Por Cleber Dioni Tentardini
As sócias Eletrosul-Wobben, responsáveis pela Usina Eólica do Cerro Chato que está sendo construída em Santana do Livramento, se comprometeram a adquirir uma área para conservação na Região da Campanha, que ainda não foi definida, além de se responsabilizar pelo Programa de Controle do Capim-annoni, dentre outras ações, como forma de compensação ambiental.
Segundo a geóloga Bibiane Lengler Michaelsen, responsável pela supervisão ambiental da Usina Eólica Cerro Chato desde setembro de 2010, já foram acertadas algumas benfeitorias com o poder público, como a doação de dez lixeiras à Prefeitura Municipal e o plantio de 2,6 mil mudas de árvores na cidade, a partir de abril. Os proprietários rurais também estão sendo beneficiados com a construção de açudes, um alento em meio a seca que castiga essa parte do Pampa.
Portoalegrense, 38 anos, Bibiane já atuou durante dois anos como fiscal de meio ambiente da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) em empreendimentos como a Usina Hidrelétrica Foz do Chapecó e a Pequena Central Hidrelétrica Barra do Rio Chapéu, além de ter participado do monitoramento de programas ambientais relacionados a projetos energéticos.
Conscientização ambiental
No canteiro de obras, tem dispostas em sua mesa as diretrizes estabelecidas pelas licenças ambientais dos órgãos municipal, estadual e federal a fim de orientar os trabalhadores.
“O papel da supervisão ambiental é traduzir o que está na licença para a linguagem que todos os trabalhadores possam compreender. Inclusive, todos os envolvidos na obra assistem a uma palestra de conscientização ambiental, incluindo as condicionantes das licenças, respeito ao patrimônio de terceiros, entre outros”, observa a geóloga.
As licenças são expedidas conforme os locais e as atividades. O licenciamento ambiental de atividades de impacto local passou a ser de competência da Prefeitura de Santana do Livramento a partir de um convênio firmado com a Fepam.
Foram licenciados pelo município o canteiro de obras, os acessos externos ao parque, a linha de transmissão e a ampliação da subestação Livramento 2, assim como a extração mineral, a construção de açudes e a abertura de poços artesianos.
O parque eólico, acessos internos, subestação coletora e a rede de média tensão foram licenciados pela Fepam.
“Os impactos ambientais são inerentes a qualquer obra civil do porte dos parques do Cerro Chato. A implantação desse tipo de empreendimento acaba por modificar os hábitos de alguns animais, que não estão habituados a circulação de tantos veículos, além da movimentação de terra. Certamente, a própria abertura de estradas mudou a paisagem e a rotina de todo aquele bioma”, afirma Bibiane.
Entre os animais comuns na região da Campanha estão várias espécies de aves, ascobras, tatus, lebres, além dos animais de criação como gado, ovelhas, emas. “A orientação é para que os trabalhadores se protejam e, sempre que possível, espantem os animais, até porque os animais silvestres são protegidos por lei e os animais domésticos são propriedade particular”, explica.
Com relação à flora, a supervisora ambiental ressalta que os capões de mata e a vegetação ciliar são protegidas por lei e não há intervenção nesses locais, além das ‘cactáceas endêmicas’ (cactos concentrados no bioma) que devem ser conservadas, algumas vezes implicando em remoção e plantio em outras áreas. Já os campos acabam por sofrer as maiores modificações, porém, segundo Bibiane, todas as áreas que sofreram intervenção temporária serão recuperadas, o que está previsto no Programa de Recuperação de Áreas Degradadas.
Os licenciamentos também levaram em conta as Áreas de Proteção Permanente (APPs) onde estão sendo construídos os parques eólicos no Cerro Chato. As margens de arroios e rios são consideradas APPs e não podem sofrer qualquer intervenção em função das obras. Já a Área de Proteção Ambiental (APA) do Ibirapuitã está bem próxima, mas não fica dentro dos limites de implantação dos parques.
Morcegos e aves
Outra questão levada em conta são os possíveis prejuízos aos morcegos e às aves, gerados pelo ruído dos cataventos. A geóloga assegura que a disposição desalinhada dos aerogeradores obedece critérios técnicos mas, sobretudo, segue orientações dos estudos ambientais.
Bibiane assegura que antes da emissão da Licença de Instalação, por exigência da Fepam, foi feito o monitoramento da fauna durante um ano, para que fossem identificados locais de importância, tais como reprodução, nidificação e alimentação, o que então é considerado para definir a disposição final das torres, obedecendo ainda uma distancia mínima de 600 metros desses locais.
“O ruído pode trazer algum incômodo aos animais, mas há vários exemplos onde eles convivem bem com as torres, e quanto às aves, o maior impacto seria a possibilidade de colisão com os aerogeradores”, diz Bibiane.
As residências também foram levadas em conta, ficando determinado um distanciamento de 400 metros dos aerogeradores.
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A Revolução Eólica (20) – CERRO CHATO TERÁ ÁREA DE CONSERVAÇÃO AMBIENTAL
Decadência da educação: o que fazer?
Editorial da revista Adverso, do Sindicato dos Professores das Instituições Federais de Ensino Superior de Porto Alegre, de janeiro de 2011, que está circulando:
“Olhemos para a educação pública em nosso Estado. Há 40 ou 50 anos, vários colégios estaduais eram citados como modelos de instituições educacionais”.
“Hoje estes mesmos colégios não passam de instituições medíocres, com professores mal pagos e desinteressados, com material de ensino ultrapassado e insuficiente e com alunos igualmente desinteresados”.
“Os egressos desses colégios serão nossos alunos nas universidades. o resultado disso, como consequência, serão profissionais formados por nós, também mal preparados e incompetentes? O que fazer?”
“Não temos fórmula , mas disposição não nos falta. Só a união de todos poderá abrir caminho para sairmos dessa lamentável situação”.(Diretoria Adfrgs-Sindical)Obra contra inundações: falta ligar a luz
Atrasada mais de um ano, a obra para acabar com os alagamentos que assolam grande parte do bairro Santana toda vez que chove, não vai inaugurar em fevereiro, como foi anunciado.
A obra está pronta há duas semanas, mas ainda não foi ligada a energia na casa de bombas, que é o coração de todo um sistema de drenagem implantado nas áreas mais baixas do bairro, um dos mais antigos de Porto Alegre.
Segundo funcionários que trabalham no local, já foi pedida a vistoria mas até esta quarta-feira, 17, não havia sido feita. Depois da vistoria, estima-se mais uns 15 dias para que seja feita a ligação da energia elétrica. Aí, então, o prefeito poderá marcar a inauguração.A Revolução Eólica (19) – ELETROSUL ACERTA LOGÍSTICA PARA LEVAR AEROGERADORES À FRONTEIRA
Por Cleber Dioni Tentardini
Cerca de 60 carretas, de 12 a 40 metros de comprimento e de até 5 metros de largura, farão 2.295 viagens até Santana do Livramento, onde está sendo construído a primeira usina eólica do pampa gaúcho. Os veículos estarão transportando em média 25 toneladas de materiais a uma velocidade média de 40 quilômetros por hora.
A Eletrosul está finalizando a logística para transportar as toneladas de equipamentos do complexo eólico Cerro Chato, que está sendo construído em Santana do Livramento.
Ainda não está definido o início das viagens, mas o prazo não deve passar da próxima semana, já que a estatal decidiu antecipar o início de funcionamento do primeiro dentre os três parques eólicos, para o final de abril ou início de maio.
Os números são literalmente de peso e demonstram o tamanho do empreendimento que será formado por três parques eólicos, cada um com 15 aerogeradores, capazes de gerar 30 megawatts de energia, totalizando 90MW. Somente uma das três pás que compõem um aerogerador mede 41 metros e pesa mais de cinco toneladas.
Calcula-se que 60 carretas, de 12 a 40 metros de comprimento e de até 5 metros de largura, farão 2.295 viagens até a fronteira do Rio Grande do Sul. Os veículos estarão transportando em média 25 toneladas de materiais e irão rodar apenas durante o dia, respeitando a velocidade de 40 quilômetros por hora. A maioria terá batedores (escolta privada) e alguns serão acompanhados pela polícia rodoviária.
Os equipamentos são de diferentes locais: os geradores, as pás e demais peças foram fabricadas na Alemanha e trazidas ao país de navio. Os geradores foram montados em Sorocaba/SP pela fabricante Wobben, sócia do empreendimento, e as pás estão armazenadas no porto de Rio Grande. As torres de concreto estão sendo fabricadas em Gravataí e os segmentos metálicos que compõem parte das torres, em Erechim.
Conforme o engenheiro Franklim Lago, coordenador da implantação do complexo eólico Cerro Chato, dez bases, cada uma com 18 metros de diâmetro, já estão prontas para receber as torres de 108 metros de altura cada, chegando a 149 metros no ponto mais alto da pá.
“A nossa expectativa é de que até o dia 5 de março estejam concluídas as primeiras 15 bases e já na 1ª quinzena de março inicie a montagem das torres”, afirma Lago.
Cabe a pergunta: que PT é esse?
(Editorial do jornal JÁ Bom Fim ed. Janeiro/fevereiro)
Aos poucos vai ficando claro o forte deslocamento político que as eleições de 2010, aliadas a algumas circunstâncias fortuitas, provocaram no Rio Grande do Sul.
O Partido dos Trabalharores, depois de dez anos alijado, volta ao centro do poder, determinando um alinhamento inédito, que ficou bem nítido com a posse dos novos deputados que vão compor a Assembléia Legislativa até 2014.
Consequência do pleito e de algumas coincidências, o PT tem hoje no Estado: o governador, o presidente da Assembléia, onde é o maior partido, base da maioria do governo. Foi o partido que mais cresceu, com quatro novos deputados.
Tem a presidente da Câmara Municipal, as principais prefeituras da Regiao Metropolitana e o comando das principais estatais, federais e estaduais.
Até a prefeitura, que já foi um baluarte adversário, hoje está políticamente mais próxima do partido.
Some-se a isso a circunstância de que, como poucas vezes ocorreu na história do Estado, é o mesmo partido da presidente da República.
Isso dá a dimensão do fenômeno. Cabe, no entanto, a pergunta: que PT é esse.
Já Voltamos.BELO MONTE/TUCURUÍ: HOJE COMO ONTEM
(Lucio Flavio Pinto)
Em 1975 a hidrelétrica de Tucuruí começou a ser construída no rio Tocantins, no Pará, 350 quilômetros a sudoeste de Belém. Viria a ser a terceira maior usina do mundo.
A Construtora Camargo Corrêa foi escolhida para instalar o primeiro canteiro de obras.
Uma vez instalada no local, ganhou a concorrênciaprincipal. E lá permanece até hoje, sempre faturando, passados 36 anos.
O orçamento inicial de Tucuruí era de US$ 2,1 bilhões. Quando chegou em US$ 7,5 bilhões, dez anos depois, a rubrica específica desapareceu. Foi remetida das contas da Eletronorte, subsidiária da região norte, para a contabilidade da sua enorme controladora, a Eletrobrás.
O preço final pode ter chegado a uns US$ 15 bilhões, sete vezes mais do que a previsão na largada da obra. Mas pode ter ido além, ninguém mais sabe ao certo.
O que a Camargo Corrêa ganhou entre 1975 e 1984, quando a usina começou a funcionar, permitiu ao seu proprietário, Sebastião Camargo, se tornar o primeiro bilionário brasileiro na listagem dos mais ricos do mundo.
Sua fortuna pessoal dobrou no período: de US$ 500 milhões para US$ 1 bilhão.
Correspondeu ao lucro líquido acumulado nesse decênio, à boa média de US$ 50 milhões a mais por ano. Sem atualização monetária.
Ninguém protestou quando o canteiro secundário virou principal. Nem quando o contrato original foi seguidamente aditado.
Ou quando dele derivaram outros contratos, na usina ou em uma de suas principais dependências, o sistema de transposição da enorme barragem de concreto, com mais de 70 metros de altura (correspondente a um prédio de 17 andares), que custou R$ 1,6 bilhão, o maior do país.
Nem quando o Tocantins, o 25º maior rio do mundo, com 2.200 quilômetros de extensão, cuja bacia drena 10% do território nacional, começou a ser aterrado para que do seu leito fosse erguida a represa, a obra pública que mais concreto absorveu no Brasil até então.
Com o fechamento do rio, a água subiu e inundou uma área de três mil quilômetros quadrados, afogando milhões de metros cúbicos da floresta que havia em seu interior.
A legislação ambiental brasileira só começaria a nascer seis anos depois. Mas a Eletronorte sabia que Tucuruí causaria profundos danos à natureza, acima e abaixo da represa, por pelo menos 200 quilômetros a montante.
Tratou de fazer um levantamento ecológico das consequências da hidrelétrica.
A tarefa foi realizada por uma única pessoa, em 1977, o americano Robert
Goodland. Ele era o autor, com seu compatriota Howard Irvin, de um estudo
extremamente crítico sobre a ocupação da Amazônia durante o regime militar.
O título do livro, embora equivocado, dizia tudo sobre o seu conteúdo: “Amazônia: do inferno verde ao deserto vermelho”.
Da tradução para o português foi expurgado todo um capítulo, sobre a matança de índios pelos projetos de “desenvolvimento”, embora a editora da publicação tivesse o selo da honorável Universidade de São Paulo, a USP.
O levantamento que Goodland fez sobre o impacto ambiental da hidrelétrica de Tucuruí podia ser considerado apenas como um exaustivo roteiro para uma pesquisa muito mais ampla, complexa e detalhada – que nunca foi executada.
Problemas que eram visíveis mesmo a olho nu só foram considerados pelos “barrageiros” quando se materializaram. Efeitos danosos que podiam ser evitados ou prevenidos foram deixados à própria sorte.
De Tucuruí, no Tocantins, para Belo Monte, no Xingu, caminhando para oeste do Brasil, como sempre, na sina (e sanha) dos sempre bandeirantes, muita coisa mudou – mas, talvez, não o substancial.
Ontem, um grupo de manifestantes levou a Brasília um abaixo-assinado de 500 mil nomes contra a construção da usina, que ocupará justamente o lugar até agora de Tucuruí no ranking das maiores hidrelétricas do mundo.
A caudalosa adesão de subscritores do manifesto dificilmente sensibilizará aqueles que, 20 anos depois de começarem a tratar da hidrelétrica, não têm mais dúvida alguma de que ela precisa ser construída. De qualquer maneira.
A correlação de forças não é a mesma de 1975. Por trás do selo de autorização não há uma ditadura, como então. Mas o Estado (no caso, personificado na União Federal) pode muito. Talvez ainda mais do que a sociedade.
A norma processual do licenciamento ambiental foi violada para dar passagem a uma figura que o código ecológico desconhece: a “licença de instalação parcial”.
O que ela é senão a versão atualizada ao mundo jurídico da figura concreta do canteiro secundário de Tucuruí em 1975? A obra pode não começar (ou jamais vir a ser legalizada), mas seu canteiro já estará pronto.
Os R$ 19,5 bilhões de financiamento de longo prazo do BNDES (num orçamento global de R$ 24,7 bilhões, ainda inconsolidado) podem não sair, mas até o final do próximo mês um bilhão de reais do “empréstimo ponte” já terá sido aplicado para executar a licença parcial.
E o fato estará consumado, assim como consumatum sunt Santo Antônio e Jirau, bem mais a oeste (já quase no fim da rota dos bandeirantes em torrão pátrio), no Estado de Rondônia e no rio Madeira, o mais caudaloso afluente do oceânico rio Amazonas.
As três mega-hidrelétricas previstas para a Amazônia (sem contar outras cinco ainda em conjecturas para o vale do Tapajós/Teles Pires) representam capacidade instalada de 17,4 mil megawatts (20% a mais do que Itaipu), ainda que apenas metade desse potencial constitua energia firme (disponível ao longo do ano), ao custo de R$ 43 bilhões.
Esses números soam como poesia, para quem dispõe do poder decisório, por vários ângulos e perspectivas, enquanto as críticas e reações a esses projetos lhes chegam aos ouvidos como cacofonia irrealista, absurda.
O Brasil não é o mesmo de 1975. Mas para esses cidadãos é como se fosse. Ao menos quando se trata da Amazônia. Para eles, a história se escreve com bulldozers.PRONTO SOCORRO: EMPREITEIRA QUER 30% A MAIS
Ficou para fevereiro a definição da empreiteira fará a reforma do térreo e parte do primeiro andar do Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre.
A Porto Novo foi a única construtora a apresentar uma proposta na segunda chamada da licitação, dia 10 de janeiro.
Preencheu todos os requisitos, mas a um custo 30% mais alto que os R$ 8,9 milhões previstos no edital.
Enquanto aguarda o prazo legal para a Porto Novo estudar uma redução do valor, a comissão de licitação espera a proposta a ser apresentada por uma empresa paulista, fora do edital.
O edital prevê que o município pode convidar uma empresa para fazer a obra, caso nenhum candidato apresente uma proposta adequada na licitação.
Segundo Álvaro Kniestedt, engenheiro do HPS, uma empreiteira paranaense também demonstrou interesse, mas ainda não confirmou se apresentará projeto. Final de fevereiro é o prazo para a decisão.
Até lá, o que se verá é a continuação de pequenas etapas, como a conclusão da transferência de cargas para a nova caixa de força e a impermebilização do terraço.OBRA CONTRA INUNDAÇÕES ATRASOU QUASE UM ANO
Está marcado para 14 de fevereiro o início das operações da “Casa de Bombas” construída na esquina da avenida Ipiranga com a rua Jacinto Gomes, para acabar com os alagamentos no bairro Santana, na região central de Porto Alegre. A previsão inicial era maio de 2010.
A obra custou R$ 5,5 milhões e foi feita com recursos federais. É uma antiga reivindicação de cerca de 25 mil moradores que enfrentam o problema cada vez que chove forte na cidade.
Nas chuvaradas de janeiro deste ano, a água ainda inundou algumas ruas no bairro, mas as galerias já implantadas amenizaram bastante o problema, segundo os moradores.
As três bombas de sucção instaladas num prédio de 360 metros quadrados funcionarão como o “coração” do sistema de drenagem projetado pelo Departamento de Esgotos Pluviais.
Numa chuvarada elas poderão bombear a água para o arroio Dilúvio á vazão de 5.500 metros cúbicos por segundo, impedindo a inundação das partes mais baixas do bairro.
Uma “rede coletora” com 1.170 metros de canos e várias galerias pluviais foi implantada ao longo do ano passado.
Agora faltam os acabamento no prédio e a ligação elétrica com a subestação da CEEE.A Revolução Eólica (18) – UE VAI ULTRAPASSAR META 20-20
A União Europeia UE-27 irá exceder a meta de 20% do consumo bruto final de energia proveniente de fontes renováveis até 2020. A previsão da European Wind Energy Association (EWEA) aponta para uma cota de 34% das renováveis no consumo total de eletricidade, de acordo com a análise dos 27 Planos de Ação Nacional de Energia Renovável, apresentados pelos Estados-membros à Comissão Europeia.
A energia eólica vai gerar 14% da procura total de eletricidade da Europa em 2020 (494 TWh de 213 GW de capacidade instalada), mais do que qualquer outra fonte renovável, contra 4,2% em 2009. A Irlanda será o país com o maior nível de penetração de energia eólica com 36,4% do seu consumo total de eletricidade, seguido pela Dinamarca com 31%.
Dos 34%, 14,1% é proveniente da energia eólica (10% onshore e 4% offshore), 10,5% a partir de hidrelétricas, 6,6% a partir de biomassa, 2,7% a partir de energia solar fotovoltaica, 0,5% a partir de energia solar concentrada, 0,3% da energia geotérmica e 0,1% do oceano.
Em Portugal, estima-se que em 2020 a produção de eletricidade a partir de renováveis corresponda a mais de 55% do consumo total de energia, sendo que a energia eólica será responsável por 41% desta fatia. Ainda assim, o país é um dos 10 Estados-membros que cumprirão os seus objetivos nacionais.
Bulgária, Espanha, Grécia, Hungria e Alemanha estão entre os países que prevêem ultrapassar as suas metas nacionais. Apenas Luxemburgo e Itália deverão socorrer-se dos mecanismos de cooperação para atingir os seus objetivos nacionais.
Ambiente OnlineA Revolução Eólica (17) – CHINA NO CAMINHO DAS ENERGIAS RENOVÁVEIS
Pesquisadores da China, principal fornecedor de turbinas eólicas e paineis solares, trabalham para baratear o custo da utilização destas e de outras fontes renováveis de energia, conseguir que sejam mais eficientes e aumentar sua proporção na matriz energética deste país.
A China deu um grande salto até ficar à frente no setor de energias alternativas, mas é necessário maior investimento do governo se deseja brilhar nessa área, afirmam numerosos especialistas.
O professor Zhao Xingzhong, da Faculdade de Física da Universidade de Wuhan, pesquisa sobre células solares sensíveis à cor, uma alternativa mais eficiente e barata do que a habitual tecnologia fotovoltaica de semicondutores em estado sólido. As implicações práticas são evidentes, afirmou. “O processo de produção de células solares sensíveis à cor não produz dióxido de carbono, isto é, não causa contaminação ambiental”, disse Zhao à IPS. “Além disso, elas custam um quinto do valor dos semicondutores tradicionais fabricados com silício cristalino”, acrescentou. Sua equipe de pesquisa é única neste país e no mundo, mas ele afirma que o apoio do governo está longe de ser suficiente.
Coreia do Sul e Japão, segundo Zhao, investiram no total US$ 1,6 bilhão em tecnologia solar de terceira geração desde 2000. Na China, houve apenas cinco projetos locais na última década, sendo que cada um recebeu US$ 4,5 milhões. “É difícil superar o gargalo tecnológico pela falta de recursos econômicos”, lamentou. Nos últimos anos, a China se converteu no maior produtor de tecnologia para o setor de energias renováveis, superando os Estados Unidos na quantidade de turbinas eólicas e paineis solares fabricados.
A companhia Ernst & Young considerou, em setembro, este país como o melhor lugar para investir nessa área. As empresas chinesas, lideradas pela Suntech, com sede em Jiangsu, concentram um quarto da capacidade de produção de paineis solares e aumentam com rapidez sua participação no mercado, baixando os preços graças às fábricas de grande escala e ao seu baixo custo.
Em matéria de energia eólica, as empresas locais aumentaram com rapidez sua participação no mercado nos últimos anos, após a decisão do governo de aumentar os requisitos para associar-se com estrangeiros e de introduzir novos e grandes subsídios e outros incentivos para as companhias chinesas do setor. Em 2009, eram 67 fornecedores chineses de turbinas. A participação de empresas estrangeiras no mercado caiu de 70% para 37% nos últimos cinco anos. No entanto, a maioria das peças produzidas pelas companhias chinesas se baseiam em tecnologia desenvolvida no exterior, com escassa atenção para a inovação local no setor de energias alternativas.
A bioenergia pode ser utilizada para melhorar o padrão de vida nas áreas rurais, disse Wang Mengjie, subdiretor da Sociedade de Energia Renovável da China e ex-vice-presidente da Academia de Engenharia Agrícola. Wang trabalha em projetos para fornecer aos agricultores equipamentos capazes de transformar o lixo orgânico em biogás e fertilizantes.
A quantidade de usinas para produzir biogás nas zonas rurais da China superou os 35 milhões no final de 2009, as quais produzem mais de 12,4 bilhões de metros cúbicos ao ano, segundo o Ministério da Agricultura. O governo aumentou o orçamento para o biogás nos últimos anos para mais de US$ 754 milhões em 2009, em relação aos US$ 337,2 milhões em 2006 e 2007.
Entretanto, a China ainda tem de superar obstáculos tecnológicos na indústria da biomassa, disse Wang. “Em termos de tecnologia para óleo combustível de origem orgânica, países como Estados Unidos e Alemanha estão na frente, enquanto a China encontra-se em uma etapa incipiente”, explicou. Este país “não tem normas nem políticas definidas em matéria de energia a partir da biomassa. No contexto atual, não há possibilidades de as iniciativas se desenvolverem mais”, acrescentou.
A china
O interesse da China nas energias renováveis se deve ao fato de ser uma oportunidade de negócios, dizem os críticos. A maior parte da produção é vendida para o exterior. Este país ainda não alcançou os Estados Unidos em termos de produção de energia renovável. Além disso, é o maior consumidor de carvão do mundo e, estima-se, queimará 4,5 bilhões de toneladas em 2020, segundo a Administração Nacional de Energia.
O carvão continuará ocupando dois terços da capacidade energética da China em 2020, mas o governo prometeu investir milhares de milhões de dólares para desenvolver as energias eólica, solar e nuclear. A Assembleia Popular Nacional, o órgão legislativo da China, obriga as empresas de eletricidade a comprar 100% da produção dos geradores de energias renováveis.
As fontes de energia que emitem pouco carbono representaram mais de um quarto da matriz energética chinesa no final de 2010, informou a agência estatal de notícias Xinhua, com base em estatísticas oficiais divulgadas em abril. Os dados mostram que se espera que as energias hidráulica, nuclear e eólica geraram, em seu conjunto, 250 gigawatts em 2010, e a derivada do carvão 700 gigawatts.
Por Mitch Moxley, IPS, Envolverde, 3/1/2011
