Botar os pingos nos ii

Pinheiro do Vale 
É preciso botar os pingos nos ii. A deputada federal Erika Kokay (PT/DF) fez um discurso na Câmara dos Deputados para desmascarar a banda de música da direita que não se cansa de bater na nota do desemprego culpando a presidente deposta Dilma Rousseff.
Erika abriu os olhos dos desavisados: Desde a queda de Dilma o número de desempregados subiu de 11.800 milhões (em números redondos) para 12 milhões.
Com muita clareza Erika demonstrou que esses novos 200 mil já vêm na conta do Michel Temer e que esses é que são as bolas da vez. Então que parem de culpar a Dilma e tratem de seus desempregados.
Aqueles 11 milhões e tantos antigos já passaram e, enfatiza a deputada, tem aí muita culpa do Fernando Henrique Cardoso que deixou uma herança maldita para trás e que veio explodir no colo da Dilma.
Nesta semana a tropa de choque da esquerda vai tentar reverter o resultado da votação da PEC 241, a chamada PEC da morte, que limita os gastos do governo federal.
Esta é uma medida deletéria, pois tampa a outra ponta da Lei de Responsabilidade Fiscal, um mecanismo, como se viu, que se constituiu numa verdadeira casca de banana para os governos populares.
A Lei de Responsabilidade Fiscal foi uma criação dos tucanos no apagar das luzes do governo FHC para algemar os punhos do então inevitável governo Lula, que se aproximava como um vendaval para desmantelar o reinado do PSDB/PMDB que vinha desde o governo Sarney.
Essa amarra não conseguiu conter o ímpeto dos governos petistas, obrigando a direita e aplicar um golpe parlamentar para destituir a presidente Dilma.
Com a nova PEC, a direita amarra o orçamento com uma maneia, imobilizando os pés do governo para realizar seus programas sociais. Ou seja: os programas dos governos daqui por diante não podem mais fazer gastos acima da arrecadação.
Quer dizer: as verbas públicas têm de ficar no limite da receita. Como se sabe, os governos desde sempre financiaram seus déficits captando dinheiro no mercado financeiro. Melhor dizendo: pega o dinheiro dos ricos para aplicar no serviço público.
Melhor que uma emenda constitucional obrigando o governo a ficar dentro de limites seria aplicar pesadas tarifas e tributos aos aplicadores do mercado financeiro e um corte radical das taxas de juros como acontece no Japão e, inclusive, nos Estados Unidos. Como se sabe, os países ricos se financiam a juros negativos.
Não adianta dizer que se cortasse os juros e tributasse pesadamente a especulação em torno das demandas do setor público afugentaria os investidores. Como se sabe, os maiores financiadores dos governos são os fundos de aposentadoria das empresas estatais, instituições indiretamente controladas pelo Executivo.
Em vez de pagar os tubos pelos empréstimos dos chamados fundos de pensão, os governos poderiam obrigar essas empresas de direito público (são fundações submetidas ao Tribunal de Contas) a ganhar menos.
Puxando as rédeas dos fundos de funcionários das estatais, o governo não teria dificuldades para dar uma cacetada nos rentistas como um todo, pegando no bolso as parasitas na nação que se aproveitam dessa ciranda fundos/governo/fundos para encher os bolsos.
No entanto, essa questão da previdência privada dos empregados públicos ainda não está bem, digerida, pois aí está um dos principais obstáculos para reformas da Previdência.
É nisso que o governo Temer está tentando, sorrateiramente, pegar a esquerda, pois essa amarra orçamentária vai esgoelar as fundações das estatais, que serão obrigadas a cortar as aposentadorias complementares de seus segurados e restringir seus investimentos na economia. São insondáveis os caminhos que a direita trilha para sufocar os trabalhadores.
Com tais artimanhas a PEC da morte vai tirar o pão da boca dos pobres, os filhos do povo da escola, o remédio da cabeceira dos enfermos. É contra isto que as bancadas da oposição se levantam.
Suas possibilidades de êxito são reais, podendo derrubar aquele resultado do primeiro turno, na Câmara Federal, quando a PEC da morte foi aprovada por 366 votos da direita contra 111 da esquerda e duas abstenções.
Usando as mesmas táticas parlamentares do tempo do impeachment, a oposição obstruiu o quanto pode a votação com êxito reconhecido pela senadora Ana Amélia (PP/RS), que fez um discurso chamando a direita à razão e à disciplina, elogiando êxito da bancada antagonista. Ela queria dizer a seus correligionários da Câmara que se não levarem a sério a presença no plenário, a PEC cai na semana que vem no segundo turno.
Abram-se os olhos. Ana Amélia é uma jornalista experiente e uma parlamentar influente na direita. Deve saber o que está falando. Quem viver, verá.

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