Instituto aponta lentidão nas obras de saneamento do PAC

O instituto Trata Brasil diz que só 4% das melhorias previstas foram concluídas, sendo a burocracia, projetos mal feitos e decisões judiciais os maiores entraves para a execução das obras.
O setor de saneamento no Brasil passa por uma situação, no mínimo, curiosa. “Nas décadas de 80 e 90 faltavam recursos para melhorias nos sistemas de esgotamento e drenagem. Hoje sobra dinheiro, mas entraves burocráticos e jurídicos impedem que o mesmo seja usado para a realização das obras”. A afirmativa é do Presidente do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos.
Segundo Édison Carlos, o Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) prevê um gasto de R$ 270 bilhões para alcançar a universalização dos serviços de água e esgoto no Brasil até 2030. “O problema é que no ritmo em que as coisas estão acontecendo, só alcançaremos este sonho em 2060, principalmente porque o setor de drenagem está pouco contemplado”, alerta.
Com um Produto Interno Bruto (PIB) nominal de aproximadamente US$ 1,8 trilhão, o Brasil já é a oitava maior economia do mundo, segundo a agência Bloomberg. Mas, ironicamente, o País ocupa a 67ª posição no ranking mundial de países com acesso a esgoto, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU).
A lista inclui 177 países pesquisados em todo o mundo, em 2008. Dados do Ministério das Cidades dão conta de que menos de 44% da população brasileira está ligada a uma rede de coleta de esgoto e somente um terço do esgoto coletado é tratado. Isto nos deixa abaixo de países como Etiópia, Nigéria e Sudão.
Ainda segundo o Instituto Trata Brasil, as maiores cidades brasileiras produzem, em média, cinco bilhões de litros de esgoto por dia. O resultado disto são 462 mil pacientes internados em hospitais, vítimas de alguma doença proveniente do contato com estes resíduos.
O alerta do instituto ocorreu durante o 26º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, que foi realizado no Centro de Eventos da FIERGS.  Cerca de cinco mil pessoas estiveram na capital gaúcha, de 25 a 29 de setembro. Tendo como tema principal o “Saneamento Ambiental: a excelência da gestão como caminho para a universalização”, durante cinco dias, profissionais e técnicos do setor participaram de mais de 20 painéis, reuniões de diálogo setorial, mesas redondas e seminários.

Comentários

Deixe uma resposta