Os vencedores do Prêmio Açorianos de Música 2019-2020 foram revelados em cerimônia virtual realizada no sábado passado, dia 28. O evento ocorreu no palco do Salão de Atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), sem presença de público, com transmissão pela TVE, pelo canal da UFRGS TV no YouTube e na página da Coordenação de Música da SMC no Facebook.
Os mestres de cerimônia Fernando Zugno e Negra Jaque convidaram os espectadores a acompanhá-los por um passeio pela Cidade da Música, que teve abertura com a exposição “Mais tambor menos motor”. O trabalho reúne os artistas do Quilombo do Sopapo, com trilha sonora de Richard Serraria, marcando o encerramento do novembro Negro, um mês potente de debate sobre uma sociedade antirracista.
Na cerimônia foram anunciados os álbuns, compositores, intérpretes e instrumentistas vencedores nas categorias Música Regional, Música Popular Brasileira, Música Erudita, Música Instrumental e Música Pop. Também foram entregues os prêmios, Espetáculo do Ano, DVD do Ano, Projeto Gráfico, Melhor Álbum Infantil, Produtor Musical, Álbuns do Ano e Revelação do Ano.
A realização do Prêmio Açorianos de Música foi da Secretaria Municipal da Cultura em parceria com a Pró-Reitoria de Extensão da UFRGS, através do Departamento de Difusão Cultural e do Salão de Atos e UFRGS TV.
A cantora Glau Barros foi contemplada em duas categorias. Foto: Reprodução PMPoa/ Divulgação
VENCEDORES PRÊMIO AÇORIANOS DE MÚSICA 2019/2020
COMPOSITORES
POP
Tati Portela – Impermanência
ERUDITO
Dimitri Cervo – Música Sinfônica
INSTRUMENTAL
James Liberato – Manacô
MPB
Pedro Borghetti – Linhas de Tempo
REGIONAL
Carlos Roberto Hahn – Beira Mar, Beira Rio
INTÉRPRETES
POP
Tati Portela – Impermanência
ERUDITO
Cintia de los Santos – Serenata
INSTRUMENTAL
Elias Barboza – Sexteto Gaúcho
MPB
Adriana Deffenti – Controversa
REGIONAL
Volmir Coelho – Beira Mar, Beira Rio
INSTRUMENTISTAS
POP
Matheu Correa – Meu Rock é Black (guitarra)
ERUDITO
Diego Grendene – O Clarinete na obra de Bruno Kiefer
INSTRUMENTAL
Gambona Ventos do Sul – (guitarra)
MPB
Daniel Wolff – Iberoamericano
REGIONAL
Régis Reis – Vida e Verso
DISCOS
POP
Impermanência – Tati Portella
ERUDITO
Plural – José Milton Vieira
INSTRUMENTAL
Beauty – João Maldonado
MPB
Controversa – Adriana Deffenti
REGIONAL
Beira Mar, Beira Rio – Roberto Hahn e Volmir Coelho
REVELAÇÃO
POP
Matheu Corrêa – Meu Rock é Black (compositor)
ERUDITO
José Milton Vieira – Plural como instrumentista
MPB
Glau Barros – Brasil Quilombo (intérprete)
ESPETÁCULO
Orquestra Villa-Lobos – Afrika
INFANTIL
Musicards – Thiago Di Luca
DVD DO ANO
Glau Barros – Brasil Quilombo
ESPETÁCULO DO ANO
Orquestra Villa-Lobos – Afrika
MELHOR DISCO INFANTIL
Musicards – Thiago Di Luca
PRODUTOR MUSICAL
Matias Pinto – Sexteto Gaúcho
PRODUTOR GRÁFICO
Monema – Plano de Fuga e outros planos
Morreu na madrugada de sábado, às 2H30, o artista visual gaúcho Gelson Radaelli. Ele tinha 60 anos e a causa da morte foi um infarto fulminante, sofrido em sua residência depois de passar a noite trabalhando no restaurante Ateliê das Massas, do qual era um dos sócios.
Embora sua morte não tenha repercutido nos meios eletrônicos como rádio e televisão com a atenção que merecia, nas redes sociais, na mídia impressa, no meio cultural oficial e fora dele, inclusive no setor político, foi muito comentada, já que a candidata à prefeita de Porto Alegre, Manuela D’ Ávila lamentou e reconheceu a importância do artista para a cena cultural gaúcha.
Segundo Nadir Lodi Rossini, cozinheiro e que há anos trabalha no Atelier de Massas, Radaelli foi encontrado pela esposa, Rogéria, na sala de casa por volta das 2h30 da madrugada deste sábado. “A causa da morte ainda está sendo investigada, mas informações preliminares indicam para um ataque cardíaco fulminante”, comentou Rossini. Ele deixa dois filhos, Tulia e Teodoro.
Parede do restaurante Ateliê das Massas, com obras de Radaelli. Foto: Ayres Cerutti
O jornalista Ayres Cerutti, amigo do pintor e frequentador do Ateliê das Massas chegou a fazer um desabafo na noite do sábado em seu Facebook : “Assustador absurdo! Nenhuma repercussão midiática pela morte do gênio pictórico Radaelli. Fosse um analfabeto jogador de futebol ganharia estátua de bronze. Poa, cidade imbecilizada!” escreveu Cerutti.
Reconhecimento artístico
No entanto, nas redes sociais e nos depoimentos aos veículos impressos, amigos do pintor deram depoimentos comovidos. Como o professor Francisco Marshal, gestor do Studio Clio, que registrou:
“Artista grandioso, sincero, revelador, poético, livre, arrojado, ciente do mundo em que vivemos e de como a Arte pode e deve ser. Uma reflexão séria, vigorosa, sobre o mundo, a linguagem, a condição humana.
O concidadão sensível, filântropo, propiciador. Em seu restaurante Atelier de Massas (o melhor restaurante de massas do planeta), a arte e a amizade tinham morada sagrada. Quantos artistas e pessoas da educação e da cultura foram por Gelson apoiados?
Enófilo primoroso, porque um grande artista é também Dioniso, como Radaelli sempre foi. E um amigo diletíssimo. Estou absolutamente arrasado com a morte súbita e indevida de meu queridíssimo amigo. Gelson Radaelli. Um dos melhores. Fica conosco teu legado de arte, amor e vida. Eternamente.”
Galeson Radaelli com Graça Craidy e Francisco Marshall no Studio Clio. Foto: Reprodução/ Divulgação
A artista visual Graça Craidy também deu um depoimento sobre a morte do artista, de quem era amiga.
“Uma figura especialmente amorosa, bonachão, homem de paz, um grande querido. Como artista, um estilo único, livre, talentoso, desaforado, reinava naquelas telas como um maestro de mazurka, expressionista do gesto carregado de tinta e paixão. Herdeiro natural de Iberê Camargo, encantava com os revolteios das suas pinceladas soltas que iam do céu à terra sem medo de ser feliz. Ele brincava comigo que éramos da mesma família artística, a dos viscerais apaixonados. Me sentia honrada e feliz por um artista tão especial como ele me acolher no seu generoso clã. Há poucos dias, expôs na Bolsa de Arte uma coleção incrível de pinturas fresquinhas, atrevidas, intensas. E eu até tinha recém feito um retratinho dele, para lhe homenagear pela exposição, mas nem deu tempo de lhe entregar em mãos! Adorava fazer cara feia, só acreditava quem não o conhecia. Um corazón de melón! Um amor de Radaelli. No seu inesquecível restaurante Atelier das Massas, foi um mestre amoroso abrindo os braços para acolher todos em seu imenso coração. Para nossa infinita tristeza, parte o homem, fica a sua arte para sempre, a nos lembrar da sua enorme liberdade e fulgor. Descansa em paz, amado Radaelli!”
Gelson Radaelli, em pintura de Graça Craidy. Foto; Reprodução
Homenagens oficiais
Os veículos impressos da capital, Zero Hora, Correio do Povo e Jornal do Comércio deram a notícia com o merecido destaque em seus espaços culturais. O jornal Extra-Classe fez um extenso registro da vida e obra do pintor, destacando sua produção artística e dono de um estabelecimento de gastronomia apreciado por todos seus frequentadores. No local, Radaeeli expunha parte de sua produção pictórica.
Por meio de nota, a Associação dos Escultores do Estado do RS (AEERGS) comunicou o falecimento e agradeceu ao artista. “As obras dele também integram coleções de diversos museus, instituições e galerias brasileiras, que agora manterão viva a memória de tão importante artista. A ele, nossa gratidão”.
A Secretaria de Estado da Cultura- SEDAC também emitiu nota sobre o falecimento do artista. Nela diz:
“A Secretaria de Estado da Cultura – SEDAC, através do Instituto Estadual de Artes Visuais – IEAVi, do Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS e do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul – MACRS, lamenta com pesar o falecimento do artista Gelson Radaelli, na madrugada deste sábado, 28.11.2020, aos 60 anos.
Destacado nome da pintura do Rio Grande do Sul, Radaelli integra a geração que despontou nos anos 1980, vinculando-se à vertente dos jovens artistas que protagonizaram o que se convencionou denominar por “retorno da pintura”.
já não mais partindo da oposição anterior entre figuração e abstração, mas de um renovado interesse por uma pintura de linguagem e conceituação contemporânea, de tratamento gestual e forte apelo subjetivo, constituindo certo encaminhamento da tradição das correntes expressionistas.
Graduado em 1986, em Comunicação Social, Radaelli estudou pintura com Karin Lambrecht, Michael Chapman, Luis Baravelli, Armando Almeida e Fernando Baril.
A partir dos anos 1980, realizou e participou de dezenas de exposições, incluindo o MACRS e o MARGS. Também recebeu diversos prêmios nacionais.
Integrava a Casa do Desenho, ao lado de Eduardo Haesbaert e Fábio Zimbres. Foi ainda editor de arte e ilustrador dos jornais “O continente” e “Prá ver”, além de proprietário e chef de cozinha do tradicional restaurante Atelier das Massas, em Porto Alegre.
Em 2017, apresentou no MARGS a exposição “Neon”, sua última individual no Museu, com curadoria de Icleia Cattani.
Nas palavras de Radaelli: “A arte é um tipo de produção ou posicionamento que não provoca apenas coisas boas, mas também te provoca o estranho, relação de proporcionar a letargia, tirar o prazer absoluto. A arte é um caminho de reflexão”.
Deixamos nossa solidariedade e sentimentos à família e aos amigos.
Foto: Túlia Radaelli/ Divulgação
Igualmente, a Secretaria de Cultura de Porto Alegre, registrou o falecimento, em nota:
“Lamentamos com profundo pesar o falecimento do pintor Gelson Radaelli. Apaixonado pelas artes plásticas e gastronomia, no ano de 1992 inaugurou e passou a administrar o Atelier das Massas, no Centro Histórico. Nas paredes do restaurante exibia suas obras. Mais um grande nome que nos deixa em 2020 e que será lembrado através de seu legado”.
A Secretaria Municipal da Cultura, em parceria com a Livraria Baleia, promove o Festival de Literatura Fósforo, com eventos em alusão ao Mês da Consciência Negra. Os encontros virtuais ocorrem de24 de novembro a 4 de dezembro e podem ser acompanhados pelocanal da Coordenação de Artes Cênicas no YouTube(link https://bit.ly/CACyt).
Os encontros serão organizados em dois blocos, tomando emprestada a dinâmica das apresentações de teatro online. No primeiro momento, os convidados apresentam uma obra ou auto que tenha sido determinante em sua formação como escritor e que seja capaz de invocar sua própria obra. No segundo bloco, a plateia presente na sala poderá fazer perguntas e comentários utilizando áudio e vídeo.
A proposta é que cada um dos convidados apresente ao público um livro que tenha sido representativo e importante em sua formação como escritor. Com isso, o público terá a oportunidade de conhecer em detalhe os universos literários de Cidinha da Silva, Eliana Alves Cruz, Fernanda Bastos, Itamar Vieira Júnior, José Falero, Luciany Aparecida, Luna Vitrolira e Luiz Maurício Azevedo.
27/11 (sexta-feira) às 19h
Luciany Aparecida e Luiz Maurício Azevedo
1/12 (terça-feira) às 19h
Itamar Vieira Junior e José Falero
4/12 (sexta-feira) às 19h
Cidinha da Silva e Eliana Alves Cruz
Autores e autoras convidadas
– Cidinha da Silva é poeta, ficcionista e crítica literária, autora de mais de uma dezena de livros, entre eles Um exu em Nova York e O homem azul do deserto.
– Eliana Alves Cruz é jornalista e escritora, autora dos livros Água de barrela, O crime do Cais do Valongo e Nada digo de ti que em ti não veja.
– Fernanda Bastos é jornalista, poeta e editora, autora dos livros Dessa cor e Eu vou piorar.
– Itamar Vieira Júnior é escritor, autor de Torto arado e A oração do carrasco.
– José Falero é escritor, cronista da revista Parêntese, autor dos livros Vila Sapo e Os supridores.
– Luciany Aparecida é professora e escritora, autora dos livros Contos ordinários de melancolia e Florim (em pré-venda), entre outros.
– Luna Vitrolira é professora e poeta, autora de Aquenda: o amor às vezes é isso.
– Luiz Maurício Azevedo é escritor, professor e crítico literário, autor dos livros A manipulação das ostras, Pequeno espólio do mal, Boca de conflito, Por uma literatura menos ordinária, entre outros.
A coleção de 20 volumes com obras de William Shakespeare apresentada pelo psicanalista, escritor e intelectual Luiz-Olyntho Telles da Silva. Hoje, o 15º volume.
A coleção Shakespeare da Editora Movimento – 15
ANTÔNIO E CLEÓPATRA
p/William Shakespeare
Tradução interlinear, introdução e notas de Elvio Funck
Porto Alegre, Editora Movimento, 2017, 272p.
Em coedição com a UDINISC, Santa Cruz do Sul, RS.
A trilogia romana de Shakespeare abrange Coriolano, Júlio César e Antônio e Cleópatra. Em Coriolano temos o fim da monarquia romana e o início da república, quinhentos anos antes de Cristo. A monarquia cai depois que Lucrécia, esposa de um nobre romano, é violentada pelo filho de Tarquínio o Soberbo, sétimo rei de Roma. A república romana dura quinhentos anos e entra em agonia com Júlio César que, supostamente, aspirava a ser rei e é assassinado, em 44 a.C. Em Antônio e Cleópatra, a paixão desenfreada do triúnviro Antônio por Cleópatra, rainha do Egito, está na raiz da queda da república e, com César Augusto, dá-se início ao governo forte dos imperadores romanos que encabeçaram o império até sua queda, em 476 d.C.”
Ato II, cena 5 – Cleópatra:
Quero ouvir música; a música é o alimento certo
de todos nós, que nos engajamos nas artes do amor.
A rede de bibliotecas comunitárias Beabah! promove na quarta-feira (25) a aula pública “Literatura Indígena: como chegar ao leitor?”, com a presença da escritora e artesã Telma Pacheco Tremembé. A conversa é gratuita e ocorre no instagram da rede (@beabah.rs) às 19h.
Autora do livro “Raízes do meu ser: meu passado presente indígena”, Telma irá trazer suas narrativas e vivências enquanto escritora mulher e indígena. Quando falamos em “Literatura Como Um Direito Humano”, estamos falando de muitas literaturas, culturas e vozes, criadas não só em língua portuguesa, mas também em língua nativa, tais como os textos da Literatura Indígena.
A rede de bibliotecas comunitárias Beabah! existe há 12 anos, com o objetivo de descentralizar a cultura e democratizar o acesso ao livro e à leitura. Atualmente, 10 bibliotecas comunitárias integram o coletivo, espalhadas por 4 cidades da Região Metropolitana de Porto Alegre. Só em 2019, foi realizado o empréstimo de 6.990 livros e alcançado o número de 9.258 nas periferias das cidades que a Beabah! atua.
Sobre a convidada
Telma Pacheco Tremembé, indígena da etnia Tremembé do Ceará, escritora, artesã, contadora de histórias, mediadora de leitura pela Universidade aberta Demócrito Rocha, militante da causa indígena e da natureza.
Live “Literatura Indígena: como chegar ao leitor?”
A Bublitz Galeria de Arte foi a primeira do Brasil a lançar uma galeria virtual interativa. Agora, a Bublitz também será a pioneira em levar uma exposição de arte para a casa dos visitantes, em uma parceria com o aplicativo Mobart. A novidade será lançada no dia 21 de novembro, sábado, com a inauguração presencial e virtual da exposição Arabescos, do artista plástico Vitório Gheno, um dos grandes nomes da arte contemporânea do País, em criações inéditas, produzidas durante a pandemia, e em obras clássicas de sua trajetória de mais de 70 anos de arte.
Técnica mista, óleo acrílico sobre tela. Série Arabescos. Fotografia : Daniel-Martins/ Divulgação
São múltiplas possibilidades para visitar a exposição ou levar as obras de Gheno digitalmente para casa. A galeria virtual poderá ser acessada a partir do link: https://virtual.galeriabublitz.com.br/. Para colocar os quadros de Gheno na sua casa, em tamanho natural, basta baixar o aplicativo Mobart disponível na Apple Store. Acesse o vídeo com o tutorial em https://youtu.be/CTib5kjL2Jo e veja como funciona. Por enquanto, a experiência estará disponível apenas para Iphones e Ipads, mas, ainda no primeiro trimestre de 2021, a visita em realidade aumentada poderá ser conferida pelo sistema Android. Para quem estiver em Porto Alegre, existe ainda a opção de visita presencial à Bublitz Galeria de Arte, localizada na Av. Neusa Goulart Brizola, 143, no Bairro Rio Branco. A exposição vai até o dia 21 de dezembro.
Vitório Gheno e a série Arabescos. Foto: Nádia Raupp Meuci/Divulgação
A Mobart é uma startup que tem a sua origem na pesquisa de doutorado em Artes Visuais da art dealer Andrea Capssa na Universidade Federal de Santa Maria. Atualmente, a Mobart é incubada na Pulsar/AGITTEC e acelerada pela USP com apoio da Samsung. O objetivo é propor soluções e novas dinâmicas para os agentes do mercado da arte. A parceria com a Bublitz é resultado de uma proposta de unir arte e inovação.
A novidade abre espaço para a arte reconhecida de Vitório Gheno, em uma vitrine de janelas e possibilidades que se multiplicam. A exposição Arabescos apresenta 16 obras do artista, em duas séries, Arabescos, com criações inéditas desenvolvidas durante o período de pandemia, e Cidades Paralelas e Métropole, com obras clássicas da trajetória de Gheno. A exposição conta com a curadoria da produtora cultural, fotógrafa, editora e bibliotecária documentalista Nádia Raupp Meuci. Gheno é um dos principais artistas da Bublitz Galeria de Arte e suas obras já estiverem presentes em duas exposições individuais e quatro coletivas no espaço.
Técnica óleo sobre tela. Série Metrópole. Fotografia:Daniel Martins/ Divulgação
Obra da Série Metrópole 2020, de Vitório Gheno Daniel Martins
Os Arabescos Gheno
Vitório Gheno é um autêntico. É assim que ele se auto define. “Ao longo dos últimos 25 anos acompanhei o artista, realizando a curadoria de sua obra. Um dos resultados deste trabalho dedicado e continuado, foi a pesquisa, produção e publicação do único livro de arte publicado no Brasil sobre o artista – Gheno Artista Plástico – lançado em outubro de 2006 no MARGS, com repercussão jamais vista no Museu em lançamento de livro com exposição retrospectiva de 6 décadas de arte, na época”, relata a curadora. Agora, já são mais de 7 décadas de arte. De lá para cá, Gheno nunca parou de criar e pintar, como faz desde sua adolescência quando iniciou sua carreira artística na Seção de Desenho da Livraria do Globo, chefiada por Ernst Zeuner, alemão graduado em Artes Gráficas na Alemanha e radicado em Porto Alegre.
Portanto, uma vasta e diversificada gama de novas séries e temas foi criada por ele. Gheno tem obras em vários países da Europa e nos Estados Unidos, recentemente em Miami. Dono de um talento, criatividade, traço e leveza invejáveis, sua marca registrada é a versatilidade, posto que atuou nas mais diversas áreas da arte brasileira, como aquarelista, gravador, ilustrador, publicitário, jornalista, designer de mobiliário, designer de interiores, artista plástico. Não há o que Gheno não crie e pinte. Em uma única obra sua podemos contemplar outros “novos quadros” inseridos nos diversos detalhes que descobrimos todos os dias ao contemplá-la novamente. Portanto, suas obras nos surpreendem diariamente: ele consegue pintar vários quadros ao mesmo tempo, dentro de uma única tela.
ARABESCOS é a mais recente e inédita série de Gheno, cuja pesquisa iniciou em 2017, em seus próprios desenhos espalhados por agendas telefônicas: trata-se de um hábito inconsciente que o artista sempre teve, isto é, ficar desenhando nas agendas enquanto fala ao telefone. Um dia, revendo agendas para procurar contatos antigos, deu-se conta de tantos desenhos que nem ele mesmo lembrava. Os desenhos pareciam arabescos e eram recorrentes. Recortou tudo, em agendas que ainda tinha, e começou a pesquisar. Nascia uma nova inquietação. Alguns quadros pequenos desta série nova, foram ainda pintados em 2017, e foram adquiridos por um grande colecionador de Porto Alegre que tem o hábito de adquirir obras novas do Gheno, mesmo sem vê-las. É o colecionador que possui muitas obras de diversas séries pintadas pelo artista nas últimas duas décadas e meia. Em 2018 e 2019, Gheno continuou pesquisando para sua série nova em horas vagas de outros trabalhos.
A alteração da vida pela pandemia é o tema da mostra Instantes no Tempo, que tem abertura neste sábado (21/11), das 11 às 17h, na Galeria Duque. Com curadoria de Ana Zavadil, reúne 63 artistas, a grande maioria mulheres. Paralelamente, com curadoria de Daisy Viola, a Duque comemora oito anos de existência apresentando novidades no acervo, como trabalhos de Iberê Camargo representativos das etapas do processo criativo e linguagens do gaúcho e também pinturas de outros mestres nacionais. As exposições ficam em cartaz até 13 de março de 2021. Será permitida a entrada de dez pessoas por vez na galeria.
Obra de Susan Mendes. Foto: Ana Zavadil/ Divulgação
Ana Zavadil diz que concebeu a exposição para que os artistas convidados pudessem “extrapolar o seu universo interno e dar ao outro o seu tempo de confinamento transformado em arte”. Conforme ela, “o tema tempo é vivido em toda a sua potencialidade e em solidão, envolto em sentimentos impalpáveis, transformado em pinturas, desenhos, objetos, esculturas, gravuras, vídeos, fotografias, livros de artista, cerâmicas, etc. O tempo dentro da arte modifica sentimentos, transborda angústias, sai finalmente do isolamento para conversar com outros e novos tempos”, explica.
Tela do artista e paisagista Burle Marx. Foto: Carlos Souza/Divulgação
Já Daisy Viola ressalta que fez uma seleção especial de obras de diversas linguagens de alguns dos mais importantes artistas do acervo, como Portinari, Di Cavalcanti, Burle Marx, Siron Franco, Volpi e Juarez Machado, além de Iberê e outros mestres. “A galeria oferece à cidade a possibilidade de ver obras de artistas fundamentais na história da arte dos séculos XX e XXI”.
ARTISTAS DA EXPOSIÇÃO “INSTANTE NO TEMPO”:
Alexandra Eckert, Ana Rocha, Anete Schroder, Arminda Lopes, Beatriz Dagnese, Carmela Slavutzky, Caroline Varta, Celma Paese, Clara Figueira, Clara Koppe, Cristina Luviza Battiston, Dani Remião, Denise Giacomoni, Denise Wichmann, Edson Possamai, Emília Gontow, Esther Bianco, Felipe Ferla da Costa, France Amaral, Francine Tavares, Fredy Vieira, Graça Craidy, Heloísa Biasuz, Isa Dóris Teixeira de Macedo, Jonas Ramos, Juliana Feyh, Juliana Schenckel, Karen Bastos, Karla Lipp, Katia Weremzuc, Kelly Wendt, Kika Costa, Lisi Wendel, Lissandro Stallivieri, Leonardo Loureiro, Lucca Curtolo, Lucy Copstein, Mara Galvani, Maria Cristina, Maril Rodrigues, Marina Ramos, Mery Bavia, Milene Gensas, Myra Gonçalves, Nadiamara Paim, Natalia Bianchi, Odilza Michelon, Priscila Sabka Thomassen, Rachel Fontoura, Regene Rocha, Ricardo Giuliani, Rosali Plentz, Rosirene Mayer, Sandra Kravetz, Sérgio Barcellos, Simone Bernardi, Sonia Loren, Soraya Girotto, Susan Mendes, Teresa Poleto, Verlu Macke, Wanderley Oliveira e Wischral.
Foto de Fredy Vieira. Divulgação
SERVIÇO
O quê: exposições Instantes no Tempo, curadoria Ana Zavadil; e Trajetória e Arte, curadoria de Daisy Viola
Onde: Galeria Espaço Cultural Duque
Quando: abertura: 21/11 das 11h às 17h (permitida a entrada de 10 pessoas por vez na galeria)
Visitação: De 21/11 a 13/03 de 2021
Endereço: Rua Duque de Caxias, 649 – Centro Histórico – Porto Alegre
Horário de visitação: segunda a sexta das 10h30 às 18h30 e sábados das 10h30 às 17h
Na Semana da Consciência Negra, nas datas de Zumbi dos Palmares, a música do AfroEntes é destaque em dois eventos de relevância na Capital gaúcha. Nesta sexta-feira, 20 de novembro, às 20h, a banda esquenta a programação do Festival da Música Negra Zilah Machado, promovido pela Coordenação de Música da Prefeitura de Porto Alegre, em comemoração ao Dia da Consciência Negra. A transmissão do show será pelo Facebook da Coordenação de Música: https://www.facebook.com/coordmusica/. No sábado, dia 21 de novembro, às 21h, o AfroEntes estará na Virada Sustentável, com sua musicalidade que reforça a causa do combate ao racismo. Atransmissão será pelo link: https://www.viradasustentavel.org.br/negritude-na-virada
Com temas dançantes, reflexivos e afirmativos e um repertório composto, basicamente, por canções autorais, o AfroEntes mescla a tradição de matriz africana com a sonoridade contemporânea. É formado por Nina Fola (voz e percussão), Nilson Tòkunbò (baixo, cavaquinho, vocais) e Eduardo Pacheco (percussão).
Um dos propósitos do AfroEntes é contribuir para a visibilidade da representação negra no cenário cultural gaúcho. Para tanto, busca elementos da presença afro, onde ela se encontra. São metas individuais e coletivas do AfroEntes a afirmação da positividade do legado do povo negro e a sua real importância na construção cultural e artística gaúcha, brasileira e mundial.
Sobre a banda
A banda AfroEntes surgiu em 2015 em Porto Alegre/RS, resgatando um trabalho iniciado no ano de 2000, com a proposta de tocar a música negra em seus variados estilos, com referência na cultura afro-gaúcha. Em sua primeira formação contava com Nina Fola, Nilson Tòkunbò e Vladimir Rodrigues, que saiu do grupo no final de 2019. Atualmente, integra a formação o percussionista Eduardo Pacheco.
O trabalho do grupo tem fundamento nos ritmos populares, urbanos e rurais, profanos e religiosos, como o suingue, samba, samba de roda, reggae, ijexá, congadas, alujás, salsa, entre outros, e em composições próprias ou de autores que estão por aí e também dos que já se foram, para que sejam reverenciados e vivenciados.
O AfroEntes marcou presença em vários espaços culturais de Porto Alegre, como o Ponto de Cultura Africanamente, Sopapo Poético, AfroSul-Odomodê, Fórum Social Temático, Semana da Consciência Negra no Largo Zumbi dos Palmares, e também em bares, feiras, terreiros e escolas.
Em setembro de 2016, a banda apresentou o show Fortaleça seu axé, na Sala Álvaro Moreyra, em Porto Alegre, o primeiro em uma sala teatral, com repertório totalmente autoral, que contagiou o público presente. Em novembro de 2016, fez o show de encerramento da Virada Cultural de Pelotas/RS, um dos maiores eventos artísticos do sul do Estado. Em julho de 2017, realizou show no Teatro Bruno Kiefer da Casa de Cultura Mario Quintana e em julho do mesmo ano lançou seu primeiro EP no Teatro Renascença, além de ter realizado shows no Sintrajufe e no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo. Em 14 de novembro de 2018, participou do projeto Som do Salão, no Salão de Atos da Reitoria da Ufrgs.
A Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA) chega à 30ª edição do OSPA Live com aprendizados, adequações e conquistas, de forma online, em meio a um cenário pandêmico. Para celebrar a ininterrupção no ano em que completa 70 anos, neste sábado (21), às 17h, músicos da Orquestra e convidada atravessam a história da música e apresentam um programa com peças de câmara do período Barroco e Clássico. A apresentação inicia com o duo formado por Érico Marques (oboé) e Nayane Nogueira (piano), que executa Lascia Ch’io Pianga, do alemão Georg Friedrich Händel (1685-1759), e Concerto para Oboé, de Arcangelo Corelli (1653-1713).
O grupo composto por Brigitta Calonni (violino), Érico Marques (oboé), Ange Paola Bazzani (fagote) e Tácio César Vieira (violoncelo) interpreta Trio Sonata nº 3, de Jan Dismas Zelenka (1679-1745). Para o desfecho, Gabriel Polycarpo (viola) junta-se à violinista, ao oboísta e ao violoncelista com Quarteto Op. 7, nº 6, do compositor clássico Johann Baptist Vanhal (1739-1813). O espetáculo é transmitido ao vivo, pelo canal do YouTube da orquestra, diretamente da Casa da OSPA. A direção artística é do maestro Evandro Matté.
Sobre o OSPA Live
Projeto online da Orquestra, O OSPA Live busca conciliar isolamento social com cultura durante a pandemia do novo coronavírus. Aos sábados, às 17h, músicos da orquestra e/ou convidados realizam apresentações, em grupos reduzidos, diretamente da Sala Sinfônica, na Casa da OSPA. As exibições são transmitidas ao vivo, através do canal do YouTube da Orquestra e pela plataforma #CulturaEmCasa, sem a presença física do público. Com direção artística de Evandro Matté, os eventos seguem criteriosamente todas as medidas de prevenção contra a Covid-19 adotadas pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul.
Sobre a OSPA
A OSPA é uma das fundações vinculadas à Secretaria de Estado da Cultura (Sedac). Os concertos da Temporada 2020 são patrocinados, via Lei Federal de Incentivo à Cultura, por Banrisul, Alibem e Fraport Brasil. Os apoiadores da Temporada Artística são Sulgás e Sheraton Porto Alegre Hotel. A realização é da Fundação OSPA e Fundação Cultural Pablo Komlós.
OSPA LIVE
Quando: 21 de novembro de 2020, às 17h
Onde: Ao vivo, pelo canal do YouTube da OSPA, e pela plataforma #CulturaEmCasa
Na véspera de iniciar o pagamento do auxílio emergencial da Lei Aldir Blanc, para trabalhadores do setor cultural, a Secretaria da Cultura do RS foi informada de “inconsistências no cruzamento de dados feito pelo Dataprev”.
A informação foi transmitida pelo Ministério do Turismo e pela Secretaria Especial da Cultura na segunda-feira.
Segundo nota pouco esclarecedora emitida pela Sedac, os pagamentos que iniciariam nesta terça-feira, 17, foram suspensos até que sejam retirados da lista os nomes indeferidos.
Eis a nota da secretaria estadual:
“Na segunda-feira (16/11), a Secretaria de Estado da Cultura (Sedac) foi informada pelo Ministério do Turismo e pela Secretaria Especial da Cultura sobre inconsistências no cruzamento de dados feito pela Dataprev de CPFs que, inicialmente, teriam sido considerados elegíveis ao recebimento do auxílio emergencial da Lei Aldir Blanc, destinado às trabalhadoras e aos trabalhadores da Cultura (inciso I).
A formalização deste fato, com a relação dos nomes agora inelegíveis, chegou à Sedac somente hoje (17/11), quando daríamos início ao pagamento dos agentes culturais validados e homologados. Com isso, está suspenso temporariamente, até que estes nomes sejam retirados da listagem.
Temos consciência de que este equívoco gera transtornos para os trabalhadores e trabalhadoras da Cultura, bem como às Secretarias de Estado da Cultura de todo o país. Estamos empenhados para dar celeridade à solução do problema.