Uma das mais vultuosas e importantes obras da história de Porto Alegre, hoje convertida em retrato do descaso com o patrimônio público, o Viaduto Otávio Rocha completa 84 anos.
O aniversário do famoso viaduto, que teve sua construção concluída em 1932, será celebrado em um evento que reunirá teatro, fotografia, feira e performances ao longo de todo o dia, neste domingo, 11, a partir das 10h, por iniciativa da associação dos comerciantes locais e do movimento Amigos do Viaduto.
O organizadores do evento almejam aproximar moradores do entorno, bem como a população em geral, para utilizar este espaço público e, através da convivência, buscar soluções conjuntas com os órgãos públicos responsáveis pelas questões sociais, segurança e saúde pública. Constatam que hoje os vizinhos sentem-se inseguros de transitar por ali.
Sucessão de descuidos
O passeio de pedras portuguesas sob o imponente monumento foi remendado às vésperas da Copa 2014, mas desde então o local está descuidado, precisando de reforma. Mas o problema mais premente é que as calçadas sob o viaduto se converteram em um condomínio a céu aberto de moradores de rua, o que expõe em pleno centro da cidade o problema habitacional e demanda atuação da assistência social. Porém, recentemente o prefeito José Fortunati afirmou que o viaduto é caso de polícia, pois há no local narcotráfico.
Há mais de dez anos, os comerciantes e moradores do entorno tentam viabilizar a revitalização do viaduto. Porém, até hoje, não se conseguiu recursos para tirá-lo do papel. O projeto foi concluído em agosto de 2015 e custou R$ 400 mil. O custo estimado da obra é de R$ 33 milhões.
Em novembro deste ano, Adacir José Flores, presidente da Arccov (Associação Representativa e Cultural dos Comerciantes do Viaduto Otávio Rocha) falou na Tribuna Popular da Câmara de Vereadores. Flores defendeu a formalização de uma parceria com a Prefeitura, para que a associação possa buscar os recursos através de leis de incentivo. “Queremos deixar um legado para a área social, política e humana de Porto Alegre”, completou Flores, que classificou o viaduto como patrimônio cultural da cidade.
Para o presidente da Arccov, a situação atual do Viaduto Otávio Rocha é crítica: “É necessária uma solução humana para os moradores em situação de rua que lá se encontram, a fim de emancipá-los”, destacou.

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