Ás 10h da manhã o impeachment estava aprovado na Gaúcha

P.C. de Lester
Às 9h43 deste domingo histórico, os ouvintes da Rádio Gaúcha podiam ter certeza que o impeachment da presidente Dilma Rousseff seria aprovado na votação da tarde.
Desde o início da cobertura especial, às 9h04 a emissora, que é cabeça da maior rede de rádio na região Sul, com alcance no país inteiro, dava garantias aos seus ouvintes que “o governo perdera a confiança dos deputados” e isso explicava o “cenário desfavorável” que seus repórteres observavam nos bastidores do Congresso.
Uma campanha intensa, que incluía inclusive comissões da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e federações de empresários, captavam os últimos votos a favor do impedimento da presidente.
Até a ausência dos deputados governistas era interpretada como um sinal da derrota. “Realmente só chegaram até agora os defensores do impeachment. Talvez por estar tranquilos já estão chegando, enquanto os adversários estão ainda trabalhando votos”.
“O que se diz aqui é que eles já tem 368 votos”, informou a repórter.
E a comentarista postada na entrada do Salão Verde, completou: “A oposição chega mesmo ao dia decisivo em vantagem. O trabalho nas regiões foi intenso; na Bahia, por exemplo foi importantíssimo revertendo votos…”. Em seguida, quase sem transição: “Se aprovado aqui na Câmara, é quase impossível que o Senado não acolha”.
Então foi chamado um especialista em Direito Constitucional para “ajudar os ouvintes da Gaúcha a entender os próximos passos”.
Quando o sinal deu 10 horas, o deputado Mauro Pereira, do PMDB, falava em “varrer esse governo para o bem do Brasil” e, aproveitava para tentar defender Eduardo Cunha.
Os números que o governo divulgara na madrugada anterior, de que teria 200 votos para barrar o impeachment, não foram sequer lembrados.

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