Naira Hofmeister *
O procurador Celso Três, do Ministério Público Federal em Santa Catarina acredita que ainda este ano pode ter uma sentença na ação que move contra o Grupo RBS. Ele acusa a empresa de oligopólio e concorrência desleal. Quer que abra mão de um dos seus cinco diários que circulam no Estado e escolha apenas duas, entre as seis emissoras da RBS TV regional. “Ainda esse ano podemos ter uma sentença. Porque essa ação tem instrução, ela se prova”, diz ele.
Através de uma Ação Civil Pública, o Ministério Público Federal de Santa Catarina pede que o Grupo RBS abra mão de um dos seus cinco diários que circulam no Estado e escolha apenas duas, entre as seis emissoras da RBS TV regional. “Ainda esse ano podemos ter uma sentença. Porque essa ação tem instrução, ela se prova”, acredita o procurador da República no Estado de Santa Catarina, Celso Três.
A acusação é por formação de oligopólio. “É um conceito da ordem econômica, mas se aplica aos meios de comunicação porque suprime empregos, mexe no mercado local”, justifica. Com um agravante, sublinha o procurador. “Nesse caso, a concentração atinge o Estado Democrático de Direito porque bloqueia a garantia de ampla expressão e informação do cidadão. Só é possível haver múltiplas interpretações dos fatos da vida social a partir da pluralidade de órgãos de comunicação. O que não acontece em Santa Catarina”, acusa.
A ação foi ajuizada em novembro de 2008, mas o inquérito consumiu dois anos da rotina de Celso Três. A decisão de processar o grupo foi tomada em 2006, quando a RBS comprou o tradicionalíssimo jornal A Notícia, instalado há mais de 80 anos no município de Joinville. “Foi a gota d’água”, relata Três. “Todos os jornais de Santa Catarina são da RBS: A Notícia, Diário Catarinense, Jornal de Santa Catarina e Hora de Santa Catarina. Excetuados, é claro, os minúsculos, locais, sem qualquer expressão de rivalizar com a RBS”, sustenta a peça jurídica assinada por ele e outros três procuradores da República.
Apesar disso, nem o Ministério das Comunicações nem o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) condenam a compra do jornal A Notícia. Eles aceitaram o argumento da empresa, de que os veículos estão em nome de pessoas diferentes. “Os proprietários são da família Sirotsky e existem alguns laranjas. Mas se os veículos trazem a mesma manchete – ou transmitem a mesma programação – está caracterizado o oligopólio. É absurdo dizer que não!”, revolta-se Celso Três.
A certeza do procurador fica explícita na nomeação dos réus no processo. São treze ao todo – União, Cade e apenas duas pessoas físicas. Os demais citados são pessoas jurídicas, proprietárias das emissoras e jornais. Os responsáveis pelos CNPJs, no entanto, são todos ligados à família. A única exceção é Moacir Gervazio Thomazi, antigo proprietário de A Notícia.
Citado nominalmente, o presidente do Grupo RBS, Nelson Sirotsky é também o responsável por quatro veículos que respondem à ação. Outras duas pessoas da lista compartilham seu sobrenome: Denise e Marcelo, que respondem respectivamente pelas emissoras da RBS TV em Criciúma e Joinville. Já as televisões de Chapecó e Joaçaba estão representadas por Eduardo Magnus Smith, diretor executivo de desenvolvimento de negócios do Grupo RBS.
Além de pedir a devolução do jornal A Notícia ao dono anterior – ou sua venda para um grupo independente da RBS – o processo foca a concessão de radiodifusão, que é uma outorga pública. O Decreto-Lei nº 236, publicado em 1967 estabelece que nenhuma empresa ou pessoa pode ter mais de dez emissoras de televisão em todo o território nacional. A RBS possui 18, apenas de canal aberto. Também impede a concessão de mais de duas por Estado – só em Santa Catarina o grupo mantém seis canais locais que transmitem a programação da RBS TV, além do Canal Rural e a TV Com, que só abrange Florianópolis. “Isso é lei desde a época dos militares”, justifica Três.
Constituição
“A maior rede regional de TV do País conta com 18 emissoras distribuídas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, com uma cobertura que atinge 790 municípios e mais de 17 milhões de espectadores nos dois estados. Possui 85% da grade de programação da Rede Globo e 15% voltada ao público local”. Essa é a descrição que o site do Grupo RBS dá para a Rede Brasil Sul de televisão, a RBS TV. É um tiro no pé. Isso porque a Constituição Brasileira determina que 30% da programação de rádio e TV devem ser locais.
Regulamentado ou não, o artigo é o argumento que o procurador da República utiliza na peça jurídica. “Já que a legislação está trancada no Congresso – o que é uma vergonha – queremos que a justiça estabeleça esse critério. Porque quando se fala em programação local, estamos falando em direito de expressão do cidadão”, justifica o procurador da República.
Celso Três admite que modificar – ou fazer cumprir – a legislação não é uma tarefa fácil. “Tem que ter coragem para fazer isso. Cabe ao presidente da República fazer um pronunciamento em rede nacional, explicar para sociedade. Vai ter muita emissora que vai criticar, é claro. Os 30% são razoáveis, ainda sobra 70% da grade para a programação nacional. Isso enseja a diversidade”.
Empresa é um partido político
Para além do poderio econômico que uma empresa do tamanho da RBS (veja quadro abaixo) detém, uma das maiores preocupações do Ministério Público de Santa Catarina é com a pressão política que o grupo pode exercer. “Uma situação é você ter a televisão, ser transmissora da Globo – e todo mundo sabe que o País só assiste à Globo. Mas bem mais grave é você ter a Globo, os jornais e as rádios. Porque os veículos se somam. Isso se chama propriedade cruzada e catapulta o posicionamento político”, critica Três.
O texto da Ação Civil Pública cita um exemplo bem conhecido dos gaúchos: a manipulação de pesquisas eleitorais. O documento traz até uma referência ao ocorrido no pleito gaúcho de 2002, no qual concorriam Tarso Genro (PT) e Germano Rigotto (PMDB) – e vencido por este último. A divulgação de pesquisas com percentuais muito diferentes daqueles verificados nas urnas, que indicavam ampla margem do peemedebista, gerou o cancelamento de 25 mil assinaturas de Zero Hora. A campanha obrigou a RBS a pedir desculpas publicamente através de um editorial publicado em Zero Hora. “No episódio eleitoral, uma das instituições [que executam pesquisas encomendadas pela RBS], embora tenha registrado corretamente o vencedor do pleito no Rio Grande do Sul, errou gravemente na diferença percentual entre os votos dos dois candidatos”, admitiu na época em editorial na Zero Hora, o presidente do Grupo RBS, Nelson Sirotsky.
No caso catarinense, o beneficiado é colega de partido de Rigotto e, assim como ele, saiu vencedor do pleito. “Na ultima eleição ao governo do Estado de Santa Catarina, o Grupo RBS encetou uma ação de sinergia em prol de Luiz Henrique da Silveira”, lê-se na peça jurídica, que a seguir, descreve a seqüência de eventos. No primeiro turno, os jornais da RBS juravam que Luiz Henrique estava eleito, sem a necessidade do segundo confronto – “fato desmentido nas urnas”, aponta o procurador. No segundo turno, as pesquisas veiculadas pela RBS indicavam uma vantagem de 20% do candidato sobre seu oponente, Espiridião Amim (PP). A diferença na apuração foi de 5,42%. “Doutrinada à exaustão a vitória de uma candidatura, a tendência do eleitorado, especialmente o indeciso, é aderir à vencedora”, denuncia a peça jurídica. “Quando se diz que é a RBS quem governa o Estado, que ela faz e tira o governo, é nesse sentido. Aí o governador que se opõe a um grupo como esse, é derrubado”, complementa Três.
No Rio Grande do Sul, Canoas é a bola da vez
Na mesma semana em que comemorou seus 30 anos em Santa Catarina, a RBS lançou o semanário Mais Canoas, que vai circular às sextas-feiras encartado em Zero Hora e no Diário Gaúcho. A tiragem prevista é de 25 mil exemplares mas dependendo da competência do departamento comercial, deve aumentar. Canoas é o segundo maior PIB do Rio Grande do Sul. A cidade tem um diário editado pelo Grupo Sinos, que já atua na região há 50 anos.
A julgar pelas práticas relatadas em Santa Catarina, é bom os executivos do Grupo Sinos começarem a se preocupar. No estado vizinho, a RBS praticou dumping, que é a taxação de preço abaixo do valor de mercado. No caso, a venda de exemplares do jornal Hora de Santa Catarina – de caráter popular – “por reles R$ 0,25” de acordo com a Procuradoria da República – para concorrer com o Notícias do Dia, do grupo Record. “À concorrência, resta quebrar ou vender-se a RBS”, alerta o texto jurídico.
E no litoral catarinense, para “combater” o Diarinho – jornal de Itajaí com 30 anos de existência, que utiliza uma linguagem sarcástica e tem leitores fiéis – a RBS pressionou uma rede de supermercados para não expor os exemplares nos caixas. “A empresa também faz negociações com os anunciantes, de reduzir o valor pago caso não anunciem em outros diários”, complementa Três.
Em 2008, o grupo incorporou a Rádio Metrô FM, a preferida dos pagodeiros de Porto Alegre. Depois de substituir os programas e comunicadores tradicionais pelos da casa – nesse caso, a rádio Cidade, principal concorrente da Metrô – a RBS simplesmente extinguiu o veículo. Agora, o espaço 93,7 do dial FM é ocupado pela Gaúcha, exatamente a mesma programação de AM. “O que não entendemos é como a concessão de radiodifusão, que é pública pode ser simplesmente adquirida por uma opu outra empresa”, questiona coordenadora regional do Fórum Nacional de Democratização da Comunicação, Claudia Cardoso.
E além dos quatro jornais que já mantém no estado, a RBS agora está de olho em três novos diários tradicionais do Interior. A empresa nega o interesse, mas no início do ano chegou a visitar as redações de O Nacional, de Passo Fundo, Agora, de Rio Grande e o Informativo de Lajeado.
Por uma mídia mais democrática
Cinco artigos da Constituição Brasileira tratam sobre a proibição da formação de oligopólio ou monopólio na comunicação. Apesar disso, o setor, ao lado das indústrias de chocolate, bebidas e pasta de dente, lidera o ranking de concentração do mercado brasileiro. “O lobby das empresas de mídia é muito forte e por isso, mesmo depois de 20 anos de sua publicação, esses artigos não foram regulamentados”, lamenta Claudia Cardoso.
Depois de anos articulando com governos, os movimentos sociais conseguiram marcar a data da primeira Conferência Nacional da Comunicação. Vai ser em dezembro. “Vivemos num país que tem mais televisões do que geladeira. É preciso reestruturar a comunicação, e capacitar o público para a crítica”, defende.
A idéia é combater o discurso uníssono, contra o qual não há voz suficientemente forte que tenha eco. Como a criminalização dos movimentos sociais pautada pela imprensa conservadora do Brasil. A reportagem de ADverso constatou que as charges dos jornais Zero Hora e Diário Catarinense do dia xx de abril eram idênticas em seu conteúdo, ainda que as assinaturas fossem de dois cartunistas diferentes. Coincidentemente, os desenhos ironizavam o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, um dos grupos que freqüentemente acusam a mídia de patrulhamento ideológico. “Em Santa Catarina chegamos a ter a mesma manchete em mais de um jornal. Idêntico! A ótica do Ministério Público é a proteção do direito à informação do cidadão. Isso é inerente à pluralidade – não existe diante de um órgão oligopolista”, avalia Celso Três.
Quem é a RBS (dados constantes do processo)
Faturamento em 2006: R$ 825 milhões
Lucro líquido em 2006: R$ 93 milhões
18 emissoras TV aberta (afiliadas da Globo)
2 emissoras de TV comunitária
1 emissora de agronegócio
25 emissoras de rádio
8 jornais diários
4 portais na internet
Editora RBS Publicações
Gráfica
Gravadora Orbeat Music
Empresa de Logística ViaLog
Empresa de marketing para público jovem Kzuka
Participação em empresa de móbile marketing
Fundação de Responsabilidade Social
(*Publicado no Adverso, reproduzido com autorização da autora)
Categoria: X.Categorias velhas
Caso RBS: Procurador espera sentença ainda este ano
Ultimo dia para inscrição no concurso do Banrisul
As inscrições para o concurso público do Banrisul encerram-se nesta sexta-feira (19).
São 200 vagas para o cargo de técnico em tecnologia da informação distribuídas nas áreas de desenvolvimento de sistemas, administração de banco de dados, segurança de TI, suporte em ambiente Windows, suporte em ambiente Linux, suporte em ambiente de grande porte mainframe, suporte em ambiente de rede e suporte em ambiente de transferência eletrônica.
Além do salário de R$ 1,8 mil, os servidores terão direito à gratificação semestral, auxílio cesta alimentação e auxílio refeição. A escolaridade mínima exigida é ensino superior completo. As inscrições devem ser efetuadas exclusivamente pela Internet no endereço eletrônico www.fdrh.rs.gov.br, onde os interessados poderão acessar o edital de abertura do concurso, preencher o formulário eletrônico de inscrição e transmitir os dados pela Internet.
O pagamento do valor da inscrição, de R$ 110,43, deve ser feito até segunda-feira (22), em qualquer agência do Banrisul. Os correntistas do Banco poderão pagar a taxa no Banrifone, Internet Banking (www.banrisul.com.br) e caixas eletrônicos.
O gerente de Sistemas e coordenador do processo técnico do concurso, Sérgio Bordin, enfatiza que o cargo possui plano de carreira e os servidores passam por cursos de aperfeiçoamento. “Os funcionários vão atuar em um dos maiores centros de processamento de dados da região Sul”.
Os investimentos e as boas práticas do Banrisul na área de tecnologia estão alinhados à estratégia de negócios do Banco, que tem sido frequentemente reconhecido como uma instituição que investe na introdução de soluções capazes de produzir diferenças em processos de negócios e na entrega de serviços aos clientes, antes mesmo dessas inovações serem realidade no mercado.(Informações da assessoria de imprensa)Araújo Viana: retirada dos animais ainda não tem data

Por Liège Copstein, especial para o Jornal Já
O destino de dezenas de gatos que habitam há anos o espaço do Auditório Araújo Viana, na Redenção, está em suspenso, assim como o de pombas, corujas e caturritas, gambás, morcegos, lagartos e vários outros moradores do local.
As novas obras de revitalização do prédio, que serão realizadas pela Opus Promoções em troca do uso do auditório pelos próximos 10 anos, implicam que toda essa fauna seja desalojada. E a questão é: quando, como, e para onde.
Se para os animais silvestres a legislação prescreve de forma clara a preservação de sua integridade física, mediada pelo Ibama, já para os gatos esse direito esbarra na confusão de um código de proteção animal pouco claro.
Se não fosse pela ação dos diversos grupos voluntários organizados que ali atuam há anos, como Movimento Gatos da Redenção e Gatófilos Anônimos, esse drama se desenrolaria em silêncio e provavelmente terminaria com os animais literalmente dizimados, assim que fossem ligadas as bombas de jatos altamente potentes que vão “limar” as paredes internas e externas do prédio, bem como suas centenas de metros de vãos subterrâneos e tubulações, principal refúgio dos bichos.
Os que sobrevivessem a esse apocalipse doméstico, acabariam emparedados entre as reformas, ou vagando em pânico pelo parque até acabarem atropelados nas avenidas circundantes.
Segundo Maria da Graça Zanotta, coordenadora do MGR e colaboradora do Gatófilos Anônimos, a OPUS chegou a acenar com propostas razoáveis para a remoção e alojamento seguro desses animais no futuro, mas as negociações regrediram e atualmente o diálogo tem sido tenso.
O representante da empresa que compareceu há mais ou menos 15 dias no local se dispôs, vagamente, a dar “algum tempo” para que os integrantes do grupo que zela pelos animais pudessem tomar providências para a sua segura retirada.
Tal atitude vem de encontro à postura afirmada no final de abril, em reunião com o vice-prefeito José Fortunatti e o secretário do Meio Ambiente Prof. Garcia, quando estes garantiram que as obras não começariam de forma nenhuma sem contemplar a segurança dos animais.
Mais grave: é incompatível com toda a política que a recente criação pelo município da Coordenadoria Multidisciplinar de Políticas Públicas para os Animais Domésticos promete implantar.
“Temos um cronograma de feiras de adoção para que os animais possam ser retirados e ganhar um novo lar. E já foram retirados alguns, cerca de cinco, que foram realojados. Um deles , inclusive, foi adotado em nossa última feira”, relata Graça.
Para os defensores, entretanto, a maior preocupação são os apelidados de “indoáveis”, animais de difícil manuseio. “Normalmente, quando conseguimos pegá-los, é somente para castração”, lamenta ela.
Os voluntários não têm acesso ao interior do auditório, o que facilitaria bastante o manejo dos animais, tanto no quesito higiene e saúde como na própria preparação da remoção, que não pode acontecer de forma abrupta.
São seres que ali vivem há muitos anos, inteiramente ambientados, esterilizados e mantidos saudáveis unicamente com recursos e trabalho dessas associações.
“Nossa maior reivindicação junto aos novos concessionários é que nos dêem algum tempo e condições para retirá-los de uma forma civilizada e redirecioná-los. Sempre lutamos e lutaremos para o bem estar dos animais abandonados no parque, pois acreditamos que toda a vida sempre tem que ser preservada”.
Infelizmente, nos últimos dias a vida dos moradores do Araújo Viana não tem valido muito. Vários animais vem sendo encontrados mortos naquele local. O último foi o gatão “amarelo da árvore”, figurinha carimbada que centralizou atenções no dia da visita do sr. Carlos Eduardo Konrad, dirigente da Opus.
A quem servem essas mortes? Quem as executa? E principalmente, quem pode zelar por esses animais, durante a noite, indefesos no parque deserto de vigilância?
Foto: Gata Mimi, encontrada morta no dia 22/5Moreira Salles abre Jornada contra Violência

Por Daniela de Bem
O cinema do Sindicato dos Bancários lotou na noite desta segunda-feira, dia 15. O motivo foi a abertura da Mostra “Imagens da Violência”, com a exibição do documentário Notícias de uma guerra particular, seguido pelo debate com o diretor João Moreira Salles. Ele passou duas horas respondendo as perguntas da platéia, que parecia mais interessada na sua experiência em relatar a realidade dos morros cariocas que no filme.
O evento faz parte da Jornada contra Violência e por Justiça Social – iniciativa de várias entidades que se propõe a refletir sobre a relação entre violência e exclusão social.A jornada vai até o dia 28 e envolve a realização de debates e palestras, além da exibição de filmes brasileiros que tratam do tema.
Notícias de uma guerra particular é um documentário de 56 minutos, dirigido por Moreira Salles e Kátia Lund e exibido pela primeira vez em 1999 como programa de televisão. O trabalho é considerado pioneiro, pois é o primeiro a mostrar tão de perto a guerra da polícia contra o tráfico, vindo após filmes como Cidade de Deus e Tropa de Elite.
“O Notícias nasceu na ilha de edição, não tem roteiro. A motivação para fazer veio da perplexidade minha e da Kátia frente à violência do Rio de Janeiro”, afirma Salles. Na época a cidade vivia uma situação muito peculiar – um general cuidava da política de segurança do estado e os índices de violência só cresciam. “O documentário foi um testemunho do que acontecia no Rio de Janeiro em 1997/98. A única coisa que sabíamos é que queríamos falar com quem está envolvido diretamente na guerra, ou seja, o traficante, o policial e o morador da favela”, complementa.
Para o diretor, o documentário deve ter um fim em si mesmo. “Acho que o documentário feito para mudar o mundo é um mau documentário. Documentaristas que não sabem e entendem que não sabem tendem a fazer os melhores filmes. Do contrário, você pode fazer um bom panfleto político”, avalia.
Salles declara ainda que o cinema não pode ser feito para defender um ponto de vista ou consertar a realidade. “Documentário não é engenharia social. Eu tendo a dizer que ele tem obrigação para dentro e isso não é uma postura alienante. Muito mais radical o cubismo do Picasso, com a criatividade em representar as dimensões, do que o realismo socialista. E é isso que o documentário faz: vê uma realidade e tenta mostrá-la de maneiras diferentes”.
Durante a conversa com o público, Salles foi constantemente questionado acerca da violência carioca e o modo como a mídia trata do assunto. O cineasta se mostrou desconfortável com o assunto, sempre lembrando que não era um especialista em segurança pública ou um antropólogo, mas somente um documentarista e, como tal, conhece o tema superficialmente.
Sobre as dificuldades encontradas durante a execução do projeto, João ressalta que o mais complicado foi conseguir os depoimentos da polícia, em especial a militar. “Eu queria formulação de pensamentos novos, mas o que eles diziam já era um discurso ideológico pronto, que já havia sido dito em vários outros canais”.
O depoimento do capitão do Bope Rodrigo Pimentel foi o mais importante e, talvez, o único que tenha trazido algo novo para o trabalho. “Eu tinha passado o dia inteiro filmando no Bope, tinha pegado o depoimento morto de um coronel, estava guardando os equipamentos, quando uma voz me perguntou se eu já estava indo embora. Eu respondi que sim e ele acrescentou: que bom pra você, porque eu ainda tenho duas favelas pra invadir. Foi a primeira vez que alguém quebrava aquela hierarquia e aquela dureza, mostrando um cansaço. E isso foi suficiente para eu querer entrevistá-lo.”
Ele entrevistou Pimentel cinco minutos depois de conhecê-lo, sem nenhuma preparação. “Isso é o que o Notícias tem de mais poderoso, isso foi o que definiu a identidade. Talvez pela primeira vez Pimentel estava falando aquelas coisas, estava se dando conta do que era o Bope. No início da entrevista ele é alguém que se identifica totalmente com o batalhão, durante a conversa parece que o vidro vai se quebrando.”
Sobre os filmes brasileiros violentos, o documentarista fala que assim como a inflação definia o país na década de 1980, a violência é o sintoma mais evidente de tudo o que está errado no Brasil. Ele ressalta que houve um certo descontrole em se tratar desse tema. “Sinto falta de um cinema menos explosivo. Tem muita tortura, muito grito, precisava ter mais reticências. As diferenças nunca são negociadas são sempre solucionadas com o tiro. Não se constrói um país com as personagens do cinema brasileiro”.
Jornal Já – Quanto tempo demorou para fazer o documentário?
Moreira Salles – Notícias foi muito rápido. No momento em que a gente pensou em fazer o filme até o primeiro dia de filmagem passaram – se três, quatro semanas. As filmagens também foram em quatro semanas, e aí houve um período que a gente parou e retornou uns seis meses depois, para fazer três ou quatro seqüências. Foi um dos filmes mais rápidos que eu já fiz.
Já – Como foi conhecer uma realidade tão diferente da tua? O que mudou na tua percepção de mundo?
Moreira Salles – Sempre muda, né. Qualquer experiência forte na sua vida muda – você não sabe exatamente como muda ou o que mudou. Eu sou antes do filme aquele que não conhecia o traficante, a violência, a favela. Depois do filme, eu sou aquele que sabia o que era o traficante, como ele pensava, porque ele fazia o que fazia, porque a favela era tão violenta. Agora, no que isso me muda, eu não sei te dizer, mas você adquire mais experiências e sempre que você adquire mais experiências você fica um pouco mais…complexo. Sei lá se a palavra é essa.
Já – Teve alguma cena, algum momento das filmagens que tenha te chocado mais?
Moreira Salles – Não, chocado na verdade não. O que me impressionou muito quando eu fiz o filme foi o descaso com a morte, principalmente dos meninos mais jovens do tráfico. O descaso com sua própria morte. Eles sabiam que iam morrer e era do jogo. É claro que quando você tem 15, 16 anos você pode até achar que você vai morrer e você não sabe direito o que isso significa, porque é uma idéia um pouco abstrata, mas ainda assim, eles falavam da morte com uma tal naturalidade: “eu sei que eu não vou viver mais do que cinco ou seis anos”.
Já – Tu achas que a violência constante retratada no cinema brasileiro pode banalizar e naturalizar o problema?
Moreira Salles – É difícil, eu não sei fazer essas grandes generalizações. A única coisa que eu acho é que o cinema brasileiro deveria ser mais plural do que ele tem sido. Se a gente só fizesse cinema sobre relações afetivas eu diria a mesma coisa. O problema é um tema só dominar.Reforma do Araújo vai ao Conselho do Plano Diretor
Já aprovado há mais de 20 dias nas instâncias técnicas da Secretaria do Planejamento, o projeto de reforma do auditório Araújo Vianna passa pelo Conselho do Plano Diretor, na reunião desta terça-feira.
O arquiteto Moacir Moojen Marques, autor do projeto estará presente para uma explanação sobre a reforma que muda substancialmente o conceito do antigo auditório, concebido para ser um espaço aberto para espetáculos ao ar livre.
Há mais de dez anos, numa primeira adaptação, o prédio recebeu uma cobertura de lona plástica que hoje está completamente deteriorada. Agora vai ganhar um teto de madeira, poltronas para 3 mil espectadores, ar condicionado e será fechado (hoje ainda é aberto nas laterais).
A avaliação pelo Conselho do Plano Diretor é a última etapa do processo de aprovação da reforma que, no entanto, ainda não tem data para começar. Depois de passar pelo conselho, ainda terá que esperar pela remoção de animais – gatos, papagaios, gambás e caturritas que se instalaram no prédio, abandonado há mais de quatro anos.
O projeto de reforma foi apresentado ao público em março, pela Opus Promoções, empresa que ganhou a concessão para explorar o auditório por dez anos. A previsão inicial é de que as obras começariam até o final de abril.Adeus a Frei Rovílio
O corpo de frei Rovílio Costa foi enterrado às 11h25min, deste domingo (14/06/09), na Capela Memorial dos Freis Capuchinhos, junto a Igreja Santo Antônio, em Porto Alegre. Frei Rovilio faleceu na manhã de sábado, 13, aos 74 anos, provavelmente vítima de infarto.
Frei Rovílio coordenava importantes trabalhos sociais, e destacou-se como professor, escritor e editor. Escreveu mais de 20 livros, mas não se considerava um escritor. “Sou um frei capuchinho”, dizia. Fundador e diretor da Est Edições, publicou cerca de 2.400 títulos desde 31 de janeiro de 1973. Dedicava-se à pesquisa sobre imigração: famílias, municípios, imigrantes judeus, poloneses, italianos, alemães, açorianos e portugueses. Muitas são obras em dialetos italianos e alemães, que resgatam idiomas. Em 2005, teve grande destaque na mídia gaúcha como patrono da 51ª Feira do Livro de Porto Alegre.
Doação de filhotes no sábado
Uma cadela foi encontrada prenha no Mont Serrat, numa noite de chuva.
Recolhida por uma protetora de animais de carteirinha, teve 11 filhotes. Estão com um mês e meio de idade. Um já encontrou um lar, os outros – quatro fêmeas e seis machos – estarão disponíveis para adoção sábado (13/6), das 13h às 16h, na Av Protasio Alves, 363, ao lado do viaduto Silva Só.
Os animais já receberam a primeira desvermigumação e as fêmeas têm garantia de castração a baixo custo ao completarem seis meses. Terão porte médio-grande.
Para adotar, é preciso apresentar RG, CPF e comprovante de residência, e responder a um questionário. Contato com a protetora Adriana pelo telefone (51) 8412-8832.
Jovens, pobres e malditos
Por Renan Antunes de Oliveira |
Com Ana Lúcia Mohr, Carlos Matsubara, Daniela de Bem e Paula Bianchi
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ona Suzana disse que o neto avisou um dia antes de morrer que todos os problemas acabariam no feriado do Dia do Trabalho: “Acho que ele sabia o que aconteceria”, conta ela, sem derrubar uma lágrima sequer pelo menino que criou.
Maicon morreu mesmo no dia anunciado, primeiro de maio. Sexta, perto das duas da tarde. Sua morte virou notícia destacada na Zero Hora do sábado 2, véspera do dia em que faria 19 anos. O texto da reportagem reproduzia as informações oficiais do b-ó , como se diz para “boletim de ocorrência”, o registro obrigatório de incidentes policiais.
Resumo: “Um jovem e uma adolescente morreram durante perseguição na Cidade Baixa. A dupla bateu num ônibus quando tentava fugir de motociclistas da Brigada Militar (a PM gaúcha) numa moto roubada”.
O jovem era Maicon Gerônimo Cruz Teixeira de Ávila, lavador de carros, jornaleiro, pé rapado. A adolescente, Fabiana Bitencourt, 17 anos, de Livramento, filha de uruguaios. Faxineira, de mãe faxineira, neta de faxineira, grávida de quatro meses.
Os perseguidores eram dois PMs do 9º Batalhão, de Porto Alegre. Quando iniciaram a perseguição eles ainda não sabiam que a moto era roubada e muito menos que Maicon tivesse o que a Polícia Civil depois divulgaria como sendo uma “extensa ficha criminal”.
Foi um alívio para os PMs a revelação da ficha. Sem ela, eles teriam de alguma forma provocado a morte de dois inocentes – a conta fica em apenas um inocente porque Fabiana tinha 17 e ficha limpa. Ela (foto abaixo) estava na carona na hora errada: é provável que não tenha tido tempo de descer.

A imediata revelação da ficha de Maicon pela polícia não o torna um criminoso, como parece. Tratavam-se de infrações cometidas quando menor de idade – portanto, deveriam ter sido mantidas com o sigilo determinado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.
Por que perseguir até a morte dois suspeitos ? As ações da Brigada foram corretas? Para responder estas perguntas a Polícia Civil abriu o inquérito de praxe. Se foi rápida na cortesia profissional de revelar a ficha criminal do guri, está lenta em apurar sua morte: passados 40 dias o inquérito ainda estava parado.
A única versão do incidente é a da Brigada Militar. Por ela, os soldados Junior Rabelo e Kenni tentaram abordar Maicon na esquina da avenida Borges com a Riachuelo, no Centro da capital. Maicon dirigia uma Honda Twister amarela 250 cilindradas, com Fabiana na garupa. Os PMs usavam motos menos potentes, duas Yamaha 225 cilindradas.
Os PMs alegam que notaram que a placa da Honda estava dobrada, coisa que fazem criminosos para impedir a identificação das roubadas – embora a maioria não o faça porque ao dobrá-la apenas levanta suspeitas mais facilmente.
Os soldados afirmam que quando deram ao motoqueiro “voz de abordagem” – seja lá o que for este comando verbal – Maicon teria arrancado em disparada.
Não se sabe qual dos PMs chamou o número 190 para verificar se a placa era de um veículo roubado, mesmo porque a tal placa estaria dobrada. Nem quando eles chamaram: se antes da abordagem ou depois que a moto disparou. O fato: quando Maicon arrancou, os PMs saíram atrás no pega pega.
“A Brigada existe para coibir delitos”, justificou o major Gelson Guarda, do 9º BPM, que minutos mais tarde seria acionado por rádio e também participaria da caçada mortal. “Se há um delito em andamento, e no caso era uma moto roubada, é obrigação da PM tentar restituir o bem para seu dono. E quem foge, é porque tem algo errado, é porque teme”.
O jornal Diário Gaúcho relata o incidente exibindo uma ilustração com um PM de arma na mão no momento da abordagem – se tal arma foi sacada, já daria motivo para qualquer um fugir, culpado ou inocente. Só no ano passado, 168 pessoas se queixaram à Corregedoria da Brigada de abordagens violentas de PMs contra jovens pobres na periferia.
O major Gelson não vê importância na forma da abordagem: “A perseguição foi uma operação policial tecnicamente perfeita”. Ele disse que “várias viaturas espalhadas pelo centro foram acionadas para “acompanhamento” – por alguma razão, o major não queria que a reportagem usasse a palavra “perseguição”.
Mais do major Gelson: “Não tem como perseguir de outra forma, não há como fazer alguém que está fugindo da polícia parar, a não ser atirando, derrubando da moto, e isso nós não fizemos. A gente não atira, não derruba”. Na tese dele, “Maicon provocou a própria morte e a da menina na garupa”.
A perseguição que começou perto das duas da tarde na Borges acabou quase 15 minutos depois na esquina da José do Patrocínio com Joaquim Nabuco. A moto bateu num ônibus da linha Cruzeiro.
O motorista Otoniel Araújo conta que estava saindo da parada, na segunda marcha, quando ouviu o estrondo: “Eu nem quis saber e nem quero saber quem era o menino. Ele tinha roubado a moto. Então morreu alguém que só fazia mal para os outros” – como fica óbvio, Otoniel não teve nenhuma problema de consciência porque deu entrevista depois de ser informado pela polícia que Maicon seria do mal.
Maicon morreu na hora. Fabiana foi socorrida pelos PMs que a perseguiam. Recolhida pelo SAMU, foi levada pro HPS, inconsciente desde a queda. Morreu às 16h05, com fraturas na coluna cervical e na bacia. Os médicos constataram gravidez e a morte do feto.
Aos médicos, a polícia, ainda sem identificar Fabiana, disse que a adolescente seria uma mulher assaltante. Uma assistente social do HPS repassou a informação à família de Fabiana. A mãe protestou, reclamando mais da insensibilidade do que da acusação falsa, mas a assistente firmou posição pró-polícia: “Tem mãe que é cega”.
A moto foi mesmo roubada. Na noite de 28 de abril, em Ipanema. “Eu a comprei para minha filha”, diz o dono, o barbeiro Arno Manfroi, 62 anos. “Dois homens a renderam quando ela chegava da faculdade” – o capacete da filha foi encontrado com Maicon.
O barbeiro contou que por três dias chegou “a desejar a morte dos ladrões, mas quando soube do acidente fiquei com pena”. Uma moto vale duas vidas ? Seu Arno pensa um pouco. Em seguida, reage indignado: “Pensando bem, a gente não pode ter pena. Fiquei com 18 prestações para pagar, quase 12 mil”.
Um pouco de Maicon e Fabiana, além do boletim de ocorrência
Maicon era filho do romance de dois adolescentes. Pai e mãe não viveram juntos, nem com ele. Foi criado pela avó materna num bairro barra pesada.
No geral era um cara pra cima, mas nos últimos tempos andava com o papo de ser amaldiçoado e que iria morrer cedo.
Seus azares começaram quando largou o colégio na sexta série. Na era da Internet, ele só era bom em cuidar de bicicletas. Autodidata, estava estudando mecânica de motos – ao que tudo indica, nas motos de outros.
Tinha três fotos conhecidas. Numa, de roupinha amarela, é um bebê loiro e gordinho. Nas outras duas já estava interno na Febem.
Ele foi parar lá aos 16, depois que participou de um assalto com um bandido adulto. O homem pegou cadeia. Ele passou dois anos internado, saiu em novembro, em liberdade assistida.
Maicon só conheceu o pai em fevereiro. Seu Flávio é empregado de um lavajato lá perto do Hospital Conceição. Disse que antes não tinha podido falar com o menino porque a família da mãe não gostava dele – talvez porque a única coisa que deu pra Maicon em vida foi, como admitiu, um pacote de fraldas e um creme para assaduras, isto em 1991.
Apesar de uma vida separados, pai e filho estavam começando a se dar bem. O pai lhe deu trabalho, mas Maicon parece que não gostava do batente. Ficava olhando seu Flávio lavar os carros e não atinava nem em passar uma água com a mangueira.
Maicon trabalhou algumas semanas como jornaleiro, vendendo Zero Hora. Com o dinheiro obtido nas vendas comprou uma casa no Jardim Ipê. A avó não é boba e logo intuiu que ele estava roubando – drogas ele usava desde os 14.
A partir de então, cada vez que o neto entrava em casa ela o revistava: “Ele ficou intratável, dizia que já era um homem e não queria mais dar satisfações”, diz a senhora, resignada.
Ninguém da família sabia direito o que ele fazia, mas uma pista está numa frase dele mesmo: “Quando eu saio pra fazer as minhas tretas posso não voltar”.
O intratável e cada vez mais desregrado Maicon tinha um primo trabalhador, Rudinho,18 anos, porteiro de um edifício na Independência. Os dois cresceram na mesma rua, mas tomaram rumos diferentes na adolescência: “Ele tinha a turma dele, eu a minha”, disse Rudinho, demonstrando desprezo.
Enquanto Maicon foi para a Febem, Rudinho vivia o melhor dos mundos – levou para morar com ele uma menina que tinha largado a sétima série, de apenas 16 anos: Fabiana.
No ano passado Fabiana engravidou, mas perdeu o bebê. Depois disto, as coisas entre eles desandaram. Ela se queixava para as irmãs que ele trabalhava muito, que estava sempre cansado. Rudinho era de ficar em casa – ela, de sair à noite.
Rudinho, Fabiana, a irmã Fiama e um amigo de Rivera
Dos tempos bons ela guardou uma foto onde aparece com Rudinho, a irmã Fiama e um amigo de Rivera. Quando Maicon saiu da Febem, no final do ano passado, Fabiana começou a sair com ele.
Pouco depois do Carnaval Fabiana deixou a casa de Rudinho. Foi pra mãe, numa pensão fuleira na avenida Salgado Filho. Dona Mariela, faxineira do Unibanco, a acolheu no quarto já dividido com as irmãs Vitória, bebê, Mariele, 11, e Fiama,16.
No dia da morte de Fabiana, as irmãs experimentaram blusas, tentaram diferentes maquiagens. Estavam se divertindo. Em momentos assim a mãe sempre ironizava delas: “Vocês são as legítimas PPs”. Patricinhas pobres.
Às duas da tarde as três irmãs estavam de saída da pensão para o show do Padre Marcelo na Praia de Belas quando tocou o celular de Fabiana. Sabe-se agora que era Maicon. “Vão na frente que eu alcanço vocês lá”, disse, sem saber que sua vida já estava amaldiçoada.
“Eu olhei pela janela e vi o carinha na moto, mas não sabia quem era”, conta dona Mariela. “Perguntei, a Fabi disse pra mim não me preocupar e saiu voando”. Vestia calça jeans, blusa verde listrada, tênis Fila e prendia o cabelo com uma pequena piranha rosa. A mãe ainda viu a menina colocar um capacete preto antes de partir em direção à avenida Borges.
Minutos depois, na Borges, se deu a abordagem da moto pelos brigadianos.
Enquanto isto, Fiama e Mariele caminharam até a Praia de Belas. Quando o Skank começou a tocar elas decidiram ir embora: “Não gosto do rock deles”, resumiu Mariele.
“Liguei pra Fabiana pra avisá-la”, lembra Fiama. Um dos PMs que tinha feito a perseguição atendeu o celular. Eram quase três e meia da tarde. O soldado fez várias perguntas. Queria identificar Fabiana – sinal que então a polícia soube quem era a moça na garupa da “moto roubada” por aquele bandidinho de “extensa ficha criminal”.
O PM avisou Fiama que Fabiana tinha sido levada pro HPS. Lá, a assistente social insensível deu pra família aquela versão policial de que Fabiana era cúmplice de Maicon em assaltos, acrescentando ofensa à dor.
Na pensão: Fiama, Mirele com Vitória, uma vizinha e dona Mariela
Fiama queria ver a irmã acidentada. Uma médica pediu que descrevesse a roupa, pra saber se era a mesma pessoa que ela atendera. Fiama tinha o figurino patricinha pobre na ponta da língua: calça jeans, blusa verde, tênis Fila, piranha rosa. A resposta foi em tom delicado: “Ela já não está entre nós, seu coraçãozinho parou de bater”.Já viu processo por causa de apelido?
Por Ana Lúcia Mohr
Inspira revolta o processo do fotógrafo da Zero Hora Ronaldo Bernardi contra Wladymir Ungaretti, professor de jornalismo da UFRGS, cujo blog e site estão sob censura.
Quem já freqüentou suas aulas sabe que Ungaretti costumava madrugar para fazer seu exercício de crítica à mídia corporativa (www.pontodevista.jor.br/blog), que, mais tarde, era repetido numa sala da Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação). Bernardi calhou de ser um dos criticados.
Mas então, cara leitora, caro leitor, você deve estar pensando que Ungaretti foi processado por denunciar as cascatas (fake, encenação, no jargão jornalístico) do fotógrafo, certo? Errado. Bernardi o processou por causa do apelido pelo qual Ungaretti o chamava (Fotonaldo). Detalhe: não foi o professor que o inventou. Sim, juro.
Liguei para a Zero Hora hoje de manhã e pedi para falar com o Ronaldo Bernardi. A mulher da recepção me passou para a editoria, onde um homem atendeu e passou para o fotógrafo. Este não quis falar sobre o processo (“meu advogado disse para eu não falar”, “o processo corre em segredo de justiça”). Insisti um pouco, mas não adiantou. Minutos depois, telefono novamente e peço para falar com o Fotonaldo. “Hãn”, ronronou a moça da recepção. “Ops, com o Ronaldo Bernardi”. Tudo certo. Ela me passa para a editoria do repórter.
– Alô, eu poderia falar com o Fotonaldo?
– Quem tá falando?
– Ana Lúcia, do Jornal Já
– Olha, ele saiu. Tá em pauta.
– Ok, obrigada.
Piada? Pois saibam que, por ter usado um apelido que todos os seus colegas conhecem, Ungaretti foi obrigado a retirar 10 anos de trabalho da web (além de atualizar o blog diariamente, ele disponibilizava mensalmente uma nova revista eletrônica em www.pontodevista.jor.br).
O desânimo por ter de tirar do ar 10 anos de trabalho e, principalmente, por estar impedido de usar a arma da crítica tem se manifestado nas aulas do professor. Não é preciso ser seu aluno para saber disto, basta acessar a página www.pontodevista.jor.br para ter idéia do baque. É que lá está um dos lemas de Ungaretti, resumido numa frase de John Reed: “Descobri que só me sinto feliz ao trabalhar intensamente em algo que gosto”.
Camelódromo quer atrair namorados no feriado
Véspera do Dia dos Namorados, o feriado desta quinta-feira (11/06) será um dia de promoção para os comerciantes do Centro Popular de Compras, o popular Camelódromo.
Das oito da manhã às oito da noite, eles estarão trabalhando para atender quem deixou o presente para a última hora.
De eletrônicos a lingerie, passando por casacos, bijuterias, pedras brasileiras, óculos e relógios – são inúmeras opções para agradar os mais diferentes estilos.
De acordo com o gerente do CPC, Noedi Casagrande, a intenção é também marcar o Centro de Compras como um local de opções alternativas ao consumidor nestas datas especais.
“Procuramos evidenciar o custo mais baixo, além do benefício em adquirir, inclusive, produtos exclusivos produzidos pelos lojistas, com matérias-primas de qualidade e muita criatividade”, revela o administrador.
Conforme Casagrande, os lojistas estão com boas expectativas, com reposição de estoques e novidades que prometem esquentar as vendas para a data.
“O mais interessante do formato empreendido pelos proprietários das lojas é a versatilidade dos produtos, expostos conforme a demanda do dia. Isto é, opções de presentes adaptadas à ocasião e também ao clima no dia”, destaca.
Formado por 800 lojas, que vendem entre roupas, acessórios e artigos eletrônicos, o CPC envolve cerca de 400 pessoas responsáveis pelos outros serviços oferecidos. Entre eles estão as 19 lojas, entre lanchonetes e restaurantes na praça de alimentação, agência bancária, lotérica, tabacaria, salão de beleza e farmácia.
Para a construção de 21.000 metros quadrados de estrutura e adequação a todas as exigências de segurança da estrutura definidas pela SMOV, a Verdi Construções investiu cerca de R$ 25 milhões na obra, superando em mais de R$ 15 milhões o valor inicial estimado. A Concessionária foi a vencedora de processo licitatório de exploração e administração do local durante 25 anos, prorrogáveis por mais 10 anos.





