Categoria: Geral

  • A noite fria em um colégio ocupado

    ramiro furquim

    | Ramiro Furquim/Jornal Já
    | Ramiro Furquim/Jornal Já

    Era meia-noite. Havia o temor de que a Brigada invadisse o local e barricadas foram feitas com classes, cadeiras e até um banco de concreto: “A gente sabe que é muito fácil entrar e passar pelas cadeiras, mas é mais pra marcar nossa resistência do que para evitar uma invasão”, diz o presidente do Grêmio Estudantil, Sérgio Campos, 17 anos, do segundo ano do Médio.
    | Ramiro Furquim/Jornal Já
    | Ramiro Furquim/Jornal Já

    | Ramiro Furquim/Jornal Já
    | Ramiro Furquim/Jornal Já

    2016.05.18 - Porto Alegre/RS/Brasil - Ocupa PS, a ocupação do Colégio Estadual Paula Soares. Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já
    | Ramiro Furquim/Jornal Já

    É a ocupação do Colégio Paula Soares, em Porto Alegre, a 200 metros do palácio do governo do Estado.
    | Ramiro Furquim/Jornal Já
    | Ramiro Furquim/Jornal Já

    | Ramiro Furquim/Jornal Já
    | Ramiro Furquim/Jornal Já

    2016.05.18 - Porto Alegre/RS/Brasil - Ocupa PS, a ocupação do Colégio Estadual Paula Soares. Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já
    2016.05.18 – Porto Alegre/RS/Brasil – Ocupa PS, a ocupação do Colégio Estadual Paula Soares. Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já

    2016.05.18 - Porto Alegre/RS/Brasil - Ocupa PS, a ocupação do Colégio Estadual Paula Soares. Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já
    Janta na medida pra todo esse pessoal | Ramiro Furquim/Jornal Já

    | Ramiro Furquim/Jornal Já
    | Ramiro Furquim/Jornal Já

    O cardápio da janta é lasanha, arroz, feijão requentado, cenoura ralada e suco de uva artificial em canecas de inox. A trilha sonora é Beyoncé. A lasanha foi feita no olhômetro. Ninguém sabe a medida. Mas a forma tinha quase um metro quadrado. Também teve sobremesa. Salada de frutas com maçã, mamão e banana.
    2016.05.18 - Porto Alegre/RS/Brasil - Ocupa PS, a ocupação do Colégio Estadual Paula Soares. Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já
    Do portão, não passa mais ninguém não identificado | Ramiro Furquim/Jornal Já

    A gurizada fala com muita convicção sobre o movimento. O prédio está muito mal cuidado. Em dias de chuva, os corredores ficam cheios d’água que escorre pelas paredes. A Direção já orçou reforma no telhado e pintura e elétrica. Há bastante tempo a escola segue com essas mesmas defasagens.
    2016.05.18 - Porto Alegre/RS/Brasil - Ocupa PS, a ocupação do Colégio Estadual Paula Soares. Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já
    Paredes do Paula Soares | Ramiro Furquim/Jornal Já

    2016.05.18 - Porto Alegre/RS/Brasil - Ocupa PS, a ocupação do Colégio Estadual Paula Soares. Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já
    Olhar para cima sempre revela alguma coisa | Ramiro Furquim/Jornal Já

    2016.05.18 - Porto Alegre/RS/Brasil - Ocupa PS, a ocupação do Colégio Estadual Paula Soares. Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já
    Corredor | Ramiro Furquim/Jornal Já

    Comentam a velocidade do aumento do número de escolas ocupadas. “Qualquer agressão que se faça aqui [no Paula Soares] vai ser um tiro no pé”, conversam debaixo do abrigo do portão principal. Os trajes são cobertas e capuzes. O frio aperta mais e mais.
    2016.05.18 - Porto Alegre/RS/Brasil - Ocupa PS, a ocupação do Colégio Estadual Paula Soares. Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já
    Hall do Collégio | Ramiro Furquim/Jornal Já

    Sete graus marca o aplicativo Tempo para Porto Alegre. A sensação é de temperatura bem mais baixa, mesmo agasalhado e dentro do prédio. O improvável silêncio se sucedeu após às três da manhã. Quase todos dormem.
    2016.05.18 - Porto Alegre/RS/Brasil - Ocupa PS, a ocupação do Colégio Estadual Paula Soares. Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já
    Limpeza | Ramiro Furquim/Jornal Já

    A guarda no portão e na central de câmeras segue acordada.
    2016.05.18 - Porto Alegre/RS/Brasil - Ocupa PS, a ocupação do Colégio Estadual Paula Soares. Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já
    As noites frias não são problema maior que os problemas na escola | Ramiro Furquim/Jornal Já

    O motivo: uma mãe chegou no portão e não conseguiu contato. Ficou nervosa e chamou a Brigada, que apareceu e causou pequeno susto ao adentrar com rispidez. Havia representante na diretoria e tudo acabou resolvido, contam.
    2016.05.18 - Porto Alegre/RS/Brasil - Ocupa PS, a ocupação do Colégio Estadual Paula Soares. Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já
    Sono | Ramiro Furquim/Jornal Já

    Gongo das seis
    2016.05.18 - Porto Alegre/RS/Brasil - Ocupa PS, a ocupação do Colégio Estadual Paula Soares. Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já
    Tem gongo e megafone como despertadores | Ramiro Furquim/Jornal Já

    O dia nasce, sem sol. Tem café, leite e achocolatado. O pão parece ter sido contado, mas tem margarina e chimia. Há também bergamota. Surge um chimarrão e bastante descontração, só quebrada porque um dos alunos está com um mal estar. A rotina recomeça.
    2016.05.18 - Porto Alegre/RS/Brasil - Ocupa PS, a ocupação do Colégio Estadual Paula Soares. Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já
    Aguardando o café da manhã | Ramiro Furquim/Jornal Já

    Novos cartazes são feitos e oficinas abrem o campo da percepção sobre o que se aborda numa sala de aula. O temor inicial de invasão já não existe mais. Já passou a quinta noite de um movimento que só acabará quando os estudantes quiserem.
    2016.05.18 - Porto Alegre/RS/Brasil - Ocupa PS, a ocupação do Colégio Estadual Paula Soares. Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já
    Sala de aula | Ramiro Furquim/Jornal Já

    2016.05.18 - Porto Alegre/RS/Brasil - Ocupa PS, a ocupação do Colégio Estadual Paula Soares. Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já
    Higiene | Ramiro Furquim/Jornal Já

    2016.05.18 - Porto Alegre/RS/Brasil - Ocupa PS, a ocupação do Colégio Estadual Paula Soares. Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já
    Cartazes | Ramiro Furquim/Jornal Já

    2016.05.18 - Porto Alegre/RS/Brasil - Ocupa PS, a ocupação do Colégio Estadual Paula Soares. Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já
    Cartazes | Ramiro Furquim/Jornal Já

    2016.05.18 - Porto Alegre/RS/Brasil - Ocupa PS, a ocupação do Colégio Estadual Paula Soares. Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já
    Cartazes na parede | Ramiro Furquim/Jornal Já

    2016.05.18 - Porto Alegre/RS/Brasil - Ocupa PS, a ocupação do Colégio Estadual Paula Soares. Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já
    Oficinas e empoderamento | Ramiro Furquim/Jornal Já

    2016.05.18 - Porto Alegre/RS/Brasil - Ocupa PS, a ocupação do Colégio Estadual Paula Soares. Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já
    | Ramiro Furquim/Jornal Já

  • Vereadores alteram regimento interno para votações passarem na TV

    Os vereadores de Porto Alegre aprovaram na tarde desta quarta-feira o Projeto de Resolução 007/16. O projeto, proposto pela mesa diretora da casa, altera o regimento interno, invertendo as sessões de quarta e quinta-feira. As votações, que ocorriam nas segundas e quartas, passam a ocorrer segundas e quintas.
    A alteração ocorre em função da divisão do espaço da TV Câmara com a Assembleia Legislativa. A TV transmite as sessões da Câmara nas segundas e quintas-feiras.
    As quartas-feiras ficam, assim, destinadas para ao debate de temas de importância para o Município, não havendo votações nesse dia.
    No projeto, o vereador Cássio Trogildo, presidente da Câmara, alega que “a transferência das votações de quarta para quinta-feira permitirá o acompanhamento direto dos debates acerca dos projetos em apreciação pela comunidade.”
    O plenário aprovou também o PR 009/16, que altera os requisitos para protocolização de projetos de Diploma Honra ao Mérito, concedendo a apresentação de quatro dessas distinções durante a legislatura. O objetivo é garantir a isonomia na concessão entre os vereadores e, assim, evitar o prejuízo por mera perda de prazo para a protocolização da proposta.

  • Artistas organizam protesto contra restrições à arte de rua

    Artistas e entidades vão se reunir nesta sexta-feira, para esclarecer a minuta de decreto que regulamenta eventos de rua em Porto Alegre.
    O vazamento do documento, que foi distribuído pelo gabinete do vice-prefeito Sebastião Melo às secretarias municipais, gerou muita críticas entre os artistas.
    Eles vêem o texto como uma reedição ampliada de outra proposta, distribuída pelo gabinete do vice-prefeito, em agosto de 2015, que regulamentava a Lei dos Artistas de Rua (Lei 11.586 de 2014).
    A reunião será a partir das 18h, na sala 302 da Câmara Municipa, para “discutir a mobilização e articulação do movimento”.
    Um evento no facebook foi criado pela página Arteiros da Rua – POA e até as 17h30 desta quinta já contava com mais de 460 confirmações.
    No ano passado, em resposta àquela minuta, o movimento organizou um cortejo de artistas. Houve também uma audiência pública, que contou com a presença do então secretário-adjunto municipal de Cultura, Vinicius Cáurio.
    Estão confirmadas as presenças de diversos artistas de rua, Eber Marzullo, professor de Urbanismo da UFRGS, IAB (Instituto dos Arquitetos do Brasil), Simpa (Sindicato dos Municipários de Porto Alegre), AssoM-CB (Associação dos Músicos da Cidade Baixa).
    A reunião é aberta.

  • EPTC vai investigar servidores suspeitos de trabalharem para Uber

    O aplicativo Uber começou a funcionar em Porto Alegre em novembro de 2015. A Prefeitura se apressou em declarar que a operação da empresa era clandestino na cidade.
    A multa prevista para os motoristas que trabalham através do aplicativo é de aproximadamente R$ 7 mil, além do recolhimento do veículos. Até agora, foram recolhidos 58 carros.
    A EPTC chegou a admitir a possibilidade de organizar armadilhas para pegar os motoristas da Uber.
    Agora imagine a cena: a equipe está de prontidão para armar o flagrante e quando dá o bote, o motorista pirata é um colega, fazendo bico na folga.
    O diretor-presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação, Vanderlei Cappellari, afirmou nesta quinta-feira, 19, que a empresa vai investigar sete agentes de trânsito suspeitos de trabalharem para a Uber. Se ficar comprovada a suspeita, os servidores serão exonerados.
    Cappellari disse também que solicitou o cadastro dos motoristas da empresa pessoalmente ao diretor de Políticas Públicas da Uber, Daniel Mangabeira, que se comprometeu a fornecer as informações.
    Atualmente, a Câmara Municipal de Porto Alegre discute o projeto de regulamentação do serviço de transporte individual por meio de aplicativo, semelhantes ao Uber, entregue na última segunda-feira, 16, pelo Prefeito José Fortunati.

  • Raul Pont : "Temos experiência e competência para governar a cidade"

    O ex-prefeito e ex-deputado Raul Pont concorrerá à Prefeitura de Porto Alegre nas eleições de outubro, pela legenda do PT.
    O anúncio foi oficializado  nesta quinta-feira  pelo presidente estadual do partido, Ary Vanazzi . Pelo telefone,  Raul falou ao jornal Já: “Agora temos de conversar com possíveis aliados e na convenção Municipal confirmar a candidatura” afirmou.
    Dentre os possíveis aliados, o PC do B surge como o principal aliado a indicar o vice em uma composição de chapa. Este cenário se tornou possível desde que o principal nome do partido comunista, Manuela D’Ávila anunciou que está fora da disputa esse ano.
    Uma eventual conversa com o PDT, partido que a nível nacional esteve do lado do governo Dilma, não está descartada.
    Apesar da crise do partido do trabalhadores, Raul acredita em uma grande eleição. “Temos experiência e competência, já mostramos isso nos nossos governos aqui” afirmou.
    Para ele a cidade está muito mal administrada. “Obras atrasadas, baixo investimento e a perda de qualidade dos serviços” são alguns dos problemas que a cidade atravessa.
    O atual cenário nacional também não deve sair da pauta. Para Pont, os debates eleitorais serão em cima do “golpe e da ilegitimidade desse atual governo”.
    “OP virou Simulacro”
    O pré-candidato ainda falou sobre o orçamento participativo, grande marca das administrações petistas em Porto Alegre e que se manteve até hoje mas que para Raul existe apenas simbolicamente.
    Pont alega que os orçamentos baixaram, os recursos são miseráveis e que hoje é uma mera peça retórica.
    Por fim ele afirmou que buscará no diálogo com os movimentos sociais, CUT e CTB, e principalmente na juventude para construir uma campanha vitoriosa. “Não vamos apenas pra marcar posição, viemos pra ganhar”

  • Maior colégio estadual do RS completa uma semana de ocupação

    Matheus Chaparini
    A ocupação do maior colégio estadual do Rio Grande do Sul já dura uma semana. Os estudantes do Júlio de Castilhos estão na escola desde quinta-feira passada, 12. O movimento começou como uma ocupação de 24 horas, mas o grupo decidiu em assembleia pela permanência.
    Um grupo de cerca de 30 pessoas dorme na escola todas as noites. Durante o dia o grupo cresce.
    As principais reivindicações do movimento são contra a PL 44, criticada como privatização do ensino; a precariedade da estrutura do colégio, que apresenta goteiras em várias salas do terceiro andar; e o programa Escola Sem Partido, “tira qualquer direito nosso de debater alguns assuntos polêmicos, justamente no colégio, que é onde a gente cria opinião”, explica a estudante Nicole Schilling.
    Nicole, que faz parte do Grêmio de Julinho, conta que a inspiração veio das ocupações escolares de outros estados, principalmente São Paulo. “A gente vinha acompanhando as ocupas de São Paulo, daí alguém lançou a ideia no grupo do face e a gente foi se organizando”, explica Nicole.

    Nicole diz que a organização foi difícil no começo, mas teve grandes avanços | Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já
    Nicole diz que a organização foi difícil no começo, mas teve grandes avanços | Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já

    A assembleia é o órgão supremo de decisão da ocupa. As cadeiras permanecem constantemente postadas em roda no saguão da escola. Várias vezes ao longo do dia, conforme surgem questões a serem debatidas ou problemas a serem resolvidos, o grupo convoca uma reunião geral.
    As tarefas são divididas entre as comissões: Segurança, Cozinha, Comunicação, Cartazes. As funções são identificadas por faixas com cores diferentes que os integrantes trazem amarradas nos braços.
    As decisões são tomadas em assembleia | Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já
    As decisões são tomadas em assembleia | Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já

    Os estudantes se revezam em turnos de 6 horas. Os estudantes controlam quase toda a escola, as refeições – café da manhã, almoço e janta – são preparadas no refeitório e a porta é guardada pela equipe da segurança. O acesso à escola é fechado à meia noite e reaberto às 6h30, pois alguns ocupantes precisam sair para trabalhar.
    Eles garantem que estudantes, professores, direção e visitantes em geral podem entrar, mas todos precisam se identificar. Na entrada, nome, RG e telefone são solicitados. “Se não se identificar não entra, porque a gente não pode deixar entrar qualquer pessoa. É uma questão de segurança”, explica Nicole.
    Escola ocupada tem aulas e atividades culturais
    Para o próximo sábado mestá prevista uma atividade da Frente Quilombola | Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já
    Para o próximo sábado está prevista uma atividade da Frente Quilombola | Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já

    Na escola ocupada e com greve dos professores, as aulas normais estão suspensas. Entretanto, professores da UFRGS, do próprio Julinho e de outras escolas se ofereceram para dar aulas e promover debates na ocupação. Além dos conteúdos do currículo escolar, os temas são educação, política, feminismo, entre outros.
    O grupo de teatro Levanta Favela também se apresentou na escola esta semana. Para o próximo sábado, 21, está prevista uma atividade com a Frente Quilombola.
    Senac e UFRGS utilizam salas do julinho
    Nas noites do colégio Julio de Castilhos, os integrantes da ocupação se acostumaram a conviver com vizinhos, muitos nem sabiam que dividiam o espaço. Há cerca de dois anos, alunos da UFRGS têm aulas à noite em salas do Julinho. Um estudante de Administração que chegava para a aula explicou: “O prédio estava caindo, daí nos mandaram pra cá.”
    Além da universidade, o Senac também utiliza as salas do colégio. Em assembleia, os alunos de Julinho decidiram que a entrada destes alunos será permitida normalmente.
    Ocupação já dura uma semana e não tem prazo para acabar | Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já
    Ocupação já dura uma semana e não tem prazo para acabar | Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já

    Brigada Militar e Polícia Civil estiveram na ocupação
    A necessidade de identificação na entrada gerou um conflito no último sábado. Um integrante da banda marcial do colégio entrou na ocupação sem se identificar. Os estudantes queriam que ele desse seus dados antes de ir embora, mas ele se recusara. Diante do impasse, o homem chamou a polícia.
    A Brigada Militar foi até o local e chegou a passar do primeiro portão, em um momento de distração dos “porteiros”. Os estudantes se apressaram em fechar a porta de vidro, que dá acesso ao saguão, e o incidente foi resolvido na escadaria.
    A Polícia Civil também deu as caras na ocupação do Julinho, no segundo dia.. Os estudantes contam que o portão estava aberto e dois homens à paisana entraram. Quando já estavam no saguão, eles se identificaram como policiais civis. A alegação era de uma denúncia de tráfico de drogas ao lado da escola. Os integrantes da ocupação contam que conversaram com os agentes, que desistiram de entrar nas dependências do colégio.

  • Estudantes que ocupam o IE vão lançar manifesto nesta quinta

    Alunos do Instituto de Educação fazem assembleias a todo momento | Ramiro Furquim/Jornal Já
    Alunos do Instituto de Educação fazem assembleias a todo momento | Ramiro Furquim/Jornal Já

    Um grupo de estudantes ocupou o Instituto de Educação General Flores da Cunha na tarde desta quarta-feira. A ocupação foi deflagrada por volta das 13h. No final da tarde, os estudantes, junto com alguns pais e professores que apoiam a ocupação realizaram uma assembleia. Ficou decidido que um manifesto será lançado em 24h. Até lá, só entra quem é da ocupação.
    “A gente vai abrir mais adiante, mas neste primeiro dia a gente vai se organizar internamente”, explica o estudante Frederico Restori. O grupo recebe apoio de integrantes de outras ocupações, muito deles ex-alunos do IE.
    Estudante Frederico Restori | Ramiro Furquim/Jornal Já
    Estudante Frederico Restori | Ramiro Furquim/Jornal Já

    Atualmente o colégio está em obras. No início deste ano, o prédio histórico iniciou a primeira restauração em 81 anos. As obras iniciaram pelo ginásio, que estava interditado há mais de dez anos, por problemas no teto que acabaram por apodrecer o piso. A previsão é que as obras fiquem prontas em até a metade de 2017.
    Em função da reforma, os alunos serão transferidos para outras escolas no segundo semestre. O Instituto de Educação General Flores da Cunha tem 1600 alunos.
    Equipe da SEC visita as ocupações
    Uma equipe da Secretaria Estadual de Educação chegou em torno das 18h, enquanto acontecia a reunião. O grupo debateu internamente e decidiu não permitir a entrada na comitiva da secretaria.
    Titular da 1ª Coordenadoria de Educação da Seduc Jurema Garzella | Ramiro Furquim/Jornal Já
    Titular da 1ª Coordenadoria de Educação da Seduc Jurema Garzella | Ramiro Furquim/Jornal Já

    Desde o primeiro dia de ocupação, um grupo da secretaria faz visitas, de escola em escola. Até o final da tarde desta quarta-feira, já haviam conversado com 12 ocupações. Jurema Garzella, Coordenadora de Educação da 1ª Coordenadoria, responsável pelas 258 escolas estaduais, garante que a intenção não é reprimir, mas orientar. “Queremos saber o porquê, ver a pauta deles. Tem escolas que a gente vai e eles falam as necessidades, outras estão em melhores condições e ocupam em apoio”, explica Jurema.
    As ocupações aumentam a cada momento, já são mais de 80 em todo o estado. A página Ocupa tudo RS no facebook está fazendo a atualização do número de escolas ocupadas.

  • Cpers cria Comitê para apoiar alunos de escolas ocupadas

    Higino Barros
    O Comando de Greve do Cpers/ Sindicato passou a quarta-feira intensificando os contatos com os professores em favor greve da rede pública estadual. Além disso,  criou o Comitê de Apoio às Ocupações das Escolas, formado por seis professores, cuja responsabilidade é integrar à rede de apoio e solidariedade, colher doações e atuar para a solução das demandas das escolas ocupadas.
    O crescimento das escolas ocupadas pelos alunos ocorreu principalmente no interior do Estado, indicando também uma adesão maior dos professores ao movimento de paralisação. Nessa quarta- feira, um dos estabelecimentos mais tradicionais de Porto Alegre, o Instituto da Educação, foi ocupado pelos estudantes.
    Oficina foi oferecida no Paula Soares
    Hoje também o cineasta Otto Guerra, simpatizante da causa dos estudantes, ministrou uma oficina de animação aos alunos do Colégio Paula Soares, ocupado desde o último dia 14. Os estudantes das escolas ocupadas têm realizado atividades extra escolares, com apoio de professores e pais. Foram organizadas comissões para limpeza , de alimentação, de atividades culturais e sociais, de arrecadação de doações, entre outras.
     

  • Número de escolas ocupadas dobra em 24 horas

    O movimento estudantil de ocupações nas escolas, deflagrado a partir do Colégio Emílio Massot, na quarta-feira passada, 11, não para de aumentar. No final da tarde desta terça, 17, eram 42 escolas ocupadas em todo o Estado, segundo o Ocupa Tudo RS, página do facebook que contabiliza as adesões ao movimento. Hoje o número já chega a 83 ocupações espalhadas por todo o Rio Grande do Sul..
    Na noite da terça, a Secretaria Estadual da Educação lançou uma nota oficial sobre as ocupações. A secretaria informou também, por meio de sua assessoria, que buscará ouvir as reivindicações dos alunos por meio das Coordenadorias Regionais e diretorias dos colégios. O secretário em exercício, Luís Antônio Alcoba de Freitas, já visitou pelo menos 3 escolas onde ouviu pessoalmente os relatos dos alunos.
    Secretario Vieira da Cunha, de férias, retorna na segunda-feira
    No dia 9 de maio o Secretário Vieira da Cunha ingressou em férias. Pouco dias depois, começaram as ocupações nas escolas. Desde então, circulou um boato que Vieira já teria pedido demissão do cargo e nem retornaria das férias. Secretaria e Governo negam tal episódio. Não foi solicitado nenhuma saída. Vieira da cunha retorna na próxima segunda-feira de um viagem a Europa de onde acompanha as notícias das ocupações e greve dos professores através de mensagens de assessores.
    Confira na íntegra a nota oficial da Secretaria da Educação, a respeito das ocupações:

    Nota oficial sobre ocupação de escolas estaduais

    1. Desde a primeira ocupação, a Secretaria da Educação tem buscado o diálogo com as direções e os alunos, para conhecer a pauta de reivindicações. Na maioria das vezes, trata-se de justas contribuições ao processo de melhoria da qualidade da educação pública. As demandas apresentadas são atendidas na medida do possível.
    2. As mobilizações estudantis não serão tratadas como caso de polícia, e sim como uma pauta da área da Educação, na qual se pretende contar também com o auxílio de pais e familiares dos estudantes para se chegar ao consenso.
    3. Cabe ao Estado preservar a ordem, a liberdade e a integridade das pessoas.O acesso dos professores e alunos às escolas deve ser preservado. Caso isso não ocorra, as Coordenadorias Regionais de Educação devem ser imediatamente comunicadas pelas direções, conforme regem as normativas em vigor.
    4. A Secretaria da Educação buscará, sempre que necessário, a cooperação do Ministério Público Estadual, objetivando o cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente e o debate entre os estudantes e o Poder Público. A finalidade é evitar confrontos ou atitudes que ponham em risco a integridade física da comunidade escolar, promovendo um ambiente saudável de diálogo e convivência.
    5. O Governo do Estado reitera que segue fazendo todos os esforços para recuperar o equilíbrio financeiro das contas públicas e espera que as condições socioeconômicas do país possam melhorar, repercutindo na arrecadação. Esses passos são imprescindíveis para recuperar a qualidade do serviço público, mantendo em dia o pagamento do salário do funcionalismo e o repasse de verbas para as escolas. Cabe salientar ainda que o Governo do Estado fez, em 2015, o maior investimento em educação da década, totalizando 33,7% da receita líquida.

  • Aumento dado pela Assembleia daria para construir escolas para 20 mil alunos no RS

    Felipe Uhr
    O aumento de 8,14%, aprovado pela Assembleia Legislativa, na última noite de terça-feira para o quadro de cinco órgãos públicos (Ministério Público, Tribunal de Contas, Defensoria Pública, Tribunal de Justiça e Tribunal de Justiça Militar) e da própria casa, custará R$ 194 milhões aos cofres do estado em 2016.
    Com este valor seria possível construir 107 escolas infantis de tempo integral para 188 alunos cada uma, segundo os critérios do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação.
    Segundo o Programa Nacional de Reestruturação e Aquisição de Equipamentos para a Rede Escolar Pública de Educação Infantil, o projeto Tipo 1, um modelo padrão de educação infantil pode ser construído em terreno com dimensões mínimas de 40m x 60m.
    O valor do projeto varia de acordo com cada estado. No Rio Grande do Sul, o custo de cada unidade de ensino seria em torno de R$ 1,8 milhões de reais. Se todos os 194 milhões fossem destinados para esse fim pouco mais de 20 mil alunos teriam escola no Rio Grande do Sul.
    Déficit de vagas no Ensino Infantil ainda é grande, aponta estudo
    Mesmo com a construção de todas essas escolas o problema estaria longe do fim. Um estudo do TCE-RS no final do ano passado divulgou que faltam pelo menos 172 mil vagas, 98 mil referentes a creches e o restante em escolas pré-infantis. O RS ocupa a 23ª posição entre os estados, com ofertas na pré-escola, chegando aos 75%, o que é menor que o índice mínimo (80%) exigido pelo Plano Nacional de Educação.
    Governador vetará aumento 
    O Governador José Ivo Sartori anunciou que irá vetar o aumento aprovado pelo legislativo. O governador disse entender a necessidade das categorias envolvidas, mas defendeu que “não pode ignorar a situação dos servidores do executivo, principalmente policiais e professores”, referindo-se ao parcelamento de salários do funcionalismo.
    Tudo indica, porém, que o veto do governador será derrubado pelos deputados da base aliada.