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  • Já voltamos. Por que voltamos?

    Este site tem vida tão irregular, que a gente fica em dúvida se explica porque ficou fora do ar nos últimos dois dias. Foi simples: um hacker invadiu o jornalja e tirou-o do ar.
    Três dias depois do acontecido (uma eternidade na era digital) pouco conseguimos saber a respeito, além de que é “mais ou menos normal”, que muito bem pode ser coisa de irresponsáveis, “como esses que se penduram nos edifícios para riscar coisas ininteligíveis”.
    Nosso invasor diz que hacker não é crime, é arte. Arte que não respeita o trabalho dos outros! Arte do desrespeito, arte do abuso, pode ser.
    Tentei saber quem é o artista. Recorri à polícia. Fui à décima delegacia, no Bom Fim. O atendente Michel Fontana foi gentil e atencioso. Fez um BO, qualificou o caso entre “ Outros Crimes/Crime pela Internet” .
    Informou que o registro iria para o delegado que determinará ”os procedimentos cabíveis”.
    No dia seguinte fui à Delegacia Especializada em Crimes Cibernéticos. O inspetor Marcelo foi solícito, mas não avançou além da porta de vidro, que manteve entreaberta, como se tivesse pressa em fechá-la.
    Em todo caso, explicou: “As coisas não são tão céleres como gostaríamos. Não é fazer o BO de manhã e vir saber o que aconteceu de tarde. Tudo depende de ordem judicial. Se for questão complexa vem parar aqui”.
    Vamos aguardar os acontecimentos.
    Enquanto isso, vamos tocando o nosso modesto noticiário. Há muita informação que não sai por aí. Vejam esse caso da Siemens…

  • Siemens troca comando depois das denúncias

    Assume hoje o novo presidente mundial da Siemens. Joe Haeser, o vice-presidente financeiro, funcionário de carreira da multinacional alemã, é o novo titular.
    O austríaco Peter Löscher, CEO desde 2007, foi afastado por decisão do Conselho tomada ontem, quatro anos antes do final do seu contrato.
    Löscher havia prometido que a Siemens, um dos maiores grupos do mundo que produz de equipamentos médicos a trens, cresceria acima dos concorrentes, mas na semana passada jogou a toalha.
    Kaeser assume com a tarefa de reestruturar a segunda maior empresa da Alemanha em valor de mercado e um símbolo da estrutura industrial do país.
    Envolvida em fraudes em vários países, com episódios inclusive no Rio Grande do Sul, a Siemens tornou-se delatora dos cartéis que acabou integrando. Em 2011, alegando “grave contravenção das diretrizes da companhia”, afastou seu presidente no Brasil, onde a empresa cresceu apoiada em contratos públicos.
    Agora em julho, denunciou formação de cartel entre empresas para superfaturar licitações do metrô paulista.
    Na Europa, tanto a Siemens como outra multinacional, a Alstom, foram investigadas por distribuir propinas de mais de US$ 850 milhões na última década, especialmente na América Latina.
    A própria Siemens divulga agora no seu site recente pesquisa do World Bank Institute, mostrando que a corrupção global aumenta de 20 a 25 por cento os custos dos suprimentos públicos, mas muitas empresas ainda estão enfrentando o dilema de pagar propinas e conseguir negócios ou retirar-se dos mercados de alto risco.
    O World Bank Institute divulgou “Combatendo a Corrupção Mediante Ação Coletiva – Um Guia para os Negócios”. Criado para ajudar as empresas a combater os impactos insidiosos da corrupção, o guia e o portal que o acompanha na internet,www.fightingcorruption.org resumem os métodos comprovados para combater a corrupção no mercado pela ação coletiva entre os negócios e outros stakeholders.
    Organizada pelo World Bank Institute, a coalizão consiste de ONGs e organizações multilaterais inclusive as empresas do grupo Grant Thorton no Canadá, Reino Unido e EUA, Siemens, Compacto Global das Nações Unidas (United Nations Global Compact), Centro para Empresas Privadas Internacionais (Center for International Private Enterprise – CIPE), Transparency International e Global Advice Network.

  • Rodovias: primeiro leilão será em setembro

    Finalmente vão sair as primeiras concessões federais de rodovias, do programa anunciado há quase um ano. O Tribunal de Contas da União aprovou ontem os estudos de viabilidade de duas rodovias: a BR-050 (em Goiás e Minas Gerais) e a BR-262 (Minas Gerais e Espírito Santo).
    O governo, que vê no pacote de concessões a solução para os problemas de infra-estrutura, lançou ontem mesmo os editais e divulgou a data do leilão desses dois lotes: 18 de setembro, em sessão pública na BM&F Bovespa. A previsão é que os contratos sejam assinados ainda este ano, em 9 dezembro.

  • Livro mostrará perfil do público do OP

    As assembleias regionais do Orçamento Participativo estão sendo transmitidas ao vivo pela internet – mms://pwvideo1.procempa.com.br:8080/op . Hoje à noite é a vez da região Centro-Sul, no bairro Cavalhada. Pessoas que já participaram de outras edições do OP estão sendo convidadas por torpedos nos telefones celulares, com o calendário de assembleias.
    O projeto OP em Rede permite aos moradores de Porto Alegre votar, pela internet, nas áreas para as quais eles querem que os recursos públicos do Orçamento de 2014 sejam destinados. A consulta pode ser acessada no site do OP: http://www2.portoalegre.rs.gov.br/op/. A população também pode interagir pelo Facebook (facebook.com/opportoalegre) e pelo Twitter (twitter.com/oppoa).
    Hoje a Prefeitura anunciou que o programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), em parceria com o Observatório da Cidade de Porto Alegre (ObservaPoa) e Observatório das Metrópoles, vai lançar o livro “Orçamento Participativo de Porto Alegre – Perfil, Avaliação e Percepções do Público Participante”.
    O livro traz o perfil do público que participa do OP num período de 22 anos, desde a sua implantação em 1989. Antes do lançamento, será apresentado ao Conselho do OP, na segunda quinzena de agosto, depois das assembléias deste ano.

  • Mais Médicos sob suspeita de sabotagem

    O governo chamou a Polícia Federal para acompanhar o processo de inscrições no programa Mais Médicos, após receber denúncias de mobilização pelas redes sociais para sabotar o programa.
    Das 18.450 inscrições no programa, 8.307 tinham números inválidos de registros nos conselhos regionais de medicina, mais de 45% do total. Os 3.511 municípios que se cadastraram demandam 15.460 médicos para trabalhar na atenção básica.
    Do total dos médicos inscritos, 1.920 se declararam estrangeiros ou têm registro profissional de outros países. São pouco mais de 10% dos inscritos, de 61 países, com registros principalmente da Espanha, Argentina e Portugal.
    Outros 1.270 inscritos são médicos residentes, já recebem bolsa federal, e terão de formalizar o desligamento de programas de especialização para homologar a participação no Mais Médicos. O ministério também alterou regras do programa.
    O Conselho Nacional do Ministério Público promoverá audiência pública nesta segunda-feira (29) para discutir o Programa A Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou na sexta-feira (26) a primeira defesa judicial da medida provisória que instituiu o Programa Mais Médicos
    O ministro da Saúde, Alexandre Padillha, pediu que a Polícia Federal acompanhe o processo de inscrições no programa Mais Médicos Após receber denúncias de mobilização pelas redes sociais para sabotar o programa. Das 18.450 inscrições no programa, 8.307 tinham números inválidos de registros nos conselhos regionais de medicina, mais de 45% do total.
    Padilha disse que pode haver erros de digitação e inscrição de recém-formados, ainda sem o registro atualizado nos CRMs, e deu o final de semana para que façam as correções nos cadastros. “A PF vai acompanhar todo o processo, a finalização da inscrição, a finalização da escolha de municípios para ter evidências do que de fato está acontecendo ou não”, informou o ministro.
    Os 3.511 municípios que se cadastraram demandam 15.460 médicos para trabalhar na atenção básica.
    Do total dos médicos inscritos, 1.920 se declararam estrangeiros ou têm registro profissional de outros países, totalizando 61 nações. São pouco mais de 10% dos inscritos, com registros principalmente da Espanha, Argentina e Portugal.
    Outros 1.270 inscritos são médicos residentes, já recebem bolsa federal, e terão de formalizar o desligamento de programas de especialização para homologar a participação no Mais Médicos.
    O ministério também alterou regras do programa e passou a exigir que os candidatos apresentem documento em que declarem que vão deixar vaga de residência médica ou do Provab (Programa de Valorização da Atenção Básica) para atuar no Mais Médicos. A declaração deve ser apresentada no ato da inscrição.
    O Conselho Nacional do Ministério Público promoverá audiência pública nesta segunda-feira (29) para discutir o Programa Mais Médicos, questionado pelo menos cinco vezes na Justiça por entidades médicas e pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ). Os pontos mais polêmicos são o acréscimo de dois anos de serviço no Sistema Único de Saúde aos estudantes de medicina e o incentivo para atuação de médicos estrangeiros no país.
    A Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou hoje na sexta-feira (26) a primeira defesa judicial da medida provisória que instituiu o Programa Mais Médicos, uma ação civil pública apresentada pelo Conselho Federal de Medicina dia 19.
    Processo de avaliação
    De acordo com a AGU, os intercambistas que chegarem ao país por meio do Mais Médicos só poderão atuar nas atividades do programa, e qualquer outra atribuição exigirá a revalidação do diploma. O órgão ainda informa que será feito “um intenso processo de avaliação” desses médicos pelas instituições de ensino superior participantes do projeto.
    A AGU destaca que os intercambistas passarão por curso presencial de 120 horas assim que chegarem ao país, com aulas sobre aspectos legais do sistema de saúde brasileiro, funcionamento e atribuições do Sistema Único de Saúde, atenção básica em saúde e língua portuguesa. De acordo com a entidade, os médicos serão avaliados durante o período de acolhimento para certificar que têm conhecimento de língua portuguesa e de situações práticas médicas no Brasil.
    A entidade também questiona o uso de ação civil pública na Justiça Federal de primeira instância para contestar o programa, defendendo o acionamento do Supremo Tribunal Federal (STF) por meio de ação de inconstitucionalidade.
    A AGU ainda argumenta que o CFM não tem legitimidade para questionar o programa na Justiça, atribuição que caberia aos conselhos regionais de Medicina.
    Além desta ação, o Mais Médicos foi questionado na Justiça pelo menos quatro vezes.
    No STF, tramitam dois mandados de segurança – um do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), e outro da Associação Médica Brasileira (AMB), que teve liminar rejeitada. A Justiça Federal também terá que analisar duas ações civis públicas.
    Dos inscritos, 3.123 médicos entregaram os documentos necessários. Os 15.327 restantes ainda estão com pendências na inscrição. Os médicos brasileiros tem até a meia-noite de domingo (28) para finalizar o cadastro, corrigir inconsistências e concluir a entrega dos documentos. Os estrangeiros terão até 8 de agosto para entregar os documentos.
    No dia 1° de agosto, será divulgada a relação de médicos com registro válido no Brasil e a indicação do município designado para cada profissional. Eles terão que homologar a participação e assinar um termo de compromisso até 3 de agosto.
    Todos os profissionais serão avaliados e supervisionados por universidades federais. Na primeira etapa, 41 instituições, de todas as regiões do país, se inscreveram no programa.
    O ministro informou que o segundo mês de adesão ao Mais Médicos terá início no dia 15 de agosto. As inscrições para médicos serão contínuas, ao contrário das inscrições para os municípios, que terminam no próximo mês.
    Lançado em julho, por medida provisória, o Programa Mais Médicos tem como meta levar profissionais para atuar durante três anos na atenção básica à saúde em regiões pobres do Brasil, como na periferia das grandes cidades e em municípios do interior. Para isso, o Ministério da Saúde pagará bolsa de R$ 10 mil.
    O programa também prevê a possibilidade de contratar profissionais estrangeiros para trabalhar nesses locais, caso as vagas não sejam totalmente preenchidas por brasileiros.
    A medida tem sido criticada por entidades de classe, sobretudo, pelo fato de o programa não exigir a revalidação do diploma de médicos de outros países.

  • Quem são os vândalos (3)

    Carla Hirt, mulher de um agente dos serviços de informação ( ABIN ) foi presa com um grupo de vândalos nas depredações do Leblon, no Rio.
    O marido, Igor Matela, apresentou-se para resgatá-la na delegacia e acabou preso por desacato.
    Disse que rotineiramente vai aos protestos por uma “questão de engajamento”. A Abin informou que ele está em férias e que uma sindicância vai investigar o caso.

  • Globo: sonegação e dívidas

    Blogueiros independentes estão acossando a Globo na crise deflagrada pelas denúncias publicadas há uma semana no jornal Hoje em Dia.
    Em reportagem assinada por Amaury Ribeiro Jr. o jornal de Belo Horizonte revelou o sumiço de um processo contra a Globo por sonegação de impostos na transação de compra dos direitos para transmissão da Copa do Mundo.
    A Globo se explicou e conseguiu manter o assunto fora da mídia convencional. O pouco que saiu dava ênfase à versão da empresa, de que não havia irregularidade nenhuma.
    Os blogueiros, porém, foram atrás da informação e as notícias não são boas para o Grande Irmão.
    A reportagem em Minas / Amaury Ribeiro jr. e Rodrigo Lopes – no Hoje em Dia
    A Globopar, empresa ligada à TV Globo, está com parte de suas contas bancárias e bens bloqueados, devido a um dívida ativa de R$ 178 milhões com o Tesouro Nacional. De acordo com documentos conseguidos pelo Hoje em Dia na Justiça Federal do Rio de Janeiro, a dívida inscrita no cadastro de inadimplentes federais foi originada por várias sonegações de impostos federais.
    Liberação
    Por solicitação da Procuradoria da Fazenda Nacional do Rio de Janeiro, as contas bancárias da Infoglobo e a da empresa Globo LTDA também chegaram a ser bloqueadas. Mas os irmãos Marinho – Roberto Irineu, José Roberto e João Roberto – conseguiram autorização da Justiça para liberar o bens dessas duas últimas empresas no mês passado, na 26ª Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro.
    Inadimplente
    A dívida da Globopar, no entanto, já está inscrita no cadastro de inadimplentes do Tesouro Nacional, em fase de execução. Na semana passada, a Globo conseguiu adiar a entrega de seu patrimônio ao tesouro até que o processo transite em julgado. O Hoje em Dia também teve acesso ao processo que apurou o sumiço do inquérito de sonegação da Organizações Globo na compra dos direitos da transmissão da Copa de 2002.
    Receita Federal
    Um documento enviado pela Receita à Justiça em 2010 comprova, ao contrário do que a emissora divulgou, que a dívida de R$ 600 milhões nunca foi paga. A papelada comprova ainda que o Ministério Público Federal ao ser avisado sobre operações de lavagem de dinheiro entre a Fifa nas Ilhas Virgens Britânicas prevaricou muito.
    Omissão
    Ao invés de solicitar investigação à Polícia Federal, preferiu emitir um parecer que atesta não ter ocorrido nenhum ato ilícito nas transações nas Ilhas Virgens. Um inquérito criminal contra os irmãos Marinho chegou a ser instaurado, mas também sumiu das dependência da Receita Federal.
    Não bastasse toda essa confusão, a Globopar continua sonegando. E como nunca. Nos últimos dois anos, a empresa foi notificada 776 vezes pela Receita Federal por sonegação fiscal.
    Equipamentos
    A maior parte dessas autuações envolve a apreensão de equipamentos, sem o recolhimento de impostos, no aeroporto do Galeão, no Rio De Janeiro. Para um bom entendedor a Globopar é uma empresa contumaz na prática do descaminho.
    Verba publicitária
    O ministério da Comunicação do governo Dilma Rousseff e os demais governantes desatentos liberaram verba para empresa inadimplente com a União, o que constitui-se ato de improbidade administrativa. A liberação pode ser comprovada no site do Ministério da Fazenda.
    Chegam os blogueiros
    A Globo plantou sua versão na mídia convencional, mas os blogueiros foram à luta.
    Nesta quinta-feira Fernando Brito publicou no Tijolaço:
    Receita contradiz Globo e fala que tinha cópias do processo surrupiado
    26/07/2013 |Fernando Brito Tijolaço
    Acabo de receber a resposta do pedido que fiz, com base na Lei de Acesso à Informação, à Receita Federal sobre o paradeiro dos processos de sonegação da Rede Globo no caso da compra dos direitos de transmissão da Copa de 2002. Os processos, como se sabe agora, teriam sido surrupiados pela ex-servidora Cristina Maris Meinick Ribeiro.
    A resposta da Receita é insuficiente, mas contradiz, implicitamente, a versão apresentada pela Rede Globo de que teria sido ela a fornecedora das cópias para a reconstituição do processo sumido.
    Depois de dizer que não pode dar mais detalhes porque ”a matéria tratada nos aludidos autos é acobertada (Nota do Tijolaço: sim, a palavra é essa, mesmo)por sigilo fiscal, a RFB está impedida de prestar informações adicionais, sob pena de violação do disposto no art. 198, caput, do Código Tributário Nacional”, a Receita afirma, textualmente, com grifos meus:
    (…) No entanto, podem ser prestados os seguintes esclarecimentos de ordem geral em relação ao tema:
    a) a RFB não trabalha mais com autos de processos administrativos-fiscais em papel, uma vez que os referidos processos passaram a ser eletrônicos, o que significa que não podem ser extraviados ou destruídos;
    b) mesmo quando trabalhava com processos em papel, os autos de um processo administrativo-fiscal podiam ser reconstituídos em caso de extravio ou destruição (como em incêndios e inundações)
    Compare agora com o que disse a Globo, novamente grifando:
    “No dia 21/12/06, a defesa da Globo foi rejeitada pelas autoridades. Alguns dias depois da sessão de julgamento, para sua grande surpresa, foi a Globo informada de que os autos do processo administrativo se extraviaram na Receita Federal. Iniciou-se, então, a restauração dos autos, como ocorre sempre nos casos de extravio de processos. A empresa agiu de forma voluntária, fornecendo às autoridades cópias dos documentos originais, tornando com isso possível a completa restauração e o prosseguimento do processo administrativo. Em 11/10/07, a empresa foi intimada da decisão desfavorável, apresentando recurso em 09/11/07.
    Então já se sabia do sumiço do processo “alguns dias” depois da rejeição da defesa e “iniciou-se, então, a restauração dos autos”.
    Que bem, já que a Receita diz que os processos são eletrônicos e, mesmo quando não eram, dispunha de tudo para reconstituí-los, quanto tempo isso leva? Porque seria necessário que a Globo desse cópias “tornando com isso possível a completa restauração”?
    E por que só no dia 11 de outubro, dez meses depois, a empresa foi intimada da decisão de 21 de dezembro de 2006?
    Confirma-se, assim, oficialmente o que esse Tijolaço afirmou: houve um “buraco negro” entre a condenação da Globo e sua intimação que não pode ser justificado pela perda do processo, de tal modo é simples sua reconstituição, como informa a Receita. Buraco quase dez vezes maior que o prazo legal de 30 dias para recorrer, se a notificação não tivesse se dado no tempo normal.
    Nem vou falar do fato de o recurso apresentado em novembro de 2007 pela Globo ter ficado sem julgamento por dois anos (!), quando a defesa da autuação feita em 16/10/2006 levou apenas dois meses para ser apreciada e repelida, em 21/12 do mesmo ano!
    Estou procurando um advogado para redigir novo pedido de informação à Receita. E esperar – espero que não sentado – que o Ministério Público, que tem poder para investigar e o dever de fazê-lo, explore estas indagações.
    O “acobertamento” do sigilo fiscal não pode servir para protelar, injustificadamente, atos de ofício corriqueiros. Não é para crer que haja desídia ou procrastinação com um processo neste valor, já então superior a R$ 615 milhões de reais.
    Aliás, a Receita amplia, por sua conta, o que diz o artigo 198 do Código Tributário Nacional.
    Primeiro, porque o conteúdo, as informações contidas no processo podem sê-lo, mas não a sua numeração e o seu andamento. As informações são sigilosas, mas o processo é público e sua existência não é nem pode ser secreta. Todo processo administrativo é público e as restrições de acesso não se aplicam a saber de sua existência, seu número e sua localização.
    Segundo, porque o mesmo artigo 198 do Código Tributário Nacional, citado na resposta, diz, em seu parágrafo 3°:
    § 3o Não é vedada a divulgação de informações relativas a: (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001)
    I – representações fiscais para fins penais; (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001)
    II – inscrições na Dívida Ativa da Fazenda Pública; (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001)
    III – parcelamento ou moratória. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001)
    Ora, um dos processos tratava exatamente de representação fiscal para fins penais, solicitada pelo Auditor Alberto Sodré Zile. Sobre este também pesava decisão do Delegado da Receita e, se foi sustado, precisa ter razões públicas.
    Os profissionais da Receita, que merecem o maior crédito, apesar da laranja podre que havia por lá, estão loucos para que um promotor corajoso queira saber o que se passou.
    Reproduzo, aqui, em PDF, a resposta integral da Receita, desde já agradecendo a corrigenda na numeração do artigo do Código Penal que trata da supressão de documento público. O número correto é 305, mas o crime é o mesmo.
    Dilma suspenderá anúncios da Globo? 25/07/2013 |Altamiro BorgesBlog do Miro
    Pela legislação em vigor no Brasil, empresas que sonegam impostos não podem receber dinheiro público. Elas praticam crime fiscal, prejudicando os investimentos na educação, saúde, transporte e outros serviços. Neste item, a publicidade oficial dos órgãos do governo e das estatais pode ser encarada como um tipo de subsídio. A TV Globo, que abocanhou mais de R$ 500 milhões em anúncios em 2012, foi denunciada pela blogosfera – a partir de Miguel do Rosário, do blog Cafezinho – por ter sonegado milhões em impostos. Até hoje, a poderosa emissora não mostrou o Darf, o comprovante do pagamento. Fica, então, a pergunta: o governo Dilma suspenderá a publicidade na Rede Globo?
    Nesta semana, os jornalistas Amaury Ribeiro Jr., autor do best-seller “A privataria tucana”, e Rodrigo Lopes garantiram no jornal mineiro “Hoje em Dia” que o império global ainda não saldou sua dívida com a Receita Federal e deram um furo jornalístico: “A Globopar, empresa ligada à TV Globo, está com parte das suas contas bancárias e bens bloqueados, devido a uma dívida ativa de R$ 178 milhões com o Tesouro Nacional. De acordo com documentos conseguidos pelo Hoje em Dia na Justiça Federal do Rio de Janeiro, a dívida inscrita no cadastro de inadimplentes foi originada por várias sonegações de impostos federais”.
    Ainda segundo os jornalistas, “por solicitação da Procuradoria da Fazenda Nacional do Rio de Janeiro, as contas bancárias da Infoglobo e a da empresa Globo LTDA também chegaram a ser bloqueadas. Mas os irmãos Marinho – Roberto Irineu, José Roberto e João Roberto – conseguiram autorização da Justiça para liberar o bens dessas duas últimas empresas no mês passado, na 26ª Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro…
    A dívida da Globopar, no entanto, já está inscrita no cadastro de inadimplentes do Tesouro Nacional, em fase de execução. Na semana passada, a Globo conseguiu adiar a entrega de seu patrimônio ao tesouro até que o processo transite em julgado”.
    O jornal “Hoje em Dia” também teve acesso ao processo que apurou o sumiço do inquérito de sonegação das Organizações Globo na compra dos direitos da transmissão da Copa de 2002. “Um documento enviado pela Receita à Justiça em 2010 comprova, ao contrário do que a emissora divulgou, que a dívida de R$ 600 milhões nunca foi paga.
    A papelada comprova ainda que o Ministério Público Federal ao ser avisado sobre operações de lavagem de dinheiro entre a Globo e a Fifa nas Ilhas Virgens Britânicas prevaricou muito… Um inquérito criminal contra os irmãos Marinho chegou a ser instaurado, mas também sumiu das dependências da Receita Federal”.
    Por último, a reportagem de Amaury Ribeiro Jr. e Rodrigo Lopes informa que “nos últimos dois anos, a empresa foi notificada 776 vezes pela Receita Federal por sonegação fiscal… A maior parte dessas autuações envolve a apreensão de equipamentos, sem o recolhimento de impostos, no aeroporto do Galeão, no Rio De Janeiro. Para um bom entendedor a Globopar é uma empresa contumaz na prática do descaminho”.
    Diante destes fatos escabrosos, os dois jornalistas ironizam: “O ministério da Comunicação do governo Dilma Rousseff e os demais governantes desatentos liberaram verba para empresa inadimplente com a União, o que constitui ato de improbidade administrativa”.
    Novamente a pergunta que não quer calar: a presidenta Dilma Rousseff continuará autorizando os bilionários anúncios publicitários numa empresa que sonega impostos e que já foi notificada 776 pela Receita Federal? Os senadores e deputados não cobrarão uma resposta do governo? Os manifestantes que ocupam as ruas nas últimas semanas não exigirão o fim deste incentivo à sonegação fiscal e à corrução? A mídia “privada” continuará com seu pacto mafioso de silêncio? Tantas perguntas e tão poucas respostas!

  • Pesquisa: poucos foram às ruas, 89% aprovaram

    Pesquisa CNI-Ibope divulgada hoje constatou que 89% da população é a favor dos protestos nas ruas. Metade dos entrevistados disseram apoiar, outros 39% fizeram espontaneamente a ressalva: desde que sem vandalismo.
    Apesar do apoio às manifestações, 84% não participaram, nem ninguém da sua casa. Só 6% disseram ter participado, outros 6% disseram que alguém da sua casa participou, e apenas 3% disseram ter participado com mais alguém de casa.
    A avaliação das pessoas sobre as respostas dadas pelos Poderes Executivo e Legislativo foi negativa. As medidas tomadas pela presidenta Dilma Rousseff foram totalmente desaprovadas por 31% dos entrevistados. No caso dos governos estaduais e municipais, a desaprovação total foi 32% e 31% respectivamente.
    Apesar da criação de uma agenda para votar projetos relacionados à saúde, educação, ao transporte e à segurança, a pior avaliação foi a do Congresso Nacional, com 37% dos entrevistados dizendo que desaprovam totalmente as medidas tomadas pelo Senado e 39% fazendo avaliação das medidas tomadas pela Câmara dos Deputados.
    Quando perguntados sobre o principal motivo que os faria participar de novas manifestações, 43% dos entrevistados disseram que iriam às ruas por mais investimentos em saúde. O combate à corrupção e a falta de segurança foram apontados por 35% e 20% dos entrevistados respectivamente. A redução da inflação e melhorias nos serviços públicos em geral seriam fatores de motivação para 16% e 14% dos entrevistados na pesquisa.
    A Pesquisa CNI-Ibope foi realizada entre os dias 9 e 12 de julho com eleitores a partir dos 16 anos e tem margem de erro de 2% para mais ou para menos. Foram feitas 2 mil entrevistas com amostragem nacional e mais 5.686 em 11 estados.
    (Com informações da Agência Brasil)

  • Quem são os vândalos? (2)

    Um agente da Polícia Militar foi identificado em vídeos divulgados na internet, atirando um coquetel molotov.
    Esta é a primeira pista que a Comissão Especial criada pelo governo do Rio de Janeiro vai investigar para descobrir quem são os grupos que aproveitam as manifestações populares parar promover depredações.
    A Polícia Militar reconheceu que tem homens infiltrados entre os manifestantes, mas que eles estão lá para identificar os agressores. As imagens no entanto são convincentes.
    Uma perícia nas gravações vai esclarecer se o homem que aparece nos vídeos arremessando a bomba caseira é o mesmo que depois conversa com os policiais numa barreira e é liberado por eles.
    O outro caminho das investigações ainda é incerto.
    Sob pressão, o governador Sérgio Cabral baixou um decreto dando 24 horas para as operadoras de telefonia e provedoras da internet para fornecer os dados dos manifestantes presos. Um dia depois, o governador reconheceu que isso implicava numa de sigilo, que só a Justiça pode autorizar. Cabral recuou, ampliou o prazo para que as empresas tenham autorização judicial para fornecer as informações que a Comissão de Investigação quer.

  • Fabricantes de máquinas estão rindo à toa

    Como de costume, o almoço de lançamento da 36ª Expointer no Restaurante Galpão Crioulo de Porto Alegre, nesta quarta-feira (24/7), foi marcado por discursos otimistas, mas nenhum foi capaz de superar o de Claudio Bier, presidente do Sindicato da Indústria de Máquinas do Estado (Simers), um dos patrocinadores do evento mais tradicional do agronegócio gaúcho.
    “Para este ano estamos prevendo vendas de 2,5 bilhões de reais”, disse Bier, dirigindo-se ao governador Tarso Genro, que encaminha a privatização do Parque de Exposições de Esteio, local da Expointer. O otimismo bilionário do Simers baseia-se na supersafra de 2012/13, que forrou o poncho da maioria dos agricultores. (GH)