Razões de Dilma para recorrer à OEA

PINHEIRO DO VALE
Os dois principais líderes petistas, Luiz Inácio Lula da Silva e Aloísio Mercadante, estão tentando convencer a presidente afastada Dilma Rousseff a não chutar o balde ao chamar seus correligionários e ex-aliados às falas antes da votação final do impeachment no plenário do Senado.
Lula e Mercadante temem que, em vez de ajudar, o estrilo da presidente abra um racha no Partido dos Trabalhadores num momento muito delicado, que é a véspera das eleições. Em centenas de municípios o PT está aliado ao PMDB.
Essa aliança não pode ser rompida neste momento. Segundo estas avaliações, as bases dos dois partidos já estão em atitude suficientemente hostil entre elas para se agravar a situação.
Se o “Fora Temer” se converteu num bordão de sucesso nas redes sociais e espaços públicos, para as lideranças petistas está provocando rachadura na aliança numa hora em que o PT se apresenta como a parte mais frágil da aliança, ao contrário das eleições anteriores quando a imagem de Lula predominava e mantinha o PMDB mansinho à sombra.
A manobra aconselhada pela liderança petista é que Dilma apresente uma denúncia à Organização dos Estados Americanos, com base no Tratado de San José da Costa Rica, denunciando o golpe.
Se ela efetivamente mandar seus advogados abrirem este processo estará afrontando o Supremo Tribunal Federal, que comanda o processo de impeachment no Senado, mas que poderiam ser uma última instância para determinar a ilegalidade do golpe. Se for à OEA Dilma estará dando uma figa para os ministros do STF.
Isto pode ser perigoso, pois ainda há uma última esperança de que, na hora “H”, Ricardo Lewandowski, seu antigo aliado, possa bater o martelo de juiz e dar todo o processo golpista por acabado. Esta possibilidade não deve ser afastada, dizem muitos especialistas em Supremo: ao legitimar o processo de impeachment e assumir o comando do Senado o presidente do Supremo adquiriu a legitimidade para implodir a farsa parlamentar.
Por outro lado, se Dilma optar pela denúncia a um tribunal internacional, mesmo perdendo a boa vontade do Supremo ela estará se vacinando contra o que vêm por aí assim que ela perder o foro hiper-privilegiado de presidente da República.
Entrando na jurisdição da Justiça sem o foro presidencial, ela poderá ser chamada a responder por campanhas do passado, sem a proteção da marca de largada em 1 de janeiro de 2015, dia de sua última posse.
Ela sempre poderá, num segundo passo junto à OEA, qualificar-se como perseguida política. Isto já lhe teria sido garantido pelo secretário geral da Organização dos Estados Americanos, o uruguaio Luiz Almagro, ex-chanceler do governo do presidente Pepe Mujica. Em vez de processada criminalmente, seria exilada, fora do alcance da Interpol.
Aí está o problema, pois seria um ato a ser rejeitado pelo PT para manter a aliança eleitoral com o PMDB valendo para as eleições de outubro.
Se fosse daqui a três meses, não haveria problema. Agora é um desastre, pois a direção nacional do PMDB poderia retalhar cassando todas essas coligações, deixando o PT na chuva.
Devido a toda a manipulação da mídia e de certos pseudo-formadores de opinião pública, o PT está no pior momento eleitoral de sua história.
Não é aconselhável, pensam Lula e Mercadante, chutar o balde neste momento. É por isto que estão tentando acalmar Dilma, pedindo-lhe paciência, pois se o PT pouco lhe ajudou de janeiro de 2015 até hoje, é sua última taboa de salvação. Sem seu partido Dilma pode ser tragada pelo turbilhão político que se avizinha.
Ela também não se conforma com o resultado prático de sua bancada de defensores na comissão do Impeachment. Falando a linguagem da militância, bradando o vocábulo “golpe” (uma palavra que ofende aos demais senadores) chegaram ao fim do processo pior do que entraram:
Na admissibilidade Dilma teve 22 votos; na pronúncia caiu para 21. Gol contra. E a tendência é chegar na final com 18 votos.
Dizem as velhas raposas do Congresso: um governante que não consegue virar cinco votos não tem condições objetivas de  se manter no poder. Mais ainda com uma bancada parlamentar como a dela.
Tampouco a defesa jurídica conseguiu resultados. Perdeu no STF uma causa ganha, pois é líquido e certo que o processo de impeachment só encontra respaldo na legislação política, mas poderia ser pelo menos contrabalançado nos tribunais, criando um espaço para dúvidas.
Por fim, dizem, emerge da fumaça a figura da senadora Katia Abreu, ex-presidente da Confederação Nacional de Agricultura e ex-ministra da presidente Dilma. Pelo que ela falou na Comissão de Impeachment pode-se deduzir que as pedaladas do Banco do Brasil foram dadas para atender às suas pressões. Ela foi e continua sendo uma grande aliada da presidente afastada. Com tais amigos…
 

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