Milhares de pessoas participaram da manifestação que percorreu as ruas do Centro e da Cidade Baixa, passou em frente da sede do grupo RBS e encerrou no Largo Zumbi dos Palmares, com shows de Hique Gomes, Nei Lisboa e diversos outros artistas.
A caminhada partiu pouco depois das 19h, da Esquina Democrática, onde os manifestante se concentravam desde as 18h.
O aquecimento ficou por conta da bateria da Marcha Mundial das Mulheres, que batucava seus instrumentos de lata e cantava “Eu tô com as mina pro que vier, PM porco só quer bater em mulher.” Outras integrantes do grupo preparavam uma faixa para a manifestação com o texto “golpe misógino”. Mas foi a chegada da bateria do Levante Popular da Juventude que puxou a caminhada.
A marcha partiu da avenida Borges de Medeiros e logo dobrou à direita na Riachuelo. O trajeto fez uma pequena volta para que a manifestação passasse em frente à Ocupação Lanceiros Negros, que havia resistido a uma tentativa de reintegração de posse na noite anterior. A multidão desceu a Rua da Ladeira gritando “Ocupar! Resistir!” De lá, o trajeto seguiu pela Borges, José do Patrocínio, Venâncio Aires e Érico Veríssimo, até a esquina com a Ipiranga.
QUEIMA DE PNEUS
Para a frente do prédio do maior conglomerado de comunicação do estado, os manifestantes prepararam um espetáculo à parte. Quatro pneus apareceram do nada e rapidamente foram incendiados. Um grupo distribuiu exemplares do jornal Zero Hora, que foram usados para alimentar o fogo, enquanto se ouvia o velho bordão que diz que “o povo não esquece.” Pedras e algumas bexigas com tinta foram atiradas contra a fachada do edifício.
Este foi o primeiro momento em que se pôde observar a presença da Brigada Militar na manifestação. Até então, apenas agentes da EPTC acompanhavam o percurso, parando o trânsito nas esquinas. O grupo de cerca de 15 policiais do Batalhão de Operações Especiais observava o ato à distância. Quando algumas pedras foram atiradas, o pelotão formou uma linha com os escudos à frente, mas não avançou.
Um pequeno grupo de mascarados foi até a entrada do edifício, mas não conseguiu mais do que barulho com alguns chutes, pois a cortina de metal havia sido fechada sobre as portas. Um homem de boné do MST e bandeira do grupo Kizomba saiu correndo para discutir com este grupo. “A luta de classes não é se avançar”, gritou, em uma tentativa de reprimir a reação violenta do grupo, que partiu para o arremesso de pedras e gritos “fascistas!” contra os policiais.
Durante alguns minutos o cenário permaneceu desta forma: na esquina, pneus queimando e levantando uma fumaça densa e escura; de um lado, o Choque; do outro, uma faixa com os dizeres “não vai ter golpe, vai ter luta”; ao redor do fogo, muitos fotógrafos. E os manifestantes divididos diante da situação: alguns vaiavam a RBS, outros insistiam para que a caminhada fosse retomada e um grupo seguia atirando pedras, mesmo à larga distância e com pouco êxito.
mulherES na rua
“Nem recatada e nem do lar” já se tornou um bordão cantado pelas mulheres nas manifestações contra o presidente interino Michel Temer. A presença feminina foi percebida ainda mais fortemente nesta manifestação. Na linha de frente, eram praticamente só mulheres.
Junto à faixa da “Frente de Lutas Contra o Golpe”, que abria a marcha, vinha outra com o texto “Frente das Minas Contra o Golpe”, carregada por um grupo de dez mulheres. Além de contarem com a bateria, as mulheres apresentaram novas canções e gritos de guerra. Uma destas dizia: “Fora Cunha, fora Temer, fora PMDB. É a frente feminista que vai derrubar vocês.” Outra letra fazia jus ao “nem recatada e nem do lar.” Parodiando A Luz de Tieta, de Caetano Veloso, elas cantavam “Eta eta eta, o Eduardo Cunha quer controlar minha buceta.”
Encerramento com shows no Largo Zumbi
Já eram 21h quando a caminhada chegou ao seu ponto final, o Largo Zumbi dos Palmares. No local, os manifestantes foram recebidos com um carro de som onde se apresentava o grupo de rap Mente Mestra. Em seguida foi a vez de Hique Gomes, que parodiou Ana Cristina, clássico do espetáculo Tangos e Tragédias para dar um recado ao presidente interino. “Michel Temer eu não gosto de você, você veio dar um golpe e vai perder.”
O músico realizou ainda um fuzilamento simbólico de alguns personagens do cenário político brasileiro. Um a um, os nomes eram chamados ao paredão – Bolsonaro, Marcos Feliciano, Gilmar Mendes, entre outros – e em seguida vinha a saraivada sonora: big-bag-da-big-bag-da-bum!
Categoria: Geral
Marcha contra governo Temer faz protesto em frente à RBS
Professores: "Não aceitaremos reajuste zero até 2018"
Professores da rede pública estadual em greve e alunos que estão ocupando escolas em Porto Alegre fizeram um ato nessa terça-feira pela manhã, para pressionar o governo do Estado.
A mobilização aconteceu em frente a Secretaria da Educação e em frente às Coordenadorias Regionais de Educação e pediu que o governo apresente propostas concretas na reunião prevista entre as duas partes, no dia 31 de maio.
“Estamos nesse ato para dizer ao governo que não aceitaremos reajuste zero até 2018. Todos os outros governos nos pagaram e este também vai ter que pagar. Seguimos juntos e fortes na luta, pois somente assim vamos conseguir avançar em nossos direitos”, afirmou a presidente do CPers/Sindicato, Helenir Schürer.
Houve um princípio de tumulto com empurrões entre seguranças e professores no ato em frente a SE, logo apaziguado.
Depois dos discursos e palavras de ordem os participantes da manifestação saíram em caminhada até o Palácio Piratini. A greve do magistério completou duas semanas, com crescente adesão ao movimento. (H.B.)Vieira da Cunha pode sair para concorrer à prefeitura pelo PDT
HIGINO BARROS
Depois de Raul Pont, pré candidato a prefeito pelo PT, os eleitores de Porto Alegre capital ganharam novo pretendente ao posto: o secretário estadual da Educação, Vieira da Cunha, que nessa terça-feira, admitiu a disposição de se afastar do cargo para concorrer pelo PDT.
Segundo Vieira a decisão não é pessoal. Os quadros do partido, tendo à frente o presidente da legenda no Rio Grande do Sul, Pompeo de Mattos, conversaram com ele mostrando a importância de sua candidatura para suceder José Fortunatti, também pedetista, que apoia a candidatura de seu vice, Sebastião Melo, do PMDB.
Para Pompeo de Mattos a indicação de Vieira da Cunha está assegurada. A legislação eleitoral estabelece que os secretários estaduais têm até 2 de junho para deixar os cargos se quiserem concorrer a prefeito ou vereador em outubro.
Dia 30 de maio, o PDT da capital realiza Seminário, em Santa Maria, com presença de convidados nacionais, em que essa candidatura será definida.
A candidatura de Vieira da Cunha, no entanto, depende também do PDT montar em torno dele uma aliança que garanta tempo de rádio e TV na propaganda eleitoral.
O prefeito José Fortunatti prefere que os trabalhistas apoiem a candidatura do atual vice-prefeito, Sebastião Melo, do PMDB, mas Fortunatti não conta com muita força de influência no partido.
Vieira da Cunha disse que chegou a pedir demissão da Secretaria da Educação ao governador Ivo Sartori, antes de sair de férias, no início de maio. Mas voltou atrás com o pedido do governador para permanecer no cargo e com a promessa de aumento de escolas em turno integral na rede pública estadual.
Mas pedetistas próximos ao secretário da Educação dizem que é questão de dias para que ele deixe o governo Sartori.
Principalmente pelas dificuldades financeiras do governo estadual, sem margem de investimento e sem poder atender as reivindicações de professores em greve e estudantes, ocupando escolas.Ocupação Infante: Diretora acusada de agredir três estudantes
A escola Infante Dom Henrique, situada no bairro Menino Deus, em Porto Alegre, está ocupada há quatro dias. Parece pouco, mas é o necessário para os alunos quererem a substituição da diretora do colégio.
Desde que um grupo de estudantes anunciou à mesa diretora que a escola seria ocupada ,começaram os entraves. Em um primeiro momento, a diretora Jaqueline Boff apoiou, depois voltou atrás e, por último, trancou a escola, chaveou os banheiros e tentou intervir junto aos pais para que a escola não fosse ocupada.
Na sexta-feira, dia da ocupação, o ato final e que iniciaria um grande conflito com os alunos proponentes da ocupação: a diretora agrediu física e verbalmente três estudantes.
Estudantes ocupam a escola desde a última sexta-feira | Ramiro Furquim/Jornal Já
Diretora humilhou aluna vítima de abuso sexual
A denúncia foi feita na página da ocupação no Facebook por meio de vídeo e depoimentos. Os atos da professora foram presenciados por colegas das jovens, que tentavam ocupar a escola. O relato mais grave dá conta de que a diretora teria se valido de uma confissão, feita em sigilo em outro momento, para expôr publicamente uma aluna menor de idade, que foi vítima de estupro.
“O que é que uma estuprada está fazendo revoltada?”, gritou a diretora, humilhando a estudante menor de idade diante de seus colegas.
A jovem estudante de 16 anos fala pouco sobre o assunto e pede anonimato. A confiança que tinha pela professora foi quebrada. A jovem sabe que o fato é o ápice da turbulência da ocupação, mas tenta manter o bom humor e a animação para continuar ocupando.
Há ainda relatos de duas agressões físicas. A professora, ao tentar fechar a porta, prendeu o pé de um aluna que a impedia do ato. Outra jovem foi fortemente segurada pelo braço.
A partir disso, a pauta da ocupação mudou. A escola já apresentava motivos suficientes para a ocupação, agora só será desocupada quando a diretora deixar o cargo, afirmam os alunos. “ Queremos que ela largue a Educação, mas sabemos que é difícil, por isso queremos que ela saia da escola”, afirma um dos estudantes.
A queixa foi dada nesta segunda-feira, quando as três alunas, acompanhadas de uma advogada, foram até o Centro de Referência em Diretos Humanos da Defensoria Pública relatar o ocorrido. Na próxima quarta-feira, prestarão o depoimento oficial.
A Defensoria encaminhará um medida administrativa contra a professora, para que saia da diretoria da escola. Outras medidas judiciais, tanto na área cível quanto criminal podem ocorrer.
OCUPAÇÃO ENGATINHA E ESTUDANTES AINDA SE ORGANIZAM
Estudantes garantem: escola só será desocupada quando a diretora cair | Ramiro Furquim/Jornal Já
A reportagem do Jornal JÁ esteve na ocupação no começo da noite desta segunda-feira, 23. Um menino embalando um skate vigiava a entrada. Após saber quem éramos, nos deixou entrar. Era Lucas, 16 anos, estudante do segundo ano. Logo nos apresenta para João Vitor, da Ubes, e para Mariane, todos eles estudantes e líderes da ocupação.
Eles ainda organizam o movimento. Com a ajuda de Jessica, estudante de Letras da UFRGS e apoiadora das ocupações, montam a programação cultural.
Dormindo mesmo na escola são poucos. Cinco, talvez seis, não mais que dez.
As reivindicações da ocupação são principalmente ligadas à própria escola. A situação da estrutura não é boa. A iluminação é precária dentro das 9 salas de aula do segundo andar. Em uma delas estão dormindo os estudantes, há barracas e colchões.
A sala dos professore é grande, bem ajeitada e tem até ar-condicionado. O colégio não tem um laboratório de Ciências. No banheiro masculino, duas cabines estão interditadas. No feminino, são três. Nos corredores, extintores com a validade vencida. Na biblioteca, o acesso aos livros é restrito. “Não há ensino pedagógico”, reclama Mariane.
Alunos improvisaram barreira para impedir invasões através do muro caído | Ramiro Furquim/Jornal Já
No pátio, a situação não é diferente. Um dos postes de iluminação está estragado. Parte do muro está demolido, entra quem quer. Com telhas, os alunos improvisaram uma barreira, mas em dias normais a passagem fica aberta. Mendigos e usuários de drogas invadem o pátio durante a noite, denunciam os alunos.
A noite avança e chegam mais alguns estudantes. Estavam em casa, voltaram para passar a noite. Pouco depois começam uma reunião. Surgem novas pautas, reivindicações a serem feitas, como irão se comunicar entre eles, entre outros assuntos. Sabem que precisam atrair mais colegas para a ocupação, para isso estão se organizando.
A reunião termina e dá pausa para a janta. A noite é longa e fria mas a vontade de fazer história ainda é maior que qualquer outra coisa. Nos despedimos dos jovens enquanto preparavam sua alimentação para aguentar mais uma noite de ocupação. Que só terminará quando a diretora cair.
| Ramiro Furquim/Jornal Já 
| Ramiro Furquim/Jornal Já 
| Ramiro Furquim/Jornal Já 
| Ramiro Furquim/Jornal Já Audiência Pública do Cais Mauá é aprovada na Assembleia
A Comissão para Assuntos Municipais da Assembleia Legislativa aprovou na manhã desta terça-feira a realização de uma audiência pública para debater as perspectivas de efetivação do projeto de revitalização do Cais Mauá. O requerimento foi proposto pelo deputado estadual Tarcísio Zimmermann (PT). A data e o local da atividade ainda não estão definidas.
Recentemente o Jornal JÁ noticiou que o consórcio responsável pelo projeto admitiu que está em dificuldades financeiras, com várias dívidas e sem condições de pagar até mesmo pela segurança da área.
“Vimos que sequer conseguem manter a segurança de um espaço tão nobre como é o Cais do Porto. Isso é preocupante. Se algo acontecer com os armazéns? Por isso solicitamos a audiência para esclarecer os fatos”, destacou Zimmermann.
A audiência vem ao encontro dos trabalhos da Frente Parlamentar e Social por um Cais Mauá de Todos, formada recentemente por deputados, vereadores e diversos movimentos sociais e entidades que têm uma visão alternativa ao futuro do Cais Mauá.
Serão convidados para participar da audiência pública representantes da Secretaria de Portos e Hidrovias do Estado (SPH), do Consórcio Cais Mauá do Brasil, do Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul (TCE/RS), da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Rio Grande do Sul (IPHAE), do Ministério Público Estadual, dos integrantes da Frente Parlamentar e Social por um Cais Mauá de Todos e demais interessados na atividade.Fortunati discutiu minuta de decreto, mas não chamou os artistas
Matheus Chaparini
Logo após o prefeito Fortunati ter se reunido com um pequeno grupo de representantes de movimentos sociais, na noite desta segunda-feira, setenta artistas realizaram uma Assembleia Geral na Superintendência Regional do Iphan, ocupada desde a última quinta-feira pelo movimento Ocupa Minc.
O tema dos dois encontros era o mesmo: a minuta de decreto distribuída pelo gabinete do vice-prefeito Sebastião Melo, e divulgada na semana passada pela página Arteiros da Rua, que dispõe sobre regulamentação para autorização de eventos na rua em Porto Alegre.
“O curioso é que não nos chamaram para a reunião”, afirmou o músico Ricardo Bordin. Foi ele quem chegou à reunião dos artistas com a notícia de que outro encontro acontecera com o mesmo tema. Sentaram com Fortunati representantes da Frente Brasil Popular. “Nem conhecemos quem esteve nesta reunião”, completou o músico.
Minuta “atinge os direitos cidadão”
Primeiro consenso: a minuta de decreto é ampla e não atinge só os artistas / JÁ
O objetivo da reunião era construir uma carta de repúdio e um manifesto, que devem ser divulgados nos próximos dias. Uma nova reunião foi marcada para domingo, às 18h, no mesmo local.
O primeiro consenso da reunião foi que o texto não limita apenas a arte na rua, sendo muito amplo. “Atinge os direitos do cidadão”, definiu o presidente do Sated-RS, Fábio Cunha, que criticou também a falta de diálogo na elaboração do texto. “Se eles tem uma problemática em relação à burocracia, querem modificar e isso vai atingir qualquer setor da sociedade, eles têm que dialogar com este setor, para entender a realidade.”
A alegação de Melo é de que o documento não se aplicaria aos artistas de rua, tendo por finalidade “organizar a liberação de eventos comerciais”. Entretanto, o texto é amplo, e sequer cita a atividade comercial, abarcando “atividade recreativa, política, cultural, religiosa, esportiva ou promocional, comunitária ou não.”
A minuta estabelece ainda critérios objetivos para classificação dos eventos segundo o impacto – baixo, média, alto –, enquadra atividades com público previsto a partir de 30 pessoas. A grande abrangência do texto e a cobrança de pagamento pelo uso do espaço público gerou piadas ao longo da reunião.
“Nem um futebolzinho pode mais. Aliás, se forem só onze contra onze pode, mas se tiver reserva tem que pagar”, brincou o presidente do Sated, que citou ainda outros exemplos: “tem uma parte que fala em ações comunitárias, se o pessoal lá no Campo da Tuca quiser fazer um brique, não pode.”
Vereadora vai pedir audiência pública
Ao final do encontro, a vereadora Fernanda Melchionna (Psol) se comprometeu a pedir uma audiência pública na Câmara de Vereadores para discutir o tema.
“O problema é essência da minuta que fere o direito ao uso da cidade, que parte de uma premissa privatista, de tentar regular o uso do espaço público que na prática significa cobrar por atividades comunitárias, associativas, culturais, recreativas, como o próprio decreto diz”, afirmou a vereadora.
Para Fernanda, o discurso da prefeitura não coincide com o teor da minuta. “Para se ter uma ideia, o texto chega a citar procissões? Vão cobrar por uma procissão? As pessoas vão ter que pagar para manifestar sua fé nas ruas?”
Outras cidades cobram pelo espaço público
Durante a reunião foram citados exemplos de outras cidades, onde existem leis que regulamentam a atividade dos artistas de rua. O caso mais emblemático foi levantado pelo artista Pascal Berten, do grupo Ói Nóis Aqui Traveiz.
Ele contou que o grupo chegou a gastar mais de R$ 10 mil para utilizar espaços públicos em um único projeto. A Movida Cultural foi um projeto aprovado pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC) em 2014 e abrangeu espetáculos, debates e oficinas em três cidades: São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
Nas três cidades, o uso do espaço foi cobrado pelo poder público, mas no Rio de Janeiro a situação foi mais complexa. Pascal explica que na cidade, há uma lei que regulamenta a arte de rua e que foi construída através do debate com os próprios artistas. Entretanto, a peça que o grupo apresentou tinha um tempo de preparação muito longo e não foi enquadrada como arte de rua, mas como evento comercial.
“A lei do artista de rua foi na verdade usada contra nós, em vez de nos proteger, que seria o objetivo. E esse é o grande risco: qualquer lei, mesmo que esteja ali pra te proteger, pode ser usada contra ti, dependendo da interpretação que for usada”, concluiu Pascal.Liminar suspende reintegração de posse da Ocupação Lanceiros Negros
felipe uhr
“Pisa ligeiro, pisa ligeiro… Quem não pode com a formiga, não atiça o formigueiro!” era o canto entoado, pouco antes das 7:30 da manhã, por manifestantes que apoiavam a ocupação Lanceiros Negros, enquanto a tropa de choque da Brigada Militar se retirava, após receber liminar que suspendia a reintegração de posse do prédio.
| Ramiro Furquim/Jornal Já
A ordem foi concedida pelo Jorge Luis Dall’agnol e tem efeito suspensivo por tempo indeterminado.
| Ramiro Furquim/Jornal Já
A área estava interditada pela Brigada Militar desde às 22:30 e começou a agir pelas 5h da manhã, esperando o mandado de reintegração. Pouco depois das 6h30, advogados e representantes da Defensoria Pública obtiveram a liminar que demorou um tempo a chegar às mãos do Comandante da BM que em seguida recuou.
| Ramiro Furquim/Jornal Já
Com isso a ocupação segue sendo habitação de 70 famílias que, por não terem para onde ir, desde novembro moram no prédio do Ministério Público, abandonado havia 12 anos.Lanceiros Negros: BM interdita área e reintegração de posse será pela manhã
felipe uhr
A área foi interditada por volta das 22h30 desta segunda-feira. Entre a rua Riachuelo e Andrade Neves só entram moradores, convidados e funcionários dos prédios ao redor de onde é a ocupação Lanceiros Negros, na rua General Câmara em Porto Alegre.
Durante o dia, circulou aviso de que as ruas seriam bloqueadas a partir das sete horas de terça-feira, distribuído entre os condomínios. Com a divulgação, a Brigada antecipou a ação e impediu o acesso de carros e pessoas. O prédio onde é a Ocupação está isolado: ninguém entra, ninguém sai. Sem acesso ao lugar a equipe do JÁ segue nas imediações acompanhando o caso.
Desde novembro, cerca de 70 famílias ocupam o prédio abandonado há 12 anos, que pertence ao Ministério Público. São pessoas que saíram de zonas do tráfico, vilas ou foram desapropriadas de suas casas e não tinham para onde ir.
De dentro da ocupação a resistência é preparada. Moradores do entorno e pessoas solidárias a causa não param de chegar em protesto a reintegração de posse."Mais uma vez a expectativa dos professores foi frustrada"
Higino Barros
Convocada pelo governo estadual, a reunião entre o Comando de Greve do Cpers e representantes do governo Sartori, terminou sem resultado prático, na tarde desta segunda-feira.
A reunião, realizada na Secretaria da Educação, durou 90 minutos e teve a participação do secretário da Educação, Vieira da Cunha, que retornou de férias, e do secretário-adjunto da Fazenda, Luiz Antônio Bins.
“Mais uma vez a expectativa dos professores foi frustrada. Esperávamos a presença do secretário da Fazenda, com propostas concretas no papel e ele não compareceu e seu representante só reafirmou que o governo não tem dinheiro para conceder aumento”, explicou a presidente do Cpers/Sindicato, Helenir Schürer.
A greve do professores da rede pública estadual completou uma semana nessa segunda-feira.
Além da pauta financeira, os professores cobraram do governo estadual, sem serem atendidos, a retirada de projeto de lei que autoriza a participação de organizações sociais no ambiente escolar.
Para os professores, tal projeto é um facilitador da privatização do ensino público.
Ficou marcada nova reunião entre as duas partes no próximo dia 31 de maio. Até lá, a greve prossegue, com o crescimento na adesão ao movimento e na ocupação das escolas, por parte dos alunos.Prefeitura aborda artistas de rua na Redenção: "Regras vão mudar"
“As regras vão mudar!” Com esta frase, um funcionário da Prefeitura interrompeu a apresentação do grupo Cartas na Rua, na Feira Ecológica da Redenção, neste sábado, 21. Os artistas, que se apresentam na feira há cinco meses, estavam na terceira música quando o representante do poder municipal chegou.
Ele queria nome, telefone e endereço dos artistas e disse que as regras iriam mudar, que os artistas seriam identificados, os espaços para a arte, limitados e demarcados, e haveria um rodízio entre os grupos.
“Isso é inviável para quem vive de tocar na rua. E se chover no sábado? Além disso, a gente tem que ter a liberdade de escolher onde vai tocar”, defendeu o músico Jean Kartabil, integrante do Cartas na Rua.
Em nota publicada na sua página do facebook, a banda defendeu que entre os artistas de rua funciona a autogestão e que qualquer tentativa de regulamentação seria uma arbitrariedade. “Nunca houve disputa entre os músicos. Esses dias, o som de outra banda estava alto e atrapalhava nossa apresentação. Fomos conversar e eles baixaram sem problemas”, afirma Jean.
A presença de artistas de rua já é uma característica da feira de sábado na José Bonifácio. O agente da prefeitura não deixou claro de onde vinha a reclamação e se a abordagem teria relação com a minuta de decreto do gabinete do vice-prefeito, Sebastião Melo, que regulamenta os eventos de rua e cria empecilhos para os artistas.
O vazamento da minuta, na semana passada, gerou mobilização dos artistas. Para esta segunda-feira, foi convocada uma Assembléia Geral dos Artistas de Rua, a partir das 19h, na superintendência do Iphan no Rio Grande do Sul. Na ocasião será lançado o Manifesto Pelo Direito ao Uso do Espaço Público.











