Chimba

Nos despedimos hoje de uma das mais carismáticas figuras que já passaram pelas redações em Porto Alegre: Ademir Fontoura, o Chimba, que morreu aos 71 anos. Foi como ele pediu, com muito samba e pouco choro.
Foi numa roda de samba que o conheci, no Beco do Salso, no Partenon, a priscas eras.   .
Ele teria 15 anos, namorava minha prima Santa.  Mas, quando o samba pegava, o que ele queria mesmo era ficar na volta, de olho mas mãos do Valtinho, mestre do pandeiro, com quem aprendeu a arte.
Nessa época, empregou-se como tipógrafo aprendiz na Livraria do Globo, dominou rapidamente o ofício e passou a  diagramador.
Foi parar na redação da Zero Hora, num momento muito especial da evolução do jornal. Pelo seu humor, seu carisma e sua simplicidade tornou-se uma referência.
Viveu integralmente um período romântico, em que uma redação aguerrida e plural  afirmou o jornal, desbancando a hegemonia conservadora do Correio do Povo e da Caldas Junior. Uma história a ser contada.
Um dos marcos desse período eram os sábados no Porta Larga, um bar-mercearia que nunca fechava, ao lado do jornal. Morando em São Paulo, era lá que eu tinha contato com o jornalismo de Porto Alegre.
João Aveline, Luiz Pilla Vares, Danilo Ucha, Juarez Fonseca, José Antonio Ribeiro, o Gaguinho, Melchiades Stricker, Glênio Peres, Wanderley  Soares, Sérgio Quintana, Anilson Souza, Moisés Mendes,Luiz Fonseca, Jorjão… e o Chimba, obviamente.
São nomes que lembro, além das fotos que guardo de uma memorável tarde em que apareceu ninguém menos do que Paulinho da Viola. (O Chimba aparece atrás com a camisa aberta e o pandeiro esperando enquanto o Gaguinho e Paulinho da Viola afinam os instrumentos).

Chimba foi um dos  testemunhos-chave desse período que se apagou tragado por tempos burocráticos, uniformizadores, oficiosos, faltos de alegria genuína.
Se tivéssemos noção de história, alguém teria gravado suas memórias.
 
 

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