A privatização da Carris

O prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Junior, tem repetido que se a Companhia Carris, a empresa municipal de transporte coletivo, continuar dando prejuízo, vai ser privatizada.
Ainda não tinha dado prazo. Mas, na sua última manifestação, num vídeo que gravou para verberar a greve geral, chegou a dizer que “se até o fim do ano” não houver uma mudança nos rumos da empresa, ela será vendida.
A Carris, empresa centenária do transporte público em Porto Alegre, já foi um caso exemplar no Brasil, merecendo inclusive prêmios internacionais. Desde 2011, por razões que nunca ficaram claras, vem operando no vermelho. No ano passado deu um prejuízo de R$ 50 milhões.
É correta a preocupação do prefeito. Mas antes de pensar em desfazer-se dela, deveria mostrar à população, aos contribuintes que pagam a conta, o que vem acontecendo com a empresa de históricos serviços prestados à cidade.
Ele mesmo nomeou em março um novo presidente, um jovem com espírito empreendedor, selecionado pelo Banco de Talentos que sua gestão adotou para escolher os assessores mais qualificados.
O novo presidente, que assumiu com um discurso animado, renunciou ao cargo menos de um mês depois, alegando “motivos pessoais”. Motivos pessoais que não o impediram de continuar na diretoria da empresa.
A nova presidente, também extraída do Banco de Talentos, tomou posse há menos de um mês. Só há poucos dias compareceu à Câmara Municipal para falar de seus planos e quase nada disse, além do pouco que já se sabe.
Restam sete meses para o fim do ano. Será possível reverter a situação da empresa em tão pouco tempo? Ou o prefeito quer mesmo é privatizar e só está procurando um pretexto?
 
 
 

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