Categoria: Geral

  • Programa de rádio Hora Israelita completa 70 anos

    Foi comemorado, no período de Comunicações da sessão ordinária desta segunda-feira (29/8), no Plenário Ana Terra, os 70 anos do programa Hora Israelita. O programa é transmitido pela Band AM e FM, das 8h às 10h, todos os domingos. A homenagem foi proposta pelo vereador Valter Nagelstein (PMDB).
    Nagelstein se referiu aos judeus como “uma das tantas etnias que compõem o estado do Rio Grande do Sul” e lembrou o holocausto, durante o regime nazista, na Segunda Guerra Mundial, que matou cerca de 6 milhões de judeus e provocou um grande êxodo de israelenses pelo mundo, inclusive para Porto Alegre. Entre os grandes feitos da Hora Israelita, o vereador citou a transmissão da declaração de Osvaldo Aranha, em 1947, que resultou na partição da Palestina e na criação do Estado de Israel. Também foi transmitida ao vivo pelo programa, em 1948, a instalação do Estado de Israel.
    O proponente da homenagem lembrou dos diversos avanços que Israel trouxe e traz ao mundo: “Os avanços científicos desenvolvidos lá são sistematicamente informados pelo programa, como os estudos no combate ao câncer, na matemática, nas ciências sociais, na psicologia, entre outros. Israel tem mais de 50 Prêmios Nobel! Deveríamos seguir este exemplo”, declarou Nagelstein.
    A programação da Hora Israelita se baseia em temas como culinária, política, crônicas e repertório musical judaico, além de informar, muitas vezes em tempo real. O programa mantém correspondentes permanentes em Nova Iorque, Israel, Rio de Janeiro e Curitiba. “A Hora Israelita conseguiu a credibilidade e confiança de milhares de ouvintes, inclusive da comunidade católica e evangélica do estado”, afirmou o vereador. Por fim, Valter Nagelstein se posicionou sobre os conflitos de Israel com a Palestina: “Israel não é ocupante de nada. Está há 5 mil anos na sua terra.”
    O presidente da Federação Israelita, Zalmir Chwartzmann, ressaltou que todos que trabalham no programa o fazem de forma voluntária. O diretor do programa, Dani Laks, agradeceu a homenagem e falou que a Hora israelita é um programa dinâmico e que tem opinião. “Seu objetivo é levar ao público informações sobre a cultura judaica. E o programa tem história”, afirmou, mencionando, entre outras coberturas históricas, o anúncio da prisão de Saddam Hussein em 2003. Além disso, Laks declarou que a Band tem levado o programa para o mundo todo. Encerrou seu discurso com a saudação “shalom”, que significa “oi”, “tchau” ou “paz” em hebraico.
    O vereador João Carlos Nedel (PP) também saudou o programa. “Quero agradecer a colônia israelita de Porto Alegre, que traz o desenvolvimento para esta cidade há tantos anos com progressos nas áreas econômica, social, cultural e religiosa.” Na sequência, Nedel contou que conheceu Israel e ficou encantado com a oração dos judeus no templo. “As pessoas oravam por horas e horas guardando as relíquias históricas da nossa religião cristã”, finalizou.
    Da Câmara Municipal, texto de Ananda Zambi e Cleunice Maria Schlee (estagiárias de Jornalismo)

  • Mais de 60 jornalistas de 13 países acompanham o julgamento do impeachment

    Um balanço feito pela assessoria de imprensa do Senado no último sábado (27/8) indicou que sessenta e dois profissionais de imprensa de 13 países foram credenciados para cobrir o julgamento do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff.

    De acordo com o G1, o levantamento não inclui veículos internacionais que já cobrem diariamente o Congresso. Há, pelo menos, 12 canais de TV, seis jornais impressos, cinco agências de notícias, três emissoras de rádio e uma revista.
    Repórteres da Alemanha, Argentina, China, Espanha, Estados Unidos, França, Holanda, Japão, Portugal, Catar, Reino Unido, Turquia e Venezuela se concentram num dos auditórios reservado pelo Senado. O local possui telefones, internet, água, e um telão que reproduz a sessão de julgamento.
    Pronunciamento
    Durante seu pronunciamento no plenário do Senado Federal nesta segunda-feira (29/8), a presidente afastada Dilma Rousseff criticou o que chamou de “setores da grande mídia” ao falar do seu processo de impeachment.
    De acordo com O Estado de S. Paulo, Dilma questionou a cobertura da imprensa enquanto também criticava o presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). “Trata-se de ação deliberada que conta com o silêncio cúmplice de setores da grande mídia”, declarou
    “Todos sabem que este processo de impeachment foi aberto por uma ‘chantagem explícita’ do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, como chegou a reconhecer em declarações à imprensa um dos próprios denunciantes”, acrescentou.
    O discurso de defesa diante de senadores na manhã desta segunda-feira (29/8) foi o primeiro de Dilma no Congresso desde que Cunha deu início ao processo de impeachment, em dezembro do ano passado.
    (Da Redação do Comunique-se)
  • Escolas agrícolas terão aulas de cooperativismo

    O Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul (Sescoop/Ocergs) e o governo do Estado  firmaram um termo de cooperação na manhã de hoje (29). O acordo prevê a introdução da educação cooperativista nas escolas técnicas agrícolas estaduais, comunidades e cooperativas dos municípios onde se localizam as escolas.
    Com a assinatura, o Sescoop/RS deverá possibilitar a ampliação do conhecimento e vivências sobre o cooperativismo, através da criação de cooperativas-escola nas escolas técnicas agrícolas estaduais. A assinatura, que ocorreu no Parque de Exposições Assis Brasil, foi realizada pelo governador do Estado, José Ivo Sartori, o presidente do Sistema Ocergs-Sescoop/RS, Vergilio Perius, o secretário da Educação, Luís Alcoba e o secretário do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo, Tarcisio Minetto. Prestigiaram ainda a solenidade diversas autoridades cooperativistas e a diretoria da Ocergs.
    “As pessoas que trabalham nessas escolas técnicas vão estar preparadas para ensinar e demonstrar outros conhecimentos fora do que é normal dentro do currículo das escolas”, entendeu o governador José Ivo Sartori.
    O secretário da Educação, Luís Alcoba, informou que o Rio Grande do Sul tem 26 escolas agrícolas e que esse trabalho vem para melhorar e qualificar a educação. “O cooperativismo traz em seus ensinamentos os princípios da cooperação, da solidariedade e do trabalho coletivo e vai possibilitar que possamos passar esses conhecimentos para nossos estudantes”, afirmou.
    “Esse trabalho é para começar já, nossas escolas precisam dessa iniciativa. A educação tem que ser uma prioridade e o cooperativismo, através do Sescoop/RS, está fazendo a sua parte para um mundo melhor”, destacou o presidente do Sistema Ocergs, Vergilio Perius.
    De acordo com o diretor superintendente da Educação Profissional do Estado do Rio Grande do Sul (Suepro), Eloi Flores da Silva, a primeira ação é começar a introduzir no plano de aula o conhecimento cooperativista em ações transversais, para depois fortalecer a relação das escolas com o setor da agricultura familiar, que tem uma ligação direta com as cooperativas. “E num terceiro momento precisamos introduzir os jovens no conhecimento do negócio agrícola com base no cooperativismo”, afirmou.

  • Lei da Carroça dá mais prazo para circulação nas ruas

    Adiada mais uma vez a retirada das ruas dos carrinhos de catadores de material reciclável. O movimento nacional dos catadores já se manifestou contrário à retirada.
    O prazo foi estendido com a aprovação, na Câmara Municipal de Porto Alegre, na quinta-feira (25/8), do projeto de lei que amplia, com inclusão de uma emenda do vereador Reginaldo Pujol (DEM), em seis meses, o prazo para a proibição total de circulação dos carrinhos utilizados na coleta de material.
    O projeto original garantia mais um ano de prazo para circulação. Segundo o autor da proposta, o vereador Marcelo Sgarbossa (PT), a medida busca garantir mais tempo para que a Prefeitura cumpra com o que determina a Lei nº 10.531, que institui o Programa de Redução Gradativa do Número de Veículos de Tração Animal (VTAs) e de Veículos de Tração Humana (VTHs) no Município.
    Conhecida como Lei das Carroças, a legislação aprovada em 2008 estabeleceu a data de 1º de setembro de 2016 para entrar em vigor a proibição total da circulação de VTAs (carroças), mas também incluiu os chamados VTHs (carrinhos). Uma resolução da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), no entanto, antecipou o prazo de início da restrição para 1º de junho deste ano.
    Essa questão foi tema de duas reuniões da Comissão de Saúde e Meio Ambiente (Cosmam), que teve o autor como presidente em 2015. “Na Cosmam, revelou-se o caso da Associação de Reciclagem Ecológica da Vila dos Papeleiros (Arevipa), na qual mais de uma centena de carrinheiros ainda não tinham sido sequer cadastrados pela Prefeitura. A situação é semelhante em outros núcleos de catadores da Região Central, como Jardim Planetário, Sossego, Areal da Baronesa e Barão do Gravataí, para citar os mais importantes”, justifica o parlamentar.
    Sgarbossa ressalta que foi consenso na Cosmam a necessidade de prorrogar o prazo antes da proibição. Acrescenta, ainda, que a expressão “gradativa” na lei explicita a vontade do legislador em definir um método que paulatinamente identificasse o público-alvo, estabelecesse vínculos, por meio de programas educativos, afastando-os, ao fim, da atividade, ou integrando-os em condições melhoradas. “O atraso verificado na Região Central, onde o número de carroças é insignificante, sugere a prorrogação da aplicabilidade da lei em relação aos carrinhos”, reforça.
    (Com Assessoria de Imprensa da CMPA)

  • O pelotão da Força Nacional estará nas ruas a partir de terça-feira

    O comboio da Força Nacional de Segurança que vai reforçar o efetivo da Brigada Militar no Rio Grande do Sul chegou na tarde deste domingo (28) a Porto Alegre. Ao longo da semana, virão mais 30 agentes da Força.
    A chegada dos agentes atende à solicitação do governador José Ivo Sartori feita ao presidente da República em exercício Michel Temer sexta-feira (26). Vindo do Rio de Janeiro, de onde partiu na sexta-feira (26) em 30 viaturas, o grupo tem agentes de praticamente todos os estados brasileiros, com exceção do Rio Grande do Sul. Eles ficarão alojados no 9º BPM e em unidades vizinhas, como o 1º BPM e o Departamento de Logística e Patrimônio.
    O comboio chegou sob a liderança do comandante da Força Nacional, tenente-coronel da BM Alexandre Aragon, que até julho era secretário-executivo do Gabinete de Gestão Integrada da Secretaria da Segurança Pública do Estado. O comando das operações, contudo, será da Brigada Militar.
    Boina cor de vinho 
    O grupo é composto por homens e mulheres de praticamente todos os estados brasileiros, com exceção do Rio Grande do Sul. Eles ficarão alojados no 9º BPM e em unidades vizinhas, como o 1º BPM e o Departamento de Logística e Patrimônio.
    Os agentes, que utilizam farda camuflada e boina cor de vinho, possuem treinamento rigoroso em direitos humanos, controle de distúrbios civis, policiamento ostensivo e gerenciamento de crise. Além disso, precisam ter longa experiência em policiamento ostensivo e grupamentos de operações especiais.
    Os custos são responsabilidade da União. De acordo com o Ministério da Justiça e Cidadania (MJC), cada policial militar que atua na FNSP receberá diárias de R$ 212,40 durante a permanência no Rio Grande do Sul – valor padrão pago pelo governo Federal na condição de colaborador eventual, de acordo com o Decreto 5.992/2006.As viaturas e o combustível também são custeados pela União.
     

  • Dilma no Senado: "Um momento dramático na vida do país"

    “Acho melhor esgotarmos a discussão até o tempo que for necessário”, recomendou Dilma aos senadores que são contra o impeachment, indicando que a sessão no Senado pode se estender pela noite e madrugada. A presidenta afastada terá 30 minutos para sua defesa em plenário.
    Depois, cada senador inscrito, mais de 40, terá cinco minutos para fazer perguntas. “Perguntada se sentia confiante, ela respondeu que estava”, disse o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que participou da conversa
    A presidenta afastada Dilma Rousseff, se reuniu na noite de domingo com o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva e a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) no Palácio do Alvorada. Por telefone, ela conversou com senadores aliados, que estavam reunidos no apartamento da senadora Lídice da Mata (PSB-BA), em Brasília.
    Dilma disse estar se sentindo segura e confiante, bem como disposta a responder sem restrição de tempo aos questionamentos dos parlamentares nesta segunda-feira, no Senado Federal.
    Parlamentares indecisos
    Os senadores contrários ao impeachment buscaram, ao chegar à reunião, demonstrar confiança em conquistar os votos dos parlamentares indecisos. Primeiros a chegar, a senadora Vanessa Grazziottin (PCdoB-AM) e o senador Paulo Paim (PT-RS) contabilizaram oito votos reversíveis, que podem chegar a 13.
    “É possível reverter todos esses votos”, disse Vanessa. “Uma vez alguns votando, podemos chegar até a 32 (contra o impeachment)”, afirmou ela.
    “Tem senador conversando com Dilma, tem senador conversando com Temer”, disse o senador Lindbergh Farias (PT-RJ). Ele afirmou ter confiança de que o discurso de Dilma será capaz de mobilizar a sociedade, sendo um “ponto de virada” no convencimento de senadores que ainda não declararam voto. “A sessão vai ser muito tensa, um momento dramático da história do país… a gente acha que vai ser um discurso de grande impacto na opinião pública.”
    Perguntas
    A reunião na casa de Lídice da Mata teve como objetivo afinar os questionamentos que serão feitos a Dilma pelos senadores contrários ao impeachment. O grupo deve deixar questões técnicas de lado e apostar no aspecto emocional da presidenta, fazendo perguntas “simples, mas abrangentes”, segundo Vanessa Grazziotin. “Pretendo perguntar como ela se sente diante de todo esse processo”, revelou Randolfe Rodrigues.
    Num último empenho de negociação com a base governista do presidente interino, Michel Temer, o grupo de defesa de Dilma tenta fazer com que sejam intercaladas as falas de parlamentares favoráveis e contrários ao impeachment no momento em que terão oportunidade de fazer questionamentos à presidenta.
    Pela ordem de inscrição, há um bloco de 12 senadores favoráveis ao impeachment em sequência antes que algum parlamentar contrário ao impedimento volte a falar. “Isso é ruim para nós e ruim para eles, acredito que será possível quebrar isso, intercalar, como é o costume no parlamento”, disse Vanessa Graziotin. (Com informações da Agencia Brasil).
     
     

  • "Com cortes de investimentos, Sartori colhe aumento das mortes"

    Reproduzimos, abaixo, reportagem de Luís Eduardo Gomes, no Sul21

    sartori

    Foto: Caroline Ferraz/Sul21

    Luís Eduardo Gomes
    A morte de uma mulher enquanto buscava o filho em uma escola na zona norte da Capital foi o estopim que faltava para o governo do Estado finalmente anunciar mudanças na condução da política de segurança pública do Rio Grande do Sul. Horas após o ocorrido, ainda na noite de quinta-feira (25), foi anunciada a exoneração do secretário Wantuir Jacini, que comandava a Secretaria de Segurança Pública (SSP) desde o início da gestão Sartori, a composição de um gabinete de crise e a viagem do governador para Brasília com o objetivo de negociar o reforço temporário de soldados da Força Nacional com o presidente interino Michel Temer – o que foi confirmado na manhã desta sexta-feira (26).
    O caos na segurança, resultado do aumento no número de homicídios e da sensação de insegurança da população, já vem de longa data. Num intervalo de 24 horas, entre quarta e quinta-feira, duas pessoas foram decapitadas na periferia da Capital. No último Dia dos Pais, dois latrocínios, que tiveram como vítimas uma médica e um porteiro, já tinham gerado a comoção da população. O pedido pelo reforço da Força Nacional também já vinha sendo feito desde 2015, bem como vem do ano passado as críticas à condução de políticas para a área no atual governo. O Sul21 ouviu especialistas e profissionais da área para buscar as causas para o aumento da violência e propostas para o setor.
    Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da PUC-RS e estudioso do tema de Segurança Pública, Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo pondera que a questão da violência decorre de um problema estrutural do Estado e mesmo investimentos feitos na gestão Tarso Genro (PT) em recomposição salarial e no reforço da investigação de crimes contra a vida não foram capazes de reverter a tendência de crescimento no número de homicídios. Pelo contrário, estes casos mantêm uma tendência de crescimento pelo menos desde o início da década passada.

    02/12/2015 - PORTO ALEGRE, RS, BRASIL - Entrevista com o secretário de segurança do RS, Wantuir Jacini. Foto: Guilherme Santos/Sul21

    Wantuir Jacini deixou a SSP na quinta-feira | Foto: Guilherme Santos/Sul21

    Segundo dados do Mapa da Violência divulgados nesta semana, o número total de homicídios registrados no Rio Grande do Sul atingiu a marca de 2.052 em 2014. Em 2004, tinham sido registrados 1.432. No mesmo período, o número de homicídios por arma de fogo em Porto Alegre subiu de 469 para 577. Em 2015, segundo dados da SSP, foram registrados 2.405 homicídios e latrocínios.
    Ainda de acordo com o Mapa da Violência, em 2000, o Estado registrava a marca de 16,3 homicídios por 100 mil habitantes, sendo o 11º Estado mais violento do Brasil. Em 2014, ocupava a 19ª posição, mas registrou um aumento para 18,7 homicídios por 100 mil habitantes, o que demonstra que ocorreu uma tendência geral de crescimento da violência no país.
    No entanto, os Estados que possuíam os maiores índices de criminalidade, Rio de Janeiro e Pernambuco, registraram fortes quedas no período após fazerem investimentos na área. No RJ, os homicídios por 100 mil habitantes caíram de 47 para 21,5, enquanto em Pernambuco de 46,6 para 27,5.
    Ghiringhelli afirma que os problemas estruturais passam pelas questões de desarticulação das instituições envolvidos na prevenção da violência e no processamento judicial e também pela “delicada” situação carcerária do RS, com presídios superlotados e domínio de facções criminosas.
    Por outro lado, ele afirma que, desde o início de sua gestão, o governador José Ivo Sartori tomou medidas que promoveram a desestruturação dos mecanismos de segurança do Estado. “O governo assume com um discurso de enxugamento do Estado e de falta de capacidade de investimento. Na área da segurança pública, a primeira iniciativa foi o corte das horas, que são úteis como mecanismos de remuneração de policiais, mas também na organização das corporações”, afirma.

    Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo: "Há uma caça às bruxas muito preocupante dirigida contra um tipo de pensamento (de esquerda), como se ele fosse inaceitável". (Foto: Joana Berwanger/Sul21)

    Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo | Foto: Joana Berwanger/Sul21

    Além do corte de horas extras, o decreto de contenção de despesas emitido por Sartori em janeiro de 2015 – e renovado semestralmente desde então -, também determinava a suspensão do pagamento de diárias e a redução da cota de combustíveis para viaturas. “Ou seja, desde o início ele assume com uma proposta de fragilização dos mecanismos de segurança e tenta fazer isso mantendo um discurso alheio a todas as manifestações de descontentamento da base de servidores”, diz o professor.
    Em relação ao ex-secretário Wantuir Jacini, Ghiringhelli afirma que este determinou como principal foco de atuação das forças de segurança o combate ao tráfico de drogas. No entanto, o professor salienta que mesmo com o aumento considerável no número de prisões efetuados nestes 20 meses, não foram produzidos resultados de diminuição da violência.
    “A atuação mais focada no varejo da droga vai ter apenas como resultado a prisão de pequenos traficantes, que não vai ter impacto no mercado da droga, mas no aumento da população carcerária (em 20 meses saltou de 28 para 34 mil presos)”, diz.
    Segundo o professor, esse foco na prisão de pequenos traficantes acaba tendo o efeito inverso do esperado, uma vez que as prisões teriam levado apenas ao aumento das disputas pelos territórios deixados por criminosos detidos, o que aumenta a violência dos confrontos entre facções do narcotráfico e, consequentemente, a violência geral na sociedade. “Não impacta na criminalidade de uma forma mais ampla, não reduz o tráfico, mas produz uma desestruturação do mercado e impacta na guerra pelo território”, diz.
    Ghiringhelli pondera ainda que o governo manteve um quadro de apatia durante esse período de escalada da criminalidade e é apenas quando aumentam os latrocínios contra indivíduos da classe média que trata de tomar alguma iniciativa, como no lançamento do plano de segurança, mas sem um plano concreto para produzir efeitos de médio e longo prazo.
    “O governador lançou o plano de segurança, que seria a chamada de policiais e contratação de viaturas, nada de novo, apenas a tentativa de mostrar para a sociedade que estava fazendo alguma coisa”, pondera.
    Para Marcos Rolim, doutor Sociologia e membro fundador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o governo Sartori adota uma política de segurança “ultrapassada”. “O governo optou por conduzir a Segurança Pública com o mesmo padrão em que ela era pensada nos anos 50. Alguns dos nomes mais influentes em torno do governador e do ex-secretário compartilham uma visão autoritária e ultrapassada sobre segurança”, avalia.
    Ele também cita o parcelamento dos salários como medida que contribui para desanimar as polícias e reduzir a produtividade. “Para agravar o quadro, Porto Alegre e a região metropolitana passaram a conviver com os efeitos mais graves de uma guerra generalizada entre as facções criminais. A resultante da incompetência do Estado e da ousadia do crime está nas ruas e já impacta o conjunto das atividades sociais, a começar pela economi”, diz.

    | Foto: Caroline Ferraz/Sul21

    Leonel Lucas, da Abamf| Foto: Caroline Ferraz/Sul21

    Para Leonel Lucas, presidente da Associação Beneficente Antônio Mendes Filho (Abamf), entidade que representa os servidores de nível médio da Brigada Militar (BM), o aumento da violência é resultado da falta de planejamento pelo governo do Estado e da falta de investimento em segurança pública. Ele avalia que a troca no comando da SSP não deve surtir efeito se não for acompanhada de outras medidas. “Tem que ser uma troca bem maior, não é simplesmente trocar o secretário e deixar tudo como está”, diz.
    Isaac Ortiz, presidente do Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores da Policia Civil do RS (Ugeirm), também avalia que o aumento da criminalidade no Estado decorre do contingenciamento dos investimentos na segurança.
    Ele ainda afirma que os sindicatos de servidores das polícias vem alertando desde o ano passado para o aumento da violência. “Temos dito que a criminalidade iria explodir no Estado. Em 2015, fizemos duas grandes marchas alertando a população que a coisa ficaria insustentável, não fomos ouvidos”, afirma.
    Ortiz ainda questiona a justificativa do governo do Estado de falta de recursos para investir na área. Ele lembra que, em nome da crise econômica, o governo Sartori conseguiu aprovar o aumento de impostos, encaminhar a renegociação da dívida com a União, suspender o pagamento de precatórios e aumentar o uso de depósitos judiciais. “Mesmo assim, o dinheiro não existe”, diz. “Em 2016, continuou com a mesma política de contenção de gastos, cortando horas extras, cortando diárias, cortando combustíveis e, pior, não fazendo nenhum investimento social, porque a segurança pública não é só policiamento. Cortou tudo e o que ele achou que ia dar? Ia colher flores? Com essa economia que ele fez, colheu o aumento das mortes no Estado”, afirma Ortiz.

    A marcha desta terça-feira partiu de diferentes pontos da cidade, reuniu-se no Largo Glênio Peres e rumou para o Palácio Piratini. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

    Servidores da área da segurança marcharam em 7 de julho de 2015 para denunciar “desmonte”  | Foto: Guilherme Santos/Sul21)

    O que fazer
    Em um primeiro momento, o secretário Jacini foi substituído por um gabinete de crise, comandado pelo vice-governador, José Paulo Cairoli (PSD), e integrado pelo comando das entidades vinculadas, Brigada Militar, Polícia Civil, Instituto Geral de Perícias e Superintendência de Serviços Penitenciários.
    Na manhã desta sexta-feira, após reunião do gabinete, o chefe da Casa Civil, Márcio Biolchi, afirmou que está sendo preparado um plano de ação para ser anunciado em breve e, apesar de valorizar o trabalho realizado por Jacini, reconheceu que haverá uma mudança de política para a segurança pública.
    Ex-chefe da Polícia Civil (durante a gestão de Tarso Genro e no início do governo Sartori), Guilherme Wondracek pondera que é essencial aumentar imediatamente o efetivo das forças de segurança. “Se não tem dinheiro, dê-se um jeito”, afirma.
    Além disso, ele defende o endurecimento da legislação penal, com o fim do regime semiaberto, e acabar com a cedência de brigadianos e policiais civis para outras secretarias. “Também tem um monte de servidores cedidos ao governo federal”, diz Wondracek.
    Ele ainda afirma que é preciso reduzir a estrutura da Secretaria de Segurança, hoje contando como mais de 400 funcionários, e reforçar a autonomia das corporações. “400 pessoas dá dois batalhões da BM e mais de 15 delegacias de polícia”, afirma.

    Isaac Ortiz diz que tinham alertado que a economia irá cobrar um preço ali adiante |Foto: Guilherme Santos/Sul21

    Isaac Ortiz, da Ugeirm |Foto: Guilherme Santos/Sul21

    Segundo Ortiz, da Ugeirm, o governo deve mudar urgentemente a política para a área de segurança. “O que ele tinha que fazer é reconhecer o fracasso dessa política de estado mínimo e realmente fazer investimentos em segurança, saúde e educação. O governo passado tinha, e não funcionava muito bem, políticas de territórios da paz. Ele terminou com isso e piorou. A gente tem que entrar para as áreas onde a violência está conflagrada não só com polícia, mas com políticas sociais”, afirma Isaac.
    Lucas, da Abamf, avalia que é essencial colocar o salário dos brigadianos em dia para aumentar a motivação da corporação e abrir concursos para a recomposição de efetivo. Por outro lado, ele se diz contrário ao chamamento da Força Nacional afirmando que esta medida não resolve os problemas estruturais do Estado. “Tem que investir nas pessoas”, afirma.
    Ele ainda ressalta que é preciso investir em tecnologia, na formação profissional, nos serviços de inteligência das corporações e no reforço do policiamento das fronteiras. “O RS hoje é o Estado pelo qual mais entra armamento e drogas na fronteira. Ele deve cobrar que a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Federal atuem nesse área.
    Já para o professor Ghiringhelli, a vinda da Força Nacional, apesar de ser um paliativo, se justifica. “Numa situação emergencial, diante da sensação de insegurança, da comoção pública, começa a se justificar o chamamento da Força Nacional como uma medida emergencial. Agora, para médio e longo prazo, nós não temos um plano de segurança que contemple essas questões”, afirma.
    A longo prazo, Ghiringhelli avalia que o quadro só poderá ser revertido com políticas de prevenção da violência, como a integração das ações do governo do Estado com os municípios, maior integração das polícias e melhoria das condições carcerárias.
    “Seria necessário um pacto envolvendo toda a sociedade em políticas de prevenção, ações para jovens na periferia, empregabilidade de egressos do sistema penitenciário e controle de armas de fogo. Há muito poucas, para não dizer nenhuma, iniciativas do atual governo para que as armas sejam recolhidas”, diz.

    Ramiro Furquim/Sul21

    Marcos Rolim | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

    O professor diz ainda que muitas medidas com impactos a curto e médico prazo, inclusive, não necessitariam de grandes investimentos financeiros. Até mesmo para a área carcerária, em que há um grande déficit de vagas, ele pondera que uma mudança de foco do combate ao varejo da droga para o combate de crimes violentos e contra a vida poderia gerar resultados.
    Marcos Rolim também compartilha da posição de que é necessário focar as ações nos crimes contra a vida. “É preciso, primeiro, estabelecer o foco na redução dos crimes dolosos que resultem em morte e desenvolver um programa aos moldes do “Fica Vivo” de Belo Horizonte. Isso envolve a fixação de policiais em áreas de concentração de violência (refiro-me às jornadas de trabalho, não à moradia dos policiais) e a disposição de desenvolver projetos consistentes com as juventudes das periferias. Há um número muito grande de adolescentes entre 12 e 16 anos que estão fora da escola e que precisariam ser atraídos de volta ao estudo. É preciso disputar cada um deles com as alternativas ilegais, especialmente com o tráfico”, diz.
    Rolim ainda aponta que deveriam ser feitas mudanças profundas na política de segurança. “O governo deveria estimular seus policiais à apreensão de armas de fogo ilegais, inclusive com prêmios em dinheiro por apreensão, e deveria se investir em inteligência policial e perícia para a qualificação da prova nos casos de crimes dolosos contra a vida. Uma profunda reforma prisional deveria elencar estes esforços de emergência, para que seja possível enfraquecer o poder das facções, porque a forma como amontoamos presos é uma das principais formas de organização do crime no Brasil”, diz.
    Ele defende ainda que, paralelamente, o governo deveria mobilizar a sociedade e suas instituições, especialmente as universidades, além dos demais poderes, para um esforço concentrado contra a violência e a definição de uma Política de Segurança amplamente pactuada. Além disso, é da opinião que deveriam ocorrer mudanças fundamentais na gestão das polícias. “É impressionante que o RS ainda não tenha sequer estabelecido um padrão de distritos comuns para as polícias. As chamadas Áreas Integradas de Segurança formam a base territorial imprescindível para a atuação conjunta das polícias, coisa que muitos estados já possuem há mais de uma década. A gestão das polícias no RS é folclórica e ninguém presta atenção nisso, muito menos os governos”, afirma.

  • Sartori aguarda pelotão da Guarda Nacional para conter a violência

    Chegam a Porto Alegre na segunda-feira 120 homens da Força Nacional, criada em 2004 com a elite das polícias estaduais – militar, civil e peritos, justamente para auxiliar os governos em situações de crise e de emergência. Com a crise na Segurança, o governador José Ivo Sartori, que vinha se negando a pedir reforço federal, afinal admitiu que estava errado e foi a Brasília formalizar o pedido ao presidente interino Michel Temer.
    Temer primeiro disse que enviaria “cerca de 200” integrantes da Força Nacional para ajudar a conter a onda de violência que, nas últimas semanas, tem ocorrido na região metropolitana de Porto Alegre. Mais tarde, o portal do governo na internet informava que seriam 150, mais os 30 veículos.
    Na reunião que teve com Temer, no final da manhã de hoje (26), Sartori pediu também a construção de uma penitenciária federal no estado, que registra superlotação dos presídios e nas delegacias.
    Nos últimos dias, a violência, que é corriqueira na periferia, assustou a população de áreas nobres da cidade: uma médica foi assassinada na capital, um triplo homicídio ocorreu em Alvorada e um homem foi executado no Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). No final da tarde de ontem, uma mulher aguardava o filho sair da escola quando foi morta com um tiro na cabeça diante da filha mais velho.
    “Não discutimos o tempo [que eles ficarão] porque consideramos que será o tempo necessário”, disse Sartori, ao negar que o governo do estado tenha demorado a pedir esse reforço.

    Sartori foi à reunião com Temer acompanhado do senador Lasier Martins (PDT). “Temer reconheceu que o problema de segurança é um dos mais graves do Brasil, e que todo mundo está pedindo a mesma coisa, mas que vai se reunir para pensar no pleito do governador gaúcho”, disse. O governador pediu também ajuda para fazer uma reforma no Presídio Central. Quanto a esse item, o presidente Temer disse que vai reunir a equipe e ver o que é possível atender”, informou o senador.

    Sartori solicitou a presença da Força Nacional para a guarda externa de presídios, para assim liberar liberar brigadianos para o policiamento ostensivo. Porém, nos noticiários do início da noite, a informação era que a Guarda Nacional atuará nesse policiamento. Sartori pediu também recursos para comprar armas, viaturas, coletes balísticos e equipamentos de monitoramento.

    (Com Agência Brasil)

  • Sartori cria "gabinete de crise" após assassinato na saída de escola

    Nem o secretário de Segurança aguentou. Depois de meses de crescentes índices de criminalidade, o fracasso da política de Segurança do governo Sartori ficou evidente.

    Às 23h16 da quinta-feira, saiu no portal do governo uma nota informando que “o dr. Wantuir Jacini pediu exoneração do cargo de Secretário da Segurança Pública” e que “o governador José Ivo Sartori acabou de constituir um Gabinete de Crise, que será coordenado pelo vice-governador José Paulo Cairoli”.

    Foi preciso que uma mulher loira, jovem, bonita, fosse assassinada dentro do próprio carro, na presença da filha de 17 anos, na saída de uma escola num bairro de classe média alta.

    Foi diante da escola Dom Bosco, no bairro de Higienópolis, no final da tarde desta quinta-feira (25). A vítima chamava-se Cristine Fonseca Fagundes.

    Dez dias antes, no dia 15, Sartori havia sido desmentido após uma declaração desastrosa, de que os latrocínios haviam “diminuído muito”, contrariando levantamento da própria Secretaria de Segurança, que registrava aumento de 35% nesse tipo de crime no primeiro semestre.
    O governador convocou todo o comando da Segurança Pública para uma reunião amanhã, sexta-feira (26), às 8h, no Palácio Piratini.
    Depois da reunião, o governador anuncia que fará “uma manifestação à população”.
    E que “a equipe da Segurança atenderá à imprensa”.
     

  • Mitos, história e sabores de uma feijoada completa

    Higino Barros
    Que prazer mais um corpo pede/ Após comido um tal feijão?/ Evidentemente uma rede/ E um gato para passar a mão…

    ( Feijoada à minha moda- Vinicius de Morais)

    País de dimensão continental, o Brasil tem em suas diversas regiões culturas, linguajar, costumes, tipos humanos, geografia e culinárias diferentes, entre tantas outras peculiaridades. No entanto, um prato é definido como típico do País, o que melhor nos representa, a feijoada. Embora não seja bem assim.
    Existe a crença, difundida pela cultura oral popular, que feijoada é um prato de origem africana. Teria sido criada nas senzalas dos escravos, com sobras menos nobres- rabo, orelha, língua e pé- da carne de porco comida pelos senhores portugueses.
    Acontece que essas partes do porco são muito valorizadas na culinária europeia, inclusive a portuguesa. Assim, não seriam destinadas aos escravos. E feijão preto era um alimento distante da culinária dos escravos no Brasil colonial, embora seja de origem sul-americana e só integrado aos hábitos alimentares da população a partir do século XVIII.
    Representação de brasilidade
    feijoada imagem 1Como observa o historiador e antropólogo Luís da Câmara Cascudo, sendo boa parte dos africanos seguidora do islamismo, como poderiam ter incluído a carne de porco no prato, já que a religião interdita seu consumo? Cascudo indica que a feijoada como a conhecemos, composta de feijão, carnes, hortaliças e legumes, seria uma combinação criada pelos portugueses, apenas no século XIX, em restaurantes frequentados pela elite escravocrata do Brasil.
    Sua difusão teria se dado mais tarde em hotéis e pensões populares, principalmente a partir do Rio de Janeiro. E teria se tornado o símbolo culinário do País graças ao Movimento Modernista de 1922, interessado em constituir uma identidade nacional brasileira, segundo Carlos Alberto Dória, em Formação da Culinária Brasileira.
    O certo é que o prato sempre fascinou os intelectuais brasileiros. No filme Macunaíma o diretor Joaquim Pedro promove o último encontro do herói picaresco do romance de Mário Andrade com o gigante Piamã, Venceslau Pietra, comedor de gente, numa feijoada. Macunaíma é convidado para uma feijoada em comemoração ao casamento da filha de Venceslau. A iguaria é servida dentro de uma grande piscina, onde a carne humana dos próprios convidados substitui as carnes típicas. A cena, no filme, é memorável e teve como locação um dos lugares mais bonitos do Rio de Janeiro, o Parque Lage.
    Outro artista que se apropria do tema feijoada é o compositor Chico Buarque de Holanda, autor do samba Feijoada Completa, composta em 1977, canção que nos tempos do politicamente correto de hoje não seria aprovada, já que em sua letra o homem avisa para a mulher, de última hora, que está levando um bando de amigos para almoçar. E recomenda colocar mais água no feijão.
    Consta também que o compositor erudito Heitor Villa- Lobos, certa ocasião, depois de longa temporada europeia, foi às lágrimas em Paris, ao ser homenageado por amigos com uma autêntica feijoada brasileira.
    Independente dessas questões, o prato foi adotado em todas as regiões do País, variando pouco em sua receita. Há lugares em que se usa feijão mulatinho ao invés do preto, outros usam carnes frescas no lugar de carnes maturadas.
    Versão vegetariana
    No Rio Grande do Sul, como nos outros estados sulistas, o hábito da feijoada está vinculado ao inverno, enquanto no resto do País ele é consumido em todas as estações do ano. Em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro há um dia especial na semana em que é item obrigatório no cardápio dos restaurantes.
    Antes que o inverno termine e dando continuidade ao Projeto Cultural Memória Alimentar, realizado mensalmente no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, o cozinheiro Daniel Ninov promove uma feijoada completa no próximo domingo, dia 28, com direito a uma versão vegetariana. A ideia é promover encontros gastronômicos em local que remete à cultura, como o Centro CEEE Erico Verissimo.
    Na feijoada clássica, vão carnes suínas e charque bovino, acompanhado por farofa, couve e laranja. Entram na versão vegetariana feijão preto orgânico, usado também na clássica, cebola, tomate, berinjela, batata doce, moranga, nabo, pimentões, ervas frescas, tofu defumado e salsicha vegana.
    Como a previsão do tempo para domingo é de sol, almoçar no Centro Histórico, visitar os equipamentos culturais próximos, na Praça da Alfândega e Rua da Praia, até o Gasômetro, é um programa recomentado. Depois, se deitar numa rede e passar a mão num gato, como sugere Vinicius de Morais.
    CARDÁPIO