JOSÉ BELTRAME CUSCO / A cada paciente, uma concentração diferente de oxigênio

Agora que POA é a nova Manaus, um amigo preocupado me pergunta como é isso de faltar oxigênio, se “o oxigênio está no ar”. Talvez mais gente tenha esta dúvida. No ar ambiente, este que estamos respirando agora mesmo, há APENAS 21% de oxigênio. Cerca de 78% do ar é nitrogênio e 1% é uma mistura de vários outros gases, e estes entram e saem dos pulmões sem trazer nem bem nem mal.
Quando se fala em oxigênio medicinal, falamos de cilindros (chamados de “torpedos”) ou grandes depósitos contendo oxigênio a 100%, que para ser obtido precisa do trabalho das usinas concentradoras, num processo que tem custos.
Para uma pessoa saudável, o ar ambiente, com seus 21% de oxigênio, é perfeitamente suficiente. Mas para alguém com o sistema respiratório severamente comprometido (por asma, ou pela doença obstrutiva que acomete fumantes, ou por pneumonia, entre outros problemas), NÃO.
Para estes é preciso aumentar a concentração de oxigênio, para obter a oxigenação do sangue, que é o que realmente importa, e que pode ser medida indiretamente por oxímetros, aquele aparelho aderido a um dedo e que mede a saturação da hemoglobina ou diretamente através de um exame laboratorial com sangue, a gasometria arterial. Para isto usamos (através de cateter nasal, ou máscara facial, ou entubação), misturas de ar comprimido e oxigênio em diversas proporções, como 30, 40, 50% e assim por diante.
Pacientes com covid grave podem necessitar de oxigênio a 100% (!) e ainda assim isso não ser suficiente para oxigenar o sangue… Isto custa caro, e os estoques dos “torpedos” podem acabar… Mas penso que aqui não corremos o risco de sofrer aquela tragédia que aconteceu no Amazonas. Creio que não chegaremos a este ponto.
José Beltrame Cusco é médico do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

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