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  • Gatos, gambás e papagaios retardam reforma do Araújo


    Mesmo com a licença concedida há mais de 20 dias, a reforma do auditório Araújo Vianna não pode começar. Nem os tapumes podem ser instalados enquanto não forem removidos os animais que habitam o prédio, abandonado há quatro anos. São dezenas de gatos, uma família de gambás, quatro ninhos de papagaios e muitas caturritas.
    Na Secretaria Municipal de Cultura, a expectativa é de que o problema se resolva na semana que vem depois de uma reunião, ainda não marcada, com o vice-prefeito José Fortunati, que coordena a elaboração de uma política municipal para os animais de rua. Estão envolvidos nessa discussão várias ongs defensoras dos animais e representantes de 12 secretarias.
    Em março deste ano, quando apresentou à imprensa o projeto de reforma do auditório Araújo Vianna, o secretário de Cultura, Sérgius Gonzaga, informou que Estudo de Viabilidade Urbanística (EVU), que envolve vários órgãos do poder municipal, estava em fase final e previu para “meados de abril” a liberação para o início da obra.
    O EVU já foi liberado, mas como o parque é tombado subsistem pendências com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, sendo a principal delas essa dos animais que se instalaram no prédio.

  • PAC da Copa pode injetar R$ 4 bilhões em Porto Alegre

    O programa de investimentos federais para preparar o campeonato mundial de futebol de 2014, o chamado PAC da Copa, poderá destinar cerca de R$ 4 bilhões para obras em Porto Alegre. Esse valor depende da inclusão do metrô no pacote de projetos. O primeiro trecho do metrô da capital gaúcha, de 13,5 quilômetros, está orçado em R$ 2,5 bilhões.
    O metrô, provavelmente, não estará entre as exigências da FIFA, mas o vice-prefeito José Fortunati quer aproveitar a “oportunidade única” para deflagrar o projeto. “O próprio ministro das Cidades nos falou dessa possibilidade. É agora ou nunca”, diz Fortunati, que acumula também a Secretaria Extraordinária para a Copa de 2014.
    A maior expectativa de Fortunati, no momento, é o “caderno de encargos” que a FIFA vai mandar, listando tudo o que cada uma das 12 cidades selecionadas precisam fazer para se adequar às exigências de uma Copa do Mundo.
    Essa lista é resultado de um trabalho que começou em setembro de 2007, quando ficou definido que a Copa seria no Brasil. O governo federal (Fortunati diz “O presidente Lula”) contratou uma empresa para avaliar as 18 cidades brasileiras candidatas a sediar jogos da Copa.
    Várias equipes estiveram em Porto Alegre. Percorreram a cidade, recolheram estatísticas sobre segurança, comunicação, meio ambiente, hotelaria, saúde, infraestrutura e mobilidade.
    O relatório, concluído em janeiro, foi decisivo para a seleção das 12 cidades e agora será a base do “caderno de encargos”. Ele vai indicar as medidas para melhorar a segurança, o trânsito, a hospedagens. O foco será o entorno do estádio, mas toda a cidade precisará se adequar.
    Na área de saúde, por exemplo, será prioritária a reforma do Hospital de Pronto Socorro, principal orçada em R$ 40 milhões.
    No quesito da mobilidade, será indispensável duplicar a avenida Beira Rio. Mas não só isso: a Avenida Tronco, que é uma via alternativa para a Zona Sul, também terá que ser duplicada. Assim como a Rodovia do Parque, para desafogar a região metropolitana, que é um problema antigo.
    No conjunto os projetos de transporte, que incluem rodovias, viadutos, pistas para ônibus, ciclovias e sistemas de monitoramento do trânsito na capital e região metropolitana, vão exigir quase R$ 400 milhões de investimentos.
    Fora isso, há o projeto “Portais da Cidade”, orçado em R$ 430 milhões, já negociado com o Comitê de Fomento Andino, dependendo apenas do aval do Ministério do Planejamento. Segundo Fortunati já está superada a polêmica entre portais e metrô. “Já vimos que não são projetos excludentes, ao contrario, serão complementares”.
    Outros R$ 500 milhões estão previsto para a remodelação do cais do porto, cujo projeto já está pronto. “Dizem que um dos problemas do PAC é a falta de projetos, pois bem, Porto Alegre já tem todos esses projetos prontos”. Entra na lista também o Programa Sócioambiental, orçado em R$ 580 milhões, para saneamento e tratamento de esgotos e que terá recursos do Banco Interamericano e da Caixa Federal.
    Como coordenador dos preparativos para a Copa, José Fortunati é cauteloso quanto a qualquer estimativa. Mas admite que, somados os investimentos públicos e privados, o volume de recursos a serem aplicados na capital e região metropolitana para a Copa de 2014 pode chegar aos R$ 6 bilhões.

  • Mercado da sorte em alta no Bom Fim

    Por Débora Gallas
    A crise da economia mundial desemprega gente e provoca falências? A solução pode ser a terapia espiritual e mística – pelo menos no bairro da moda o mercado místico está se dando bem. Sempre tem freguesia.
    Liguei para a tenda Windchime Holística numa segunda-feira, só tinha consultas para quarta-feira. A tenda Cigana agenda visitas também após dois dias de espera.
    Portanto, se os leitores estiverem interessados em consultas sobre a vida amorosa ou dicas para investimentos, terão de marcar horário. Mas, se quiserem conhecer um pouco sobre estas terapeutas – quer dizer, cartomantes, não precisam tentar adivinhar. Basta ler esta reportagem.
    Então: após uma animada recepção, Dona Mara Teresinha Martines da Silva me conduziu à sua sala de consultas da Windchime. Ela se define como “terapeuta espiritual”. Atende há 13 anos, sempre na rua Fernandes Vieira.
    Sorridente, Mara sentia-se à vontade para falar sobre suas capacidades espirituais que, segundo ela, afloraram aos cinco anos de idade.
    “Estou neste mundo para ajudar as pessoas. Quando percebi, decidi fazer disso minha profissão”. Ela explica que é uma profissional porque “no momento em que cobro as consultas, torna-se uma profissão”. Seu atendimento custa 50 por uma hora.
    Além dos trabalhos místicos, que consistem nas terapias espirituais e de regressão, ela promete “desmanche de trabalhos feitos para o mal”. Para aproveitar tempo e espaço, Mara dá aulas de ioga e taichichuam – basta afastar a mesa das cartas.
    O estúdio é uma sala com paredes cor-de-rosa. Numa delas está uma estante cheia de imagens místicas e religiosas de amplo espectro – santos católicos, gnomos nórdicos, ciganas, Iemanjá, Buda, Jesus Cristo…
    Por toda sala, centenas de velas coloridas, aparentemente essenciais para o trabalho de Mara: “De alguma forma elas ajudam para cortar a inveja, o ciúme. Também desmancho tudo aquilo que foi feito para prejudicar a pessoas. Nos tratamentos para dar paz espiritual uso as velas”.
    Neste cenário, Mara explica algo que a gente já sabia, mas sempre é bom lembrar. Que todos nós, além do corpo e da mente, temos um espírito: “É o espírito que justifica as coisas que acontecem na nossa vida”.
    Aí ela vai fundo no campo das contradições filosóficas: “Eu me considero católica, mas a isso se junta a minha parte espiritual, exotérica. O lado católico nos ensina a não acreditar na reencarnação, mas há várias entidades que nos orientam”.
    Ela conta a sua história de forma surreal: “Eu, meu filho e a cigana Mara vivíamos na Espanha, na época da Inquisição, séculos atrás. Éramos do mesmo bando de ciganos. Eu fui queimada na fogueira. E voltei nessa vida, junto com o meu filho – que é novamente meu filho. Essa cigana, porém, foi para um nível espiritual superior. Agora, ela sempre sopra no meu ouvido. Ela fala comigo em espanhol mesmo e, às vezes, eu até preciso me concentrar pra entender o que ela me diz”.
    Mara garante que em todas as consultas aquela cigana espanhola também está presente. É ela que informa dos problemas daqueles que a procuram. “Muitas vezes, nem preciso abrir as cartas; a cigana já me diz o que está acontecendo com a pessoa”.
    E quem procura pelo serviço? “Tenho muitos clientes assíduos. Muitos me procuram quando o lado espiritual está mais desenvolvido do que o da maioria das pessoas. Eles vêem vultos, sonham com coisas que acontecem, têm mediunidade”. Para Mara, o fundamental para haver resultados no tratamento é a pessoa acreditar em Deus.
    Ela fala também que é bastante procurada por mães: “Em alguns casos, os pais fizeram o filho sofrer em outra vida. Então, os conflitos continuam, e nem nessa vida eles se dão bem. Meu papel é fazer mãe e filho se compreenderem”.
    Outro tema que leva muita gente aos cuidados de Mara nada tem de espiritual: o: “Muitas mulheres vêm aqui com um remorso enorme por terem abortado uma criança”. Mara dá uma bem moderna: “ s pessoas criam uma imagem de que abortar é pecado. Mas não é. O espírito da criança abortada volta em outra ocasião. Explico que o aborto até poder ser bom, pois muitas vezes o filho é concebido em um momento que não é propício para os pais” – aí nem precisa ser adivinha para acertar.
    Quando Mara põe as cartas é para fazer um levantamento completo das necessidades do cliente. Nesta hora é que as cartas falam: “Muitas vezes o problema não é espiritual” – quando ela percebe que é coisa da cuca, manda direto prum psiquiatra. “Às vezes, as pessoas culpam o espírito pelo que está errado na vida, mas o espírito não tem culpa”, diz.
    Quando longe de seu personagem, Mara leva uma vida normal. Ela, que já foi diretora do Colégio Otelo Rosa, na Avenida Independência, hoje se dedica ao marido e aos filhos – porém, não dispensa os momentos de descontração. Ela gosta bastante de dançar e de passar seu tempo livre com a família e com os amigos. Para se divertir, dança muito: a dança espanhola, a do ventre, a cigana e a de salão.
    Dona Mara nunca se desvia de sua missão na Terra: “Estou aqui para mostrar o caminho para as pessoas, porque o destino quem faz somos nós mesmos. Ensino a acender a vela, que tem potência para iluminar os caminhos. Deus nem se mete nas escolhas. Deus é energia. O diabo e a maldade existem, sim. Mas quem vai atrás é o próprio ser humano”.
    Na loja Windchime Holística, que fica na Osvaldo Aranha, encontrei Catarina Rosa de Souza. Ela começou a jogar cartas ciganas aos cinco anos de idade. Dos 19 anos em que se dedica à atividade, há três trabalha no local.
    Catarina, uma moça bonita e simpática, é mãe-de-santo Ialorixá – seu nome religioso é Mãe Ialorixá Catarina de Oxum Epandá. Isso significa que ela é uma mãe-de-santo guiada pelo orixá Oxum, uma das divindades cultuadas nas religiões afro-brasileiras. Oxum é um orixá feminino que representa, especialmente, o amor, a prosperidade, a sensibilidade, a fecundidade e a beleza.
    A mãe carnal de Catarina também é sua mãe-de-santo, e a sua preparação com ritual de sangue, pela nação, o processo de assentamento de todos os orixás em rituais de umbanda e quimbanda, demoraram oito anos para serem completos. Ela esclarece que essa demora é positiva, pois evita que pessoas desqualificadas assumam essa grande responsabilidade.
    Catarina atende, em média, de sete a oito clientes por dia. Nas consultas, que duram em torno de 40 minutos e uma hora, a mãe-de-santo é acompanhada por uma entidade – uma cigana – e, através dela, recebe todas as informações fundamentais a respeito do espírito da pessoa. Segundo Catarina, a maior parte dos clientes está em busca de orientação espiritual, procurando respostas para questões como amor dinheiro e trabalho. E ela recebe todo tipo de gente: clientes assíduos, pessoas que nunca jogaram e têm curiosidade, fiéis da Igreja Universal que desejam ver como funciona e até muitos homens. “Tenho recebido quase tantos homens quanto mulheres. Eu diria que eles são 40% de meus clientes – e percebo que esse número continua aumentando”.
    A consulta de Catarina consiste na presença espiritual da cigana aliada ao seu lado religioso. Ela afirma que, apesar dos cursos para jogar cartas ou búzios, quem atende alguém com problemas espirituais tem de ter o dom da mediunidade. Catarina oferece rituais de umbanda – que só podem ser feitos por mães-de-santo – e de purificação espiritual, que têm o objetivo de ajudar as pessoas para o bem. “Faço trabalhos de limpeza espiritual através do axé dos orixás e das velas. Depois, esses trabalhos são despachados em locais como rios e pedreiras”. Os rituais de umbanda, por sua vez, são de “descargo”, feitos com ervas e banhos.
    Porém, nem sempre as consultas são tranqüilas para Catarina. “Os pais e mães-de-santo acumulam a carga de energia das pessoas, e são propensos a sofrer de depressão porque, muitas vezes, essa energia é negativa. Tem dias que eu saio daqui me sentindo muito mal. Tem gente que me procura pra fazer maldade, e também tem casos como eu precisar dizer para a pessoa que ela – ou alguém próximo – vai morrer, ou que ela está sendo traída. Acabo levando essa energia ruim para a vida pessoal”.
    Catarina recebe mensagens espirituais diariamente, mesmo fora das consultas, e afirma que esse contato influencia seu cotidiano até mesmo nas coisas mais simples. “Eu já deixei de sair porque soube que ia acontecer algo de ruim. Mas, às vezes, apenas uso essas dicas para, por exemplo, escolher ir por determinada rua porque na outra há algum tipo de barreira”.
    Na vida familiar, esse dom já causou muitos problemas entre Catarina e seu marido, que é evangélico. “Antes ele me criticava em algumas coisas, mas hoje ele aceita bem melhor”. A prova de que a paz reina no lar é que a filha de Catarina, de cinco anos de idade, já está aprendendo a jogar – fato que Catarina pontua com um belo sorriso.

  • Um Memorial para Zé Gomes

    Contam que foi uma festa da música o velório do violinista e maestro Zé Gomes, na noite de quinta-feira (05/06), em São Paulo. O velho amigo e parceiro Dércio Marques já entrou tocando a viola, cantando em alto e bom tom Roda, Roda Carreta, bem do jeito que Zé gostava: Rrrrroda, rrrrroda

     

    Daí não parou mais. Célia e Selma puxaram Rancho Fundo, que gravaram com Zé, alguém mais também tinha ali um violão, outro saiu pra buscar uma bebida, e foi neste clima, misto de despedida e de admiração, que os músicos presentes lançaram a idéia de fazer um Memorial para Zé Gomes.

     

    O artista plástico Enio Squeff, amigo de quase meio século, prometeu um busto e o que mais lhe encomendem.

     

    Um Memorial Zé Gomes significa um memorial ao folclore, que ele pesquisou profundamente e do qual deixou valiosos registros. Quem o houve tocar viola de cocho e tirar daquelas quatro cordas de pano um som limpo e preciso, está diante de um virtuosismo medieval.

     

    Começou ainda adolescente, no movimento tradicionalista gaúcho, ao lado de Paixão Cortes, outro pesquisador incansável. Foi a remotos rincões buscar instrumentos primitivos criados pelo homem. Seja na beira de um barranco no meio do Pantanal mato-grossense, seja entre partituras de música erudita, Zé não abria mão do perfeccionismo.

     

    Como professor, ensinou a mais de 1.500 alunos. Tornou-se luthier, e perdeu a conta de quantos violinos e rabecas construiu. Arranjador solicitado, participou de mais de duzentas gravações. Visitar o Memorial Zé Gomes será um passeio pela história da música.

  • Tombamento da Gonçalo comemora três anos

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    Foto de Ricardo Stricher/PMPA
    Nesta sexta-feira, Dia Mundial do Meio Ambiente, Porto Alegre tem ao menos um bom motivo para comemorar: o aniversário de três anos do tombamento da Gonçalo de Carvalho, primeira rua a ser considera patrimônio cultural, histórico e ambiental da América Latina.
    O tombamento foi uma iniciativa dos moradores da Gonçalo, que em 2005 viram as árvores da rua ameaçadas pela construção da nova sede da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa) no terreno do Shopping Total. Muitos panfletos, abaixo-assinados e barulho depois em 2006 a prefeitura criou um decreto, garantindo assim a preservação do túnel verde.
    A conquista deu frutos e o grupo, que ficou conhecido como Amigos da Gonçalo (goncalodecarvalho.blogspot.com), conseguiu também o tombamento dos Túneis Verdes das ruas Marquês do Pombal e João Mendes Ouriques, além de incentivar ações parecidas em outros bairros da cidade.

  • Morre o músico Zé Gomes

    Será cremado em São Paulo, onde vivia, o corpo do compositor, arranjador, luthier, maestro e pesquisador gaúcho José Kruel Gomes, internacionalmente conhecido como Zé Gomes, que faleceu na manhã de hoje (05/06/09), vítima de infarto, aos 72 anos.

     

    Zé Gomes começou a tocar profissionalmente aos 14 anos. Natural de Ijuí, aos 17 muda-se com a família para Porto Alegre e ingressa no Movimento Tradicionalista, com o grupo “Tropeiros da Tradição”, com Paixão Cortes. A formação serviria de modelo a todos os conjuntos que os sucederam.

     

    No início da década de 1950, integrou o conjunto “Os Gaudérios”. Aos 18 anos,  viaja com o conjunto à França, para participar do Festival Internacional de Folclore promovido pela Universidade Sorbonne, e volta ao Brasil com o primeiro prêmio.

     

    Em 1955 trabalhou com João Gilberto, juntamente com Luis Bonfá, compositor da música do filme Orfeu no Carnaval, que já tinha elementos da Bossa Nova.

     

    Em 1958 criou o Curso de Violão José Gomes, no qual ensinou mais de 1.500 alunos em uma década de funcionamento, época em que freqüentemente palestrava em seminários culturais ou integrava a OSPA.

     

    Em 1966, Zé Gomes funda, com Bruno Kieffer e Armando Albuquerque, o Seminário Livre de Música (Selim), que dois anos depois vira o Centro Livre de Cultura. Em 1969, por concurso público, torna-se professor na Escola de Artes da UFRGS.

     

    De 1968 a 1971 participa, como arranjador, de vários festivais. Muda-se para São Paulo no início dos anos 70, onde, além de continuar lecionando, compõe músicas para teatro, trilhas para cinema,  fábulas infantis, quartetos, trios e duos instrumentais, corais, peças para viola e rabeca (instrumento que mais tarde viria a construir), e música sacra.

     

    Zé Gomes participou de mais de 200 gravações, com Chico Buarque, Heraldo do Monte, Arthur Moreira Lima, Diana Pequeno, Grupo Tarancon, Renato Teixeira, Elomar, Pena Branca e Chavantinho, Paulino Pedra Azul, Marluí Miranda, Alzira Spíndola, João do Valle, entre muitos outros. Ultimamente, gravava discos independentes com suas prórpias composições.

     

    É considerado um dos maiores intérpretes de Villa-Lobos, cuja obra estudou profundamente. Dedicou-se ao estudo da rabeca e da viola de cocho.

     

    Com os parceiros Almir Sater e Paulo Simões, viajou a cavalo mais de mil quilômetros pelo Pantanal, para fazer um filme sobre o homem pantaneiro e pesquisar a música da região.

     

    Criou inúmeros projetos de artesanato e fabricação de instrumentos musicais, tais como rabeca acústica,  chorongo ou baixo acústico, calimba cromática, violino mudo.

     

    A última vez que se apresentou em Porto Alegre foi ao violino, acompanhando Almir Sater no Projeto Acorde Brasil, do Sesc, em 2007.

  • É preciso diploma para ser jornalista?

    Por Ana Lúcia Behenck Mohr
    Uma discussão sobre a exigência de diploma e sobre a (des)regulamentação da profissão de jornalista. Os dois palestrantes desmereceram o debate que, mesmo assim, foi longe. Entenda por quê.
    O debate ocorreu nesta quarta-feira na Faculdade de Comunicação da PUC-RS, minutos depois do horário marcado (20h). Foi entre Tiago Jucá (editor da Revista “O Dilúvio”) e Sérgio Murillo de Andrade (presidente da Federação Nacional dos Jornalistas), tendo como mediador o professor Celso Schröder. Este último não só fez jus à sua condição de vice-presidente da Fenaj nas intervenções, como, em certo ponto do debate, assumiu ter “abandonado completamente a função de mediador”, o que gerou risos na plateia.
    Jucá disse não achar a discussão tão importante. Sérgio Murillo afirmou tratar-se de um debate “completamente esquizofrênico”. Um debate convergente? Não, as razões das opiniões semelhantes são bem distintas.
    Entre os argumentos usados na contra-defesa do diploma estava o fato de haver pessoas talentosas que não têm diploma e a péssima qualidade dos cursos de Comunicação Social – em particular, o da escola de onde Jucá é oriundo, a Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS (Fabico). O jornalista detonou a Fabico. Disse que os professores eram atrasados, equipamentos antigos (“agora deu uma melhorada”) e o currículo ultrapassado.
    O editor da revista alternativa “O Dilúvio” levantou também a questão da censura, sobre a qual disse não ter visto manifestação por parte da Fenaj. Citou o caso do professor da UFRGS, Wladymir Ungaretti. Ungaretti foi processado por Ronaldo Bernardi, fotógrafo da Zero Hora e agora está impedido de fazer críticas ao jornal em seu site.
    Também citou a censura do governo Lula às rádios comunitárias e as outorgas vencidas de 25 rádios de Porto Alegre. Deu a entender que estes seriam os debates mais importantes a serem puxados. Sérgio Murillo depois deixou subentendido que esses debates estão à pleno vapor.
    A esquizofrenia do debate, conforme o presidente da Fenaj, é comparável a uma discussão de advogados sobre se os advogados devem ou não estudar Direito. “No Brasil o estado regulamenta as profissões não só para atender a demanda dos engenheiros, jornalistas, médicos, mas para dar uma garantia ao cidadão”, afirmou. Para ele, a defesa do diploma é a defesa de uma informação de qualidade.
    A formação é considerada importante por Jucá. Afirmou que “um jornalista deveria estudar no mínimo história e letras”. Citou inúmeros exemplos de obras jornalísticas de autores sem formação em jornalismo (entre elas, as reportagens do médico Dráuzio Varella e seu livro “Estação Carandiru”, o livro “Os Sertões”, de Euclides da Cunha e a própria “Carta de Pero Vaz de Caminha”).
    Em contrapartida, Sérgio Murillo fez a defesa incondicional do curso, chegou a fazer uma analogia com uma criança doente. “Se a criança está doente, não devemos matá-la, mas dar remédios”. No entanto, Murillo não chegou a prescrever nenhum medicamento para nosso bebê enfermo, embora tenha citado que a Fenaj está envolvida comissão que cria novas diretrizes curriculares para os cursos de jornalismo.
    Para o presidente da Fenaj, a defesa do diploma e da regulamentação da profissão não exclui a defesa da liberdade de expressão. “Não tem em nenhum lugar do Brasil, sindicato pedindo fim de rádio comunitária”, ironizou. Disse que há uma confusão entre a comunicação e jornalismo, e este último deve ser exercido por um profissional especializado (com diploma). “Entre numa redação dos EUA, você não vai encontrar jornalista que não seja formado”, disse.
    Murillo procurou frisar que a desregulamentação é uma demanda patronal, em específico do Sr. Otávio Frias Filho, dono da Folha de São Paulo, e visa a maior precarização da atividade. Referindo-se ao descumprimento das leis trabalhistas, afirmou ainda que os patrões do Brasil estão na Idade Média. Citou a vitória do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, onde os funcionários do jornal O Globo (da família Marinho) não recebiam hora extra porque não havia controle de jornadas, para defender a importância da organização sindical.
    Graças à mobilização da categoria, agora a empresa está cumprindo a lei. Respondeu à crítica de um estudante (o único que se atreveu a defender os donos da mídia), segundo o qual a Fenaj seria um braço do petismo, desqualificando-a como ideológica. “Se a Fenaj é braço do petismo, nós poderíamos dizer que a Folha é braço dos tucanos”, comparou.
    Quanto à referência feita pelo mesmo estudante de que a regulamentação havia sido originada durante a ditadura e por isso era ruim, disse que “nós não temos a a regulamentação por causa da ditadura, mas apesar da ditadura”. E arrematou: “se tudo que foi criado na ditadura fosse ruim, disse, o Estatuto do Índio teria que ser revogado e a ponte Rio-Niterói derrubada”.
    Lei de Imprensa – Perguntado pelo mediador, Tiago Jucá silenciou sobre a Lei de Imprensa, revogada recentemente. Disse não ter ainda uma opinião formada sobre o assunto.
    Conforme Sérgio Murillo, a Fenaj defende a Lei de Imprensa. “Não achamos que a lei da época da ditadura está boa, mas é melhor do que não ter lei”, disse. Falou ainda que o direito de resposta era bom, e agora ele fica “de acordo com a boa vontade de juiz de primeira instância”. “Hoje, na área de imprensa, o Brasil vive um blackout jurídico”, criticou.
    Por fim, o presidente da Fenaj conclamou uma intifada contra os patrões, em defesa da regulamentação. “Se eles tem canhões, nós temos pedras”. Os patrões, como não estavam presentes fisicamente (apenas espiritualmente, através do estudante supracitado), não puderam se defender.

  • Servidores públicos fazem vigília em frente ao Palácio Piratini

    Por Bruna Cardoso
    “Governo Yeda não tá com nada/Seu novo jeito tá roubando a gauchada/Governo Yeda não vale nada” cantava o gaiteiro em frente ao Palácio Piratini. Dezenas de servidores públicos e sindicalistas estão em vigília desde terça-feira na Praça da Matriz para pressionar o governo a seguir com as investigações das denúncias de corrupção no estado.
    Além de exigir as duas assinaturas que faltam para a CPI, outra preocupação dos sindicalistas é a atual situação dos servidores públicos no estado. “Temos policiais contraindo leptospirose em delegacias devido ao seu mal estado. Nas escolas há falta de merendas e no posto de saúde do centro só há dois funcionários para vacinar a população contra a febre amarela”, afirma Érico Corrêa, presidente do Sindicaixa.
    “Se o povo não ta contente é porque a coisa não ta boa. Eu não entendo muito de política, mas vejo que têm muita coisa errada”, analisa Jorge do Santos, pipoqueiro da Praça da Matriz. “Sou um pai de família e acho que falta segurança nas escolas. Professores apanham de alunos em sala de aula. Assim é brabo”, desabafa.
    Algumas pessoas vieram do interior do estado para participar da vigília. O protesto é organizado pelo Fórum dos Servidores Públicos Estaduais, composto pelo Sindicaixa, Ugeirm, Sindsepe, Simpe, Sindiágua, Semapi, Sindet, Sindjus/RS, CPERS/Sindicato e Federação dos Bancários/RS e segue até o fim da noite de hoje.

  • Protógenes acredita no apoio da PF

    Por Ana Lúcia Behenck Mohr

    Protógenes Queiroz, delegado da Polícia Federal com 4 processos nas costas, esteve hoje na sede do Psol, onde concedeu uma entrevista coletiva. Mas ninguém quer saber o que Protógenes Queiroz tem a dizer. Em sua coletiva, só estavam presentes repórteres de dois veículos: Rádio Bandeirantes e nós, do Já.
    Ontem à noite ele esteve palestrando em Lajeado e conclamou os “homens de bem” (que, para ele, são maioria) a “saírem de casa e assumirem o que lhes compete, assumindo um partido político, se candidatando”. Também tem denunciado a corrupção e o descumprimento da Constituição.
    O delegado alegou novamente inocência nos 4 processos que estão em andamento contra a sua pessoa – um inquérito penal, dois processos administrativos por manifestações públicas e o mais recente de espionagem de autoridades . Disse que as acusações são “factoides que servem apenas para confundir”. Apontou uma inversão de papéis: “o investigador passa a investigado”.
    Tudo isso, para ele, tem um “intuito de desqualificar um trabalho positivo” e proteger Daniel Dantas (o qual, conforme Protógenes, é “o PC que deu certo”). “Em toda a história da PF nunca se fez uma denúncia contra uma autoridade policial durante uma investigação”, afirmou. O delegado diz ter o apoio massivo de sua categoria: “99% da PF apoiou o trabalho de Protógenes”, assim mesmo, na terceira pessoa.

    O delegado se juntou ao PSol em sua cruzada contra a corrupção, o descumprimento da Constituição Federal e o neoliberalismo. Foram nessa linha as falas de Roberto Robaina (presidente do PSol-RS), da deputada federal Luciana Genro e do vereador Pedro Ruas (Psol), que acompanharam a coletiva.
    Robaina apontou uma confluência nas lutas contra a corrupção e em defesa do serviço público entre o Psol e Protógenes e reivindicou que o delegado seja aproveitado como policial federal. Mas, caso isso não ocorra, o sinal verde para que ele vá para o PSol já está dado.
    Luciana destacou a ajuda de Protógenes nas recentes denúncias de corrupção no governo estadual (“Protógenes foi um amigo que nos ajudou, nos deu caminhos”). Pedro Ruas afirmou que ele colocou em pauta uma reflexão nacional sobre direito penal, sobre os chamados “crimes de colarinho branco”, que enseja a necessidade de um “aperfeiçoamento da superestrutura jurídica”.
    No fim, o delegado assinou uma petição contra o afastamento da diretora de Qualidade da Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul, Denise Zaions (o que ocorreu devido a um depoimento nas CPIs dos Pedágios, em 2007). Na ocasião, Zaions. economista concursada, afirmara que as concessionárias de pedágios no Rio Grande do Sul descumpriam contratos.
    Depois o delegado teve que sair às pressas para pegar um voo – embora ainda tenha dado tempo de tomar um chimarrão e posar para fotografias com os parlamentares e militantes presentes.

  • Marlene Dietrich no Goethe até dia 20

    marlenedietrich
    Começa nesta terça, 2, no Instituto Goethe, uma exposição fotográfica sobre a vida e a filmografia da atriz Marlene Dietrich.
    A exposição, organizada pela Fundação Cinemateca Alemã, vai até o dia 20 de junho, aberta ao público de segunda a sexta-feira, das 10h às 20h, e sábados, das 10h às 12h.
    São 37 fotografias que apresentam um panorama da vida e da história cinematográfica da atriz. Além da exposição, o Goethe-Institut promove exibições de filmes, na Casa de Cultura Mário Quintana, na sala Eduardo Hirtz.
    Entre os títulos estão o O Anjo Azul (4 de junho, às 19h30), LeniRiefenstahl – A deusa imperfeita (2 de junho, às 19h30) e do documentário Marlene (3 de junho, às 19h30).
    Para informações sobre a sinopse dos filmes e ingressos, acesse o site do Instituto www.goethe.de/portoalegre
    Endereço: Galeria do Goethe (Av. 24 de outubro, 112 – Bairro Moinhos de Vento)