Para proteger as quatro entradas do hospital e fazer a ronda, são apenas três guardas armados. Faltam funcionários em quase todos os setores. Este é o cenário desolador descrito pelo auxiliar de enfermagem Everaldo Nunes da Silva, presidente da Associação dos Servidores do Hospital de Pronto Socorro.
Everaldo é funcionário concursado do HPS e trabalha na emergência desde 1998. No setor, as obras já foram concluídas. A nova emergência está pronta, mas os problemas não acabaram. A reforma foi feita, mas o local não recebeu climatização. “Só tem ar frio. No inverno é um problema pois muitas vezes os pacientes precisam tirar a roupa e a temperatura é inadequada”, afrma Everaldo, que reclama ainda que o setor funcionou normalmente durante as obras, sem o isolamento adequado: “Atendíamos os pacientes em meio à poeira e ao cheiro de cola.”
Segundo a associação, faltam 141 técnicos em enfermagem e 33 enfermeiros. Além disso, há 49 funcionários esperando a aposentadoria. “Tem concurso válido, por que não chamam os aprovados?”
Em março, um homem armado entrou no hospital e tentou matar um paciente que estava internado. O caso trouxe à tona questão da segurança no HPS. “Nos primeiros dias uma viatura da Guarda Municipal fez a ronda, mas logo desapareceram”, conta Everaldo. Outra solicitação dos funcionários foi a instalação de detector de metais nas entradas, mas foi colocado apenas um detector para bagagens. Ou seja, se alguém tentar entrar com uma arma junto ao corpo, não terá grandes dificuldades.
A reportagem do JÁ Bom Fim ingressou no local facilmente, nem mesmo a mochila do nosso repórter precisou passar pelo detector.
No dia 13 de junho, a entidade encaminhou um documento ao secretário municipal de saúde, Fernando Ritter, apontando as carências. No fim do mês, os funcionários foram recebidos pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal, mas pouco se avançou.
Por que as obras do HPS não acabam? Talvez fosse esta a principal pergunta a se fazer à direção do Hospital e à Secretaria de Saúde. Uma das reclamações do representante dos funcionários é justamente a falta de acesso à direção do hospital. “Antes nós tínhamos acesso à direção do hospital, hoje não conseguimos passar da porta. Não tem diálogo”, protesta Everaldo Nunes.
A reportagem tentou contato mais de uma vez, mas a diretora Elizabeth Collares não fala com a imprensa. Segundo ela, todas as informações referentes ao hospital devem ser colhidas junto à assessoria de imprensa da Secretaria Municipal da Saúde.
Na assessoria, após uma semana de tentativas, fomos informados que a diretora não fala nem com a assessoria. As perguntas que foram enviadas à Secretaria, até o fechamento desta edição, não haviam sido respondidas.

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