Há 17 espécies vegetais raras que estão em risco no terreno pertencente à Fundação de Atendimento Sócio Educativo (FASE).
Uma delas consta da “Lista Oficial de Espécies Ameaçadas” como “provavelmente extinta”, três estão classificadas como “em perigo” e outras 13 são consideradas “ameaçadas de extinção”.
Essa é a principal conclusão do “laudo de cobertura vegetal” assinado por uma equipe seis biólogos, um engenheiro florestal, um geólogo e dois técnicos da Fundação de Zoobotânica.
O levantamento, feito a pedido da Secretaria de Justiça, foi concluído em julho de 2009. Os pesquisadores estão proibidos de dar entrevistas sobre o assunto.
Segundo um biólogo que participou do trabalho, o levantamento pode ser considerado “preliminar”, pela pressa com que foi feito (teve que ser concluído em dois meses) e pelas dificuldades de sua realização.
“Foi difícil até formar a equipe”, disse o biólogo.
“O pessoal não queria participar por medo, tem muitas áreas perigosas lá”.
Durante todo o trabalho, os pesquisadores foram protegidos por uma escolta armada, com dois sargentos e quatro praças da Brigada Militar.
Mesmo assim não puderam entrar em certas regiões.
Diz o relatório “Não se teve acesso às proximidades da Vila Gaúcha, devido ao alto risco. No dia anterior tinha havido tiroteio e intervenção da Brigada na Vila”.
Também um trecho de mata entre as vilas Ecológica e Prisma não poder ser visitado, pelas mesmas razões.
O biólogo, que aceitou falar desde que seu nome fosse preservado, define como “bem detonadas” a maioria das áreas de preservação permanente no Morro Santa Teresa. Inclusive o topo do morro, onde estão as estações de tevê.
Ele diz também que não dá para calcular o tamanho total das área de preservação porque com a ocupação desordenada de grande parte do terreno da Fase, elas formam um mosaico entre as construções, pedreiras, saibreiras e as invasões.
Segundo o presidente da Fase Irani Barbosa, os espaços invadidos representam cerca de 18% da área total pertencente à Fundação.
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Morro Santa Teresa: laudo vegetal identifica espécies em extinção
Morro Santa Teresa: decisão está com os deputados
Nesta quinta-feira, 3, completam-se os 30 dias previstos no regime de urgência que acompanha o projeto de lei 388, na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul.
A partir daí, o projeto começa a trancar a pauta, até que seja votado.
Há muita informação desencontrada na Casa, mas tudo indica que o projeto será mesmo votado na terça-feira, dia 8, na primeira sessão depois do prazo fatal.
No projeto, a governadora Yeda Crusius pede autorização ao legislativo alienar uma área pública de 73,5 hectares no Morro Santa Teresa, num dos pontos mais valorizados de Porto Alegre.
O argumento é a falta de dinheiro para atender a urgência em descentralizar os serviços de atendimento a menores infratores.
Hoje a Fundação de Atendimento Sócio Educativo mantém no local três unidades, com quase 600 menores confinados.
O plano da governadora é permutar ou vender a área, para construir nove unidades da Fase, em Porto Alegre e região Metropolitana. Cada uma teria no máximo 90 menores, como recomenda a política nacional.
A Secretaria de Justiça já tem até um pré-projeto das unidades. O custo é estimado entre R$ 8 e 10 milhões por unidade.Terreno da Fase: pedido do MP fragiliza posição do governo
A recomendação do Ministério Público, para que o governo do Estado retire o regime de urgência na votação do Projeto de Lei 388, não mereceu atenção da imprensa – toda essa discussão, alíás, vem merecendo escassa atenção dos meios de comunicação convencionais.
O executivo Estado tampouco se manifestou até o final desta sexta-feira, 28. Mas ao que tudo indica, a atitutde do MP abriu uma fissura no paredão de apoios que o Piratini vinha construindo para garantir a aprovação do projeto.
A recomendação do MP foi protocolada na Casa Civil na quinta-feira, 27, há cinco dias úteis da votação, prevista para 3 de junho.
Surpreendeu, porque o Ministério Público vinha sendo apontado pelo Executivo como um aliado na defesa do projeto.
O PL 388 autoriza o governo a permutar ou vender o terreno da Fundação de Atendimento Sócio Educativo (FASE), no morro Santa Tereza – uma área de 73,5 hectares num dos pontos mais valorizados no mercado imobiliário de Porto Alegre.
Um outro dado novo na discussão foi a manifestação do presidente do Tribunal de Justiça, Léo Lima, a parlamentares da oposição.
Em reunião com os deputados Raul Pont e Estela Farias, do PT, e Carrion Jr. do PCdo B, na quinta-feira “o desembargador Leo Lima garantiu que o Judiciário gaúcho não tem posição firmada sobre o PL e solicitou levantamento completo aos parlamentares sobre o caso”, segundo nota da assessoria dos parlamentares.Portugueses vão investir R$ 2 bilhões em energia no Brasil até 2012
Geraldo Hasse
O parque eólico de Tramandaí ainda não saiu da horizontal, ou seja, está na fase da construção das estradas de acesso e de ligação entre as 31 torres de suporte dos aerogeradores com potência total de 70 MW.
Até agora nenhum megaguindaste chegou ao Jardim Atlântico, no litoral norte do Rio Grande do Sul. Como aconteceu na implantação do parque eólico de Osório, cinco anos atrás, é mínima a movimentação de pessoas e máquinas nas proximidades das dunas entre Oásis do Sul e Jardim do Éden, dois bairros da zona sul de Tramandaí.
Na prática, ainda não começou para valer o desembolso de R$ 350 milhões pela dona da obra – a EDP Renováveis, controlada pela Eletricidade de Portugal, que entrou no Brasil em 1992, quando comprou a Escelsa, de Vitória.
Além de controlar a distribuidora Bandeirante, em São Paulo, a EDP é dona de alguns cataventos com potência de 13,8 MW em Santa Catarina.
O investimento no litoral norte gaúcho é uma parcela menor dos R$ 2 bilhões que a EDP promete aplicar em energia no Brasil até 2012.
Os principais fornecedores de equipamentos são os mesmos da usina de Osório. Toda a tecnologia, incluindo os aparelhos geradores, é da alemã Wobben Windpower.
As torres prémoldadas estão sendo construídas em Gravataí pela Woebcke, também contratada para fornecer outras 150 torres para a expansão de Osório e as novas usinas de Palmares do Sul (do mesmo controlador da usina osoriense) e Santana do Livramento, tocada pela Eletrosul.
A área de 832 hectares reservada para o parque eólico, junto à Lagoa da Custódia, está envolta em controvérsias, não apenas porque o projeto da usina foi embargado pela Fepam e pela Patram, mas porque esteve durante muito tempo sob controle da outrora próspera imobiliária Kury & Padilha, cujo sócio mais notório era Eliseu Padilha, ex-prefeito tramandaiense, ex-ministro dos Transportes e um dos principais dirigentes do PMDB gaúcho.
Fazendo uma ligação com o passado, muita gente afirma que Padilha seria o único dono da área. A informação é desmentida por um corretor imobiliário de Oásis do Sul.
Ele afirma que, a exemplo do parque eólico de Osório, os cataventos de Tramandaí pagarão arrendamento a diversos proprietários.
Praticamente deserta há 40 anos, quando foram iniciados os loteamentos de Nova Tramandaí, Oásis do Sul e Jardim do Éden, essa região tem hoje 390 comerciantes, seis mil moradores fixos e atrai 60 mil veranistas do Natal ao Carnaval.Terreno da Fase: invasões e reservas ocupam 50%
O presidente da FASE, Irani Bernardes de Souza forneceu ao jornal JÁ alguns números sobre a gleba que pertence à fundação e que o governo do Estado pretende permutar com empresas privadas para poder construir nove unidades pequenas para descentralizar os serviços com menores infratores.
O terreno, que se estende por mais de um quilômetro ao longo da avenida Padre Cacique, sobe pela encosta e vai até o outro lado do morro, tem 73,5 hectares de área.
Esse número exclui o lote de meio hectares que foi vendido para a TV Guaíba em 1976 (sem licitação!).
As invasões, que também se intensificaram a partir dessa época, hoje ocupam 17,9% da área – são quatro núcleos principais e uma extensão da Vila Cruzeiro que avançou por uma borda do terreno.
Em 2008, já com o intento de permutar ou vender a área, o governo fez o primeiro levantamento dos moradores das partes invadidas.
Quatro comissões percorreram as vilas para cadastrar os moradores. Enfrentaram a resistência das associações de moradores, sem falar dos redutos dominados pela criminalidade. “Foram recebidas a tiro em alguns lugares”, conta o presidente.
Por essas dificuldades, ele acredita que o levantamento subestimou o número de moradores nas áreas invadidas. Foram contados 760, mas Souza estima que devem ser mais de 1.500 famílias. “Multiplique por cinco/seis em cada família, dá oito nove mil pessoas”.
Além das invasões, tem as áreas de preservação ambiental. Eles não estavam sequer identificadas ate 2007, quando a Fundação Zoobotânica fez o primeiro inventário das áreas, mas elas não estão medidas.
Em todo o caso, para efeitos de estimativa foram considerados 35 hectares como sendo área livre e essa foi a dimensão considerada no cálculo que estimou o valor do terreno em R$ 76 milhões. (continua)Plano feito em cinco anos está há sete em revisão
Números levantados pelo Jornal do Comércio (JC 20.05) mostram que em quatro meses – de novembro a março – foram aprovados 1.289 projetos imobiliários em Porto Alegre, num total de 1,5 milhão de metros quadrados de área construída, algo como 15 mil apartamentos de 100 metros quadrados.
É um indicador do boom imobiliário, que é nacional.
No caso de Porto Alegre estes números mostram também um caso exemplar, de como o poder público pode frustrar as iniciativas da cidadania, atendendo o interesse de minorias organizadas.
Todas essas construções seguem o Plano Diretor, que vigora desde janeiro do ano 2.000, mas está em revisão desde 2003.
A revisão era prevista no plano original, mas ganhou força com o surgimento de um forte movimento comunitário, iniciado no Moinhos de Ventos, um dos bairros onde primeiro se fizeram sentir os efeitos do plano.
Com a liberação das alturas, os amplos terrenos com casarões que caracaterizam o bairro se tornaram o principal alvo, para dar lugar a espigões de 20 andares.
Até inéditas passeatas de protesto aconteceram e o movimento em pouco tempo se reproduzia em mais de 20 bairros da região mais impactada pelas novas regras de construção.
“Porto Alegre Vive”, “Fórum de Entidades”, “Em Defesa da Orla”. Passeatas, atos públicos, assembléias, audiências públicas…
A Secretaria do Planejamento levou quatro anos para preparar a proposta de revisão, que a Câmara deveria votar. Só em 2007, quando José Fortunatti assumiu a secretaria do Planejamento, o texto foi para o legislativo.
Lá esteve três anos. Os vereadores mais antigos não lembram algo semelhante. Foi aprovado em novembro passado, mas como dispensaram os consultores técnicos logo depois da votação, a preparação do texto final levou cinco meses.
Agora está pronto, vai para o prefeito. Se tudo correr bem, em 60 dias estará valendo.
É de se perguntar: num período de boom imobiliário, levar sete anos para revisar um Plano Diretor, que foi feito em cinco, não é o mesmo que botar água num balde sem fundo?TERRENO DA FASE: DUAS SEMANAS PARA DECIDIR
Dia seis de junho. É a data limite que a Assembléia Legislativa tem para decidir sobre o terreno da Fundação de Atendimento Sócio Educativo (Fase), na avenida Padre Cacique.
O projeto de lei 388, que trata do assunto, tramita no legislativo estadual desde dezembro do ano passado. Já teve parecer favorável na Comissão de Constituição e Justiça, mas não foi adiante.
Alvo de muitas críticas, foi retirado e retificado pelo executivo. Retornou à Assembléia no dia 5 de maio com alguns reparos secundários e com pedido de urgência, logo aprovado, o que significa 30 dias para ir à votação em plenário.
“As mudanças foram decididas em reuniões com todas as partes interessadas e as dúvidas sobre o projeto foram esclarecidas, vamos aprová-lo”, diz o deputado Adilson Troca, líder do PSDB.
A principal mudança, na verdade, é a inclusão de um “Comitê de Acompanhamento Externo”, para o qual “serão convidados” representantes do Tribunal de Justiça, Ministério Público Estadual, Assembléia Legislativa, Procuradoria-Geral do Estado, Defensoria Pública, Ordem dos Advogados do Brasil e do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e Adolescente.
“As alterações são insuficientes, o projeto continua inexplicável. Não há como evitar a suspeita de há algo errado com esse negócio”, diz o vice-líder petista, Raul Pont, um dos mais severos críticos da proposta.
O projeto, em sua essência, é uma autorização ao governo do Estado para vender ou permutar uma área pública de aproximadamente 74 hectares ( o dobro do Parque da Redenção), num dos pontos mais valorizados de Porto Alegre – para viabilizar a implantação de nove unidades descentralizadas de atendimento a menores infratores.
Não há resistência, nem do mais ardente oposicionista, à proposta de descentralização dos serviços da FASE, até porque essa é a orientação do Sistema Nacional de Atendimento Sócio Educativo – unidades com no máximo 90 internos.
As críticas ao projeto se prendem à falta de clareza, tanto no que se refere ao terreno a ser alienado quanto das nove unidades a serem construídas em troca da área. “Não há sequer uma avaliação da área. Como é que vai se fazer uma licitação sem ter um preço mínimo?”, indaga Pont.
A avaliação existente (que não consta do projeto) foi feita pela Telear, uma empresa privada, que estimou em R$ 76 milhões o valor do terreno.
Raul Pont questiona essa avaliação: “Naquela mesma região, o antigo estádio do Inter, que tem pouco mais de 2 hectares, está avaliado em R$ 23 milhões. O terreno da Corlac, uma área pública, foi alienado por R$ 13 milhões e tem menos de um hectare. Por que o hectare nesse terreno da Fase, numa área mais nobre, vale tão menos?”
O deputado petista reconhece que, com a folgada maioria formada pelos partidos que o apoiam, o governo estadual tem condições de aprovar o projeto. “Nós vamos continuar denunciando e, em caso de aprovação, vamos recorrer à Justiça”.
Analise comparativa das duas versões do projeto
A primeira versão do projeto de lei 388 foi encaminhada a Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul em 14 de dezembro de 2009.
Seu conteúdo só chegou ao público no início de março deste ano, quando começaram a circular nas redes da Internet artigos e comentários, levantando suspeitas sobre as verdadeiras intenções do projeto.
Esse movimento de opinião pública repercutiu na Assembléia, onde a Comissão de Constituição e Justiça estava para votar o parecer favorável do relator, Iradir Petroski, do PTB, hoje ministro do Tribunal de Contas do Estado. A votação na CCJ foi duas vezes adiada e, em seguida o governo retirou o projeto.
No dia 5 de maio encaminhou uma “mensagem retificativa” em que o essencial – a autorização para vender ou permutar o terreno da Fase- permanece, mas alguns pontos foram acrescentados, reconhecendo a pertinência das críticas.
A assessoria técnica do PT fez um estudo comparativo dos dois textos, para assessorar a bancada. Ele esclarece bem o que mudou no projeto:
Projeto de Lei nº 388/09 –
Primeira versão:
Art. 1º Fica a Fundação de Atendimento Sócio-Educativo – FASE autorizada a alienar ou a permutar, por área construída, por meio de procedimento licitatório, o imóvel localizado no Município de Porto Alegre, …
Segunda versão
Art. 1º Fica o Poder Executivo autorizado a permutar ou alienar, por meio de procedimento licitatório, o imóvel descrito abaixo:…
(Comentário: Projeto original autorizava a FASE, agora autoriza o Estado. A ementa ficou original, autorizando a Fase. Inverte a ordem das palavras “alienar” e “permutar”, mostrando que só a alienação é por licitação. Retira a possibilidade de permuta por área construída, então, seria por outro imóvel?
Primeira versão:
Art. 1º (descrição da área) (…); este imóvel é composto dos prédios de nº 1600 e 1554 e mais benfeitorias, e do respectivo terreno com a área total de 10.644mq50 e ….
Segunda Versão:
Art. 1º (descrição da área) (…) Existindo no imóvel os prédios de nº 1600, 1554 e mais benfeitorias, excluída a área pertencente à Televisão Guaíba Limitada a seguir descrita: “O terreno com a área total de 10.644mq50 e ….
( Comentário: A redação original incluía área já vendida para a TV Guaíba em 1976. Agora foi corrigida).
Primeira versão:
§ 1o. – Inexistente
Segunda versão
§ 1º – Deverá ser observada a área de servidão descrita na matrícula no 5.935, no 2o Ofício do Registro de Imóveis da Comarca de Porto Alegre, Livro no 2 Registro Geral.
(Comentário: A servidão de passagem da TV Guaíba pelo terreno da Fase (Febem) estava registrada na matrícula do imóvel, mas não era ressalvada no projeto).
Primeira versão:
§ 2o. Inexistente
Segunda versão:
§ 2º – Fica garantido às comunidades estabelecidas no local, o direito social à moradia, preservando-se as disposições da Lei no 10.257, de 10 de julho de 2001 – Estatuto da Cidade.
(Comentário: Apenas menciona o direito à moradia nos termos do Estatuto das Cidades, mas mantém a inclusão da área das Vilas Gaúcha, União Santa Tereza, Figueira e Ecológica na venda).
Primeira versão:
Art. 2o. – Inexistente
Segunda versão:
Art. 2º – Fica resguardado, por ocasião da permuta ou alienação a preservação dos espaços de preservação ambiental e histórica, se houver, respeitada a legislação pertinente.
(Comentário: Menciona as áreas de preservação ambiental e histórica, se houver, mas não coloca nenhuma obrigação do Poder Público.)
Primeira versão:
Art. 2º – Os recursos obtidos com a alienação ou permuta do imóvel descrito no artigo anterior se destinam à construção de unidades descentralizadas para a execução das medidas sócio-educativas de internação, conforme o disposto na Lei Federal no 8.069, de 13 de julho de 1.990 – Estatuto da Criança e do Adolescente.
Segunda versão: (o artigo 2o. virou 3o.)
Art. 3º – Os recursos obtidos mediante a autorização prevista no artigo 1º desta Lei serão destinados exclusivamente à construção de unidades descentralizadas em Porto Alegre, Região Metropolitana, Osório e Santa Cruz do Sul, para a execução das medidas sócio-educativas de internação, num prazo de máximo de cinco anos, respeitadas as disposições da Lei Federal no 8.069, de 13 de julho de 1.990 – Estatuto da Criança e do Adolescente.
(Comentário: Acrescenta genericamente a construção das casas em Porto Alegre, região Metropolitana Osório e Santa Cruz do Sul e o prazo de cinco anos para as construções. Permanece sem especificar o número de casas e sem explicar as condições exigidas para construção.Coloca a aplicação exclusiva, mas não cria um fundo fora do Caixa Único.)
Primeira versão:
§ 1o. – Inexistente
Segunda versão:
§ 1º – Os recursos financeiros porventura excedentes resultantes do processo licitatório de que trata esta Lei, deverão ser aplicados na melhoria das condições de trabalho da FASE e no atendimento socioeducativo.
(Comentário: Reconhece que pode haver recursos excedentes, mas coloca em despesas correntes, o que é vedado pela LRF: “Art. 44. É vedada a aplicação da receita de capital derivada da alienação de bens e direitos que integram o patrimônio público para o financiamento de despesa corrente, salvo se destinada por lei aos regimes de previdência social, geral e próprio dos servidores públicos.”)
Primeira versão:
§ 2o. – Inexistente
Segunda versão:
§ 2º – A aplicação do disposto nesta Lei, inclusive a aplicação dos recursos, será acompanhada por Comitê de Acompanhamento Externo, para o qual serão convidados representantes dos seguintes órgãos:
a) Tribunal de Justiça;
b) Ministério Público Estadual;
c) Assembléia Legislativa;
d) Procuradoria-Geral do Estado;
e) Defensoria Pública;
f) Ordem dos Advogados do Brasil Seção Rio Grande do Sul;
g) Conselho Estadual dos Direitos da Criança e Adolescente – CEDICA.
(Comentário: Acrescenta esse comitê de acompanhamento que não tem funções definidas. Não há representação dos trabalhadores.)
Tisiane Siqueira – Assessoria Técnica – em 06/05/2010MUNICÍPIO RICO RESTAURA ESCOLA DO ESTADO
Geraldo Hasse
Após negociações que se arrastaram por quase uma década, finalmente está em reforma o prédio onde funcionou uma das primeiras estações experimentais do Ministério da Agricultura no interior do Rio Grande do Sul.
Construído originalmente em 1922 em Conceição do Arroio (Osório, a partir de 1934) e desde 1950 sede da Escola Estadual Ildefonso Simões Lopes (conhecida como “escola rural”), o edifício com enormes janelas em arco, típicas da arquitetura oficial do início do século XX, será transformado em centro cultural, incluindo um dos maiores auditórios do maior do litoral norte.
“O prédio da Rural é uma das poucas coisas que restam da memória do município”, diz o prefeito Romildo Bolzan Jr. (PDT), que admite ter razões sentimentais para “ajudar a Rural”.
Como a maior parte dos filhos da classe média da região, ele estudou ali, e seu pai foi diretor da escola antes de eleger-se vereador, prefeito e deputado estadual pelo antigo PTB, o partido de Leonel Brizola (1922-2004).
A restauração deve estar concluída antes das eleições de 3 de outubro, mas Bolzan não sabe quem vai pagar a festa de inauguração.
Embora a escola pertença ao estado, que não tinha interesse nem recursos para a recuperação do prédio histórico, o custo de R$ 491 mil está sendo bancado pela prefeitura municipal.
Potência econômica emergente, enriquecida por investimentos vindos de fora, Osório tem hoje o quinto maior retorno de ICMS do estado, só superado pela capital e os três municípios mais industrializados (Canoas, Caxias do Sul e Gravataí).
Em 2010 o orçamento líquido é de R$ 162 milhões, dinheiro oriundo principalmente do complexo Petrobras-Transpetro, que opera um terminal de petróleo e um oleoduto no trajeto Tramandaí-Osório-Canoas.
O restante vem de outras 150 empresas, entre elas a Ventos do Sul Energia, que construiu o parque eólico em operação desde fins de 2006 e que responde por cerca de 2% dos recursos geridos pela prefeitura. Sem o petróleo e o vento, o orçamento osoriense seria de R$ 85 milhões este ano.
O custo da restauração do prédio da Rural representa apenas 1% do orçamento educacional de Osório.
O município está investindo este ano cerca de 50 milhões, ou 30% das receitas líquidas da prefeitura (ver a tabela abaixo). O custeio do magistério representa 70% das despesas educacionais.
São 400 professores (40% do funcionalismo) para atender 4 mil alunos na rede municipal. Somando escolas estaduais e particulares, Osório tem cerca de 10 mil estudantes, 25% da população de 40 mil habitantes.
Espelhado no exemplo do governador Leonel Brizola, cuja gestão no período 1958-1962 foi marcada pela construção de escolas e a contratação de professores leigos reciclados em escolas normais (inclusive na Rural de Osório), Bolzan não hesita em gastar com educação.
Em 2009, ele doou R$ 300 mil para que a Brigada Militar pudesse dar início a um curso de formação de soldados no município. “Investimos numa escola, mas tivemos um ganho inesperado em segurança”, diz o prefeito, lembrando que os alunos da BM têm aulas práticas nas ruas da cidade.
Este ano, Bolzan está aplicando mais R$ 300 mil na construção de outra escola de formação de policiais militares.
Na sua opinião, é preciso que os governantes invistam continuamente durante décadas para melhorar a qualidade de ensino nas escolas públicas.
“Na verdade, precisamos fazer o PAC da educação”, disse ele, em Brasília, no início de fevereiro, durante a reunião em que a então ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, apresentou um balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado em 2007.
Em Brasília não houve clima para aprofundar o debate sobre a idéia, mas Bolzan acredita que a receita do PAC educacional vem sendo ensaiada em diversos municípios, como em Osório.
“Precisamos começar pela reforma das estruturas físicas”, diz ele, convencido de que a escola precisa ser um ambiente prazeroso para alunos, professores e a comunidade.
Como exemplo negativo, ele aponta a Escola Estadual Prudente de Moraes, a maior de Osório, com mais de 1 mil alunos em três períodos.
Ela funciona há 50 anos nos antigos galpões da extinta Estrada de Ferro Osório-Palmares do Sul, que parou de operar no governo de Brizola.
O segundo passo do PAC educacional seria qualificar o corpo docente para que melhorem o conteúdo pedagógico e a gestão escolar. O resto será consequência.
EVOLUÇÃO DO ORÇAMENTO DE OSÓRIO
ANO Orçamento Gastos com Educação/
municipal educação receitas correntes
(en R$ milhões) (%)
2005 40 6,7 26,22
2006 50 8,7 27,49
2007 52 10,3 31,69
2008 88 17,8 30,03
2009 118 29,5 30,11
2010 162 50 30
Fonte: Prefeitura de OsórioPor que caiu o chefe de polícia?
O líder da bancada do PT na Assembleia Legislativa, Elvino Bohn Gass, cobrou do governo do Estado esclarecimentos sobre a inesperada queda do chefe de Polícia, João Carlos Martins.
O parlamentar considera que o desaparecimento da arma do chefe da corporação, como foi noticiado pela imprensa, embora seja um fato inusitado, não explica a saída repentina do comandante da Polícia Civil.
“É preciso que o governo se manifeste de forma clara sobre o episódio, sob pena de aumentar ainda mais a sensação de insegurança que paira sobre a população”, justificou o deputado.
Ele considerou “preoocupante” a “dança das cadeiras na segurança pública”. Desde o início do governo Yeda, foram três secretários (Enio Bacci, José Francisco Malmann e Edson Goulart), quatro comandantes da Brigada Militar (Edson Ferreira Alves, Nilson Nobre Bueno, Paulo Mendes e João Carlos Trindade Alves) e dois chefes de Polícia (João Carlos Martins e Pedro Rodrigues).
Além disso, a Casa Militar teve cinco chefes diferentes (Dalmo Itaboraí dos Santos, Edson Alves, João Batista Gil, Joel Prates Pedroso e João Oliveira Quevedo) e a Susep, quatro superintendentes (Sérgio Fortes, Antônio Bruno Trindade, Paulo Roberto Zietlow e Mário Santa Maria).
“Uma rotatividade desta ordem torna, pela descontinuidade, impossível a implantação de uma política de segurança pública séria”, ponderou Bohn Gass.Três políticos no divã da psicanálise
Psicanalista há 60 anos, João Gomes Mariante sonda o inconsciente de três grandes líderes políticos: Getulio Vargas, Oswaldo Aranha e Flores da Cunha. O autor conviveu com os três e identificou comportamentos suicidas. Vargas foi o único que chegou até o “gesto extremo”: na madrugada de 24 de outubro de 1954, matou-se com um tiro no peito.
2010, 200 páginas 16 x 23 cm, 375 gr
ISBN: 978-85-87270-35-1 R$ 30,00
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Psicanalista há 60 anos, João Gomes Mariante sonda o inconsciente de três grandes líderes políticos: Getulio Vargas, Oswaldo Aranha e Flores da Cunha. O autor conviveu com os três e identificou comportamentos suicidas. Vargas foi o único que chegou até o “gesto extremo”: na madrugada de 24 de outubro de 1954, matou-se com um tiro no peito.