A imprensa, como ela diz que é

P.C. de Lester
Num anúncio da página inteira da Zero Hora li o seguinte: “Sociedade melhor precisa de jornalismo livre”. Concordei e pensei: olhaí, algo está mudando.
Meu otimismo durou o tempo de virar a página.
No mesmo espaço, na página ímpar, com o mesmo grafismo e letra cursiva, o texto começava assim: “Há pouco tempo, nossa luta foi contra a censura”.
Epa! Quando foi que a Zero  Hora lutou contra a censura? No governo Lula? No governo Dilma? Ou no tempo da ditadura? Que ditadura?
Se for a de 1964, me perdoem. Os relatórios do SNI da época estão disponíveis.
A postura pessoal de Maurício Sirotski Sobrinho é uma coisa. Ele sempre foi claro na sua  inconformidade com a censura e, mesmo sob ameaças,  deu guarida a  muitos jornalista perseguidos, sou testemunha. Mas a linha de seu jornal sempre foi pragmática, governista.
A tal ponto que seu editor chefe, no momento da censura mais braba,  tornou-se porta voz da presidência, no governo Médici. E, depois de cumprida a missão, retornou ao posto.
Carlos Fehlberg  foi um dos mais importantes jornalistas que o Rio Grande produziu. Repórter político inigualável, editor sensibilíssimo. A ponto de fazer um jornal competente sem afrontar a orientação oficialista da empresa.
A Zero Hora, sem  duvida, tem grandes serviços prestados ao Rio Grande do Sul e ao Brasil.
Agora, dizer que lutou contra a censura… Tenha dó.  Aos 53 anos, fica feio.

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