tomaz Aguzzoli, biólogo e técnico agrícola, atende também ao setor das aranhas, escorpiões, ácaros), e a bióloga Caroline Silva, que trabalha com toda a seção da Zoologia de Invertebrados.
    Os estudantes também ajudam na conservação das coleções, durante os estágios. Há dois alunos da Biologia da Unilasalle que possuem bolsas de iniciação científica do PIBIC-CNPq, e uma de mestrado, orientada por Aline, na UFRGS.
    Retorno institucional
    Luciano toca num ponto que comumente é cobrado dos pesquisadores, principalmente os taxonomistas: “Os gestores nos consideram individualistas, reclamam que não damos retorno institucional, mas eles não se dão conta que contribuímos não só com a nossa pesquisa, quando a Fepam exige um laudo técnico da Zoobotânica para o licenciamento ambiental, mas com a infraestrutura, como os equipamentos ópticos adquiridos, que poderá ser aproveitada por gerações”, afirma.
    Aline cita os projetos viabilizados pelo CNPq: “Reunimos pesquisadores de invertebrados, especialistas em moluscos, aranhas e insetos, fizemos em 2004 o projeto na Mata Atlântica, em Maquiné, um estudo de invertebrados em copas de árvores, e outro, em 2008, naquelas áreas de arenização do Pampa, em São Francisco de Assis.”
    Variação de cores de besouros da Família Chrysomelidae

    A pesquisadora ressalta ainda a demanda de trabalhos de pesquisa da SEMA e Fepam, que chegam até a Fundação Zoobotânica, e o apoio que seguidamente o seu setor presta ao Centro de Informações Toxicológicas, sobre os mais variados insetos.
    “E tem pessoas que vêm aqui nos trazer insetos porque ficaram assustadas ao encontrar dentro de casa, no berço do filho, então a gente também dá esse retorno imediato”, diz Aline.
    Uma vida dedicada à Zoobotânica
    Hilda Gastal é uma das funcionárias mais antigas na FZB. É pesquisadora há 42 anos. Ingressou em 1975. Era estagiária em 1969 na entomologia, com as professoras Jocélia Grazia e Miriam Becker. O museu era na avenida Mauá, esquina da Carlos Chagas, onde funcionava também a Fepam. Dali, mudou para o prédio da antiga Mesbla e, da Mesbla, o museu foi transferido para o Jardim Botânico.
    Hilda mostra exemplares usados em feiras escolares e em parques/Cleber Dioni

    Fez mestrado na Universidade Federal do Paraná, em Curitiba. Estudou uma mosca que parasita o percevejo que, por sua vez, era a praga das plantações de couve. A mosca depositava o ovo em cima do percevejo e a forma jovem se desenvolvia dentro para se alimentar.
    Ao retornar ao Rio Grande, Hilda foi contratada pela Fundação Zoobotânica. Entre seus trabalhos, destaca os estudos realizados na Braskem, na época Copesul, onde fez o biomonitoramento de invertebrados aquáticos no Rio Caí e no Arroio Bom Jardim, que recebe efluentes do Polo Petroquímico.
    “Meu primeiro e único emprego, uma vida inteira dedicada. Como vou pra casa sabendo que querem acabar com a Fundação, me dá uma tristeza só de pensar nisso”, diz, com lágrimas nos olhos.
    “O primeiro dia aqui foi o mais feliz da minha vida”
    Aline completou neste mês de julho 15 anos de Zoobotânica. Ingressou via concurso em 2002 e, hoje, concilia as pesquisas no museu com aulas do curso de pós-graduação em Biologia, na Universidade Federal.
    Aline identifica novas espécies de percevejos/Cleber Dioni

    Teve como orientadora durante toda sua formação a professora Jocélia Grazia, do Departamento de Zoologia da Ufrgs, e servidora do Museu, hoje aposentada. Jocélia, por sua vez, foi discípula do professor Ludwig Buckup, pioneiro da coleção de entomologia e um dos fundadores do MCN.
    Aline ingressou em 1982 na Ufrgs, mas mestrado e doutorado concluiu na Universidade Federal do Paraná, que possui curso específico de pós em entomologia. De volta à capital gaúcha, trabalhou na Ong UPAN – União Protetora do Ambiente Natural, de São Leopoldo, como professora substituta na Ufgrs e, em projetos, contratada por uma empresa terceirizada, quando teve a oportunidade de atuar no programa do Pró-Guaíba, de 1998 a 2000. Aí foi aprovada nos concursos da Fepam e FZB em 2001, sendo chamada no ano seguinte.
    “Eu posso dizer que o primeiro dia em que subi a lomba do Jardim Botânico, como funcionária concursada, foi o dia mais feliz da minha vida. Porque eu já havia sido chamada para assumir na Fepam, mas não consegui ficar tão feliz como eu imaginava que iria estar na Zoobotânica”, revela. E completa: Temos que achar uma saída para preservar todo este conhecimento acumulado aqui. Ainda mantemos a chama acesa principalmente porque amamos o que fazemos e pelas gerações de estudantes que ainda poderão passar por esta instituição, que tem profissionais dentre os mais preparados no país, assim como as coleções estão entre as melhores.”
    Único no Estado habilitado a descrever espécies de besouro
    Luciano trabalha com os besouros, que integram a ordem Coleóptera, simplesmente a que possui maior número de espécies dentre todos os seres vivos — cerca de 400 mil. E detalhe: no estado, ele é o único especialista com conhecimento suficiente para descrever espécies novas.
    Luciano mostra que a produção científica inclui desenhos fiés das espécies

     
    Besouro Macrodontia cervicornis

    Apesar de ser o funcionário concursado mais novo dentre os colegas do seu setor – ingressou em 2014 -, há mais de trinta anos desenvolve estudos na Fundação Zoobotânica, primeiro como aluno/bolsista de Iniciação Científica, depois nas pesquisas para os cursos de mestrado na PUCRS e doutorado na Ufrgs. A maior parte de sua formação profissional foi dada pela professora Maria Helena Galileo, que também era pesquisadora da FZB.
    “Eu nem imaginava que iria trabalhar com besouros, na verdade, nem pensava em ser biólogo, na minha adolescência eu só queria saber de aviação, mas hoje estou aqui graças aos professores e pesquisadores da Zoobotânica e espero poder ajudar na formação de muitos outros estudantes”, conclui.

  • Zoobotânica é guardiã da biodiversidade gaúcha, diz professor Buckup

    Cleber Dioni Tentardini
    Ludwig Buckup, cientista e professor, é um dos idealizadores do então Museu Rio-grandense de Ciências Naturais, a partir de 1955, ao lado do padre jesuíta Balduíno Rambo e do professor Thales de Lema. A Fundação Zoobotânica, a qual está vinculada hoje, só foi criada em 1972.
    Iniciou as pesquisas com insetos, passando mais tarde a estudar os crustáceos. Dedicou mais de meio século às pesquisas no Museu e às aulas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Agora, diante da ameaça de fechamento da FZB, tem visitado com mais frequência as coleções que ajudou a enriquecer.
    Na quarta-feira, dia 20, acompanhado dos pesquisadores do setor de entomologia do museu, foi surpreendido ao mostrarem- lhe um livro com os apontamentos de Adolfo Pompilio Mabilde, contendo desenhos e a descrição fiel de centenas de borboletas, a maioria coletada no século 19.
    “Onde encontraram esse livro”, indagou, impressionado, aos três biólogos e curadores da coleção de insetos, Hilda, Aline e Luciano.

    Buckup com o livro de Adolfo Mabilde /Cleber Dioni

    Mabilde, da família proprietária de estaleiros em Porto Alegre, deixou junto com o livro 3.458 exemplares de insetos sob a guarda do Museu Júlio de Castilhos, e que hoje, tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), integram a coleção do MCN.
    Borboletas do século 19, da coleção Mabilde

    Ao folhar a publicação, Buckup observou a importância científica daquela coleção de borboletas, de mais de cem anos, e que pode estar condenada ao esquecimento e ao mofo, diante da possibilidade de demissão dos especialistas e fechamento da Fundação Zoobotânica.
    “Além da segurança institucional para todo patrimônio das instituições vinculadas a ela, a Fundação é um ambiente de alta produção intelectual, de técnicos e pesquisadores que passam 20, 25 anos de dedicação acadêmica até se tornarem verdadeiros especialistas. Sem eles, não há o que fazer com as coleções. Dou como exemplo as professoras Miriam Becker e Jocélia Grazia, que passaram pela FZB e orientaram gerações e, sem dúvida, estão entre as cinco maiores especialistas em hemípteros (percevejos) do mundo”, avalia.
    Aline, com Buckup, foi aluna de Jocélia Grazia e, hoje, orienta na Ufrgs/Cleber Dioni

    A professora Jocélia Grazia iniciou como pesquisadora do Museu em 1966. Descreveu cerca de 180 espécies, sendo que grande parte, depositada no acervo do Museu, é usada como modelo para identificar novas espécies (material-tipo).
    “Encerrar as atividades de pesquisa e curadoria da coleção entomológica, com a demissão dos especialistas, representa uma grande perda de patrimônio inestimável”, lamenta. “Paradoxalmente, enquanto o RS planeja enfraquecer as pesquisas científicas, o estado do Paraná recebe com simpatia a proposta apresentada pela UFPR de criação do maior museu de História Natural do país”, conclui.
    Buckup confere espécies sob curadoria de Luciano/ Cleber Dioni

    Coleção de insetos foi pioneira
    Logo que foi criado o Museu Rio-grandense de Ciências Naturais, Buckup doou sua coleção particular de insetos à instituição. Depois, foi autorizado pelo historiador Dante de Laytano a recolher o material zoológico do Museu Júlio de Castilhos.
    “Começa aí a formação patrimonial do museu sobre a diversidade biológica do Rio Grande do Sul, que comporta um significado ecológico”, salienta.
    Em entrevista publicada no jornal JÁ, em 9 de março deste ano, para a série especial Patrimônio Ameaçado (https://www.jornalja.com.br/extincao-da-zoobotanica-e-vinganca-de-ana-pellini-diz-professor-buckup/), Buckup conta em detalhes como surgiu o museu, a partir da iniciativa do então secretário de Educação e Cultura do governo do general Ernesto Dornelles, José Mariano de Freitas Beck.
    Ele era auxiliar do padre Rambo na diretoria de Ciências, e sugeriu que fosse criado um museu para reunir um acervo biológico a fim de realizar pesquisas.
    Hilda tem se dedicado ao biomonitoramento e educação ambiental

    Por volta de 1966, Miriam Becker e Jocélia Grazia começaram as pesquisas no setor de entomologia do museu. Buckup passou a estudar os crustáceos, por não haver, até então, no museu, especialistas no assunto. Em 1976, a coleção de insetos passou para a responsabilidade de Hilda Gastal e Maria Elisabeth Souza. A partir daí, foram adquiridas várias coleções.

  • Lanceiros Negros recorre aos Direitos Humanos Internacional para evitar despejo

    Felipe Uhr
    A ordem de reintegração de posse já foi dada pela justiça desde o início da semana. A qualquer momento as mais de cem famílias e pessoas que formam a Ocupação Lanceiros Negros Vivem, que ocupam desde o dia 4 de julho, o antigo hotel Açores, localizado na rua dos Andradas, 885, podem ser novamente despejadas.
    Na tentativa de evitar que isso ocorra, o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) enviou, na noite do dia 20, uma petição de solicitação de medida cautelar contra novo despejo, para a Organização dos Estados Americanos, especificamente à Comissão Interamericana de Direitos Humanos.
    No documento, o movimento denuncia a ineficiência do estado brasileiro quanto ao problema de déficit habitacional vivido no país e que traz como consequência a violação do direito à vida e à integridade física, justifica o MLB.
    A petição denuncia também a reintegração de posse realizada no dia 14 de junho na qual o movimento afirma: foram realizadas prisões arbitrárias, torturas físicas e psicológicas, além do encaminhamento das famílias para um ginásio, do qual foram despejadas novamente 24 horas depois.
    O recurso é mais um que tenta barrar a reintegração de posse aos moldes da anterior. Segundo a advogada Elisa Torelly, que compõe Assessoria Jurídica da Ocupação, a forma como se deu o último despejo viola os direitos humanos e uma série de acordos internacionais no qual o Brasil faz parte.
    Reuniões de acordo foram improdutivas
    Desde que a Lanceiros Negros ocupou em 2015, o prédio do Governo, abandonado há mais de dez anos algumas reuniões do Cejusc, Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania, foram realizadas para tentar resolver o problemas.
    A Defensora Pública, Luciana Schneider, representando a Defensoria Pública, participou de todas as reuniões e contou o impasse: “foram improdutivas”. Segundo ela, o Governo Estadual nunca apresentou uma proposta de habitação para as famílias  e somente queria saber ou dar o prazo para que as famílias saíssem voluntariamente.
    Por outro lado o MLB apresentou uma proposta, sugerindo que o prédio abandonado virasse uma casa de acolhimento e de estadia temporária para as pessoas que não tem onde morar.
    “Não há política pública de habitação. O executivo não cumpre a Constituição nem o Estatuto das Cidades” criticou umas representantes do MLB, Nãna Sanches. A militante também lembrou que uma reunião com a Juíza Fernanda Ajnhom, foi pedida pelo grupo de advogados o que foi negado, ainda antes da decisão.
    Se não for despejado esta noite, a Ocupação Lanceiros Negros realizará neste sábado dia 21 sua festa Julina. Além da confraternização, a ocupação está aceitando doações de alimentos, roupas e cobertores.
     
     

  • Pato da Fiesp volta à rua, depois que aumento de impostos estava em vigor

    Um dia depois do aumento de impostos sobre os combustíveis, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) voltou a inflar o pato amarelo que marcou as manifestações pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff.
    O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, disse estar “indignado” com o aumento das alíquotas do PIS e da Cofins e destacou que o aumento de impostos amplia a crise no momento em que a economia começa a emitir sinais de recuperação.
    O mote da Fiesp, “Não vou pagar o pato”, em alusão ao aumento dos tributos para cobrir o déficit nas contas públicas, permanece o mesmo dos protestos anteriores. “Aumento de imposto recai sobre a sociedade, que já está sufocada, com 14 milhões de desempregados, falta de crédito e sem condições gerais de consumo”, disse Skaf em nota.
    “Somos contra o aumento de impostos porque acreditamos que isso é prejudicial para o conjunto da sociedade. Não cansaremos de repetir: Chega de Pagar o Pato. Diga não ao aumento de impostos! Ontem, hoje e sempre”, completou.
    Skaf é do PMDB e apóia Temer e seu pato só saiu à rua depois da cobrança nas redes sociais.
     

  • Fepam emite primeira licença do Programa Gaúcho de Incentivo às Pequenas Centrais Hidrelétricas

    Sete dias após o lançamento do Programa Gaúcho de Incentivo às Pequenas Centrais Hidrelétricas, a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) emitiu a primeira licença para um dos 91 projetos passíveis de licenciamento ambiental para a geração de energia hídrica no Rio Grande do Sul.
    Trata-se do licenciamento prévio de uma CGH localizada no município de Santo Augusto. O empreendimento terá capacidade de gerar 1,8 MW de energia elétrica. O projeto será implantado no Rio Turvo, na Bacia do Rio Uruguai, com a construção de uma barragem de três metros de altura, resultando num reservatório de aproximadamente dez hectares.
    Para dar efetividade ao empreendimento, a empresa deve solicitar a Licença de Instalação mediante apresentação do projeto detalhado e dos programas ambientais a serem implantados para mitigação dos impactos.
    A partir do lançamento do Programa houve uma reorganização interna em que os Balcões Unificados Sema/Fepam de Santa Rosa e Passo Fundo passaram a atuar nos processos de licenciamento de geração de energia hídrica a fim de atender as demandas.
    Há uma semana, o governo do Estado lançou o Programa que, segundo a Fepam, tem potencial para gerar de R$ 3 bilhões de investimentos e geração de 480 MW de energia elétrica.
    Para viabilizar os empreendimentos, a Fepam emitiu portaria com novos critérios e diretrizes para licenciamento, ato que é criticado por entidades ambientalistas, indicando estudos ambientais e procedimentos para obtenção da licença ambiental. Foi também anunciada a adequação dos portes dos empreendimentos e ajustes no valor do ressarcimento de custos do processo que podem chegar a 70% de desconto nas taxas.

  • Mil novos brigadianos entram em serviço compensando aposentadorias

    Segundo a Brigada Militar, 1018 novos soldados estarão nas ruas em todo o Estado, a partir da próxima segunda-feira.
    Apresentado como “reforço ao policiamento ostensivo”, o novo contingente, na verdade, vai preencher as vagas abertas com as aposentadorias este ano.
    Mais de mil aposentadorias já estão requeridas desde abril. Outras mil estão previstas até o fim do ano.
    Atualmente, são cerca de 20 mil policiais militares no RS, quando o mínimo necessário seria de 37 mil, conforme o Comando da BM.
    Em 2015 e 2016, quase 4 mil PMs foram para a reserva.
    Cerca de 70% dos novos soldados que entram em serviço vão ficar em Porto Alegre e Metropolitana. O restante corresponderá ao 350 brigadianos que vieram do interior do Estado para reforçar a segurança na Capital retornarão para as cidades de origem até o fim do mês.
    O comandante da BM, Mário Ikeda garantiu a permanência dos militares da Força Nacional em Porto Alegre. “Não há nenhuma previsão de saída dos agentes”, disse ele.

     Luiz Chaves/Palácio Piratini
    Formação policial
    O Curso Básico de Formação Policial Militar (CBFPM) começou em novembro de 2016. Durante sete meses de treinamento, os futuros policiais militares cumpriram 1,6 mil horas/aula, distribuídas em 46 disciplinas.
    Entre elas, técnica policial-militar, uso de arma de fogo, decisão de tiro, abordagem policial e preenchimento de documentação operacional, e estágios operacionais.
    As aulas ocorreram em dois turnos, na Academia de Polícia Militar (APM), em Porto Alegre, e nas escolas de Formação e Especialização de Soldados (EsFES), em Montenegro e Osório, e também em espaço físico junto à Ulbra, em Canoas.
    Novo concurso
    A recomposição do efetivo da Brigada Militar só vai ser possível a partir do novo novo concurso, já anunciado por Sartori,  para contratação de mais 6,1 mil profissionais para atuar na Segurança Pública.
    O maior número é para a Brigada Militar, com 4,3 mil vagas, sendo 4,1 mil para o cargo de soldado e 200 para o quadro de oficiais da corporação.
     
  • Guerra do Rio já matou 90 soldados da PM este ano

    Fabiano de Brito e Silva de 35 anos é o 90º soldado da polícia militar assassinado no Rio de Janeiro. Ele foi morto a tiros na manhã desta sexta-feira, na Baixada Fluminense.
    Estava a caminho do trabalho, no 20º BPM (Mesquita), quando foi foi atacado por assaltantes na Rua Clara de Araújo, no bairro Vila Iracema, em Nova Iguaçu.
    O PM reagiu e foi baleado. Levado para o Hospital Geral de Nova Iguaçu, na Posse, não resistiu ao ferimento. Ele teve a arma — uma pistola Taurus — roubada.
    O crime ocorreu por volta das 6h.
    Testemunhas informaram à PM que os dois bandidos numa moto abordaram o soldado, que dirigia um Honda Fit. O PM tentou saltar do veículo e houve troca de tiros. Um dos criminosos, teria sido atingido, mas conseguiu fugir.
    No ano passado, em 12 meses foram mortos 66 soldados da polícia militar.

  • Apoio a Lula na Esquina Democrática reúne militância e centrais sindicais

    O segundo ato em defesa à Lula e contra o presidente Michel Temer reuniu praticamente o mesmo número de pessoas do primeiro manifesto realizado no dia 13 de julho.
    Foram registradas mil pessoas no ápice do evento que teve a circulação de pelo menos 2 mil pessoas segundo a organização do evento entre às 17h30 e 20h.
    O publico foi formado em sua maioria por militantes de PT e PCdoB, representantes de movimentos sociais e da juventude, MST (Movimento dos Sem Terra) e das centrais sindicais CUT (Central única dos Trabalhadores) e CTB (Central de trabalhadores do Brasil.
    A manifestação desta vez contou com um caminhão de som. Nele, representantes das instituições presentes se revezavam ao microfone. Outra diferença foram as músicas entoadas, acompanhadas de um violão, com direito a uma paródia da famosa marchinha de carnaval “doutor eu não me engano/meu coração é corinthiano” trocada pelo verso “Doutor., eu não me engano/o Sérgio Moro é juiz tucano”.
    Entre o público, também foi notável a maior presença de políticos do PT entre deputados e líderes do partido, como Olívio Dutra, Raul Pont, Mária do Rosário, Edegar Pretto entre outros.
    No palanque discursou somente o presidente estadual do partido, Pepe Vargas. “A interdição de Lula ao cenário político faz parte do golpe” bradou Pepe. Para ele há ilegalidades na condenação proferida pelo Juiz Sérgio Moro pois não houve falta de uma defesa ampla para Lula.
    Vargas ainda pediu quer as centrais sindicais e movimentos sociais e da juventude continuassem a mobilização em defesa de Lula e contra Temer.
    As reformas da previdência e trabalhista (esta já aprovada em Brasília) foram as principais críticas para quem ocupou o alto do som do caminhão. “Fora Temer” também era pronunciado a cada discurso.
    De longe a Brigada Militar acompanhou o ato. Seis viaturas da Brigada ficaram estacionadas na rua Jerônimo Coelho.Até o fechamento da matéria não havia sido registrado nenhum incidente.
    Atos semelhantes ocorreram em todas as capitais. Em São Paulo, o maior público registrado, teve 70 mil participantes segundo a organização.

  • Marco Aurélio Garcia começou na política como vereador em Porto Alegre

    A morte do professor Marco Aurélio Garcia, ex-assessor especial da Presidência da República, repercutiu entre líderes e políticos da esquerda brasileira.
    Atuante no Partido dos Trabalhadores desde a sua fundação, Garcia era professor aposentado do Departamento de História da Unicamp, com uma longa trajetória de intelectual ligado à esquerda.
    Estudou no Júlio de Castilhos, onde atuou no movimento estudantil. Formou-se pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul em filosofia e direito.
    Na década de 60, foi vice-presidente da União Nacional de Estudantes e vereador da cidade de Porto Alegre.
    Viveu nove anos (1970 a 1979) exilado no Chile e na França. Com a anistia, retornou ao Brasil e retomou a militância política. Foi dos fundadores do Partido dos Trabalhadores.
    Em 1990, Secretário de Relações Exteriores do PT, foi um dos organizadores do Fórum de São Paulo, oara reunir todos os grupos de esquerda na América Latina e no Caribe.
    Foi Secretário de Cultura em São Paulo e Campinas.
    Coordenou o programa de Lula para as eleições de 1994, 1998 e 2006. Ocupou o cargo de presidente interino do PT de 6 de outubro de 2006 a 2 de janeiro de 2007 e vice-presidente de outubro de 2005 a fevereiro de 2010.
    Em 2007, tornou-se um assessor especial em política externa do presidente Lula e continuou nesse cargo com a presidente Dilma. Em confidência a seu amigo Clóvis Rossi, da Folha de São Paulo, disse que tinha pouco a fazer e por isso “andava lendo muito”.
    Ele tinha 76 anos e foi vítima de um infarto nesta quinta-feira, 20.
    Marco Aurélio Garcia foi um importante líder na construção e execução da política externa brasileira durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foi um dos idealizadores dos BRICs e do fortalecimento das relações Sul-Sul.
    Em entrevista  recente, Marco Aurélio Garcia criticou a política externa do Brasil no governo de Michel Temer.
    “Nós jogamos fora a política sul-americana”, afirma. De acordo com ele, o mundo “não está vendo” o Brasil nesse momento.
    “Antes, éramos acusados de fazer política ideológica, mas nós fazíamos política com os governos da região. Agora, tanto o ministro José Serra quanto o Aloysio Nunes procuraram, sim, fazer uma política ideológica, mas uma política ideológica de direita, se associando com setores de oposição na maioria dos países, na Venezuela em particular, e com isso, perdendo a oportunidade de exercer uma função mediadora”, avalia.
    Garcia criticou ainda o que chamou de “paspalhada tremenda da carne”, que “num clique” destruiu o que foi trabalhado durante 13 ou 14 anos para se abrir e conquistar o mercado internacional nesse setor.
    “Isso arruinou o comércio internacional, vamos ter um prejuízo de 2 a 3 bilhões de dólares, que é mais ou menos o que foi feito em outras áreas, como das empreiteiras”, exemplificou, em referência à Operação Lava Jato.
    “Vamos ter claro o seguinte: ninguém está defendendo arbitrariedades cometidas por empresas privadas, têm que ser fiscalizadas, punidas. Mas tivemos aí uma ação espetacular, como têm sido todas as ações do governo, que se utiliza disso para lançar pó nos olhos da sociedade brasileira e impedir que ela acompanhe os verdadeiros problemas que o Brasil vem enfrentando”, conclui.
    A ex-presidente Dilma, que reduziu a influência de Marco Aurélio na política externa brasileira, emitiu uma nota:
    “Hoje é um dia de dor para todos nós, que compartilhamos com ele seus muitos sonhos, histórias e lutas. Era um amigo querido, de humor fino e contagiante, sempre generoso e cheio de ideias, dono de uma mente arguta e brilhante”.
    Nas redes sociais, vários parlamentares e líderes lamentaram a perda. Leia algumas manifestações:

      • Chico D´Angelo:

    A morte de Marco Aurélio Garcia é uma grande perda, ele foi essencial na construção da política externa de Lula.

              Elvino Bon Gass:

    PT perde um de seus quadros + qualificados. Prof Marco Aurélio Garcia, um dos mentores dos Brics, assessor especial de Lula.

    Maria do Rosário:

    A esquerda do mundo em luto. Um amigo dos povos, professor e articulador da atuação internacionalista, morre Marco Aurélio Garcia.

    Tarso Genro:

    Marco Aurélio Garcia, amigo fraterno, grande quadro da esquerda e militante histórico do PT. Ser humano excepcional. Dor e luto.

    Jorge Viana:
    “O professor Marco Aurélio era um intelectual e militante apaixonado pela política, um perseverante sonhador que lutou pela justiça social desde a juventude. Sempre foi uma referência dentro do PT e um gigante no campo das ideias. Um democrata respeitado em todo o mundo. Ele sempre foi um homem do diálogo, defensor intransigente de um mundo e um Brasil mais justo. Foi um privilégio ter convivido com ele. É muito triste para todos nós, do PT, esta quinta-feira. Lamento muito a sua morte.”
    Valter Pomar, que foi dirigente nacional do Partido dos Trabalhadores, também lamentou a perda:
    “O companheiro Marco Aurélio Garcia faleceu nesta manhã. Presidente nacional do PT e secretário de relações internacionais do PT. Secretário executivo do Foro de SP. Assessor especial de Lula e de Dilma na Presidência da República.
    Washington Quaquá, presidente do PT-RJ:
    “Lamentável! A esquerda e todos nós perdemos uma figura maior! Um daqueles que não nascem em linha de produção, porque é fruto do Velho artesanato humano é divino, pra quem acredita”.
    (Com informações do 247, G1, O Globo e Folha de São Paulo)