ELMAR BONES/ Plano Municipal de Comunicação, prioridade esquecida

O principal sintoma da crise que vivemos na comunicação é ausência completa do tema na campanha  eleitoral municipal.

Se um marciano tentasse identificar os principais problemas da cidade a partir das propostas dos candidatos, diria não há problema na área da comunicação entre nós.

No entanto, depois do covid e da crise econômica que vem no rastro dele, talvez a questão mais urgente para a democracia em todo o país seja a pandemia de desinformação e sub-informação que assola o país.

Digo “talvez” porque  ela é encoberta, dela não se fala ou quando se fala é para reduzir tudo aos impactos da tecnologia digital com a disseminação das redes sociais.

Nem se fale das fake news, que é outra praga. É o sistema de produção e difusão de informações, dominado por meia dúzia de grupos empresariais que, por sua própria natureza, não atende as demandas por informações na sociedade que, apesar de tudo, se democratiza.

De um lado, há uma carga acachapante de informações superficiais, não verificadas e descontextualizadas, muitas vezes manipuladas, gerando o fenômeno da desinformação. De outro, a falta de dados essenciais para a iniciativa da cidadania, a sub-informação.

Principalmente a retomada dos pequenos negócios, da renda e dos empregos vai demandar uma informação que não está disponível no sistema dominante, voltado para os grandes interesses, para as decisões macro-econômicas, para  a crônica do poder.

Nesse período crítico que vem aí a informação essencial será a informação local, a que permite cada comunidade identificar suas necessidades imediatas e articular seus interesses, percebendo a retomada como um problema de todos.

A falta dessa percepção pelos candidatos a prefeito e a vereador diz algo da gravidade do problema da comunicação, Porto Alegre em especial.

No entanto, ninguém cogita de um Plano Municipal de Comunicação , que deveria ser prioridade de qualquer candidato comprometido  com a democracia participativa.

Não só mostrar o que prefeitura está fazendo. Estimular a diversidade de canais e veículos para dar voz ao local,  ouvir a comunidade, relatar as experiências,  destacar as iniciativas , envolver a cidadania.

Não é uma campanha publicitária. Não é uma assessoria de imprensa. É uma política de comunicação,  de estimulo a meios independentes  para  produção e difusão permanente de informações de interesse local.  Com canais de mão dupla  para aferir a compatibilide das políticas públicas com as prioridades ou os anseios das comunidades.

Na hora em que as grandes empresas estão cortando cargos e salários e que o desemprego chega a níveis sem precedentes entre os jornalistas e comunicadores, um plano desses seria oportuno também por esse aspecto.

 

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