Categoria: Geral

  • Show gratuito homenageia Júpiter Maçã no próximo domingo

    Ícone do rock gaúcho, ex-integrante das bandas Cascavelletes e TNT, o cantor e músico Flávio Basso, o Júpiter Maçã, morto em dezembro do ano passado, aos 47 anos, será homenageado no próximo domingo, a partir das 16h, no auditório Araújo Viana no Parque da Redenção em Porto Alegre.
    Liderado pela banda Império da Lã, do cantor Carlinhos o show  a efervescente mente de Júpiter Maçã contará com a presença de músicos como Nei Van Sória, Rafael Malenotti, Tchê Gomes entre outros.
    A entrada é gratuita mediante a apresentação de ingressos que podem ser adquiridos nos seguintes pontos de venda da Loja Oi em Porto Alegre a partir das 14h desta quinta-feira: Shopping Total (av. Cristóvão Colombo, 545), Andradas (rua dos Andradas, 1432 ou 1237), Shopping Iguatemi (av. João Wallig, 1800) e Shopping Praia de Belas (av. Praia de Belas, 1181).

  • Venda da RBS em Santa Catarina pode ser apenas o começo

    P.C. de LESTER
    A negociação entre a RBS e os empresários Carlos Sanchez e Lirio Parisotto começaram no ano passado.
    O assunto foi levado inicialmente à Anatel, por envolver a transferência de concessões públicas.
    A Rede Globo, dona da programação de TV, já havia concordado com a transação.
    Os compradores desembolsarão R$ 800 milhões, segundo o Estadão.
    O negócio envolve seis emissoras de televisão (em Florianópolis, Blumenau,  Joinville, Centro-oeste,Chapecó e Criciuma),  quatro jornais (Diário Catarinense, Hora de Santa Catarina, A Notícia e Jornal de Santa Catarina) e as rádios CBN Diário, além das emissoras da Itapema e Atlântida em Santa Catarina.
    Mas as verdadeiras dimensões dessa transação ainda não podem ser medidas. Até porque ainda faltam informações,
    Além dos dois bilionários citados, outros investidores integram o grupo. Entre eles está, provavelmente, José Bonifácio Oliveira Sobrinho, o Boni, que foi por quatro décadas o todo poderoso da programação da Globo.
    Boni deixou a Globo e hoje é controlador da TV Vanguarda, uma afiliada da rede, e amigo intimo de Parisotto, que lhe dá carona em seus jatinhos.
    A Vanguarda, com uma grade semelhante à da RBS, tem 53% da audiência da tevê aberta numa região que abrange 46 municípios do vale do Paraiba, com sedes em São José dos Campos e Taubaté, e filiais em Bragantina e Guaratinguetá. Região rica, com ilhas de alta tecnologia.
    Não conseguimos confirmar a informação, mas é provável que Boni seja o elo de ligação entre Sanchez e Parisotto, para comprar a RBS catarinense. Se for, está configurado um quadro instigante.
    O currículo dos dois empresários mostra que eles agem rápido e não se acomodam.
    Se forem bem sucedidos e quiserem crescer, o espaço natural será o Rio Grande do Sul, onde a RBS vive uma situação desconfortável por conta da crise que atinge todo o mercado da comunicação, mas também por questões de governança.
    Há também o complicador da Operação Zelotes, que flagrou uma operação suspeita envolvendo uma dívida da RBS com o fisco.
    A empresa pagou R$ 15 milhões para ter ganho de uma ação no CARF envolvendo R$ 150 milhões de uma dívida total de R$ 672 milhões.
    O desfecho da Zelotes é imprevisível por enquanto, mas pode ser de grande impacto.
    Some-se a isso as divergências crescentes nas renovações dos contratos entre a Globo e a RBS e estará criado o ambiente para que, a médio prazo, a venda da operação gaúcha para o mesmo grupo se torne uma boa saída.
    Duas trajetórias paralelas, até o topo
    Carlos Eduardo Sanches e Lívio Parisotto são dois self made men brasileiros: Sanchez é filho de um dono de farmácia de Santo André e Lírio Parisotto vem de uma família de colonos de Nova Bassano.
    Tem em comum o arrojo nos negócios e a gana de ganhar dinheiro.
    Em menos de três décadas, em trajetórias quase paralelas, entraram na seleta lista dos homens mais ricos do Brasil.
    Sanchez começou no balcão da farmácia do pai, em Santo André, no ABC paulista. Estudou economia e, quando assumiu o negócio da família, aos 26 anos, já pensava em ser o primeiro.
    Hoje comanda um grupo que tem 7 mil empregados e fatura R$ 6 bilhões por ano, tem o maior laboratório farmacêutico do país.  .
    Parisotto foi seminarista e estudou medicina em Caxias do Sul. Mas foi como comerciante que começou a ganhar dinheiro, em 1980.
    Tornou-se sócio e depois dono de uma pequena videolocadora, onde também vendia videocassetes e fitas, que passou a fabricar logo depois.
    Com esse negócio amealhou o primeiro milhão, que seu talento para investir em ações multiplicou rapidamente.
    Em 2002, no momento em que Sanches está dando seu passo decisivo na produção de genéricos, Parisotto está fechando seu foco na petroquímica.
    Hoje, o ex-colono que ainda fala com sotaque, controla quatro plantas que produzem resinas plásticas, três em Manaus e uma no Rio Grande do Sul, a Innova, que comprou da Petrobrás por R$ 600 milhões em 2014.
    Sua fortuna é estimada em 2,4 bilhão de dólares (quase R$ 9 bilhões) a maior parte em ações.
    Sanchez: “Eu Mando Sózinho”
    O nome da empresa EMS vem de Emiliano Sanchez, o catarinense que em 1950 abriu, em Santo André, a Farmácia Santa Catarina.
    Carlos Eduardo Sanchez começou ali, ajudando o pai no balcão.
    Tinha 26 anos em 1988, quando Emiliano morreu e ele teve que assumir o negócio, que já ampliara para uma pequena fábrica de medicamentos.
    A empresa estava mal das pernas e o herdeiro agiu sem piedade: vendeu todos os bens da família para quitar as dívidas do laboratório. Nem a histórica lojinha, onde a empresa começou, escapou. Mas a empresa foi recuperada e voltou a crescer.
    No ano 2000, com o programa do governo federal para estimular a produção de remédios genéricos no país, os negócios da EMS  definitivamente decolaram.
    Foi o primeiro laboratório nacional a produzir genéricos. Dois anos após o governo autorizar a produção no País, a empresa já fabricava 95 medicamentos genéricos.
    E não parou mais de crescer num ritmo que a faz dobrar de tamanho a cada três anos. A velocidade reflete o estilo agressivo  de Carlos Sanchez, que muitas vezes choca seus concorrentes.
    Sua política de preços e suas práticas na produção de medicamentos sem patentes é fortemente questionada, inclusive com muitas ações na Justiça.
    A desenvoltura com que Carlos Sanchez se move nos círculos do poder é outro ponto de controvérsias.
    Sua familiaridade no Ministério da Saúde levantou desconfianças na imprensa, em 2002, no início da introdução dos genéricos.
    Surgiram denúncias de que o empresário usava seu relacionamento com Jorge Negri, irmão do então ministro da Saúde, Barjas Negri, para ter acesso a decisões reservadas.
    Nos últimos quatro anos investiu R$ 6 milhões para construir três novas fábricas e amplicar seu centro industrial em Hortolândia (SP).
    Em 2013, quando cresceu 26% inaugurou um laboratório para desenvolver inovações nos Estados Unidos. Em 2014, inaugurou a primeira fábrica de medicamentos na Zona Franca de Manaus, a Novamed, que vai produzir 1,5 bilhão de comprimidos por ano. Com as iniciais de Carlos e sua irmã Nanci, foi criada a holding NC controladora das empresas do grupo.
    Hoje além da matriz em São Bernardo do Campo, a NC tem fábricas em Hortolândia, Jaguariuna, Brasilia e Manaus. Tem sete mil empregados e fatura R$ 6 bilhões por ano.
    Uma piada que diz muito do estilo de Carlos Sanchez é contada por seus funcionários. Eles dizem que EMS   quer dizer: “Eu Mando Sozinho”.

  • RBS confirma a venda de suas operações de rádio, tevê e jornal em Santa Catarina

    A venda de ativos do Grupo RBS em Santa Catarina para os empresários Lírio Parisotto e Carlos Sanchez foi confirmada nesta segunda-feira.
    Divulgado há duas semanas pelo repórter Paulo Alceu, de Florianópolis, o negócio foi desmentido pela empresa, que agora  o confirma.
    Confira abaixo a nota oficial do Grupo:
    “Foi anunciado nesta segunda-feira (7) acordo entre os acionistas da RBS e os empresários Lírio Parisotto e Carlos Sanchez, do Grupo NC, juntamente com outros investidores, para a compra das operações de televisão, rádio e jornal que atuam sob a marca RBS em Santa Catarina.
    A conclusão do negócio está sujeita à condição suspensiva de aprovação prévia do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e dos demais órgãos regulatórios do setor, bem como ao cumprimento de determinadas condições precedentes usuais para estes tipos de transações.
    A aquisição parte de uma associação dos empresários para o desenvolvimento de negócios de mídia no Estado de Santa Catarina. Lírio Parisotto atua na área de mídia por meio de sua empresa Videolar e no setor de petroquímica a partir da Innova. Carlos Sanchez amplia o processo de diversificação de seus negócios, a partir do Grupo NC, um dos maiores conglomerados econômicos do país.
    Durante reunião com colaboradores, na sede da empresa, em Florianópolis, foi anunciado que o atual diretor-geral de Televisão em Santa Catarina, Mário Neves, será o presidente da empresa. Os investidores destacaram que a gestão dos negócios seguirá normalmente e a independência editorial será mantida. Ressaltaram, ainda, que a decisão é resultado da crença de ambos no enorme potencial do Estado de Santa Catarina e na indústria da comunicação. Todos os investimentos de comunicação dos empresários serão centrados no Estado.
    O processo de transição será gerido a partir de comitês com o objetivo de garantir a continuidade e a excelência das operações. A sinergia entre as empresas em Santa Catarina será mantida a partir de parcerias operacionais e comerciais.
    Com o movimento, a RBS foca seus esforços de mídia no Rio Grande do Sul, onde o grupo empresarial foi fundado em 1957, com marcas jornalísticas como Zero Hora, Rádio Gaúcha e RBS TV. Além dos negócios de comunicação, o grupo é proprietário da e.Bricks, empresa de investimento digital com atuação no Brasil e nos Estados Unidos.
    Desde que chegou a Santa Catarina, a RBS construiu mais do que um investimento empresarial. Foram 37 anos de compromisso e amizade com catarinenses.
    A empresa e seus acionistas sentem-se honrados em ter participado do desenvolvimento do Estado, levantando bandeiras como a duplicação da BR-101, o projeto Viver SC e movimentos como Floripa Te Quero Bem, Joinville Faz Bem, Viva Blumenau e Chapecó Tudo Acontece, entre outros.
    A RBS orgulha-se de ter criado milhares de empregos no Estado e dos investimentos para levar informação e entretenimento de qualidade ao público.
    A atuação em rede promoveu Santa Catarina para o país e deixou gaúchos e catarinenses ainda mais próximos.
    A empresa, seus colaboradores e acionistas são muito gratos por tudo que aprenderam com os catarinenses. Uma relação fraterna que jamais será rompida.”

  • Prefeitura ouve população e admite mudanças no projeto Cais Mauá

    Naira Hofmeister
    Anos depois de iniciada a tramitação das licenças para a revitalização do Cais Mauá – e no momento em que o empreendedor espera receber autorização para começar as obras ainda em março – a Secretaria do Urbanismo (Smurb) de Porto Alegre decidiu não ceder às pressões para agilizar o processo e vai pedir mudanças no projeto.
    “Há falhas, lacunas que precisam ser esclarecidas e entendidas para que ele seja bom não apenas para o empreendedor, mas sobretudo para a cidade”, alerta o titular da pasta, Valter Nagelstein, que orienta a equipe de arquitetos da prefeitura a ser criteriosa na análise da proposta.
    Segundo o secretário, falta interlocução entre o empreendimento e o seu entorno, coisa que ele espera resolver para que a “revitalização irradie para todo o Centro Histórico de Porto Alegre”.
    “Não tem nenhum sentido fazermos uma obra deste porte se a área da rodoviária, da Voluntários da Pátria, continuar degradada”, alega.
    Nagelstein também advoga por um projeto que “faça a diferença” na paisagem da cidade – em outras palavras, que seja bonito e não “um caixote de concreto armado feito de qualquer jeito”, exemplifica, referindo-se à construção de um shopping center ao lado da Usina do Gasômetro.
    “Queremos ver o detalhamento arquitetônico, o 3D do shopping. Quem assina esse projeto? Como vai ser? Queremos discutir com os arquitetos, e isso ainda não aconteceu”, aponta.
    Ainda no âmbito estético, o secretário cobra a execução de proposta divulgada em 2010, que previa uma cortina d’água sobre o muro da Mauá. “Tudo bem que não seja possível colocar nos quatro quilômetros do muro, mas em 50 metros também não dá. O muro não pode ser uma barreira”, prossegue.
    As sugestões que serão feitas pela Smurb aos projetistas do Cais Mauá são, em parte, fruto dos debates internos e da necessidade de pensar o empreendimento em relação a outros projetos para a cidade, como a revitalização do Quarto Distrito.
    Porém, as críticas da população – sobretudo aquelas externadas na audiência pública em setembro de 2015 – tiveram eco entre os técnicos da pasta e provocaram uma reação, conforme a supervisora de Desenvolvimento Urbano, Patricia da Silva Tschoepke, que coordena o trabalho de análise do Cais Mauá na secretaria.
    “Buscamos solucionar especialmente a questão dos estacionamentos. Existe a possibilidade de flexibilizar o número de vagas para priorizar pedestres”, revela a arquiteta.
    Apesar de ter críticas ao movimento que questiona o modelo de revitalização – calcado no tripé shopping, espigões e estacionamento – e de ter sido um ativo defensor da ideia de utilizar o porto desativado para fins comerciais, Nagelstein admite que é preciso dialogar com essa parcela da população.
    “Gostaria muito que esse pessoal visse na revitalização do Cais Mauá a oportunidade de reproduzirmos excelentes modelos que há em outras partes do mundo. Mas para que isso aconteça, esse projeto não pode atender apenas aos interesses do empreendedor, tem que responder ao interesse público, que é bem maior”, completa.
    Camelódromo e Mercado com acesso de pedestres

    Cobertura de água sobre o muro da Mauá e VLT estão entre as demandas
    Cobertura de água sobre o muro da Mauá e VLT estão entre as demandas

    Além de rever o número de vagas nos estacionamentos – estão previstos 5.469 boxes nas três fases do empreendimento (1.129 nos armazéns, 1.954 nas docas e 2.386 no shopping), a Smurb quer reeditar a proposta original do consórcio de instalar uma linha de VLT na área entre o muro e os armazéns.
    “Não temos disposição de abrir mão disso. São quatro quilômetros de extensão no empreendimento e queremos circulação de pessoas para dar animação a este espaço”, justifica Nagelstein.
    O rol de reivindicações inclui ainda a qualificação dos acessos de pedestres. O túnel que liga o Mercado Público aos armazéns – cuja reformulação havia sido retirada do projeto “a pedido do empreendedor e da prefeitura”, segundo consta no relatório de respostas aos questionamentos da audiência pública – deverá voltar a debate.
    Também a ligação da Praça Brigadeiro Sampaio com o shopping poderá ser modificada. “Se não é possível um mergulhão (rebaixamento da João Goulart, como previsto originalmente), como faremos a ligação? Estamos pensando em uma passarela verde”, antecipa.
    Por fim, a Smurb pede que se construa uma passarela ligando o camelódromo ao Cais Mauá. “O camelódromo é um equipamento de interesse público, construído para resolver um problema histórico que era o comércio informal no Centro e é natural que queiramos valorizá-lo”, explica.
    O medo de Nagelstein é que o empreendedor “fique com uma enorme área comercial fechada a partir do muro que ele ganhou da cidade”.
    “De noite ele passa a chave e fecha tudo. Não é isso que a gente quer, queremos que as pessoas caminhem ali, que saiam lá da zona norte e venham de bicicleta até o Timbuca. Esses aspectos (de mobilidade) tem que melhorar”, pondera.
    É também esse o ponto que eles pretendem amarrar entre Cais Mauá e Quarto Distrito, cuja revitalização deverá ser detalhada em projeto de lei que a Smurb pretende enviar à Câmara até a metade do ano.
    “Imaginamos que no futuro uma pessoa possa ir caminhando da Arena do Grêmio até Ipanema pela orla. Só que não vimos, neste projeto, a previsão de circulação do Cais para a rodoviária e o Quatro Distrito”, pondera.
    Modelo e contrapartidas do shopping em jogo
    Para sustentar o posicionamento da Smurb, Valter Nagelstein lembra que é dever da prefeitura equilibrar a viabilidade econômica demandada pelo empreendedor com o interesse público.
    Ele ilustra o pensamento falando do shopping center, projetado ao lado da Usina do Gasômetro: “O consórcio está usando volumetria máxima no shopping. Ideologicamente não tenho problema nenhum com isso. O que me interessa é saber qual a contrapartida para a cidade” – ou seja, o retorno social precisa vir no mesmo volume do impacto que vai causar a nova estrutura.
    Nagelstein diz isso porque faz questão de diferenciar sua crítica àquela que tem sido feita por grupos contrários ao projeto ora em debate – e que tem um grito de guerra que diz “Não vai ter shopping!”.
    “Há uma visão de que colocar o centro comercial ali seria como montar um prostíbulo ao lado da Catedral Metropolitana porque o shopping representa tudo o que aquele grupo não quer como sociedade, o consumo, o capitalismo. Mas é uma falsa polêmica porque Barcelona, que é referência em urbanismo, tem um shopping dentro d’água. São Francisco, nos Estados Unidos, também é uma referência para o pensamento progressista e fez a revitalização do seu porto antigo com áreas comerciais”, compara.
    Por isso ele defende que a estrutura não seja “um centro comercial fechado, como um shopping center tradicional. Isso Porto Alegre já tem bastante”.
    “Aí entra a nossa questão: arquitetonicamente, o shopping tem que fazer a diferença da paisagem na cidade”, reitera.
    Secretário reivindica protagonismo ao urbanismo
    Nessa altura do campeonato, exigir mudanças no projeto mais debatido em Porto Alegre nos últimos anos não será tarefa fácil para a equipe de Nagelstein. As sugestões não deverão passar incólumes mesmo dentro da prefeitura porque se chocam com orientações já enviadas ao empreendedor por outras secretarias e órgãos municipais.
    As obras de mobilidade, por exemplo, sugeridas pela EPTC ao empreendedor são consideradas inadequadas pela Smurb. “Pediram uma obra lá na altura da Ramiro Barcelos, mas o que é mais importante? Uma contrapartida viária na Ramiro Barcelos ou integração desse projeto urbanístico com o restante dos projetos da cidade?”, questiona Nagesltein.
    A queixa do secretário é que a Smurb vem perdendo protagonismo no planejamento urbano da cidade. Começou lá nos anos 70, com a separação da Secretaria do Meio Ambiente. Nos anos 90, teve novo capítulo com a criação da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) e atingiu o ápice, nesta gestão, com o surgimento do EdificaPOA e do próprio Gabinete de Desenvolvimento e Assuntos Especiais (Gades), comandando pelo secretário Edemar Tutikian, principal interlocutor do projeto do Cais Mauá na prefeitura.
    “Em tese são avanços, mas com isso a Smurb perdeu a condução do processo, o que fragmenta o planejamento. Muitas vezes essas áreas só conseguem olhar para o seu interesse específico, tem dificuldade de enxergar o todo, que é o que defendemos que o urbanismo tem que ser”, critica.
    Nagelstein rechaça que as alterações pretendidas pela Smurb atrasem novamente o início das obras. Ele garante que até meados de março, a pasta dará seu veredito. A partir daí “a bola está com o empreendedor”.
    “Vamos produzir nossa avaliação, fazer nossas exigências do ponto de vista urbanístico. É preciso estabelecer rapidamente uma contrapartida, uma contestação ao que dissermos”, explica.
    No final de março, Nagelstein deixará o cargo na Smurb para reassumir sua cadeira como vereador do PMDB para tentar a reeleição. Mas não esconde o desejo de voltar à pasta em uma eventual gestão do atual vice-prefeito, Sebastião Melo (PMDB), candidato a prefeito da situação.
    “O monopólio da licença é nosso”
    Se da EPTC, por exemplo, o secretário Nagelstein espera uma composição – talvez readequando as contrapartidas como o citado caso da ampliação da Ramiro Barcelos – no caso do Gades o titular do Urbanismo é mais crítico.
    “Estamos forçando para que a negociação do projeto seja com os arquitetos da Smurb. Por enquanto, o Gades é que tem feito essa interlocução, mas não precisamos de interlocutor de outra secretaria, temos que conversar diretamente com o empreendedor.”
    Ele garante que está trabalhando pela harmonia das pastas envolvidas com o projeto. Já houve duas reuniões com a equipe de Edemar Tutikian “para azeitar as coisas dentro do governo”, mas não hesita em recordar que, pelo menos no papel, a aprovação do projeto depende da Secretaria de Urbanismo.
    “Eu já disse ao prefeito Fortunati e ao Melo: vamos fazer a nossa parte. Em última análise o monopólio da licença é da Smurb e o prefeito me deu total autonomia para fazer essas cobranças”.
    Entusiasta da obra há uma década

    Nagelstein ajudou o prefeito Fogaça a aprovar os índices construtivos | Divulgação CMPA
    Nagelstein ajudou o prefeito Fogaça a aprovar os índices construtivos | Divulgação CMPA

    Mesmo fazendo cobranças fortes, Nagelstein termina amenizando o discurso: “Não somos intransigentes, mas queremos ver atendidas essas questões que são fundamentais”.
    É que apesar das ressalvas, Nagelstein é um entusiasta da revitalização do Cais Mauá e está envolvido com o projeto desde a gestão de Germano Rigotto (PMDB) no Governo do Estado (2003-2006). “Eu era diretor da antiga Caixa RS (atual Badesul), junto com o (Edemar) Tutikian, a quem o governador Rigotto encarregou de fazer um inventário de todas as questões do porto”, recorda.
    Anos depois, como vereador, ele foi o criador da Frente Parlamentar em Defesa do Cais “de forma a criar pressão pública sobre a governadora” Yeda Crusius (PSDB, 2007-2010) para que o projeto fosse para frente.
    Finalmente, teve participação importante na aprovação na Câmara de Vereadores do projeto de lei que criava índices construtivos para a área, permitindo a construção do shopping e dos espigões de 100 metros perto da rodoviária.
    Voltou a se envolver com o projeto agora, quando chegou à Secretaria de Urbanismo após a pasta de Meio Ambiente (Smam) dar como vencida a etapa de estudos de impacto ambiental.
    Porém, neste meio tempo chegou a desacreditar que a ideia saísse do papel. “Em algum momento pensei que esse assunto não ia adiante. Inclusive ponderei ajuizar uma ação popular para propor o rompimento do contrato porque havia um tempo previsto no contrato que não se cumpriu”, revela, observando, entretanto, que hoje entende que os prazos não foram seguidos à risca pela burocracia à qual precisa ser submetido o projeto.

  • Quatro assaltos por dia no transporte público em Porto Alegre

    Nos dois primeiros meses de 2016, foram registrados 260 assaltos a ônibus, lotações ou táxis em Porto Alegre. Dá uma média de 4 assaltos por dia no transporte público da capital gaúcha.
    O crescimento desse tipo de crime levou a polícia civil a anunciar, nesta segunda feira, a criação de uma força-tarefa exclusiva para tratar do problema. As informações foram divulgadas pelo delegado Cleber Ferreira.

  • Fila de até 100 pessoas é o unico inconveniente do Resturante Popular

    Um prato de comida bem feito e bem servido, mais sobremesa e suco, por um real.
    Na semana passada, depois de diversos adiamentos, finalmente foi reinaugurado o restaurante popular de Porto Alegre.
    Fechado em junho de 2013, o restaurante estava funcionando de forma provisória no albergue da Fasc (Fundação de Assistência Social e Cidadania), desde agosto de 2015.
    O novo endereço é na rua Santo Antônio, 64, próximo à Farrapos.
    Na abertura, o prefeito Fortunati e sua equipe posaram sorrindo e provaram a iguaria diante das câmeras. Teve até repórter de tevê garantindo “não é fake, gente. Eu vou comer de verdade”. Mas essa parte a câmera não mostrou.
    Por volta das vinte para a uma desta sexta-feira, a faminta equipe do JÁ chegava à fila do restaurante popular.
    Queríamos conferir se, sem câmeras nem autoridades, o almoço era o mesmo.
    Na chegada, cerca de 100 pessoas aguardavam calmamente na fila sua vez de almoçar.
    Quase metade eram idosos, para estes, uma fila especial. A fila comum se estende rente à parede externa, onde há alguma sombra, faz uma curva e volta.
    Um rapaz vestindo a camiseta do Flamengo da Tuca, time de várzea de Porto Alegre, e uma moça de crachá da prefeitura orientam a fila.
    Mas o que funciona mesmo é a autogestão. Sempre tem um ou outro malandro disposto a se fazer de desentendido e tentar entrar pela curva ou no meio da fila. Mas o truque não cola e os furões são orientados educadamente a pegar o fim da fila.
    No horário de pico do almoço, entre 12h30 e 13h30, é comum ter fila, mesmo nos restaurantes comuns. No restaurante popular a fila é mais demorada, mas o tempo passa rápido.
    Ninguém fica mexendo no celular, as pessoas têm disposição em conversar fiado com os companheiros de espera.
    O público é formado por pessoas pobres, trabalhadores, aposentados, desempregados, moradores de rua, hippies da Praça da Alfândega, travestis da Farrapos, um homem com uniforme da empresa de construção civil, outro, mais jovem, com uniforme de treinamento de uma loja de calçados.
    O senhor à minha frente garante que a comida é muito boa, mas que tem fila em qualquer horário: “também, uma barbadinha dessa todo mundo quer, como não vai ter fila, né?”
    Não é um homem de muitas palavras, deixa para falar quando é necessário, ou seja, se tem um furão ou se alguém se distrai e a fila não anda. Alguém demorou para lavar as mãos e ele não perdoou: “ô mano, acostumado a dormir na pedra e toda essa frescura para lavar a mão?”
    Mais adiante na fila, duas travestis puxavam papo com os demais, falavam alto, gargalhavam, ajudavam a tornar à espera de barriga vazia mais tranquila.
    Um homem passa de um em um, com um punhado de tabaco na mão, pedindo uma seda. Rapidamente consegue um pedaço de papel  para o pito digestivo: “um cigarro depois do almoço é necessário”, sentencia um senhor de boné da CUT atrás de mim.
    Um homem de uns cinquenta e poucos anos, com uma aparência, digamos assim,  mais burguesa, comenta que trabalhou na montagem e desmontagem do palco dos Rolling Stones.
    Diz que viu Mick Jagger saindo do show ensopado da chuva e Keith Richards, com um roupão branco. “Os caras são umas caveirinhas, bem magros, quem ve no telão com aquele monte de luz não imagina.”
    “Demora, mas vale a pena”
    Depois de 50 minutos de espera, é chegada a hora boa. Paguei a moeda e entrei. De longe, meu antecessor de fila avistou o bufê e constatou que o horário da fartura já havia passado: “está tudo regrado. Não te falei?”
    Na entrada, cliente pega uma bandeja, prato, talheres e sobremesa. Quem serve o prato são as atendentes.
    Meio prato de alface, uma boa porção de arroz, com duas conchas de feijão carioca por cima, três batatas cozidas e uma colher de guisado. Prato farto.
    O suco é desses em pó, sabor uva, a sobremesa, um creme branco, provavelmente de baunilha, destes que se encontra pelos bufês da cidade.
    A colher de guisado foi a última desta sexta-feira. Como a demanda é muito grande, depois de um certo horário o bufê fica incompleto.
    Às 13h30, acabou o guisado e o almoço ficou vegano. “O detalhe é tu chegar um pouco antes de meio dia”, orienta um frequentador, que afirma que quando o restaurante funcionava de forma provisória no albergue da Fasc, o serviço era mais ágil, por serem servidas viandas. Além do que, dava pra almoçar e levar a janta por dois reais.
    Contrariando a expectativa, o prato tem o mesmo aspecto daquele mostrado na televisão no primeiro dia de funcionamento  da casa. A comida é realmente saborosa e bem preparada.
    “Um prato destes em um restaurante deve valer pelos menos uns dez reais”, calcula um senhor idoso que pede licença, senta à mesa e completa “demora, mas vale a pena”.
    O salão não chega a ficar lotado e as mesas, de quatro lugares, geralmente são compartilhadas entre duas ou três pessoas. As mesas permanecem limpas, ainda que não tenha sido visto nenhum funcionário limpando.
    O restaurante popular funciona de segunda à sexta, das 11h30 às 14h30 – ou enuanto durarem os estoques. Diariamente são servidos cerca de 500 almoços. Quem prepara o banquete são os funcionários da empresa Mix Refeições Coletivas. Trata-se de um restaurante sem cozinha, a comida vem pronta e, no loca, os funcionários apenas aquecem e servem.
    A fila é um pouco demorada, mas para quem tem muita fome, pouco dinheiro e algum tempo, o restaurante popular é o melhor custo benefício da cidade.

  • Dilma defende Lula mas critica ataques à Globo

    Em seu discurso nesta manhã em Caxias do Sul, a presidente Dilma voltou a criticar a “condução coercitiva” do ex-presidente Lula para depor à Polícia Federal, na sexta-feira passada.
    Disse que não tem o menor sentido levar sob varas uma pessoa que nunca se recusou a prestar esclarecimentos.
    Sem mencionar detalhes, a presidente fez também um comentário em relação às agressões de militantes petistas a equipes da Rede Globo no Rio de Janeiro: “Não devemos demonizar pessoas ou órgãos de imprensa. Temos que exigir respeito mas também respeitar”.
    Dilma disse também que os ajustes nas contas do governo estão feitos de modo a preservar os programas sociais. “Continuamos teimando”, disse ao entregar 320 unidades do programa Minha Casa Minha Vida. que terá lançada sua terceira etapa.
     

  • Atiram no governo mas querem acertar nos programas sociais

    GERALDO HASSE
    Há na Mídia e nas ruas um martelar incessante reclamando “austeridade” na gestão das contas públicas. Muito justo: é preciso acabar mesmo com a roubalheira do dinheiro público.
    No entanto, se examinarmos a fundo o que querem os adeptos da “austeridade”, veremos uma maioria disposta a cortar os programas de amparo aos pobres, como o Bolsa Família, o principal legado das gestões petistas.
    Tirar dos pobres para promover o equilíbrio fiscal não é nada justo. “Se está faltando dinheiro, o governo deve tirar dos ricos, nunca dos pobres”, me disse um veterano empresário gaúcho que foi tropeiro na juventude, nos anos 1940.
    Católico praticante, ele também está revoltado com a descoberta da corrupção na cúpula da Petrobras, mas nem por isso pede o corte dos programas que permitiram ao Brasil dar um passo gigantesco na busca da igualdade econômica, justiça social e equalização dos direitos humanos.
    Infelizmente, são cada vez mais fortes os sinais de que as políticas sociais estão por um fio. Tome-se por base o afã de deputados e senadores para flexibilizar as leis trabalhistas, um dos projetos mais perversos dos conservadores e liberais para, como eles dizem, “acabar com a proteção a essa cambada de vagabundos”.
    Trata-se de uma hipocrisia irrigada pela mais profunda ignorância política. Como se pode construir uma democracia forte – e um mercado rico, que é o que mais interessa aos empresários – sem promover a inclusão das camadas carentes da população?
    Com a erosão da credibilidade do governo Dilma e o descrédito do PT, parece restar pouco para sustentar a aliança de movimentos sociais e grupos responsáveis pelos avanços obtidos desde a Constituição de 1988.
    A defesa das políticas sociais enfraqueceu-se, os direitos humanos mais elementares começam a ser alvo de chacota e um retrocesso ronda o estado de direito no âmbito do Judiciário, justamente o poder encarregado de garantir o cumprimento da Constituição.
    O que parecia uma marolinha antiPT virou uma onda na qual surfam delegados, procuradores, juízes e ministros sob os holofotes da Midia estabelecida, todos empenhados num esforço para incriminar especialmente os governos petistas.
    Se a corrupção é mais ou menos generalizada e vem desde outros governos, por que não atacar em todas as frentes?
    O clamor antiPT só vê os 35 bilhões de reais investidos no Bolsa Familia e fecha os olhos para o descalabro da Bolsa Dívida, cujo serviço, entre amortizações e juros, custou um trilhão de reais ao Tesouro Nacional em 2015.
    Em artigo publicado no final de fevereiro no site Congresso em Foco, o cientista político Antonio Carlos de Medeiros declarou-se convencido de que “chegamos ao final de um ciclo” e que é preciso “criar um novo bloco de poder” que seja capaz de formular “um novo modelo de crescimento” – mais liberal, naturalmente, com menos intervenção do Estado, cujo inchaço nas últimas décadas fortaleceu a burocracia e a tecnocracia, além de onerar pesadamente o Tesouro.
    Por aí vemos que muitos estudiosos já dão por encerrado o ciclo do petismo, só faltando que a presidenta Dilma seja impedida de continuar no Palácio do Planalto. Como será feito isso:
    1 – Pelo voto popular em 2018?
    2 – Mediante uma conspiração ampla orquestrada pelo Consenso de Washington?
    3 – Com ou sem sangue?
    LEMBRETE DE OCASIÃO
    “Só na foz do rio é que se ouvem os murmúrios de todas as fontes”
    Guimarães Rosa

  • Eleição de 2018 já está na rua e será teste para a democracia

    P.C. de Lester
    Dois dos mais experientes e respeitados jornalistas do país – Janio de Freitas e Mino Carta – trabalham com a hipótese de uma conspiração em andamento no país, um plano de desestabilização política manobrado por forças ocultas.
    Algo como aconteceu em 1964, com a derrubada do governo de João Goulart.
    O alvo imediato seria o PT e suas politicas populares, mas a  medio prazo o propósito seria reverter o processo da ampliação de direitos e de ganhos deflagrado bem antes de o PT chegar ao poder.
    Seria uma reação da “Casa Grande”, como diz Mino Carta, à ascensão de camadas populares na democracia, não apenas em termos de renda, mas também em educação e organização.
    Diante da dificuldade de alijar o PT do poder pelos caminho do voto, os conspiradores tratam de tensionar gradativamente o ambiente político até o ponto em que será inevitável uma intervenção militar.
    A manipulação da imprensa através de vazamentos seletivos é o principal instrumento da conspiração, facilitado pelo pensamento único antipetista que se instalou na mídia.
    Talvez 2018, quando haverá eleição presidencial, seja uma data limite, dependendo do resultado. A campanha já está nas ruas e promete ser explosiva.
    Em 1964, a inteligência por trás manipulando fatos ou criando factóides para instabilizar o ambienta político era ninguém menos do que o general Golbery do Couto e Silva, financiado por grandes empresários e com apoio da CIA..
    E o assalto à opinião pública contou com  a força de todos os grandes jornais, rádios e televisões, com uma única exceção – a Ultima Hora..
    Dizem que a história só se repete como farsa, mas é bom lembrar que naquela época também  se denunciava a conspiração antidemocrática. E ninguém acreditava.
     
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  • Projeto quer tornar zona rural de Porto Alegre exclusiva para produção de orgânicos

    Vai voltar à Câmara de Vereadores a ideia de fazer da  zona rural de Porto Alegre um “território livre de agrotóxicos e transgênicos”, produzindo apenas alimentos orgânicos.
     
    A proposta é da Agapan, a pioneira do movimento ambiental, e já resultou num projeto do vereador Comassetto, do PT.
     
    Foi apresentada em setembro de 2015 e derrotada por cinco votos.
     
    “Por dificuldade de mobilização, acabamos derrotados”, diz o vereador.
     
    Esperando que corrigir esta falha, Comasseto apresentará novamente a proposta.
     
    Um texto para discussão já está circulando e será tema de uma reunião no dia 14 de março, a partir das 11 horas na Câmara de Vereadores.
     
    Na mesma data e local a Agapan falará na Tribuna Popular sobre a situação das árvores de Porto Alegre.