Outro Mourão

ELMAR BONES
O primeiro Mourão, o general Olympio Mourão Filho, morreu acreditando que foi o verdadeiro mentor e o construtor da “revolução de 1964”.
De fato, ele foi um dos primeiros chefes a se envolver na conspiração, em 1962, quando comandava a 6ª Divisão de Infantaria, em Santa Maria.
Enquanto esteve naquele comando, Mourão, o primeiro, aliciou oficiais e, em Porto Alegre, animou empresários e jornalistas que já estavam na conjura. Afinal, ele era um general com um comando e não um comando qualquer. Santa Maria, no centro do Rio Grande do Sul, era, como até hoje, a principal base militar do Sul.
O núcleo da conspiração, no Rio de Janeiro e São Paulo, desdenhava Mourão, por voluntarioso e megalomaníaco. E o governo Goulart, informado de sua movimentação, não deu importância, era um general fanfarrão. Mourão não perdeu sequer o comando. Transferido para São Paulo, seguiu conspirando, depois para Minas de onde deflagrou o golpe, para surpresa do núcleo da conspiração.
Diz a lenda que quando ele chegou com seus soldados ao Rio, onde estava instalado o QG do golpe, era madrugada e foi recebido pelo general Costa e Silva, de cuecas, que o tranquilizou. Estava tudo sob controle, ele podia tomar uma Coca Cola e ir descansar.
Escanteado, Mourão foi um dos primeiros dissidentes do movimento de 1964. Morreu amargurado porque a censura impedia de publicar suas corrosivas memórias.
Antônio Hamilton, o atual Mourão, salvo engano, tem origem como conspirador também em Santa Maria, onde promoveu uma homenagem ao coronel Brilhante Ustra, torturador carimbado, em 2014, em grosseira afronta à presidente Dilma Roussef, constitucionalmente comandante-em-chefe das Forças Armadas do Brasil. Em todo caso, foi no Sul.
Perdeu o comando de uma tropa, ganhou o controle de um orçamento em Brasilia. E agora ressurge promovido pela maçonaria e apoiado pelos chefes maiores. Não sabemos, nós que nos informamos pela imprensa, a extensão da conspiração em que ele está metido.
É provável que ele esteja à margem do núcleo duro da conspiração e, como o primeiro Mourão, seja descartado no primeiro momento. O certo é que ele colocou o golpe militar na rua.
A ironia é que podem golpear a democracia derrubando um presidente ilegítimo como Temer e fechando um Congresso corrompido como esse comandado por Maia.
Aos democratas, talvez, reste ter que defendê-los para salvar a constituição.
A história se repete como farsa. Aí está o Brasil que não deixa o velho Marx mentir.
 

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