Braskem: as perguntas que não calam

Geraldo Hasse
Já que está em curso uma devassa sobre executivos, parceiros e sócios da Petrobras,  bem que o Ministério Público poderia investigar como, em poucos anos, o onipresente grupo Odebrecht colocou no topo da petroquímica brasileira sua subsidiária Braskem, cujo nome, aliás, foi criado para sinalizar suas pretensões internacionais.
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), que diz amém a quase tudo, poderia ajudar explicando porque avalizou a concentração da petroquímica em uma única empresa.
Não se discute a competência técnica do grupo econômico baiano, mas para todos os efeitos (econômicos, históricos e políticos) seria conveniente esclarecer:
A – Como a Braskem conseguiu assumir o controle da central petroquímica de Triunfo, implantada em 1980 no Rio Grande do Sul pela Petrobras, o grupo Ipiranga e alguns sócios menores, com ajuda do BNDES?
A Braskem havia entrado na Copesul por último, como minoritária, depois de ter-se agigantado ao assumir o controle da central de Camaçari na Bahia (também implantada pela Petrobras) e de tornar-se hegemônica na Petroquímica União, fundada em Capuava (Santo André, SP) pelas famílias Geyer e Soares Sampaio.
Em 2007, correu um boato de que a Braskem “ganhou” a Copesul em retribuição a doações às campanhas do presidente Lula. O fato é que a minoritária Braskem, com 27% das ações, assumiu o controle da Copesul ao comprar os 27% da Ipiranga por US$ 4 bilhões.
A Petrobras ficou com 18%, o que sugere uma nova indagação:
B – Por que a Petrobras abriu mão do controle desse segmento estratégico da indústria brasileira, dando origem a um monopólio nacional privado?
E a pergunta que não pode ser sufocada:
C – Até que ponto a corrupção sistêmica descoberta pela Operação Lava Jato no âmbito da Petrobras atuou para transformar o braço petroquímico da empreiteira Odebrecht em “global player” dos negócios petroquímicos?
Todas essas perguntas fazem sentido, já que está bastante difundida na opinião pública brasileira a noção de que o país está sendo submetido a um processo deliberado de internacionalização de sua economia graças a um entreguismo sem freios em setores estratégicos como a construção pesada, a indústria naval, os segmentos de insumos agropecuários, o transporte aéreo, as telecomunicações e outros como especialmente o setor de petróleo-petroquímica.
Daí emanam novas e inquietantes questões:
1 – Até que ponto a Braskem representa de fato o poder empresarial privado brasileiro num setor historicamente disputado por multinacionais como Basf, Dow Chemical, Imperial Chemical Industries, Rhodia, Shell, Standard Oil e Union Carbide, entre outras?
2 – Com a recente fragilização do grupo Odebrecht após as escabrosas revelações da Lava Jato, a Braskem se manterá de pé ou precisará negociar seus ativos em Camaçari, Capuava e Triunfo? Há candidatos à compra dessas centrais?
3 – Ou será que, colocada a ferver na bacia das almas, a Odebrecht venderá ativos no exterior para tentar manter-se na posse de sua trinca de centrais petroquímicas no Brasil?
LEMBRETE DE OCASIÃO
“O lobby é um iceberg com apenas 1% à mostra. Na verdade é um governo invisível”
Millor Fernandes
 

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