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  • Ronaldinho, o Flamengo e o narcofutebol

    Geraldo Hasse

    Como uma novela em capítulos, a “repatriação” de Ronaldinho rendeu bastante durante as férias nos clubes, quando a mídia esportiva vive uma entressafra de notícias futebolísticas.
    No final das contas, mais um clube endividou-se para levar adiante a insustentável utopia do futebol milionário.
    Não surpreende que o “ganhador” da parada seja o Flamengo, o clube mais endividado do Brasil.
    Nessa história toda, não resta dúvida de que saiu derrotado o esporte, mais uma vez uma enredado numa teia de interesses escusos que fazem dos atletas mercadorias e dos torcedores meros idiotas manipulados num leilão de valores sem lastro.
    Quem vai agora administrar a crise das vaidades sem patrocínio? Dirigentes sem compromisso com a seriedade.
    Os próprios cronistas esportivos, envolvidos no jogo das especulações, reconhecem que “o dentuço pilantra” está voltando para encerrar a carreira, cansado das exigências da profissão que o transformou numa celebridade sem outro objetivo senão se manter sob os holofotes, orientado pelo irmão-empresário, interessado em extrair o máximo do seu garoto de ouro.
    Ambos manobraram até o limite para conseguir um salário de oito dígitos anuais por temporada, um escândalo num país dividido entre um milhão de ricos e cento e tantos milhões de pobres ou remediados que passam dificuldades para chegar ao fim do mês.
    A volta de Ronaldinho é uma ópera que se repete a cada temporada. Os jogadores brasileiros passam dois, cinco, dez anos na Europa e retornam tão boçais quanto na saída.
    Há exceções como Sócrates, Falcão e Raí, mas a maioria sai do país para “conquistar a independência financeira” e volta dependente de terceiros para dar os passos mais elementares.
    Sua autonomia limita-se a dirigir o próprio automóvel. A maioria não sabe safar-se sozinha de uma câimbra.
    Atletas medianos ou mediocrizados pelo exercício de uma atividade rica em simulações têm assessor de imprensa/agente de marketing, advogado, empresário/procurador, manicure, cabeleireiro, modista, consultor disso e daquilo, mas o nível cultural continua tão raso quanto antes.
    O máximo que frequentam no exterior são shopping centers e consultórios de ortodontistas.
    Quando voltam, recitam frases ensaiadas sem dar a menor garantia de que sequer honrarão os contratos milionários.
    A maioria dos torcedores tem consciência de que por fastio, cansaço ou lesões seus ídolos já não são capazes de jogar sequer a metade do que demonstraram antes de ser leiloados para o futebol internacional.
    Como disse Pelé, deveriam voltar para jogar de graça nos clubes que lhes abriram caminho para a fama e a fortuna.
    Ícones de torcedores infantis ou infantilizados, eles raramente ajudam a melhorar a sociedade, antes contribuem para a manutenção do status quo. “Falou status, mandou bem, galera”.
    Dessa farsa monumental participam todos: atletas, dirigentes, assessores, radialistas, imprensa e TV, sem faltar os patrocinadores e os torcedores, teoricamente os alvos de toda a pantomima.
    O dito futebol profissional é uma atividade marcada pelo mais reles mercenarismo. Em muitos casos, nos grandes clubes, o estrelato futebolístico está associado a diversas modalidades de contravenções penais.
    Não é exagero dizer que o esporte mais popular do Brasil e do mundo está sob influência do que alguns chamam de narcofutebol. Uma festa hedonista comandada pela TV.
    Pois bem, esses “heróis” das torcidas se repatriam, mas os recursos ganhos ao longo das temporadas ficam majoritariamente lá fora ou voltam na mão de laranjas.
    Tanto os clubes brasileiros quanto os internacionais são instituições especializadas na administração de déficits.
    Alguns poderiam ministrar cursos sobre sonegação de tributos, lavagem de dinheiro e agenciamento de carreiras políticas, como se viu nas eleições de 3 de outubro de 2010, quando vários atletas aposentados foram eleitos deputados.
    A insustentabilidade de um esporte marcado por tamanhas contradições e desigualdades não parece preocupar as autoridades políticas, os dirigentes esportivos e os torcedores em geral – isso a pouco mais de três anos da Copa do Mundo a ser realizada em 12 capitais brasileiras.
    Teremos no Brasil um megaevento esportivo com seus desdobramentos culturais, turísticos e econômicos, mas até agora as pessoas envolvidas no assunto dão a entender que nossa única obrigação é construir a tempo as obras de infraestrutura exigidas pela Fifa.
    Às vésperas de uma Copa (e dois anos depois, a Olimpíada), a falta de seriedade brasileira é simbolizada pelo gesto “hang loose” de Ronaldinho, que se especializou em saudar a torcida girando a mão direita com os dedos indicador e mingo levantados, sugerindo que está aí para brincar, nada mais.
    Como se um artista (da bola, que seja) não tivesse nenhuma responsabilidade social, cultural, econômica ou política.
    LEMBRETE DE OCASIÃO
    “O Brasil não é um país sério”
    Charles De Gaulle há mais de 40 anos

  • A Revolução Eólica (6): ENERGIA LIMPA A R$131

    No primeiro leilão de energia eólica do País, que aconteceu via internet no dia 14 de dezembro de 2009, a Eletrosul e sua sócia, a Wobben, venderam a energia que será produzida pelos três parques eólicos do Cerro Chato, em Santana do Livramento, por R$ 131,00 por megawatts/hora, representando um deságio de 31,7% em relação ao teto estabelecido que era de R$ 189,00 – vencia quem oferecesse o menor preço. A previsão anual de receita é de R$ 1.928.520,00.
    O sucesso da Eletrosul no leilão de eólica foi comemorado pelo presidente da empresa, Eurides Mescolotto. “Quase oito horas e depois de 75 lances conseguimos marcar definitivamente a entrada da Eletrosul e do Sistema Eletrobrás na área de energia eólica, o que para nós representa um grande sucesso. E num momento em que o mundo está discutindo novas alternativas de energia limpa, a energia eólica é um dos mais promissores segmentos no setor de geração de energia na região Sul”, disse o executivo.
    Foram contratados 753 MW médios de energia em 71 empreendimentos no país. O prazo para entrada em operação comercial da usinas é julho de 2012 e os contratos serão válidos por 20 anos. O leilão representou um acréscimo de 1.805,7 megawatts (MW) de potência ao Sistema Interligado Nacional.
    Para o diretor de Engenharia da Eletrosul, Ronaldo Custódio, os ventos da região Nordeste são considerados os melhores, mas os da região Sul são mais constantes. “Outro fator positivo no Sul é que existem mais acessos de conexões à rede de energia elétrica, o que nos garantiu vantagem competitiva na formulação do preço”.
    Ronaldo lembra ainda, que o número expressivo de projetos participantes garantiu uma disputa acirrada entre os proponentes. “Com a concorrência, a sociedade é quem sai ganhando, porque teremos tarifas mais adequadas para os consumidores”.

  • A Revolução Eólica (5): MEDIÇÃO DOS VENTOS COMEÇOU HÁ DEZ ANOS

    Desde 2002 a Eletrosul realiza medições sistemáticas dos ventos no Rio Grande do Sul. A partir de 2005, a estatal elaborou dois projetos eólicos para Santana do Livramento: Cerro Chato e Coxilha Negra.
    Este último aguarda definição do governo para disputar novo leilão. Caso o Coxilha Negra se concretize, com a instalação de 200 aerogeradores capazes de produzir 400 MW, essa região do pampa, a meio caminho de Quaraí, vai se tornar uma dos maiores pólos de geração de energia renovável produzida pelos ventos.
    O projeto da Usina Cerro Chato foi contemplado no primeiro leilão de energia eólica, promovido em dezembro de 2009 pela Empresa Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Considerado um sucesso por especialistas e pelo Governo, o leilão confirmou as expectativas do Ministério de Minas e Energia quanto aos preços praticados e quantidade de energia contratada.
    O lance ofertado para a energia produzida no Cerro Chato foi de R$ 131,00 por megawatts/hora e representou um deságio de 31,7% – vencia quem oferecesse o menor preço.
    O valor alto do megawatt/hora era um dos grandes empecilhos para que projetos de energia eólica participassem dos leilões do governo, que envolviam várias fontes de energia. Para se ter uma ideia, o preço do MWh de energia hídrica no Brasil é de R$ 70, em média, enquanto o MW/h da eólica custava R$ 250,oo.
    Mas esse valor pode ser mais baixo, uma vez que o potencial e a intensidade de ventos no Brasil são maiores que na Alemanha, por exemplo. Lá, se produz energia elétrica a partir de ventos de 5 a 6 metros por segundo, enquanto aqui são considerados de 6 a 9 m/s.
    O expressivo número de projetos habilitados – 339 no total – sinaliza a abrangência que o setor deve conquistar nos próximos anos, principalmente com a entrada em operação de 71 novas usinas eólicas, que devem gerar juntas, pouco mais de 1.800MW ao Sistema Interligado Nacional (SIN).
    Para o diretor de Engenharia da Eletrosul e especialista em energia eólica, Ronaldo Custódio, o preço de venda da energia oferecido pela estatal pode ser creditado a dois fatores: os investimentos que a Eletrosul vem realizando ao longo dos últimos quatro anos no estudo e desenvolvimento de projetos eólicos e a engenharia econômico-financeira da proposta comercial, “que vão resultar numa rentabilidade adequada e que contribuíram para tornar a nossa participação no certame mais atrativa”, explica o diretor.
    Outro fator de diferenciação está na composição das torres que sustentarão os aerogeradores. “Ao contrário do usual, vamos utilizar concreto, produzido na região. Isso permitiu uma redução dos custos”. Segundo o diretor, esta tecnologia já vem sendo utilizada pela Enercon com sucesso em outros empreendimentos.
    Ronaldo lembra ainda, que o número expressivo de projetos participantes garantiu uma disputa acirrada entre os proponentes. “Com a concorrência, a sociedade brasileira foi a grande vencedora, pois o leilão produziu tarifas mais adequadas para os consumidores”.
    Com um litoral com mais de nove mil quilômetros de extensão, o Brasil apresenta condições ideais para aumentar a participação desta fonte renovável de energia na matriz energética brasileira.
    Para o diretor, os ventos da região Nordeste são considerados os melhores, mas os da região Sul são mais constantes. “Outro fator positivo é que no Sul existem mais acessos de conexões à rede de energia elétrica, o que nos garantiu vantagem competitiva na formulação do preço”, completa o dirigente.

  • A Revolucao Eólica (4): ENERGIA AINDA É CARA

    Mapa com localização dos aerogeradores / Foto Cleber Dioni Tentardini
    Mapa com localização dos aerogeradores / Foto Cleber Dioni Tentardini

    O valor pago pelo governo federal às empresas que produzem energia eólica ainda é caro se comparado com as hidrelétricas. O preço é calculado por megawatt/hora (MW/h) de energia que abastece o sistema elétrico brasileiro. Em contratos mais antigos o MW/h chega a R$ 250,00, em média. Não dá para disputar com a hídrica, que custa cerca de R$ 70.
    Mas o quadro está mudando agora. Com a pressão das empresas para que fosse realizado um leilão exclusivo de eólica, o governo pisou no freio e condicionou a compra dessa energia à redução das tarifas. Essa era uma antiga exigência da então ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, para que o negócio não prejudicasse o bolso do consumidor final, o cidadão.
    E o resultado foi positivo. A energia eólica vendida no complexo de Cerro Chato, por exemplo, foi vendida a R$ 131 o MW/h, representando um deságio de 32%. Essa redução dos valores fez com que alguns projetos fossem retirados do leilão por inviabilidade econômica, do ponto de vista de seus diretores.
    O aumento da competitividade provoca redução dos preços. Vale para qualquer setor. A Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) defende o programa 10-10, que significa 10 GW ao longo de 10 anos. Em países europeus, o programa é 20-20, isto é ter 20% da matriz energética com eólica em 20 anos.
    O Plano Decenal de Expansão Energética (PDE) 2008-2017, feito pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao MME, prevê investimentos de R$ 142 bilhões em geração de energia e significará a adição de 63.935 MW de capacidade instalada na matriz energética nacional. O único empecilho para a Aneel contratar mais energia eólica é o custo. Uma alternativa para reduzir o valor da energia produzida pelos ventos é reduzir os impostos que incidem sobre os equipamentos eólicos. O governo cobra uma taxa de 14% de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
    Certificados de carbono
    De acordo com a ABEEólica, está sendo projetada a instalação de 30 mil MW por volta do ano 2030, podendo ser estendida em função da perspectiva de venda dos “Certificados de Carbono”. Existem, atualmente, mais de 30 mil turbinas eólicas de grande porte em operação no mundo, com capacidade instalada da ordem de 31 mil MW.
    A geração de energia a partir dos ventos no Brasil iniciou em julho de 1992. No Rio Grande do Sul, desde 1999 o governo tem prestado mais atenção ao potencial eólico regional.

  • Comunicação terá foco nas midias alternativas

    Na apresentação da entrevistada, faltou um detalhe importante e esclarecedor: Vera Spolidoro foi, por muitos anos, assessora de imprensa da Federaçao da Industria do Rio Grande do Sul, numa época em que toda a cobertura econômica no Estado passava pela travessa Leonardo Truda, onde funcionava a Fiergs.
    Trechos:
    “Queremos que a sociedade dialogue com o governo, que a crítica venha da sociedade, não necessariamente através das mídias tradicionais”.
    “(Os cidadãos)…precisam ser não apenas consumidores, mas produtores de conteúdo”.
    “O conselho (de Comunicação) está previsto na Constituição de 1988. Já se instituiu no âmbito do Congresso Nacional. Funcionou um tempo e depois não teve quem tocasse. No ano passado, na Conferência Nacional de Comunicação (Cofecom), ressurgiu a história do conselho. Houve uma reação muito forte das empresas detentoras de veículos de comunicação. Acho que não compreenderam bem o propósito. Por que podem existir conselhos de educação e de saúde, por exemplo, e quando se fala em conselho de comunicação ninguém assume? Não entendo isso. Acho que é mau entendimento. Não quero acreditar que seja má-fé”.
    “Não é censura. Não é intromissão. Ao contrário, é permitir que as pessoas saibam o que estão consumindo em termos de informação, que tenham visão crítica e sejam produtoras de conteúdo. É isso que queremos. Temos uma proposta, vamos apresentá-la ao Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), que vai ser o lugar dos grandes debates. Haverá uma câmara temática para comunicação. Todo mundo vai ter a oportunidade de falar: os proprietários de veículos, os jornalistas e a sociedade”.
    “Vamos trabalhar bastante com mídias alternativas. E aí incluem-se blogueiros, rádios comunitárias, jornais de bairro e jornais de Interior. Quando se escolhe trabalhar com um tipo de veículo só porque tem mais audiência, acaba se eternizando esse meio e não se cria nenhuma oportunidade para que outros possam surgir. Então, morrem os jornais de bairro e as rádios comunitárias, porque ninguém coloca dinheiro. Qualquer pesquisa no Interior constata que o primeiro jornal que é lido é o da região. Com rádio é a mesma coisa. Eles ouvem antes a rádio comunitária. Aqui mesmo em Ipanema as pessoas ouvem a rádio comunitária. Vamos trabalhar muito fortemente nisso”.
    “O conceito que a usamos na campanha provavelmente vai permanecer. A ideia é de que o Rio Grande do Sul está crescendo para nós, para o Brasil e para o mundo. Isso vai continuar. Não é um mero slogan, é uma nova diretriz de governo”
  • A Revolucao Eólica (3):POTENCIAL EQUIVALE A DEZ ITAIPU

    A energia gerada pelos ventos chamada de energia eólica é a fonte energética do futuro. A mais limpa, abundante e inesgotável dentre todas. É gerada em parques que concentram vários geradores – turbinas em forma de catavento ou moinho instaladas em regiões de ventos fortes.
    Além de não prejudicar o meio ambiente, a energia eólica gera investimentos, rendimentos para a agricultura, tecnologias de ponta, é à prova de secas e gera empregos. Num país cuja matriz energética é baseada fortemente em hidrelétricas, a energia dos ventos complementa a matriz em períodos de pouca chuva e na entre-safra.
    Também é utilizada para substituir combustíveis naturais (não renováveis e sujeitos a escassez), como o carvão, petróleo e gás natural, auxiliando na redução do efeito estufa e, consequentemente, no combate ao aquecimento global. Além disso, as usinas eólicas convivem com outras atividades como a pecuária e a agricultura.
    Mesmo entre as fontes alternativas, é a que apresenta as maiores taxas de expansão no mundo, cerca de 26%. Foi a que mais cresceu em 2009, segundo o balanço do Conselho Global de Energia Eólica, aumentando a capacidade instalada de 120,8 gigawatts (GW) para 157,9 GW em todo o mundo.
    O mercado de turbinas movimentou, segundo o Conselho Global, 63 bilhões de dólares em 2009.
    E o Brasil é privilegiado nesse sentido. Pesquisas estimam que o potencial eólico no país chegue a 143 mil megawatts (MW) ou 143 GW *, mais de dez vezes o que é gerado pela Usina de Itaipú.
    Hoje, a fonte eólica representa 0,4% da matriz nacional. Em 2006, a energia a partir dos ventos somava 271 MW. Em 2009 foram acrescidos 427 MW e, em 2010, estavam prometidos mais 684 MW, totalizando 1.423 MW ou 1,4% da matriz elétrica brasileira, que hoje é de 100 mil MW, abastecido principalmente pelas hidrelétricas. O litoral do Nordeste, o centro da Bahia, o norte de Minas Gerais e o extremo sul do Brasil apresentam grande potencial eólico.
    No contexto mundial, a China apresentou o maior crescimento, dobrando a sua capacidade, com mais 13 GW em 2009. Os Estados Unidos têm o maior número de instalações de energia eólica, com 35 GW instalados, superando a Alemanha, com 22,2 GW. Espanha, Dinamarca, Índia, Itália, Holanda, Japão e Reino Unido estão acima ou próximos de 1 GW.
    Fonte: Atlas Eólico Brasileiro, produzido pelo Centro de Pesquisas da Energia Elétrica (CEPEL), da Eletrobras.

  • Conteiners para lixo serao instalados em 11 bairros

    O Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) está em contagem regressiva para a implantação da coleta automatizada do lixo através de contêineres em uma área piloto da cidade.

    Área-piloto da coleta por contêineres, que será implantada pelo DMLU em 2011

    Na primeira etapa da modernização, cerca de 9% da população será contemplada.
    O edital de licitação foi publicado no dia 9 de dezembro. Os envelopes de habilitação serão abertos em 12 de janeiro, e o resultado será divulgado no dia 20.
    A previsão é de que a empresa vencedora da concorrência instale 1,2 mil contêineres para a coleta de lixo domiciliar em 11 bairros a partir de junho.
    A população de Porto Alegre, em especial os 123.600 habitantes que utilizarão diretamente o novo serviço, será informada e esclarecida dos detalhes da mudança através de uma ampla campanha de divulgação.
    As informações começam a ser divulgadas com 30 dias de antecedência e ao longo dos primeiros 30 dias de uso da nova coleta, inclusive para deixar bem claro que, por enquanto, a coleta seletiva não mudará.
    Área-piloto – A área de implantação do projeto-piloto da nova coleta domiciliar será limitada pelo Guaíba a oeste, pelo Arroio Dilúvio a sul, pelas avenidas Silva Só e Goethe e pela rua Dr. Timóteo a leste, e, a norte, por um contorno que, da Dr. Timóteo, irá pela Cristóvão Colombo até a Ramiro Barcelos e desta para a Voluntários da Pátria e Conceição, até a Mauá.
    Os contêineres de dois tamanhos diferentes – 2,4 mil litros e 3,2 mil litros – estarão distantes no máximo 100 metros um do outro e ficarão estacionados (75%) na via pública, ocupando o espaço semelhante ao de um automóvel. Apenas 300 contêineres precisarão ficar sobre calçadas, por falta de estacionamento em determinadas vias.
    As vantagens imediatas da coleta de lixo domiciliar em contêineres – aos moldes do que é feito em Caxias do Sul, Pelotas, Santa Maria e nas cidades uruguaias de Punta del Este e Montevidéu – serão o desaparecimento quase total dos caminhões de lixo (ficam só quatro) no trânsito dentro desta área de muito movimento de carros, o fim da ação da chuva, do vento e de animais nos sacos de lixo, que poderão ser dispostos nos contêineres a qualquer hora do dia ou da noite, e a diminuição da ação de catadores informais. (Assessoria de Imprensa)

  • A Revolucao Eólica (2): CATAVENTOS GIGANTES VIRÃO EM 1.200 CARRETAS

    Aerogeradores virão em 1.200 carretas
    Começam a chegar, ainda em janeiro, os equipamentos das torres e dos aerogeradores do primeiro parque da Usina Eólica do Cerro Chato. Serão necessárias 1.200 carretas para transportá-los.
    A Wobben é a fabricante dos geradores, a mesma que forneceu para a Usina em Osório e da futura eólica de Tramandaí.
    As peças vem da Alemanha para serem montadas na Wobben, sediada em Sorocaba, São Paulo, e depois enviadas para a fronteira.
    As torres são formadas por vários anéis de concreto, fabricados em Gravataí, também o mesmo fornecedor de complexo eólico de Osório.
    A partir de determinada altura, as torres são formadas por anéis metálicos até chegar aos aerogeradores, cujo centro estará a 108 metros do chão, chegando a 149 metros de altura no ponto mais alto da pá.
    Cada uma das três pás que compõem o aerogerador possui 41 metros de comprimento.
    A disposição das torres segue critérios estabelecidos pelos medidores de vento, os anemômetros, e não ficarão alinhados como em Osório. A distância entre as torres varia muito, de 300 metros a 1.000 metros.
    Segundo o gerente-administrativo das obras, o carioca Nélio Catarina Pinto, as 15 cavas onde serão erguidas as torres já estão prontas, duas já estão tendo suas bases concretadas.
    Cada base possui um diâmetro de 18 metros, onde estão sendo utilizados 450 metros cúbicos de concreto e 55 toneladas de ferro.

  • Estiagens no RS: conhecidas e diagnosticadas há 80 anos

    Em 1942, quando ainda não se falava em La Niña, o geólogo Mariano Sobrinho, professor da UFRGS e técnico do governo estadual, coordenou um grupo de pesquisa que avaliou e propôs soluções para as secas periódicas que atingem algumas regiões do Rio Grande do Sul, principalmente na Fronteira Oeste.
    Com base em dados meteorológicos e estatísticas econômicas, os pesquisadores constataram que o fenômeno aparece desde os primeiros registros, cerca de 100 anos antes.
    Em períodos de seis ou sete anos, a estiagem se manifesta com mais intensidade, causando enormes danos econômicos e incômodos às populações.
    As soluções então propostas são praticamente as mesmas de agora: pequenos açudes, poços artesianos, pequenas obras de irrigação.
    Nao resolveriam o problema, mas atenuariam em muito seus piores efeitos. Em quase 80 anos, o governo do Estado ainda não fez o que seus técnicos recomendaram – e que, como se vê agora, estavam certos.
    Hoje não se encontra sequer cópia do estudo do professor Mariano Sena Sobrinho na biblioteca do Departamento de Produção Mineral. Mineiro, formado em Ouro Preto, ele foi um dos fundadores da geologia no Rio Grande do Sul.

  • A Revolução Eólica (1): BONS VENTOS TRAZEM DILMA EM ABRIL

    Por Cleber Dioni Tentardini

    Pelo menos uma visita oficial da presidente da República Dilma Rousseff ao Rio Grande do Sul já pode ser agendada por sua assessoria.
    Será no final de março ou início de abril, quando começa a operar a Usina Eólica Cerro Chato, no município de Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai, a primeira no pampa gaúcho.
    A usina é formada por três parques eólicos, cada um com 15 aerogeradores e capacidade para gerar 30 megawatts (MW), totalizando 90 MW, capazes de abastecer um município com mais 200 mil habitantes.
    É um dos projetos que merecem especial atenção da ex-ministra das Minas e Energia, responsável pelo programa de energia eólica no país.
    Conforme o diretor técnico da Eólica Cerro Chato, Luiz Antônio Zank, na inauguração serão acionados cinco aerogeradores da primeira fase da Usina (Parque 3).
    Sua conclusão está prevista para maio, antecipando em nove meses o calendário, desde o início das obras, em agosto de 2010. A subestação coletora de energia e as linhas de transmissão devem estar prontas até o início de março.

    Luiz Antônio Zank, diretor da Usina Eólica Cerro Chato | Foto Cleber Dioni Tentardini
    Luiz Antônio Zank, diretor da Usina Eólica Cerro Chato | Foto Cleber Dioni Tentardini

    “Sabemos que é uma meta bastante arrojada, alguns dizem que é quase impossível, mas ainda estamos trabalhando com essa data porque a viabilidade econômica desse projeto depende dele estar funcionando o quanto antes, até porque a energia ofertada foi muito barata”, explica.
    Neste mês de janeiro começam a chegar ao município as torres e os aerogeradores. A conclusão dos três parques da usina está prevista para final de 2011 ou início de 2012, com contratos válidos por 20 anos e uma previsão anual de receita de R$ 38,9 milhões.
    A Eólica Cerro Chato S/A, responsável pela implantação, manutenção e operação da usina, é controlada pela Eletrosul Centrais Elétricas, subsidiária da Eletrobras, tendo como sócia a empresa Wobben, do grupo alemão Enercon, um dos principais fornecedores de tecnologia em aerogeradores.
    A estatal brasileira detém 90% dos R$ 400 milhões que estão sendo investidos no complexo.