Categoria: Geral

  • Vendavais catastróficos ocorrem 10 vezes por ano no Sul do Brasil

    Geraldo Hasse
    Em sua primeira palestra pública sobre as mudanças climáticas, tema de seu mestrado, a geógrafa Flávia Dias de Souza Moraes mostrou a uma plateia de 160 pessoas na noite de segunda-feira (11) que o vendaval de 29 de janeiro em Porto Alegre é um fenômeno recorrente que acontece dez vezes por ano, em média, no Sul do Brasil, alcançando até o Paraguai.
    A tendência é que ocorram principalmente nos meses de maior calor – de outubro a abril.
    Convocado pela Associação Gaúcha Para a Proteção do Ambiente Natural (Agapan), o debate sobre a arborização da capital em tempo de mudanças climáticas lotou o auditório da Faculdade de Arquitetura da UFRGS.
    Com a segurança de uma veterana, a jovem estreante explicou que os tais vendavais catastróficos foram batizados com um nome técnico (complexos convectivos de mesoescala, CCM) mas podem ser chamados simplesmente de “nuvens de tempestade”.
    Armam-se ao entardecer e desabam até a meia-noite, durando cerca de seis horas.
    As fotos de satélite (tiradas a cada 30 minutos) indicam que o CCM de 29 de janeiro cobriu uma área de 390 mil quilômetros quadrados (maior do que o Rio Grande do Sul, cujo território ocupa 287 mil km²) e tinha um núcleo de quatro quilômetros de largura que desabou exatamente sobre o centro de Porto Alegre.
    No Menino Deus, os ventos chegaram a 150 km/h. “São ventos que varrem, não são ventos que sugam, como os dos tornados”, explicou Flávia.
    Com fotos e gráficos, a geógrafa da UFRGS mostrou que o fenômeno dos CCMs resulta de uma combinação de altas temperaturas na superfície terrestre (entre 30/36 graus C) com a intensa circulação de umidade marinha e da Amazônia, formando nuvens cujo topo alcança temperaturas baixíssimas (-52 graus C).
    O fenômeno é previsto, descrito e diagramado pelos meteorologistas, mas sua intensidade é imprevisível. No caso de 29 de janeiro, explicou Flávia, “foi uma microexplosão com duração de 20 minutos”, cujo núcleo caiu em cima do Parque da Redenção e arredores.
    Foi azar de Porto Alegre, mas pode acontecer de novo com danos muito maiores do que apenas 45 feridos e 3 mil árvores atingidas.
    Não há dúvida de que os CCMs são a novidade climática trazida pelo aumento da temperatura na superfície terrestre. “O aumento da temperatura na superfície terrestre é o combustível dos CCMs”, disse Flávia, concluindo: “Temos que nos preparar”.
    TIPUANAS E JACARANDÁS, ADEUS

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    Plateia cheia mostra que Agapan se revigora como movimento em defesa do ambiente urbano

    Tanto as palestras como as manifestações do auditório se ativeram à pauta sugerida pela Agapan, cuja militância está se revigorando diante das evidências de que as árvores de Porto Alegre são as vítimas preferenciais tanto das mudanças climáticas quanto da negligência dos gestores públicos.
    A defesa das árvores foi estopim do processo de conscientização ambiental promovido pela Agapan, fundada em 27 de abril de 1971 por Augusto Carneiro, José Lutzenberger e um grupo de pessoas preocupadas com a preservação da vida no planeta.
    O sentimento dominante no auditório da Arquitetura era de que os cidadãos conscientes dos riscos climáticos e dos problemas ambientais precisam juntar forças para agir, pois a ação dos gestores públicos tem ficado aquém das necessidades.
    No caso da arborização, prevaleceu a palavra do biólogo Paulo Brack, da UFRGS, que sugeriu aos portoalegrenses começar a dizer adeus às árvores de grande porte que ocupam as calçadas da capital, colocando em risco não apenas a vida das pessoas, mas o patrimônio público e particular (fios, cabos, postes, tubulação subterrânea, carros, muros e telhados).
    “A tipuana é linda, mas não dá mais”, disse ele. “O jacarandá, uma pena”.
    Ele não chegou a fazer uma lista, mas lembrou que as dez árvores mais plantadas em Porto Alegre são exóticas como a tipuana, nativa das planícias andinas introduzida no paisagismo urbano a partir dos anos 1940.
    “É hora de começar o plantio de árvores de pequeno porte”, recomendou o professor de Biociências e dirigente do Instituto Ingá, lembrando que o mínimo que a prefeitura pode fazer, nesse caso, é montar uma lista das espécies mais indicadas e facilitar à população a participação no processo de plantio e manutenção do arvoredo urbano.
    Como fazer isso é uma dúvida, pois os funcionários municipais que assistiram à fundação da Agapan se aposentaram sem que a prefeitura tenha feito a reposição desse pessoal especialista em manejo arbóreo.
    Paulo Brack citou um antigo viveiro municipal que “tinha 70 funcionários e hoje tem meia dúzia de pessoas”. Segundo Brack, “há na prefeitura uma ação deliberada para dificultar o planejamento ambiental”.
    CONDOMÍNIOS DEVASTADORES
    A vereadora Fernanda Melchionna (PSOL) fez uma intervenção-relâmpago para condenar o comportamento da administração da capital em favor da construção imobiliária do sucateamento do sistema de controle ambiental do município, do que resulta a “vista grossa” diante de projetos de condomínios residenciais que avançam sobre a zona rural do município.
    Segundo a vereadora, os ambientalistas estão particularmente espantados com o Pontal do Arado (246 hectares), que prevê cerca de 2,3 mil residências em áreas alagadiças onde estão projetados aterros de dois metros de altura.
    “Cabe ação civil pública contra o projeto do Pontal do Arado”, afirmou Melchionna, levantando a bola para outras intervenções sobre a participação popular na gestão do meio ambiente.
    Leonardo Melgarejo, presidente da Agapan, lembrou que ao completar 45 anos a instituição fundada pelo agrônomo José Lutzenberger está disposta a recuperar o ativismo ecológico que colocou o Rio Grande do Sul na vanguarda das lutas ecológicas nos anos 1970.
    Só que agora, considerando o agravamento da crise ambiental em face das mudanças climáticas, a Agapan quer mudar seu modo de lutar: “Nosso papel agora deve ser de articulação dos grupos envolvidos nas questões ambientais”.
    VAI TER FESTA
    Para o final do mês, a Agapan está programando uma série de ações populares em comemoração ao seu aniversário. No dia 23, às 10 horas da manhã, vai partir um bolo na feira ecológica  da rua José Bonifácio.
    À tarde, participa do abraço ao Cais Mauá. No dia 27, haverá uma programação especial cujos detalhes ainda não foram divulgados, mas vai ter festa.

  • Porto Alegre ganha inédito curso de jornalismo alternativo

    O primeiro curso de Jornalismo Alternativo de Porto Alegre, promovido pelo coletivo Nonada – Jornalismo Travessia, começou oficialmente neste final de semana com lotação esgotada de 45 alunos.
    A aula inaugural, “Pra que(m) serve o jornalismo alternativo?” teve como convidados Alexandre Haubrich, do site Jornalismo B, e Márcio Figueira, da TV Restinga.
    A iniciativa tem o objetivo de difundir a criação de novos veículos independentes e de atuação contra-hegemônica, bem como incentivar a união dos midialivristas em prol da democratização da comunicação.
    O curso, aberto a não jornalistas, é dividido em 6 módulos, e vai abordar questões como a empatia, a representatividade e o lugar de fala no jornalismo, diferenças entre jornalismo alternativo e comunitário, os novos formatos de mídia livre, além da arte política e jornalismo cultural alternativo. Ao final do curso, os integrantes poderão criar seu próprio veículo independente ou realizar uma grande reportagem.
    O Jornal JÁ participa da iniciativa, que contará também com aulas de outros profissionais da imprensa gaúcha, historiadores, desenhistas e artistas plásticos.
    As aulas ocorrem quinzenalmente, nos sábados à tarde, no Santander Cultural. O projeto integra a campanha de financiamento coletivo contínuo do Nonada. Ainda é possível adquirir passes para os módulos separadamente.
    Em 2016, o Nonada também pretende realizar uma versão compacta das aulas, na forma de oficina gratuita, em escolas públicas. Interessados podem escrever para nonada@nonada.com.br.

  • Ocupação Lanceiros Negros estuda reação a novo despejo

    Felipe Uhr
    Integrantes da ocupação Lanceiros Negros estudam os próximos passos do grupo diante de nova ordem desocupação, emitida pela Justiça Estadual na última quinta-feira (7).
    Havia uma previsão de realizar uma coletiva com a imprensa para esclarecer as ações possíveis, porém, o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) decidiu esperar um pouco mais.
    Desde novembro do ano passado, aproximadamente 70 famílias vivem no prédio do governo do Estado, situado no centro de Porto Alegre, na esquina das ruas Andrade Neves com General Câmara (a rua da Ladeira).
    O grupo já foi notificado outras vezes. O mandato de desocupação mais recente ainda não chegou até os moradores da ocupação, mas sabe-se que foi assinado pelo desembargador Eduardo João Lima em resposta a um pedido da Procuradoria Geral do Estado (PGE), que alegou que o local não oferece estrutura apropriada para moradia.
    Na Ocupação, o clima é de resistência apesar da ordem. “Vamos ficar, não há outra alternativa” explica uma das moradoras, que é também coordenadora do MLB, Priscila Voigt.
    A sua avaliação – secundada por outros moradores – é que o local é seguro, nunca aparentou risco desde que chegaram lá. “É melhor morar aqui do que na rua” ressalta.
    GOVERNO NUNCA RECEBEU O GRUPO
    Segundo o grupo, desde que ocuparam o prédio, diversas foram as tentativas de reunião com o governo, para que a permanência dos moradores pudesse ser negociada.
    Um Grupo de Trabalho de Mediação de Conflito chegou a ser criado no âmbito estadual, mas nas duas audiências realizadas, nenhuma proposta foi feita, reclamam os moradores.
    O edifício público estava ocioso e se deteriorando quando foi tomado. Dois meses depois, o coletivo já havia reorganizado o espaço, separando áreas de moradia e outras para a convivência dos condôminos. Mais recentemente, o hall do prédio ganhou um mosaico que retrata uma monalisa lanceira, obra das artistas plásticas Silvia Marcon (RS) e Ini Viera (ARG).

  • Contra impeachment, MST acampa de surpresa na frente do Piratini

    Movimentos sociais gaúchos, capitaneados pelo MST, ocuparam a Praça da Matriz no final da tarde dessa segunda-feira (11) para defender o mandato da presidente Dilma Rousseff.
    Em poucos minutos, de caminhões parados na praça desceram material para a montagem das barracas e dezenas de militantes se espalharam pela praça, onde fica a sede do governo estadual (Palácio Piratini), a Assembleia Legislativa, o Palácio da Justiça e a catedral metropolitana.
    No monumento a Júlio de Castilhos foram hasteadas diversas bandeiras dos grupos que estão no local em defesa do mandato da presidente Dilma, entre elas a que nomeia a ocupação de “acampamento da Legalidade e da Democracia”.
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  • Cartazes com agressões a mulheres são espalhados na Ufrgs

    Matheus Chaparini
    Alunos e professores de diversos cursos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) foram surpreendidos, na manhã desta segunda-feira (11), por cartazes com mensagens machistas e racistas colados em frente a vários centros acadêmicos da universidade.
    Um dos cartazes trazia a frase “menos empoderamento, mais empauduramento”, além de uma foto de uma mulher negra cujos olhos foram manipulados para ilustrarem uma espécie de “possessão”.
    Havia ainda um texto contra o feminismo, atribuído a Hebe Camargo: “O feminismo não luta pela igualdade de direitos, mas pe um movimento político socialista inimigo da família, que estimula a mulher a largar seu marido, matar seus filhos, praticar bruxaria, destruir o capitalismo e tornar-se lésbica”.
    Outro cartaz trazia a mensagem “Bolsonaro presidente” ao lado do retrato do Deputado Federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ).
    As mensagens são assinadas com a sigla F.O.D.A.S.C.E (Frente de Oppressão de Abobados, Socialistas, Comunistas, Etc). e o símbolo do coletivo é uma estrela vermelha transpassada por um pênis ereto.
    Departamento de História lança nota de repúdio
    Os cartazes foram colados em frente aos centros acadêmicos de História, Biologia, Geologia, Geografia e Economia. Estudantes da universidade acreditam que a ação ocorreu durante o final de semana. Os locais escolhidos pelos autores das mensagens opressoras não dispõe de câmera de segurança.
    A chefia do Departamento de História da UFRGS lançou uma nota, através do Facebook, repudiando os “ataques fascistas”.
    Na nota, o Departamento defende ser “cada vez mais necessária” a “luta constante contra práticas autoritárias fundadas unicamente na discriminação social, racial e de gênero”.
    O texto defende ainda que a “universidade pública deve se constituir como lugar privilegiado para o resguardo das práticas políticas democráticas e republicanas”.
    Uma reunião está marcada para a tarde desta segunda-feira, no Departamento de História. A universidade ainda não se manifestou formalmente sobre os cartazes.
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    Confira a íntegra da nota de repúdio:
    NOTA DE REPÚDIO
    A Chefia do Departamento de História da UFRGS manifesta publicamente o seu repúdio aos ataques fascistas sofridos nesta semana pelo Centro Acadêmico de História e por outros diretórios acadêmicos da UFRGS. No contexto de exacerbadas disputas políticas pelo qual passa o país, a luta constante contra práticas autoritárias fundadas unicamente na discriminação social, racial e de gênero se torna cada vez mais necessária. A Universidade Pública deve se constituir como lugar privilegiado para o resguardo das práticas políticas democráticas e republicanas.
    Porto Alegre, 11 de abril de 2016.

  • Fepam recebe mineradores para tratar da extração de areia no Guaíba

    A secretária do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Rio Grande do Sul, Ana Pellini, recebe, no início da tarde desta segunda-feira (11), representantes de associações e sindicatos de mineradores para debater o licenciamento ambiental da atividade, incluindo a extração de areia do leito do Guaíba.
    No encontro, estarão representantes da Associação Gaúcha dos Produtores de Brita, Areia e Saibro (Agabritas) e do Sindicato das Empresas de Mineração de Brita, Areia e Saibro do Rio Grande do Sul (Sindibritas).
    Ao Jornal do Comércio, Pellini admitiu que a Fepam está produzindo um estudo para identificar os melhores locais para extração no leito do rio, além de avaliar os impactos ao meio ambiente. O levantamento deve estar concluído até o final do primeiro semestre de 2016.
    Em 2015, a Fepam chegou a reinstituir a atividade em caráter experimental, entretanto, o Ministério Público Estadual recomendou a suspensão da emissão de licenças. Segundo a reportagem do JC, Ana Pellini pretende informar o órgão somente após a conclusão dos estudos. “A gente vai apresentar para eles, aí que vamos saber”, revelou.
    Além do apoio do Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) de Porto Alegre, da Corsan e do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), o projeto de retomar a mineração no Guaíba contará com dados levantados por um equipamento de sondagem, recém-adquirido pelo Governo do Estado ao custo de  R$ 1,5 milhão.

  • Agapan debate mudanças climáticas e a arborização da Capital

    Passados dois meses do temporal que assombrou Porto Alegre, derrubando pelo menos três mil árvores em parques da Capital, a Agapan – Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural – pauta o tema em um debate na noite desta segunda-feira (11).
    Com o título “Arborização urbana e mudanças climáticas: o caso de Porto Alegre”, o evento ocorre a partir das 19h na Faculdade de Arquitetura da Ufrgs, e tem entrada gratuita.
    O encontro reunirá especialistas como o coordenador do Ingá, Paulo Brack e Flávia Moraes, além de diversos associados com conhecimento sobre o assunto. A moderação será de Eduardo Ruppenthal, ambientalista do Mogdema – Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente.
    “Queremos chamar a atenção dos moradores de áreas urbanas e, principalmente, dos administradores públicos para a importância de aprimorarem os cuidados com a arborização das nossas cidades”, ressalta o biólogo.
    A conexão entre arborização e mudanças climáticas será apresentada, durante o debate, por Flávia, que falará sobre aumento de temperatura média global, especialmente no Sul do Brasil.
    “Basicamente vou abordar a questão das mudanças no clima, com foco no aumento de temperatura média global e no RS, e sua relação com a formação de eventos extremos no Sul do Brasil”, antecipa a cientista.
    Já Brack, em sua fala, vai destacar a importância do planejamento da arborização urbana e defender o plantio de espécies de menor porte, mais apropriadas para as cidades. “Um diagnóstico feito em Porto Alegre constatou que, das dez espécies mais plantadas na capital gaúcha, não há sequer uma nativa, apesar de existirem em torno de 180 espécies oriundas no RS”, avalia.
    De acordo com Brack, nos últimos dois anos vários temporais ocorreram no Estado e, no caso de Porto Alegre, no dia 29 de janeiro, os jacarandás foram os mais afetados pelo vendaval. “Plantar espécies inadequadas gera um risco muito grande para as pessoas e para o patrimônio”, avalia, ao alertar para a importância da população conhecer a flora nativa e plantar a partir de critérios definidos nos planos de arborização urbana de cada município.
    SERVIÇO
    Agapan Debate
    Segunda-feira, dia 11 de abril, às 19h, no auditório da Faculdade de Arquitetura da Ufrgs, em Porto Alegre
    Entrada franca.

  • RBS vende sites de classificados de carros para grupo Santander

    O grupo RBS concluiu a operação de venda de um conjunto de sites que veiculam anúncios classificados de automóveis para uma empresa pertencente ao banco Santander.
    A informação é do Jornal Valor Econômico.
    A negociação se deu através da e.Bricks Digital, braço de investimento em startups do grupo de mídia, e do portal Webmotors, administrado pelo Santander. Segundo o diário, o conglomerado de comunicação se desfez de sete sites de anúncios de carros, que operam sob a marca BuscaCarros. O valor da operação não foi revelado.
    O grupo de mídia gaúcho vem passando por importantes mudanças nos últimos meses. primeiro, foram adequações na gestão administrativa e, mais recentemente, a RBS vendeu toda a sua operação de rádios, TV’s e jornais em Santa Catarina.
    Segundo um comunicado emitido pelo diretor de classificados da empresa, Silvio Frison, a venda faz parte da estratégia de negócios da e.Bricks Digital, de “investir em empresas em crescimento e depois vendê-las”.
    Lançada em 2012, a operação de classificados digitais alcançou R$ 100 milhões em receita e ativos.
    A e.Bricks Digital mantém ainda sob seu controle empresas de mídia digital, tecnologia e e-commerce. Entre as marcas do portfólio da RBS estão o clube de assinaturas d evinho Wine, a empresa de publicidade para dispositivos móveis Pontomobi e o portal Guia da Semana.

  • Cooperativas de trabalho cobram reconhecimento em PL da Terceirização

    Um evento que reuniu mais de 300 pessoas vinculadas a cooperativas de trabalho em Porto Alegre, neste final de semana, explicitou a dificuldade de operação deste tipo de organização e mostrou a preocupação do grupo com o tratamento que receberão do Congresso Nacional, que promove uma reforma na lei de terceirização através do PLC 30/2015.
    Um ponto importante foi exposto pelo presidente da Cootravipa, Jorge Luiz da Rosa, que pediu que o caráter não celetista das cooperativas de trabalho seja preservado pela nova legislação.
    É que há uma preocupação das cooperativas de trabalho em relação à “falsas cooperativas” que servem apenas para maquiar a precarização do trabalho em grandes empresas.
    Em Porto Alegre, essa distorção fez com que o município assinasse um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) impedindo a participação de cooperativas em licitações públicas.
    Segundo o presidente da Coeducar, Ricardo Lemmer, embora o documento tivesse validade até 2011, ele continua guiando a administração. “No ano passado fomos impedidos de participar de uma licitação”, denunciou.
    No plano individual, essa confusão pode prejudicar a própria imagem do cooperado, como ocorreu com a presidente da Fetrabalho, Margaret Cunha, que disse ter sido chamada de trabalhadora de segunda classe por um juiz de direito.
    “Não sou uma trabalhadora de segunda classe. Sou uma trabalhadora da melhor classe! Nós lutamos pelo direito ao trabalho e pela nossa renda digna”, defendeu.
    Instituições reconhecem problema
    A preocupação dos cooperativados foi reconhecida pelos representantes do Ministério do Trabalho e do Emprego e do Tribunal regional do Trabalho. “O justo não pode pagar pelo pecador e isso também é uma questão de cuidado com o trabalhador”, observou o superintendente regional do trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Cláudio Pereira.
    Já a presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, desembargadora Beatriz Renk, concordou: “O cooperativismo é uma forma muito bonita de trabalho, o que precisamos é cuidar para que não acarrete em fraudes. Talvez estejamos pecando pelo excesso, mas estamos procurando respeitar a dignidade do trabalhador”.
    A prática vem sendo combatida desde 2012, que foi o Ano Internacional do Cooperativismo da ONU.
    Relator promete apresentar novo texto
    Presente no evento para acolher sugestões, o relator do PL da Terceirização no Senado Federal, o senador Paulo Paim (PT), se comprometeu a apresentar um novo projeto de lei para tratar da terceirização do trabalho no Congresso Nacional.
    “Iremos construir outro projeto. Se eu fizer um substitutivo, vai voltar para a Câmara dos Deputados e eles derrubam os ajustes”, admitiu.
    Segundo o senador, a tramitação do texto atual foi determinada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que tem levado adiante outras matérias que podem provocar mudanças na legislação trabalhista. “São 60 projetos que atingem os direitos dos trabalhadores em tramitação no Legislativo Federal”, enumerou.
    Terceirizados são elo mais frágil
    A estratégia de propor um novo projeto e lei sobre o assunto é resultado de um debate feito nos 27 estados da federação. Apenas no Rio Grande do Sul, Paulo Paim esteve duas vezes para tratar do tema.
    Segundo o relator da matéria, a cada cinco mortes de trabalhadores, quatro são de terceirizados e de cada dez acidentes com sequelas, oito são protagonizados por empregados terceirizados. “Fiquei abismado com o que vi”, exclamou.
    “Por isso defendo o cooperativismo, mas não a terceirização da atividade fim”, concluiu.

  • Urbanização desordenada ameaça riqueza vegetal de Porto Alegre

    Geraldo Hasse
    Não mais de 40 técnicos participaram na sexta-feira (8) à tarde do debate em que o biólogo Paulo Brack, do Instituto Ingá, apresentou a lista de 68 espécies vegetais ameaçadas de extinção em Porto Alegre.
    No final da reunião, por sugestão de João Roberto Meira, biólogo da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam), os especialistas presentes, já reduzidos a 20, concordaram em homologar imediatamente a lista a ser referendada posteriormente pela Câmara Técnica de Biodiversidade do Conselho Municipal do Meio Ambiente.
    No Rio Grande do Sul, segundo Brack, há meia dúzia de municípios onde é obrigatório manter lista de vegetais ameaçados de extinção. Porto Alegre não faz parte da turma. O pioneiro é Pelotas, onde foi fundada, no final do século XIX, a primeira escola agrícola do Estado.
    A legalização dessa relação de espécies que estão desaparecendo é fundamental para conscientizar os técnicos ambientais, angariar verbas públicas e envolver a população na defesa e preservação dos habitats mais vulneráveis da Capital.
    No caso de Porto Alegre, embora a área municipal represente menos de 1% do território gaúcho, reúne 30% das ocorrências vegetais do Estado. Só de árvores são 181 espécies, algumas carregadas pelas águas do rio Jacuí, como a canela preta, a grápia e o sobragi, todas encontradas na beira do Guaíba, desde o início do delta até o Lami e Itapuã.
    Ponto onde se encontram a flora e a fauna da Mata Atlântica e do Pampa, a Capital possui uma alta biodiversidade acuada pela urbanização acelerada e por invasões predatórias de áreas de risco, especialmente os morros, que concentram um número preocupante de vegetais ameaçados, como cactos e espécies rupestres rasteiras que produzem flores raras.
    “Devemos fazer inventários da flora e da fauna, montar bancos de dados e criar planos de ação contra a extinção de espécies”, disse Paulo Brack, que denunciou a desconstituição pelo prefeito, em 2014, de um grupo de trabalho que trabalhava na SMAM pelo desenvolvimento de projetos conservacionistas como os corredores ecológicos.
    Desconhecimento de espécies é generalizado
    Além da falta de apoio das autoridades, os técnicos reclamam do desconhecimento generalizado da flora do Rio Grande do Sul pela maioria dos profissionais do meio ambiente,  da biologia e das engenharias agrícola e florestal.
    É uma espécie de crise cujas raízes remontam ao Brasil colônia. No final da reunião sobre a flora portoalegrense, Brack deu um exemplo marcante: ao participar recentemente de um levantamento de campo no sul do Estado, ele ficou sabendo que 52% da vegetação classificada no município de Piratini têm nomes estrangeiros fixados desde a época dos viajantes europeus como Auguste Saint-Hilaire, que percorreu o Rio Grande do Sul há 200 anos.
    No Pampa, única reserva foi criada por Lutz
    Apesar da antiguidade dos estudos sobre os recursos naturais nativos, o Rio Grande do Sul se perdeu na poeira levantada pelo desenvolvimento agrícola, que privilegiou o uso intensivo de máquinas para a expansão de lavouras, pomares e rebanhos originários de outras regiões do planeta.
    Em consequência disso, reduziram-se drasticamente as áreas naturais como campos, várzeas, banhados, encostas e matas.
    Essa contradição está explícita na situação do bioma Pampa, que ocupa a metade do território gaúcho mas não tem o status legal da Mata Atlântica, cuja flora desfruta de resoluções protetoras nascidas a partir da homologação de listas de espécies ameaçadas.
    O Pampa é o bioma menos protegido do país. A primeira e única reserva federal na região foi criada em Alegrete por José Lutzenberger em sua fugaz passagem pelo Ministério do Meio Ambiente no governo de Fernando Collor (1990-1992).