Retorna a cartaz o espetáculo “Teatro para Pássaros”, em nova temporada, desta vez no Zona Cultural (Alberto Bins, 900 – Quarto Distrito). As apresentações acontecem de quinta a domingo, nos dias 20, 21, 22 e 23, sempre às 20h. Os ingressos custam R$ 50,00 (inteira) e R$ 25,00 (meia-entrada).
Escrita pelo argentino Daniel Veronese, a peça narra o encontro de três casais durante uma madrugada, em um pequeno apartamento no 12º andar de um edifício no subúrbio de uma grande cidade. A anfitriã, Teresa, reúne os amigos para apresentar sua mais nova criação: um texto inédito para o teatro, que deseja ver produzido pelo seu ex-namorado e agora um bem sucedido produtor, Tony. O encontro é marcado pelo desentendimento e constrangimento provocados por revelações que são feitas ao longo da trama.
Construída sobre um texto dramático que valoriza os diálogos curtos e entrecortados, Teatro para Pássaros investe em um espetáculo de proximidade com o público em linguagem dinâmica, onde as linhas de texto estão sempre se embaralhando. Com ironia e non sense, Daniel Veronese constrói uma crítica social ácida e contundente sobre os papéis que assumimos, e que por vezes somos obrigados a manter no convívio com uma sociedade dominada por corações solitários.
Além do espaço cênico, o Zona Cultural oferece serviço de bar, que abre uma hora antes das apresentações e permanece aberto durante uma hora, após o espetáculo, com um menu de especiarias para serem degustadas antes e depois da peça.
Entre 17 e 30 de julho o público porto-alegrense poderá assistir e debater os espetáculos teatrais criados pela Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz , bem como ver em filmes as encenações dos últimos anos que já não estão mais no repertório do grupo. O Festival Ói Nóis Aqui Traveiz acontece durante o II Laboratório Aberto com a Tribo de Atuadores. O Laboratório é uma imersão de 14 dias no trabalho do grupo durante os três turnos, com o objetivo de difundir a prática e metodologia de criação e treinamento desenvolvida pelo coletivo ao longo de 45 anos de atuação e pesquisa. 25 atores e atrizes, pesquisadores e estudantes de teatro do Brasil e América Latina participarão integralmente do Laboratório.
Durante estas duas semanas serão encenados os espetáculos ‘Violeta Parra – Uma Atuadora’, ‘Desmontagem Evocando os Mortos Poéticas da Experiência’, ‘Quase Corpos – Episódio 1: A Última Gravação’, ‘O Amargo Santo da Purificação’; ‘M.E.D.E.I.A’, ‘Performance Manifesto de Uma Mulher de Teatro’ e ‘Onde? Ação n. 2’. Já o Cine Clube da Terreira da Tribo vai exibir os filmes ‘Kassandra In Process’, ‘Raízes do Teatro’, ‘A Missão – Lembrança de Uma Revolução’, ‘Viúvas – Performance Sobre a Ausência’, ‘Medeia Vozes’, ‘Desmontagem – Meierhold’ e ‘Lê, Dores de Gênero’. Ainda na programação, haverá um seminário aberto ao público sobre a proposta estética e política da Tribo com professores e pesquisadores convidados, e, para encerrar, no domingo, dia 30, o público assistirá, no Parque da Redenção, a apresentação de uma Ação Cênica criada durante a imersão no Laboratório.
Manifesto. Foto: Vivian Gradela/ Divulgação
O II Laboratório Aberto faz parte do Projeto ARTE PÚBLICA – Criação e Formação e é uma realização da FUNARTE e do Ministério da Cultura, através de emenda parlamentar da Deputada Federal Fernanda Melchionna. O Laboratório tem o apoio da Coordenação de Artes Cênicas da Secretaria Municipal da Cultura.
Programação:
17 de julho – Performance cênico musical ‘Violeta Parra – Uma Atuadora’ – 20h – na Sala Álvaro Moreyra do Centro Municipal de Cultura (Av. Erico Verissimo, 307)
18 de julho – ‘Quase Corpos – Episódio 1: A Última Gravação’ – 20h – na Sala Álvaro Moreyra do Centro Municipal de Cultura (Av. Erico Verissimo, 307)
19 de julho – Exibição dos filmes ‘Kassandra In Process’ e ‘Raízes do Teatro’ – 20h – na Terreira da Tribo (rua Santos Dumont, 1186)
20 de julho – ‘Desmontagem Evocando os Mortos Poéticas da Experiência’ – 20h – na Sala Álvaro Moreyra do Centro Municipal de Cultura (Av. Erico Verissimo, 307)
21 de julho – Exibição do filme ‘A Missão – Lembrança de Uma Revolução’ – 20h – na Terreira da Tribo (rua Santos Dumont, 1186)
22 de julho – Exibição do filme , ‘Viúvas – Performance Sobre a Ausência’ – 20h – na Terreira da Tribo (rua Santos Dumont, 1186)
24 de julho – Seminário ‘Conversando Sobre Teatro de Rua’ – 14h – na Terreira da Tribo (rua Santos Dumont, 1186)
24 de julho – Exibição do filme ‘Desmontagem – Meierhold’ – 20h – na Terreira da Tribo (rua Santos Dumont, 1186
25 de julho – Seminário ‘Conversando Sobre Teatro Ritual’ – 14h – na Terreira da Tribo (rua Santos Dumont, 1186)
25 de julho – Espetáculo Teatral ‘M.E.D.E.I.A’ – 20h – na Sala Álvaro Moreyra do Centro Municipal de Cultura (Av. Erico Verissimo, 307)
26 de julho – Performance de Rua ‘Onde? Ação n. 2’ – 15h – na Esquina Democrática (Rua dos Andradas com Av. Borges de Medeiros)
26 de julho – Exibição do filme , ‘Medeia Vozes’ – 20h – na Terreira da Tribo (rua Santos Dumont, 1186)
27 de julho – Seminário ‘Conversando Sobre Ói Nóis Aqui Traveiz’ – 14h – na Terreira da Tribo (rua Santos Dumont, 1186)
27 de julho – ‘Performance Manifesto de Uma Mulher de Teatro’ – 20h – na Sala Álvaro Moreyra do Centro Municipal de Cultura (Av. Erico Verissimo, 307)
28 de julho – Seminário ‘Conversando Sobre Ói Nóis Aqui Traveiz’ – 14h – na Terreira da Tribo (rua Santos Dumont, 1186
28 de julho – Exibição do filme ‘Lê, Dores de Gênero’ – 20h – na Terreira da Tribo (rua Santos Dumont, 1186
29 de julho – Apresentação de Ação Cênica criada no Laboratório – 15h – no Parque da Redenção (próximo ao Monumento do Expedicionário)
30 de julho – ‘O Amargo Santo da Purificação’ – 15h – no Parque Mascarenhas de Moraes (Bairro Humaitá)
Espetáculo “O Amargo Santo da Purificação. Foto: Mariana Rotilli/ Divulgação
Festival Ói Nóis Aqui Traveiz
De 17 a 30 de julho em diversos espaços da cidade
Programação aberta ao público / entrada franca
distribuição de senhas às 19h30 (para os espetáculos da Álvaro Moreyra e Terreira da Tribo)
Sinopses dos espetáculos:
Violeta Parra – Uma Atuadora
A performance cênico musical “Violeta Parra – Uma Atuadora” se solidariza com o povo chileno neste momento de luta por melhores condições de vida e apresenta um repertório que mistura o andino com ritmos brasileiros na voz da atuadora Tânia Farias e do violonista e compositor Mário Falcão. Com esse viés mestiço a performance veste as canções deste ícone da arte da América do Sul. Conhecida no Brasil principalmente pelas composições “Gracias a la Vida” e “Volver a los 17”, seu legado é inestimável para a música engajada latino-americana. Primeira experiência da Tribo onde a música está em primeiro plano.
Desmontagem Evocando os Mortos – Poéticas da Experiência
Conceito novo no cenário cultural, uma desmontagem se constitui como uma linguagem híbrida entre o espetáculo teatral e a reflexão teórica sobre a obra. Em ‘Evocando os Mortos – Poéticas da Experiência’, com concepção e atuação de Tânia Farias, a atriz refaz o caminho da criação de personagens emblemáticos da dramaturgia contemporânea. Constitui um olhar sobre as discussões de gênero, abordando a violência contra a mulher em suas variantes. No desvelamento dos processos de criação de diferentes personagens, criadas entre 1999 e 2011, a atriz nos mostra quanto as suas vivências pessoais e do coletivo Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz atravessam os mecanismos de criação. “Evocando os Mortos – Poéticas da Experiência” circulou por diversas cidades do país e foi apresentada em Cuba, na Argentina e Portugal.
“Quase Corpos”. Foto: Eugênio Barbosa /Divulgação
‘Quase Corpos: Episódio 1 – A Última Gravação’ é um estudo do teatro de Samuel Beckett que revela a fragmentação do corpo físico, psíquico e das relações sociais. Temas como solidão, sofrimento, fracasso, angústia, absurdo da condição humana e morte são abordados a partir da pesquisa de linguagem e do trabalho autoral que os atuadores desenvolvem. A encenação, versão livre da peça Krapp’s Last Tape, mostra o confronto de um homem de 69 anos com o seu passado. O velho homem escuta num antigo gravador a fita-registro de 30 anos atrás. Escuta sua própria voz narrar extintas aspirações, lembranças de amores perdidos, a morte da mãe, a esperança não confirmada de êxito comercial literário. Memórias de fracassos, declínio e dissipação.
‘O Amargo Santo da Purificação – Uma visão alegórica e barroca da vida paixão e morte do revolucionário brasileiro Carlos Marighella’
Encenação coletiva para Teatro de Rua conta a história de um herói popular que a classe dominante tentou banir da cena nacional durante décadas. Marighella foi protagonista na luta contra as ditaduras do Estado Novo e do Regime Militar. A dramaturgia elaborada pela Tribo parte dos poemas escritos pelo baiano que, transformados em canções, são o fio condutor da narrativa. A encenação utiliza a plasticidade das máscaras, de elementos da cultura afro-brasileira e figurinos com fortes signos, criando uma fusão do ritual com o teatro dança. O Ói Nóis Aqui Traveiz traz para as ruas da cidade uma abordagem épica das aspirações de liberdade e justiça do povo brasileiro.
Espetáculo MEDEIA – Fotos Laura Testa/ Divulgação
M.E.D.E.I.A
O solo da atuadora Tânia Farias parte da montagem Medeia Vozes, inspirada na obra homônima de Christa Wolf, que integra o repertório da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. No texto está a versão antiga e pouco conhecida do mito, trazendo uma mulher que não cometeu nenhum dos crimes de que é acusada na versão de Eurípedes. Por mais de dois mil anos, Medeia, uma das mais poderosas mulheres da mitologia grega, é acusada de várias atrocidades, tais como o fratricídio, o infanticídio e o envenenamento de Glauce, e é esta imagem que foi imposta à consciência ocidental que a Tribo vem negar nesse espetáculo solo de Tânia Farias. Medeia é uma mulher que enxerga seu tempo e sua sociedade como são. As forças que estão no poder manifestam-se contra ela, chegando mesmo à perseguição e banimento, ela é um bode expiatório numa sociedade de vítimas.
Onde? Ação N°2
A performance provoca de forma poética reflexões sobre o nosso passado recente e as feridas ainda abertas pela ditadura militar. A ação se soma ao movimento de milhares de brasileiros que exigem que o Governo Federal proceda a investigação sobre o paradeiro das vítimas desaparecidas durante o regime militar, identifique e entregue os restos mortais aos seus familiares e aplique efetivamente as punições aos responsáveis.
Manifesto de Uma Mulher de Teatro
A performance parte da personagem Ofélia, de um dos textos mais contundentes da dramaturgia contemporânea, Hamlet Machine de Heiner Müller – marcante na trajetória da atriz Tânia Farias, e traz ao centro da arena a vociferação contra a engrenagem de violências às quais mulheres são continuamente submetidas. Vozes como as de Violeta Parra, Gioconda Belli e da própria atriz, que ousa contar detalhadamente sua história pessoal de violência sofrida e intercruzar com outra real, a de Magó, bailarina barbaramente violentada e assassinada em 2020, ao qual a atriz presta homenagem.
Cineclube/ Filmes
Kassandra In Process
A partir das filmagens do espetáculo Aos que virão depois de nós – Kassandra In Process, a Tribo e a Catarse – Coletivo de Comunicação elaboraram este registro, o primeiro audiovisual do Selo Ói Nóis na Memória. O espetáculo é resultado da pesquisa em Teatro de Vivência realizada pela Tribo e recebeu, entre outros, o Prêmio Açorianos 2002 de Melhor Espetáculo e o Prêmio Shell 2007 na Categoria Especial pela Pesquisa e Criação Coletiva. Duração: 67 minutos
Raízes do Teatro
O título do documentário, com direção e roteiro de Pedro Isaias Lucas, é o nome do projeto criado pelo Ói Nóis Aqui Traveiz para sistematizar o estudo das origens ritualísticas do teatro. O filme aborda os mitos que resultaram em quatro espetáculos do grupo: ‘Antígona – Ritos de Paixão e Morte’ (Prêmio Açorianos 1990), ‘Missa para Atores e Público sobre a Paixão e o Nascimento do Dr. Fausto de Acordo com o Espírito de Nosso Tempo’ (Prêmio Açorianos 1994), ‘Aos Que Virão Depois de Nós – Kassandra in Process’ (Prêmio Açorianos 2003, Prêmio Shell SP 2007) e ‘Medeia Vozes’ (Prêmio Açorianos 2013). Duração: 26 minutos
A Missão – Lembrança de uma Revolução
Registro audiovisual de encenação realizada em 2006/2007. A montagem, versão livre da obra de Heiner Müller, evoca a revolta dos escravos na Jamaica nos anos seguintes à Revolução Francesa e reflete sobre o Terceiro Mundo: objeto de exploração e, simultaneamente, fermento do novo. A poética cênica de A Missão insere-se na “dialética poética do fragmento” e dirige-se primordialmente aos sentidos, mas a intenção é também “fazer pensar”. Duração: 120 minutos
Viúvas – Performance Sobre a Ausência
O filme de Pedro Isaias Lucas registra o espetáculo apresentado em 2011 na Ilha do Presídio (Ilha das Pedras Brancas). Na encenação, mulheres lutam pelo direito de saber onde estão os homens que desapareceram e foram mortos pela ditadura civil militar que se instaurou em seu país. A utilização desse espaço não-convencional para a encenação pretendeu estabelecer uma relação entre os sentidos do trabalho sobre o imaginário e a história recente da América Latina; e as referências simbólicas, o registro emocional, os elementos de memória e o caráter institucional da Ilha do Presídio. Duração: 72 minutos
Desmontagem – Meierhold
O audiovisual é uma homenagem ao ator, diretor e teórico russo Vsevolod Meierhold. Criado durante a pandemia a obra parte da encenação da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz ‘Meierhold’, versão livre da peça do argentino Eduardo Pavlovsky “Variaciones Meyerhold”. Encenado pelo ator Paulo Flores, que interpreta o personagem principal em um relato póstumo, intercalando lembranças fragmentadas sobre marcos de sua trajetória. A criação cênica da Tribo explora diferentes linguagens e recursos, como fragmentos de poesias surrealistas e cenografia construtivista. Duração: 40 minutos
Medeia Vozes
Registro inédito com fotografia e edição de Pedro Isaias Lucas. Em Medeia Vozes, a Tribo de Atuadores aborda uma versão antiga e desconhecida do mito, trazendo uma mulher que não cometeu nenhum dos crimes de que Eurípides a acusa. A Medeia pacifista do Ói Nóis Aqui Traveiz demonstra a inutilidade de todo processo bélico numa encenação onde somam-se vozes de mulheres contemporâneas como as revolucionárias alemãs Rosa Luxemburgo e Ulrike Meinhof, a somali Waris Diriiye, a indiana Phoolan Devi e a boliviana Domitila Chungara, que enfrentaram de diferentes maneiras a sociedade patriarcal em várias partes do mundo. Duração: 180 minutos
Lê, Dores de Gênero
Audiovisual realizado a partir do convite do Sesc São Caetano/SP de ‘Subverter’ uma obra teatral que teve relevância na nossa trajetória. Escolher Ledores do Breu, da Cia do Tijolo, é antes de tudo o reconhecimento da importância dessa obra e sua relevância, mas também de, ao subverter o gênero do narrador e personagem, evidenciar uma camada substancial do espetáculo que fica nas sombras na sua versão original, o feminicídio. Aqui é a mulher quem conta. A história parte de sua visão de violências e dores cotidianas. A proposta é construída poeticamente utilizando os recursos de dança/teatro. Duração: 18 minutos
As Canções Iluminadas de Amor seguem sua trajetória, acompanhadas pelos músicos Clauber Scholles, Rvst e Rika Barcellos
Nosso menestrel segue ‘rodando el mundo’ com sua turnê Canções Iluminadas de Amor e retorna a Porto Alegre, onde se apresenta no Theatro Fuga, dia 13 de julho, Dia Mundial do Rock. No show, Wander Wildner nos apresenta um repertório musical que descreve sua incrível viagem do velho mundo material romântico para o maravilhoso e cósmico espaço do amor universal. Numa frequência muito elevada ele faz um retrospecto de sua carreira e mostra algumas músicas que estarão em seu próximo álbum – SubVersões – que está sendo produzido por @rvst.mvsica, como Beside You, de Iggy Pop, Sangue Latino, dos Secos & Molhados, e Pra viajar no cosmos não precisa gasolina, de Nei Lisboa. Neste show, Wander estará acompanhado de Clauber Scholles, no baixo, Rvst, na guitarra, e Rika Barcellos, na bateria.
Tudo começou quando, em 2020, Wander entrou de cabeça no mundo literário e escreveu seu primeiro livro, Aventuras de um Punkbrega, onde descreve a saga de um personagem que passa por várias situações, muitas vezes cômicas e outras um pouco trágicas. Extasiado, ele seguiu escrevendo e em 2022 lançou sua segunda obra literária, Canções Iluminadas de Amor, onde conta como foram criadas vinte e sete músicas do seu vasto repertório, desde a época dos Replicantes até os dias atuais. O show Canções Iluminadas de Amor inspira-se nessas obras e traz as canções de todos os tempos intercaladas com novidades, como é de se esperar de um artista que não fica parado no tempo. Ambos os livros, discos e camisetas, poderão ser adquiridos na noite do show no Theatro Fuga.
Roqueiro punk folk capaz de impressionar beberrões de uísque barato que batem o pé em bailões do interior do país ou adeptos de alt-rock que rebolam sua modernidade nas festinhas blasés das capitais, Wander Wildner é um sujeito apaixonado e visceral que vive em conflito e o que faz dele um artista pop é o dom de transformar os próprios conflitos em sons e versos diretos e pungentes.
WANDER WILDNER – Canções Iluminadas de Amor
Dia 13 julho, quinta, às 21h – no Dia Mundial do Rock
O livro “Viamão 300 Anos” descreve o potencial do ecoturismo no maior município e maior reserva ambiental da Região Metropolitana de Porto Alegre.
Será lançado nesta sexta-feira, 07 de julho, das 18h às 20h na Igreja Nossa Senhora Conceição, em Viamão.
É um livro-reportagem de 200 páginas que remonta aos primórdios da ocupação do Rio Grande do Sul, desde que surgiram as primeiras estâncias nos primitivos ”Campos de Viamão” há três séculos.
Origem de quatro freguesias, que hoje abrangeriam toda a região metropolitana, inclusive Porto Alegre, Viamão foi capital do Rio Grande do Sul, no período colonial, quando os domínios portugueses foram ameaçados pela invasão espanhola. Foi a “capital da resistência”.
Perdeu importância política, ao fim da guerra, quando a capital foi transferida para Porto Alegre.
No século passado, ficou à margem do surto industrial que transformou a região. Pela abundância de terrenos baratos, tornou-se ‘cidade-dormitório’.
Em 2023, segundo a prefeitura, mais de 80 mil viamonenses (cerca de um terço da população) saem diariamente para trabalhar em Porto Alegre ou nos municípios vizinhos.
Em compensação, sem grandes fábricas, o município pode manter preservada boa parte do seu patrimônio ambiental. Esse é o ponto de convergência de uma série de iniciativas, com as quais culmina o livro.
Empreendedores, públicos e privados, inicialmente isolados, começam a formar um movimento para fazer de Viamão o maior polo de ecoturismo do Estado.
“O livro é um manifesto em defesa dos tesouros ambientais de Viamão e da economia autossustentável”, diz o editor Elmar Bones.
Com selo da Editora JÁ, “Viamão 300 anos” tem prefácio de Eduardo Bueno, textos de Rualdo Menegat, Vitor Ortiz, Rogério Mendelski e coordenação editorial de José Barrionuevo.
As fotografias de Ramiro Sanchez, edição gráfica e diagramação de Rose Tesche, pesquisas e reportagens de Cleber Dioni Tentardini.
O livro foi financiado via o Pró-Cultura, do Estado, e teve o patrocínio das empresas Vet Log e Grupo Coopernorte.
A Bossa Nova está completando 65 anos, desde o lançamento LP “Canção do Amor Demais”, que marca a estreia da consagrada dupla Tom Jobim e Vinícius de Moraes, compositores da segunda música com o maior número de gravações no mundo, Garota de Ipanema.
Este LP e outros momentos marcantes do movimento da Bossa Nova são a fonte inspiradora dos arranjos criados por Pedrinho Figueiredo para uma formação reduzida, com uma sonoridade especial, da UCS Orquestra, que estará sob a regência do maestro Manfredo Schmiedt no dia 8 de julho, em Porto Alegre.
Após uma exitosa circulação em 10 cidades do interior do estado em março deste ano, Bossa Nova no RS chega à capital com uma seleção de composições importantes e representativas da história do gênero que levou a música brasileira mundo afora.
O programa apresenta clássicos assinados por Tom Jobim como Samba do Avião, Águas de Março, Triste e Wave, esta em parceria com Vinícius de Moraes, que também tem incluído no repertório a simbólica Chega de Saudade, Garota de Ipanema e Outra Vez.
A apresentação será na Sala Sinfônica da Casa da OSPA – (Av. Borges de Medeiros, 1501) e os ingressos podem ser adquiridos na plataforma SYMPLA: https://bileto.sympla.com.br/event/83950 na bilheteria da Casa da OSPA no dia do concerto. Os valores dos ingressos a R$ 80,00 Descontos: 50% Estudantes, Idosos Amigos da OSPA (R$ 40,00); Ingresso solidário com 40% e doação de 1 kg de alimento (R$ 48,00); Apoio – OSPA – Orquestra Sinfônica de Porto Alegre e Apoio Cultural TVE e FM CULTURA, RBS TV.
Onde pode ser adquirido o ingresso: https://bileto.sympla.com.br/event/83950
As artistas visuais Claudia Flores, Helena d’Avila e Laura Fróes, contemporâneas de formação no Instituto de Artes da UFRGS, no início dos anos 90, e em tempo de produção, propõem a exposição Temporalis, que abre no dia 08 de julho, sábado, às 15h, no Museu do Trabalho, em Porto Alegre.
As três artistas, em suas vivências, convivência e trocas, identificam aspectos formais e modi operandi similares e recorrentes que as aproximam.
No texto de apresentação da mostra, Yuri Flores Machado registra a marca da passagem do tempo na prática das três artistas, no fazer e refazer, no recortar e colar de pinturas e desenhos, no reaproveitamento de trabalhos já feitos, que voltam a ser olhados para novas investidas, resultando inéditos no presente.
Claudia Flores pinta sobre algumas de suas pinturas. Helena d’Avila recorta e reorganiza um trabalho que se danificou, Laura Fróes imprime um trabalho que não existe mais a partir do registro que guardou.
Essas e outras propostas serão vistas na galeria do Museu do Trabalho, permitindo ao público conhecer os processos individuais e os pontos que fazem suas produções dialogarem.
A exposição Temporalis, fica aberta para visitação de 09 de julho a 13 de agosto, de terça a sábado, das 13h30 às 18h e nos domingos das 14h às 18h30, no Museu do Trabalho, Rua dos Andradas, 230, Centro Histórico, Porto Alegre/RS.
Obra de Claudia Flores, detalhe da Arte pintura Instruções para chegar ao horizonte XI, acrílica tela, 30×90 cm, Foto Claudia Flores/ Divulgação
Apresentação da mostra
O REMONTAR DO MUNDO | O RECOLAR DO TEMPO
“Os modos de expressão humana dependem dos corpos. O gesto é o resultado de mecanismos psicofisiológicos que atuam insistentemente até que ocorra amaterialização da arte. Desenhar e pintar são gestos vigorosos que fluem e que conquistam lugar no espaço. O que é desenhar? Van Gogh considerava que era abrirpassagem através de um muro invisível, que parece situado entre o que sentimos e o que podemos. E o que é pintar?
Nas obras aqui apresentadas há em comum a percepção de que pintar é um trabalho de reconquista de sentimentos de mundo sempre cambiantes. Em êxodo constante, os corpos almejam aproximações daquilo que se tentará novamente sentir, mais uma vez. A obra de arte como o remontar do mundo.
Claudia Flores pinta sobre a pintura. Retrabalha. Coloca algumas pinturas na máquina de lavar roupa pensando em alterar suas faturas, numa expectativa incerta. Helena d’Avila recorta frações sobreviventes de uma obra exposta no passado e que agora, em partição, reaparece no presente.
Laura Fróes revisita seus desenhos e colagens, uns guardados e outros que não existem mais, imprimindo novos trabalhos por meio de contemporâneas técnicas digitais. Collage vem do verbo francês coller e significa literalmente “afixar”, “pregar”, “colar”, e como os seus cognatos – a montagem e a assemblage – é uma técnica que continua a ser utilizada por artistas contemporâneos que ampliam recorrentemente os seus efeitos de sentido ou mesmo o seu significado primeiro.
As três artistas visuais reunidas nesta exposição retrabalham pretéritas obras, sem restrições ao colar, ao descolar, cortar, sobrepor, rasgar, ao remontar. A obra de arte como o recolar do tempo.”
Yuri Flores Machado- Historiador da Arte-Mestre em Artes Visuais- Julho de 2023
obra de Helena d’Avila Sem Título Acrílica sobre E.V.A. 2023 dimensões diversas. Foto: Helena d’Avila/ Divulgação
Quem são
CLAUDIA FLORES – Reside e trabalha em Porto Alegre/RS. É artista visual, professora e tradutora. Bacharel em pintura e Mestre em Aquisição da Linguagem pela UFRGS. Desenvolve trabalho artístico em pintura, desenho e colagem em seu ateliê. Sua pesquisa poética se dá em torno da ideia de memória, usando como referência imagens de paisagens e pessoas a partir de fontes diversas. Realizou exposições individuais no Museu de Arte de Santa Maria, Galeria Espaço Cultural Duque e Casa Amarela, em Porto Alegre. Participou de exposições coletivas no Instituto Ling, Ocre Galeria, Associação Chico Lisboa, Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre, MARGS, Instituto Goethe, entre outras. Participou do 23º Salão de Artes Plásticas da Câmara Municipal de Porto Alegre (2022). É artista representada pela Ocre Galeria.
HELENA D’AVILA – Reside e trabalha em Porto Alegre, RS. Graduada em Artes Visuais pela UFRGS, e pós-graduada em Produção Cinematográfica pela PUC/RS. Trabalha com pintura, objetos e vídeo-arte. Participou do grupo “3×4 VIS(i)TA” durante dez anos, com o lançamento de livro. Possui obras em acervos públicos e Fundações de Arte. Realizou exposições individuais como: Projeto Rumos ITAU, Brasília/DF, Realizou exposições individuais tais como: Projeto Rumos ITAU, Brasília/DF em 1994; no Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural – IPAC, Salvador/BA; na Galeria Xico Stockinger – MACRS, Porto Alegre/RS; no Museu Luiz de Queiroz, São Paulo/SP; e na Galeria Anexo 535, Porto Alegre/RS em 2021. Participou de diversos Salões e exposições coletivas no Brasil e exterior como: Projeto 3×4 VIS(i)TA e visitados – MAC, Porto Alegre/RS; II Prêmio Gunther de Pintura – MAC/Ibirapuera, São Paulo/SP e Usina do Gasômetro, Porto Alegre; Paisagem (in) certa – SUBTE Centro de Exposiciones, Montevidéo/Uruguai; Trocas Contemporâneas – Centro Universitário Maria Antonia – USP, São Paulo/SP; Abstração e Figuração – Galeria Zagut, Rio de Janeiro/RJ; Fora das Sombras – Museu Oscar Niemeyer, Curitiba/PR. Participou de Feiras de Arte como: Artexpo New York Art Fair, Nova Iorque/EUA; Spectrum Miami Art Fair, Miami/EUA; PINTA 2020 – Miami/EUA. É artista representada pela Ocre Galeria.
LAURA FRÓES – Reside e trabalha em Porto Alegre/RS.Graduada em Artes Visuais, pelo Instituto de Artes da UFRGS. Trabalha com desenho, costura, colagem e site especific. . Participou do projeto “3×4 VIS(i)TA” que teve duração de 10 anos e culminou com o lançamento de um livro com financiamento do Fumproarte. Realizou três exposições individuais entre elasCorte/Dobra, Menção Honrosa no Prêmio IEAVIRS, 2012, e inúmeras coletivas como, A Matéria do Desenho, MACRS, Curadoria Gaudêncio Fidelis, Jovem Pintura Figurativa do RS, MACRS, Curadoria Paulo Gomes, Projeto João Fahrion 10 Anos – artista convidada, MACRS; e dos projetos especiais A Casa da Ilha da Pólvora do Arte Construtora – artista colaboradora, Plano:B – artista idealizadora e integrante da exposição independente e Remetente – Uma Leitura de Artista – artista idealizadora e integrante da exposição independente que teve financiamento do Fumproarte, todas em Porto Alegre/RS. Foi também Prêmio Aquisição no 17º Salão do Jovem Artista e Prêmio Incentivo à Criatividade no 11º Salão Câmara Municipal de Porto Alegre. Tem obra no acervo da Fundação Vera Chaves Barcellos FVCB. É artista representada pela Ocre Galeria.
Você já imaginou Renato Borghetti tocando Beatles num arranjo tanguero louco de especial do Hique Gomez? Os dois grandes nomes do cenário musical brasileiro, reconhecidos internacionalmente, estarão juntos no palco para um concerto inesquecível em Porto Alegre.
Hique Gomez e Renato Borghetti, acompanhados pela Orquestra de Câmara da Ulbra, se apresentarão no “Consertasso”, dia 10 de julho, segunda-feira, às 18h, na Praça Gustavo Langsch, no Bairro Bela Vista, uma das mais bonitas da capital gaúcha. Leve sua cadeira de praia, com chimarrão ou espumante, para um gostoso piquenique de fim de tarde!
O Concertasso une os repertórios de Hique Gomez e Renato Borghetti, como “Barra do Ribeiro” e arranjos especiais de Hique Gomez para clássicos gauchescos como “Couro Cru”, além de outras surpresas. Já a Orquestra da Ulbra vem desenvolvendo um trabalho de excelência junto a comunidades artísticas de Porto Alegre com concertos de alto padrão já há mais de 20 anos. Música clássica de alto nível, junto a programas de música popular com concertos para grandes públicos, inclusive no auditório Araújo Vianna, sempre coordenada pelo maestro Tiago Flores.
Músicos apresentam composições de seus repertórios também. Foto: Nilton Santolin/ Divulgação.
Praça Gustavo Langsch
Nos dias 23 e 24 de março deste ano, a Praça Gustavo Langsch recebeu a ópera A Flauta Mágica, em adaptação e versão de Hique Gomez, que fez também a narração com um grupo de músicos cantores líricos e sob regência do maestro alemão Adam Smith, que veio especialmente para a ocasião. Durante os dois dias, famílias com toalhas de piquenique e cadeiras de praia tomaram a praça e se encantaram com um show único de interpretações. Desde então, a praça ficou apta para novas performances. “O dourado do outono, com as folhas de plátanos e outras árvores que ganham cores especiais nesta época, prometem um belíssimo concerto”, diz Hique Gomes.
A Entrada é gratuita, mas haverá coleta de roupas para o projeto POA QUE CUIDA – Campanha do Agasalho e do Alimento 2023, da Prefeitura de Porto Alegre.
SERVIÇO
O QUE: CONCERTASSO com Hique Gomez e Renato Borghetti com Orquestra da Ulbra
DATA: 10 de julho
HORÁRIO: 18h
LOCAL: Praça Gustavo Langsch, no Bairro Bela Vista
ENTRADA FRANCA, com doações de roupas para o projeto POA QUE CUIDA – Campanha do Agasalho e do Alimento 2023, da Prefeitura de Porto Alegre
Em caso de chuva, o evento será transferido para uma data a ser definida.
Além das instrumentais que estão no recente álbum OITO, o pianista lança o clipe de “Nunca mais voltar”, do TNT, banda que integrou no final dos anos 1980. A apresentação acontece no dia 1º de julho, às 19h
O ditado “O mundo dá voltas” é o que mais representa a história de João Maldonado como pianista. Aos 20 anos, saiu da casa dos pais para tocar em uma banda de jazz de Florianópolis. Dois anos depois, retornou a Porto Alegre para integrar o TNT, uma banda rock. Era início dos anos 1990 e os músicos do Bom Fim estouraram no Brasil. Assinaram com uma grande gravadora e se mudaram para o Rio de Janeiro.
Mais uma vez, de volta à capital, trocou o rock gaúcho pelo blues. Foi o primeiro pianista a gravar um disco nesse estilo com Solon Fishbone e, um tempo depois, vivendo no Chile, foi considerado o melhor guitarrista de blues daquele país.
Diversos artistas
Tocou com diversos artistas, como Laura Brown, Shana Hughes, Kenny Neal Larry McCray (guitarrista de Dallas) e Ron Levy (pianista e organista de BB King), e produziu mais de sessenta discos, até decidir que era hora de mostrar o seu trabalho. Voltou para o jazz mais preparado pelas mãos do pianista Fábio Torres, do Trio Corrente – vencedor do Grammy Latino em 2014, como Melhor Álbum de Jazz –, com quem estuda música brasileira e bossa nova.
Maldonado fez, ainda, trilhas para cinema, ópera, teatro, dança e publicidade. Além do single de bossa Sem você não sou ninguém (2020), nos últimos quatro anos lançou três álbuns – BEAUTY (Vencedor do Prêmio Açorianos 2020 como Melhor Álbum Instrumental), SOLITUDE (piano solo) e JOÃO MALDONADO 8 – e, atualmente, trabalha em outros dois: mais um só de piano gravado ao vivo e outro de bossa nova, que terá a participação de nomes, como Analu Sampaio, Roberto Menescal e Paulo Braga (baterista de Tom Jobim, Elis Regina e Tim Maia, entre outros).
Única apresentação
Para celebrar esses 40 anos, o pianista faz única apresentação no Teatro Oficina Olga Reverbel, no Multipalco do Theatro São Pedro, no dia 1º de julho (sábado), às 19h. No repertório, o álbum OITO, que inclui músicas dos discos anteriores e releituras de “Nunca mais voltar” (TNT), Little Man (Art Blakey & The Jazz Messengers) e Witch Hunt (Wayne Shorter).
O show será um crescente, do piano de cauda solo como protagonista a sexteto, para mostrar a diversidade e a improvisação de cada instrumento, que são característicos do jazz. Integram a banda Miguel Tejera (baixo acústico), Dani Vargas (bateria), Amauri Iablonovski (sax soprano) e Cristiano Ludvig e Ronaldo Pereira (sax tenor).
Novo clipe
Durante o show, será lançado o clipe da música “Nunca mais voltar”. Para a versão instrumental, o pianista contou com as participações de Miguel Tejera e Dani Vargas para um “passeio” pelo Bom Fim, bairro onde a música foi composta no início dos anos 1990 por Charles Master e Tchê Gomes.
Dirigido por Alex Sernambi, o filme traz a nostalgia de uma época de florescimento do rock gaúcho, do cinema urbano e de experimentações estéticas na televisão e no teatro e dos lugares mais simbólicos e representativos da efervescência cultural da vida noturna na cidade. Lugares que impregnaram a memória do porto-alegrense e que fizeram do Bom Fim o reduto, também, dos hippies anos 1970, dos punks e darks dos anos 1980 e 1990, dos intelectuais e das bandas locais que viravam a madrugada tocando na rua.
“O rock gaúcho nasceu no Bom Fim. Nossos encontros aconteciam no Bar do João, no Lola, no Escaler, na Lancheria do Parque e no Ocidente, esses dois últimos que resistiram e ainda são ponto de encontro dos personagens que se tornaram símbolos da efervescência cultural e política do bairro durante a ditadura militar e o processo de redemocratização no país. Foi intenso gravar nesse tempo que nunca mais voltará”, destaca Maldonado.
A premiada pianista e compositora Dunia Elias se prepara para uma apresentação única na capital gaúcha. O show Dunia Elias Quarteto, será no dia 22 de junho, às 20h, no Teatro do CHC Santa Casa (Avenida Independência, 75, Bairro Independência). No palco um repertório de músicas com identidade sonora do sul do Brasil, passeando um pouco pela Argentina e Uruguai, com tempero jazzístico. Os ingressos custam R$ 40,00 e podem ser adquiridos pelo https://www.sympla.com.br/evento/dunia-elias-quarteto/2021005.
Dunia Elias é conhecida pelo público gaúcho como uma artista original, que se expressa como pianista, compositora e atriz-pianista, tendo sido várias vezes premiada em festivais, no Rio Grande do Sul e fora dele. Suas composições refletem essas influências que permeiam seu universo sonoro: “Choro Pampeano” (Prêmio Plauto Cruz no Festival de Choro de Porto Alegre 2005), “Antonio Abdallah” (milonga e dança árabe), “Candombe no Bomfim” (2º lugar no 13º Festival de Música de Porto Alegre), “O Choro do Bugio” (Melhor Música Instrumental no XI Musicanto). Três dos instrumentistas mais versáteis do Estado a acompanham, formando uma parceria de longa data: Artur Elias (flauta), Giovani Berti (percussão) e Miguel Tejera (contrabaixo).
Dunia Elias – foto de Anibal Elias Carneiro/ Divulgação
“Dunia Elias há muitos anos se tornou um patrimônio musical da nossa cidade. A quantidade de músicos com quem ela colaborou, os prêmios que já recebeu e o público que tem arrebatado com seu toque pessoal ao piano, fazem dela uma artista de primeira importância no cenário da música brasileira feita em Porto Alegre”, afirma Hique Gomez, amigo e parceiro de Dunia. Segundo Hique, a artista deixa sua marca por onde quer que se apresente. “No meu trabalho Tãn-Tãngo, Dunia traz uma colaboração indelével, e eu costumo dizer que não há no Brasil quem possa substituí-la, tamanha contribuição que trouxe à minha carreira. Compositora com claras influências dos países vizinhos traz o sotaque legítimo do tango e da milonga, assim como toca chorinho como uma das filhas prediletas de Chiquinha Gonzaga. Na consolidação da fusão entre as culturas do cone sul, Dunia tem um papel de grande importância, emprestando a naturalidade de seu sotaque multicultural e evidenciando a legitimidade das culturas de fronteiras. O HiperPampa se desvenda no teclado de Dunia, e o Brasil merece conhecer o seu talento.”, finaliza Hique.
O show Dunia Elias Quartetofoi contemplado no Edital de Ocupação para Espetáculos de Música – CHC 2023.
Sobre Dunia Elias
Pianista e compositora, atuando tanto na música de concerto como na música popular, especialmente na música instrumental brasileira. Suas apresentações incluem música de câmara, música popular, trabalhos como atriz-pianista, solos com orquestra, trilhas para cinema mudo, e suas próprias composições. Dentre diversos prêmios recebidos figuram Melhor Música Instrumental do XI Musicanto Latino-Americano para sua composição “O Choro do Bugio”, 2º lugar no I Festival de Música Instrumental do RS (com “Luzazul”), Prêmio Plauto Cruz no Concurso de Choro de Porto Alegre (com “Choro Pampeano”), e 2º lugar no 13º Festival de Música de Porto Alegre (com “Candombe no Bomfim”). É pianista do espetáculo “TãnTãngo”, de Hique Gomez, vencedor do Prêmio Açorianos de Melhor Espetáculo de 2012, tendo sido apresentado em várias cidades do Rio Grande do Sul e do Brasil. Desde 2007 toca no Tango Show com o bandoneonista uruguaio Carlitos Magallanes, tendo a honra de ter sido indicada pelo grande pianista e arranjador Carlos Garofali. O quarteto Dunia Elias se apresentou no Bento Jazz & Wine Festival, em novembro de 2022, com grande sucesso. No palco, companheiros de longa data: Artur Elias na flauta, Giovani Berti na percussão e Miguel Tejera no contrabaixo.
FICHA TÉCNICA:
DUNIA ELIAS – Piano
ARTUR ELIAS – Flauta
GIOVANI BERTI – Percussão
MIGUEL TEJERA – Contrabaixo
SERVIÇO
O QUE: ShowDunia Elias Quarteto
DATA: 22 de junho
HORÁRIO: 20h
LOCAL: Teatro do CHC Santa Casa (Avenida Independência, 75, Bairro Independência)
INGRESSOS: R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia entrada)
Geraldo Hasse
Quando o Correio entregou o pacote contendo o livro “Tempo dos Cardos”, de Celso Horta, premeditei fazer uma leitura diagonal rápida, ciente do quão pesadas são as narrativas sobre a história da luta armada contra a
ditadura militar.
A cada novo livro, a gente vai se apegando aos
exemplares, inesquecíveis: “Memórias do Esquecimento”, de Flávio Tavares, e “Operação Condor: O Sequestro dos Uruguaios”, de Luiz Claudio Cunha, só para citar dois campeões do tema.
Surpresa: a primeira impressão sobre o presente entregue pelo carteiro logo se desfez. Na orelha de “Tempo dos Cardos” (expressão recolhida de um poema de Manuel Bandeira), consta que o autor Celso Horta foi preso
em 1969, aos 21 anos, em São Paulo, como militante da ALN, comandada pelo ex-deputado comunista Carlos Marighella.
Após deixar a prisão em 1977, formou-se em comunicação social e trabalhou pelo resto da vida na imprensa partidária (PT) e sindical (CUT). Nesta breve nota biográfica, não se menciona a ABR – Agência Brasileira de Reportagem, típico órgão da imprensa nanica tocado Celso Horta com a ajuda de amigos em 1980. Foi
aí que o conheci em São Paulo. Depois disso, nunca mais nos encontramos.
Assim, ler “Tempo dos Cardos” (Expressão Popular, 342 páginas) significou uma retomada de contato, poucos dias depois de saber da morte do autor — Celso tinha 75 anos e não chegou a ver impressa a obra a que
dedicou seus últimos dez anos de vida. No lançamento em São Paulo, no dia 23/5, falou por ele sua filha Joana Horta.
“Tempo dos Cardos” não esconde origens nem objetivos: é uma narrativa de militante de esquerda. Enaltece dirigentes da guerra revolucionária contra a ditadura militar e o imperialismo ianque, mas focaliza com
inequívoco faro jornalístico a história das dissidências da esquerda brasileira sobre como enfrentar o governo militar durante os chamados anos de chumbo (1968/1980). Embora faça menção a diversos episódios ocorridos no período acima, o narrador se concentra sobretudo na
história do Movimento de Libertação Popular (Molipo), pequena organização política saída do ventre da Aliança de Libertação Nacional (ALN), a qual nasceu como “dissidência armada” do Partido Comunista Brasileiro (PCB), quando este decidiu que não pegar em armas contra o regime autoritário.
Boa parte do livro procura recuperar a trajetória de João Leonardo da Silva Rocha, baiano como Marighella. Nascido em 1939 em Amargosa, ele morreu aos 36 anos no sudoeste da Bahia, onde se achava trabalhando como
peão de fazenda numa região infestada de grileiros e posseiros de terras devolutas. Professor secundário e estudante de Direito em São Paulo, João Leonardo era culto e possuía liderança, mas na luta para não ser
preso acabou se isolando no interior do Nordeste. Por três anos sobreviveu como sitiante solitário em Pernambuco. Quando se sentiu acuado por uma comitiva de policiais militares da Bahia, fugiu para o Sul em busca de contato com companheiros de luta.
José Dirceu, um deles, sobreviveu cinco anos com nome falso em Cruzeiro do Oeste, PR, de onde voltou à vida normal graças à anistia de 1979.
A maioria dos molipeanos participou de treinamento de guerrilha em Cuba. Alguns não voltaram para o Brasil ao se dar conta de que não teriam condições objetivas de sobrevivência no país natal.
Em sua narrativa, Horta fala não só dos cabeças, mas de militantes que trabalharam em “atividades anônimas” na retaguarda dos movimentos guerrilheiros.
No apoio logístico, destacou-se Ana Cerqueira Cesar
Corbisier, que aparece em vários trechos do livro, sempre com uma participação luminosa. Nascida em São Paulo, formada em sociologia na USP, ela se afastou dos filhos para lutar contra a ditadura.
Em dado momento da história, saiu de Havana a fim de recuperar o contato com João Leonardo, extraviado no Nordeste do Brasil.
Depois de um mês peregrinando por cidades como Arcoverde, Caruaru e Garanhuns, reencontrou o companheiro – só para continuarem se escondendo.
Após três dias de pura deriva na região mais pobre do
Brasil, os dois se separaram sem trocar endereços. Fugitivos, sabiam que a guerra estava perdida. Seu objetivo era sobreviver para, de alguma forma, contar o que aconteceu.
É o que se espera ainda da socióloga Ana Corbisier. Aos 82 anos, ela deu uma rara contribuição ao livro de Celso
Horta, mas tudo indica que tem munição para ir mais longe e mais fundo.
Graças a essas historietas humanas diluídas na obra final de Celso Horta, os leitores podem ter uma boa noção do quanto foi desigual a luta armada contra a ditadura militar: algumas centenas de pessoas de esquerda reunidas em organizações precárias, mal armadas, praticamente sem apoio externo, foram massacradas por um numeroso exército profissional, bem equipado e com cobertura política para praticar atrocidades em unidades militares clandestinas.
Essa crônica policial-militar é bem conhecida, mas de tempos em tempos aparecem novidades que clamam por justiça. Uma das revelações de “Tempo dos Cardos” é que falta confirmar onde, no sudoeste da Bahia, foi sepultado João Leonardo, abatido pela Polícia Militar baiana em Palmas do Monte Alto em novembro de 1975. Ali perto, em Guanambi, vivia o violeiro Elomar Figueira de Melo, que dedicou uma “incelença” ao conterrâneo
falecido. Falta saber também qual foi a participação dos órgãos federais como o Serviço Nacional de Informações na morte do “guerrilheiro” identificado pelo outro lado como “pistoleiro”.
Por falta de uma melhor organização cronológica, o livro de Celso Horta antecipa informações que se repetem mais de uma vez em algumas partes do livro.
Entretanto, é melhor repetir do que esconder, falsear ou omitir.
“Tempo dos Cardos” tem qualidades para figurar na História como uma das mais ricas narrativas sobre os anseios, motivações e temores dos que há mais de 50 anos pretenderam derrubar a ditadura. Como se sabe, a luta continua.