P.C. de Lester
Provou-se, enfim, que a delação de Delcídio do Amaral existe. Me penitencio, porque duvidei da autenticidade do que foi publicado na IstoÉ, na semana passada.
Tamanha era a seletividade para atingir Dilma, Lula e o PT, que parecia armação.
Na verdade, era: fechou, em cima de Lula, Dilma e o PT, o foco de uma delação que não poupa ninguém. Nem o príncipe dos sociólogos.
A íntegra do que Delcídio falou revela uma “república de ladrões”, um sistema de propinas e de troca de favores que se tornou a regra do jogo político no país.
Não escapa ninguém.
Mas tudo é encaminhado de modo a provar que tudo é obra de uma quadrilha da qual Lula é o chefe.
Numa entrevista imperdível, no Sul 21, o advogado Werner Becker, o Bruxo, fala das semelhanças da situação atual com 1964.
Ele tem autoridade porque viveu “por dentro” todo aquele período, como advogado de inúmeros presos políticos.
Werner diz que o alvo é Lula, não Dilma. Assim como em 1964 o alvo era Brizola, não Jango.
Jango, como se sabe, na hora decisiva não topou nomear Brizola ministro para enfrentar o golpe. Dilma nomeou Lula. Talvez aí esteja a diferença.
Categoria: Geral
Lula no governo: Dilma joga sua última carta
Estado publica relatório que isenta consórcio de irregularidades no Cais Mauá
Naira Hofmeister
Já está disponível para consulta o relatório do grupo de trabalho (GT) coordenado pela Secretaria Estadual de Transportes que isenta o empreendedor do Cais Mauá das irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE).
O documento foi entregue ao titular da pasta, Pedro Westphalen, que elogiou a dedicação dos colegas: “Quero cumprimentar o grupo por não ter deixado nenhum tema sem esclarecimento, de forma aprofundada e devidamente encaminhado”.
ocorre um dia depois que movimentos contrários ao modelo proposto para a revitalização (baseado no tripé shopping-espigões-estacionamentos) anunciaram que ingressarão novamente na Justiça para tentar barrar as construções.
Também antecede a realização de uma audiência pública na Assembleia Legislativa, onde o coletivo A Cidade Que Queremos promete denunciar pontos pouco claros do projeto e pedir a rescisão do contrato.
O resultado das análises do GT, feito ao longo de nove meses, entre maio de 2015 e janeiro de 2016, havia sido antecipado com exclusividade pelo JÁ no início de fevereiro.
“Não foram encontrados elementos que pudessem comprometer a execução do contrato a ponto de se recomendar a sua rescisão”, reitera o GT em seu relatório.
Por outro lado, esclarecem os integrantes, “foi identificada a necessidade de promover ajustes a fim de garantir o fiel cumprimento de suas obrigações”.
Os apontamentos do TCE davam conta de prazos determinados no contratos que não foram cumpridos pelo empreendedor: a falta de comprovação da estruturação financeira no valor de R$ 400 milhões, que seria feita através de um contrato bancário; a não apresentação de projetos executivos em até 120 dias após a assinatura do acordo e as mudanças feitas na composição do consórcio, que precisariam da anuência do poder público.
O Estado não contraria o parecer do TCE no mérito – efetivamente, a maior parte dos apontamentos não foram cumpridos – porém discorda da aplicação de penalidades, conforme recomendou o órgão fiscalizador, porque entende que a redação foi equivocada e dá margem a dúvidas.
A estruturação financeira, por exemplo, seria facultativa porque há um condicional na cláusula: “Quando contratado, pela arrendatária, o financiamento….”. Já no caso da apresentação dos projetos, o Estado entende que houve uma troca involuntária de “projetos básicos” para “projetos executivos” na hora de formular o texto.
“Ainda assim, acreditamos que é preciso existir um prazo para a apresentação desses projetos, que provavelmente será a partir da obtenção das licenças”, observa o coordenador do GT e diretor-geral da pasta, Vanderlan Frank Carvalho.
Também será este o momento em que o Estado passará a cobrar o valor total do arrendamento, R$ 3 milhões, que está suspenso temporariamente a pedido do empreendedor.
“Há estudos que apontam para um ganho de R$ 20 milhões ao ano para a SPH quando o empreendimento estiver a pleno vapor”, revela o superintendente da autarquia, Luiz Capoani.
A decisão de conceder o Cais Mauá para a exploração da iniciativa privada tinha como justificativa, ainda no início dos anos 2000, a operação deficitária do porto de Porto Alegre. Atualmente, a receita da SPH é de R$ 9 milhões ao ano, e a despesa flutua entre R$ 11 e 12 milhões, complementa o dirigente.
Estado registra duas mudanças acionárias
O Estado do Rio Grande do Sul foi comunicado de duas alterações na composição acionária do consórcio desde que a Cais Mauá do Brasil S.A sagrou-se vencedora da licitação – o grupo, na verdade, concorreu sozinho pois não houve outros inscritos.
Somente a segunda – e mais recente, de abril de 2015 – foi analisada pelos técnicos, que garantem que as empresas componentes cumprem as exigências do edital nos quesitos jurídico, técnico e financeiro.
Segundo o relatório, atualmente o Cais Mauá é um empreendimento das empresas Contern (10%), GSS Holding (51%) e Fundo de Investimentos em Participações Porto Cais Mauá (39%).
“O processo está muito maduro e pode seguir adiante”, salienta o integrante da Procuradoria Geral do Estado (PGE) Paulo Rogério dos Santos.
Conclusão do EVU pode levar mais dois meses
Diante das análises que a Secretaria de Urbanismo (Smurb) está fazendo do projeto Cais Mauá antes de conceder as licenças para construção, o secretário municipal do Gabinete de Desenvolvimento e Assuntos Especiais (Gades), Edemar Tutikian, avalia que será preciso pelo menos mais um mês para a conclusão da etapa de Estudo de Viabilidade Urbanística (EVU).
“O prefeito não gosta que eu fale em prazos, mas acredito que entre 30 ou 60 dias tenhamos essa etapa concluída. Depois será apresentar os projetos para obter o licenciamento”, calcula.
Com isso, o empreendedor verá frustrada a expectativa de iniciar obras ainda em março, manifestada ao receber o aceite pleno dos Estudos de Impacto Ambiental (EIA-Rima).
Tutikian, entretanto, esclareceu que as análises e modificações que estão sendo feitas pela Smurb ao Cais Mauá – e que foram antecipadas em entrevista ao JÁ pelo titular da pasta, Valter Nagelstein – “são típicas desta etapa”.
“A Smurb tem essa obrigação de revisar todos os pontos e pedir alterações, se for o caso. É equipe muito qualificada e tenho certeza de que farão um grande trabalho”, sustenta.
O relatório completo, com 81 páginas, pode ser baixado e lido aqui.Agapan critica Prefeitura e propõe Política do Verde em Porto Alegre
A Agapan foi à Câmara de Vereadores nesta segunda-feira criticar a politica da prefeitura em relação às árvores da cidade e sugerir ações que ajudem a reduzir o impacto de catástrofes naturais, como o vendaval de janeiro. O presidente da entidade, Leonardo Melgarejo, ocupou a Tribuna Popular da Câmara por cerca de dez minutos. Melgarejo leu uma carta que criticava fortemente a atual administração Municipal pelo “sucateamento atual da Secretaria Municipal do Meio Ambiente”.
Segundo ele, o vendaval no final do mês de janeiro mostrou vulnerabilidade estrutural e as atuais práticas de manejo inadequadas, como podas de árvores fora de época e plantio de árvores de grande porte sob redes elétricas, fizeram com que o evento climático se tornasse ainda mais grave.
Em sua oratória, Leonardo condenou o descaso da Smam em relação ao florestamento municipal e pediu evolução em relação árvores sadias e fiações subterrâneas.
Por fim, o presidente da Agapan entregou um documento à mesa diretora da Câmara de Vereadores, líder do governo, Kevin Krieger e ao líder da oposição Jussara Cony, com soluções e reivindicações em relação a uma série de melhorias ambientais que a cidade precisa segundo a entidade.
Vereadores manifestam apoio a entidade
Alguns parlamentares usaram o espaço de dois minutos e se dispuseram a disposição da Agapan, para conversar e arranjar soluções para os problemas apontados. Foram eles: Jussar Cony,Professor Alexandre Fraga Fernanda Melchionna, Lourdes Sprenger, Engenheiro Comassetto, João Carlos Nedel e o presidente da Câmara , Cássio Trogildo.
Abaixo leia as sugestões e reivindicações da Agapan, Ingá, Coletivo A Cidade que Queremos, Mogdema (Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente) e Associação de Moradores do Centro de Porto Alegre, à Câmara:
1- Que a Câmara de vereadores crie um Fórum Permanente, onde a sociedade e as entidades ambientalistas se façam ouvir e possam contribuir para preparação de ações de cidadania em defesa do verde.
Se trata aqui não apenas de auxiliar na seleção de mecanismos para implantação e proteção de cobertura verde permanente, mas também para o estabelecimento instrumentos próprios, voltados tanto à proteção de árvores novas e adultas, como para a fiscalização das ações do executivo municipal, neste campo.
Como exemplo, solicitamos que a Câmara proponha redução de IPTU para moradores e condomínios que implantem e protejam árvores em seu terreno ou na rua em frente. A prefeitura de Curitiba fez isso com sucesso, para estimular o plantio de araucárias .
Entendemos que medidas assim ajudarão a reverter um quadro triste, onde os números mostram que o insucesso é a regra nas tentativas para implantação de mudas realizadas pelo poder público.
Não sabemos quantas mudas alcançam a idade adulta mas percebemos claramente que as declarações de que a cada árvore derrubada três são implantadas não estão funcionando.
Não estão resultando em uma cidade verde.
Porto Alegre vem se tornando cada ano, mais cinza, mais feia, mais quente.
Existe vandalismo, sim, mas ele é inexpressivo em relação à ausência de regas.
As mudas estão morrendo de sede porque não há sistema de responsabilização solidária.
Ela não existe porque não existem estímulos para isso.
Entendemos que benefícios no IPTU permitiriam metas ousadas com as quais nos propomos a colaborar.
Que tal cobrir Porto Alegre de verde?
Todos perceberão benefícios óbvios como a redução na temperatura e nos volumes de escorrimento superficial.
Todos vivenciarão benefícios sutis como o fortalecimento do equilibro emocional e a redução da agressividade do povo.
Basta refletir sobre o estado de espírito de quem caminha 300 metros ao meio dia, na Assis Brasil, relativamente a quem caminha a mesma distancia na Gonçalo de Carvalho.
A diferença ilustra a importância desta proposta, para a qualidade de vida dos porto alegrenses.
Cobrir porto alegre de verde beneficiará a todos e corresponde a um direito dos moradores de todos os bairros .
2 – Que a Câmara de Vereadores elabore uma politica de desenvolvimento do verde, e o faça estimulando iniciativas da sociedade organizada.
Considerem neste ponto a série de sugestões encaminhadas a prefeitura e incorporem a elas a necessidade de um mapeamento/inventário das árvores existentes, com diagnóstico de seu estado e medidas para sua proteção.
3 – Que a Câmara de Vereadores convoque o Coletivo a Cidade Que Queremos e organizações como o Instituto dos Arquitetos do Brasil para discussão de modelos arquitetônicos e prédios mais sustentáveis, adequados aos impactos das mudanças climáticas.
Finalizando não poderíamos deixar de registrar nessa oportunidade a extraordinária contribuição de “salvamento das árvores” levada a cabo pela contribuição espontânea e cidadã de grupos como os “VOLUNTÁRIOS DO VERDE POA” e “BATE PAPO COM A GOVERNANÇA”. Articulados e combativos, eles nos mostraram como a comunidade afetada pode transformar a realidade apoiando a construção de uma cidade mais verde e mais humana.
Resta afirmar que esta manifestação foi construída com apoio de ativistas e organizações ambientalistas que tendem a se articular em torno ao Coletivo a Cidade que Queremos.
A eles atribuímos eventuais méritos dos argumentos e agradecemos pela honra desta oportunidade onde a AGAPAN apresentou suas opiniões, neste ambiente.
Estas entidades são algumas das que assinam o documento que sumariza estas e outras observações, que agora entregamos aos Srs Vereadores Cassio Trogildo, Presidente da Câmara, e Kevin Krieger, Líder do Governo, a quem pedimos especial atenção.
Em nome da Agapan e em meu nome agradeço aos senhores vereadores por este espaço e ao mesmo tempo me coloco a disposição para qualquer esclarecimento.
Leonardo Melgarejo
Presidente da Agapan
Algumas solicitações específicas, preparadas por militantes do verde e que gostaríamos de ver observadas pelos senhores vereadores, são apresentadas a seguir:
1. Entendemos relevante o estabelecimento de inquérito para identificação da origem e do destino da madeira retirada das ruas, praças e parques da cidade;
2. Recomendamos o planejamento e a implantação de que novas praças e parques em todos os bairros da cidade, e que empresas sejam instadas a adotá-las, como pratica relacionada a compensação de serviços devidos ao poder público;
3. Solicitamos que a Câmara estabeleça compromisso de que a Prefeitura Municipal de Porto Alegre promova serviços de educação ambiental, sob orientação das entidades ambientalistas;
4. Reivindicamos que a Câmara de vereadores realize campanhas anuais, ao longo dos próximos dez anos, junto às mídias sociais e à população, para revisão de conceitos superados em relação ao meio-ambiente urbano e estabelecimento de novos paradigmas, adaptados as mudanças climáticas.
5. Solicitamos que a Câmara estabeleça delineamento de medidas cautelares contra o corte das árvores tombadas. Devem ser esperados novos incidentes ambientais futuros e cabem medidas preventivas relacionadas a praticas de sustentação, onde necessárias, e que recomende ao executivo novas atribuições a SMAM. A Secretaria deve interagir abertamente com a sociedade, como interlocutora das demandas ambientais da sociedade civil. A SMAM deve ser capacitada e reforçada com quadros técnicos e equipamentos suficientes para adicionar a seus serviços análises e pesquisas-de-ponta tendo em vista a preservação e a segurança ambiental. Os quadros permanentes da SMAM, além de ampliados, devem ser capacitados para as mudanças climáticas.
6 – Encarecemos que a Câmara determine a constituição de conselho deliberativo, com participação de entidades ambientalistas, responsável pela definição de procedimentos e medidas relacionadas a/ao:
a. Proibição do corte de árvores apenas pelo fato de caírem, sem considerar a possibilidade de reerguimento, recuperação, rebrotação e regalhamento. O rebrote de tronco ou raiz deve ser providenciado, através das técnicas consagradas da silvicultura comercial por exemplo; nos casos dos cortes das árvores serem realmente necessários. A tecnologia de içamento, manutenção e fixação de árvores caídas deve ser aprimorada e complementada
b. Uso adequado da madeira cortada nos parques. Recomendamos sua manutenção no local para fins diversos, como arte, bancos ou apenas adubo;
c. planejamento e realização de podas de condução e recuperação, com reforço de equipes nas épocas propícias (inverno)
d. Multiplicação de mudas de árvores das praças e parques, através do replantio e do estímulo e proteção às brotações espontâneas, como garantia contra quedas futuras de árvores;
e. Replantio, podas corretivas e cauterização de galhos rompidos, em toda a cidade ;
f. O combate aos parasitas das árvores deve ser praticado, indiferente quanto à produzirem frutos ou não;
g. A auto-adubação das árvores através de folhas e frutos deve ser respeitada, além do acréscimo de adubos, insumos e colocação da grama cortada no pé das árvores, especialmente nas épocas mais secas do ano.
h. Plantar e proteger árvores com novas medidas de segurança como covas mais amplas, mais baixas e mais profundas para que as raízes possam se desenvolver mais e melhor.
i. Que se realize um estudo criterioso de cada árvore caída, sob orientação de ambientalistas capacitados e bem informados, no sentido de buscar a máxima preservação destas árvores.
j. Tocos secos também devem ser preservados, porque servem como excelentes vasos de proteção para novas arvores nativas, contra o grande risco a que as mudas novas estão sujeitas nos ambientes urbanos.
7 – Finalmente, solicitamos que sejam estabelecidas medidas punitivas que desestimulem criminosos ambientais, envolvendo multas expressivas, aplicadas em escala progressiva nos casos de reincidência. Os valores arrecadados devem compor fundo comum, a ser administrado por entidades ambientalistas locais, capacitando-as a dar conta de responsabilidades que lhes caibam em projeto ambiental e urbanista consequente com a politica e o programa de arborização que neste momento solicitamos à Câmara de Vereadores. Este programa, assim como as movimentações daquele fundo deverão ser supervisionados pela Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente de Porto Alegre.
Assinam as organizações presentes
Agapan
Ingá
Coletivo a Cidade que Queremos
Mogdema
Associação de Moradores do Centro de Porto AlegreLula pode ser, no governo Dilma, o que Dilma foi no governo Lula
P.C. Lester
O golpe está armado. A posição adotada pelo PMDB é a maior evidência disso.
O PMDB pode apoiar o golpe e ser decisivo, dependendo do que lhe for oferecido no novo governo. Temer como presidente? Até um programa de governo ele tem.
Mas Temer, o vice de Dilma, pode também ser tragado na voragem da queda do governo, se ela ocorrer. Fora isso, as principais lideranças do partido estão enrolados na Lava Jato.
Se Dilma resistir, o PMDB tende a ficar onde está, com todos os ministérios e todos os cargos, quem sabe mais alguns barganhados no bojo da crise.
Mas o golpe só será parado por um movimento forte do governo. A nomeação de Lula para o Ministério pode ser esse movimento.
Na verdade, parece que só o Lula com sua capacidade de articulação é capaz de costurar um acordo para travar o golpe.
Ele poderá, mal comparando, ter o papel que teve o governador Leonel Brizola em 1961, quando frustrou o golpe com o movimento da Legalidade.
A atitude destemida de Brizola galvanizou o apoio da população e até de parte das Forças Armadas, frustrando a manobra golpista já desencadeada.
Em 2004, quando Zé Dirceu caiu no Mensalão e parecia que todo o governo viria abaixo, Lula levou Dilma para a Casa Civil, num movimento arrojado (levava uma “técnica” para um cargo “político”).
Dilma pegou os 60 grupos de trabalho que batiam cabeça em torno do superministro e formatou um grande projeto de investimentos – o PAC, que deu fôlego e ajudou a reeleger Lula.
Agora, quase sem ar, Dilma chama Lula para a Casa Civil (ou para uma Secretaria de Governo) com a tarefa de juntar os cacos da aliança política que deveria sustentar o governo.
Lula vai ser a Dilma do governo Dilma? Ou teremos um novo governo Lula, com uma Dilma presidente decorativa? Ou nem Lula será capaz de segurar esse rojão?
El Pais foi à periferia ouvir os brasileiros que não se manifestaram
P.C. de Lester
Segundo o Datafolha, 77% dos que estavam na Avenida Paulista na manfestação de domingo tinham curso superior.
Pelas imagens na tevê e na internet era visível o predomínio de pessoas da classe média, brancos, bem vestidos, bem alimentados.
E os outros brasileiros, aqueles que vivem na periferia das grandes cidades e não tem sequer para o ônibus para “ir ao centro” protestar?
O jornal espanhol El País fez esta pergunta e mandou um repórter à periferia de São Paulo ouvir a população esquecida.
Ele encontrou também gente contra o governo, por questões bem objetivas como o preço dos alimentos e a falta de merenda nas escolas. E embora achem que Dilma deve sair, não acreditam que vá melhorar. Por isso não vai para a rua protestar.
Vale a pena ler a íntegraa
http://brasil.elpais.com/autor/felipe_betim/a/Dilma convida Lula para Ministério. Ele deve aceitar
PC de Lester
A decisão sobre o pedido de prisão preventiva do ex-presidente, oficializada agora à tarde, abriu caminho para a idéia que vinha amadurecendo há uma semana: Lula na chefia da Casa Civil para articular o acordo político que pode tirar o governo do atoleiro.
O convite foi feito agora há pouco. Lula deve aceitar..Frei Leonardo Boff faz apelo para que Lula aceite ser ministro
P.C.de Lester
Se Lula aceitasse ser ministro de Dilma, antes da decisão da juiza sobre o pedido de prisão preventiva, seria um grave erro.
Não haveria como não dizer que estava buscando foro privilegiado, para fugir do risco de ir em cana.
Se a juíza, que julga o pedido dos promotores, negar a prisão preventiva, Lula estará em condições de assumir um ministério e, talvez, essa seja a última saída de Dilma para se manter no poder.
Só Lula, a estas alturas do campeonato, tem condições de construir as pontes com as forças políticas aliadas e adversárias e obter um acordo que dê fôlego ao governo para retomar o seu programa de ajuste e enfrentar a crise econômica.
Foi essa avaliação, provavelmente, que levou o frei Leonardo Boff a fazer um apelo público para que Lula aceite ser ministro.
Boff, filósofo e teólogo, um dos expoentes da Teoria da Libertação, escreveu uma carta aberta ao ex-presidente dizendo que só ele com sua “autoridade e força de convencimento ajudará a conduzir uma solução política que salve nossa frágil democracia”.
Boff diz a Lula que seu verdadeiro temor é o “derramamento de sangue nas ruas entre grupos que se enfrentam”. Leia a íntegra da carta:
“Caro amigo-irmão Lula
Escrevo-lhe sob a premência da situação política atual e a pedido de muitos amigos comuns. Direi poucas palavras.
Há o risco de que as conquistas sociais conseguidas para os mais vulneráveis de nosso país, graças a suas políticas de inclusão social produtiva, sejam anuladas e se percam. O projeto da macroeconomia global sob a pressão dos grupos neoliberais nacionais e internacionais, pode levar ao poder aqueles para os quais as grandes maiorias são peso morto da história e para às quais há apenas políticas pobres para os pobres. Esse projeto social do PT, de seus aliados e também da Igreja da libertação que encontra apoio no amor aos pobres do Papa Francisco, tem que ser salvo como ponto de honra, como imperativo ético e como sentido da mais alta humanidade.
Por isso, sou da opinião de que vc, meu querido amigo-irmão Lula, deve assumir um cargo de ministro da República. O interesse da nação está acima de sua trajetória política pessoal. Com você na condução da negociação política, estaremos seguros de que aí estará alguém que, com autoridade e força de convencimento, ajudará a conduzir a uma solução política e social que salve a nossa frágil democracia e garanta a continuidade das medidas sociais humanizadoras.
Além do mais, evitará, o que realmente temo, sangue derramado nas ruas entre grupos que se enfrentam. Isso seria mais um argumento dos seus opositores para medidas drásticas que implicariam o afastamento da Presidenta Dilma. E o que é pior, veríamos ameaçada a paz social que tanto almejamos.
Se por desgraça nada der certo, vc cairia como cai uma árvore imensa, com dignidade e nobreza.
Com uma súplica Àquele que conhece todos os destinos dos povos e do nosso, renovo meu pedido enquanto lhe envio meus melhores votos a vc, à Marisa e a toda a sua família, de minha parte e da parte de Márcia que muito o admiramos e amamos.
Leonardo Boff e Márcia MirandaGalhos e troncos do temporal estão virando adubo e lenha
Felipe Uhr
Desde o temporal ocorrido no dia 29 de janeiro, 244 carretas de 55 metros cúbicos carregados de galhos e toras já foram recolhidos à Unidade de Triagem e Compostagem da Lomba do Pinheiro.
A informação é da engenheira química Mariza Reis uma das funcionárias que trabalham no local.
A SMAM (Secretaria Municipal do Meio Ambiente) estima que este montante soma mais de 10 mil toneladas.
A notícia boa é que este material está rendendo dinheiro. Os caminhões chegam descarregam galhos e toras. A segunda etapa consiste em separar os galhos das toras. Dos 18 hectares da Unidade, 3 hectares divido em 9 patamares estão sendo usados nesse serviço.
Os galhos vão para o tratamento de compostagem e secagem e onde viram composto orgânico. As toras são transformadas em lenha.
Segundo Marisa já foram transformadas cerca de três mil toneladas de lenha e composto orgânico.
A lenha pode ser comprada a R$ 7,00 por metro cúbico e o composto a R$30,00, é vendido na Associação de Resíduos Sólidos Domiciliares, localizado na mesma rua da Unidade do DMLU.
Ainda há cerca de 6 mil toneladas de galhos e toras no depósito que esperam a realização do serviço. O processo é lento e gradual já que apenas 10 pessoas trabalham nisso.Mobilização pelo impeachment foi a maior de todas no Parcão
Verde, amarelo e azul eram as cores das roupas. Elas cobriam toda a extensão da avenida Goethe e ainda se espalhavam pelo parque e arredores.
Os organizadores calcularam em mais de 100 mil pessoas, a maior manifestação de rua que Porto Alegre já assistiu. A Brigada Militar preferiu não fazer estimativas.
Cartazes, faixas, camisas, adesivos expressavam o desejo de mudança no país.
Nos dois carros de som perto da Mostardeiro, líderes do bloco “Vem pra Rua” se revezam. “Fora Dilma”, “Fora PT” eram as palavras de ordem.
Discursos em favor da liberdade e do empresariado ocupavam espaço nos microfones. “O empresário, que é quem gera emprego está cada vez pior” disse um dos oradores.
No outro caminhão a La Banda Loka Liberal comandava os cantos que expurgavam o atual governo federal. “Olê,olê, olê,olê, tamo na rua para derrubar o PT” e “ Fora PT, fora PT “ entre diversas paródias musicais ouvidas repetidamente.
No viaduto da Goethe apenas imprensa com crachá era autorizada a passar. No meio, um grande boneco de Lula Preso, o famoso Pixuleco, era submetido a banhos de água. Uma referencia à Lava-Jato.
Passado das 17h, quando muitas pessoas já se retiravam do local, alguém propõe uma oração. Uma roda se forma com as pessoas de mãos dadas. Elas recitam: “Eu prometo deixar um pais melhor para meus netos…”.
Um discurso que clamava por mais educação, saúde e liberdade era declamado em voz alta. Logo depois, o hino nacional cantado por todos.
Por volta das 18h30 o evento estava oficialmente encerrado. A banda Loka continuou as cantorias, mas a maioria já se retirava da Goethe.
Nos palanques, ocupados também por dois deputados estaduais, Marcel Van Hatem (PP) e Any Ortiz (PPS), locutores falavam em até 200 mil pessoas no Parcão.
Na imprensa, um repórter de um grande veículo confessa: “Nunca me senti tão inconfortável”
Pixuleco: UM SUCESSO COM as crianças
Pixuleco, o boneco de do ex-presidente Lula com roupa de presidiário, foi uma das grandes atrações do protesto, principalmente entre as crianças.
Quem circulou pelo parcão com certeza viu uma criança carregando o boneco. Os pais compravam com prazer o boneco a 20 reais.
A vendedora, não revela quanto faturou com o boneco. “Menos do que eu esperava” diz ela. No final do evento reduziu o preço do boneco para 15 reais.
Mesmo assim enfrentou problemas. Um senhor ao saber o preço com desconto, 15 reais, reagiu: “Isso é um roubo, vocês não podem nos explorar assim”.
Mas não exita: saca vinte reais do bolso e compra o boneco, para o neto.
"Coxinhaço" leva bom humor ao ato contra impeachment
Um “coxinhaço” ao ar livre dá início à mobilização contra o impeachment da presidente Dilma Roussef, no parque da Redenção, ao meio dia.
Promovido pelo Bloco da Diversidade, o “coxinhaço” já se tornou tradicional nas manifestações contra o impeachment, dando um toque de humor ao ato político.
. “Os protestos pelo estão muito raivosos e agressivos. Defendemos que todos protestem mas sem conflito”, diz um dos integrantes do Bloco. .
Coxinhas de galinha assada na brasa, cerveja e uma roda de samba estarão no largo do Monumento do Expedicionário.
Cerca de três mil coxinhas serão assadas neste domingo, a partir do meio dia. Cada coxinha custa um valor simbólico de R$ 2, mas quem não tem dinheiro ganha “uma prova” de graça.
A manifestação na Redenção contra o impeachment de Dilma Rousseff está marcado para as 15 horas. Os organizadores evitam fazer previsão sobre o número de participantes.
“Nós estamos dando uma resposta às agressões ao presidente Lula na última semana”, diz Ademir Wiederkher, do diretório estadual do PT, um dos organizadores do evento.
Manifestações em defesa do PT eda presidente Dilma na Redenção_Fotos Matheus Chaparini 
Foto Leca Heinzelmann

“Não temos a pretensão de fazer uma manifestação gigantesca, pois foi decidida de uma hora para outra, para marcar a nossa disposição de reagir às tentativas de golpe. Ao contrário do outro lado, que está há seis meses preparando o evento de hoje”
Está prevista a vida de menos 150 ônibus do Interior para Porto Alegre com militantes e representantes sindicais.



