Categoria: Geral

  • Bancários paralisaram agências da Capital e Região Metropolitana 

    Os bancários de Porto Alegre e 15 municípios da Região Metropolitana paralisaram as atividades na greve geral desta sexta-feira. O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, explica um fenômeno que observou em conversas informais com comerciantes, colegas bancários e com clientes de bancos logo nas primeiras horas da manhã. “Os bancários, de novo, mostraram um nível muito elevado de consciência sobre os ataques do governo Temer aos direitos dos trabalhadores e que estão bem informados de que as Reformas da Previdência, Trabalhista e a terceirização representam a imposição de uma cultura de trabalho precário”, explicou Gimenis.
    O presidente do Sindicato disse que ainda não há um levantamento do número de agências fechadas na área de abrangência do Sindicato e que estes levantamentos em dia de greve geral são difíceis de fazer. “Quando somos nós que organizamos a greve, temos um acompanhamento diário do volume de participação com base nas agências que fecham. Numa greve geral, há outras variáveis que influenciam a participação dos bancários, como a adesão dos transportes coletivos, o que dificulta o deslocamento dos bancários para os seus locais de trabalho”, avaliou Gimenis.
    Ainda de madrugada, os bancários participaram de piquetes de esclarecimentos e de convencimento na Garagem da Trevo, no bairro Camaquã, em Porto Alegre. Às 5h10, um pelotão da Brigada Militar dispersou os manifestantes com bombas de gás e de efeito moral. A garagem ficou aberta, e os ônibus puderam circular. “Avaliamos que, mesmo com a truculência da Brigada, com o uso de violência e bombas para dispersar pequenos grupos de trabalhadores, como foi o nosso caso, a greve conseguiu se fortalecer e contar com a adesão de muitos trabalhadores. Sentimos também que houve um efeito da greve anterior, a de 28 de abril. As pessoas sabem que uma greve geral serve para mostrar que trabalhador vai lutar e ficaram em casa”, finalizou Gimenis.

  • Sindicato denuncia fechamento de leitos no HPS. Prefeito nega

    Esta sexta-feira de protestos e paralisações nas capitais contra o governo Temer foi marcada também por troca de acusações nas redes sociais entre o Sindicato dos Municipários de Porto Alegre e o prefeito Nelson Marchezan Júnior. O motivo foi a informação que começou a circular no meio da semana sobre o fechamento de onze leitos do Hospital de Pronto Socorro (HPS).
    Ontem, dia 28, o Simpa publicou uma denúncia: “Conforme relatos de servidores, o governo Marchezan está dando fim à enfermaria de traumatologia do Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre. São 11 leitos masculinos que serão desativados hoje, 28-06-2017. Pasmem, Marchezan desrespeita os direitos das mulheres, violando o direito de privacidade. Serão misturados pacientes masculinos e femininos aos 10 leitos que restam na unidade, tudo na ala feminina. É um absurdo atacar o SUS.” Leia o texto na íntegra aqui.
    O prefeito Marchezan respondeu hoje na sua conta no Facebook:
    COMPARTILHE PARA QUE A VERDADE PREVALEÇA!
    “A enfermaria de traumatologia do Hospital de Pronto Socorro NÃO ESTÁ FECHANDO LEITOS. O boato irresponsável criado pelo Sindicato dos Municipários de Porto Alegre(SIMPA), põe em risco a população, que neste período busca atendimento, pois a informação falsa pode causar uma busca muito maior pelas urgências e emergências dos hospitais.”

    O Sindicato retrucou pouco tempo depois:
    Marchezan Júnior usou suas redes sociais para falar que os fechamentos de leitos no HPS são boatos. Mais uma prova que de que não tem vergonha nenhuma em mentir para população. Segundo servidores do HPS, o fechamento de 21 leitos foram confirmados: 11 na traumatologia, 2 na UTI e o resto dividido nas outras unidades. Fora isso, o caos no atendimento se intensifica com apenas DOIS funcionários(as) para cerca de 40 pacientes. Prefeito, mentira  ? tem perna curta.

    Desde quarta-feira, a Associação dos Servidores do HPS vinha denunciando o fechamento de leitos. O presidente da entidade, Everaldo Nunes, disse que seriam fechados onze leitos da enfermaria do segundo andar, que tem ao todo 21. O motivo seria a falta de funcionários.
    “Os pacientes terão que ficar na emergência, que já está lotada e vai ficar superlotada. Vai gerar reflexos no atendimento e prejudicar a população”, afirmou.
    Segundo Nunes, há mais de um mês, a UTI também perdeu dois leitos. Pelas estimativas da associação, o HPS tem hoje carência de cerca de 200 profissionais, entre técnicos de enfermagem, enfermeiros e médicos.
    A direção do hospital informou que somente a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde poderia fornecer informações. Em relação à falta de funcionários, a assessoria da SMS explicou que há pessoas com tempo de serviço para se aposentar, que, sem conseguir o benefício, impedem a liberação de vagas para novas contratações.
    A assessoria informou que desde o início do ano, a Prefeitura conseguiu autorização para contratação de 224 profissionais da saúde, sendo 112 municipários e 112 celetistas, através do Instituto Municipal de Estratégia de Saúde da Família (IMESF). Desses, a metade já está trabalhando nas unidades de saúdes.

  • Chapa 2 vence eleições do Cpers/ Sindicato

    A chapa 2, liderada pela professora Helenir Schürer, venceu as eleições do Cpers/Sindicato, com 18. 588  votos (55.42%). A vitória representou a reeleição da atual presidente da entidade, professora Helenir, que cumprirá mandato no período de 2017-2020.  Até o final da tarde da sexta-feira haviam sido computados 92.83% dos votos.
    Em segundo lugar ficou a chapa 1, liderada pela professora Rejane de Oliveira, com 12. 899 votos (38.46 %).  A chapa 4, liderada pelo professor Lucas Berton, atingiu 853 votod (2.54%) e a chapa 5, liderada pela professora Tania Mara Freitas, obteve 1.203 votos (3. 59% ).
    Houve ainda 853 votos nulos e 703 em branco. Além da eleição para a diretoria central foram eleitos as direções de 42 Núcleos do sindicato. A posse da chapa vencedora para a direção central ainda não está definida.

  • Sindicalistas pedem liberdade de professor preso por terrorismo

    Uma comissão de sindicalistas foi recebida nesta tarde de sexta-feira pelo secretário de Segurança, Cezar Schirmer, para esclarecer as circunstâncias da prisão de um professor, durante os protestos realizados durante a manhã.
    O secretário esclareceu que o manifestante foi enquadrado, pela delegada de plantão, na lei anti-terrorismo, pois na hora da abordagem da BM na avenida Bento Gonçalves, portava fogos de artifício, que foram considerados como material explosivo.
    O professor foi encaminhado à Cadeia Pública de Porto Alegre (presídio central) onde aguarda na triagem encaminhamento para uma galeria.
    Os sindicalistas garantiram que prestarão todo apoio jurídico ao professor.

  • Brigada prende três em piquete no portão da Carris

    Três pessoas foram detidas pela Brigada Militar na manhã desta sexta-feira, durante manifestação em frente à garagem da Carris, em Porto Alegre. Os detidos são acusados de depredação de ônibus e um deles, que permanece detido, estaria com rojões na mochila, segundo a BM.
    Dois dos detidos são dirigentes da CTB (Central de Trabalhadoras e Trabalhadores do Brasil). Eles já foram liberados após serem encaminhados ao Palácio da Polícia. O outro homem seguia detido até o fechamento desta matéria. Ele foi identificado como Altemir Cozer, professor estadual e integrante da executiva estadual da CSP Conlutas. Segundo a Polícia Civil, ele permanecia detido na 2ª DPPA. Manifestantes que o acompanham informaram que ele está sendo levado para o Instituto Penal Pio Buck.

    Um homem permanece detido, ele foi identificado como Altemir Cozer, da executiva estadual da CSP Conlutas, acusado de porte de explosivos / Matheus Gomes / Esquerda On Line

  • Em Porto Alegre, repressão a piquetes, bancos fechados e Trensurb gratuito

    Em Porto Alegre, manifestações ocorreram em diversos pontos da cidade em função da greve geral.
    No início da manhã, a Brigada Militar dispersou as manifestações com bombas de efeito moral em frente à garagem da Carris, aos Campi Central e do Vale da UFRGS. Nas empresas de ônibus Nortran e Trevo foram desmontados os piquetes e liberada a saída dos carros ainda pela manhã.
    Três homens foram detidos em piquete que bloqueava a saída dos ônibus da garagem da Carris, dois são dirigentes da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras), outro é integrante da CSP Conlutas.
    Uma decisão judicial obtida pela Procuradoria-Geral do Município (PGM) determinou a manutenção de 100% dos serviços de urgência e emergência e 70% dos serviços essenciais na Capital. A decisão é da desembargadora Laura Louzada Jaccottet determinava multa de R$ 50 mil ao Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa), em caso de descumprimento.
    O sindicato informou que vai recorrer da decisão, alegando que a Constituição prevê a manutenção de apenas 30% dos serviços e que os trabalhadores estão respaldados pelo departamento jurídico do sindicato.
    Prefeitura diz que decisão foi cumprida
    O balanço parcial realizado pela Prefeitura de Porto Alegre indica que a decisão judicial de manutenção de 100% dos serviços de emergência e urgência e 70% dos serviços básicos foi cumprida.
    Segunda a Prefeitura, apenas duas das 141 unidades básicas de saúde não atenderam: Tijuca, na Zona Leste, e São Cristóvão, na Zona Norte. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, a unidade São Cristóvão deve reabrir à tarde e os atendimentos e consultas da manhã foram reagendados.
    A Secretaria Municipal de Educação informou que na manhã desta sexta-feira, 65 escolas funcionaram normalmente, 23 tiveram funcionamento parcial e 11 escolas paralisaram as atividades.
    Os números do Sindicato dos Municipários (Simpa) divergem do balanço da Prefeitura. Segundo Jonas Tarcisio Reis, diretor-geral do Simpa, 70% das escolas paralisaram atividades e os outros 30% funcionaram parcialmente.
    Para Jonas, a adesão dos servidores municipais foi semelhante à da greve realizada no dia 28 de abril. Os municipários realizaram manifestações em frente à Secretaria Municipal de Administração e ao Hospital de Pronto Socorro.
    O transporte público circulou ao longo de toda a manhã pela Capital, ainda assim, o movimento foi reduzido em relação a um dia normal na região central. O Trensurb operou com as catracas liberadas. A empresa alegou falta de funcionários e informou que vai cobrar do Sindicato dos Metroviários a evasão da receita.
    Uma decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região determinou manutenção plena dos serviços nos horários de pico, das 5h30 às 8h30 e das 17h30 às 20h30 e fixou multa de R$ 15 mil ao Sindimetrô-RS por horário de pico não atendido.
    As agências bancárias tiveram atendimento suspenso, e piquetes montados pelos grevistas.

  • Manifestações em todo o país: Em Brasilia, três mil homens policiam a Esplanada

    Manifestações em todos os Estados e no Distrito Federal marcaram o início desta sexta-feira, em consequência da greve geral convocada pelas centrais sindicais.
    Houve bloqueio de rodovias e avenidas em várias capitais, com barreiras e queima de pneus, mas não se registraram incidentes graves.
    O transporte público que em algumas cidades não funcionou no início da manhã estava praticamente normalizado em todo o país já ao meio dia.
    Na Capital Federal, o dia começou sem ônibus e nem metrô, apesar da determinação da Justiça de que pelo menos 50% dos serviços deveriam funcionar.
    Na esplanada dos ministérios o esquema de segurança mobilizou com 2.600 policiais militares e 400 homens da Força Nacional, com restrição ou bloqueio nas vias de acesso.
    Na greve geral de 28 de abril, vários prédios foram alvo de vandalismo. A operação seguirá até o fim do protesto, que têm expectativa de público, segundo a PM, de 5 mil pessoas.
    O prédio do Congresso Nacional também está com as visitas suspensas. O acesso à Câmara e ao Senado só é permitido a parlamentares, servidores e pessoas credenciadas.
    De acordo com a Central Única dos Trabalhadores do Distrito Federal (CUT-DF), pelo menos 13 categorias devem aderir ao movimento.
    O principal impacto no DF, no entanto, é o do transporte público – 100% dos ônibus e trens do metrô estão parados e os veículos piratas circulam livremente pela cidade.
    Ontem (29), o juiz Renato Borelli, da 20ª Vara Federal Cível do DF, determinou que, no mínimo, 30% da frota dos dois meios de transporte sejam mantidos em circulação, mas a determinação não está sendo cumprida. O juiz fixou multa de R$ 2 milhões para cada sindicato que descumprir a ordem.
    A greve geral desta sexta-feira também tem a adesão dos bancários. As agências do Distrito Federal estarão fechadas e só terminais de autoatendimento devem funcionar.
    No Rio de Janeiro, barreiras montadas por manifestantes impediam o acesso ao centro da cidade, desde às cinco da manhã.
    Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), alguns bloqueios foram registrados em duas rodovias. Na BR-356, no distrito de Martins Lage, em São João da Barra, cerca de 50 pessoas interditaram totalmente a pista pouco depois das 5h, colocando objetos na pista e ateando fogo, na altura do km 160.
    Já a BR-101 tinha dois bloqueios. Em um deles, no km 484, em Angra dos Reis, por volta das 5h30, cerca de 40 pessoas interditaram totalmente as pistas. No km 72, em Campos dos Goytacazes, a pista foi interditada às 8h.
    Um protesto paralisou o tráfego na Ponte Rio-Niterói (BR-101). Segundo o Centro de Operações, os manifestantes continuam no local, mas a pista foi liberada por volta das dez da manhã  .
    No km 320, em Niterói, por volta das 5h50, manifestantes também atearam fogo a objetos na rodovia, mas a PRF liberou a via.
    Na Avenida 20 de Janeiro, que dá acesso ao Aeroporto Internacional Tom Jobim/Galeão, uma faixa foi ocupada, provocando grande engarrafamento para quem se desloca para o aeroporto. Na Avenida Brasil, também há manifestantes bloqueando pistas na altura de Santa Cruz.
    Mais cedo, manifestantes bloquearam a Linha Vermelha e colocaram fogo em objetos na pista, na altura do Hospital do Fundão.
    Em São Paulo, o transporte público funcionou sem  incidentes permitindo, com isso o acesso da maioria da população aos seus locais de trabalho e outros compromissos. No começo da manhã, foram registrados apenas atos isolados com bloqueios parciais de vias na cidade e pontos de rodovias, próximos a entrada à capital paulista.
    A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou, às 9h30, 11 pontos com interdições totais ou parciais por manifestações entre elas na Rua da Consolação, sentido centro, com obstrução de todas as faixas e  na Rua Martinho Prado, onde os ativistas fecharam uma das faixas.
    Apesar desses bloqueios, o trânsito está abaixo do normal sendo registrado até as 10h, como pico máximo, 38 quilômetros de congestionamento.
    A Polícia Militar informou que, por volta das 7h, foi necessário usar bomba de gás lacrimogênio para dispersar um grupo de manifestantes que ocupava parte da Avenida São João, no centro da cidade.
    Também houve bloqueio parcial da Avenida Washington Luís, no acesso ao Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul da cidade.
    Pouco antes das 8h, sindicalistas e representantes de movimentos sociais ocuparam o saguão deste terminal, mas o ato não chegou a causar impactos ou prejuízos nos embarques e desembarques de passageiros.
    Por volta das 8h30, os manifestantes fecharam o acesso ao Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, colocando obstáculos na Rodovia Helio Smidt, provocando lentidão no entorno da Rodovia Presidente Dutra.
    Na Rodovia Régis Bittencourt, os ativistas interditaram a faixa da direita, no sentido capital paulista, provocando lentidão entre os quilômetros 279 e 274, no trecho entre os municípios de Taboão da Serra e Embu das Artes. Segundo a concessionária que administra esta estrada, o fluxo de veículos teve de seguir pela pela faixa da esquerda, e foi necessário acionar a Polícia Rodoviária Federal.Por volta das 9h todas as pistas estavam liberadas.
     

  • Kiss: pais de vítimas chamam de artimanha pedido do MP para absolvição

    Em entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira (20), na sede da Associação de Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM), membros da diretoria da entidade se manifestaram firmemente contra o pedido de absolvição de pais processados por “falta de provas”, depois do que eles chamaram de “tentativa de intimidação dos familiares por meio de ações judiciais”.
    A AVTSM também pretende, depois de conversar com outros assistentes de acusação, pedir a suspeição dos promotores Joel Dutra e Maurício Trevisan, que atuam no processo criminal contra os sócios da Boate Kiss e contra integrantes da Banda Gurizada Fandangueira, pois são os mesmos que processaram pais de vítimas.
    “Nós só queremos que os promotores cumpram a obrigação deles. Eles têm que aprender a receber críticas. Nós falamos sobre a imoralidade do processo, não ofendemos a mãe ou o filho de alguém”, disse o presidente da AVTSM, Sérgio da Silva.
    “Recebi com uma ironia muito grande e uma arrogância maior ainda o pedido de absolvição por parte do procurador-geral quando ele falou que não havia nada de irregular (na manifestação dos pais) e eles decidiram nos perdoar”, comentou o vice-presidente da AVTSM, Flávio José da Silva.
    Foi informado também que o pai processado Flávio José da Silva pretende recorrer à Brasília contra decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ/RS) de não acolher o incidente processual da “exceção da verdade”, quando ele tentava provar que não caluniou o promotor Ricardo Lozza ao dizer que o Ministério Público sabia das irregularidades na casa noturna.
    “Foi uma manobra esperta. Foi estranho. A artimanha foi bem feita, porque restaria claro e nítido que os promotores sabiam das irregularidades. Vamos recorrer aonde tiver que ser. Nós vamos em busca da verdade”, disse Pedro Barcellos Jr, advogado de Flávio  e de Paulo Carvalho, outro pais processado.
    Patrícia Michelon, advogada de Marta Beuren, mãe processada por um advogado particular, disse que aguarda a sentença no processo dela. “Se houver um pedido de absolvição, é uma decisão exclusiva dos autores do processo contra a Marta, não cabe ao Ministério Público”, comentou Patrícia.
    Antes da entrevista coletiva, foi divulgada uma nota oficial da AVTSM sobre os últimos acontecimentos. Ela pode ser acessada AQUI.

  • Ex-ministro Bresser Pereira debate em Porto Alegre um projeto para o Brasil

    O ex-ministro da Fazenda, Luiz Carlos Bresser-Pereira, apresentou o Projeto Brasil Nação na noite desta quinta-feira na Assembleia Legislativa, em Porto Alegre.
    É uma proposta para retomar o desenvolvimento, que ele vem submetendo ao debate em todo o país.
    Um público  qualificado, que quase lotou o auditório Dante Barone, foi ouví-lo nesta quinta-feira: professores universitários, intelectuais, representantes do PT, PC do B, PDT  e movimentos sociais ligados à esquerda.
    Nas cadeiras, políticos do PT como Maria do Rosário e Miguel Rossetto ouviam atentamente a palestra. Na mesa estavam a jornalista Eleonora de Lucena, o economistra Pedro Cezar Dutra Fonseca, o cientista político Benedito Tadeu César, o economista Cláudio Accurso,  representantes de movimentos sociais Berna Menezes (Frente Povo Sem Medo), Vitalina Gonçalves (Frente Brasil Popular), Davi Almansa (UNE) e Emil Silva (Movimento Negro) .
    O movimento de centro-esquerda, encabeçado pelo economista e apoiado por intelectuais de diferentes correntes, quer propor alternativas à atual crise econômica e política vivida pelo país.
    “O grupo nasceu dessa preocupação com o país, não só com a grande crise política e moral dos últimos quatro anos”, diz ele.
    Segundo Bresser, o país está estagnado e perdeu a ideia de nação e parou de crescer desde o final dos anos 80.
    “O Brasil entre as décadas de 1930 e 1990 teve um regime desenvolvimentista” ressaltou. Desde então, segundo ele, devido a crise da dívida externa e a rendição ao capital estrangeiro, o crescimento encolheu. “Nosso crescimento médio era de 4% ao ano e agora é de 1,5%”.
    Na entrevista que concedeu antes da palestra, Bresser Pereira disse que o manifesto é uma alternativa à política liberal de governos como Collor, FHC e Temer e de certa forma uma crítica aos governos de Lula e Dilmar, o qual classificou de “parcialmente incompetente”.
    Bresser Pereira destacou cinco pontos em que o Projeto Brasil Nação se sustenta para mudar a atual realidade.
    O primeiro é a responsabilidade fiscal. O Grupo quer um estado grande, que financie educação, saúde, etc, mas com as contas públicas fiscalizadas. Bresser criticou FHC e Dilma nesse ponto e disse que apenas Lula foi responsável nesse assunto.
    O Segundo é a diminuição das taxas de juros, segundo ele uma das mais altas do mundo, que só beneficia a burguesia.
    O terceiro item é o superávit em conta corrente. Bresser defende uma taxa de câmbio competitiva: “Não precisamos de capitais estrangeiros” defendeu.
    O economista também listou que é importante que o Estado recupere a capacidade de fazer investimentos e, por último, citou a distribuição de renda através de uma reforma tributária que seja progressiva.
    Ainda na coletiva, o ex-ministro defendeu, além das reformas tributária e da previdência, uma reforma política.
    Na palestra, Bresser não poupou críticas ao governo Temer, o qual chamou de ilegítimo. Também salientou que a atual política liberal não resolverá os problemas do país. “Eles querem que o trabalhador ganhe menos, isso não resolverá” exclamou. Também alertou sobre os erros dos governos Lula e Dilma: “Continuamos no liberalismo de Collor e FHC”.
     

  • Memórias da Ditadura: "Vou lhe dar uma notícia, seu marido vai ser governador"

    Em entrevista, no último dia 26, o ex-governador do Paraná, Paulo Pimentel, revelou fatos importantes para a Memória da Ditadura Militar de 1964.
    Pimentel governou o Paraná de 1966 a 1970, conviveu com Castelo Branco, Costa e Silva e Médici, a respeito de quem é categórico: “Era antes de tudo um imbecil”. Reproduzimos o que foi publicado no blog de  Aroldo Murá, um dos jornalistas que entrevistaram  o ex-governador para um livro sobre “Os Construtores do Paraná”.
    O ex-governador do Paraná, Paulo Pimentel, costuma definir aliados e, principalmente adversários, em apenas uma frase. Sobre Jaime Lerner, diz que, como governador, foi um grande prefeito. Já acerca do general Emílio Garrastazu Médici, terceiro presidente na vigência do regime militar, é mais conciso e ácido: “Era um imbecil”.
    Claro que Pimentel faz essa afirmação a uma distância histórica segura. Se repetisse tal comentário no ano de 1971, quando esteve cara a cara com o presidente da República, seria cassado ou, ainda pior, preso.
    A segunda parte do depoimento que a coluna resume foi feita por Paulo Pimentel, dia 26, segunda, aos entrevistadores do livro “Encontros do Araguaia: os grandes construtores do Paraná no século 20″, de que sou o organizador, e cuja edição está prevista para 2018.

    DIRETAS PARA GOVERNADOR

    Que se conte o episódio. Médici convocou Ney Braga e Paulo Pimentel à Brasília. Ney havia ocupado o governo de 1961 a 1965, Pimentel de 1966 a 1970.
    Ambos foram eleitos pelo voto direto. Mesmo com o golpe deflagrado em 1964, Castello Branco, o primeiro presidente militar, havia mantido as eleições do ano seguinte, sem mácula.
    A questão agora era outra. Os próximos governadores seriam indicados pelo Planalto e Ney e Pimentel apostavam em Pedro Viriato Parigot de Souza, um engenheiro, professor da Universidade Federal do Paraná e presidente da Copel por uma década.
    Médici, no entanto, os surpreendeu. O novo governador do Paraná seria Haroldo Leon Peres, anunciou. Ora, eles protestaram, mas não havia o que demovesse o presidente daquela ideia. Era decisão tomada. Como Ney e Pimentel insistiram, ele concordou em nomear Parigot vice-governador.

    PARCERIA DO BARALHO

    O motivo pelo qual Médici queria fazer de Haroldo Leon Peres governador era frugal. Soube-se depois que a mulher do presidente, dona Scila, costumava jogar baralho com a esposa de Leon Peres, dona Helena.
    Da amizade nascida sob o regime militar surgiu o desejo do ditador Médici, um homem da linha dura do Exército, de fazer um “mimo” para a mulher e nomear o marido de sua amiga como governador. Coisa de republiqueta.
    Pimentel diz que foi durante uma recepção no Palácio Itamaraty que a esposa de Perez (dona Helena) recebeu a notícia. Médici parou em frente a ela na fila de cumprimentos e perguntou: “Você sofre do coração?”. Diante da negativa, ele respondeu: “Então eu vou lhe dar uma notícia: seu marido vai ser governador do Paraná”.

    UM MILHÃO

    Era uma situação bizarra que, segundo Pimentel, mostra quanto danoso foi o regime militar em seu aspecto político. Nomeado em 1971, Peres governaria por apenas 252 dias. Foi obrigado a renunciar depois que o empreiteiro Cecílio Rêgo de Almeida revelou gravação feita durante passeio na praia de Copacabana em que Perez pedia 1 milhão para aprovar uma obra.
    As razões pelas quais Pimentel define Médici como um imbecil (incurável) tem fundo naquela reunião em que ele anunciou sua decisão. Ao citar o nome do político escolhido, Médici se confundiu e disse Leopoldo Perez. Ora, Leopoldo era um político do Amazonas, distante do Paraná por léguas e mais léguas.

    FOI O PRIMEIRO. E O PIOR

    Pimentel encarregou-se de corrigi-lo: “Presidente, o senhor deve estar falando do Haroldo Leon Peres, um deputado de Maringá”. Médici fez um gesto com a mão: “Esse mesmo”. Ele não sabia quem era ele, não sabia a quem estava destinando a administração de um estado, tampouco media as consequências do que significava impor um governador a uma população acostumada a eleger ela mesma os seus administradores. Foi o primeiro governador do Paraná nomeado pela ditadura. O pior.

    Pedro Viriato Parigot de Souza: era o preferido; General Médici: não sabia o nome de quem escolheu no lugar do preferido por Ney e Paulo

    Pedro Viriato Parigot de Souza: era o preferido; General Médici: não sabia o nome de quem escolheu no lugar do preferido por Ney e Paulo