Categoria: Geral

  • Feiras de orgânicos produzidos em assentamentos ganham espaço

    Elas não constam da lista oficial de feiras livres, mas crescem e se espalham pela região central da cidade: são as feiras de alimentos orgânicos produzidos em assentamentos do MST , que há mais de uma década aboliu os agrotóxicos e vem aperfeiçoando as técnicas de agroecologia.
    Desde outubro de 2015 funciona no espaço da associação dos servidores do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (Ashclin) a feira do grupo Mãos na Terra, integrante do assentamento Santa Rita de Cássia II, de Nova Santa Rita. É resultado da integração dos produtores com o Núcleo de Economia Solidária da Ufrgs.
    Além das hortaliças da estação, oferece feijão crioulo e arroz da Coopan. Ali também se encontra mel de São Gabriel e frutas silvestres dos Campos de Cima da Serra. Banana e limão sempre tem.
    O preço é atraente, pois a venda é feita diretamente pelos produtores. No mesmo dia em que uma bandeja de 400 gramas de tomate cereja era vendida a R$ 9,25 numa rede de supermercados, ali o quilo custava R$ 10,00.
    Funciona às quartas-feiras, das 7h30 às 16h, mas quem chega depois do meio-dia já encontra poucas verduras. Criada para atender aos servidores do hospital, acabou conquistando também parte da vizinhança. E agora tem reprise aos sábados, das 9h às 13h, na rua Rômulo Teles Pessoa, em Petrópolis (atrás do restaurante Barranco).
    No Campus Central da Ufrgs, quem faz a feira é o assentamento São Sepé, de Viamão. E quem perde as feiras ainda tem a opção de comprar na loja da Reforma Agrária do Mercado Público, abastecida de hortaliças às terças, quartas e sextas-feiras.
     

  • Rafael Guimaraens traz 20 novos relatos do passado de POA

    GERALDO HASSE
    O jornalista-escritor Rafael Guimaraens, 60 anos, que vem se especializando na recontagem de antigas histórias portoalegrenses,  lança nesta terça  (21) à noite no Teatro Renascença (Erico Verissimo 307) “20 Relatos Insólitos Sobre Porto Alegre”, livro de 224 páginas editado pela Libretos.
    Com preço de R$ 34 nas livrarias ou pela internet, o livro abrange histórias ocorridas entre 1864 e 1979, algumas frequentemente lembradas como a de Maria Degolada, outras esquecidas ou ignoradas e uma ou outra devidamente escondidas por autoridades e familiares.
    É o caso do triste fim de Honorina de Castilhos, a viúva do presidente do Estado do Rio Grande do Sul, falecido durante uma cirurgia em 1903: cerca de um ano depois de perder o marido, ela se suicidou, deixando na orfandade seis filhos pequenos.
    É claro que Rafael Guimaraens não conta as histórias assim secamente.
    Com a sutileza do repórter escolado em outros livros como A Dama da Lagoa e A Enchente de 1941, ele explora detalhes bizarros, resgata as circunstâncias da época e analisa o contexto, “sem julgamentos”, bem de acordo com o rigor ético das melhores escolas de jornalismo e/ou comunicação social. “São histórias bizarras que certamente vão provocar reações desencontradas”, acredita o autor.
    No caso do casal Castilhos, a chave do relato é uma série de cartas reveladoras do relacionamento entre ambos: Julio mandava, Honorina obedecia. Com o desaparecimento dele aos 43 anos, o Rio Grande ficou sem o chefe do governo e Honorina sem o marido e senhor. “É uma história incômoda para os adeptos do positivismo”, afirma Guimaraens, que não hesitou em colocar no livro uma história familiar envolvendo a figura de Araujo Vianna, um dos grandes nomes da música gaúcha, que faleceu em 1916.
    “Eu nasci em 1956 e quem me ensinou a ler, com quatro para cinco anos de idade, foi uma tia-bisavó”, conta Guimaraens. Antiga cantora lírica de temperamento forte, a velhota obrigava o guri a ler o jornal, pois já não enxergava direito. Nunca se casou: aí estava a história meio surrealista que o repórter só desvendaria na vida adulta.
    A tia fora namorada do compositor Araujo Vianna, que rompeu o noivado quando soube que sofria de uma doença degenerativa que provavelmente o obrigaria a ficar em cadeira de rodas. Enquanto ela se quedava para sempre em Porto Alegre, o maestro se mudou para o Rio, onde morreu, vítima de paratifo.
    Como tantas outras, é uma história que certamente daria um livro, mas o autor admite ter concluído que nenhum dos relatos teria conteúdo para garantir um livro solo, como chegou a pensar, durante os vários anos em que andou vasculhando jornais, livros e baús de estudiosos da história de Porto Alegre.
    Na verdade, vários personagens dos 20 Relatos Insólitos já renderam livros, como é o caso do próprio músico Araujo Vianna, que foi biografado por Cavalheiro Lima.
    A história mais explorada é a dos crimes da Rua do Arvoredo, atual Fernando Machado, onde supostamente se fabricava linguiça de carne humana. Nesses casos mais conhecidos, Rafael Guimaraens optou por explorar detalhes marginais que podem dar um novo colorido às histórias.
    É o caso do delegado Dario Callado, chefe de polícia de Porto Alegre em 1864, o ano em que a Rua do Arvoredo se tornou famosa. Transferido para o Rio, ele desapareceu sem deixar notícias, pistas ou rastros.
    E há também casos “novos”, como a fugaz passagem do ator Tyrone Power por Porto Alegre em 1938. Viajando de Buenos Aires para o Rio, seu avião fez uma escala de abastecimento no aeroporto da capital gaúcha.
    Durante a parada de 20 minutos, ele se dispôs a dar autógrafos e posar para fotos. O evento simplório virou um assalto de fãs enlouquecidas que tiraram pedaços da roupa e se apossaram do chapéu do astro americano.
    Misturando várias histórias reais em relatos jornalísticos com sabor de conto e/ou crônica, o novo livro de Rafael Guimaraens vai para as ruas com tiragem inicial de 1 500 exemplares. Na noite de lançamento, antes dos autógrafos, o autor será entrevistado por Ivete Brandalise, uma das lendas vivas do radiojornalismo gaúcho.

  • "Governadores plantavam mudas aqui", diz primeiro jardineiro do Botânico

    Cleber Dioni Tentardini
    De Ildo Meneghetti a Simon, todos os governadores gaúchos que Julião de Mello Prado conheceu pessoalmente estiveram no Jardim Botânico de Porto Alegre para plantar mudas de árvores nativas. “Eles faziam questão de vir aqui, uns mais que os outros como o Brizola, o Triches, lembro também do Guazelli, do Jair Soares, o Collares”, eu me dava muito bem com eles porque comecei os jardins aqui e no Palácio Piratini”, diz.
    Seu Julião é um dos primeiros funcionários do Jardim Botânico. Começou em 1957, há 60 anos, portanto, ao lado do padre Teodoro Luiz, o fundador, quem o convidou para trabalhar como jardineiro. O local ainda não havia sido aberto ao público.

    Seu Julião, primeiro agachado (da esq p dir) e colegas (em pé) Anarolino, João, Antônio, Euclides e Mário, Elói e Dário
    Seu Julião, primeiro agachado (da esq p dir) e colegas (em pé) Anarolino, João, Antônio, Euclides e Mário, Elói e Dário /Arquivo Pessoal

    Seu Julião cuidando dos jardins /Arquivo JB/FZB
    Seu Julião cuidando dos jardins nos anos 70/Arquivo JB/FZB

    Acompanhou a criação da Fundação Zoobotânica, e quando achou que seria devolvido à Secretaria de Obras Públicas, onde estava registrado, o primeiro diretor da FZB, o professor gaúcho Albano Backes, o convidou para continuar no JB e com um salário maior.
    Neste domingo, 19 de março, foi um dia especial para esse jovem alegretense de 93 anos e memória irretocável. Foi dia de visitar seu antigo local de trabalho e moradia, contar causos, rir, se emocionar, rever árvores que ele plantou há pelo menos 50 anos e visitar a famosa placa que registrou o plantio de mudas 1959 pelo governador Brizola, e que ele não deixou ser quebrada pelos desafetos do líder trabalhista.
    A cada dez passos, parava e indagava ao filho Julio: “Essa aqui é aquela figueira que eu plantei?” Sim, pai, há 50 anos. E o angico? E aquelas com frutas? Algumas caíram com o temporal no verão passado. O filho Julio conhece cada palmo do local. Foi morar com o pai lá quando tinha um ano, e trabalha há 40 no JB. É um dos três funcionários mais antigos em atividade por lá.
    Orgulhoso defronte à figueira que plantou há 50 anos/Cleber Dioni Tentardini
    Orgulhoso defronte à figueira que plantou há 50 anos/Cleber Dioni Tentardini

    Um ou dois anos depois da abertura do JB, foram construídas seis casas para servir de moradia aos funcionários. Irmão Teodoro entendeu que assim a área ficaria mais segura, porque era quase tudo campo aberto, sem cercas, e transitavam livremente por lá criadores de animais e os pacientes da colônia agrícola do São Pedro.
    Uma das filhas de seu Julião, Elisabete, no JB, então pátio de sua casa
    Uma das filhas de seu Julião, Elisabete Pinto, no JB, então pátio de sua casa

    “Eu e mais outros dois que plantamos todas essas árvores mais antigas aqui. O Irmão Teodoro era muito rigoroso com tudo, nada passava sem ele perceber, nem os milhos que eu plantei na frente da minha casa, escondido dele, quer dizer, achava que ele não sabia, mas eu estava enganado”, diz.
    Preparação para o plantio /Arquivo JB/FZB
    Preparação para o plantio /Arquivo JB/FZB

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    Preparação para plantio/Arquivo JB/FZB

    Construção do orquidário /Arquivo JB/FZB
    Construção do orquidário /Arquivo JB/FZB

    Cactário/Arquivo JB/FZB
    Cactário/Arquivo JB/FZB

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    Entrada do JB, ao fundo Colônia Agrícola do HSP/Arquivo JB/FZB

    Transporte de coleções/Arquivo JB/FZB
    Transporte de coleções/Arquivo JB/FZB

    Preparação para plantio/Arquivo JB/FZB
    Preparação para plantio/Arquivo JB/FZB

    Governador Antônio Britto observa seu secretário da Agricultura, César Schirmer plantando muda, em 10 de setembro de 1997
    Governador Antônio Britto observa o secretário César Schirmer plantando muda, em 10/09/1997

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    Governador Britto conversando com alunos uruguaios no Jardim Botânico/Arquivo JB/FZB

  • EPTC propõe aumento de 8% para ônibus em Porto Alegre

    A EPTC manteve a prática dos últimos dez anos e encaminhou ao Conselho Municipal dos Transportes Urbanos (Comtu), a proposta de um aumento acima da inflação para a tarifa do transporte coletivo em Porto Alegre.
    Seguindo estudo anterior, definiu em R$ 4,05 a nova tarifa, aumento de 8%, para uma inflação abaixo dos 5%.
    A Associação dos Transportadores de Passageiros de Porto Alegre (ATP) havia pedido R$ 4,26. As concessionárias dizem que com a crise e o desemprego e a perda de passageiros  tem como reduzir o custo, ao contrário.
    Em acordo fechado com os rodoviários, as empresas deram 5,5% de aumento.
    A reunião do Comtu que aceitará ou não o valor da passagem será no dia 28 de março. Se aceito, será enviado para o prefeito Nelson Marchezan Junior para assinar o decreto da nova passagem.
     

  • Sindbancários convoca assembléia e mateada em defesa do Banrisul

    O site da revista InfoMoney voltou a especular sobre a venda do Banrisul em artigo postado na quinta-feira. O banco é considerado “a joia da coroa” entre as fundações, autarquias e entidades públicas colocadas no pacote de privatização do governo Sartori.
    Diz o site, voltado para grandes investidores, que as ações do Banrisul devem crescer com uma possível aceitação do governo do Estado de venda ou federalização e pode chegar a 100% de valorização.
    Desde 26 de janeiro, quando o ministro da Fazenda Henrique Meirelles, anunciou que a ajuda financeira ao RS estava condicionada à venda do Banrisul, as ações do banco já se valorizaram cerca de 50%, embora o valor ainda seja inferior à média histórica.
    O artigo chama a atenção para a dificuldade política da operação. “Desta forma, no caso específico do Rio Grande do Sul, o governo federal está demandando a privatização do Banrisul. Vale destacar que, no final de fevereiro, as ações do banco subiram fortemente após o ministro da Fazenda Henrique Meirelles falar sobre o novo projeto de recuperação fiscal”, diz o articulista Thiago Salomão.(Leia integra aqui)
    O jornal Zero Hora repercutiu a análise do InfoMoney sobre os papéis do Banrisul em nota na coluna de Marta Sfredo “Parecia que o assunto da possível privatização do Banrisul havia murchado, mas ontem uma análise no site InfoMoney voltou a acender os faróis sobre o banco”.
    O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, disse que essas especulações sobre valores das ações do Banrisul  são movimentos do mercado e do setor financeiro de pressão para que haja a venda do banco. “O Henrique Meirelles é um banqueiro. É claro que ele vai ficar dando declaração para pressionar. Temos que continuar na nossa luta e participando das atividades de mobilização chamadas pelo Sindicato”, disse Gimenis.
    Para vender ou federalizar o Banrisul é preciso que o governo do Estado realize um plebiscito ou que a Assembleia Legislativa reúna dois terços dos votos (33) para derrubar o artigo 22 da Constituição Estadual.
    Assembleia e mateada
    O Sindicato dos Bancários divulgou uma nota convocando os funcionários do Banrisul:
    “Os banrisulenses têm, neste sábado, 18/3, a partir das 9h30, na sede da Fetrafi-RS, um compromisso com a manutenção do Banrisul público. Na sede da Federação, será realizada a Assembleia Nacional dos Banrisulenses. Vamos debater e organizar a nossa luta para fortalecer uma agenda de resistência contra a venda do Banrisul”.
    “No domingo, a partir das 10h, no Parque Farroupilha (Redenção), em Porto Alegre, junto ao Monumento do Expedicionário, vamos nos encontrar para a Mateada em Defesa do Banrisul Público. Leva o teu chimarrão e vamos trabalhar em defesa do banco de todos os gaúchos”.
    frente_web_lancamentoNa quarta-feira, 22/3, haverá o lançamento da Frente Parlamentar em Defesa do Banrisul Público, no Auditório Dante Barone, da Assembleia Legislativa, a partir das 18h.
    “A Frente Parlamentar é uma esfera pública, um espaço para que possamos debater alternativas à crise financeira sem que haja necessidade de vender o Banrisul. O Banrisul é um banco que ajuda muito o nosso Estado a se desenvolver e, por isso, não pode ser privatizado”, explicou o deputado estadual Zé Nunes (PT), coordenador da Frente Parlamentar em Defesa do Banrisul Público.
    Com a Assessoria de Imprensa SindBancários

  • Boca Rosa: da internet para os palcos

    Não basta ser sucesso na Internet. Há que atingir outros suportes, transitar pelo mundo do espetáculo e, se possível, atingir números tão arrebatadores. Esse parece ser o recado da montagem teatral “Boca Rosa- a Peça”, que traz para os palcos a trajetória da blogueira Bianca Andrade, de 21 anos, responsável pelo Boca Rosa, o maior blog sobre beleza no país.
    A simplicidade e o carisma de Bianca conquistaram mulheres de todas as idades. Seu público ultrapassa os 8 milhões nas redes sociais, considerando os principais canais no Brasil (Facebook, Twitter, Instagram e Youtube).
    Rosa-servicoBianca recorre à ficção para dividir com o público experiências que mudaram a sua realidade e levaram uma menina de origem humilde a se transformar no boom midiático que é hoje.
    Escrita e dirigida por Afra Gomes e Leandro Goulart, conhecidos por outros sucessos juvenis, “Boca Rosa – A Peça” também aborda temas como bullying, relação de pais e filhos, descoberta do amor, relacionamentos, empoderamento feminino e outras questões do universo das mulheres.

  • Comitesinos celebra 29 anos de trabalho

    O Comitê de Gerenciamento da Bacia do Rio dos Sinos (Comitesinos) completa 29 anos nesta sexta-feira (17/3)). Desde 2005, a data também é o Dia Estadual do Rio dos Sinos. Nos próximos dias, intensa programação acontece em diversos municípios da Bacia, também em alusão ao Dia Mundial da Água, celebrado na próxima quarta, dia 22.
    Em Portão, o núcleo local do Projeto Dourado/Comitesinos e o Coletivo Educador Ambiental da cidade promovem uma saída de campo no Arroio Portão, com estudantes do 9º ano da Escola Municipal Visconde de Mauá, com capacitação e preparação de uma trilha ecológica.
    Paralelamente, em Estância Velha a atividade é na Praça 1º de Maio, com a participação de estudantes do Projeto Dourado e pessoal do Centro Municipal de Educação Ambiental Estação Ecologia.
    Já em Taquara, também nesta sexta, a movimentação ficou por conta do projeto Rio do Nosso Bairro – Escolas Cuidando da Água, com uma solenidade de manhã, no Balneário João Martins Nunes (RS-020). Em Santo Antônio da Patrulha, na Escola Municipal Hilda Lopes da Luz, na localidade de Canto dos Guilherme. 
    Em Igrejinha, a movimentação será com caminhadas ecológicas, nos dias 4 (a partir das 13h45) e 5 de abril (8h30). A promoção é do Centro de Educação Ambiental Augusto Kampff (CEAAK) e a movimentação será junto ao Rio Paranhana, com cartazes, banners, faixas e bandeiras.
    Em Sapucaia do Sul a programação começa na segunda, pela Semana da Água. Escolas municipais farão visitas orientadas ao Sítio dos Anjos, à Reserva Particular do Morro Sapucaia e à Estação Ecológica do Parque Pesqueiro. A ideia é provocar discussões sobre problemas como ocupação desordenada e em áreas de preservação, retirada da mata ciliar e outros.
    Em cada município, as programações envolvem as prefeituras e outros parceiros locais, como Emater e ONGs.
    Sobre o Comitesinos
    O Comitesinos foi o primeiro Comitê de Bacia do Brasil em um rio de domínio estadual. Foi a partir de sua experiência que surgiu em 1994 a Lei Estadual dos Recursos Hídricos (Lei 10.350, de 10 de dezembro de 1994). O que contribuiu também para a criação, em 1997, da Lei Federal das Águas (Lei 9.433, de 8 de janeiro de 1997).
    Como todos os comitês de bacia que vieram depois, o Comitesinos é um colegiado instituído por lei, dentro do Sistema Nacional e Estadual de Recursos Hídricos. A entidade tem poder deliberativo e é a base da gestão da água na região. Sua plenária é composta por três grupos. Um deles é o de representantes dos usuários da água, com entidades ligadas às categorias Abastecimento Público, Esgotamento Sanitário e Resíduos Sólidos, Drenagem, Geração de Energia, Mineração, Lazer e Turismo, Indústria e a categoria Produção Rural.
    O outro grupo é o de representantes da população, que integra câmaras de vereadores da região e a Assembleia Legislativa do Estado. Também estão nesse grupo as associações comunitárias, as instituições de ensino, pesquisa e extensão, ONGs ambientalistas, secretarias de governo, organizações sindicais e clubes de serviços.
    O terceiro grupo de representantes do governo do Estado, onde estão secretarias de governo e órgãos relacionados.
    Em toda sua história, o Comitesinos manteve uma forte mobilização social, que inclui amplo trabalho de educação ambiental realizado na região e em torno de projetos como o Dourado, Monalisa e VerdeSinos, além do próprio processo que resultou na elaboração do Plano de Bacia – aprovado em 2014 – e, mais recentemente, no mapeamento das áreas de inundação da região.
     
    Dia Mundial da Água
    O Dia Mundial da Água foi criado pela ONU no dia 22 de março de 1992. O motivo é alertar para a necessidade de preservação, já que apenas cerca de 0,008%, do total da água do planeta é potável (própria para o consumo). Mesmo assim, grande parte das fontes desta água (rios, lagos e represas) está sendo contaminada, poluída e degradada pela ação predatória do homem.
     
    No dia da oficialização da data para reflexão, a ONU também divulgou a “Declaração Universal dos Direitos da Água”, cujo texto apresenta uma série de medidas, sugestões e informações que servem para despertar a consciência ecológica da população e dos governantes para a questão da água.
    Carta do presidente do Comitesinos, Adolfo Klein:

    O aniversário nosso das águas

    Protagonismo. Talvez seja essa a melhor palavra para traduzir os 29 anos do Comitesinos, completados nesta sexta-feira. Nosso Comitê de Bacia surgiu antes de todos, a partir de uma mobilização que partiu da comunidade para a solução de seus problemas mais urgentes quanto aos seus recursos hídricos. Comunidade essa que permaneceu unida em sua plenária e praticamente deu ao Estado e ao País um modelo para construção de suas políticas de Recursos Hídricos.

    A região e a comunidade representadas no Comitê de Bacia continuaram a ser pioneiros, com um dos mais abrangentes programas de Educação Ambiental do Brasil, que também já dura mais de um quarto de século e que festejou tantos mestres e alunos que se tornaram mestres, autoridades, pais de família e outros tantos defensores do tanto que cada um pode e deve fazer por nossos recursos naturais.
    Tivemos inúmeros projetos – Dourado, Monalisa, VerdeSinos e outros – onde as comunidades foram literalmente para junto de suas águas, aprender com cientistas, que também aprenderam como construir e compartilhar o conhecimento que rapidamente pode ser colocado em prática. E com um efeito multiplicador fantástico.
    Construímos todos junto um debate racional e construtivo nas maiores adversidades – não sem discussões acaloradas, é verdade, mas isso também faz parte do processo de maturação. Chegamos ao debate de nosso Plano de Bacia, o segundo do Estado, mas o primeiro costurado com uma mobilização e participação maciça da sociedade, literalmente, em encontros em todos os trechos do Rio dos Sinos e seis afluentes.
    Isso tendo lado a lado, já há muito tempo, os setores produtivos, comunidade, Ministério Público, universidades, ONGs, órgãos governamentais, entidades de apoio setoriais e outros tantos parceiros.
    Mais recentemente, em outro passo pioneiro no País, a comunidade da região aprovou o seu mapeamento das Áreas Inundáveis, deixando claro que a responsabilidade pelo ecossistema passa também pelo cuidado com as pessoas, proporcionando um crescimento ordenado das cidades. Aliás, um processo ainda em fase de aperfeiçoamento e que deve ganhar novas ferramentas, como o Estudo de Alternativas Contra os Impactos das Enchentes, a cargo da Metroplan, e as revisões pontuais que ocorrem sobre a mancha das cheias em cada município.
    Na verdade, há muito tempo parte da comunidade da Bacia, através de seu Comitê, já se tornaram também seu próprio Rio. Então, se fosse para escolher uma outra palavra para resumir a trajetória do Comitesinos nessas quase três décadas, esta poderia ser: voz.
    Feliz Aniversário a todos nós
    Adolfo Klein
    Presidente

  • Comissão de Direitos Humanos da AL visita Mbya Guarani em Maquiné

    Ana Barros Pinto
    Com cantos e danças tradicionais, os Mbya Guarani recepcionaram os representantes da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do RS, na aldeia que está se formando em parte da área da Fepagro Litoral Norte, em Maquiné. A ocupação está ameaçada por uma decisão da Justiça Federal favorável à ação de reintegração de posse ajuizada pelo Estado. A visita ocorreu na última terça-feira, 14, e precede a audiência pública marcada para o dia 22 na Assembleia Legislativa.
    No local vivem cerca de 30 famílias. Os caciques André Benites e Cirilo Morinico falam da alegria em receber os juruás (não índios) no território ancestral e da felicidade em poder vivenciar a sua cultura tradicional.
    “A retomada não é só do território, é também a retomada da alegria de viver a nossa cultura, a riqueza da nossa vida, a dignidade. Todo o dia tem atividade coletiva, assim é a nossa cultura. Quem pisou aqui é porque já foi conectado espiritualmente”, afirmou o cacique Benites.
    O cacique Morinico defende que os Mbya Guarani estão no local para “fortalecer a luta pela retomada do território ancestral.” Ele descrever o ambiente: “A gente acorda com os passarinhos cantando, aqui tem frutas nativas, terra boa para plantar o milho e a batata doce, água boa, plantas para a medicina tradicional. Aqui vamos criar filhos e netos.”
    O presidente da Comissão, deputado Jeferson Fernandes (PT), disse conhecer a questão indígena desde pequeno, pois vem da região das Missões, onde derrubaram Sepé Tiarajú. “Foi um massacre, no combate final foram mortos mais de 1500 guaranis e nem 20 homens brancos. Os que sobreviveram tiveram de se submeter às regras dos brancos”, afirmou o deputado.

    Encontro serviu como preparação para a audiência pública do dia 22, na Assembleia Legislativa / Ana Barros Pinto
    Encontro serviu como preparação para a audiência pública do dia 22, na Assembleia Legislativa / Ana Barros Pinto

    Fernandes falou das leis que não são cumpridas e do preconceito que existe contra uma cultura diferente e colocou-se à disposição para fazer mediação com os demais deputados. “A nossa ideia é convencer o governo a utilizar essa área para fazer justiça. O governo extinguiu a Fepagro, então que se destine essa área aos Mbya Guarani, eles vão proteger esse ambiente.”
    Além de Fernandes, que citou as parlamentares Manoela D’Ávila, Juliana Brizola e Stela Farias como aliadas, o deputado Pedro Ruas enviou um representante para mostrar seu comprometimento com a retomada.
    Grupo recorreu à reintegração de posse
    O cacique Andre Benites entregou aos presentes cópia do relatório antropológico preliminar sobre a retomada Mbya-Guarani de parte da área da Fepagro, com informações arqueológicas, históricas e etnográficas. O relatório faz parte do recurso encaminhado ao juiz que determinou a reintegração de posse.
    Para o  antropólogo José Otávio Catafesto, professor da Ufrgs e um dos autores do relatório, “a existência dos Mbya Guarani é um exemplo de que a humanidade é possível”. Catafesto acredita que o grupo vai preservar o lugar e defende que eles são os “verdadeiros guardiões da natureza.”
    Outra visita importante naquele dia é o cacique Adolfo Timotio, da Aldeia Rio Silveira (SP), entre Bertioga e São Sebastião, onde vivem cerca de 120 famílias em área demarcada mas sem a homologação. Depois de falar em guarani, e ser muito aplaudido, Timotio diz que está ali para apoiar a retomada de Maquiné. Faz referência a longas histórias de luta do povo guarani “são lutas sem fim”, e define que a terra é de todos.
    Entre os apoiadores que participaram da visita estavam o Movimento Raiz, o Conselho Indigenista Missionário e a Associação de Estudos e Projetos com Povos Indígenas e Minoritários (Aepim),  e a Ação Nascente Maquiné (Anama). Presente há quase 20 anos na região, a Anama é comprometida com ações ecologicamente sustentáveis e coerentes com a realidade das comunidades locais.
    Entre vários projetos, os Mbya se destacam na produção e venda de artesanato em Maquiné, tanto na cidade como nos balneários frequentados por moradores e visitantes. O balneário localizado às margens do rio Maquiné, dentro da área da Fepagro, é um dos locais tradicionais da presença exposição e venda de artesanato Mbya desde a década de 1990.

  • Vale alimentação dos professores da rede estadual é de R$ 7,25 por dia

    O valor do vale alimentação dos professores da  rede estadual do Rio Grande do Sul é de R$190,52 por mês.
    Sobre esse valor incide um desconto de 6%, que soma R$ 25,00  por mês. Com isso o valor recebido pelos professores é de R$ 7,25 por dia.
    Segundo o Cpers, em 2014, no final do governo Tarso Genro foi firmado um acordo para eliminar o desconto de 6% que incide sobre o vale alimentação.
    O governo Sartori simplesmente ignora este acordo, porque se ele fosse mantido em relação aos professores teria que ser estendido as demais categorias do funcionalismo, o que implicaria num custo de R$  120 milhões por ano.
    O levantamento destes dados é  da repórter Angela Chagas, da rádio Gaúcha,

  • Estado venderá unidades da Cesa para pagar dívida trabalhista

    O Secretário da Agricultura Ernani Polo anunciou ontem a venda de seis unidades da Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa).
    As unidades formam o primeiro lote de licitações do tipo concorrência pelo melhor preço, com o qual a companhia espera arrecadar cerca de R$ 54 milhões. Com esse valor o Estado pagará uma ação trabalhista de R$ 280 milhões, que após um acordo do Sindicato dos Trabalhadores na Justiça do Trabalho, foi reduzida em 40% podendo ser paga em 72 parcelas.
    As unidades que serão vendidas, e que compõe o primeiro lote, estão nos seguintes municípios: Júlio de Castilhos, Santa Rosa, Nova Prata, Cruz Alta, Santa Bárbara e Passo Fundo.
    Um segundo lote de unidades deverá ser vendido na sequência, em que 60% do valor vai para o pagamento da dívida, 30% para investimentos na companhia e 10% para um fundo para custear outras ações trabalhistas.
    A venda das unidades segue orientação do governo do Estado para enxugar a empresa, administrar o passivo trabalhista, alienar filiais deficitárias e investir nas unidades rentáveis. De acordo com o diretor-presidente da Cesa, Carlos Vanderley Kercher, todos esses esforços fizeram com que a companhia consiga se manter. “Hoje a Cesa se sustenta no seu dia-a-dia com sua própria receita”, concluiu.