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  • Dilma: a tortura julgada, a anistia sangrada

    Luiz Cláudio Cunha *
    Dilma Rousseff, a primeira mulher eleita presidente do Brasil, deve encarar um desafio que intimidou os cinco homens que a antecederam no Palácio do Planalto a partir de 1985, quando acabou a ditadura: a tortura e a impunidade aos torturadores do golpe de 1964.
    José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, FHC e Lula nunca tiveram a cara e a coragem de botar o dedo na ferida da impunidade, chancelada pela medrosa decisão de abril passado do Supremo Tribunal Federal, que reafirmou o perdão aos militares e policiais que mataram e machucaram presos políticos.
    Na quarta-feira passada (4), quando o país ainda vivia a ressaca da vitória no domingo da primeira ex-guerrilheira a chegar ao poder supremo da Nação, o incansável Ministério Público Federal em São Paulo (MPF-SP) ajuizou ação civil pública pedindo a declaração da responsabilidade civil de quatro militares reformados (três oficiais das Forças Armadas e um da PM paulista) sobre mortes ou desaparecimento forçado de seis pessoas e a tortura de outras 20 detidas em 1970 pela Operação Bandeirante (Oban), o berço de dor e sangue do DOI-CODI, a sigla maldita que marcou o regime e assombrou os brasileiros.
    Dilma Vana Rousseff, codinome ‘Estela’, uma das lideranças da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), empresta sua voz e seu drama nessa ação para acusar o capitão do Exército Maurício Lopes Lima, responsável pela pancadaria na futura presidente e em outros 15 militantes políticos. Presa na capital paulista numa tarde de janeiro de 1970, Dilma foi levada para a Oban da rua Tutóia, onde cinco anos depois morreria o jornalista Vladimir Herzog. Sobreviveu a 22 dias de intensa tortura, como contaria em 2003 num raro desabafo ao repórter Luiz Macklouf Carvalho:
    “Levei muita palmatória, me botaram no pau-de-arara, me deram choque, muito choque. Comecei a ter hemorragia, mas eu aguentei. Não disse nem onde morava. Um dia, tive uma hemorragia muito grande, hemorragia mesmo, como menstruação. Tiveram que me levar para o Hospital Central do Exército. Lá encontrei uma menina da ALN (Ação Libertadora Nacional): ‘Pula um pouco no quarto para a hemorragia não parar e você não ter que voltar pra Oban’, me aconselhou ela”.
    O relato formal, revelado pelo projeto Brasil Nunca Mais da Arquidiocese de São Paulo, está transcrito nas páginas 30 e 31 do processo 366/70 da Auditoria Militar. Revela-se já nos autos o temperamento forte de Dilma, então com 22 anos, logo após ser transferida para o presídio Tiradentes e ali mesmo ameaçada de um retorno ao inferno: “…na semana passada, dois elementos da equipe chefiada pelo capitão Maurício compareceram ao presídio e ameaçaram a interroganda de novas sevícias…”, denunciou a presa. Dilma contou na Justiça Militar que perguntou aos emissários da Oban se eles estavam autorizados pelo Poder Judiciário. A resposta do militar resumia o deboche daqueles tempos: “Você vai ver o que é o juiz lá na Oban!…”
    “Um torturador é um monstro”
    Hoje tenente-coronel reformado, Maurício defendeu-se no jornal O Estado de S.Paulo: “Ela esteve comigo somente um dia e eu não a agredi, em momento algum”. A ação do MPF, subscrita pelo procurador regional Marlon Weichert e outros cinco procuradores, cita dois casos notórios entre os seis mortos: Virgílio Gomes da Silva, codinome ‘Jonas’, o líder do grupo que sequestrou o embaixador americano Burke Elbrick (integrado também por Franklin Martins e Fernando Gabeira), e Frei Tito, o dominicano preso pelo delegado Sérgio Fleury e que, transtornado pela tortura, acabou se enforcando meses depois num convento na França. “Tortura é crime contra a humanidade, imprescritível, tanto no campo cível como no penal”, dizem os procuradores que subscrevem a ação.
    Apenas dois dos nove ministros do STF – Ricardo Lewandowski e Carlos Ayres Brito – concordaram com a ação da OAB, que contestava a anistia aos agentes da repressão. “Um torturador não comete crime político”, justificou Ayres Brito. “Um torturador é um monstro, um desnaturado, um tarado.
    Um torturador é aquele que experimenta o mais intenso dos prazeres diante do mais intenso sofrimento alheio perpetrado por ele. É uma espécie de cascavel de ferocidade tal que morde ao som dos próprios chocalhos. Não se pode ter condescendência com o torturador. A humanidade tem o dever de odiar seus ofensores porque o perdão coletivo é falta de memória e de vergonha”.
    Apesar da veemência de Ayres Brito, o relator da ação contra a anistia, ministro Eros Grau, ele mesmo um ex-comunista preso e torturado no DOI-CODI paulista, manteve sua posição contrária: “A ação proposta pela OAB fere acordo histórico que permeou a luta por uma anistia ampla, geral e irrestrita”. Grau deve estar esquecido ou desinformado, algo imperdoável para quem é juiz da Suprema Corte e também sobrevivente da tortura.
    A anistia de 1979 não é produto de um consenso nacional. É uma lei gestada pela ordem vigente, blindada para proteger seus agentes e desenhada de cima para baixo para ser aprovada, sem contestações ou ameaças, pela confortável maioria parlamentar que o governo do general João Figueiredo tinha no Congresso: 221 votos da ARENA, a legenda da ditadura, contra 186 do MDB, o partido da oposição. Nada podia dar errado, muito menos a anistia controlada.
    Amplo e irrestrito, como devia saber o ministro Grau, era o perdão indulgente que o regime autoconcedeu aos agentes dos seus órgãos de segurança. Durante semanas, o núcleo duro do Planalto de Figueiredo lapidou as 18 palavras do parágrafo 1° do Art. 1° da lei que abençoava todos os que cometeram “crimes políticos ou conexos com estes” e que não foram condenados.
    Assim, espertamente, decidiu-se que abusos de repressão eram “conexos” e, se um carcereiro do DOI-CODI fosse acusado de torturar um preso, ele poderia replicar que cometera um ato conexo a um crime político. Assim, numa penada só, anistiava-se o torturado e o torturador.
    A discussão do texto começou numa comissão mista do Congresso onde a ARENA tinha 13 das 20 cadeiras. Tateava-se com tanto cuidado que a oposição conseguiu que parentes de desaparecidos pudessem requerer do Estado apenas uma “declaração de ausência da pessoa”, já que resgatar o cadáver era algo impensável.
    Até que, em 22 de agosto de 1979, numa sessão com nove horas de debate, o Governo Figueiredo aprovou sua anistia, a 48ª da história brasileira. Com a decisão, três dezenas de presos políticos do país encerraram a greve de fome de 32 dias que pedia exatamente uma anistia ampla, geral e irrestrita, apesar da credulidade do ministro Grau.
    Com a pressão da ditadura, aprovou-se uma lei que não era ampla (não beneficiava os chamados ‘terroristas’ presos), nem geral (fazia distinção entre os crimes perdoados) e nem irrestrita (não devolvia aos punidos os cargos e patentes perdidos). Mesmo assim, o regime suou frio: ganhou na Câmara dos Deputados por apenas 206 votos contra 201, graças à deserção de 15 arenistas que se juntaram à oposição para tentar uma anistia mais ampliada. Se o Governo perdesse ali, ainda teria o colchão dócil do Senado, onde o MDB dispunha de apenas 25 senadores contra 41 da ARENA – dos quais 21 eram biônicos, parlamentares sem voto popular, mas absolutamente confiáveis, instalados ali pelo filtro militar do Planalto.
    Perigo terrorista
    Não passa de mistificação ou simples má-fé, portanto, dizer que a anistia de 1979 é produto de um consenso nacional, placidamente discutido entre o regime e a sociedade. A oposição, na verdade, aceitou os anéis para não perder os dedos, já que até uma anistia controlada era melhor do que nada. Líderes históricos como Arraes, Brizola e Prestes puderam voltar, mas o governo continuava insistindo na tese do perigo ‘terrorista’.
    O fato real é que o único terrorismo que ainda vigorava no país era o do próprio Estado, que se dizia de ‘segurança nacional’. Bancas de jornal, publicações alternativas de oposição e siglas combativas da sociedade, como a OAB e a ABI, eram vítimas de bombas terroristas — e elas, com certeza, não vinham da esquerda.
    Um dos mentores do ‘crime conexo’ e signatário da anistia de agosto de 1979 era o chefe do Serviço Nacional de Informações, o finado SNI, general Octávio Aguiar de Medeiros. Menos de dois anos depois, em abril de 1981, um Puma explodiu antes da hora no Riocentro, no Rio de Janeiro. Tinha a bordo dois agentes terroristas do Exército: um sargento que morreu com a bomba no colo e um capitão do DOI-CODI que sobreviveu impune e virou professor do Colégio Militar em Brasília. Um inquérito policial-militar do Exército apurou que o atentado foi planejado pelo coronel Freddie Perdigão. Era o chefe da agência do SNI do general Medeiros no Rio de Janeiro. Nada mais conexo do que isso.
    Talvez o ex-preso político Eros Grau, agora ministro aposentado do STF, não soubesse disso, mas o Brasil espera que a ex-presa política Dilma Rousseff, prestes a assumir a presidência da República, tenha plena consciência dessas circunstâncias. Ela tem, por experiência de vida e de sangue, uma biografia que a diferencia bastante de seus antecessores, absolutamente complacentes e omissos nas questões mais candentes dos direitos humanos.
    Fernando Henrique Cardoso, descendente de três gerações de generais e respeitado sociólogo de origem marxista, esperou o último dia de seu segundo mandato, em dezembro de 2002, para duplicar vergonhosamente os prazos de sigilo dos documentos oficiais que podem jogar luz sobre a história do país. Lula, um aclamado líder sindical que nasceu do movimento operário mais consciente e mais atingido pelo autoritarismo, sucedeu FHC na presidência, sob a natural expectativa de que iria corrigir aquele ato de lesa-conhecimento de seu antecessor tucano. E o que fez Lula? Nada, absolutamente nada para facilitar e agilizar o acesso à historia contingenciada pelos 21 anos de regime militar.
    O sociólogo e o metalúrgico, assim, nivelaram-se na submissa inércia dos últimos 16 anos de governos tementes à eventual reação da caserna e seus generais de pijama. Uma grossa bobagem, já que nem os militares acreditam mais nesses fantasmas. Tanto que o site oficial do Exército, na internet, lipoaspirou sua própria história, que nasce na resistência ao invasor holandês em Guararapes, no século 17, passa pela Independência e pela República, exalta o Duque de Caxias e Rondon e desemboca nas duas Guerras Mundiais.
    Sumiu do portal a Intentona Comunista, que reservava o 27 de novembro para a ode de sempre aos mortos da sublevação de 1935, e evaporou-se toda a cantilena sobre 31 de março de 1964, santificada como a ‘Revolução Redentora’ pelos defensores do golpe. Tudo isso é um bom sinal, e um alento para que ninguém mais se acovarde diante dos desafios da história — como fizeram FHC, Lula e o Supremo Tribunal Federal.
    Na lente da história, o Exército pode ser visto pelo bem e pelo mal.
    Em solo italiano, nos anos 1944-45, a brava Força Expedicionária Brasileira (FEB) lutou pela liberdade na guerra contra o nazi-fascismo, com 25 mil homens que fizeram 20 mil prisioneiros nas tropas do III Reich.
    50 mil brasileiros presos
    Em solo brasileiro, na ditadura de 1964-85, o Exército e seus companheiros de armas usaram uma força estimada de 24 mil agentes da repressão que, na guerra contra a subversão, prenderam cerca de 50 mil brasileiros, quase 20 mil deles sofrendo algum tipo de tortura. Alguns não tiveram, como Dilma Rousseff, a ventura de sobreviver.
    Na campanha antinazista da Itália, tombaram 463 brasileiros, entre pracinhas e oficiais.
    Na cruzada antisubversiva do Brasil, caíram 339 dissidentes, entre mortos e desaparecidos, segundo o livro Direito à Memória e à Verdade, divulgado pelo Palácio do Planalto em 2007.
    Se a coragem não é suficiente, a ameaça de constrangimento pode ser um alento decisivo para a presidente Dilma Rousseff encarar a questão da tortura, na democracia, com a mesma bravura com que a enfrentou em plena ditadura. Ao contrário do ministro Nelson Jobim, uma figura submissa aos quartéis que inibia qualquer ação mais afirmativa de Lula, Dilma terá ao seu lado o eleito governador gaúcho Tarso Genro, que na condição de ministro da Justiça defendeu abertamente a punição aos torturadores e a revisão da anistia para este tipo de crime, com uma lógica clara como o sol: “No regime militar nenhuma norma, nem o AI-5, permitia a tortura. Este delito não é político, é comum”.
    A desastrosa decisão da Suprema Corte brasileira, preservando a anistia para os torturadores, foi qualificada na ONU como “muito ruim”. A Alta Comissária da ONU para Direitos Humanos, a sul-africana Navi Pillay, justificou: “Não queremos impunidade e sempre lutaremos contra leis que proíbem investigações e punições”. O espanhol Fernando Mariño Menendez, jurista do Comitê da ONU, foi mais duro:
    “Isso é incrível, uma verdadeira afronta. Leis de anistia foram tradicionalmente formuladas por aqueles que cometeram crimes, seja qual for o lado. É um autoperdão que o século 21 não pode mais aceitar”. O equatoriano Luís Gallegos Chiriboga, perito da ONU sobre tortura, lembrou: “Há um consenso entre os órgãos da ONU de que não se deve apoiar ou mesmo proteger leis de anistia. Com a decisão tomada pelo Supremo Tribunal brasileiro, o País está indo na direção contrária à tendência latino-americana de julgar seus torturadores e contra o senso da ONU luta contra a impunidade”.
    O STF pode sofrer uma grave humilhação internacional ainda este ano — e isso pode ser o primeiro grande constrangimento externo do Governo Dilma. Começou em maio, em San José da Costa Rica, o processo n° 11.552 de Júlia Gomes Lund contra o Brasil na Corte Interamericana de Direitos Humanos. Ela é mãe de Guilherme Lund, que desapareceu aos 26 anos, junto com outras 70 pessoas, no confronto das Forças Armadas contra os guerrilheiros do PCdoB nas matas do Araguaia, no sul do Pará. Em 2008, a Corte da OEA recomendou ao Brasil a punição aos responsáveis pela prisão, tortura e morte no caso Lund. O Brasil não reagiu e, no ano seguinte, foi aberto o processo contra o Estado brasileiro.
    A decisão mais provável da Corte, que não comporta apelação, aponta para uma declaração constrangedora para o STF e para o Brasil até dezembro próximo, definindo que a lei da anistia não abriga os crimes de detenção, tortura, assassinato e desaparecimento dos guerrilheiros. Se isso serve para o combate no coração da floresta, pode servir também para os combatentes da guerrilha urbana que foram torturados no centro da maior cidade brasileira.
    Como no caso de uma certa ‘Estela’, uma das líderes do grupo guerrilheiro VAR-Palmares. Com paradeiro certo e conhecido, a partir de 1° de janeiro: Presidência da República Federativa do Brasil, Palácio do Planalto, 3º andar, Praça dos Três Poderes, Brasília, DF, CEP 70150-900.
    Sua ocupante, Dilma Rousseff, pode abraçar esta causa com a força de sua história e sua determinação. Agora, basta a sangria da memória. E uma hemorragia de verdade.
    cunha.luizclaudio@gmail.com

  • Produtor resgata semente de alface perdida

    Neste sábado (13/11), a Feira dos Agricultores Ecológicos da rua José Bonifácio terá uma banca especial. Jamir Vígolo, integrante da cooperativa Aecia, promete expor uma alface de semente crioula.
    Segundo ele, essa semente havia sido perdida no Estado e há oito anos foi reencontrada com um produtor do município de Caxias do Sul.
    Com ela, o agricultor consegue colher, conservar e reproduzir. “Na horta, ela resiste melhor ao calor, e também  conserva-se por mais tempo na geladeira do que as alfaces cultivadas a partir de sementes industrializadas”, garante Vígolo.
    Agricultores chilenos chamam essa espécie de alface de carda ou costina, por ser plantada na encosta das montanhas.
    E a nutricionista Herta Karp Wiener vai repetir as aulas do sábado anterior, sobre branqueamento. “Quando cozidas, leguminosas com folhas bem escuras, principalmente brócolis, couve e espinafre, liberam fitatos”, explica Herta. “Os fitatos impedem que nutrientes como cálcio e ferro sejam assimilados pelo nosso organismo. Com o branqueamento, conseguimos eliminar até 80% dos fitatos e preservar as vitaminas”.
    O processo, bastante simples, será demonstrado na Banca do Meio às 9, 10, 11 e 12h, e será distribuído um material escrito as etapas do branqueamento. A FAE, que completou 21 anos em outubro, prossegue com a promoção do brócolis e da beterraba orgânicos, ambos ofertados a R$ 2,00 o molho.

  • Tabajara Ruas filma a última revolução no pampa

    O escritor e cineasta Tabajara Ruas está em Santa Maria, com sua equipe, escolhendo locações para as filmagens de seu próximo longa-metragem.
    O roteiro baseia-se no livro “Senhores da Guerra”, de José Antônio Severo, e narra os surtos revolucionários de 1923/24, que encerraram quase um século de guerras civis no Rio Grande do Sul.
    O personagem central é Julio Bozzano, jovem líder político, morto numa emboscada.
    Aos 25 anos, prefeito de Santa Maria, Bozzano era a liderança mais carismática da época, apontado como um dos possíveis sucessores do governador Borges de Medeiros, que estava há mais de 20 anos no cargo.
    Por isso sua morte chegou a levantar suspeitas em relação a Getúlio Vargas, então um jovem deputado, que acabou assumindo o governo, quando Borges não pode mais se candidatar.
    Com grande elenco, inclusive algumas estrelas globais, as filmagens começam em janeiro.

  • Aberta concorrência para reforma do Pronto Socorro

    (Patrícia Marini) – A concorrência pública para escolher a empresa que fará a reforma do térreo e segundo piso do HPS já está aberta.
    O edital pode ser retirado pelos interessados, que devem levar um CD virgem para gravar o projeto de engenharia.
    As obras civis estão orçadas em R$ 8,9 milhões. As propostas serão abertas dia 6 de dezembro.
    A primeira etapa da reforma, já concluída, foi a troca da caixa de força, que custou R$ 1,5 milhão. A anterior era do tempo da construção do prédio, há 66 anos.
    A etapa que vai começar em março reorganiza o fluxo de pacientes no térreo, atinge parte do segundo pavimento, para ampliação da UTI pediátrica, e faz pequenas intervenções nos demais andares.
    O banco de sangue ficará desativado durante as obras, por falta de espaço. Fica só a área de transfusão, mas a coleta volta com a reforma do térreo. “É como trocar os pneus de um carro andando”, diz o engenheiro Álvaro Kniestedt.
    Os recursos iniciais para estas duas etapas vieram do Qualisus1, programa federal para qualificação de hospitais. Mas o projeto ficou mais caro que o orçado inicialmente.
    A prefeitura, que deveria entrar com uma contrapartida de 20%, acabou comprometendo-se com quase a metade, segundo o secretário adjunto da Saúde, Marcelo Bósio.
    O objetivo desta reforma é melhorar o atendimento a quem chega, no diagnóstico e triagem dos pacientes, para atender exigências do Ministério da Saúde.
    Mas não resolve outros problemas graves do HPS, que está fora das normas em vários aspectos. Um exemplo gritante é o risco de explosão representado pelos estoques de gases, em situação ilegal.
    Para solucionar este e outros problemas sérios do hospital, será necessária a ampliação do prédio, já projetada mas ainda sem os recursos garantidos.
    O projeto completo de ampliação foi apresentado terça-feira (9/11) pelo diretor do hospital, Julio Henrique Ferreira, aos vereadores da Comissão de Saúde, entidades civis, funcionários e médicos.
    O projeto prevê a desapropriação de seis sobrados nos fundos do hospital, o que acrescenta 1.400 metros quadrados ao terreno e uma saída pela rua José Bonifácio.
    As ambulâncias continuariam entrando pela avenida Oswaldo Aranha e saindo pela Venâncio Aires, mas os caminhões de coleta de resíduos e abastecimento sairiam do caminho.
    Hoje, enquanto o caminhão abastece o tanque de oxigênio, por exemplo, a ambulância não pode entrar. Numa emergência, os 20 minutos de espera podem ser decisivos. Os que descarregam mantimentos e outros suprimentos também seriam desviados para os fundos, onde ficariam as áreas de apoio.
    Para o projeto completo, faltam R$ 44 milhões. O prefeito José Fortunati acalenta a expectativa de incluir a ampliação do HPS nos investimentos federais para a Copa 2014.
    Ainda não obteve nenhuma garantia, mas gerou novo ânimo no corpo técnico do hospital.
    Por enquanto, o hospital espera a liberação de apenas mais R$ 2 milhões do Qualisus2, para mais uma UTI de trauma, aumento do bloco cirúrgico e da sala de recuperação. A licitação será em 2011, e complementa a reforma do segundo pavimento.

  • Fortunati teme pelo futuro do projeto Cais Mauá

    O prefeito José Fortunati manifestou sua preocupação com o futuro do projeto para revitalização do Cais Mauá.
    Projeto do governo Yeda, com edital de licitação já publicado, o conjunto de obras previstas para o cais enfrenta uma ação judicial movida pela Agência Nacional de Transporte Aquaviários (ANTAQ).
    O projeto encontra também muitas restrições na oposição, que vai assumir o poder com o governador eleito Tarso Genro, em janeiro.
    “Esse é o único ponto de dúvida em todos os projetos vinculados a Copa de 2014. Temo que nessa transição a revitalização do cais, que é um sonho da cidade, volte à estaca zero”, disse Fortunati no evento que a prefeitura promoveu na manhã desta terça-feira, 9, lançar o Comitê Organizador de Porto Alegre para a Copa de 2014.
    A ação movida pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANAQ) pedindo anulação do edital da licitação foi acolhida pela Justiça em agosto.
    As intimações ao governo do Estado e à Superintendência de Portos e Hidrovias foram expedidas no dia 28 de outubro, com 30 dias para que apresentem suas justificativas.
    A decisão do juiz Gabriel Menna Barreto, da 5ª.Vara Federal, implica no reconhecimento preliminar de que a licitação não poderia ser efetivada sem a anuência da ANTAQ.
    Ação judicial pode frustrar os planos da governadora Yeda Crusius, que na campanha eleitoral usou o projeto como uma de suas realizações e pretendia deixá-lo contratado.
    O projeto prevê a construção de grandes prédios para hotéis e comércio, marina, passeios e espaços de recreação – algo semelhante ao que foi feito em Buenos Aires com o Puerto Madero.

  • Homem morto na Redenção: polícia ouve testemunhas

    A polícia já tem pistas para esclarecer a morte do pedreiro Jorge Francisco da Silva no parque da Redenção.
    Silva, de 58 anos, com endereço em Viamão foi encontrado boiando no Lago dos Pedalinhos na manhã do dia 22 de outubro.
    A polícia já sabe que o pedreiro foi morto a pauladas antes de ser jogado no lago dos pedalinhos, no parque da Redenção.
    Testemunhas do crime foram ouvidas forneceram indícios que podem levar ao assassino. O corpo foi encontrado boiando no lago na manhã de 22 de outubro.
    Pessoas que viram o crime aceitaram depor e forneceram à polícia os principais elementos e chegar ao assassino é questão de tempo, segundo o investigador Diniz, da Delegacia de Homicídios.
    O laudo do Departamento Médico Legal (DML) revelou traumatismo craniano, resultante de sucessivas pancadas na cabeça que a vítima recebeu antes de morrer.
    Sinais na terra e um sapato na beira do lago indicam que Silva foi arrastado e jogado nágua já desacordado. “Ele foi morto por alguém conhecido dele e por motivo banal”, diz Diniz.

  • Feira do Livro discute "apagão cultural" no Estado

    Assunto recorrente nos encontros de intelectuais na Feira do Livro é a indicação de Luiz Antônio de Assis Brasil para a Secretaria de Cultura e o desafio que ele vai enfrentar, diante da situação de “apagão cultural” que vive o Rio Grande do Sul.
    Redução de investimentos orçamentários, distorção da Lei de Incentivo à Cultura, com aplicação da maior parte dos recursos em projetos do próprio governo, e até a queda de investimentos privados, em consequência da falta de uma política cultural pelo governo do Estado – são as causas do “apagão”.
    Os sinais estão por toda a parte – desde a crise da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, passando pela falta de bibliotecários até na Biblioteca Central do Estado, até o sucateamento do Instituto Estadual do Livro.
    De modo geral, a indicação do futuro secretário – um escritor consagrado, professor de alto conceito, com experiência na gestão cultural e sem arestas políticas – desperta esperanças de mudanças. Mas o tamanho do desafio leva a indagar até onde ele poderá chegar, uma vez que as restrições financeiras, apesar do badalado “deficit zero”, ainda serão severas no início do próximo governo.

  • JÁ Editores promove queima de estoque na última semana da Feira do Livro

    Todos os títulos do acervo da JÁ Editores estarão a preços promocionais na barraca da editora na 56a Feira do Livro de Porto Alegre, a partir desta segunda-feira. É a banca 75.

    Os descontos chegam a mais de 80 por cento. A promoção se restringe ao período da feira, que vai até 15 de novembro.
    Além da Promoção Colorada (dois livros de Kenny Braga por apenas R$ 30), e do livro-agenda Inglês no seu dia-a-dia, da professora Beth Horn, que são sugestões de presentes para qualquer sexo ou idade, veja os demais títulos em promoção:
    Lanceiros Negros – a verdadeira história da participação dos negros nas guerras gaúchas. Livro reportagem de Geraldo Hasse e Guilherme Kolling. De R$ 20,00 por R$ 15,00.
    A Patrulha de Sete JoãoSete homens vieram buscá-lo, os sete se chamavam João. Uma história de arrepiar, baseada em fatos reais. De Euclides Torres. De R$ 30,00 por R$ 15,00.
    Carlos Reverbel – Textos Escolhidos – São quatro livros reunidos num volume: 1) um conjunto de reportagens da década de 1950 que impressionam pela atualidade; 2) a reportagem-biográfica sobre Simões Lopes Neto; 3) as melhores crônicas publicadas em jornal; 4) o livro de memórias Arca de Blau. De R$ 80 pr R$ 50.
    Literatura e Jornalismo – ensaio clássico de Antonio Olinto, com capítulo inédito escrito em 2008, especialmente para esta edição. De R$ 16 por R$ 8.
    Golpe Mata JornalA história de um jornal popular silenciado pelo golpe militar de 1964, contada por Jefferson Barros. De R$ 20 por R$ 12.

    A Espada de Floriano, de Elmar Bones. Livro-reportagem sobre o golpe militar que instaurou a República no Brasil. De R$ 15 por R$ 5.
    O Homem que Perdeu os Olhos – reunião de reportagens. De R$ 15 por R$ 5.
    Navegando pelo Rio GrandeAs hidrovias gaúchas voltam à cena. Livro-reportagem de Geraldo Hasse com mapas e fotos, atuais e históricas. Mostra um Rio Grande diferente, que não é só a terra do Pampa e da Serra. De R$ 25 por R$ 15.
    Eucalipto – Histórias de um imigrante vegetalDe Geraldo Hasse. Livro-reportagem, explica os ciclos econômicos da madeira desde o descobrimento do Brasil e aborda os recentes investimentos da indústria papeleira em plantios de eucalipto, que geram polêmica. De R$ 30 por R$ 15.
    Sobre o mesmo tema, organizado por Hasse, Reflorestamento e Desenvolvimento Sustentável traz os anais de seminário sobre tais investimentos. De R$ 25 por R$ 5.
    A Petroquímica Faz História – Prêmio Destaque Memória Econômica 2009, promovido pelo Jornal do Comércio. Narra os fatos políticos e econômicos dos 50 anos da indústria petroquímica brasileira, especialmente para a construção do pólo de Triunfo, no Rio Grande do Sul. De R$ 30 por R$ 20.
    Luna na Praça da Alfândega – Os passeios com a cachorra levam a um país desconhecido: o miolo da Praça da Alfândega, no coração de Porto Alegre. Registro da praça como ela era até o ano passado. De R$ 28 por R$ 5!
    Visão do Pamparomance histórico de Rivadavia Severo, escrito na década de 1920. De R$ 50 por R$ 25.
    Até o lançamento mais recente, Três no Divã, de João Gomes Mariante, tem desconto da Feira: de R$ 30 por 27.

    E AS BIOGRAFIAS:

    Protasio Alves e o seu Tempo, de Maria do Carmo Campos e Martha Geralda Alves D’Azevedo. De R$ 50 por R$ 30.
    Roessler, o primeiro ecopolítico, de Ayrton Centeno, sobre o pioneiro ambientalista. De R$ 25 por R$ 12
    O Editor sem Rosto – Elmar Bones traça o perfil de Luigi Rossetti, o amigo de Garibaldi que editou O Povo, jornal oficial dos Farrapos. De R$ 20 por R$ 10
    Darcy Azambuja, perfil biográfico do jurista e literato, por Geraldo Hasse (de R$ 15 por R$ 5); e volume com contos escolhidos (de R$ 20 por R$ 5)
    Meu Avô Zecca Netto, de Helena Corleta, de R$ 25 por R$ 5
    Chananeco – Da lenda para a História, de Cesar Pires Machado, de R$ 30 por R$ 5

    PROMOÇÃO COLORADA:


    Inter, Orgulho do Brasil, d
    e R$ 36 por R$ 20, e Rolo Compressor, de R$ 30 por R$ 15.
    Os dois livros do jornalista e torcedor Kenny Braga, juntos, por R$ 30.


  • Porto Alegre receberá mais de R$ 3 bilhões até 2014

    Se estão certas as previsões do secretário especial da Copa, Ricardo Gothe, a capital gaúcha vai recebero maior volume de investimentos de sua história até a Copa do Mundo de 2014.
    Serão mais de R$ 3 bilhões somando-se os projetos voltados para a Copa e outros investimentos publicos e privados, com recursos já garantidos.
    Em 2011, somenta a Prefeitura vai investir quase R$ 700 milhões em projetos ligados ao mundial de futebol, mais projetos do PAC e outros, como o Socioambieltal, por exemplo.
    Das obras para a Copa do Mundo o maior investimento será nos chamados projetos de mobilidade urbana, que exigirão maisd de R$ 1 bilhão. Incluem além de obras rodoviárias, um sistema de corredores expressos para ônibus com sete linhas e quatro portais.

  • Mariante autografa hoje "Três no Divã", na Feira


    João Gomes Mariante, psicanalista há mais de 60 anos, é um fiel seguidor de Sigmund Freud. Aos 92 anos de idade, permanece em intensa atividade intelectual.

    Especialista em profilaxia do suicídio – que considera um autocrime –, é autor de mais de 40 artigos científicos e 200 conferências no Brasil e no exterior.
    Era um garoto em 1930, quando Getúlio Vargas chegou à Presidência pela primeira vez. Serviu o Exército ao lado de Euclides Aranha Neto, filho de Oswaldo Aranha, ministro de Vargas. Foram amigos até o recente falecimento de Euclides, a quem dedicou o livro ainda em vida.
    Trabalhou como jornalista na imprensa carioca. Em 1946, formou-se pela Faculdade Fluminense de Medicina, para então escolher a Psicanálise.
    Tinha 36 anos quando Getúlio suicidou-se, em agosto de 1954.
    Debruçou-se sobre o comportamento de Vargas com olhar profissional, procurando entender-lhe os processos mentais.
    Identificou também em Oswaldo Aranha e em Flores da Cunha, outros dois líderes políticos da época, cada um a seu estilo, um certo destemor exacerbado, uma disposição a correr riscos desnecessários, um constante desafiar a morte.
    Ao transformar o estudo psicanalítico destes personagens no livro “Três no Divã”, Mariante lança uma abordagem inédita na bibliografia nacional, uma obra literária e filosófica.

    Nela, vai além da personalidade dos biografados, ao observar o psiquismo e as motivações de líderes políticos desde a antiguidade até os dias atuais.
    “O propósito fundamental de Três no Divã é de, através
    da psicologia profunda, que a psicanálise condensa,
    interpretar os segredos do inconsciente de cada um.”
    João Gomes Mariante é membro efetivo da Associação Internacional de Psicanálise, da Associação Brasileira de Psicanálise, da Associação de Psicologia e Psicoterapia de Grupos em Buenos Aires, e membro honorário da Academia Sul-Riograndense de Medicina e do Rotary Internacional.