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Chapa da situação vence eleição no Sindicato dos Jornalistas do RS
A apuração dos votos terminou por no início da noite de sexta-feira. A chapa 1 venceu a eleição para o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul com 61,78% dos votos. O atual presidente, Milton Simas Junior, foi reeleito.As eleições foram realizadas em Porto Alegre e nas delegacias regionais do sindicato, em cidades do interior do Estado, entre os dias 19 e 21 de julho.Ao todo foram computados 348 votos válidos, sendo 215 para a Chapa 1 e 133 para a Chapa 2, encabeçada por Luiz Armando Vaz.Há muito tempo não havia duas chapas disputando a direção da entidade. Há cerca de cinco mil jornalistas em atividade no Estado.Simas agradeceu o trabalho da Comissão Eleitoral e da junta apuradora, dos funcionários e demais envolvidos no pleito. “Termos uma segunda alternativa valorizou o processo democrático. Saímos fortalecidos e com um desafio, pois é sempre uma responsabilidade representar a entidade”, declarou.Também foram escolhidos os novos nomes que irão compor a Comissão Estadual de Ética.A nova diretoria do Sindicato dos Jornalistas terá a seguinte composição:DIRETORIA EXECUTIVAPresidente – Milton Siles Simas Junior, 1ª Vice-presidenta – Laura Eliane Lagranha Santos Rocha, 2º Vice-presidente – Elson Sempé Pedroso, 1º Secretário – Jorge Luiz Correa da Silva, 2ª Secretária – Márcia de Lima Carvalho, 1º Tesoureiro – Robinson Luis Estrásulas, 2º Tesoureiro – Renato Bohusch, 1º Suplente – Gabriel Gonçalves Ribeiro.CONSELHO FISCAL1º – Celso Augusto Schröder, 2º – Vera Daisy Barcellos Costa, 3º – Adroaldo Bauer Spindola Correa. Suplentes – Clóvis Victória Junior, Dolcimar Luiz da Silva, Nilza do Carmo Scotti.DIRETORIA GERALAndré Luiz Simas Pereira, Carla Rosane Pacheco Seabra, Eduardo Silveira, Gilson Verani Freitas de Camargo, Guilherme Fernandes de Oliveira, Marco Alexandre Bocardi, Maria Alcívia Gonçalves da Silveira, Mateus Campos de Azevedo, Paulo Gilberto Alves de Azevedo, Pedro Guilherme Dreher, Pedro Luiz da Silveira Osório, Roberto Carlos Dias, Silvia Fernandes, Thaís Vieira Bretanha, Márcia Fernanda Peçanha Martins.A Comissão Estadual de Ética terá a seguinte composição, em ordem de votação:COMISSÃO DE ÉTICA– Titulares: Moisés dos Santos Mendes, Cristiane Finger, Flávio Antônio Camargo Porcello, Antônio Carlos Hohlfeldt e José Maria Rodrigues Nunes. – Suplentes: Jeanice Dias Ramos, Carlos Henrique Esquivel Bastos, Neusa Maria Bongiovanni Ribeiro, Marcos Emilio Santuário e Julieta Margarida Amaral."A culpa não é do carteiro", alerta campanha contra privatização
Os trabalhadores dos Correios e Telégrafos do Rio Grande do Sul lançam nesse sábado, dia 22, o Comitê Estadual Contra a Privatização dos Correios.
O evento acontece na sede do Simpa (João Alfredo 61, CidadeBaixa) e tem o objetivo de começar uma luta contra os planos do governo Temer de privatizar a estatal, que conta com 120 mil trabalhadores no País.
No Rio Grande do, Sul eles somam cerca de seis mil funcionários.
Segundo o presidente do Sintect/RS, Yuri Aguiar, a meta é “dar início a uma intensa luta contra a privatização dos Correios, congregando diversas categorias, movimentos sociais, políticos de esquerda e outros setores que desejem se engajar nesta fundamental disputa em defesa da permanência da empresa como uma empresa pública”.
Outra preocupação dos dirigentes do Sintect/RS é alertar a população que usa os serviços dos carteiros de que eles são vítimas da degradação das condições de trabalho da categoria. “A má gestão da empresa provoca os problemas ocasionados nos serviços. E a culpa é atribuída ao trabalho dos carteiros, quando eles não passam de vítimas também, sem ser cúmplices dos maus gestores”, afima Aguiar.
Uma campanha de esclarecimento com o tema “ A culpa não é do carteiro” será desenvolvida até o final do mês e em agosto. Os carteiros gaúchos, cuja data-base de reajuste salarial é 1º de agosto, aprovaram também em suas recentes deliberações somar forças com outras categorias profissionais para lutar por causas comuns, diante das perdas de direitos trabalhistas que vêm se sucedendo.Juíza nega pedido de reintegração de posse do prédio do Demhab
A Juíza Karla Aveline de Oliveira indeferiu o pedido liminar de reintegração de posse do prédio do Demhab, ocupado desde o dia 14 pelos movimentos sociais MTST (Movimento dos Trabalhdores Sem Teto), o MNPR (Movimento Nacional de População de Rua) e MBL (Movimento nos Bairros, Vilas e Favelas). A decisão foi divulgada no final da tarde.
Em sua decisão, Karla alega que a ocupação não tem “qualquer intenção de se apossar do bem público”, o que descaracteriza o esbulho possessório. Para ela, a ocupação vem “inaugurar um debate democrático a respeito das políticas públicas habitacionais”.
Ao contrário do parecer do promotor Heriberto Roos, que esteve junto com ela em inspeção judicial na manhã da última quarta-feira, Karla entende que não há qualquer possibilidade de alteração de ânimos por parte dos ocupantes, uma das justificativas de Roos para que a desocupação acontecesse. Para ela, a ocupação também não atrapalha de nenhuma forma o trabalho e serviço dos servidores.
Em diversos trechos de sua decisão Aveline questiona a falta de vontade de diálogos com os movimentos sociais. Em um dado trecho ela escreve: “A meu sentir, o aforamento da presente ação assinalada, antes de mais nada, a dificuldade que a autarquia apresenta de lidar com as questões que lhe são afetas, ultrapassando etapas salutares e construtivas de aproximação, empatia e flexibilização de postura, na medida em que, ao ajuizar a presente ação menos de vinte e quatro horas da ocupação, deixou de aproveitar a oportunidade de construir espaço de diálogo e entendimento com parcela significativa da sociedade.”
Leia abaixo a íntegra da decisão da Juíza:
DEMHAB, autarquia municipal, melhor qualificada na inicial, ingressou com a presente ação de reintegração de posse com pedido de antecipação de tutela sustentando, em síntese, que diversos invasores, não determinados, em torno de 80, entre adultos e crianças, invadiram o prédio institucional da autarquia no dia 14 de julho trazendo colchões, lona, botijões de gás, fogareiros, panelas e demais utensílios, instalando-se no térreo do prédio. Inexitosa a tentativa de saída pacífica, disse que no dia 15 de julho os invasores impediram o acesso ao prédio, de forma que os serviços estão paralisados causando prejuízo e insegurança para todos os que se relacionam com a autarquia. Informou que a Procuradoria Especializada do DEMAHB também está paralisada inviabilizando cumprimento de prazos processuais e devolução e carga de autos.
Requereu o deferimento de liminar, com amparo no artigo 560 do NCPC e, ao final, a procedência da demanda. Juntou documentos. Recebida a inicial, foi designada audiência de conciliação. Na data aprazada, compareceram os autores, os movimentos sociais, por seus representantes, além de diversos ocupantes, Ministério Público, Defensoria Pública Estadual e da União. Inexitosa a tentativa de conciliação, termo de audiência de fls. 46/50, concedeu-se prazo de 24h a fim de que a Prefeitura se manifestasse nos autos a respeito de possível abertura de diálogo com os ocupantes.
Findo o prazo acordado, aportou aos autos relatório a respeito das demandas objeto da ocupação e petição reiterando o pedido liminar. Realizada inspeção judicial na sede da autarquia, termo de inspeção de fls.125, consoante acerto prévio com todos os envolvidos. Finda a inspeção, renovada tentativa de conciliação não houve êxito. Emendada a inicial para incluir no polo passivo os movimentos sociais que ocuparam o saguão da sede (MTST, MNPR e MLB). Encerrada a audiência, os autos foram com vista ao Ministério Público. O Ministério Público, em seu parecer, opinou pelo acolhimento do pedido liminar, com fixação de prazo razoável para a desocupação, tendo em vista o sensível prejuízo à integral prestação dos serviços e precariedade da situação de segurança.
Retificado, na Distribuição, o polo passivo da demanda para incluir os movimentos ocupantes, de acordo com a emenda à inicial realizada no dia da inspeção judicial. Os autos vieram conclusos para análise do pedido liminar. É o sucinto relato. Decido.
1. Contexto da ocupação do saguão da sede do DEMAHB:
1.1. Quem ocupa: Os seguintes movimentos ocupam o saguão da sede da autarquia: Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Movimento Nacional de População de Rua (MNPR) e Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB). Segundo informado por ocasião da inspeção, em torno de setenta pessoas, entre adultos e crianças (quinze), ocupam o saguão do prédio, onde foram colocadas mochilas, cobertores, colchões, pertences pessoais, etc.
Durante o dia, adultos e estudantes saem para o trabalho e escola. Também durante o dia e à noite acontecem variadas atividades culturais e educativas, como se vê dos relatos no facebook (#ocupademahb). O almoço é realizado do lado externo da sede, no pátio, embaixo de uma lona lá colocada.
1.2 Local da ocupação: Os movimentos sociais ocupam apenas o saguão (térreo) da sede da autarquia, local onde os munícipes que procuram a autarquia são recebidos e, posteriormente, encaminhados para a triagem, setor que se localiza no primeiro andar (protocolo setorial). O portão principal está sob o comando da Ocupação. Todas as demais dependências do andar térreo, assim como todos os demais andares não sofreram qualquer ação por parte dos demandados e apresentam plenas e integrais condições de trabalho. Diga-se, outrossim, que os elevadores estão sob o comando da autarquia (um está estragado e o outro foi desativado por ordem da Diretora do DEMAHB), assim como o portão lateral está aos cuidados da Guarda Municipal e é por onde os servidores e demais interessados acessam o prédio.
1.3 Razões da ocupação: Na primeira audiência de conciliação, como se vê do termo de audiência, as reivindicações dos movimentos restaram resumidamente listadas (fls. 46 e seguintes). Ainda, os demandados entregaram à signatária documento subscrito pelos movimentos ocupantes, que se encontra na contra-capa dos autos e deverá ser juntado, informando todas as questões que devem ser analisadas e melhor encaminhadas. Também se fez presente à audiência o Defensor Público Federal, Dr. Géorgio Endrigo Carneiro da Rosa, o qual fez a entrega de cópia de duas petições endereçadas à Procuradora-Geral do Município manifestando intensa e constante preocupação com a população de rua. Apresentou, ainda, cópia da resposta da Procuradoria. Tais cópias se encontram na contra-capa e também deverão ser juntadas. Da leitura dos ofícios encaminhados pela DPU à Procuradora-Geral do Município vê-se que, segundo dados oficiais1, existem, aproximadamente, 1.600 pessoas/famílias em situação de rua no município de Porto Alegre, além das que não foram cadastradas, de forma que a estimativa é de que 2.000 pessoas estejam nessa condição. Em contrapartida, pelo que se depreende do ofício nº 130/2015 GAB/PGM, de dezembro de 2015, da lavra da Procuradora-Geral Adjunta, a Prefeitura disponibiliza apenas 50 cotas mensais de aluguel social. Ainda, no que diz com as razões da ocupação, a longa e consistente manifestação ministerial do Dr. Heriberto Ross Maciel, titular da Promotoria de Habitação e Defesa da Ordem Urbanística de Porto Alegre, reduzida a termo, por ocasião da primeira audiência (fls. 48/verso, 49 e 50), além do parecer ministerial (fls.127/128) traçam, de forma imparcial, breve quadro sobre a questão da moradia na cidade de Porto Alegre.
Importante destacar que, segundo Ministério Público, em 2009 haviam QUARENTA MIL famílias necessitando de moradia popular e o Programa Minha Casa Minha Vida teria entregue apenas TRÊS MIL casas situação que, aliada à absoluta inexistência de legislação municipal que regule a função social da propriedade e estabeleça suas distinções, entre outras demandas, fez com que o Promotor de Justiça questionasse “onde está a vontade política” para resolver diversas demandas que não dependem apenas de verbas (fl.49). Em seu parecer também pontuou outras questões relevantes, abaixo transcritas:
“Não se desconhece que o Município de Porto Alegre está bastante atrasado com relação à implementação de medidas de política pública efetiva na área habitacional, tais como não ter implementado, até o momento, institutos importantes que podem minorar o problema habitacional na capital, como, por exemplo, a arrecadação de imóveis abandonados, nos termos do artigo 1276, do Código Civil, nem tampouco das sanções ou não uso da propriedade urbana, nos termos do artigo 182, §4º, da Constituição Federal, com as premissas dos artigos 5º ao 8º, do Estatuto da Cidade (Lei Federal 10.257/2001), e, ainda, ausência de qualquer notícia de implantação do Fundo Municipal de Habitação de Interesse Social (não há notícias quanto há de saldo e por que razões não foi implementado), todos respectivamente objetos dos Inquéritos Civis números 52/2015, 53/2015 e 18/2016.
E não é só: há dezenas de ações civis públicas e inquéritos civis intentadas contra o Município para regularizar ocupações consolidadas decorrentes de omissão de fiscalização pelo Poder Público Municipal”
1.4 Manifestação da Prefeitura e DEMAHB a respeito da pauta de reivindicações: A Prefeitura esclareceu o Juízo a respeito das diversas medidas administrativas e inúmeras ações que, ao longo do tempo, vêm efetivando, como se vê da petição e documentos juntados às fls. 52/69 dos autos.
1.5. Apoio à ocupação: A ocupação e as reivindicações contam com o apoio do Instituto dos Arquitetos do Brasil/RS, Associação dos Geógrafos Brasileiros, seção Porto Alegre, Simpa- Sindicato dos Municipários de Porto Alegre, Comitê de Apoio às Ocupações, Associação dos Pós-Graduandos da UFRGS, CAMP Escola de Cidadania, dentre outras entidades/associações, as quais emitiram nota pública de apoio, como se vê de algumas cópias que acompanham a presente decisão.
2. Do pedido liminar: Da leitura fria e isolada do artigo 561 do NCPC, de início, poder-se-ia concluir pelo deferimento do pedido liminar, afinal, constitui-se fato incontroverso que a autarquia detém a posse e propriedade do bem imóvel. Ademais, como dito, traduz-se em fato público e notório que diversos movimentos sociais ocupam o saguão do imóvel em questão desde o dia 14/07/2016. Contudo, tenho que sob a simplista ótica processual, deduzida na peça inicial, não se pode visualizar, por completo, o fenômeno que se apresenta.
É que dos autos não há qualquer indício, quiçá narrativa, de que os ocupantes pretendam de modo ilegal apropriar-se do bem público, razão pela qual, em princípio, não há proteção possessória a ser analisada.
Repito: os movimentos sociais não têm qualquer intenção explícita ou fugidia de se apossar do bem público, sede da autarquia autora. Na verdade, o ajuizamento da presente ação possessória, ainda que se trate de mecanismo processual colocado à disposição da autora para a proteção dos seus alegados direitos, apresenta um falso problema, pois, desde o início, jamais se tratou de simples questão possessória.
A meu sentir, o aforamento da presente ação assinala, antes de mais nada, a dificuldade que a autarquia apresenta de lidar com as questões que lhe são afetas, ultrapassando etapas salutares e construtivas de aproximação, empatia e flexibilização de postura, na medida em que, ao ajuizar a presente ação menos de vinte e quatro horas da ocupação, deixou de aproveitar a oportunidade de construir espaço de diálogo e entendimento com parcela significativa da sociedade.
Como resta evidente, os movimentos almejaram criar um fato político tendente a chamar a atenção do Município para direito coletivo “não o direito de determinada família ou indivíduo, mas de toda a coletividade de cidadãos pobres, marginalizados e invisíveis. A intenção sempre foi a de ampliar a visão sobre aqueles que não são atendidos adequadamente pelas políticas públicas municipais na área da habitação.
Com idêntico olhar, no sentido de que singelo pedido de reintegração de posse em ação possessória está absolutamente divorciado do real conflito existente por trás das ocupações, transcrevo trecho de recente declaração de voto vencedor nº 31.637, da lavra do Revisor Magalhães Couto, por ocasião do julgamento do AI nº2243232-25.2015.8.26.0000, comarca de São Paulo, TJSP, em que se negou a concessão de ordem de reintegração de posse nas escolas públicas do Estado de São Paulo ocupadas por estudantes secundaristas: ¿… Em arremate, a questão não pode ser resolvida pela judicialização na via possessória, mas pelos canais institucionais próprios ao diálogo entre as diversas visões do problema, próprios, aliás, daqueles envolvidos na relevante política pública da educação. Aliás, é preciso ter coragem de se dizer que o ajuizamento dessa ação, além de sua evidente impropriedade técnica, constitui-se verdadeira irresponsabilidade e irracionalidade, porque não se resolve com repressão um legítimo movimento de professores e alunos… ” Não será, portanto, com essa postura de criminalizar e “Satanizar” os movimentos sociais e reivindicatórios legítimos que o Estado Brasileiro alcançará os valores abrigados na Constituição Federal, a saber, a construção de uma sociedade justa, ética e pluralista, no qual a igualdade entre os homens e a dignidade de todos os cidadãos deixe se ser uma retórica vazia para se concretizar plenamente¿. Assim, levando-se em conta que os ocupantes do saguão da sede da autarquia não têm qualquer intenção de se apossar do bem público, faz-se necessário, por conseguinte, que o conflito seja analisado por outro ângulo. Em outras palavras, para análise da liminar pleiteada não basta apenas fazer prova da posse e do esbulho ¿ a demonstrar a probabilidade do direito alegado. Tratando-se de conflito natural em um estado democrático onde, de um lado tem-se a autarquia, proprietária e possuidora do bem, e, de outro, inúmeras famílias e movimentos sociais insatisfeitos com a ausência de políticas habitacionais para a população de baixa renda, cumpre ao juiz exercer sua função jurisdicional visando otimizar esses direitos e garantindo um espaço que proporcione o debate democrático a respeito dessas carências e das obrigações do Município frente às demandas e a ordem constitucional. A Ocupação não quer se apropriar do bem público. A Ocupação quer ter voz e vez. O direito à moradia vem sendo reconhecido como um direito humano fundamental desde a Declaração Universal dos Direitos Humanos (artigo XXV), passando pelos Pactos Internacionais de Direitos Civis e Políticos e de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, instituídos pelas Nações Unidas em 1966 e com entrada em vigor em 1976, respectivas ratificações através do Decreto nº 592, de 06 de julho de 1992 e Decreto nº 591, da mesma data. Ainda, restou expressamente consignado na Constituição da República, caput do art. 6º, que: ¿São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição¿. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 90, de 2015) E, nesse sentido, impõe-se reconhecer a legitimidade dos movimentos populares que representam as pessoas de baixa renda sem acesso à moradia. Sabe-se que cumpre ao município de Porto Alegre, em razão da obrigação constitucional dos entes municipais de executar política de desenvolvimento urbano destinada a ordenar o desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes (CF, art. 182, caput), a execução da política urbana com amparo no Estatuto da cidade(Lei nº 10.257/2001), entre outras. Assim, do quadro que se percebe destes autos, a omissão da autarquia é que está sendo denunciada e publicizada através da Ocupação. O Estado brasileiro ¿ em todas as instâncias de poder – deve estar comprometido com a adoção de medidas que visem assegurar, progressivamente, por todos os meios apropriados, o pleno exercício dos direitos por ele reconhecidos, razão pela qual, constitui obrigação a construção de uma legislação, instrumentos, programas e planos de ação sobre política habitacional de modo a garantir efetivamente esse direito para todos os cidadãos brasileiros. Por evidente, ressalta NELSON SAULE JÚNIOR2, essa obrigação não significa que o Estado brasileiro deve prover uma moradia para cada cidadão, mas sim que, fundamentalmente, deve impedir a regressividade do direito à moradia ¿ impedindo ações e medidas que dificultem ou impossibilitem o exercício desse direito ¿ e, ainda, intervir e regulamentar as atividades do setor privado referente a política habitacional, ¿como a regulamentação do uso e acesso a propriedade imobiliária, em especial a urbana, de modo que atenda sua função social, regulamentar o mercado de terra, dispor sobre sistemas de financiamento de habitação de interesse social, regulamentar e dispor sobre o uso do solo urbano, sobre o direito de construir, dispor sobre instrumentos tributários, dispor sobre os regimes de locação, de concessão de uso para fins de moradia¿3, como forma de garantir o acesso de todos ao mercado habitacional, em especial, para aqueles que não tem esse acesso e aos que vivem em condições precárias de habitabilidade sem uma vida digna. Como subscritor de vários dessas convenções e declarações, tendo, ainda, ratificado os pactos acima indicados e, consequentemente, introduzindo na nossa ordem jurídica o direito à moradia ¿ antes mesmo da Emenda Constitucional nº 26, de 14 de fevereiro de 2000 – compete ao Estado ¿ em todas as suas expressões de poder, a adoção de medidas concretas para sua implementação. Portanto, patente a responsabilidade do município de Porto Alegre, o qual pode recorrer ao parcelamento, edificação ou utilização compulsórios da propriedade urbana (Estatuto da Cidade, art. 5º), conta com instrumentos tributários para sua implementação (art. 7º) e pode desapropriar em nome da política urbana (art. 8º) e por interesse social. Por tudo isso, diante das variadas demandas dos movimentos sociais que ocuparam o saguão da sede da autarquia, tenho por qualificar o movimento dos ocupantes como manifestação de desobediência civil que, nas palavras de Antônio Carlos Wolkmer4, pode ser conceituado como ¿um ato de protesto, público e não violento, um modo de resistência pacífica à injustiça das leis e das decisões do Estado¿. E, de fato, a ocupação aconteceu de forma pacífica e pública com o objetivo de sensibilizar e angariar apoio dos mais diversos setores da sociedade (aliás, várias entidades e associações assim já procederam). Ainda, a ocupação se deu modo voluntário, com plena consciência de que o ato é correto e justo, ¿justificando sua ação por uma incompatibilidade que existe entre a lei que questiona e suas convicções político-morais¿5 e pacífico. ¿A Desobediência civil, por sua própria definição, implica a particularidade de certos requisitos: ¿a urgência da situação objetivada, a imperiosidade de dar a conhecer pontos de vista, arbitrariamente relegados, opressão das minorias, violações constitucionais por parte dos órgãos estatais, etc.¿6 Em recente artigo publicado no site Conjur, em 09/07/2016, as Juízas Federais Cláudia Maria Dadico e Ana Inês Algorta Latorre trouxeram importante reflexão ao afirmarem que ¿Desobediência civil por melhor educação é justa e merece respeito¿7. Na ocasião, as magistradas questionavam a ação policial que brutalmente reprimiu pequeno grupo de estudantes que ocupava a Secretaria da Fazenda do Estado ao mesmo tempo em que equipararam a ação destes estudantes a outros movimentos de desobediência civil de grande repercussão e que construíram importantes mudanças sociais, tais como o movimento de não violência liderado por Gandhi, n
a independência da Índia e do Paquistão e o movimento Anti-Guerra do Vietnã. E, no cotejo entre estes movimentos e a Ocupação do DEMAH, não há, rigorosamente, qualquer distinção pois todos ostentam idêntica matiz. Sempre a irresignação com as políticas governamentais traduzida em ação pacífica, consciente e tendente a colocar luzes e questionamentos em uma situação injusta e excludente. Assim, consubstanciando-se, a Ocupação do DEMAHB, em ato de resistência, ou seja, em uma ação coletiva e organizada que visa a efetivar direitos fundamentais ao mesmo tempo em que combate e se opõe à forma de condução municipal da questão da moradia urbana, considero mais do que justificada a ação perpetrada, afinal, a Ocupação do DEMAHB quer inaugurar um debate democrático a respeito das políticas públicas habitacionais, que se desenvolva em sua plenitude e traga medidas efetivas modificando o cotidiano de sofrimento e exclusão. A Ocupação do DEMAHB traz à tona, essencialmente, um problema político, reclamando uma postura positiva do município na elaboração e implementação de políticas públicas efetivas na área habitacional. Assim, apresenta-se necessária e salutar uma intensa pressão social no sentido de se estabelecer um diálogo entre os vários atores envolvidos nesse processo, impulsionando e propondo ações governamentais nessa área, de forma a melhorar a condição de vida de todos os munícipes, na medida em que, ao democratizar o acesso à moradia e, por consequência, o próprio país, há um abrandamento das diferenças socioeconômicas e promoção da justiça social. Não há como não identificar que as pressões coletivas que emergem da sociedade civil e que traduzem legítimos interesses, também se constituem em fonte de direito, devendo ser abrangidas por uma visão dialética do direito e da realidade social. Trata-se ¿ nesse contexto ¿ de compreender o significado das ações dos movimentos sociais e a circunstância de que sua existência e atuação não são nocivas à democracia, ao contrário, são mesmo indispensáveis ao seu fortalecimento e ao atendimento de uma agenda social sempre postergada. Em razão disso, é de reconhecer que o direito de reivindicar o atendimento e realização de direito fundamental à moradia, estabelecido pela Constituição da República ¿ que, em última análise, é no que se traduz a Ocupação do DEMAHB, situa-se no campo dos direitos de cidadania e, pois, constitui-se em atividade legítima. Não se trata, contudo, de, antecipadamente, reconhecer sempre a justeza dessas condutas – até porque eventualmente algumas podem e devem ser repelidas sob o ponto de vista democrático -, mas de reinterpretá-las e contextualizá-las, compreendendo o campo do direito também como um espaço de conflitos, onde reivindicações sociais podem ser debatidas e decididas à luz de critérios jurídicos, que não se resumem à lei. Assim, em razão de todo o exposto, indefiro pedido de reintegração de posse. 3. Da ausência de prejuízo ao serviço público: Importante frisar que, da inspeção judicial realizada, ao contrário da conclusão do Digno Promotor de Justiça, não antevi qualquer possibilidade de altercação de ânimo por parte dos ocupantes, os quais se mostraram absolutamente cordatos e pacíficos e servidores, ampla e maciça maioria sem contato com os ocupantes. A bem da verdade há rejeição e apoio por parte dos servidores. E a rejeição maior vem da servidora que atende no Protocolo, pois, de fato, o guichê onde trabalha está tomado pelos ocupantes. Também se escutou, por outro lado e por exemplo, o apoio pessoal do Presidente da Associação dos Arquitetos e Engenheiros do DEMAHB. Ainda, não antevejo prejuízo ao atendimento público, como também já foi pessoalmente constatado e relatado pela Drª Luciana Artus Shneide, Defensora Pública Estadual, Dirigente do Núcleo de Defesa Agrária e Moradia, por ocasião da audiência de conciliação (fls.48/verso). Em que pese, evidentemente, haja uma alteração de rotina, no que se refere ao setor de protocolo do saguão, seguramente, tal setor pode ser transferido provisoriamente para o primeiro andar, onde já funciona o protocolo setorial e onde todos os interessados são recebidos e posteriormente encaminhados. De mais a mais, como antes referido, todos os demais setores apresentam-se com plenas condições de trabalho e os servidores possuem amplo e irrestrito acesso aos ambientes. Importante consignar, ainda, que o serviço público esteve paralisado em razão de ordem expressa do Prefeito, segundo consta ou constava no site da Prefeitura, desde a primeira hora da ocupação. Tal informação também foi repassada pela Diretora do DEMAHB como se vê do termo de inspeção. Diga-se que a Procuradoria do DEMAHB, segundo informação de seu Procurador na audiência, foi a única que não encerrou suas atividades. Ainda, o serviço público, em sua totalidade, retornou à atividade no dia 20/07, segundo também restou informado pela Diretora do DEMAH (manifestação consignada no termo de inspeção), depois de alguns dias de natural acomodação. Razões expostas, indefiro pedido liminar de reintegração de posse deduzido por DEMAHB em desfavor do Movimentos dos Trabalhadores Sem Teto, Movimento Nacional de População de Rua e Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas. Intimem-se. Citem-se os demandados com cópia da inicial e da emenda. Decorrido o prazo contestacional, dê-se vista ao autor para réplica. Após, ao Ministério Público. Por fim, voltem conclusos.PR veta candidatuta de Maroni e vai apoiar o PDT
O vereador Rodrigo Maroni desistiu de concorrer à Prefeitura de Porto Alegre. Em um ato oficial do Partido da República – PR, na sala do partido na Câmara de Vereadores, na noite de quinta-feira, Maroni retirou sua candidatura. Vai concorrer à reeleição como vereador. “Foi a decisão mais triste da minha vida, justamente no dia do meu aniversário”, desabafou. “Eu lamento muito, mas fui coagido e intimidado a retirar minha pré-candidatura a prefeito dos animais, apesar de termos toda documentação correta pelo TRE, inclusive, ainda sigo como presidente municipal do PR em Porto Alegre”, afirmou.
A retirada da candidatura, segundo Maroni, foi uma imposição do deputado federal Giovani Cherini, que quer levar o apoio do PR ao candidato do PDT. “Cherini nem é filiado ao partido e já está falando como se fosse presidente estadual”, reclamou o vereador, que é contra um apoio do PR ao PDT. “Não podemos ser uma sucursal do PDT”, disse.
Um reunião no final da tarde desta sexta-feira, de líderes do partido junto com presidente nacional do PR, Valdemar Costa Neto, irá definir os rumos do partido nessas eleições.
Agapan cobra solução para o problema da água em Porto Alegre
A Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) está cobrando dos poderes públicos estadual e municipal um conjunto de medidas emergenciais para enfrentar o problema da água em Porto Alegre. A entidade enviou uma carta, nesta quarta-feira, 20, ao Ministério Público Estadual e a autoridades representantes de diversos órgãos públicos.
O texto critica a medida anunciada pelo Dmae (Departamento Municipal de Água e Esgoto) de construir um novo ponto de captação no Jacuí. Entre as medidas apontados pela associação, estão a suspensão emergencial de atividades potencialmente poluidoras e a intensificação da fiscalização, buscando conhecer todos os pontos contaminantes e substâncias poluidoras do Guaíba.
A Agapan sugere ainda que os R$ 150 milhões disponibilizados para a troca do ponto de captação de água sejam destinados a projetos de educação ambiental e em ligações de esgotos domésticos à rede municipal em bairros que necessitam de tais investimentos.
Na última sexta-feira, 15, a associação já havia entregue uma carta ao prefeito José Fortunati, encaminhada também ao governador José Ivo Sartori, cobrando providencias em relação à qualidade da água do Porto Alegre, diante das reclamações de moradores de diversos bairros.
Carta enviada pela Agapan no dia 20 de julho:
Diretor Geral do Departamento Municipal de Água e Esgotos de Porto Alegre
Sr. Antônio Elisandro de Oliveira
Secretária Estadual do Ambiente do Estado do Rio Grande do Sul
Sra. Ana Pellini
Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do RS
Sra. Silvana Covatti – Deputada Estadual
Presidente da Câmara de Vereadores de Porto Alegre
Sr. Cassio Trogildo – Vereador
Promotor do Ministério Público Estadual do Rio Grande do Sul
Sr. Alexandre Sikinowski Saltz – Promotoria de Justiça e Defesa do Meio AmbienteDiante das notícias informando que os resultados de análises laboratoriais não identificaram as causas do mau cheiro e do gosto ruim da água captada e distribuída em alguns pontos da cidade de Porto Alegre;• Considerando que é de conhecimento público e de caráter irrefutável o lamentável estado de poluição do Guaíba;• Considerando o reconhecimento público por parte de autoridades do Município de Porto Alegre e do Estado do RS de que não existe apenas uma fonte poluidora e que são muitos os pontos de contaminação da água do Guaíba;• Considerando a notícia de que o Dmae “já deu início ao processo de licenciamento ambiental junto à Fepam” (Correio do Povo. 19.07.2016) para instalar um novo ponto de captação de água no rio Jacuí e que o custo da obra será de R$ 150 milhões.Requeremos aos órgãos supracitados os encaminhamentos necessários, a partir de seus respectivos âmbitos de competência e obrigações estatutárias, no sentido de:1 – Intensificar a fiscalização para reconhecer todos os pontos contaminantes e substâncias poluidoras do Guaíba;2 – Realizar análise para identificar a presença de Dioxinas e Furanos em todos os pontos de contaminação, incluindo – especificamente – o local de descarte de efluentes tóxicos da fábrica CMPC – Celulose Riograndense, localizada no município de Guaíba, que descarta seus rejeitos químicos industriais na água, via um duto direcionado para Porto Alegre;3 – Suspender, em caráter emergencial, toda e qualquer atividade potencialmente poluidora que intensifique a poluição da água consumida pela população de Porto Alegre e demais cidades impactadas pela poluição de suas águas;4 – Multar todas as empresas poluidoras para que os recursos advindos desses procedimentos formem um fundo, que financiará os processos e obras necessárias para devolver a balneabilidade das águas, e sirvam como instrumento pedagógico;5 – Estabelecer um fundo que possa contribuir para minimizar danos e fortalecer processo de fiscalização;6 – Destinar os R$ 150 milhões disponibilizados para a troca de ponto de captação de água a projetos de educação ambiental e em ligações de esgotos domésticos à rede municipal em bairros que necessitam de tais investimentos.7 – Investigar, através de Inquérito Civil Público, a responsabilidade criminal dos poluidores e possíveis omissões de agentes públicos por crime ambiental e contra a saúde pública.Por fim, declaramos não considerar digno de uma sociedade civilizada ter que abandonar um ponto de captação de água, trocando-o por outro mais distante e oneroso, pela simples razão de não conseguir manter o avanço da poluição sobre o nosso mais importante recurso hídrico. Trocar ponto de captação é ser conivente com os poluidores. Sendo essa a única resposta que o poder público considera capaz de dar à nossa comunidade, exigimos que, no mínimo, os custos sejam pagos por quem polui e não pelos contribuintes, visto que a nossa população já paga todos os meses pelo direito de consumir água limpa e de boa qualidade.Na expectativa – enquanto entidade ambientalista que defende, há mais de 45 anos, “a vida sempre em primeiro lugar” e enquanto cidadãos de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul – de ter nossas solicitações apreciadas e atendidas para que não tenhamos, muito em breve, nosso Guaíba irreversivelmente poluído e sem condições de abastecer a população, subscrevemo-nos.Porto Alegre, 20 de julho de 2016.Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural
Carta entregue no dia 15 de julho:Excelentíssimo Senhor Governador do Estado do Rio Grande do SulSr. José Ivo SartoriExcelentíssimo Senhor Prefeito Municipal de Porto AlegreSr. José Alberto Reus FortunatiNossa água corre sério riscoSenhor José Sartori, governador do Estado do RS e senhor José Fortunati, prefeito de Porto Alegre.A fonte que abastece de água os nossos lares, que sacia a sede de nossas crianças, adolescentes e idosos aqui em Porto Alegre e cidades próximas está seriamente ameaçada. Acreditamos que esta água seja a mesma que os senhores bebem, após onerosos processos de despoluição. Referimo-nos ao Guaíba, manancial com características próprias de rio e lago. Esse manancial hídrico, fonte de vida para a população porto-alegrense e gaúcha, vem sendo degradado ao longo de décadas por conivência, negligência ou omissão de diversas administrações públicas em níveis estadual e municipal.A Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), preocupada com a saúde pública e atenta aos desdobramentos ambientais pela falta de ações eficazes com relação ao mau cheiro e ao gosto ruim presentes na água de Porto Alegre, chama a atenção do poder público no sentido de proteger o Guaíba como de fato ele deve e precisa ser protegido, pois é um bem natural e comum a todos.Nada nos é mais essencial do que a água! Podemos ficar sem celulose, sem areia, sem nafta, sem navegação, mas sem água não sobreviveremos. Sabemos da importância que as administrações públicas dão para a questão econômica, afinal vivemos em um sistema que impõe tal postura, ainda que ecologicamente questionável. Mas nada justifica a ausência de cuidado para com as causas da má qualidade da água que tem chegado à população de Porto Alegre. Nada justifica a falta de monitoramento dos nossos rios.Todos os dias milhares de litros de elementos químicos altamente poluentes e perigosos, advindos de fábricas situadas à beira do Guaíba, são despejados com suas permissões no manancial que nos abastece. Só para exemplificar, citamos a autorização governamental concedida à fábrica chilena de celulose CMPC que escoa seus efluentes químicos e tóxicos diariamente em nossa fonte de água.Perguntamos: que contrapartida este e outros empreendimentos que poluem a água que consumimos trazem à nossa sociedade que justifique o risco e as autorizações para poluírem? E o Projeto Integrado Socioambiental, que até hoje não conhecemos os resultados com relação a melhora de qualidade da água do Guaíba, da nossa água? Qual a magnitude de acidentes, em termos de saúde pública, estão esperando acontecer para que seus governos venham a tomar alguma providência sensata nesta questão, visto que os rios Sinos, Gravataí e Caí, industrialmente impactados, também somam nessa triste conta de poluição ambiental?Senhores Governador e Prefeito, esperamos que cumpram com suas responsabilidades de gestores públicos, implementando medidas urgentes que identifiquem e venham a recuperar com a necessária competência e segurança a água que bebemos, um bem público e finito!A Agapan, preocupada com a falta de respostas às denúncias sobre a má qualidade da água em inúmeros bairros da capital gaúcha e cidades próximas, une-se à população no sentido de obter dos gestores públicos estadual e municipal, enérgicas e definitivas soluções para o caso urgente da poluição, do mau cheiro e do gosto ruim da água de Porto Alegre.Porto Alegre, 15 de julho de 2016.Diretoria Executiva e Conselho Superior da Agapan
Danilo Ucha, um gênio do bem
ELMAR BONES
“A fila andou, morreu o Ucha”. Eu estava acordando. Puxei de volta o cobertor sobre a cabeça, não podia ser. Lembrei dos versos que gritávamos nas madrugadas insanas da fronteira. “Que sabem vocês, inúteis diletantes?”. Repassei em segundos quase 60 anos de amizade e me dei conta: morreu um gênio do bem!
Isso foi o que sempre vi nele, desde que nos conhecemos ainda adolescentes. Uma inteligência superior, humilde, operosa, voltada para o entendimento, a solução, a harmonia, o lado positivo.
Foi assim que ele surgiu naquele distante 1962: um candidato que iria unificar o movimento estudantil radicalizado, naquela cidade conservadora que era Santana do Livramento.
Compôs a chapa com Aurélio Guerra, que trazia o apoio da parte mais esclarecida da elite local. Venceu com larga margem e seus primeiros projetos foram: um jornal, “Estudante Hoje”, e um evento esportivo para aproximar jovens de ambos os lados da fronteira de Brasil e Uruguai, os Jogos Internacionais da Primavera, evento pioneiro inspirado pelo grande mestre Rubens Mandarino.
No segundo semestre de 1963, um dos projetos da União Santanense de Estudantes era engajar os estudantes num programa de alfabetização de adultos – um terço dos adultos eram analfabetos na região.
Então, veio o golpe em 31 de março de 1964. A USES se alinha à resistência e uma faixa “OS ESTUDANTES ESTÃO COM JANGO” é estendida na frente da Prefeitura.
Surgem contestações. Um grupo, açulado pelos conservadores a favor do golpe militar, questionou o posicionamento da entidade: não representava a opinião de todos os estudantes. Uma assembléia à noite no porão da igreja não chega ao fim. É dissolvida por uma força do exército, que cerca o prédio. Um capitão e um tenente, de metralhadora em punho, tomam a porta e ordenam a saída, um a um, todos direto para casa sem comentário.
Lembro que saímos pela rua escura. Conhecíamos cada centímetro por ali, mas era como se caminhássemos sem rumo. Alguma coisa havia desmoronado. Depois vieram as ameaças, as prisões e a morte de amigos.
Bem mais tarde ele escreveria: “A palavra do revolucionário/ morreu na boca fuzilada”
A partir dali ele abraçou integralmente o jornalismo. Fez sua opção radical silenciosamente, sem explicar nem justificar. Fez por razões práticas indiscutíveis.
Começou pela base, como revisor, num tempo em que o jornal era impresso no chumbo antes de passar para o papel. Foi cronista, repórter, editor, diretor ao longo de sua carreira em grandes jornais e encarnou todas essas funções no jornal da Noite, que fundou há 30 anos para escrever sobre as coisas de que mais gostava – viagens, arte, boemia, vinho e boa carne.
Sua produção é impressionante – reportagens, notícias, colunas, crônicas, críticas, sem falar nos livros que publicou e dos que deve ter inéditos.
Seu testemunho é imprescindível para quem quiser escrever a história deste tempo entre nós. A indústria vinícola, por exempo: será impossível descrever a sua evolução sem recorrer aos seus inúmeros trabalhos.
Se quisesse ser amargo, diria que meu querido amigo Danilo Ucha malversou um imenso talento quando o colocou a serviço de uma profissão ingrata, que ainda exigia dele, aos 72 anos, mais de dez horas de trabalho por dia.
Mas pensando bem e vendo o que ele deixou em sua trajetória, acho que ele estava certo. Como sempre.OAB cobra providências da Brigada sobre prisão de jornalista
O presidente da Ordem dos Advogados do Rio Grande do Sul (OAB/RS), Ricardo Breier, encaminhou ofício à Corregedoria-Geral da Brigada Militar, pedindo “providências referentes aos relatos denunciados pelo Sindicato dos Jornalistas do RS (Sindjors) sobre a prisão do jornalista Matheus Chaparini, durante manifestação social no dia 15 de junho”.
“A prisão de um jornalista durante o exercício profissional mostra o tratamento que é dispensado a quem busca, através de seu trabalho, informar a população, em uma tentativa de inibir a atuação da imprensa na cobertura e esclarecimento dos fatos”, denuncia o presidente da Sindjors, Milton Simas Júnior, em documento encaminhado à Ordem.
Breier afirma que a OAB/RS, como representante da cidadania, tem a posição pela livre manifestação, reprovando qualquer ato abusivo. “A democracia não pode ser colocada em xeque. A informação é essencial”, afirma Breier.
Metroviários farão nova paralisação dia 1º de agosto
Os metroviários gaúchos fizeram paralisação parcial nessa quinta-feira, só funcionando em horários de pico, e prometem repetir a dose no dia 1º de agosto, segundo decisão tomada em assembleia geral da categoria.
As negociações entre a Trensurb e o Sindimetrô/RS em torno das reivindicações dos funcionários da estatal estão num impasse. Os trabalhadores pedem 9,28% de reajuste salarial, contratação de 200 seguranças e de mais bilheteiros. A estatal oferece reajuste de 8,28% e um vale refeição a mais, na cota mensal do benefício.
O Comando de Greve do Sindimetrô/RS espera que a direção da Trensurb aceite as reivindicações dos metroviários antes da data prevista para a próxima paralisação. Se isso não ocorrer, dia 1º de agosto, os trens que transportam cerca de 220 mil pessoas, diariamente, só funcionarão pela manhã das 5h30 às 8h30 e à tarde, das 17h30 às 20h30. Caso as negociações não avancem, será formalizado um calendário de paralisações.OAB vai apurar agressão a advogado dentro do Foro Central
O presidente da OAB/RS, Ricardo Breier, recebeu na noite desta segunda-feira (11), o advogado Ranieri Ferreira das Neves, que denunciou que foi ameaçado e agredido pelo promotor Eugênio Amorim, na última quarta-feira (06), após audiência.
Ranieri relata que após a audiência da 1ª Vara do Tribunal do Júri, ao acompanhar a advogada Katiuscia Machado da Silva, no Foro Central de Porto Alegre, foi abordado pelo promotor que indagou seu nome, e, após passou a ameaçá-lo e ofendê-lo. Não satisfeito, perseguiu o advogado pelo corredor tentado dar-lhe um soco e não conseguiu, mas o teria atingido com um pontapé na região do quadril. Nesse momento, os seguranças interferiram e separaram os dois. As câmeras de segurança filmaram a cena.
Ranieri narra ainda que na sexta-feira, 8, ingressou com pedido de representação junto à Corregedoria do Ministério Público (MP) para investigar o caso. “Pedimos o afastamento desse promotor, tendo em vista que ele não tem condições emocionais e psicológicas de trabalhar, não tem limites. Quem garante que ele não vá agredir outro colega?”, declarou.
“Recebo com grande preocupação a denúncia dessa agressão ao colega Ranieri Ferreira das Neves por um promotor de Justiça nas dependências do Foro Central de Porto Alegre. Sempre temos como regra apurar todos os fatos, e assim, já estamos tomando as medidas cabíveis por meio da Comissão de Defesa, Assistência e Prerrogativas (CDAP)”, afirmou Breier
Breier frisou que a Ordem gaúcha jamais admitirá e não tolerará qualquer ofensa às prerrogativas dos advogados. “É preciso seguir o exemplo do colega Rainieri e denunciar qualquer cerceamento dos nossos direitos, pois iremos atuar fortemente nessa questão”, finalizou. (Denúncias podem ser feitas pelo e-mail: gabinetedapresidencia@oabrs.org.br)
No dia 30 de junho último, o Movimento de Advogados e Advogadas pela Legalidade Democrática fez um protesto em frente ao prédio da Ordem, que reuniu cerca de 70 advogados, em desagravo à omissão da OAB diante da situação de advogados que foram impedidos pela Brigada Militar de ter acesso a sus clientes em situação de conflito social.Reintegração de posse do Demhab vai para análise do Ministério Público
FELIPE UHR
Pelo menos até sexta-feira, a ocupação no Departamento Municipal de Habitação vai continuar. Até lá, o processo em que a Prefeitura pede a reintegração de posse do prédio estará em análise do Ministério Público. Só depois disso, ao regressar para as mãos da juíza Karla Aveline, ela decidirá se aceita ou não o pedido.
Karla e o promotor de Habitação do Ministério Público, Heriberto Roos Maciel, estiveram nesta manhã nas dependências do Demhab, onde fizeram uma inspeção judicial. Passaram por todas os setores, onde trabalham cerca de 400 servidores. O prefeito José Fortunati, que havia mandado fechar o prédio, determinou que os funcionários retornassem ao trabalho. Continua suspenso o atendimento externo. Segundo a diretora-geral da autarquia, Luciane Skrebsky Freitas, isso “é inviável”. Segundo ela, há atraso na entrega de aluguéis sociais e de outros serviços.
A juíza e o promotor ouviram diversos servidores, que se declararam a favor dos manifestantes, e que disseram não se incomodar com a ocupação, enquanto outros falaram que não se sentem confortáveis com a presença das cerca de 70 pessoas que ocupam o saguão do prédio. Alguns também reclamam não terem recebido nenhum comunicado oficial da Prefeitura. “A gente fica sabendo se temos que ir trabalhar ou não no boca-boca”.
Juíza Karla Aveline, da 5a Vara da Fazenda Pública (à direita), ouviu representantes dos movimentos ocupantes. Foto: Pepe Martini/MTST
Ao final da visita, líderes dos movimentos ocupantes, representantes do governo e do Judiciário reuniram-se na sala da Coordenação de Assuntos Jurídicos e Regularização Fundiária, onde assinaram o termo de inspeção judicial. No termo, a juíza anota que foi “inexitosa a conciliação”. Ao Jornal JÁ, disse que a inspeção “foi muito proveitosa”.
Foram avaliados alguns pontos da ocupação: o acesso do prédio pelos servidores, como está o atendimento ao público e a preservação do ambiente.

Começou pela base, como revisor, num tempo em que o jornal era impresso no chumbo antes de passar para o papel. Foi cronista, repórter, editor, diretor ao longo de sua carreira em grandes jornais e encarnou todas essas funções no jornal da Noite, que fundou há 30 anos para escrever sobre as coisas de que mais gostava – viagens, arte, boemia, vinho e boa carne. 