A rua Vasco da Gama e seu prolongamento, a Irmão José Otão, formam uma das principais artérias do Bom Fim. A via inicia junto à praça Dom Sebastião e segue até a rua Coronel Joaquim Pedro Salgado, no Bairro Rio Branco. É difícil definir com precisão a origem da rua, mas provavelmente, tenha sido criada no final do século XIX. Segundo o Guia Histórico de Porto Alegre, livro do historiador Sérgio da Costa Franco, há versões conflitantes.
O intendente José Montaury, ao fim de sua administração (1897-1924), cita a abertura da Vasco como uma de suas obras. Entretanto, há registros de 1896, de seu antecessor, o engenheiro Faria Santos, que determinou que a rua Venâncio Aires da Colônia Africana, hoje bairro Rio Branco, passaria a se chamar Vasco da Gama. Justamente para evitar a duplicidade de nomes com a Venâncio Aires da Cidade Baixa.
Aparece no mapa oficial da cidade de 1896 com o nome de Rua da Liberdade, em convivência com a atual Rua da Liberdade. O prolongamento da via, da João Telles até a Praça Dom Sebastião, é posterior. Este trecho recebeu o nome do irmão marista José Otão, que foi professor do colégio Rosário e reitor da Pontifícia Universidade Católica (PUC-RS). O trecho mais antigo ficou com o nome do navegador português Vasco da Gama.
A via teve seu leito preparado e nivelado no ano de 1906, o primeiro calçamento veio quatro anos depois e, em 1944, foi determinado o alargamento da pista. Atualmente, é um ponto comercial em expansão, com o surgimento de novas lojas e estabelecimentos de gastronomia. Com calçadas largas e ciclovia, a Vasco é um ótimo local para passear e fazer compras, sem a correria das grandes avenidas.
TK Concept investe na produção local
Tânia Kobielski se criou no ambiente da fábrica, está no ramo de roupas “desde sempre”. Há um ano e três meses abriu a TK Concept. A loja trabalha com marca própria e peças de estilistas de Porto Alegre. “Toda a produção é local. As roupas, os acessórios, os tricots e as bijuterias”, explica.
Para abrir a loja, Tânia procurou pontos comerciais dentro do bairro. “A identidade do produto é super Bom Fim. É descolado, bacana e com um preço acessível”, afirma.
A TK tem conta no instagram(@tkconcpt), que funciona como um catálogo virtual para encomendas.
A loja funciona de segunda a sábado, das 10h às 19h.
Spengler é escolhido o profissional do bairro
O farmacêutico e comerciante Fernando Spengler foi homenageado pelo Rotary Club Bom Fim com o título de Profissional do Bairro. A premiação é concedida pela entidade anualmente. Fernando recebeu a homenagem no dia 5 de agosto.
A Farmácia Spengler é ponto tradicional, há 28 anos no mesmo local. Fernando conta que sua relação com o bairro começou quando ainda era estudante de Farmácia e morador do Bom Fim.
Como boa parte da clientela é antiga, os clientes não querem somente entregar a receita e retirar o medicamento. “A pessoa chega e quer conversar com o farmacêutico. Além da saúde, a gente preza pelo bom atendimento. O cliente tem que se sentir acolhido aqui dentro”, explica.
Palavraria promove novas oficinas literárias
A Palavraria está promovendo oficinas literárias com o escritor Pedro Gonzaga. São três módulos: segundas-feiras às 19h, crônicas; quartas às 18h15, contos; quintas às 19h, escrita livre. Pedro Gonzaga é poeta e autor do livro Escreva! (Guia de escrita criativa).
As aulas iniciaram na segunda semana de agosto, ao todo serão 16 encontros. O valor do investimento é de R$ 270 a cada quatro encontros.
Em funcionamento desde 2003 na Vasco, a Palavraria é uma referência cultural do bairro. O espaço funciona como livraria, café e recebe eventos literários e pocket shows, além dos cursos. Carlos Luiz da Silva é um dos sócios e criadores da Palavraria. Carlos é frequentador do bairro desde a adolescência, Carlos acompanhou várias transformações do bairro. “Nossa geração se criou pelo Bom Fim. Nos anos 70 e 80, o bairro tinha uma vida cultural muito intensa, era um ponto de referência. Hoje, a vida do Bom Fim continua intensa, mas mudou o perfil, está mais voltado à gastronomia.”
Categoria: Geral
Vasco da Gama / Irmão José Otão: Artéria comercial do Bom Fim
Loja conta com área externa para acomodar os clientes Fernando Spengler Carlos Luiz da Silva Jornal JÁ lança edições especiais para as eleições
O Jornal JÁ está lançando uma série de edições especiais para as eleições 2016. Serão seis números, abordando os temas centrais que estarão em debate na campanha eleitoral. Cada edição abordará um tema pré-definido, em forma de reportagem, ilustrada com tabelas, gráficos e fotos.
Será oferecida aos candidatos a possibilidade de participar da edição através de espaços publicitários.
As edições serão semanais, publicadas entre os dias 26 de agosto a 28 de setembro com reportagens especiais temáticas e informações de serviço para orientação do eleitor. Cada edição terá oito páginas com tiragem de 30 mil exemplares. A rede de distribuição do jornal JÁ conta com 11 bairros, atingindo 198 mil eleitores, cerca de 20% do colégio eleitoral, sendo a parcela mais influente do eleitorado de Porto Alegre.
O jornal JÁ tem uma experiência de 30 anos em jornalismo comunitário em Porto Alegre, com vários prêmios pela qualidade dos seus trabalhos. Tem também uma tradição na cobertura das eleições municipais, fiel aos princípios democráticos, oferecendo custos compatíveis com os orçamentos das campanhas, de modo a dar oportunidades equitativas aos candidatos.Revolução Farroupilha: lançamento reconta a vida do Bento maldito
GERALDO HASSE
Ao longo dos seus 72 anos de vida (1783-1855), Bento Manuel Ribeiro foi peão, soldado e fazendeiro, mas ficou na História como “o Bento traidor”, aquele que mudou de lado quatro vezes durante a Guerra dos Farrapos (1835-1845). Começou como oficial revolucionário e terminou como marechal do império e consultor de Caxias, o Pacificador.
Uma das figuras mais fascinantes da história riograndense, o “outro Bento” inspirou artigos, teses, romances e biografias – a última e mais alentada foi publicada em 1937 pelo jornalista gaúcho Olintho Sanmartin –, mas sua identidade controversa nunca apareceu tão por inteiro como no livro Bento Manuel Ribeiro, o Caudilho Maldito (Martins Livreiro, 2016), do jornalista Euclides Torres, um dos melhores vaqueanos da historiografia riograndense.
Euclides Torres pesquisou o personagem por cinco anos / Foto Gazeta de Caçapava
Autor de A Patrulha de Sete João (2005) e Farrapos & Sabinos (2011), ambos publicados por JÁ Editores, Torres promete autógrafos na Feira do Livro, em novembro próximo, se lhe sobrarem exemplares da primeira edição (312 páginas) que compartilhou com a Martins Livreiro, especializada em literatura riograndense, com loja na Rua Riachuelo em Porto Alegre, onde pode ser comprado por R$ 50.
Estabelecido em Caçapava do Sul, sua terra natal, Torres capinou no assunto por cinco anos. Contando com o apoio do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, do qual é membro, ele fez uma releitura instigante da persona mais controversa da República Riograndense.
Com prefácio de Cesar Pires Machado e capa de Ronie Prado com ilustração de Enio Squeff, o livro tem dez capítulos e conta como o filho de tropeiro de Sorocaba chegou ao Sul, criança ainda, e se internou como auxiliar de serviços numa fazenda em São Sepé, onde aprendeu a cavalgar, obedecer e mandar.
De peão a miliciano, o aprendiz de caudilho envolveu-se em missões civis e militares que o ajudaram a se tornar criador de gado – teve fazendas de Alegrete e Quaraí – neste município foi proprietário da histórica Fazenda do Jarau, sede da caverna lendária.
Além de estancieiro, foi guerreiro engenhoso, capaz de enganar os adversários e ludibriar até os seus chefes. É aí que Torres lava a égua, divertindo-se ao narrar as peripécias guerreiras e jogadas políticas do velhaco em Sarandi, no Uruguai (foi um dos poucos que escaparam de uma grande derrota), Passo do Rosário (manteve-se longe da batalha comandada pelo Marquês de Barbacena), na ilha do Fanfa (onde aprisionou o tocaio Bento Gonçalves) e no genial episódio em que, “perseguido” pelo presidente da província Antero de Brito, atraiu-o para uma cilada na porteira de sua fazenda entre Rosário e Alegrete.
À medida que crescia sua fama como chefe militar, aumentavam as evidências de que Bento Manuel entrava nas guerras para aumentar seus cabedais. Ele aparece então nitidamente como um sagaz e ambicioso negociante que faz o possível para ganhar poder e dinheiro, usando como desculpa a necessidade de “ajudar familiares e amigos”.
No fim da sua vida, ninguém confiava nele. Quando morreu aos 72 anos, era um dos homens mais ricos da província, embora não se saiba precisamente quantas sesmarias possuía, quantas cabeças de gado tinha e quantos peões empregava…Oficialmente, teve 11 filhos mas deixou afilhados, agregados, amigos, inimigos e admiradores.
Peão-militar semianalfabeto, Bento Manuel virou um ser tão poderoso que, no final da vida, contou com a ajuda do filho advogado, que escrevia cartas rebuscadas para o pai assinar. Aí está uma das melhores contribuições do livro: Torres descobriu que a influência política de Bento Manuel estendeu-se pelo menos até 1920, incluindo pugilatos eleitorais. Um descendente do caudilho maldito foi assassinado dentro da igreja de São Borja onde se escondera com uma urna cheia de votos.Bancários começam negociações da campanha salarial
Tiveram início nessa quinta-feira e prosseguem hoje as reuniões preparatórias do Comando Nacional dos Bancários, em São Paulo, que irá negociar com a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) a campanha salarial 2016. A primeira rodada de negociação com os representantes dos banqueiros ocorreu também nessa quinta-feira à tarde.
Apesar do quadro recessivo da economia brasileira, os bancos continuam sendo o setor da economia com os melhores resultados financeiros. O lucro dos cinco maiores bancos (Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Santander e Caixa) no primeiro semestre de 2016 chegou a R$ 29,7 bilhões.
Apesar do lucro, juntos os bancos fecharam 6.785 postos de trabalho no país, de janeiro a junho deste ano, segundo a Pesquisa do Emprego Bancário (PEB).
Além da Fenaban, que reúne os bancos privados, também já estão em curso as primeiras negociações com a Caixa Econômica Federal, iniciada no dia 17 em Brasília, e com o Banco do Brasil, também em Brasília, no dia 23 de agosto.
O presidente do SindBancários de Porto Alegre, Everton Gimenis, presente em São Paulo, declarou: “Os banqueiros costumam fazer aquela choradeira na mesa e ficam nos enrolando. Esperamos que este ano apresentem uma proposta decente que, de fato, melhore as condições de trabalho, atendendo cláusulas de saúde, segurança e de renda, e que assumam compromisso de não demitir, mas contratar mais trabalhadores”, disse Gimenis.Metroviários continuam mobilizados contra privatização da Trensurb
assembleia realizada na tarde desta terça-feira (16), os metroviários decidiram, por ampla maioria, Os funcionários do Trensurb aguardam o julgamento do Acordo Coletivo pela Justiça do Trabalho, marcado para o dia 5 de setembro. A decisão de aguardar o resultado foi tomada na tarde de terça-feira (16), por ampla maioria.
Como o Sindimetrô/RS e a Trensurb entraram em comum acordo na Justiça, o resultado do julgamento será aplicado imediatamente, e retroativo a maio deste ano.
A antecipação do julgamento é fruto da pressão exercida pelo sindicato e pela categoria nos últimos dias, inclusive com a realização de duas paralisações de 24 horas, quando os trens circularam apenas nos horários de pico.
A luta dos metroviários não se interrompe com o julgamento do Acordo Coletivo. A categoria se dedicará a barrar o processo de privatização da Trensurb, uma campanha que deve ser feita em parceria com os colegas da CBTU.
Não está fora do horizonte a possibilidade de futuras paralisações para exigir efetivo, melhores condições de trabalho e contra a privatização. Uma das alternativas para fortalecer essa luta passa por buscar o apoio das comunidades atendidas pela linha do trem.
Assim, ficou definido que o Sindimetrô/RS continuará a manifestar sua contrariedade ao processo de privatização da Trensurb, bem como cobrar medidas de contratação de pessoal e mais segurança para funcionários e passageiros
Clientes da Cettraliq buscam alternativa para não parar
Com as atividades suspensas há uma semana, por suposta emissão de odor fora dos limites da propriedade e outras questões burocráticas, a empresa Cettraliq emitiu uma nota declarando preocupação com a situação dos clientes aos quais presta serviço de tratamento de efluentes líquidos.
A empresa atende cerca de 200 empresas de pequeno a grande porte ao mês e, desde que foi interditada, tem recebido diversas visitas e consultas sobre indicações de procedimentos que devem ser adotados, já que a FEPAM deu um prazo de 15 dias para que as empresas vinculadas à Cettraliq apresentem um plano de destino do material gerado.
Segundo os relatos, a indicação de transporte para Santa Catarina mostrou-se inviável, pelo alto custo do frete e trâmites de documentos entre as Secretarias dos dois Estados. Há chance de algumas plantas terem suas atividades interrompidas pela impossibilidade de tratar os resíduos líquidos.
A Cettraliq, que funciona há 12 anos, trata efluentes gerados em empresas de vários segmentos do Rio Grande do Sul. De forma programada, realiza a liberação diária de 150m³/dia de efluentes tratados, volume equivalente a 1 litro/segundo para vazão de 1 milhão de litros/segundo, do Guaíba. Atua com 40 funcionários, além de consultores terceirizados.Ato de Resistência Constitucional teve carta de Dilma e Fora Temer
Atualizada em 21 de agosto com os links para as cartas lidas no ato.
Andres Vince
A temperatura caiu rápido na noite desta quinta-feira, 18 de agosto. Mas não dentro do Auditório da Faculdade de Economia da UFRGS, que ficou pequeno para acomodar cerca de 300 pessoas que foram participar do Ato de Resistência Constitucional, promovido pelas entidades “Carreiras Jurídicas Pela Democracia”, “Advogados e Advogadas Pela Legalidade Democrática” e a AFOCEFE (Sindicato dos Técnicos Tributários da Receita Estadual do RS).
Participaram como palestrantes os renomados juristas Marcelo Lavenère, Pedro Estêvam Serrano e Lenio Streck.
O ato foi aberto com a leitura de uma carta enviada pela presidenta Dilma Rousseff aos presentes na manifestação. Lida pelo advogado Mario Madureira, a carta agradeceu os participantes, denunciou a farsa jurídica para afasta-la da presidência e afirmou que com o reestabelecimento da ordem constitucional e consequente retorno ao seu mandato, empenharia seus esforços por um pacto nacional para o retorno do crescimento econômico. A presidenta prometeu apoiar um plebiscito por uma reforma política e eleições antecipadas: “Quem chegou ao poder pelo voto, não pode ter medo do voto.”, referiu Dilma Rousseff. A integra da mensagem da presidenta pode ser lida aqui.
Ao final da leitura a plateia, em pé, entoou: “Dilma guerreira, mulher brasileira”, para logo emendar: “Fora Temer!, Fora Temer!”.
Lavenère: “O impeachment é uma folha de parreira que esconde a indecência”
Marcelo Lavenére
Marcelo Lavenère abriu sua fala cumprimentando todas as mulheres, em especial a presidenta Dilma Rousseff para em seguida exaltar a história de luta do povo gaúcho em defesa da liberdade. O jurista criticou duramente a midialização da Justiça. Sobre a luta pelos direitos sociais ressaltou: “estamos aqui porque queremos que o SUS caiba no orçamento”. A respeito da crise política, disparou: “estamos sofrendo o maior ataque que a Democracia já sofreu nos últimos cem anos, me atrevo a dizer que estamos sofrendo um golpe pior do que o de 64”.
A respeito das políticas para a educação: “Não queremos uma escola manietada e amordaçada”. Sobre a mídia: “oligárquica, seletiva, mentirosa e que distorce os fatos”. O palestrante encerrou sua participação lembrando de Eduardo Galeano, em “O direito de sonhar”, de onde se inspirou para finalizar: “Cada vez que um homem sonha e a mulher sonha, o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança”.
Serrano: “Essa ralé é a base social que gera o fascismo judicial que temos hoje no Brasil”
Pedro Serrano disse estar honrado de estar entre um povo que tem uma bela história de lutas. Afirmou estar disposto a fazer uma “contra-fala”, ou uma fala com “uma pegada mais acadêmica”. O palestrante descreveu os processos de impedimento presidencial que ocorreram em Honduras e no Paraguai, de onde sentenciou: “no Paraguai, é mais fácil você se defender de uma multa de transito do que de um processo de impeachment”, aludindo o fato de os advogados do presidente paraguaio só terem tido 10 horas para ler o processo e montar a defesa.
Serrano afirmou que políticas estratégicas como as utilizadas em Guantánamo também são usadas para interromper mandatos. Ele explica que a regulamentação de um ato trás consigo a ideia legalidade e exemplifica: “em Guantánamo existe um regramento detalhado de como afogar o sujeito para ele confessar. E se está regulamentado, está no direito e é licito.”
Segundo o palestrante a mudança dos regimes de exceção do século passado para a atualidade é que eles passaram a existir dentro das democracias. Para ilustrar a afirmação, Serrano citou como exemplos as leis antiterroristas norte-americanas e europeias, que violam os direitos individuais do cidadão. Citou também as favelas brasileiras, onde em muitas comunidades, os moradores não circulam depois das 23h, vivendo num silencioso estado de sítio.
O jurista explicou que o termo ralé não engloba apenas pessoas de poucas posses: “da ralé fazem parte o rico, a classe média, o pobre. A ralé eventualmente se transforma em maioria. A ralé são as pessoas que se reúnem para tirar fotos com PMs”. Sobre o impeachment sentenciou: “é de uma natureza autoritária e fascista. É a nova forma do fascismo se apresentar”. E finaliza: “a essência do nosso combate é a resistência constitucional e democrática É uma luta antifascista. Tem que se achar um jeito de fazer essa ralé passar a ser povo.”
Streck: “Um ladrão de galinhas tem mais direito de defesa que a presidente da república”
Pós-Doutor pela Universidade de Lisboa, Lenio Streck iniciou sua exposição criticando a banalização da formação acadêmica: “o Brasil se transformou num grande império de carreiras jurídicas”. Segundo Streck a população perdeu a vontade de reivindicar, e assiste impávida o assalto aos seus direitos porque os terceirizou para a Justiça.
O palestrante criticou duramente as ações de Sergio Mouro em relação a presidenta Dilma Rousseff, especificamente em relação ao vazamento das gravações de suas conversas telefônicas, escândalo que nomeou de Morogate: “nenhum país do mundo admitiria que um juiz fizesse uma escuta na presidente da república, sabendo que era ilegal”.
Streck defende que a presidenta está tendo seu direito de defesa completamente cerceado. Segundo ele “até um ladrão de galinhas tem mais direito de defesa que a presidente da república”, pois, se esse ladrão é sentenciado pelo júri com provas em contrário “qualquer tribunal da federação anula a sentença”, mas que, no caso do impeachment, devido às inúmeras declarações antecipadas de voto dos senadores, que juridicamente fazem o papel de júri, neste caso “até o porteiro do tribunal anula o processo”.
Lenio faz três propostas para colocar em prática a Resistência Constitucional: a primeira refere à judicialização, ao máximo, da falta de provas, instando o STF a decidir se o júri, no caso o Senado, foi contrario ou não a prova apresentada. A segunda proposta sugere “não cair na armadilha de uma assembleia constituinte”, pois segundo o palestrante, “poderia ser um haraquiri institucional”. A terceira proposta clama pela luta pelo plebiscito: “pois o plebiscito é uma arma constitucional muito poderosa”. Porém, ressalta Streck, alguns requisitos devem ser cumpridos para não haver uma contradição constitucional.
O palestrante utilizou a metáfora da mitologia grega para encerrar sua apresentação: “Ulisses pediu para sua tripulação que o acorrentasse ao mastro do navio e que não seguisse nenhuma outra ordem sua a partir daquela, tudo para não sucumbir ao canto das sereias que levariam todos à morte certa. Essas correntes representam a resistência constitucional”.
Legitima defesa da Constituição
Na rodada de encerramento, Marcelo Lavenère defendeu o que ele chamou de “legítima defesa da honra e do patrimônio nacional”, conclamando ao direito de protesto e de greve como armas constitucionais a serem utilizadas nessa luta.
Pedro Serrano afirma que já estamos em período de resistência, no que ele denominou ser uma “pós-democracia”. Segundo ele essa resistência deve se basear na denúncia de atos de autoritarismo, caracterizando a forma como isso será retratado no futuro. Serrano afirma não existirem governos de esquerda e sim governos que atendem algumas demandas de esquerda, pois não existe um conceito teórico ou acadêmico do que exatamente é a esquerda. O erro da esquerda brasileira, segundo o palestrante, foi ter achado que estava começando tudo do zero ignorando experiências anteriores.
Lenio Streck afirmou que existem três predadores do Direito: a moral, a política e a economia. Segundo ele, a economia será a principal responsável pela caça de direitos garantidos do trabalhador. Streck clama pela resistência constitucional a partir dos instrumentos judiciais disponíveis.
Ao final da palestra foi feita a leitura da Carta de Porto Alegre, firmada pelas entidades que promoveram o evento, que reafirmou o compromisso com as ações de resistência constitucional. A integra da carta pode ser lida aqui.
E a noite fria foi encerrada com um caloroso “Fora Temer!”
A integra da palestra pode ser visualizada neste link.Monumentos recuperados são destruídos em menos de um mês
Não passou um mês da recuperação de vinte dos monumentos no parque da Redenção e as obras, que recém haviam passado pelo processo de ecuperação, já foram alvo de vandalismo.
A segunda edição do projeto Construção Cultural, parceria da Prefeitura de Porto Alegre, Ministério Público Estadual e Sinduscon-RS (Sindicato das Indústrias da Construção Civil no Estado do Rio Grande do Sul) foi lançada no dia 31 de julho.
Herma de Alberto Bins foi quebrada ao meio
Pelo menos três obras já foram danificadas.Na manhã do dia 16 de agosto, os funcionários da administração do parque se depararam com duas esculturas quebradas: a cabeça de Alberto Bins foi encontrada partida ao meio e o busto do engenheiro Luiz Englert foi derrubado no chão e perdeu alguns pedaços. As duas obras ficam na região próxima à Reitoria da UFRGS. Na semana anterior, a escultura que homenageia João Wesley já havia perdido uma peça, não se sabe se caída ou arrancada.
Os problemas com o vandalismo nos monumentos do parque – e agora nas réplicas – não são novidade. Cada vez que as obras são reformadas e recolocadas no lugar, os ataques se repetem. As obras originais, muitas em bronze, já nem ficam mais expostas. Foram substituídas por réplicas feitas em resina. E os roubos foram substituídos pelo vandalismo.Projeto de lei quer reduzir agrotóxicos na merenda escolar
O plenário da Câmara Municipal de Porto Alegre aprovou nesta quinta-feira (18/8), com 17 votos favoráveis e sete contrários, o projeto de lei do vereador Marcelo Sgarbossa (PT) que obriga o Executivo Municipal a adquirir produtos orgânicos para a merenda escolar na rede municipal de ensino.
O cardápio deverá ser composto, no mínimo, por 10% de produtos orgânicos no primeiro ano em que a lei for implementada, 20% no segundo e assim sucessivamente, até chegar a 50% a partir do quinto ano.
A implementação da lei, contudo, envolve vários setores do governo. Primeiro, determina que o Executivo deverá regulamentar a lei em 60 dias, a contar da data da sua publicação, em plena campanha eleitoral.
A lista de produtos orgânicos possíveis de serem adquiridos e incluídos no cardápio da merenda escolar deverá então ser elaborada por órgão competente do Executivo Municipal, devendo ser observadas as disposições nacionais da alimentação escolar.
O vereador Marcelo Sgarbossa lembra que, em média, cada brasileiro consome 5,3 litros de veneno agrícola por ano. Pesquisas mostram que alguns produtos como tomate, alface e morango são contaminados por agrotóxicos proibidos para o consumo, sendo que muitos deles podem causar problemas hormonais e até câncer. O Brasil é o campeão mundial no uso de agrotóxicos.Sem crise: Unicred anuncia resultados positivos no primeiro semestre
No Sistema Unicred, que congrega 35 cooperativas de crédito, o primeiro semestre deste ano trouxe resultados muito melhores que o de 2015. Os depósitos totais aumentaram 22,3% (saldo médio de R$ 7,9 bilhões ao final do semestre), e os ativos totais cresceram 21,3% (saldo de R$ 10 bilhões).
“Mesmo com a instabilidade da economia brasileira, os números mostram que o sistema cooperativo de crédito tem superado os obstáculos e se mantido em crescimento”, observa Luciano Fantin, executivo da Unicred do Brasil. “As sobras deverão crescer 7,2% neste ano, ante os 2,6% em 2015”, estima. Esse percentual indica sobras de R$ 240 milhões.
Os cooperados da Unicred, divididos em 35 cooperativas que somam quase 200 mil pessoas, são principalmente profissionais de curso superior de 14 áreas da saúde – de médicos a educadores físicos, mas também aceita oriundos das carreiras jurídicas e associados por “livre admissão”, além de pessoas jurídicas de alguma forma interligadas ao sistema.
Um de seus principais públicos são as micro e pequenas empresas, atraída por juros menores que os dos bancos e remuneração mais lucrativa dos investimentos. Como exemplo, Fantin cita a tomada de um capital de giro de até 365 dias, com taxa mensal em torno de 1,74%, enquanto no sistema financeiro tradicional ficaria entre 2,39% e 3,14% ao mês.
Com o novo estatuto aprovado em 2014, a Unicred passou a contar com uma diretoria profissional. Luciano Fantin trabalha há mais de duas décadas no mercado financeiro local e no exterior. Fernando Motta, diretor de Tecnologia, trouxe experiência de mais de 30 anos nos segmentos financeiro, serviços e varejo. O presidente do sistema, também desde 2014, é o médico gaúcho Leo Airton Trombka, cardiologista do Hospital Moinhos de Vento.


De peão a miliciano, o aprendiz de caudilho envolveu-se em missões civis e militares que o ajudaram a se tornar criador de gado – teve fazendas de Alegrete e Quaraí – neste município foi proprietário da histórica Fazenda do Jarau, sede da caverna lendária.
Serrano afirmou que políticas estratégicas como as utilizadas em Guantánamo também são usadas para interromper mandatos. Ele explica que a regulamentação de um ato trás consigo a ideia legalidade e exemplifica: “em Guantánamo existe um regramento detalhado de como afogar o sujeito para ele confessar. E se está regulamentado, está no direito e é licito.”
Streck defende que a presidenta está tendo seu direito de defesa completamente cerceado. Segundo ele “até um ladrão de galinhas tem mais direito de defesa que a presidente da república”, pois, se esse ladrão é sentenciado pelo júri com provas em contrário “qualquer tribunal da federação anula a sentença”, mas que, no caso do impeachment, devido às inúmeras declarações antecipadas de voto dos senadores, que juridicamente fazem o papel de júri, neste caso “até o porteiro do tribunal anula o processo”.
Ao final da palestra foi feita a leitura da Carta de Porto Alegre, firmada pelas entidades que promoveram o evento, que reafirmou o compromisso com as ações de resistência constitucional. A integra da carta pode ser lida 
Os problemas com o vandalismo nos monumentos do parque – e agora nas réplicas – não são novidade. Cada vez que as obras são reformadas e recolocadas no lugar, os ataques se repetem. As obras originais, muitas em bronze, já nem ficam mais expostas. Foram substituídas por réplicas feitas em resina. E os roubos foram substituídos pelo vandalismo.