Autor: da Redação

  • O Sarau Batucas – turmas de percussão vai acontecer em dezembro no Grezz

    O Sarau Batucas – turmas de percussão vai acontecer em dezembro no Grezz

    As turmas irão apresentar os ritmos que vem aprendendo ao longo do ano, numa confraternização com o público. Os ingressos estão disponíveis na plataforma Sympla

    Sempre em atividade e em movimento, As Batucas chegam ao fim de ano com um saldo positivo em termos de material humano, aprendizado, união e fortalecimento das mulheres. São sete turmas que se desenvolveram na percussão ao longo do ano e que estarão reunidas no dia 8 de dezembro, a partir das 17h, no Grezz, para comemorar e mostrar os ritmos que trabalharam em 2024. Entre os ritmos estão samba-reggae, baião, ciranda, rock, cumbia, forró e até o maracatu, utilizando as já tradicionais sucatas das Batucas, que são latas, galões, chocalhos de tampinhas de garrafas e outras traquitanas. O Sarau Batucas – turmas de percussão será aberto ao público e os ingressos já estão disponíveis na plataforma Sympla. Após o show, as gurias vão roda sua playlist especial pra todo mundo dançar e se divertir!

    Danubio. Daniela Meine/Divulgação

    As Batucas vêm fazendo um barulho e tanto desde 2015! E não apenas por ser uma escola de música para mulheres com muitas integrantes, mas pela relevância do seu trabalho em muitos segmentos, tanto como grupo musical, quanto pelos desdobramentos nas batalhas diárias das mulheres, que ganharam visibilidade, redes de apoio e mais mãos para se juntar a tantas causas pertinentes ao fortalecimento da mulher na sociedade. As Batucas – escola idealizada por Biba Meira, uma grande baterista brasileira que galgou seu espaço num cenário dominado por homens e que hoje começa a se transformar – sempre foi mais que um espaço de aprendizado musical. Aqui a premissa é contribuir, somar, participar, transformar, aprender, crescer, empreender, brincar. Todos esses verbos são conjugados pelas integrantes e professoras desde o ano de sua criação, por um viés inclusivo e sem preconceito etário.

    Biba Meira_regentedas Batucas. Foto: Joana Berwanger/ Divulgação

    Além dos grupos de percussão, As Batucas tem as turmas de pandeiro, com Julia Pianta; o Grupo Vocal conduzido por Raquel Pianta e Madalena Rasslan, e as turmas de dança com a professora Mari Duarte.

    SARAU BATUCAS – turmas de percussão

    Dia 8 de dezembro, às 18h (abertura da casa às 17h)

    Grezz – Rua Almirante Barroso, 328

    Ingressos na plataforma Sympla:

    R$ 60,00 (inteira) e R$ 30,00 (meia-entrada)

    https://www.sympla.com.br/evento/sarau-batucas-turmas-de-percussao/2742012

    Redes das Batucas:

    https://www.instagram.com/asbatucas/

    https://www.facebook.com/asbatucas

  • A cultura, as raízes e o legado construído pelo povo negro nos 50 anos do Afro-Sul

    A cultura, as raízes e o legado construído pelo povo negro nos 50 anos do Afro-Sul

    No próximo domingo, dia 24, uma grande celebração tomará conta das ruas do Jardim Botânico. É o Bloco Afro-Sul Odomode que já estará concentrado a partir das 14h na Praça das Nações, de onde sairá em cortejo até a sede do Afro-Sul, na Av. Ipiranga. Chegando lá, apresentações, exposição, lançamentos dos projetos que fazem parte dos 50 anos e muitas delícias culinárias no Ajeum, em uma programação que exalta a cultura, as raízes e o legado construído pelo povo negro no Rio Grande do Sul. O Afro-Sul, no alto de seus 50 anos, tem motivos de sobra para celebrar com parceiros, amigos e o público em geral.

    Reminiscências – fotos Maciel Goelzer /Divulgação

    O Grupo Afro-Sul de Música e Dança, uma instituição cultural que funciona como movimento de luta e de valorização da cultura negra e do direito à livre expressão, resiste há 50 anos. Isso já seria motivo de sobra para comemorar: pela longevidade, pela qualidade de seus trabalhos apresentados e premiados ao longo dessas cinco décadas, por seu projeto educativo, que forma jovens fortalecidos e orgulhosos de sua identidade, pelo afeto que envolve o público e seus criadores: a Mestra Iara Deodoro, com o imenso legado que nos deixou, e Paulo Romeu. Mas para além de toda a sua história, o grupo preparou uma série de comemorações que se iniciam em novembro deste ano e seguem em 2025, em homenagens, atividades para adultos e crianças, criação e apresentação de um novo espetáculo e muito mais.

    Reminiscências – fotos Maciel Goelzer /Divulgação

    E a largada será no dia 24 de novembro, celebrando com as cores do Afro-Sul, muita música e dança. Em um cortejo vibrante com bateria e brincantes que percorre o bairro desde a Praça das Nações até a sede do grupo, na Av. Ipiranga. O desfile do Bloco Afro Odomode propõe as cores preto, verde, vermelho ou amarelo, representando a diversidade dos projetos do Instituto. Lá chegando, haverá diversas atrações e atividades, como a Feira de Economia Criativa, com empreendedores da economia criativa apresentando seus produtos em um mercado que une tradição e inovação; a exposição “Nossos passos, de longe pra longe”, uma viagem pelas cinco décadas do Afro-Sul com imagens que resgatam memórias afetivas; o Conversas em Roda, reflexões sobre a construção do sujeito negro a partir da arte, com histórias e vivências do Afro-Sul; apresentação de dança, com toda a energia da Cia Afro-Sul, convidando o grupo afro de Nova Prata e a E.S. Realeza; o Ajeum e as delícias da culinária servidas em um coquetel com o sabor do afeto e acolhimento; a apresentação do vídeo 50 Anos, um documentário comemorativo, seguido da entrega do troféu Afro-Sul.

    Reminiscências – fotos Maciel Goelzer/ Divulgação

    E mais: uma homenagem especial com a entrega do troféu Afro-Sul para duas personalidades da cultura afro-gaúcha, nas mãos dos lanceirinhos negros, simbolizando o legado para as gerações futuras. Em seguida, apresentação de final de ano das crianças do Projeto Cultural Nossa Identidade.

    Reminiscências – fotos Maciel Goelzer /Divulgação

    E é claro que em um espaço dessa importância, os parceiros se fazem presentes e o Grupo Show Imperadores do Samba estará lá, na batida do samba com seu grupo show Imperadores do Samba, o Mar Vermelho e Branco. E pra encerrar esta festa pujante, o show da Banda Afro-Sul, com as músicas que marcaram os 50 anos do grupo e a participação de músicos convidados que fizeram parte dessa trajetória.

    Celebração dos 50 anos do Afro-Sul

    Dia 24 de novembro, a partir das 14h

    14h – Concentração e saída do Bloco Afro-Sul Odomode / Praça das Nações

    16h – Início das atividades na sede do Afro-Sul Odomode – Av. Ipiranga, 3850

    Reminiscências – fotos Maciel Goelzer /Divulgação

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  • Exposição da obra de Danúbio Gonçalves celebra os 13 anos da Galeria Duque

    Exposição da obra de Danúbio Gonçalves celebra os 13 anos da Galeria Duque

    Danúbio Gonçalves com a filha Sandra – Acervo Galeria Duque/Divulgação

    Um ícone que faz parte da história da arte do Rio Grande do Sul também está na trajetória da Galeria Duque. Não por acaso, seu nome foi escolhido para celebrar os 13 anos do espaço de arte que tem um dos acervos mais completos do Estado. “Do Ateliê de Danúbio – Exposição em Homenagem a Danúbio Gonçalves” inaugura neste sábado, 23 de novembro, às 14h, ao lado de outras duas exposições: “Mistura”, com obras selecionadas do vasto acervo com grandes nomes da arte do Brasil e do mundo da galeria, e “Re Desenho”, uma exposição coletiva de Adriana Leiria, Daniela Meine, Suzana Albano e Tatiana Migowski. A curadoria é de Daisy Viola. As exposições ficam no espaço até 28 de fevereiro de 2025. A Galeria Duque está localizada na Rua Duque de Caxias, 649, no Centro Histórico de Porto Alegre. Entrada franca.

    Obra de Danúbio Gonçalves/Divulgação

    Danilo Gonçalves nasceu em 30 de janeiro de 1925 e faleceu e 21 de abril de 2019. Membro do Grupo de Bagé e do Clube de Gravura de Porto Alegre, Gonçalves protagonizou uma exposição histórica em 2014 na Galeria Duque, que foi finalista do Prêmio Açorianos de Artes Plásticas. Após sua morte, em maio de 2019, uma exposição na Galeria Duque com mais de cem obras homenageou o artista. Para a mostra “Do Ateliê de Danúbio” foi feito um trabalho especial para recuperar sua obra. “Esta exposição é um resgate no ateliê do artista e mestre Danúbio Gonçalves, e um gesto de amizade e carinho ao artista e sua obra, tempos depois da sua partida. São obras que ficaram esquecidas por alguns anos na sua casa ateliê. Foram resgatadas, higienizadas e restauradas para que pudéssemos realizar essa exposição. Aqui temos gravuras em diversas técnicas, desenhos e trouxemos também alguns cartazes feitos por ele de exposições e eventos. Agregamos ainda algumas matrizes e álbuns com notícias selecionadas por ele, que nos contarão um pouco da história do artista bem como da arte do Rio Grande do Sul”, destaca a curadora Daisy Gonçalves.

    Danúbio Gonçalves/Divulgação

    Mistura

    Para os admiradores de arte, vale também conferir a exposição “Mistura”, com obras do acervo. Para essa mostra, foram selecionadas obras de artistas como Alfredo Volpi, Aloysio Zaluar, João Quaglia, Iberê Camargo, Burle Marx, Rubens Gerchman, Tarsila do Amaral, Salvador Dalí, Heitor dos Prazeres, Rodrigo Pecci, Siron Franco, Frans Krajcberg, Farnese de Andrade, Flávio Scholles, Ado Malagoli, Antônio Bandeira, Aldemir Martins, Glauco Rodrigues, Di Cavalcanti, Carlos Paez Vilaró, Hercules Barsotti, Arcangelo Ianelli, Auguste Rodin, Georges Braque, entre outros.

    Danúbio Gonçalves/ Divulgação

    “Juntar e misturar, esta é a ideia, afinal é uma festa! Este nosso espaço para expor e falar de arte está completando 13 anos. Nasceu do encontro de dois amigos. O Arnaldo Buss, com seu acervo e paixão pela arte, e eu, com minhas ideias, de um dia ele ter um espaço para mostrar as preciosidades que chegavam e eram depositadas pelos cantos de sua casa. Tanto foi que um dia, o sonho se realizou, despretensiosamente fomos estabelecendo uma relação com as pessoas da cidade e seus visitantes, sem imaginar que chegaríamos até aqui”, celebra Daisy.

    Obra de Heitor dos Prazeres/ Divulgação

    Para essa festa da arte, a curadora e o galerista fizeram uma escolha afetiva. “Vamos mostrar o que temos de melhor nesta festa de aniversário, e alguns trabalhos inusitados. Cores e gestos intensos ou a delicadeza de linhas em gravuras e desenhos. Artistas dos séculos XX e XXI, que viajam por diferentes ideias e linguagens, que fazem a narrativa sensorial do que vivemos ou ainda estamos vivendo. Vamos fazer literalmente uma mistura, de gente e de histórias contadas através da arte”, descreve a curadora.

    Obra de Adriana Leiria/ Divulgação

    Re Desenho

    A celebração se completa com a exposição coletiva “Re Desenho”, que apresenta criações de Adriana Leiria, Daniela Meine, Suzana Albano e Tatiana Migowski. “Considerando o conceito de desenho como a expressão de alguém através da linha, aqui propomos ampliar esta possibilidade Em vez de linhas como consequência de gestos com um instrumento riscante sobre uma superfície, nossas artistas trabalham a linha no espaço, trazem o desenho para a tridimensionalidade. Cada uma a seu modo, com materiais diversos”, explica Daisy.

    Obra de Daniela Meine/ Divulgação

    Linhas coloridas que se enrolam em linhas de corda e arames que se moldam na mão da artista e passeiam pelo espaço, penduradas no teto ou paredes. São os caminhos coloridos da vida da Adriana Leiria. Fios de arame se emaranham em gestos livre que se revelam em garatujas espaciais da Daniela Meine, e se transformam na projeção da sua sombra na superfície da parede próxima em comunicação direta do trabalho com a luminosidade do ambiente ou uma luz artificial direcionada, com possibilidade de interação direta com o seu espectador. Já os móbiles da Tatiana Migowski também redimensionam a ideia de desenho, com linhas dos materiais de diversas origens como galhos vergados, fios e telas, além dos bordados que compõem os objetos que também desenham sombras na parede e formam outros desenhos que se movimentam no ponto de vista do trânsito do espectador no seu entorno. Por fim, o desenho da Suzana Albano acontece nos seus bordados, fios multicoloridos na superfície de tecidos que também já trazem consigo desenhos inerentes da sua própria trama. O contorno das lagartixas ou da super cobra brincam com o olho e, de alguma maneira, nos lembram que desenho pode também ser representação de formas. “É uma exposição de olhar, imaginar, e quase brincar, afinal, é a festa de aniversário deste nosso lugar mágico”, conclui Daisy Viola.

    Obra de Suzana Albano/Divulgação

    Exposições:

    “Do Ateliê de Danúbio” – Exposição em Homenagem a Danúbio Gonçalves
    “Mistura” – com obras do acervo
    “Re Desenho” – uma exposição coletiva de Adriana Leiria, Daniela Meine, Suzana Albano e Tatiana Migowski
    Local: Galeria e Espaço Cultural Duque
    Endereço: Duque de Caxias, 649 – Porto Alegre
    Vernissage: 23 de novembro, das 14h às 16h30
    Período da exposição: de 23 de novembro de 2024 a 28 de fevereiro de 2025
    Horário de funcionamento: Seg/Sex: 10h às 18h | Sáb: 10h às 17h
    Entrada Franca

  • “Pai Guaíba”, com Bataclã FC e convidados abre a programação do Porto Alegre em Cena

    “Pai Guaíba”, com Bataclã FC e convidados abre a programação do Porto Alegre em Cena

     O 31º Festival Internacional de Artes Cênicas Porto Alegre Em Cena, que conta com patrocínio premium da Petrobras começa nesta semana! Em edição especial, exclusivamente realizada com artistas gaúchos, o festival terá um momento especial no Theatro São Pedro na sexta-feira, dia 22, com apresentação de Pai Guaíba. Realizada pela Bataclã FC, o espetáculo tematiza poeticamente a relação de Porto Alegre com os cursos da água da cidade e percorre o rock, o rap e o samba gaúcho, com participações de Eliane Marques, Jéferson Tenório, Bruno Negrão e Paola Kirst vocalizando poemas próprios e de autores e autoras negros fundamentais na literatura gaúcha negra do século XX e XXI.

    A noite de sexta, dia 22, marca a abertura da programação do evento, que segue até dia 01 de dezembro de 2024 e conta com mais de 80 atividades, entre espetáculos de teatro, performances, leituras e mais de 15 atividades formativas, que visam à construção de práticas relacionadas à criação artística e à produção cultural no universo das artes cênicas.

    A edição que celebra o teatro do Rio Grande do Sul presta uma homenagem especial a Carla Vendramin, um dos grandes nomes da dança gaúcha. Artista multifacetada, docente, produtora e articuladora cultural, Carla, que nos deixou em janeiro deste ano, é a grande homenageada do festival em 2024.

    A programação completa da 31ª edição do Porto Alegre em Cena pode ser conferida no site do festival e os ingressos podem ser adquiridos no site da SYMPLA e na Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre, de terça à domingo das 12h às 20h, no andar térreo. Os ingressos custam entre R$ 20 e R$ 40 e a programação contempla também diversos espetáculos e atividades gratuitos.

    O 31° Porto Alegre em Cena – Festival Internacional de Artes Cênicas conta com o financiamento da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Com patrocínio premium da Petrobras, patrocínio master da BB Asset e patrocínio de Itaú, Panvel e Zaffari, a gestão cultural é da Primeira Fila Produções, e a realização da Prefeitura Municipal de Porto Alegre e do Ministério da Cultura, Governo Federal – União e Reconstrução.

  • Jornalista biografa vítimas da ditadura: projeto para encher um metro de estante

    Jornalista biografa vítimas da ditadura: projeto para encher um metro de estante

    GERALDO HASSE

    O bageense Nelson Rolim de Moura, que vive há quase 50 anos em Florianópolis, onde toca a sua própria Editora Insular, está engajado de corpo e alma num projeto sem precedentes na história literária brasileira: o de escrever sozinho 38 livros sobre jornalistas mortos ou desaparecidos pela ditadura de 1964-85.

    Começando em 2022, já lançou os quatro primeiros volumes com as biografias de Alberto Aleixo, Alexandre Baumgarten, Antonio Benetazzo e Carlos Alberto de Freitas, este lançado em outubro último.

    Promete para maio de 2025 o quinto — sobre Carlos Marighella. E seguirá em ordem alfabética até chegar a Vladimir Herzog, o número 36, e aos dois últimos: Walter de Souza Ribeiro e Wanio José de Mattos.

    Com exceção de Alexandre Baumgarten, vítima de uma queima de arquivo, todos os biografados eram de esquerda.

    Não são biografias focadas só na vida das pessoas; todas servem como pretexto para amplas contextualizações históricas. No caso de Alberto Aleixo, por exemplo, que foi o responsável pelo jornal Voz Operária, do PCB, o autor aproveita para juntar fragmentos da história da imprensa comunista no Brasil e no mundo.

    Antes de iniciar em 2022 essa série denominada Coleção Ponto Final*, Rolim lançou em 2015 “Não Esquecemos a DITADURA – Memórias da Violência”, livro de 360 páginas em que conta a história do período mais agitado de sua vida entre seus 18/30 anos.

    Nascido em Bagé em 1951, filho de um coronel do Exército, entrou em 69 na Faculdade de Engenharia em Porto Alegre e logo se envolveu nas lutas estudantis.

    Entusiasmado com o “Diário de Che Guevara”, emprestado por um colega da Geologia, aderiu ao PCdoB. “Vagas para os excedentes dos vestibulares” foi uma das principais reivindicações em panfletos e passeatas.

    Em 71/72, acabou respondendo pela direção do DCE após a expulsão de quatro líderes de centros acadêmicos da UFRGS.

    Em setembro de 1973, sentindo-se isolado e em perigo no Rio Grande do Sul, decidiu escapar. A pé. Quem o levou à fronteira com a Argentina foi um tio.

    “Ele me deixou na cabeceira da ponte em Uruguaiana. Pedi que ficasse na camioneta Rural Willys observando se eu chegaria ao outro lado do rio”, lembra Rolim, que temia ser pego na travessia para Paso de Los Libres.

    De trem, chegou a Buenos Aires. Pensava em ir para Santiago confraternizar com a brasileirada lá acampada quando a capital argentina começou a receber fugitivos do golpe militar com que o general Pinochet derrubou o governo de Salvador Allende, eleito em 1970.

    Acolhido por peronistas influentes, especialmente Jorge Abelardo Ramos, autor do clássico “História da Nação Latino-americana”, ficou na Argentina trabalhando em livrarias e gráficas da capital, de Tucuman e de Salta. Para todos os efeitos, era chamado de “Juan”, militante do Partido Socialista da Izquierda Nacional (PSIN).

    Assim passou a sobreviver de livros numa época de grande efervescência em Buenos Aires, a cidade que possuía mais livrarias do que no Brasil inteiro, segundo se dizia.

    Em fins de 1975, impressionado com a confusão política na Argentina, que caminhava para o golpe militar de março de 76, buscou refúgio no Uruguai, mas foi preso na entrada do país.

    Ficou vários dias vendado em cadeias de passagem, no meio de tupamaros, mas se lembra de ter entrevisto por baixo da venda as palmeiras existentes na famosa prisão de La Rambla.

    Um dia, foi embarcado num jipe militar em que viajou vendado de Montevideo a Rivera-Livramento. Soube depois que o objetivo da viagem era entregá-lo às autoridades militares brasileiras. Quem o levou foi um dos chefes do setor de informações do Uruguai.

    Por incrível que possa parecer – naquele momento já se articulava a Operação Condor –, o preso não foi recebido.. A recusa brasileira foi veemente.

    Alguns dias depois de voltar de Rivera, onde ficou trancado num caminhão-baú, Rolim foi escoltado até o aeroporto de Montevideo, onde o colocaram num avião comercial da Varig para Porto Alegre.

    Era 15 de dezembro de 1975, o da em que foi recebido efusivamente por militantes que haviam feito campanha por sua libertação. Entre eles, encontravam-se familiares, estudantes e políticos do MDB, liderados na época por Pedro Simon.

    De volta ao seu ninho estudantil, Rolim recontatou amigos e colegas de antes, mas não teve ímpeto para retomar a vida estudantil — faltavam dois anos para concluir o curso de engenharia.

    Em busca de trabalho, um dos seus bicos mais gratificantes foi no Teatro de Arena, onde cumpriu tarefas na portaria e nos bastidores de peças como Mockinpott e nas Rodas de Samba das sextas-feiras à meia noite, sob a direção de Jairo de Andrade.

    Durante o dia, o amigo Luiz Oscar Matzenbacher lhe arranjou um serviço na seção de fotocomposição do diário Zero Hora, onde ia tudo aparentemente bem até que, do sobsolo onde trabalhava, viu subir as escadas rumo à redação do jornal o delegado Pedro Seelig, que tinha contatos na direção do jornal.  E agora?

    Temendo ser ele, Nelson Rolim de Moura, o motivo da ilustre visita, abandonou seu posto e tomou o rumo de Florianópolis, onde já trabalhavam vários jornalistas saídos do Rio Grande do Sul.

    Tudo isso e muito mais está contado detalhadamente no livro “Não Esquecemos a DITADURA – Memórias da Violência” (Insular, 2015). Como suas anotações do exílio haviam caído nas mãos da polícia uruguaia, ele recorreu à memória e buscou amparo em relatos alheios para recontar acontecimentos que fazem parte da história do Brasil.

    Numa narrativa trepidante, combina fatos pessoais com informações em tom levemente panfletário de esquerda. “Esta é uma longa crônica na primeira pessoa, como quase todos os livros publicados sobre esse período…” (refere-se à ditadura militar brasileira).

    “Não queria me colocar no papel central desta história, porém esta me pareceu a forma mais simples de desenvolvê-la, até porque meu testemunho pessoal é o fio condutor em quase toda a narrativa”, orientada explicitamente por quatro faróis históricos: as revoluções socialistas de 1917 na Rússia, de 1949 na China, de 1959 em Cuba e dos anos 1970 no Chile de Allende.

    Como lanterna de popa, reconhece a Revolução Francesa de 1789, que consagrou os direitos universais do Homem. Nesse livro de memórias, escrito quando estava completando 60 anos, ele afirma ter pressa de escrever porque “o tempo está passando muito rápido”.

    EM FLORIANÓPOLIS

    Quando chegou à ilha de Santa Catarina, no final dos anos 70, Rolim começou como repórter no jornal O Estado, o mais importante diário catarinense.

    Na redação se tornou amigo do gaúcho Mário Medaglia e do catarinense Cesar Valente, que havia estudado jornalismo em Porto Alegre. Naquele momento, vários jornalistas do Rio Grande do Sul chegavam para trabalhar no Diário Catarinense na capital e no Jornal de Santa Catarina em Blumenau, ambos criados pelo grupo RBS.

    Alguns dos migrantes chegaram para dar aulas no curso de Jornalismo da incipiente UFSC.

    Além de escrever, inclusive para sucursais de jornais de fora, Rolim se matriculou no curso de História, mas não foi adiante nesse intento estudantil. Manteve na universidade a namorada Iara Germer, que se tornaria a mãe de seus quatro filhos.

    Na entrada dos anos 80, participou como sócio-fundador do  mensário nanico Afinal, que não foi além de 13 edições. “Nós mudávamos de gráfica a cada edição para evitar a apreensão do jornal”, lembra ele.

    O primeiro número foi composto pela Coojornal de Porto Alegre. O último, por uma gráfica de São José (SC), cujo dono lhe cobrou caro e o entregou à polícia.

    Na sequência, ele arranjou serviços como assessor de imprensa e trabalhou na editora da UFSC, o que lhe abriu caminho para a fundação de sua própria editora, a Insular, seu principal meio de sobrevivência a partir da década de 1990.

    Coleção “Ponto Final”

    Após o lançamento do seu livro de memórias, há nove anos, Rolim concluiu que estava na hora de desovar material acumulado ao longo de sua vida como editor de livros – a Insular tem um acervo de 1500 títulos.

    Confessa então que, ao transpor os 60 anos de vida, decidiu se desfazer de suas quatro paredes de livros, ficando somente com material sobre “os crimes da ditadura”.

    Sem um plano claramente delineado, escrevia freneticamente quando um de seus quatro netos lhe sugeriu que, em vez de fazer um catatau imensurável sobre as lutas contra a ditadura, dedicasse um livro a cada um dos seus personagens.

    Chegou assim à lista de 38 nomes.

    Ao se voluntariar como historiógrafo, não teve tempo nem recursos para colher depoimentos, atendo-se apenas ao acervo bibliográfico e à documentação disponível, além de imbuir-se da vontade de realizar o projeto, iniciado em pleno isolamento imposto pela pandemia do coronavirus.

    Entretanto, a experiência como editor de livros lhe deu amplo acesso a consultas de arquivos de jornais, obras literárias e teses acadêmicas.

    Além disso, ele tem conclusões próprias sobre a dinâmica da História. “A imprensa sempre foi a alma dos partidos e das organizações de esquerda”, escreveu na biografia de Alberto Aleixo, relembrando o nascimento do jornal A Classe Operária, lançado pelo recém-fundado PCB em 1º de maio de 1925, quando o mineiro Aleixo, nascido em Belo Horizonte em 1903, já trabalhava em jornal no Rio.

    Para produzir tantos livros em tão pouco tempo – se lançar dois livros por ano, terminará sua tarefa dentro dos próximos 16 anos –, Rolim dorme cedo e acorda antes das 4h da manhã para escrever.

    No início do horário comercial matutino vai para a Insular, empresa familiar onde se ocupa sobretudo de pesquisas para sua obra histórico-literária,

    A  rotina da editora está aos cuidados de dois eficientes funcionários: o filho Daniel e a secretária Renata.

    *A LISTA DE BIOGRAFIAS DA COLEÇÃO PONTO FINAL:

    -Alberto Aleixo

    -Alexandre Von Baumgarten

    -Antonio Benetazzo

    -Carlos Alberto de Freitas

    -Carlos Marighella

    -Carlos Nicolau Danielli

    -David Capistrano da Costa

    -Edmur Péricles Camargo

    -Elson Costa

    -Flávio Ferreira da Silva

    -Gerardo Magela da Costa

    -Gilberto Olimpio Maria

    -Hiran de Lima Pereira

    -Ieda Santos Delgado

    -Isarael Tavares Roque

    -Jane Vanini

    -Jayme Amorim de Miranda

    -Joaquim Câmara Ferreira

    -José Toledo de Oliveira

    -Lincoln Cordeiro Oest

    -Luiz Ricardo da Rocha Merlino

    -Luiz Ghilardini

    -Luiz Inácio Maranhão Filho

    -Mariano Joaquim da Silva

    -Mario Alves de Souza Vieira

    -Mário Eugenio de Oliveira

    -Mauricio Grabois

    -Nestor Veras

    -Norberto Armando Habegger

    -Orlando Bonfim Junior

    -Pedro Domiense de Oliveira

    -Pedro Pomar

    -Rui Pfutzenreuter

    -Sidney Fix Marques dos Santos

    -Thomaz Antonio Meirelles

    -Vladimir Herzog

    -Walter de Souza Ribeiro

    -Wanio José de Mattos

  • Projeto educativo cultural para hospitais públicos chega a Porto Alegre

    Projeto educativo cultural para hospitais públicos chega a Porto Alegre

    Criada para hospitais públicos ou que têm atendimento pelo SUS, a iniciativa atenderá cerca de 300 crianças no Hospital da Criança Santo Antônio, de 18 a 22 de novembro

    O projeto tem a ciência como tema condutor em todas as atividades, para levar espetáculos da premiada Cia Pia Fraus de Teatro, oficinas de criação e distribuição de kits educativos contendo livros e materiais para estender aprendizados

    Desenvolvido para hospitais com alas pediátricas e que recebem crianças em situação de doenças crônicas e de atendimento ambulatorial, o projeto Laboratório Encantado acontece em Porto Alegre, 18 a 22 de novembro, no Hospital da Criança Santo Antônio, após ter percorrido instituições em Manaus, Salvador, João Pessoa e São Paulo.

    Laboratório Encantado _foto_ligiajardim- Divulgação

    Esta é a segunda edição do projeto criado pela empresa Mina Cultural, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, que chega agora ao Rio Grande do Sul com patrocínio da Air Liquide e planos de expansão para outros locais do País. A edição anterior, em 2023, alcançou cerca de 2 mil crianças hospitalizadas em diferentes cidades.

    LABORATORIO_ENCANTADO_foto_ligiajardim- Divulgação

    “O projeto atende uma população que nem sempre tem acesso a atividade cultural. A maioria dessas crianças internadas assiste a uma peça teatral com atores profissionais pela primeira vez, e durante as oficinas são estimuladas à criatividade, cognição e leitura, o que pode contribuir para a abertura de um novo universo”, afirma Maysa Lepique, produtora executiva da Mina Cultural.

    Laboratório Encantado_foto_ligiaJardim-Divulgação

    A programação que chega a Porto Alegre tem a ciência como fio condutor em todas as atividades. Entre elas, o espetáculo teatral “Laboratório Encantado”, que mostra um laboratório de ciências em um local mágico, encenado pela Companhia Pia Fraus de Teatro, reconhecida por já ter se apresentado nos principais festivais de teatro do mundo e por colecionar prêmios nacionais e internacionais. Para atender crianças em estado clínico mais delicado, a peça pode ser desmembrada em esquetes com tipos de interação diferentes.

    Laboratório Encantado /Divulgação

    Já no ciclo de oficinas criativas as crianças são estimuladas a confeccionar dinossauros articulados, varal com sistema solar, teatro de sombras com animais marinhos, entre outras curiosidades.  Dois carrinhos cenográficos circulam em áreas da pediatria indicadas pelo hospital. A música faz parte das intervenções e pode ser a protagonista quando a criança não tiver condição de interagir, como acontece em centros de terapia intensiva.

    Laboratório Encantado_foto_ligiajardim-Divulgação

    O projeto deixa para cada criança o Kit Ciência, contendo uma mochila com o livro “Laboratório Encantado”, produzido para a ação pela Editora Evoluir e diversos materiais para prolongar a experiência e os aprendizados das oficinas, após receberem alta ou mesmo permanecendo em ambiente hospitalar.

    Projeto Laboratório Encantado em Porto Alegre: de 18 a 22 de novembro no Hospital da Criança Santo Antônio.

    Laboratório Encantado – Oficina/Divulgação

    Sobre a Mina Cultural

    Com 17 anos de atividade, a Mina Cultural trabalha na interlocução entre a iniciativa privada e as demandas da sociedade por meio de projetos de impacto, inspirando empresas a serem agentes de transformação, criando soluções inovadoras para questões sociais e ambientais. A empresa já realizou mais de 600 projetos culturais, esportivos, de saúde, educação, de direitos humanos, para os mais diversos públicos em todas as regiões do Brasil. Seu comprometimento é com empresas que contribuam para um mundo mais justo e sustentável, assumindo responsabilidades e abraçando causas para reforçar sua identidade. https://minacultural.com.br/

  • Os sofrimentos do jovem Werther ganha montagem teatral do coletivo Levanta FavelA…

    Os sofrimentos do jovem Werther ganha montagem teatral do coletivo Levanta FavelA…

     Primeiro clássico do escritor e poeta alemão Johann Wolfgang von Goethe, Os sofrimentos do jovem Werther (publicado em 1774) ganha versão adaptada do coletivo Cambada de Teatro em Ação Direta Levanta FavelA…. O espetáculo estreia nesta sexta-feira, dia 22 e segue em temporada nos dias 23 e 30 de novembro; e 07 e 14 de dezembro, na Sala 1 da Casa de Descentralização da Cultura – KZA D (rua Santa Terezinha, 711), sempre às 20h. A montagem contou com recursos do Edital Bolsa Funarte de Apoio a Ações Artísticas Continuadas 2024 e do Edital Sedac/LPG nº 10/2023. Por isso, as sessões dos dias 22 e 23 ocorrem com entrada franca. Nas demais datas, os ingressos custam R$ 60,00.

     

    Romance epistolar (narrado através de cartas), a obra aborda o tema da impossibilidade do amor e se tornou o marco inicial do romantismo na Europa, desencadeando a fama de Goethe. Na adaptação realizada pelo grupo gaúcho, a dramaturgia segue a linha principal do roteiro original, mas desmonta a lógica do texto e traz à tona questões como o feminismo, a solidão, a busca do indivíduo pela liberdade de usufruir de sua vida em meio ao sistema em que está inserido, e a própria função do artista na sociedade.

    Os sofrimentos do jovem Werther _crédito Tamara Mello/Divulgação

    O processo de montagem de Os sofrimentos do jovem Werther, que foi concebido com direção coletiva, iniciou em janeiro deste ano e esteve inserido no contexto da oficina Teatro de Vivência, ministrada pelas atrizes Danielle Rosa, Pâmela Bratz e Ketelin Abbady, que integram o coletivo e estão no elenco, formado ainda por outros dois integrantes do grupo – Sandro Marques e Thomaz Rosa –, além de Marco Olgini – este, remanescente da oficina, que contou com 20 participantes.

    Na trama, o jovem pintor Werther nutre uma paixão devastadora por sua amiga Charlotte, sem poder fazer nada além de sonhar. Colocada pelo coletivo teatral como ponto central da narrativa, a personagem é noiva do advogado Albert e pivô de uma comovente história de  sofrimentos na burguesia da Civilização Ocidental. No decorrer do enredo, Werther termina por se desesperar e passa a apresentar-se como irracional e suicida: para ele, a vida só tem sentido com sua amada. Charlotte, por sua vez, fica dividida entre os dois homens, mantendo o compromisso com aquele a quem foi prometida em casamento, mas sentindo uma grande afinidade pelo amigo.

    Os sofrimentos do jovem Werther _crédito Tamara Mello/Divulgação

    Ao mesmo tempo em que segue o papel imposto pelo patriarcado, a protagonista do espetáculo se revela – no íntimo – dona de si e de seus desejos.  “Nos demos conta que não tinha como falar do homem no papel central, mas sim da mulher, que sempre está à mercê, subalterna, numa posição que não é justa para ela”, pontua Danielle. A atriz destaca que, na peça, surgem outras personagens femininas que também arcam com opressão em outras posições. “É importante e necessário falar desta relação de como foi antes de nós, com nossas avós, nossas bisavós; é nossa bandeira de amor livre, da não-monogamia, da liberdade sexual, de culto, de trabalho, da mulher não se submeter”, sinaliza. “Por outro lado, o personagem Werther é, de forma metafórica, a representação das pessoas que se apaixonam e sonham, vivendo em um mundo que clama por transformação – que é o nosso caso, como artistas que buscam isso através do teatro”, emenda.

    Trabalhando há 16 anos com temas que sirvam de terreno fértil para a discussão de seus anseios, o grupo Levanta FavelA… bebe nas fontes do Teatro do Absurdo, do Teatro da Crueldade (de Antonin Artaud), do Teatro Épico (de Bertolt Brecht) e do Teatro do Oprimido (de Augusto Boal). No caso da atual montagem, o coletivo investe nas duas primeiras linguagens para, no decorrer de dez cenas, apresentar uma dramaturgia densa, lírica e essencialmente psicológica, ao mesmo tempo em que celebra e insere na cena referências de matriz afro, com ênfase em Cosme e Damião, duas divindades da Umbanda protetoras das crianças.

    Os sofrimentos do jovem Werther _crédito Tamara Mello/ Divulgação

    “Ainda que sempre com uma pitada de contemporaneidade e nonsense, gostamos de buscar nos clássicos a inspiração para falar de nossas inquietações”, revela Marques. “Vínhamos, há algum tempo, abordando a temática da saúde mental em nossas discussões em grupo, a partir do evento da pandemia de Covid-19, que impactou muitas pessoas nesse sentido”, ressalta o ator, ao se referir sobre o tema do suicídio, visto até hoje, pela maioria das pessoas, como controverso.

     

    Os sofrimentos do jovem Werther

    Direção coletiva

    Datas: 22/11, 23/11, 30/11, 07/12 e 14/12

    Horário: 20h

    Local: Casa de Descentralização da Cultura – KZA D (Santa Terezinha, 711)

    Ingressos*: R$ 60,00

    *entrada franca somente nos dias 22 e 23 de novembro

    FICHA TÉCNICA

    Elenco: Sandro Marques, Danielle Rosa, Pâmela Bratz, Ketelin Abbady, Thomaz Rosa e Marco Olgini

    Iluminação: Alexandre Malta

    Sonoplastia: Ricardo Padilha

    Contrarregragem: Antônia Alonso

    Cenário: o grupo

    Produção: o grupo

    Sobre a Cambada de Teatro em Ação Direta Levanta FavelA…:

    Coletivo criado em 2008, em Porto Alegre, com Teatro de Rua, Teatro de Vivência e Intervenções Cênicas. Com forte engajamento com movimentos sociais, o grupo coloca na sua estética e linguagem a discussão política sobre questões atuais e pertinentes ao contexto social contemporâneo, fazendo da cultura uma ferramenta de discussão social. Ao longo de sua trajetória, realizou 16 espetáculos: Margem Abandonada Medeamaterial Paisagem com ArgonautasTebasO Beijo no AsfaltoLua de Mel em Buenos Aires A Mulher Crucificada O Beijo da BestaMalone MorreA Babá e o IcebergEm Busca de Christa TO Canto da TerraA Árvore em FogoFutebol, nossa PaixãoA Belíssima Fábula de Xuá-Xuá A Fêmea Pré-Humana Que Descobriu o TeatroSepé: Guarani Kuery Mbaraeté!Populares Temem Invasão das Salsichas GigantesManual do Guerrilheiro UrbanoMaria Suas Filhas e Seus Filhos e Don Juan.

     

  • Trajetória de Iara Deodoro e seus movimentos na dança afro, em Biblioteca Digital

    Trajetória de Iara Deodoro e seus movimentos na dança afro, em Biblioteca Digital

     Projeto inédito na América Latina, coordenado pela bailarina Mônica Dantas, celebra a trajetória de uma das maiores referências de dança afro do sul do Brasil e fundadora do Instituto Sociocultural Afro-Sul Odomodê, que morreu em setembro, aos 68 anos. No dia 25, ocorre live de apresentação e, no dia 3 de dezembro, lançamento com com todo o elenco na sede do Afro-Sul

     Bailarina, coreógrafa, criadora do Grupo de Dança Afro-Sul do Instituto Sociocultural Afro-Sul Odomodê, bacharel em assistência social e pós-graduada em educação popular, há 50 anos, Iara Deodoro fundou com Paulo Romeu Deodoro o Afro-Sul Grupo de Música e Dança, que depois deu origem ao Instituto Sociocultural Afro-Sul Odomodê, um dos principais espaços de referência da cultura negra em Porto Alegre.

    Filha de Verônica da Silva Santos, conhecida como Tia Lili, e de Vilson Santos, Iara nasceu em setembro de 1955 e criou-se no bairro Petrópolis, em Porto Alegre, rodeada pelas duas irmãs biológicas e um irmão adotivo. Aos quatro anos de idade ficou órfã do pai.

    Iara Deodoro durante a produção da Biblioteca Digital – Foto Andrea Moraes/Divulgação

    Tia Lili assumiu as responsabilidades de maternidade solo, trabalhando sobremaneira como cozinheira para garantir uma educação de qualidade para suas filhas. Em sua tutela, começou a buscar possibilidades de bolsas de estudo em colégios particulares da cidade.

    Contemplada com uma bolsa de estudos no Colégio Santa Inês, aos oito anos de idade, Iara teve seu primeiro contato com a dança na escola, por meio de práticas corporais da Ginástica Artística, ministrada por Nilva Pinto(1934-2020), uma das importantes precursoras do ensino da dança em contextos escolares na capital gaúcha, durante as décadas de 1960 e 1970. O grupo caracterizava-se pela investigação de diversas culturas e sua potência estava na reinterpretação das Danças Folclóricas do Brasil.

    Em 1974, Nilva levou seus alunos para participar de um evento artístico nas escolas, com algumas atividades das quais Iara fazia parte. As turmas se conheciam e o diferencial do grupo do Santa Inês era dançar com música ao vivo, produzida pelo coral da escola. Na banda do coral, havia um único jovem negro, chamado Marco Aurélio Faria, o Maestro.

    Interessado em investigar estéticas musicais afrodiaspóricas, Marco convidou alguns amigos negros para compor uma música-protesto para participação em um festival estudantil. Com o intuito de elaborar a apresentação, eles convidaram Iara e outros quatro dançarinos para compor o grupo.

    Ela, então, passou a integrar o grupo que, posteriormente, recebeu o nome de Afro-Sul, dando início à sua pesquisa artística em dança afro-gaúcha sobre as corporeidades negras insubmissas e promovendo, através de práticas artístico-pedagógicas, estratégias de emancipação social de pessoas negras.

    Iara Deodoro – Foto AfroVulto/Divulgação

    Mestra Iara Deodoro foi pioneira em produzir um aporte estético-corporal de cunho político, antirracista e decolonial no campo das artes cênicas, especificamente na dança. A representação da pessoa negra em seu trabalho nunca esteve ligada à ideia de submissão, mas à de enfrentamento. A corporeidade que emerge em sua dança está conectada às influências rítmicas dos tambores presentes na musicalidade negra gaúcha, entendida como corporeidade negra afro-brasileira das zonas de fronteira com países de colonização hispânica.

    Passadas cinco décadas, a obra de Iara Deodoro ganha uma Biblioteca Digital de movimentos da técnica de dança afro-gaúcha. Coordenado pela bailarina Mônica Dantas, professora do Curso de Dança e do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da UFRGS, foram selecionados dez movimentos registrados em quatro formatos diferentes: descrição dos movimentos, imagens gravadas em vídeo, registro dos movimentos por meio de sistema cinemático de captura de movimento (MOCAP), e por meio da modelização 3D, gerando avatares dançantes.

    O Feminino Sagrado – Foto Bruno Gomes/Divulgação

    “A Biblioteca Digital de Movimentos Iara Deodoro celebra a obra da mestra, que, em 28 de setembro, fez sua passagem. Que esta seja um modo de honrar e celebrar sua vida e seu legado”, diz Mônica.

    A biblioteca é uma parceria entre o Projeto Carne Digital (UFRGS) e o Grupo Afro-Sul de Música e Dança, que tem por objetivo o registro, a documentação, a reflexão crítica e a difusão de práticas de dança em ambientes diversos, buscando criar condições para que artistas sejam agentes da produção do conhecimento que se faz nas universidades. Nos últimos quatro anos, o Carne Digital desenvolveu o Arquivo Eva Schul, reconhecido com o Prêmio Açorianos de Dança na categoria Memória, e a participação na Residência Artística de Dança no Metaverso Goldsmiths Mocap Streame, da University of London/Reino Unido.

    “O Afro-Sul é composto por artistas negros, que vem lutando por visibilidade. Iara Deodoro teve sempre um olhar crítico para as desigualdades e fez de sua carreira uma luta pelo reconhecimento e resistência da cultura negra, marginalizada no Brasil. Nada mais justo do que documentar e favorecer a presença desses artistas em ambiente digital. O impacto artístico da proposta reside justamente na possibilidade de documentar e difundir os fundamentos de uma poética negra de modo inovador, buscando procedimentos de criação de artefatos de memória que sejam estética e eticamente coerentes com as práticas de dança desenvolvidas por ela e o Afro-Sul”, destaca a idealizadora do projeto.

    O Feminino Sagrado – Foto Bruno Gomes/ Divulgação

    SERVIÇO
    25 de novembro | Segunda-feira | 20h
    Live de lançamento da Biblioteca Digital de Movimentos Iara Deodoro
    Transmissão pelo Instagram @afrosul.odomodeoficial

    03 de dezembro | Terça-feira | 19h30
    Apresentação dos movimentos com o elenco da Biblioteca Digital
    Onde: 
    sede do Afro-Sul (Avenida Ipiranga, 3850 – Jardim Botânico)
    Entrada gratuita

  • Percussionista Richard Serraria apresenta a contação de história “Girafa da Cerquinha”

    Percussionista Richard Serraria apresenta a contação de história “Girafa da Cerquinha”

    A experiência de tamboralitura voltada para crianças, que visa contribuir na educação para as relações étnico-raciais, está em temporada de estreia no mês de novembro, em Porto Alegre

    Com a ideia de democratizar o acesso ao sopapo, levando-o também para as crianças, Richard Serraria lança o projeto GIRAFA DA CERQUINHA, que consiste no reconto de uma história entoada originalmente pela mestra griô Sirley Amaro.

    Conta a fábula da girafa que teria vindo da África num navio e aportando em Pelotas – mais especificamente no bairro da Cerquinha, onde havia um carnaval burlesco com nomes de bichos. Uma contação de história infantil com o tambor sopapo sendo tocado de maneira continuada envolvendo a criançada numa vivência lúdica com as batidas características do grande tambor negro gaúcho (Ijexá, Adarun, Aré do Bará, Congadas RS, Samba Cabobu, Candombe uruguaio gaúcho e Milongón). Cada batida negra sonoriza um nome de bicho, personagens da narrativa.

    Girafa da Cerquinha-Serraria v cred Jeff Granja/Divulgação

    Serraria, artista porto-alegrense com 30 anos de trajetória musical e poética, vencedor de 8 prêmios Açorianos de Música, Doutor em Literatura Brasileira e com trabalho reconhecido também na dimensão da performance com sopapo, acredita na potência da tamboralitura, baseada na “constatação de que toda roda de tambor traz em si uma poética de natureza oral portanto da ordem da oralitura devendo todavia ser incluída no âmbito da historiografia literária brasileira”.

    Com direção cênica de Leandro Silva, a montagem envolve, ainda, Tuti Rodrigues e Angelo Primon na assessoria técnico musical e Paola Kirst e Indira Castro na preparação vocal. O espetáculo contará com cenografia de Anderson Gonçalves e figurino de Mari Falcão.

    Girafa da Cerquinha cred Jeff Granja/ Divulgação

    A temporada de estreia está em curso em Porto Alegre (RS) com seis apresentações que contarão com medidas de acessibilidade, como intérprete de Libras e áudio descrição, além de bate-papo e debate para professores e extensionistas universitários. As primeiras datas foram voltadas às comunidades escolares e ao público da Biblioteca Mestra Griô Sirley Amaro/ Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo. No dia 16 serão realizadas duas apresentações abertas na Casa de Espetáculos (Rua Visconde do Rio Branco, 691 – Moinhos de Vento), às 15h e às 16h, com retirada de ingressos pelo Sympla (https://www.sympla.com.br/evento/espetaculo-girafa-da-cerquinha-contacao-de-historia/2621223).

    E, no dia 20 de novembro, haverá uma apresentação extra, integrando a programação da 70ª Feira do Livro de Porto Alegre. Será aberta ao público, às 15h, no Teatro Petrobras Carlos Urbim.

    Girafa da Cerquinha-Serraria cred Jeff Granja/ Divulgação

    O projeto, financiado pela Lei Complementar nº195/22-Lei Paulo Gustavo (LPG),  através do Edital Criação Artística da SEDAC RS, também pretende contribuir para que professores e alunos se sensibilizem para a importância das temáticas negras na sala de aula. Por isso, serão realizados três bate-papos após as apresentações da obra, destinados especialmente ao público de professores e alunos de escolas públicas, com debate acerca da obra e da importância das leis 10.639/2003 e 11.645/2008 que tornam obrigatório o ensino da História e cultura africana, afro-brasileira e de cultura indígena no currículo escolar com ênfase nas disciplinas de História, Arte e Literatura, objetivando a educação para as relações étnico-raciais.

    Sirley da Silva Amaro nasceu em Pelotas em 12 de janeiro de 1936 e faleceu na mesma cidade em 28 de outubro de 2020. Filha de um pai cozinheiro e folião e de uma mãe que inventava pomadas e unguentos com ervas e temperos, teve uma infância muito rica e viveu intensamente os conhecimentos tradicionais transmitidos em família.

    Mestra griô reconhecida pelo Ministério da Cultura dentro do Programa Cultura Viva, Dona Sirley foi homenageada pelo Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo em Porto Alegre nomeando a Biblioteca comunitária do local, já que sempre que visitava esse espaço era ali que a mestra griô preferia ficar, no território sagrado da contação de histórias.

     

  • Espetáculo de dança/ teatro “BIXA” traz o universo LGBTQIAPN+ para o palco

    Espetáculo de dança/ teatro “BIXA” traz o universo LGBTQIAPN+ para o palco

    Autobiografia performatizada do ator e bailarino Jeferson Cabral, o espetáculo de dança-teatro BIXA será apresentado às 19h desta quarta-feira (13), no Teatro Oficina Olga Reverbel do Complexo Theatro São Pedro e Multipalco Eva Sopher (Pç. Mal. Deodoro, s/n). Os ingressos estão à venda no site da Instituição por R$ 15,00 (meia-entrada) e R$ 30,00 (inteira).

    Contemplada no edital Sedac 22/2024 – Dança no Oficina, promovido pela Secretaria de Estado da Cultura, através do Instituto Estadual de Artes Cênicas (Ieacen), a Fundação Theatro São Pedro (FTSP) e o Sesc-RS, a montagem protagonizada por Jeferson Cabral (que é Doutor e Mestre em Artes Cênicas, e licenciado em Dança e Teatro pela UFRGS), aborda a trajetória de se tornar “Bixa”.

    BIXA Foto de Julia Oliveira /Divulgação

    Realizada pela Mimese Companhia de Dança Coisa, a peça é uma celebração à diversidade e, através das músicas e do imaginário das divas pop, narra ao público uma biografia de resiliência ao preconceito. Partindo do desejo de ressignificar o termo “bicha” frente à nossa sociedade, o espetáculo reconhece a resistência de muitas pessoas que deram respaldo ao empoderamento LGBTQIAPN+ atual no Brasil; o que fez possível a transmutação de um termo pejorativo em palavra de luta.

    BIXA Foto de Julia Oliveira /Divulgação

    A dramaturgia navega nesse ideal, apresentando como o performer era visto e se via na infância e como ele se depara com isso no tempo presente. BIXA é uma afirmação de que é necessário se orgulhar e fazer do seu corpo um veículo contra a homofobia. “O que me levou a realizar essa montagem foi a vontade de me reconciliar com a minha criança, a partir da percepção de que tudo que vivi na minha infância, no bairro Cohab Cavalhada, onde cresci e sofri os primeiros julgamentos em relação ao meu corpo e meu comportamento – situações comuns na vida de qualquer pessoa LGBTQIAPN+”, explica o ator-bailarino. “Quando adulto, consegui entender que estava construindo meu empoderamento (que também é fruto da resistência de outras muitas pessoas) pelo caminho da arte”.

    BIXA Foto de Julia Oliveira /Divulgação

    Em BIXA, Cabral estabelece a, todo momento, uma relação de cumplicidade com o público, pois quem está no teatro é testemunha de um mergulho em uma história autobiográfica. A plateia é convidada, por meio da disposição dos assentos, a ficar o mais próximo possível do performer. Da mesma forma, a ação cênica é atravessada pela dança, teatro, performance e música, diluindo as barreiras que separam essas linguagens.

    Utilizando luzes piscantes, ofuscantes e estroboscópicas em breves momentos, a montagem conta com uma iluminação que alterna essa intimidade cênica com um clima de festa. Para construir sua paisagem sonora e inspirar a corporeidade do artista em sua performance, a obra mergulha no universo pop, com trilha sonora que remora grandes canções de sucesso dos anos de 1980, 1990 e anos 2000 (que influenciaram Cabral no decorrer de sua vida), num resgate histórico-cultural de influências políticas e artísticas, potencializando não somente o discurso cênico, as coreografias, e os imaginários da montagem, mas também exaltando o legado das “divas do pop” na produção de conhecimento e resistência.

    Autor do texto, Jeferson Cabral assina também a concepção, o figurino, a composição e a direção cênica do espetáculo. O artista gaúcho iniciou o argumento dramatúrgico  de BIXA em 2013, e foi aprimorando a narrativa ao longo da última década, até dar o início ao trabalho de criação em setembro de 2023.

    BIXA Foto de Julia Oliveira /Divulgação

    SOBRE JEFERSON CABRAL:

    Doutor e Mestre em Artes Cênicas, licenciado em Dança e Teatro (UFRGS). Atuou em coletivos como Ói Nóis Aqui Traveiz e Santo Qoletivo, e foi dançarino em diversos espetáculos. Em 2023, esteve em Cães (2023), com direção de Alexandra Dias, com o grupo Outro Dances. No presente ano, comemora 16 anos de vida artística e mantém vínculo criativo com a Mimese Companhia de Dança Coisa.

    SOBRE A MIMESE COMPANHIA DE DANÇA COISA:

    Criada em 2002, como projeto de pesquisa e extensão na UniCruz. Em 2004, passa a ter o caráter independente, apresentando, dentre outros trabalhos, SemelhançasOs Humores do poetaUm corpo bem de perto (de Luciana Paludo), Além DissoVai-te, Se a morte bater na minha portadiga a ela que eu volto amanhã (de Mário Nascimento). Realiza projetos como Luciana Paludo Convida (2016) e Degustação de Movimentos (2019), este último enquanto projeto de extensão, vinculado à UFRGS.

    BIXA Foto de Julia Oliveira/ Divulgação

    SERVIÇO:

    Data: 13 de novembro (quarta-feira)

    Horário: 19h
    Local: Teatro Oficina Olga Reverbel (Praça Mal. Deodoro, s/n)

    INGRESSOS DISPONÍVEIS:

    Site do Theatro São Pedro

    https://theatrosaopedro.rs.gov.br/bilheteria

    R$ 30,00 (inteira)

    R$ 15,00 (professores, estudantes, pessoas idosas, pessoas com deficiência, artistas, jovens de baixa renda, doadores de sangue e associados da AATSP).

    REDES SOCIAIS:
    https://www.instagram.com/bixa_espetaculo/

    FICHA TÉCNICA:

    Concepção, Texto, Figurino, Performance, Composição e Direção Cênica: Jeferson Cabral.

    Colaboração Criativa: Luciana Paludo.

    Iluminação: Pati de la Rocha.

    Operação de Som: Paula Lages.

    ID Visual: Marina Goulart.

    Mídias Digitais: Jeferson Cabral, Paula Lages e Pedro De Camillis.

    Produção: Pedro De Camillis.

    Realização: Mimese Companhia de Dança Coisa.

    Apoio: Curso de Licenciatura em Dança/ESEFID/UFRGS.