Categoria: Geral

  • Entre os gaúchos, 22 favoráveis, 8 contrários e uma abstenção

    A maioria dos deputados federais do Rio Grande do Sul, 22, foram favoráveis a dar início ao processo de impeachment da presidente da República Dilma Rosseff.
    Votaram contra apenas os deputados do Partido dos Trabalhadores e Afonso Motta, do PDT. Outro trabalhista, Pompeu de Matos, se absteve, posição que, na contagem, é favorável ao governo federal.
    Veja como votou o seu deputado:
    Afonso Hamm (PP) – SIM
    Afonso Motta (PDT) – NÃO
    Alceu Moreira (PMDB) – SIM
    Bohn Gass – NÃOCarlos Gomes (PRB) – SIM
    Covatti Filho (PP) – SIM
    Danrlei de Deus (PSD) – SIM
    Darcísio Perondi (PMDB) – SIM
    Giovani Cherini (PDT) – SIM
    Heitor Schuch (PSB) – SIM
    Henrique Fontana (PT) – NÃO
    Jerônimo Goergen (PP) – SIM
    João Derly (Rede) – SIM
    José Fogaça (PMDB) – SIM
    José Otávio Germano (PP) – SIM
    José Stédile (PSB) – SIM
    Luis Carlos Heinze (PP) – SIM
    Luiz Carlos Busato (PTB) – SIM
    Marco Maia (PT) – NÃO
    Dionilson Marcon (PT) – NÃO
    Maria do Rosário (PT) – NÃO
    Mauro Pereira (PMDB) – SIM
    Marchezan Júnior (PSDB) – SIM
    Onix Lorenzoni (DEM) – SIM
    Osmar Terra (PMDB) – SIM
    Paulo Pimenta (PT) – NÃO
    Pepe Vargas (PT) – NÃO
    Pompeo de Mattos (PDT) – ABSTENÇÃO
    Renato Molling (PP) – SIM
    Ronaldo Nogueira (PTB) – SIM
    Sérgio Moraes (PTB) – SIM
     
     
     

  • Cortejo reuniu duas mil pessoas contra o impeachment na Capital

    Matheus Chaparini
    Um cortejo do movimento Cultura pela Democracia movimentou a região central de Porto Alegre na manhã deste domingo (17). Cerca de duas mil pessoas saíram da frente do auditório Araujo Vianna, passaram pelo Brique da Redenção e caminharam até a Praça da Matriz, local que abriga o Acampamento da Legalidade e da Democracia.
    É lá que se concentram os que se posicionam contra o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Dois telões foram instalados para acompanhar a votação da comissão de impeachment na tarde deste domingo.

    IMG_20160417_121550199
    Caminhada enfrentou o sol forte dessa atípica manhã de abril em Porto Alegre | Matheus Chaparini/jÁ

    A concentração começou às dez da manhã, com cerca de cem pessoas abrigadas nas poucas áreas de sombra em frente ao Auditório Araújo Vianna, protegendo-se do sol que já era forte àquela hora.
    No rádio, os comentaristas políticos especulavam sobre o resultado da votação, afirmando que o governo está se desmobilizando e dando como quase certa a vitória do impeachment.
    O principal fator de dúvida era o deputado Waldir Maranhão (PP-MA), uma informação vinda de uma reunião na última madrugada dava conta de que o deputado, que já havia mudado seu voto em favor do governo, teria mudado novamente de ideia, levando seu voto e de seus apoiadores pra o lado da oposição, o que foi negado mais tarde.
    O público foi crescendo mais perto da hora da caminhada. Às 11h20, quando o cortejo partiu, mais de mil pessoas seguiam a bateria e a charanga pela Osvaldo Aranha gritando “fascistas, golpistas, não passarão”. O grupo passou pelo Brique da Redenção aos cantos de “não vai ter ódio, vai ter arte.”
    Megafone humano: impeachment é golpe
    As críticas à grande imprensa também fizeram parte do discurso
    As críticas à grande imprensa também fizeram parte do discurso

    Na esquina da José Bonifácio com a João Pessoa, o movimento organizou um megafone humano. O coro defendia que “este impeachment é golpe” e seguiu a manifestação: “Este impeachment quer retirar direitos dos trabalhadores, quer vender a Petrobras, quer privatizar o SUS, quer acabar com o Prouni. Não ao golpe contra os trabalhadores.”
    No local, a marcha encontrou o carro de som e seguiu em direção à Praça da Matriz, passando pelas avenidas João Pessoa, Salgado Filho e Borges de Medeiros. O canto puxado ao microfone, acompanhado pela bateria e pelas vozes dizia “ai, com jeito vai, a Dilma Fica, o Cunha cai.”
    Perto da uma da tarde o movimento chegou à Praça da Matriz, cantado “vem, vamos embora que esperar não é saber.”
    Ataques à Dilma são machismo
    Carla veio de Cachoeira do sul com um grupo de 50 pessoas
    Carla veio de Cachoeira do sul com um grupo de 50 pessoas

    Militante da Articulação de Mulheres Brasileiras, Carla Batista acredita que há um componente de machismo por trás do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.
    Ela aponta como exemplo a linguagem utilizada pelos opositores da presidente, que segundo ela muitas vezes é desrespeitosa. “Se assemelha à fala dos homens quando querem diminuir, achincalhar uma mulher.”
    “A Dilma é competente. Criticam características nela que não apontam nos políticos homens, como o fato de ser carrancuda ou de não ser boa em falar o público”.
    Carla defende a presença das mulheres da política, “espaço que durante muito tempo foi interditado para as mulheres.”
    A militante diz ainda que está acompanhando as especulações sobre o resultado da votação na Câmara e que acredita que o impeachment não passa. “Está mudando muito nas últimas horas, mas eu acredito que não vai ter golpe.”
    Críticas ao Partido dos Trabalhadores
    Marcelo: "deixa eu tirar a foto com o Leonardo, um gremista e um colorado pela democracia"
    Marcelo: “deixa eu tirar a foto com o Leonardo, um gremista e um colorado pela democracia”

    Em frente ao Araújo Viana, durante a concentração para o cortejo, Marcelo Rocanto montou uma pequena banca e vendia bandanas com o já clássico bordão “não vai ter golpe, vai ter luta”.
    Ele procurou fazer um material que defendesse a democracia mas que não falasse do partido. “Minha intenção é barrar o golpe, não militar pelo partido.”
    Sua principal crítica é a falta de participação da militância nos últimos anos. “O partido chegou ao poder e achou que poderia governar sozinho”, afirma Marcelo, que já foi militante do PT.
    Ele fez crítica também ao que chamou de “alinhamentos com a direita” principalmente nas políticas em relação ao agronegócio e ao meio ambiente.
    Marcelo conta que já trabalhou produzindo material de campanha para o PT. Havia largado a serigrafia, mas retomou a atividade de forma caseira, especialmente para fazer as bandanas.
    Em duas noites, produziu 250 unidades, que vendia por R$ 5, “um valor simbólico”, afirmou.
    Além do bordão contra o impeachment, estampavam o pano vermelho imagens representativas dos movimentos de mulheres, de Che Guevara, Zumbi dos Palmares, além de uma imagem defendendo os direitos humanos e o programa Mais Médicos, “duas coisas que se o governo cair acabam no mesmo dia”, afirmou.
    Contrários demonstraram bom humor

    Morador da Salgado Filho fez protesto inusitado com a bandeira de Portugal
    Morador da Salgado Filho fez protesto inusitado com a bandeira de Portugal

    Durante a caminhada foram registradas algumas manifestações contrárias. Foram poucos episódios, todos pacíficos e respondidos de forma bem humorada, como o da moradora de um edifício na Salgado Filho que, em lugar da panela, batia em uma forma de pudim.
    Na marquise de um prédio na avenida João Pessoa, um homem batia com uma colher em uma panela, com uma bandeira do Brasil e uma camiseta preta nas mãos.
    No prédio ao lado, um morador protestava na janela com uma grande bandeira de Portugal e a camisa da seleção brasileira de futebol. A inusitada manifestação gerou diversos comentários irônicos entre os participantes de cortejo. Um senhor concluiu com um grito: “larga, colônia!”.

  • Empresários emprestam jatos para levar parlamentares à votação

    A colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, publica, neste domingo (17), a informação de que empresários colocaram jatinhos à disposição de parlamentares para que votem a favor de impeachment.
    A colunista confirmou a informação com o ex-ministro Eliseu Padilha (PMDB-RS), um dos principais articuladores do vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP).
    Segundo Mônica, Padilha não teme baixas entre a oposição, pois o grupo pró-impeachment estava organizado “para resolver imprevistos”.
    Um dos principais problemas (o desculpas), o atraso ou mesmo o cancelamento de voos a Brasília, foi solucionado, segundo ele, graças a empresários que colocaram aeronaves executivas à disposição para buscar parlamentares onde fosse necessário.
    “Nós temos aviões para buscá-los”, assegurou, para logo complementar:
    “Mas até agora não tivemos nenhum caso”.
    Segundo os cálculos de Padilha, o impeachment já tinha 370 votos seguros.

  • Comandante do impeachment, Cunha recebeu propina em 36 parcelas

    O Estado de S. Paulo deste domingo publica uma reportagem assinada pelos jornalistas Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo na qual eles revelam o código utilizado por empresários para referir a propina paga ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha.
    Cunha, que é réu no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de corrupção, conduz a seção que pode acatar o processo de impeachment da presidente Dilma Roussef.
    A matéria foi feita com base em informações da delação premiada do empresário Ricardo Pernambuco Júnior, da Carioca Engenharia, à Procuradoria-Geral da República, no âmbito da operação Lava Jato.
    Segundo o depoimento, uma mensagem cifrada trocada entre o delator e seu pai era a senha dos repasses propina para o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ): “Enviei para nosso amigo um livro de 181 páginas sobre túneis suíços”.
    Segundo o empreiteiro, a propina total ‘devida’ a Cunha era de R$ 52 milhões, que deveriam ser divididos pela Carioca – R$ 13 milhões -, OAS e Odebrecht, sobre contratos do Porto Maravilha, no Rio.
    O empresário entregou aos investigadores uma tabela que aponta 22 depósitos somando US$ 4.680.297,05 em propinas supostamente pagas pela Carioca a Eduardo Cunha entre 10 de agosto de 2011 e 19 de setembro de 2014.
    Há um e-mail com o assunto “túneis”, em que o pai do depoente, no dia 26 de abril de 2012, escreve:
    “Enviei para nosso amigo um livro de 181 páginas sobre túneis suíssos (sic). Convém ele confirmar se recebeu o livro e se gostou das fotos”; que se tratava de uma mensagem cifrada enviada por seu pai”, contou.
    “A pessoa de ‘nosso amigo’ fazia referência ao deputado Eduardo Cunha e a menção ‘181 páginas’ referia-se ao valor de 181 mil francos suíços e, ainda, ‘túneis suíssos (sic)’ fazia referência ao país do depósito, ou seja, a Suíça.”
    Pernambuco Júnior deu detalhes aos procuradores. “Inclusive, relacionado a este e-mail, já foi identificada uma transferência ocorrida no dia 24 de abril de 2012 – ou seja, dois dias antes do e-mail – na qual consta repasse de valores de 181 mil francos suíços (equivalentes na época a US$ 198.901,10, conforme tabela), para a conta da offshore Penbur Holdings, provavelmente no banco BSI.”
    Pagamentos foram feitos no exterior
    O delator entregou à Procuradoria-Geral da República ‘múltiplos registros de agenda outlook, relativos a encontros seus com Eduardo Cunha, referindo inclusive ao endereço do escritório político dele no Rio de Janeiro’.
    “Nestes registros, Eduardo Cunha é identificado pelas iniciais de seu nome, ‘EC’.”
    Em 14 páginas de depoimento, o empresário Ricardo Pernambuco Júnior narrou com detalhes o primeiro encontro que teve com o presidente da Câmara para combinar como seriam feitos pagamentos no exterior. A reunião teria ocorrido no escritório político de Cunha, no Rio, início de agosto de 2011.´Nessa época, o peemedebista ainda não exercia a presidência da Casa.
    Pernambuco Júnior descreveu para os investigadores o escritório do presidente da Câmara. “Indagado sobre a descrição do escritório político de Eduardo Cunha, respondeu que se trata de um escritório com decoração mais antiga, que tem uma antessala, com uma recepcionista; que, além disso, havia dois sofás, em seguida um corredor, com duas salas; que nestas salas havia uma secretária mais alta e um assessor do deputado; que este assessor era uma pessoa mais velha, com cerca de 60 anos, acreditando que fosse um pouco calvo, possuindo cabelo lateral; que nunca conversou, porém, nenhum assunto com tais pessoas; que mais à esquerda tinha a sala do deputado Eduardo Cunha, com uma mesa antiga, de madeira maciça, com muitos papeis em cima; que acredita que o escritório fique no 32.º andar.”
    A assessoria de imprensa de Eduardo Cunha enviou a seguinte mensagem à redação do Estadão sobre a informação: “É a quarta vez que sai matéria sobre mesmo assunto. O presidente já repudiou os fatos que não tem prova alguma”.

  • Movimentos sociais encenam 'julgamento da mídia golpista' na Matriz

    Naira Hofmeister
    Em meio a uma movimentação de centenas de acampados, churrasqueiras, ambulantes com isopores cheios de bebidas e tendas que vendem produtos da reforma agrária, a Praça da Matriz serviu de palco, na noite de sábado (16), para uma curiosa encenação.
    Conduzida pelo jornalista Ayrton Centeno, no papel de juiz, a brincadeira foi intitulada “julgamento da mídia golpista” com direito a testemunhas de acusação e um desajeitado advogado de defesa.
    O debate era sobre o papel da imprensa na crise política atual, mas não faltaram testemunhas para lembrar que inflação aumentou antes nas páginas de jornais do que nas prateleiras do supermercado, que a mídia silenciou durante a ditadura, que as novelas mercantilizam o corpo da mulher e reduzem o papel dos negros ao de subalternos, que no noticiário, favela só produz violência…
    “A imprensa brasileira é a principal responsável pelo atraso no avanço democrático do país”, resumiu o ex-deputado (PT) Raul Pont, que falou na condição de “sequestrado pela Operação Bandeirante (Oban)”, durante a Ditadura Militar.
    De Santa Maria veio um depoimento inesperado. Uma jovem lembrou a cobertura frenética que os veículos de comunicação fizeram da tragédia da boate Kiss, quando morreram 242 pessoas, sobretudo jovens.
    “Passaram um mês mostrando a dor e o sofrimento 24 horas por dia na televisão. Mas quando ocupamos durante uma semana a Câmara de Vereadores para cobrar uma investigação séria sobre os responsáveis pelo incêndio, rodaram uma matéria de 30 segundos em rede nacional”, surpreendeu-se.
    Alternativas de mídia

    A maioria das críticas era sobre a distorção que a imprensa faz das ações de movimentos sociais – cuja versão atual é o ataque ferrenho ao governo federal, cuja base são esses movimentos.
    No “vácuo” dessa cobertura ausente é que trabalha há 12 anos o jornalista Gustavo Turck, do Coletivo Catarse. “Há muitos excluídos da imprensa”, recordou.
    Ele fez uma defesa das pequenas iniciativas de imprensa que há no Brasil, mas pediu: “Parem de nos chamar de mídia alternativa, nós somos alternativa de mídia”.
    Seu colega de Catarse, Marcelo Cogo, lembrou que a grande imprensa se sustenta basicamente de publicidade – grande parte dela, proveniente de fontes oficiais.
    “É justo que governos coloquem diariamente milhões de reais nessas empresas, mantendo essa mídia que os golpeia”, condenou.
    Jornalistas explorados
    O jornalista Wálmaro Paz, que fez carreira ao longo de 45 anos nos grandes conglomerados como Diários Associados, Caldas Júnior e RBS, recordou a fragilidade das relações trabalhistas nessas empresas.
    “Elas vivem da exploração dos nossos colegas, seus donos enriquecem graças ao nosso suor”, lamentou.
    Ele fez um apelo para que o trabalho dos profissionais da imprensa fosse respeitado. “Antes podíamos recorrer à cláusula de consciência para rejeitar uma pauta, mas hoje, isso é impossível”, revelou, fazendo uma referência ao enxuto mercado para jornalistas no Brasil.
    Essa não foi a primeira atividade crítica à cobertura da imprensa no acampamento ao longo dessa última semana. Na quarta-feira à noite foi pendurado um varal dos cartunistas que teve a mídia como alvo. Também houve uma palestra da professora e doutora em Comunicação, Christa Berger e do presidente do Sindicato dos Jornalistas, Milton Simas, sobre o “papel da mídia no golpe”.

  • Acampamento Sérgio Moro se despede do Parcão antes do prometido

    Felipe Uhr
    Quase um mês depois de se instalar no Parcão, o símbolo da vigília a favor do impeachment, o acampamento Sérgio Moro chegou ao fim.
    No sábado (16), véspera da votação que decide pelo prosseguimento ou não do processo de afastamento da presidente Dilma, restava apenas uma barraca ao final da tarde. As outras foram sendo desmontadas ao longo da semana que passou. Parte dos ocupantes, como os integrantes da Banda Loka Liberal, estão em Brasília, de onde irão acompanhar a votação.
    Eles prometiam vigília até a queda de Dilma caísse, mas decidiram pela retirada dias antes da votação acontecer. “Motivos de segurança”, segundo o prefeito do acampamento, Jorge Colares.
    Colares disse que estão atendendo um pedido das autoridades da segurança. Como não quer conflito, estão indo embora.
    A última atividade do espaço foi uma palestra cujo tema era Dom Pedro II e o liberalismo, que atraiu cerca de vinte participantes na tarde de sábado.
    Mas ocuparão o espaço novamente neste domingo, a partir das 14h, quando um telão será instalado para transmitir ao vivo a votação.
    O sentimento é de certeza de vitória da oposição. “Estamos confiantes” disse uma das organizadoras do MBL (Movimento Brasil Livre), Paula Cassol, que não viajou para Brasília e comandará os microfones esta tarde no Parque Moinhos de Vento.

  • Carlos Araújo exclusivo: "Ninguém sabe como vai terminar isso"

    Elmar Bones
    Carlos Araújo está se recuperando de uma pneumonia. Move-se com dificuldade e ainda mantém no nariz o tubinho de plástico para receber oxigênio quando sente falta de ar.
    Mas quando o assunto é política nada parece incomodar o ex-deputado do PDT, que voltou à cena nacional com a chegada de Dilma Rousseff na presidência da República – eles foram casados e mantém até hoje uma relação muito próxima, de amizade e aconselhamento.
    Ele se acomoda na cadeira e nem espera uma pergunta:
    “Esse processo é uma vergonha, quase inacreditável. O mundo inteiro está perplexo. O presidente da Câmara, um corrupto, comandando um processo contra uma presidente que não está implicada em nada”.
    Ele não tem dúvidas: tudo decorre do medo dos conservadores de perder mais uma eleição.
    “Se o Lula morresse hoje, terminava tudo. Tudo é por causa da eleição de 2018.  Eles já perderam quatro eleições seguidas. Não suportam a ideia do Lula vencer de novo, pois não tem liderança e nem unidade para enfrentá-lo. Aécio e Alckmin disputam no PSDB. A Marina é fracote, não é para chegar lá, é pra fazer meio de campo. Eles não tem parelheiro para correr esse páreo”.
    Araújo tinha 16 anos quando Getúlio Vargas se suicidou para não ser destituído da presidência da República, em 1954. Já era militante do Partido Comunista Brasileiro, o Partidão, que fazia oposição a Vargas.
    “Estávamos reunidos decidindo uma passeata contra Vargas, quando vimos a massa tomando as ruas e quebrando tudo porque o presidente tinha se matado. O povo estava certo e nós estávamos errados”.
    Hoje ele vê, “do lado de lá”, a mesma “fração da elite” querendo derrubar Dilma. Primeiro, investiram contra Vargas e, depois, contra João Goulart, derrubado por um golpe militar em 1964. “É uma fração golpista,  é um comportamento histórico deles”.
    Até o núcleo ideológico que arregimenta forças contra Dilma é o mesmo, liderado pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp). “Ali está entranhado o golpismo anti-popular”.
    Seus instrumentos são também os mesmos. O jornal O Estado de São Paulo, da família Mesquita, o jornal O Globo, dos Marinho e, mais recentemente, a Folha de São Paulo.
    “O Estadão é quase pré-capitalista. Parou em 1932 e não consegue sair dali. É um fazendeiro que não enxerga nada além da sua porteira. A Folha é um jornal de origem fascista. Os Frias são fascistas. O Globo… bem aí é o banditismo, o capitalismo selvagem”.
    E vai dar certo de novo, contra Dilma?
    “Olha, é uma jogada muito perigosa dessa fração das elites. A gente sabe como vai começar essa história, ninguém sabe como vai terminar. Não digo nem por luta armada, essas coisas, não estou falando isso, mas o processo histórico é que vai cobrar. Ninguém sabe como vai se desdobrar esse golpe”.
    ‘dialoguei até com torturadores’

    Em 1964, Carlos Araújo se engajou na luta armada, na mesma organização de Dilma Rousseff. Conheceram-se e casaram na militância clandestina contra a ditadura.
    Preso e torturado, ele não abandonou uma conduta: não se deixar levar pelo ódio. “Sempre mantive o diálogo, mesmo com os torturadores”.
    Sempre manteve, também, a disposição de ver aspectos positivos, mesmo nas situações mais terríveis. Como agora:
    “Vejo aspectos interessantes nesse processo. O mais importante deles é a volta da política à ordem do dia. Vejo meu filho e vejo uma gurizada que não queria nada com nada, agora estão discutindo política. Isso é muito importante”.
    E o processo de impeachment que a Câmara está votando neste domingo?
    “Eu acho que a Dilma pode ganhar ainda. Mas vai ser bigode a bigode, ali…uma parada muito dura. Ainda mais com um cara sem escrúpulos como o Cunha comandando o processo”.
    Economia pode dar louros a Temer
    Ele admite até que um governo Temer pode-se se dar bem num primeiro momento, se a situação econômica melhorar.
    “A situação econômica é de extrema dificuldade e foi agravada pela oposição política que paralisa do governo. Mas as condições para retomar o desenvolvimento estão mais ou menos dadas… já começam a surgir os primeiros sinais de aquecimento, ainda tímidos, alguns setores da indústria voltam a crescer, a inflação começa a ceder, os investimentos afloram… Quer dizer, pode ser uma ironia…se derrubarem a Dilma, podem fazer o Brasil crescer no ano que vem e sair com esses louros…”
    O problema será a reação dos setores organizados, como os sindicatos e as centrais de trabalhadores. “Para fazer a política que eles querem, vão mexer em direitos, a CLT vai acabar praticamente…Isso não vai passar sem muita resistência”.
    Segundo Araújo, Dilma acha que vai ganhar. “Ela está confiante”. E ele?
    “Sou mais reticente…O bombardeio negativo, na televisão, rádio, jornais é prolongado e intenso. Me dizem que temos 249 votos, não sei. O certo mesmo vai se ver na hora. Tem sempre essa faixa cinzenta dos que não se definem”.
    Como será o dia seguinte, caso a Câmara aprove o impeachment
    Bem, ela já disse que vai resistir até o fim. A  Dilma terá que se preparar para resistir por 180 dias, caso o Senado inicie um processo de impeachment. A expectativa é que o ajuste fiscal de Temer, a pressão dos grupos de esquerda, as tentativas de esvaziar a Lava Jato, tudo isso crie um ambiente para que ela volte.
    A Lava Jato corre risco?
    Bem,  o Moro anunciou ontem que Lava Jato vai terminar em dezembro. Já terá cumprido seu papel?.
    E se a Dilma for mantida, enfraquecida por uma quase derrota?
    Terá que governar com minoria, não tem problema. Esses episódios todos provam que essa aliança com o PMDB esgotou-se. Terá que buscar aliança com setores minoritários. Se houver alguma melhora na economia, os caras vem correndo, temos aí um ano eleitoral…

  • Carlos Araújo: "Falei com Dilma, ela está confiante que vai vencer"

    Carlos Araújo, ex-marido e um dos principais interlocutores da presidente Dilma Rousseff, falou ao JÁ, na tarde desta sexta-feira.
    Ele disse que havia falado com Dilma logo de manhã e que ela estava “confiante que vai vencer”.
    Isso antes ainda de os jornais começarem a noticiar – já no início da noite -, que a oposição perdia votos. Segundo o jornalista Jorge Bastos Moreno, de O Globo, governadores que defendem o mandato de Dilma Rousseff estariam conseguindo mudar votos de parlamentares.
    Pode ter contado ainda nesta mudança de panorama, uma reportagem do New York Times, republicada em todos os jornais, que mostra o panorama da votação assim: o parlamento que julga Dilma é dominado por políticos acusados dos mais diversos crimes – desde Eduardo Cunha, que é réu na Lava Jato, a Paulo Maluf, passando por latifundiários que usam trabalho escravo em suas terras; lembra que as pedaladas passariam a ser um crime a partir de Dilma, já que outros presidentes utilizaram o expedientes sem questionamento; sublinha que não há prova de corrupção contra a presidente da República e compara isso com sua linha sucessória, que tem Temer, Cunha e Renan, no mínimo, sendo investigados.
    Ao longo da sexta-feira (15), movimentos sociais se mobilizaram em diversas cidades do País para defender o mandato da presidente.
    Em Porto Alegre, desde a manhã ocorreram atos a favor de Dilma, com agricultores familiares e a Via Campesina marchando sobre a cidade. No final do dia, a Esquina Democrática reuniu 10 mil pessoas para escutar os discursos dos ex-governadores Tarso Genro, Olívio Dutra e do ministro Miguel Rossetto.
    A perda de vantagem numérica entre os deputados pró-impeachment fez o vice-presidente, Michel Temer, voltar à Brasília. Ele pretendia acompanhar a votação do impeachment desde São Paulo, base que escolheu desde que rompeu com o governo e passou a ser considerado líder da oposição.
    O JÁ vai atualizar a entrevista com Araújo ao longo deste sábado.
     

  • Votação do impeachment modifica rotina em Porto Alegre

    O início da votação do impeachment da presidente Dilma Roussef, em Brasília, nessa sexta-feira (15), modifica a rotina em porto Alegre, onde grupos contrários e favoráveis ao afastamento da presidente preveem uma série de atividades até domingo, quando o processo deverá ser concluído.
    Nesta sexta-feira, a partir das 8h30, uma marcha da Via Campesina parte da avenida Farrapos, na Zona Norte, em direção à Praça da Matriz, no Centro Histórico. A caminhada em defesa do mandato de Dilma passa ainda pelas avenidas Mauá e Borges de Medeiros.
    O destino final dos agricultores é o “Acampamento da Legalidade e da Democracia”, que desde o início da semana domina o cenário do núcleo onde estão instalados os três poderes do rio Grande do Sul.
    Roda de samba e debate constitucionalista
    No “Acampamento pela Legalidade e Democracia”, movimentos sociais promovem atividades culturais e debates diariamente. Na noite de quinta-feira (14), por exemplo, a praça foi palco de uma aula pública sobre o papel da imprensa no processo de impeachment.
    Hoje, às 21h, rola uma roda de samba no local.
    Ainda nesta sexta-feira, estão previstos dois atos de movimentos contra a derrubada da presidente da República.
    A partir das 17 horas, uma concentração está sendo convocada pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo para a Esquina Democrática. Como em ocasiões anteriores, o grupo deve sair em caminhada até o Largo Zumbi dos Palmares, na Cidade Baixa.
    Já os advogados, juízes, promotores, procuradores e servidores que defendem a legalidade da permanência de Dilma no poder, realizam uma aula pública com Marcelo Lavenère e Pedro Estevam Serrano sobre a Constituição. O evento ocorre no auditório da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Instituições Financeiras do Rio Grande do Sul (Fetrafi), na rua Fernando Machado nº 820, também no Centro Histórico.
    As atividades programadas para esta sexta levaram a presidente da Assembleia Legislativa, Silvana Covatti (PP) a suspender o expediente no Legislativo estadual. Em nota, ela menciona a responsabilidade “pela integridade física dos visitantes, dos servidores e das autoridades” e a “manutenção da ordem e da proteção do patrimônio público” como motivos para a decisão, embora nenhum dos atos dos últimos dias tenha registrado qualquer episódio de violência.
    Final de semana intenso
    No sábado (16) a mobilização anti-impeachment segue com uma aula pública sobre a ditadura militar às 17h no Parque da Redenção.
    Os professores de história Bernardo De Carli, Aécio Severo, Fábio Viecili e Lourenço Teixeira vão traçar um paralelo entre o Golpe de 1964 no Brasil com conjuntura atual, abordando ainda, os períodos autoritários em outros países da América Latina.
    No domingo (17), quando o Congresso Nacional deverá decidir se a presidente Dilma deve se afastar ou irá permanecer no cargo – ela está sendo julgada pelas ‘pedaladas fiscais’, que é uma operação financeira de antecipação de receitas interna utilizada frequentemente por agentes públicos para priorizar determinadas despesas em relação a outras – a cidade estará em vigília.
    Pela manhã, militantes de movimentos sociais se unem a artistas e produtores culturais realizam a segunda edição do Cortejo pela Democracia, que parte do Auditório Araujo Viana às 10h.
    Críticos à Dilma se reúnem no Parcão
    Os grupos opositores ao governo Dilma Rousseff se mantém em vigília no Acampamento Sérgio Moro, no Parcão. Lá, o grande evento será a transmissão ao vivo da sessão na Câmara Federal que vai decidir o futuro de Dilma Rousseff, no domingo, a partir das 14h.
    Mas o sábado também contará com uma palestra de Thomas Giulliano Ferreira dos Santos, cujo tema será “Dom Pedro II e Liberalismo no Brasil”.

  • Prefeitura pode propor tombamento nacional do Viaduto Otávio Rocha

    A dificuldade de viabilizar com recursos locais o restauro do Viaduto Otávio Rocha, no Centro Histórico de Porto Alegre, pode levar a prefeitura a sugerir o tombamento nacional do monumento. A obra de engenharia já é protegida pelo município desde 1988.
    A ideia foi apresentada pela arquiteta da Secretaria Municipal da Cultura, Briane Bicca, em uma reunião no gabinete do vice-prefeito, Sebastião Melo, na tarde de quinta-feira (14). Caso o monumento se tornasse patrimônio histórico federal, seria possível captar recursos mais facilmente para financiamento da revitalização.
    “O Viaduto Otávio Rocha tem todos os requisitos para ser tombado e reconhecido como patrimônio cultural federal ou até internacional”, propôs a arquiteta.
    Um projeto de restauro foi apresentado pela prefeitura em setembro do ano passado, mas até agora não houve avanços porque faltam recursos. O autor do projeto, arquiteto Alan Furlan, se comprometeu a organizar um levantamento histórico da edificação para ser encaminhado ao Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
    Já o vice-prefeito, Sebastião Melo, sugeriu uma solução via PPP. “Também podemos buscar contrapartidas com a iniciativa privada para a revitalização. A solução para o Viaduto Otávio Rocha não será somente do governo, mas sim de uma ação conjunta da cidade”, defendeu.
    Recentemente o cenário do viaduto foi usado para a gravação de um comercial de automóvel. Na ocasião, foram retirados os moradores de rua que habitam o vão sob as escadarias.
    Segundo os cálculos feitos pela Associação Representativa Cultural e Comercial do Viaduto, Otávio Rocha (Arcov), são necessários R$ 17 milhões para recuperar o monumento centenário.
    administração comunitária
    O vice-prefeito, Sebastião Melo sugeriu ainda que fosse discutida uma forma de modelagem para a administração do viaduto, com a participação dos moradores do Centro Histórico, permissionários e prefeitura.
    Atualmente, o Viaduto Otávio Rocha possui 34 lojas de diversas atividades. O comércio informal também é rico: agora há até um pintor trabalhando no local.
    No final do encontro ficou definido que na próxima semana acontecerá uma reunião de avaliação das ações e propostas com os participantes.
    obra foi prevista no primeiro plano diretor
    O Viaduto Otávio Rocha começou a ganhar vida em 1914.
    O primeiro Plano Diretor da cidade previu que a abertura de uma rua para ligar as zonas leste, sul e central de Porto Alegre, até então isoladas pelo chamado “morrinho”, era esteticamente necessária.
    As escavações que rebaixaram o morro e permitiram a construção do viaduto tiveram início com o plano de embelezamento da cidade.