Categoria: Cultura-MATÉRIA

  • Exposição “Sete Cabeças” reúne trabalhos de fotógrafos, no Píer do Gasômetro

    Exposição “Sete Cabeças” reúne trabalhos de fotógrafos, no Píer do Gasômetro

    A Galeria Escadaria abre neste dia 18 de abril (sábado), a partir das 15h, “Sete Cabeças”, exposição que reúne trabalhos de sete fotógrafos, que embora distintos em linguagem e abordagem, convergem em potência estética e relevância contemporânea. 

    A curadoria é de Marcos Monteiro, que já realizou 42 exposições a céu aberto em Porto Alegre, São Paulo, Pelotas e Gramado. A visitação ocorre diariamente, até o dia 3 de junho, no Píer da Usina do Gasômetro.

    Foto de Míriam Ramalho, trabalho sobre mães refugiadas no campo de Dzaleka, no Malawi. Expo Sete Cabeças/Divulgação

    As fotos abordam temas como religiosidade, sobrevivência humana, deslumbramento diante da natureza, manifestações populares e dimensões do imaginário e do surreal. 

    “Mais do que uma exposição, ‘Sete Cabeças’ é um encontro de olhares que tensionam, sensibilizam e expandem as possibilidades da fotografia contemporânea”, afirma Marcos Monteiro, criador da Galeria Escadaria, que funcionou desde 2021 no Viaduto Otávio Rocha, na avenida Borges de Medeiros, e por conta das obras de restauração passou para o Píer do Gasômetro, ambos cartões postais de Porto Alegre.

    Foto de Fernando Kokubun, série Vestígios. Expo Sete Cabeças/Divulgação

    O fotógrafo, curador e produtor é conhecido por seus projetos curatoriais a céu aberto com forte impacto social e estético, tendo com suas exposições públicas integradas à vida urbana ganho homenagens da Câmara de Vereadores de Porto Alegre e o Prêmio Açorianos de Artes Visuais.

    Foto de Cynthia Jappur, série Utopia Cromática. Expo Sete Cabeças/Divulgação

    OS ARTISTAS:

    Cynthia Feyh Jappur – Utopia Cromática: Destaca-se pela intensidade visual e pela criação de imagens que operam no limite entre controle e imprevisibilidade. Sua obra é marcada por explosões cromáticas e sobreposições que, à primeira vista, sugerem o caos, mas se organizam de forma sensível e harmônica ao olhar.

    Douglas Fischer – Siré. Dança dos Orixás: Fotógrafo gaúcho premiado e coautor do livro “Fulgêncio”, transcende o registro documental ao abordar a celebração de Oxum. Seu trabalho captura a dimensão simbólica e emocional dos rituais, traduzindo com sensibilidade a força espiritual presente nas imagens.

    Fernando Kokubun – Vestígios: O fotógrafo porto-alegrense constrói narrativas visuais marcadas por tensão, ausência e transitoriedade. Em preto e branco, suas imagens intensificam contrastes e conduzem o olhar a zonas de ambiguidade. A presença humana surge como vestígio: corpos borrados e espectrais indicam a impermanência e a dissolução do sujeito no espaço.

    Hilton Lebarbenchon – Ao Sul do Mundo: Mais do que uma coordenada geográfica, o sul da América do Sul aparece como experiência sensível de vastidão e silêncio. Paisagens imponentes — montanhas, cumes nevados e céus rarefeitos — constroem um território onde o tempo parece suspenso. A presença humana, mínima, não domina: coexiste com a força primordial da natureza.

    Iara Tonidandel – Peso do Olhar Infantil: A artista apresenta retratos de crianças de países como Tailândia, Nepal, Colômbia, Ruanda, Tanzânia, Sri Lanka e Etiópia. Longe de qualquer apelo à piedade, seus olhares convocam responsabilidade. Cada imagem revela infâncias atravessadas por desigualdades, trazendo à tona questionamentos profundos por meio de uma abordagem documental sensível.

    Míriam Ramalho – Mães de Dzaleka: Fotógrafa carioca com trajetória consolidada em expedições internacionais e autora de cinco livros, Míriam apresenta um recorte documental sobre mães refugiadas no campo de Dzaleka, no Malawi. Seu trabalho, também registrado em publicação editorial, evidencia com profundidade e respeito às realidades vividas por essas mulheres.

    Roberta Tavares – Pernambuco: Onde o Chão Ferve e a Alma Dança: Com uma trajetória extensa e reconhecida, Roberta Tavares propõe uma leitura autoral do Carnaval de Pernambuco. Suas imagens vão além do registro e constroem uma narrativa em que corpo, ritmo e território se entrelaçam. Em cidades como Recife, Olinda, Nazaré da Mata e Carpina, o espaço urbano é transformado pela força da ocupação coletiva.

    Foto de Douglas Fischer, de Siré – Dança dos Orixás. Expo Sete Cabeças/Divulgação

    Serviço:
    Abertura: 18 de abril (sábado), a partir das 15h.
    Local: Pier da Usina do Gasômetro
    Encerramento: 3 de junho de 2026.
    Visitação: Diária, ao longo de 24h. Entrada franca.

    Foto de Hilton Lebarbenchon, série Ao Sul do Mundo. Expo Sete Cabeças/Divulgação
  • Galeria em espaço aberto traz novo conceito de arte ao público

    Galeria em espaço aberto traz novo conceito de arte ao público

    Em 2018, surgiu a primeira mostra da Galeria Escadaria, no Viaduto Otávio Rocha, no Centro Histórico de Porto Alegre. Ao ar livre, funcionando 24 horas por dia, com acesso gratuito e com predominância de mostras fotográficas. De lá para cá, foram exibidas 43 exposições. Algumas delas foram levadas para outras cidades gaúchas. Com enorme sucesso de público e grande repercussão no meio cultural do Estado.

    O fotógrafo, produtor cultural e curador, Marcos Monteiro, 70 anos, gaúcho de Bagé, conversou sobre a galeria com o JÁ Porto Alegre.

    JÁ – Como surgiu a ideia da Galeria Escadaria?

    Marcos Monteiro – Em 2018, realizei na Escadaria do Viaduto Otávio Rocha a primeira edição da exposição fotográfica anual Street Expo Photo. E a Galeria Escadaria surgiu oficialmente em 2020. A principal inspiração foi a necessidade de criar espaço para o meu trabalho fotográfico, já que galerias e museus raramente ofereciam oportunidades para fotógrafos iniciantes.

    Marcos Monteiro, fotógrafo, produtor cultural e curador das mostras na Escadaria. Divulgação

    JÁ – O que caracteriza a galeria?

    Monteiro – A galeria sempre esteve localizada em espaço aberto, acessível a um público que, muitas vezes, não frequenta ambientes culturais tradicionais. Aberta 24 horas por dia e com acesso gratuito, a Galeria Escadaria consolidou-se como a maior galeria de arte a céu aberto do Brasil e uma plataforma democrática de difusão cultural, aproximando o público da fotografia e estimulando novos olhares sobre o espaço urbano.

    Foto de Araquém Alcântara. Galeria Escadaria/ Divulgação

    JÁ – Quantas mostras foram exibidas e quem expôs no local?

    Monteiro – Até hoje, foram realizadas 43 exposições, entre coletivas e individuais. Além de consagrados fotógrafos gaúchos, o espaço já recebeu importantes nomes da fotografia brasileira, como Walter Firmo, Araquém Alcântara, Gabriela Biló, Márcio Vasconcelos, Maria Eugênia Nabuco, Marina Klink, Gal Oppido, Márcio Scavone, Ana Carolina Fernandes, Fernanda Chemale, Penna Prearo, Claudio Edinger e Luiz Garrido, entre muitos outros, reafirmando seu papel como vitrine da produção fotográfica nacional.

    O espaço também já apresentou o trabalho de artistas internacionais de grande relevância, como Boushra Y. Almutawakel, considerada uma das fotógrafas mais influentes do mundo. Participaram, ao todo, cerca de 400 fotógrafos, com aproximadamente 1.000 obras expostas. Com média de 20 mil visitantes mensais, tornou-se uma das galerias mais visitadas do país.

    Foto de Walter Firmo. Galeria Escadaria/ Divulgação

    JÁ – Outras mostras causaram repercussão?

    Monteiro – Entre as mostras de maior repercussão estão – a primeira edição da Street Expo Photo, que reuniu cerca de 300 visitantes na abertura e, ao longo de suas sete edições, trouxe grandes nomes da fotografia brasileira. A exposição da portuguesa Fernanda Carvalho, em 2022. A mostra Autorias, com curadoria de Graça Craidy, que apresentou 22 retratos em óleo/acrílica sobre tela, exibidos em espaço público por um mês. A exposição Ir. Real, de minha autoria, com grande frequência de público. E a recente exposição de Araquém Alcântara, um dos maiores fotógrafos do Brasil.

    Foto de Gal Oppido. Galeria Escadaria/ Divulgação

    JÁ – Além da escadaria, em quais locais as exposições ocorreram?

    Monteiro – Em Porto Alegre, as mostras já foram realizadas em bairros como a Restinga, no Parque da Redenção, na Praça da Alfândega, e na Orla do Guaíba. E já houve nas cidades de Pelotas e São Paulo. Em breve, pretendemos inaugurar uma unidade da Galeria em Gramado.

    Foto de Tina Gomes. Galeria Escadaria/ Divulgação

    JÁ – Como é o formato expositivo da galeria?

    Monteiro – As fotografias são apresentadas em painéis fixos, instalados no chão. A ideia surgiu em 2016, em parceria com Gilberto Perin e com apoio da Aliança Francesa, no projeto Mosaicografia. Foram instalados 20 painéis de 10 metros de extensão no Largo Glênio Peres, em frente ao Mercado Público de Porto Alegre, reunindo 400 fotógrafos do Brasil, América Latina e Europa. O projeto foi um grande sucesso, alcançando cerca de 300 mil visitantes.

    Foto de Lorenzo Scavone. Galeria Escadaria/ Divulgação

    JÁ – E qual será a próxima exposição?

    Monteiro – No dia 18 de abril, a partir das 15h, com o título Sete Cabeças. Ela reúne sete fotógrafos que, embora distintos em linguagem e abordagem, convergem em potência estética e relevância contemporânea. Os fotógrafos participantes: Cynthia Feyh Jappur (POA), Douglas Fischer (POA), Fernando Kokubun(POA), Hilton Lebarbenchon (POA), Iara Toonidandel (POA), Míriam Ramalho (RJ) e Roberta Tavares (PE).

    Foto de Lu Brito. Galeria Escadaria/ Divulgação

    JÁ – E a questão de apoio cultural e patrocínio?

    Monteiro – O apoio e patrocínio cultural variam conforme o projeto. Muitos são viabilizados por meio de editais públicos, como a Lei Rouanet, a LIC, além de recursos próprios.

    Foto de Raphael Alves. Galeria Escadaria/ Divulgação

    JÁ – O que mais tem a nos dizer?

    Monteiro – A Galeria Escadaria tem como propósito aproximar a arte do cotidiano das pessoas por meio de exposições realizadas em espaços públicos. A iniciativa entende a cidade como território de aprendizagem, convivência e experiência estética, transformando áreas de circulação em ambientes de acesso livre à cultura.

    As exposições em espaço público rompem barreiras tradicionalmente associadas aos ambientes culturais formais, permitindo que o encontro com a arte aconteça de forma espontânea, acessível e democrática. Assim, o transeunte torna-se espectador, e o espaço urbano transforma-se em lugar de sensibilização, pertencimento e formação cultural contínua. A Galeria Escadaria reafirma a arte como experiência coletiva, estimulando a imaginação.

    Foto de José Bassil. Galeria Escadaria/ Divulgação

  • Galeria Gravura abre as mostras “Muitos Mundos” e “Do Descarte à Superfície”

    Galeria Gravura abre as mostras “Muitos Mundos” e “Do Descarte à Superfície”

    A Gravura Galeria de Arte abre duas novas exposições na terça-feira, dia 7 de abril: “Muitos Mundos”, da artista visual Andréia Moll, e “Do Descarte à Superfície”, da artista Leonor Moura. As mostras têm curadoria de Letícia Lau.

    As inaugurações acontecem das 18h30 às 20h30. As obras de “Muitos Mundos” ocupam a sala Negra, e os trabalhos de “Do Descarte à Superfície”, a sala Branca da Gravura, dirigida pela galerista e arquiteta Regina Galbinski.

    Ambas as exposições são propostas por duas artistas visuais integrantes do VW Atelier Coletivo, com longa prática artística. Cada uma desenvolve investigações que atravessam seus posicionamentos diante da realidade e dos modos de habitar o mundo.

    Obra de Andréia Moll. Reprodução

    De acordo com a curadora, Muitos Mundos surge a partir de uma pergunta simples: O que é realidade? Pensando na teoria ontológica de realidades ramificadas, a artista busca pelo cerne, ou como ela afirma, o ‘mundo principal’, diante da pluralidade de universos singulares simbolizado por esferas evidenciadas em suas pinturas e monotipias.

    Referindo-se à mostra Do Descarte à Superfície, Lau  observa que “consumimos sem ver. Descartamos sem perceber. Aqui, tudo volta à superfície”.

    Obra de Leonor Moura. Reprodução

    Vivência diversificada

    Andréia Moll morou na Finlândia, Venezuela, México, Holanda e Estados Unidos. A pluralidade de ambientes impulsionou sua pesquisa, que se concentra nos fatores envolvidos na construção das visões de mundo individuais.

    Seus trabalhos, em desenho, pintura, fotografia e colagem, partem de uma pergunta “simples e vertiginosa”: em que mundo, afinal, vivemos?

    “Em um tempo marcado pela multiplicação de telas, notícias e experiências mediadas, a exposição propõe uma pausa reflexiva. Como estabelecemos conexões entre as diferentes “realidades” que nos chegam a cada contato humano, a cada manchete, a cada novo aplicativo? E, para além da fragmentação, existe uma realidade primeira — um fundamento ao qual valha a pena retornar?”, reflete ela.

    Ético e sustentável

    O trabalho de Leonor Moura envolve o uso de itens que a maioria das pessoas despreza: embalagem, papel de presente, enchimento de uma caixa de sapatos, etc.

    Mais do que uma escolha estética, essa prática carrega uma postura ética. Ao ressignificar resíduos do consumo cotidiano, Leonor acredita que insere em sua obra o conceito de sustentabilidade, não como tema declarado, mas como método vivido.

    A artista coleciona e arquiva esse material organizando-o por tipo, cor, textura e espessura. Na produção das pinturas, os fragmentos são dispostos sobre telas preparadas com tinta acrílica. Colados e agrupados por afinidades de cor, textura ou transparência, eles assumem o papel da mancha pictórica: substituem a tinta, dialogam com ela, constroem camadas.

    O resultado é um híbrido entre pintura e colagem que provoca uma dupla percepção: de longe, as obras revelam composições abstratas de grande força visual; de perto, a materialidade dos papéis — suas dobras, fibras e histórias — emerge com toda a sua presença física reveladas na superfície. É um convite para pensarmos em consciência ambiental e transformação.

    Visitação: de 7 abril de 2026 a 09 de maio de 2026.

    Vernissage: 7 de abril de 2026, das 18:30 às 20:30.

    Horários: segunda a sexta-feira, das 9h30 às 18h30; sábados, das 9h30 às 13h30.

    Local: Gravura Galeria de Arte – Rua Corte Real, 647 – Petrópolis, Porto Alegre – RS

    Entrada franca

  • Artista visual gaúcha celebra os 70 anos de “Grande Sertão: Veredas” na ABL

    Artista visual gaúcha celebra os 70 anos de “Grande Sertão: Veredas” na ABL

    A artista visual gaúcha Graça Craidy não poderia desejar outro local para expor sua coleção de retratos de personagens do livro “Grande Sertão: Veredas”, no momento em que a obra-prima do imortal João Guimarães Rosa completa 70 anos de seu lançamento, a Academia Brasileira de Letras.

    É justamente na ABL que a mostra “Grande Sertão”, de Graça, será inaugurada terça-feira (31/03), às 17h. E lá permanecerá até 29 de maio, aberta à visitação das 10h às 18h, no 1º andar do Palácio Austregésilo de Athayde, à Av. Presidente Wilson, 203, Centro do Rio de Janeiro.

    Guimarães Rosa no cerrado. Reprodução

    O atual ocupante da Cadeira nº 2 da academia, Eduardo Giannetti, escreveu um texto inédito, especialmente para a mostra, pelo fato de Guimarães Rosa ter ocupado, no passado, a mesma cadeira.

     “Em tempos de pressa virótica, atenção fracionada e estupor digital, Grande Sertão completa 70 anos mais vivo – e necessário – que nunca. Poesia ou prosa? Erudito ou popular? Culto ou chulo? Fiel ou fabular? Sério ou lúdico? Jorro ou cálculo? No épico sertanejo de Guimarães Rosa, os opostos não se opõem. Como na vida, misturam-se”, sustenta, no primeiro parágrafo de seu texto, o titular da cadeira fundada por Coelho Neto e que tem como patrono o poeta Álvares de Azevedo(leia a íntegra do texto de Giannetti ao final).

    Riobaldo e Diadorim

    Natural de Ijuí e radicada em Porto Alegre, Graça, de 74 anos, apresenta 17 quadros e um tríptico, em acrílica sobre tela e sobre papel. Nas obras, os principais personagens do livro ganham feições físicas inspiradas pela narrativa, inclusive levando em conta a personalidade e o comportamento traçados pelo autor. Entre os personagens retratados estão, por exemplo, Riobaldo, Diadorim, Joca Ramiro, Hermógenes, Zé Bebelo, Manuelzão, Maria Mutema, Otacília, Nhorinhá, Sô Candelário, Os Ramiros, Medeiros Vaz.

    Jagunço Hermógenes

    O próprio Guimarães Rosa aparece, em um dos trabalhos, embrenhando-se no Cerrado, a cavalo, junto com vaqueiros – a excursão de fato aconteceu, na fase em que o escritor coletava informações para escrever a obra.

    Graça não só é uma leitora constante do romance como fez um curso – “Travessia” – sobre o livro, debatido durante meses com a professora da USP Maria Cecília Marks, especialista na obra literária.

    A artista gaúcha também pesquisou em teses, monografias e ensaios sobre a ficção e assistiu algumas vezes ao monólogo “Riobaldo”, protagonizado pelo ator carioca Gilson de Barros, com direção de Amir Haddad.

    A prostituta Nhorinhá

    “Me sinto muito honrada por expor na ABL. Agradeço à academia, em especial ao acadêmico Antonio Carlos Secchin, Secretário-Geral e coordenador do Ciclo de Conferências Vida de Artistas, por acolher outra linguagem artística na homenagem a uma obra literária tão importante, e a Guimarães Rosa”, diz a artista.

    Manuelzão

    “Espero que os visitantes se encantem com a história em quadros do meu ‘Grande Sertão’ particular, expressionista, apaixonado, de cores turvas, ternas e terrosas. Em cada personagem, cena, gesto, o meu gentil convite para despertar nas pessoas o desejo de ler esse grande romance”, acrescenta Graça.

     

    “Experiência transpsíquica”

    Os originais do livro foram entregues à editora José Olympio em fevereiro de 1956. Em carta a seu colega de Itamaraty, Azeredo da Silveira, o escritor, que também era diplomata, relatou: “Passei três dias e duas noites trabalhando sem interrupção, sem dormir, sem tirar a roupa, sem ver cama: foi uma verdadeira experiência transpsíquica, estranha, sei lá, eu me sentia um espírito sem corpo, pairando, levitando, desencarnado – só lucidez e angústia. Passei dois anos num túnel, um subterrâneo, só escrevendo, só escrevendo, escrevendo eternamente”.

    Riobaldo na velhice

     O romance chegou às livrarias em meados de julho daquele ano. Aclamado pela crítica, foi escolhido como o melhor livro de 1956, venceu o Prêmio Machado de Assis do Instituto Nacional do Livro, o prêmio Carmen Dolores Barbosa, o prêmio Paula Brito e, em junho de 1961, o Prêmio Machado de Assis da ABL pelo conjunto da obra. “Grande Sertão: Veredas” constou da lista dos “100 melhores livros de todos os tempos” organizada, em 2002, pelo Clube do Livro da Noruega (Norwegian Book Club). O destaque do texto deu-se principalmente pelas inovações linguísticas.

     A exposição “Grande Sertão” foi montada, pela primeira vez, em Porto Alegre, em novembro de 2024, paralelamente à Feira do Livro, e permaneceu em cartaz até 20 de dezembro, no Clube do Comércio. 

    *Íntegra do texto do acadêmico Eduardo Giannetti, atual ocupante da Cadeira nº 2 da ABL, que foi de João Guimarães Rosa.

     “Em tempos de pressa virótica, atenção fracionada e estupor digital, Grande sertão completa 70 anos mais vivo – e necessário – que nunca. Poesia ou prosa? Erudito ou popular? Culto ou chulo? Fiel ou fabular? Sério ou lúdico? Jorro ou cálculo? No épico sertanejo de Guimarães Rosa, os opostos não se opõem. Como na vida, misturam-se.

     A prosa poética rosiana instaura um universo linguístico todo seu. Ela não se reduz a instrumento a serviço de uma narrativa, mas pertence à realidade sertaneja por ela recriada com a mesma potência, vivacidade e força dos seus personagens. O dito e o modo de dizer em uníssono: acorde perfeito. O sertão feito verbo.

    Diadorim morta

    Grande Sertão mira o esquivo: o que não se deixa falar – e cala. O ponto exato em que o singular absurdo de cada consciência individual, no que ela tem de mais intratável, caprichosa e incomunicável, rompe o dique, vence o estreito e roça a outra margem. A visão-lampejo do incomum nas veias da vida comum. Em Rosa, o impulso criador está a serviço de um propósito definido: o reencantamento do mundo pela presença do mistério. O trêmulo júbilo na alma”.

     Riobaldo em crise

  • Virada sustentável apresenta exposição de Araquém Alcântara

    Virada sustentável apresenta exposição de Araquém Alcântara

    A Virada Sustentável apresenta, entre suas atrações comemorativas dos 10 anos, a exposição: O Brasil de Araquém Alcântara. Será no dia 21 de março, às 17h, na Galeria Escadaria do píer da Usina do Gasômetro, em Porto Alegre.

    Esta exposição contém fragmentos visuais de um Brasil que pulsa para além das fronteiras urbanas, capturado pelo olhar sensível de Araquém Alcântara. Através destas imagens, somos convidados para uma jornada pelos territórios onde água, luz e vida selvagem compõem uma gramática do existir.

    Araquém Alcântara, um dos mais importantes fotógrafos e precursor da fotografia de natureza do Brasil, dedicou sua vida a registrar a vida em nossos biomas.

    Com mais de cinco décadas de trabalho, sua câmera se transforma em instrumento de resistência e memória, documentando simultaneamente a exuberância e a fragilidade dos ecossistemas brasileiros.

    A proposta é sensibilizar o público para a preservação da biodiversidade ao revelar sua plena exuberância no território mato-grossense: Amazônia, Cerrado e Pantanal.

    Nestas fotografias, vemos um país-organismo vivo, na onça vigilante, na mata fechada, no pescador que corta o rio como extensão de si mesmo, nas vitórias-régias que flutuam como planetas aquáticos. 

    O fotógrafo revela um Brasil das fronteiras dissolvidas – onde a água vira céu nos reflexos perfeitos, onde luz esculpe silhuetas, onde o encontro entre preservação e desaparecimento permanece em tenso equilíbrio.

    Fotos Araquém Alcântara

    Virada Sustentável

    A cidade de Porto Alegre recebe, entre os dias 18 e 22 de março, a 10ª edição da Virada Sustentável, evento que se consolidou como um dos maiores movimentos de cultura e conscientização ambiental do país. Dentro da programação, o Festival Multiartes ganha destaque ao reunir diferentes manifestações artísticas que dialogam com a sustentabilidade e a relação entre natureza e vida urbana.

    Mais informações da Virada no insta do evento

  • Artista visual Erico Santos homenageia os 254 anos de Porto Alegre

    Artista visual Erico Santos homenageia os 254 anos de Porto Alegre

    A Gravura Galeria de Arte homenageia os 254 anos de Porto Alegre com uma exposição do artista visual Erico Santos que retrata locais históricos da capital.

    A Sala Negra da galeria, na Rua Coronel Corte Real, 647, bairro Petrópolis, recebe dez telas a óleo em que Erico usa paleta vibrante e harmoniosa, que transmite uma sensação de luminosidade, de acordo com análise do professor de artes José Francisco Alves.

    Erico Santos diante da Ponte de Pedra. Um dos locais homenageados pelo artista. Foto Carlos Souza/Divulgação

    A abertura da mostra “Erico Santos por Porto Alegre” acontece nesta quinta-feira, 19/03, das 17h às 19h, e a visitação se estende até 31 de março.

    Já o professor Armindo Trevisan diz que Erico não abstrai do legado figurativo que devemos aos grandes mestres do passado: “É uma estética que, sem pedantismo nem pretensão, se mostra superior, e alérgica ao consumismo visual”.

    Entre os trabalhos estão, por exemplo, os que retratam a Ponte de Pedra (construída entre 1848 e 1854), o Viaduto da Borges (inaugurado em 1932) e o Monumento aos Açorianos, criado pelo artista Carlos Tenius, em tributo aos imigrantes que deram origem à cidade, cuja data de aniversário é 26 de março.

    Ampliando a amostragem das obras, pode-se citar ainda as pinturas da Igreja Nossa Senhora das Dores, construída em 1807 e elevada à condição de Basílica Menor pelo Papa Francisco, em 2022; e a Praça Montevidéu, de um ângulo que contempla a Fonte Talavera da la Reina, criada em 1855 pelo ceramista espanhol Juan Ruiz de Luna, o Museu do Paço (prédio da antiga prefeitura), de 1901, e o Mercado Público, inaugurado em 1869. 

    Nascido em Cacequi, Erico Santos, de 74 anos de idade e 51 de carreira, morou em Santa Maria e São Paulo, antes de se estabelecer em Porto Alegre. Há cerca de 20 anos divide-se entre a capital gaúcha e Milão, onde também tem ateliê.

    Bastante conhecido no estado e fora dele pelo tema das colhedeiras de flores, Erico, na exposição da Gravura, usa “tons quentes e frios que proporcionam um contraste equilibrado, em composição que confere profundidade”, acrescenta o professor Francisco Alves na sua análise. “As pinceladas soltas e expressivas de Erico, e o uso da luz e sombra, sugerem uma atmosfera dinâmica e cheia de movimento”, enfatiza o especialista. 

  • Brizola abre o coração e solta o verbo em livro raro

    Brizola abre o coração e solta o verbo em livro raro

    Há 30 anos, o ex-governador Leonel de Moura Brizola deu um raro depoimento de mais de quatro horas a um pequeno grupo de amigos -nativos, como ele, de Carazinho, ex-distrito de Passo Fundo, no norte do Rio Grande do Sul. A gravação feita num auditório da Câmara de Vereadores, na noite de 6 de abril de 1996, rendeu um rolo de fita BASF e quatro fitas Phillips K7, transcritas nos dias seguintes pela historiadora Silvana Moura, que integrou, com o também historiador Nei d’Avila, a bancada de profissionais de História Oral escalada para a missão.

    Um mês depois, Silvana entregou o material impresso – um catatau de 67 páginas – ao carazinhense Romeu Barleze, ex-deputado estadual trabalhista que convencera o amigo Brizola a contar em detalhes a história de sua vida. Mesmo alegando que sempre esteve mais voltado para o futuro, o ex-prefeito de Porto Alegre concordou em falar sobre o seu passado. E abriu seu coração, falou sem parar diante da plateia mínima, formada por cinco amigos, a dupla de historiadores e o técnico Daniel de Paula Manhães, encarregado de operar os dois gravadores.

    Reprodução da foto da entrevista de Brizola em 1996. Arquivo pessoal da professora Silvana Moura

    E o que aconteceu? Nada! Seguiu-se um silêncio de três décadas, só rompido agora pela Editora Insular, de Florianópolis, que acaba de lançar “Leonel Brizola por ele mesmo”, livro de 208 páginas contendo o depoimento histórico, uma sucessão de fotos e o QR Code que facilita a escuta da maior fala do comandante da Campanha da Legalidade de 1961. Ele vai lembrando e, de repente, está falando da paisagem, dos pinheirais, dos trens carregados de madeira, dos trabalhadores, dos irmãos, da mãe, do negro Otávio, seu “tutor”, um peão-tropeiro que lhe deu um petiço… É comovedor ler e/ou ouvir Brizola dizendo que tudo aquilo de sua infância lembra “As Vinhas da Ira”, de John Steinbeck, e merecia ser alvo da escrita de um João Guimarães Rosa.

    Com lançamento em Porto Alegre, Carazinho e no Rio, esse livro parece predestinado a virar um divisor de águas na história do Rio Grande do Sul, governado nos últimos 12 anos por políticos de centro-direita, entre os quais se alinhou o que restou do partido fundado por Brizola.

    Por ora, vale a pena esclarecer o que rolou nesses 30 anos em que a voz do trabalhismo foi perdendo ressonância.

    Na esperança de transformar o material em livro, já no século XXI, Silvana Moura entregou as quatro fitas K7 ao professor Nildo Ouriques, da UFSC, para que as repassasse a Nelson Rolim de Moura, dono da Editora Insular, de Floripa, que constatou que as fitas estavam perdendo qualidade – atucanado por outras demandas editoriais, ele demorou até ser aconselhado a restaurar o material magnético. Enquanto isso, em 2015, o depoimento impresso foi entregue por Romeu Barleze a Juliana Brizola, neta do ex-governador. Ocupada com seu mandato de deputado estadual, ela passou o calhamaço para Rejane Guerra, jornalista mineira residente no Rio a quem conheceu no diretório do PDT-RJ. Começou então um esforço para juntar o impresso às fitas que lhe deram origem. Assim, a bola voltou às mãos de Silvana Moura.

    Inicialmente projetado para sair em 2022, o livro somente se materializou agora, às vésperas da campanha para as eleições gerais de outubro. Supõe-se que o depoimento do líder trabalhista possa ser um trunfo a favor de Juliana Brizola em sua candidatura ao cargo de governadora.

    O único senão é que a historiadora Silvana Moura, que tanto se empenhou para publicar seu trabalho, estrilou publicamente diante da omissão de seu nome na capa, onde aparecem como organizadoras Juliana Brizola e Rejane Guerra.

    Surpreendido pela polêmica, o editor Nelson Rolim, que também é de Moura, acha que fez o certo, tanto que contemplou a historiadora com a primeira orelha do livro, um dos espaços mais nobres na indústria editorial. Afinal, o que fica é a voz e memória de Brizola, por ele mesmo.

  • Móveis Coloniais de Acaju volta às atividades e aos palcos do Opinião

    Móveis Coloniais de Acaju volta às atividades e aos palcos do Opinião

    Certamente Móveis Coloniais de Acaju não é das bandas mais conhecidas hoje em dia, ainda mais se pensarmos que se passaram 8 anos desde que eles tinham “dado um tempo”. Talvez isso seja o elemento mais surpreendente ao ver um público bem mesclado, mas, com muitos jovens, cantando todas as músicas nesse sábado, 07, no Opinião.

    Se há uma garantia, é que assistir a banda brasiliense ao vivo é sinônimo de diversão. Não unicamente por músicos incríveis e letras que vão do sagaz ao gentil, mas por ser uma miscelânea de entretenimento ao público: quer solo de instrumentos? TEM! Quer fazer a dança da cordinha passando por baixo de um trombone? TEM! Que tal um passinho coletivo? GARANTIDO!

    A cada momento, cada movimentação se dava de forma muito orgânica, e um lugar como o Opinião, mesmo lugar que pudemos assistir ao show há 14 anos, sem dúvida vemos o ambiente perfeito para todo esse frenesi se orquestrar, inclusive abrindo um momento icônico e reflexivo de perguntas e respostas com a plateia, onde se explicou essa “pausa indeterminada” de quase uma década e se refletiu sobre a importância do 8M, Dia Internacional das Mulheres, e sobre o papel do homem em meio a isso, com um longo discurso (para o momento) de uma mulher da plateia. Tal momento foi (talvez) muito intenso para um meio de show, ainda mais seguido de “Campo de Batalha”, tendo uma quebra no ritmo do público que enchia o bar. Mas nada que “Tempo” não levantasse os ânimos novamente, seguida de “Copacabana”, que levou a plateia a loucura!

    Em momento algum a música fica em segundo plano. Ao vivo, inclusive, os metais tomam mais força ainda, e a pegada fica ainda mais presente.

    Fundamental destacar o pique da banda, especialmente de Xande Bursztyn (Trombone) e Beto Mejía (flauta transversal), com dancinhas pulantes dignas de Ska das antigas, animadíssimas e hilárias, impressionantes por manterem o fôlego. Aliás, o divertimento pessoal que se viu em palco é de quem realmente tá em contato com o público, onde amigos cheios de piadas internas se apresentam e estão ali para se divertir. E isso é imprescindível para se acompanhar adequadamente o show: se jogar no divertimento.

    Desde que surgiu, Móveis Coloniais de Acaju chamaram a atenção. Aos viventes do tempo de MTV, pudemos ver que eles faziam parte de uma vertente musical muito inteligente e sarcástica, onde seus clipes tinham muita influência de artes e referências visuais que levavam a uma ascendência cultural muito engrandecedora para algumas gerações. Para mostrar que essa verve segue viva, pudemos sentir uma homenagem a Jorge Ben Jor (em ano de Ogum, “Jorge da Capadócia” é muito adequada para um momento mais luz baixa)

    *Um agradecimento especial ao gentil Fabio Pedrosa, baixista, que nos cedeu um setlist para orientar nessa matéria.

    Confira Imagens do show. Fotos: Fabiane Marques

  • OSPA e grandes nomes da música gaúcha celebram 400 Anos das Missões

    OSPA e grandes nomes da música gaúcha celebram 400 Anos das Missões

    Para celebrar os quatro séculos das Missões Jesuíticas Guaranis a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA) promove um encontro artístico com a tradição gaúcha no concerto “400 Anos das Missões”. Sob regência de Manfredo Schmiedt, orquestra e artistas missioneiros convidados interpretam algumas das canções mais representativas da região. Promovido pela Secretaria da Cultura (Sedac), a apresentação ocorre no Complexo Cultural Casa da OSPA na sexta-feira (13/3), às 20h. Os ingressos custam entre R$ 15 e R$ 70 na plataforma Sympla. O concerto também será transmitido ao vivo pelo canal da OSPA no Youtube.

    A apresentação reúne no palco da Casa da OSPA a histórica Família Ortaça, que será representada por Marianita, Gabriel e Alberto Ortaça, filhos de Pedro Ortaça — último “Tronco Missioneiro” vivo e referência da cultura popular missioneira.

    Família Ortaça. Foto Divulgação/OSPA

    Como participações especiais, o concerto contará com o contrabaixista uruguaio Miguel Tejera, reconhecido por sua atuação na cena instrumental sul-americana, e o violonista, compositor e produtor Guilherme Castilhos, premiado em importantes festivais do Estado.

    O repertório valoriza sobretudo os quatro representantes do tronco missioneiro: Pedro Ortaça, Cenair Maicá, Jayme Caetano Braun e Noel Guarany. “Esses quatro nomes são a essência desse concerto, cada um tem pelo menos uma obra bem importante presente no repertório. Além disso, temos outras obras que foram de festivais e outros eventos ao redor das missões”, comenta o diretor artístico da OSPA, Manfredo Schmiedt.

    A ponte entre a música regional e a sonoridade sinfônica foi construída com arranjos inéditos compostos pelo violinista da OSPA Dhouglas Umabel, que tem formação clássica, mas também ampla experiência em festivais de música regional gaúcha. Todos os arranjos do concerto, com exceção de “Milonga para as Missões”, que foi arranjada pelo violinista da OSPA Arthur Barbosa, são de Umabel. 

    Participam ainda nomes consagrados como Lucio Yanel, um dos pilares do violão solista na música sulina; Ernesto Fagundes e Neto Fagundes, representantes de uma linhagem que mantém viva a tradição do Pampa em diálogo com a contemporaneidade; Shana Müller, uma das principais vozes femininas da música regional e latino-americana; Érlon Péricles, compositor de destaque e autor recorrente dos temas dos Festejos Farroupilhas; Patrício Maicá, herdeiro artístico de Cenair Maicá; Laura Guarany, intérprete da tradição missioneira e da herança de Noel Guarany; Lincon Ramos, gaiteiro, cantor e multi-instrumentista com três décadas de atuação; e Angelo Franco, cantor e compositor com mais de seiscentas músicas gravadas e trajetória marcada pela integração cultural missioneira.

    O espetáculo está estruturado em três partes temáticas: “Parte I – O Grito e a Resistência”, que evoca o trabalho de Pedro Ortaça na preservação da tradição; “Parte II – A Alma, o Verso e a Mística”, que ressalta o lirismo do cancioneiro regional, incluindo o poema campeiro “Bochincho”, de Jayme Caetano Braun; a “Parte III – Legado, União e Fronteiras” reafirma os laços entre passado e presente com obras como Veterano (Antônio Augusto Ferreira / Ewerton Ferreira) e Milonga para as Missões (Gilberto Monteiro); e o encerramento traz de volta ao palco todos os artistas convidados para interpretar o emocionante “Canto dos Livres” (Cenair Maicá). “É um repertório que fala das músicas da região das Missões, mas também como isso se espalhou pelo Rio Grande do Sul e formou a nossa cultura de música tradicional gaúcha”, pontua o diretor artístico da OSPA.

    Programação 400 Anos das Missões – O concerto da OSPA integra o conjunto de ações orientado pelo Decreto nº 57.369/2023, que institui 2026 como o ano oficial das Missões. O calendário comemorativo do governo estadual valoriza o patrimônio histórico e cultural das Missões Jesuíticas Guaranis, fundadas em 1626, enquanto promove o desenvolvimento sustentável da região.

    Serviço 

    Concerto especial da Ospa celebra os 400 Anos das Missões Jesuíticas Guaranis

    Quando: Sexta-feira (13/3), às 20h

    Onde: Complexo Cultural Casa da Ospa (Caff – Av. Borges de Medeiros, 1.501, Porto Alegre, RS)

    Ingressos: De R$ 15 a R$ 70, na bilheteria do Complexo Cultural Casa da Ospa no dia do concerto, das 15h às 20h

    Descontos: Ingresso solidário (com doação de 1kg de alimento), clientes Banrisul, Amigo Ospa, associados AAMAC RS, sócio do Clube do Assinante RBS, idoso, doador de  sangue, pessoa com deficiência e acompanhante, estudante, jovem até 15 anos e ID Jovem

    Estacionamento: Gratuito, no local

    Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 6 anos

    Transmissão ao vivo: A partir das 20h, no canal da Ospa no YouTube
    O evento disponibiliza medidas de acessibilidade.

  • Feminicídio – Artista visual Graça Craidy há 11 anos produz obras sobre violência contra a mulher

    Feminicídio – Artista visual Graça Craidy há 11 anos produz obras sobre violência contra a mulher

    A artista visual gaúcha Graça Craidy produziu, a partir de 2015, uma coleção com cerca de 60 obras sobre feminicídio e violência contra a mulher, a fim de denunciar esses tipos de crimes e ajudar a conscientizar a população em favor do fim dessas práticas delituosas.

    Com mais de 20 mortes de mulheres registradas em janeiro e fevereiro deste ano, o Rio Grande do Sul inicia 2026 como líder nacional da macabra estatística do feminicídio.

    Obra “mulher morta pelo marido”. Reprodução

    “Meu bem, meu mal”

    Neste mês de março dedicado às mulheres, 12 obras da artista, do recorte intitulado “Meu bem, meu mal”, estarão expostas na Assembleia Legislativa do RS.

    O projeto integra o ato de lançamento do Relatório Lilás 2026, da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Casa, na quarta-feira (4/3).

    Foto Carlos Souza/Divulgação

    A mostra permanecerá aberta à visitação até as 18h de sexta-feira (6), no Espaço de Exposição Dep. Carlos Santos. A entrada é gratuita. São quadros, acrílica sobre tela e sobre papel, que variam de 60 x 40 cm a 1.80 x 3.60 m.

    A primeira exposição de Graça nessa temática coincidiu com o surgimento da Lei do Feminicídio, que tipificou o assassinato de mulheres por razões de gênero como crime hediondo no país, em 2015.

    De lá para cá, em praticamente todos os meses de março as obras de sua coleção foram expostas em instituições como Tribunal de Justiça do RS, Justiça Federal, Tribunal Regional do Trabalho, Memorial do Ministério Público, Associação dos Juízes, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e Universidade Federal do Paraná (UFPR) – Campo Mourão, entre outras.

    Obra da artista já foi utilizada em capa de livro. Reprodução

    Obras suas também já ilustraram capa de livros sobre o tema, como o de autoria da primeira desembargadora gaúcha, Maria Berenice Dias (aposentada), e foram objeto do estudo acadêmico no Instituto de Artes da UFRGS.

    “Até que a morte nos separe”

    Além de “Meu bem, meu mal”, título que alude ao contexto onde geralmente acontecem os crimes, dentro de casa, muitas vezes diante dos filhos, Graça também possui outros diversos recortes: “Até que a morte nos separe” – pinturas a partir de fotos das cenas dos crimes publicadas em jornais; “Livrai-nos do Mal” – que aponta as violências referidas na Lei Maria da Penha; “Feminicidas, o machismo que mata” – na qual os homens são representados com revólveres no lugar do pênis; e “Estupro” – que retrata abuso sexual coletivo cometido por homens contra uma mulher.

    Mudança pela educação

    A artista defende que é preciso “mudar a cultura do machismo, do senhor proprietário, da mulher propriedade”, o que, acredita, só vai acontecer  pela educação.

    Aos 74 anos de idade, Graça acredita que a arte pode sensibilizar pessoas com poder de interferir para a reversão do atual quadro. “A arte não pode impor igualdade, barrar o gesto nem conter o tiro. Mas quem é tocado pela arte pode”.

    A artista Graça Craidy. Foto Carlos Souza/Divulgação

    Expressionista, ela soma dezenas de trabalhos individuais e coletivos, em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília; no exterior, já apresentou uma mostra individual na Itália, onde também fez cursos em Roma e Florença.

    Relatório Lilás

    Com 165 páginas, o Relatório Lilás reúne uma série de textos, entre os quais o do presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos, deputado Adão Pretto Filho (PT). Ele diz que a realidade brutal “exige resposta enérgica, estrutura institucional e, acima de tudo, compromisso com a vida das mulheres”. Dado trazido por Pretto aponta que, em abril de 2025, o RS registrou um aumento de mais de 1000% nos casos de feminicídio em comparação com o mesmo período do ano anterior. Em um só mês, 11 mulheres foram vítimas de feminicídio.

    Em sua 4ª edição, o Relatório Lilás conclui que “a combinação de medidas judiciais céleres, mutirões processuais, capacitação da rede de proteção, educação para a igualdade de gênero e reeducação dos autores de violência, juntamente com o envolvimento em ações promovidas por outros órgãos, tem gerado resultados significativos”.

    Casos consumados e tentados – O Brasil registrou 6.904 vítimas de casos consumados e tentados de feminicídio em 2025, o que representa um aumento de 34% em relação ao ano de 2024, quando houve 5.150 vítimas. Foram 4.755 tentativas e 2.149 assassinatos, totalizando quase seis (5,89) mulheres mortas por dia no país. Os dados são do Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, elaborado pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina/PR (Lesfem/UEL).

    No início de fevereiro, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário firmaram o Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio.