Categoria: Cultura-MATÉRIA

  • A cultura, as raízes e o legado construído pelo povo negro nos 50 anos do Afro-Sul

    A cultura, as raízes e o legado construído pelo povo negro nos 50 anos do Afro-Sul

    No próximo domingo, dia 24, uma grande celebração tomará conta das ruas do Jardim Botânico. É o Bloco Afro-Sul Odomode que já estará concentrado a partir das 14h na Praça das Nações, de onde sairá em cortejo até a sede do Afro-Sul, na Av. Ipiranga. Chegando lá, apresentações, exposição, lançamentos dos projetos que fazem parte dos 50 anos e muitas delícias culinárias no Ajeum, em uma programação que exalta a cultura, as raízes e o legado construído pelo povo negro no Rio Grande do Sul. O Afro-Sul, no alto de seus 50 anos, tem motivos de sobra para celebrar com parceiros, amigos e o público em geral.

    Reminiscências – fotos Maciel Goelzer /Divulgação

    O Grupo Afro-Sul de Música e Dança, uma instituição cultural que funciona como movimento de luta e de valorização da cultura negra e do direito à livre expressão, resiste há 50 anos. Isso já seria motivo de sobra para comemorar: pela longevidade, pela qualidade de seus trabalhos apresentados e premiados ao longo dessas cinco décadas, por seu projeto educativo, que forma jovens fortalecidos e orgulhosos de sua identidade, pelo afeto que envolve o público e seus criadores: a Mestra Iara Deodoro, com o imenso legado que nos deixou, e Paulo Romeu. Mas para além de toda a sua história, o grupo preparou uma série de comemorações que se iniciam em novembro deste ano e seguem em 2025, em homenagens, atividades para adultos e crianças, criação e apresentação de um novo espetáculo e muito mais.

    Reminiscências – fotos Maciel Goelzer /Divulgação

    E a largada será no dia 24 de novembro, celebrando com as cores do Afro-Sul, muita música e dança. Em um cortejo vibrante com bateria e brincantes que percorre o bairro desde a Praça das Nações até a sede do grupo, na Av. Ipiranga. O desfile do Bloco Afro Odomode propõe as cores preto, verde, vermelho ou amarelo, representando a diversidade dos projetos do Instituto. Lá chegando, haverá diversas atrações e atividades, como a Feira de Economia Criativa, com empreendedores da economia criativa apresentando seus produtos em um mercado que une tradição e inovação; a exposição “Nossos passos, de longe pra longe”, uma viagem pelas cinco décadas do Afro-Sul com imagens que resgatam memórias afetivas; o Conversas em Roda, reflexões sobre a construção do sujeito negro a partir da arte, com histórias e vivências do Afro-Sul; apresentação de dança, com toda a energia da Cia Afro-Sul, convidando o grupo afro de Nova Prata e a E.S. Realeza; o Ajeum e as delícias da culinária servidas em um coquetel com o sabor do afeto e acolhimento; a apresentação do vídeo 50 Anos, um documentário comemorativo, seguido da entrega do troféu Afro-Sul.

    Reminiscências – fotos Maciel Goelzer/ Divulgação

    E mais: uma homenagem especial com a entrega do troféu Afro-Sul para duas personalidades da cultura afro-gaúcha, nas mãos dos lanceirinhos negros, simbolizando o legado para as gerações futuras. Em seguida, apresentação de final de ano das crianças do Projeto Cultural Nossa Identidade.

    Reminiscências – fotos Maciel Goelzer /Divulgação

    E é claro que em um espaço dessa importância, os parceiros se fazem presentes e o Grupo Show Imperadores do Samba estará lá, na batida do samba com seu grupo show Imperadores do Samba, o Mar Vermelho e Branco. E pra encerrar esta festa pujante, o show da Banda Afro-Sul, com as músicas que marcaram os 50 anos do grupo e a participação de músicos convidados que fizeram parte dessa trajetória.

    Celebração dos 50 anos do Afro-Sul

    Dia 24 de novembro, a partir das 14h

    14h – Concentração e saída do Bloco Afro-Sul Odomode / Praça das Nações

    16h – Início das atividades na sede do Afro-Sul Odomode – Av. Ipiranga, 3850

    Reminiscências – fotos Maciel Goelzer /Divulgação

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  • Exposição da obra de Danúbio Gonçalves celebra os 13 anos da Galeria Duque

    Exposição da obra de Danúbio Gonçalves celebra os 13 anos da Galeria Duque

    Danúbio Gonçalves com a filha Sandra – Acervo Galeria Duque/Divulgação

    Um ícone que faz parte da história da arte do Rio Grande do Sul também está na trajetória da Galeria Duque. Não por acaso, seu nome foi escolhido para celebrar os 13 anos do espaço de arte que tem um dos acervos mais completos do Estado. “Do Ateliê de Danúbio – Exposição em Homenagem a Danúbio Gonçalves” inaugura neste sábado, 23 de novembro, às 14h, ao lado de outras duas exposições: “Mistura”, com obras selecionadas do vasto acervo com grandes nomes da arte do Brasil e do mundo da galeria, e “Re Desenho”, uma exposição coletiva de Adriana Leiria, Daniela Meine, Suzana Albano e Tatiana Migowski. A curadoria é de Daisy Viola. As exposições ficam no espaço até 28 de fevereiro de 2025. A Galeria Duque está localizada na Rua Duque de Caxias, 649, no Centro Histórico de Porto Alegre. Entrada franca.

    Obra de Danúbio Gonçalves/Divulgação

    Danilo Gonçalves nasceu em 30 de janeiro de 1925 e faleceu e 21 de abril de 2019. Membro do Grupo de Bagé e do Clube de Gravura de Porto Alegre, Gonçalves protagonizou uma exposição histórica em 2014 na Galeria Duque, que foi finalista do Prêmio Açorianos de Artes Plásticas. Após sua morte, em maio de 2019, uma exposição na Galeria Duque com mais de cem obras homenageou o artista. Para a mostra “Do Ateliê de Danúbio” foi feito um trabalho especial para recuperar sua obra. “Esta exposição é um resgate no ateliê do artista e mestre Danúbio Gonçalves, e um gesto de amizade e carinho ao artista e sua obra, tempos depois da sua partida. São obras que ficaram esquecidas por alguns anos na sua casa ateliê. Foram resgatadas, higienizadas e restauradas para que pudéssemos realizar essa exposição. Aqui temos gravuras em diversas técnicas, desenhos e trouxemos também alguns cartazes feitos por ele de exposições e eventos. Agregamos ainda algumas matrizes e álbuns com notícias selecionadas por ele, que nos contarão um pouco da história do artista bem como da arte do Rio Grande do Sul”, destaca a curadora Daisy Gonçalves.

    Danúbio Gonçalves/Divulgação

    Mistura

    Para os admiradores de arte, vale também conferir a exposição “Mistura”, com obras do acervo. Para essa mostra, foram selecionadas obras de artistas como Alfredo Volpi, Aloysio Zaluar, João Quaglia, Iberê Camargo, Burle Marx, Rubens Gerchman, Tarsila do Amaral, Salvador Dalí, Heitor dos Prazeres, Rodrigo Pecci, Siron Franco, Frans Krajcberg, Farnese de Andrade, Flávio Scholles, Ado Malagoli, Antônio Bandeira, Aldemir Martins, Glauco Rodrigues, Di Cavalcanti, Carlos Paez Vilaró, Hercules Barsotti, Arcangelo Ianelli, Auguste Rodin, Georges Braque, entre outros.

    Danúbio Gonçalves/ Divulgação

    “Juntar e misturar, esta é a ideia, afinal é uma festa! Este nosso espaço para expor e falar de arte está completando 13 anos. Nasceu do encontro de dois amigos. O Arnaldo Buss, com seu acervo e paixão pela arte, e eu, com minhas ideias, de um dia ele ter um espaço para mostrar as preciosidades que chegavam e eram depositadas pelos cantos de sua casa. Tanto foi que um dia, o sonho se realizou, despretensiosamente fomos estabelecendo uma relação com as pessoas da cidade e seus visitantes, sem imaginar que chegaríamos até aqui”, celebra Daisy.

    Obra de Heitor dos Prazeres/ Divulgação

    Para essa festa da arte, a curadora e o galerista fizeram uma escolha afetiva. “Vamos mostrar o que temos de melhor nesta festa de aniversário, e alguns trabalhos inusitados. Cores e gestos intensos ou a delicadeza de linhas em gravuras e desenhos. Artistas dos séculos XX e XXI, que viajam por diferentes ideias e linguagens, que fazem a narrativa sensorial do que vivemos ou ainda estamos vivendo. Vamos fazer literalmente uma mistura, de gente e de histórias contadas através da arte”, descreve a curadora.

    Obra de Adriana Leiria/ Divulgação

    Re Desenho

    A celebração se completa com a exposição coletiva “Re Desenho”, que apresenta criações de Adriana Leiria, Daniela Meine, Suzana Albano e Tatiana Migowski. “Considerando o conceito de desenho como a expressão de alguém através da linha, aqui propomos ampliar esta possibilidade Em vez de linhas como consequência de gestos com um instrumento riscante sobre uma superfície, nossas artistas trabalham a linha no espaço, trazem o desenho para a tridimensionalidade. Cada uma a seu modo, com materiais diversos”, explica Daisy.

    Obra de Daniela Meine/ Divulgação

    Linhas coloridas que se enrolam em linhas de corda e arames que se moldam na mão da artista e passeiam pelo espaço, penduradas no teto ou paredes. São os caminhos coloridos da vida da Adriana Leiria. Fios de arame se emaranham em gestos livre que se revelam em garatujas espaciais da Daniela Meine, e se transformam na projeção da sua sombra na superfície da parede próxima em comunicação direta do trabalho com a luminosidade do ambiente ou uma luz artificial direcionada, com possibilidade de interação direta com o seu espectador. Já os móbiles da Tatiana Migowski também redimensionam a ideia de desenho, com linhas dos materiais de diversas origens como galhos vergados, fios e telas, além dos bordados que compõem os objetos que também desenham sombras na parede e formam outros desenhos que se movimentam no ponto de vista do trânsito do espectador no seu entorno. Por fim, o desenho da Suzana Albano acontece nos seus bordados, fios multicoloridos na superfície de tecidos que também já trazem consigo desenhos inerentes da sua própria trama. O contorno das lagartixas ou da super cobra brincam com o olho e, de alguma maneira, nos lembram que desenho pode também ser representação de formas. “É uma exposição de olhar, imaginar, e quase brincar, afinal, é a festa de aniversário deste nosso lugar mágico”, conclui Daisy Viola.

    Obra de Suzana Albano/Divulgação

    Exposições:

    “Do Ateliê de Danúbio” – Exposição em Homenagem a Danúbio Gonçalves
    “Mistura” – com obras do acervo
    “Re Desenho” – uma exposição coletiva de Adriana Leiria, Daniela Meine, Suzana Albano e Tatiana Migowski
    Local: Galeria e Espaço Cultural Duque
    Endereço: Duque de Caxias, 649 – Porto Alegre
    Vernissage: 23 de novembro, das 14h às 16h30
    Período da exposição: de 23 de novembro de 2024 a 28 de fevereiro de 2025
    Horário de funcionamento: Seg/Sex: 10h às 18h | Sáb: 10h às 17h
    Entrada Franca

  • “Pai Guaíba”, com Bataclã FC e convidados abre a programação do Porto Alegre em Cena

    “Pai Guaíba”, com Bataclã FC e convidados abre a programação do Porto Alegre em Cena

     O 31º Festival Internacional de Artes Cênicas Porto Alegre Em Cena, que conta com patrocínio premium da Petrobras começa nesta semana! Em edição especial, exclusivamente realizada com artistas gaúchos, o festival terá um momento especial no Theatro São Pedro na sexta-feira, dia 22, com apresentação de Pai Guaíba. Realizada pela Bataclã FC, o espetáculo tematiza poeticamente a relação de Porto Alegre com os cursos da água da cidade e percorre o rock, o rap e o samba gaúcho, com participações de Eliane Marques, Jéferson Tenório, Bruno Negrão e Paola Kirst vocalizando poemas próprios e de autores e autoras negros fundamentais na literatura gaúcha negra do século XX e XXI.

    A noite de sexta, dia 22, marca a abertura da programação do evento, que segue até dia 01 de dezembro de 2024 e conta com mais de 80 atividades, entre espetáculos de teatro, performances, leituras e mais de 15 atividades formativas, que visam à construção de práticas relacionadas à criação artística e à produção cultural no universo das artes cênicas.

    A edição que celebra o teatro do Rio Grande do Sul presta uma homenagem especial a Carla Vendramin, um dos grandes nomes da dança gaúcha. Artista multifacetada, docente, produtora e articuladora cultural, Carla, que nos deixou em janeiro deste ano, é a grande homenageada do festival em 2024.

    A programação completa da 31ª edição do Porto Alegre em Cena pode ser conferida no site do festival e os ingressos podem ser adquiridos no site da SYMPLA e na Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre, de terça à domingo das 12h às 20h, no andar térreo. Os ingressos custam entre R$ 20 e R$ 40 e a programação contempla também diversos espetáculos e atividades gratuitos.

    O 31° Porto Alegre em Cena – Festival Internacional de Artes Cênicas conta com o financiamento da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Com patrocínio premium da Petrobras, patrocínio master da BB Asset e patrocínio de Itaú, Panvel e Zaffari, a gestão cultural é da Primeira Fila Produções, e a realização da Prefeitura Municipal de Porto Alegre e do Ministério da Cultura, Governo Federal – União e Reconstrução.

  • Jornalista biografa vítimas da ditadura: projeto para encher um metro de estante

    Jornalista biografa vítimas da ditadura: projeto para encher um metro de estante

    GERALDO HASSE

    O bageense Nelson Rolim de Moura, que vive há quase 50 anos em Florianópolis, onde toca a sua própria Editora Insular, está engajado de corpo e alma num projeto sem precedentes na história literária brasileira: o de escrever sozinho 38 livros sobre jornalistas mortos ou desaparecidos pela ditadura de 1964-85.

    Começando em 2022, já lançou os quatro primeiros volumes com as biografias de Alberto Aleixo, Alexandre Baumgarten, Antonio Benetazzo e Carlos Alberto de Freitas, este lançado em outubro último.

    Promete para maio de 2025 o quinto — sobre Carlos Marighella. E seguirá em ordem alfabética até chegar a Vladimir Herzog, o número 36, e aos dois últimos: Walter de Souza Ribeiro e Wanio José de Mattos.

    Com exceção de Alexandre Baumgarten, vítima de uma queima de arquivo, todos os biografados eram de esquerda.

    Não são biografias focadas só na vida das pessoas; todas servem como pretexto para amplas contextualizações históricas. No caso de Alberto Aleixo, por exemplo, que foi o responsável pelo jornal Voz Operária, do PCB, o autor aproveita para juntar fragmentos da história da imprensa comunista no Brasil e no mundo.

    Antes de iniciar em 2022 essa série denominada Coleção Ponto Final*, Rolim lançou em 2015 “Não Esquecemos a DITADURA – Memórias da Violência”, livro de 360 páginas em que conta a história do período mais agitado de sua vida entre seus 18/30 anos.

    Nascido em Bagé em 1951, filho de um coronel do Exército, entrou em 69 na Faculdade de Engenharia em Porto Alegre e logo se envolveu nas lutas estudantis.

    Entusiasmado com o “Diário de Che Guevara”, emprestado por um colega da Geologia, aderiu ao PCdoB. “Vagas para os excedentes dos vestibulares” foi uma das principais reivindicações em panfletos e passeatas.

    Em 71/72, acabou respondendo pela direção do DCE após a expulsão de quatro líderes de centros acadêmicos da UFRGS.

    Em setembro de 1973, sentindo-se isolado e em perigo no Rio Grande do Sul, decidiu escapar. A pé. Quem o levou à fronteira com a Argentina foi um tio.

    “Ele me deixou na cabeceira da ponte em Uruguaiana. Pedi que ficasse na camioneta Rural Willys observando se eu chegaria ao outro lado do rio”, lembra Rolim, que temia ser pego na travessia para Paso de Los Libres.

    De trem, chegou a Buenos Aires. Pensava em ir para Santiago confraternizar com a brasileirada lá acampada quando a capital argentina começou a receber fugitivos do golpe militar com que o general Pinochet derrubou o governo de Salvador Allende, eleito em 1970.

    Acolhido por peronistas influentes, especialmente Jorge Abelardo Ramos, autor do clássico “História da Nação Latino-americana”, ficou na Argentina trabalhando em livrarias e gráficas da capital, de Tucuman e de Salta. Para todos os efeitos, era chamado de “Juan”, militante do Partido Socialista da Izquierda Nacional (PSIN).

    Assim passou a sobreviver de livros numa época de grande efervescência em Buenos Aires, a cidade que possuía mais livrarias do que no Brasil inteiro, segundo se dizia.

    Em fins de 1975, impressionado com a confusão política na Argentina, que caminhava para o golpe militar de março de 76, buscou refúgio no Uruguai, mas foi preso na entrada do país.

    Ficou vários dias vendado em cadeias de passagem, no meio de tupamaros, mas se lembra de ter entrevisto por baixo da venda as palmeiras existentes na famosa prisão de La Rambla.

    Um dia, foi embarcado num jipe militar em que viajou vendado de Montevideo a Rivera-Livramento. Soube depois que o objetivo da viagem era entregá-lo às autoridades militares brasileiras. Quem o levou foi um dos chefes do setor de informações do Uruguai.

    Por incrível que possa parecer – naquele momento já se articulava a Operação Condor –, o preso não foi recebido.. A recusa brasileira foi veemente.

    Alguns dias depois de voltar de Rivera, onde ficou trancado num caminhão-baú, Rolim foi escoltado até o aeroporto de Montevideo, onde o colocaram num avião comercial da Varig para Porto Alegre.

    Era 15 de dezembro de 1975, o da em que foi recebido efusivamente por militantes que haviam feito campanha por sua libertação. Entre eles, encontravam-se familiares, estudantes e políticos do MDB, liderados na época por Pedro Simon.

    De volta ao seu ninho estudantil, Rolim recontatou amigos e colegas de antes, mas não teve ímpeto para retomar a vida estudantil — faltavam dois anos para concluir o curso de engenharia.

    Em busca de trabalho, um dos seus bicos mais gratificantes foi no Teatro de Arena, onde cumpriu tarefas na portaria e nos bastidores de peças como Mockinpott e nas Rodas de Samba das sextas-feiras à meia noite, sob a direção de Jairo de Andrade.

    Durante o dia, o amigo Luiz Oscar Matzenbacher lhe arranjou um serviço na seção de fotocomposição do diário Zero Hora, onde ia tudo aparentemente bem até que, do sobsolo onde trabalhava, viu subir as escadas rumo à redação do jornal o delegado Pedro Seelig, que tinha contatos na direção do jornal.  E agora?

    Temendo ser ele, Nelson Rolim de Moura, o motivo da ilustre visita, abandonou seu posto e tomou o rumo de Florianópolis, onde já trabalhavam vários jornalistas saídos do Rio Grande do Sul.

    Tudo isso e muito mais está contado detalhadamente no livro “Não Esquecemos a DITADURA – Memórias da Violência” (Insular, 2015). Como suas anotações do exílio haviam caído nas mãos da polícia uruguaia, ele recorreu à memória e buscou amparo em relatos alheios para recontar acontecimentos que fazem parte da história do Brasil.

    Numa narrativa trepidante, combina fatos pessoais com informações em tom levemente panfletário de esquerda. “Esta é uma longa crônica na primeira pessoa, como quase todos os livros publicados sobre esse período…” (refere-se à ditadura militar brasileira).

    “Não queria me colocar no papel central desta história, porém esta me pareceu a forma mais simples de desenvolvê-la, até porque meu testemunho pessoal é o fio condutor em quase toda a narrativa”, orientada explicitamente por quatro faróis históricos: as revoluções socialistas de 1917 na Rússia, de 1949 na China, de 1959 em Cuba e dos anos 1970 no Chile de Allende.

    Como lanterna de popa, reconhece a Revolução Francesa de 1789, que consagrou os direitos universais do Homem. Nesse livro de memórias, escrito quando estava completando 60 anos, ele afirma ter pressa de escrever porque “o tempo está passando muito rápido”.

    EM FLORIANÓPOLIS

    Quando chegou à ilha de Santa Catarina, no final dos anos 70, Rolim começou como repórter no jornal O Estado, o mais importante diário catarinense.

    Na redação se tornou amigo do gaúcho Mário Medaglia e do catarinense Cesar Valente, que havia estudado jornalismo em Porto Alegre. Naquele momento, vários jornalistas do Rio Grande do Sul chegavam para trabalhar no Diário Catarinense na capital e no Jornal de Santa Catarina em Blumenau, ambos criados pelo grupo RBS.

    Alguns dos migrantes chegaram para dar aulas no curso de Jornalismo da incipiente UFSC.

    Além de escrever, inclusive para sucursais de jornais de fora, Rolim se matriculou no curso de História, mas não foi adiante nesse intento estudantil. Manteve na universidade a namorada Iara Germer, que se tornaria a mãe de seus quatro filhos.

    Na entrada dos anos 80, participou como sócio-fundador do  mensário nanico Afinal, que não foi além de 13 edições. “Nós mudávamos de gráfica a cada edição para evitar a apreensão do jornal”, lembra ele.

    O primeiro número foi composto pela Coojornal de Porto Alegre. O último, por uma gráfica de São José (SC), cujo dono lhe cobrou caro e o entregou à polícia.

    Na sequência, ele arranjou serviços como assessor de imprensa e trabalhou na editora da UFSC, o que lhe abriu caminho para a fundação de sua própria editora, a Insular, seu principal meio de sobrevivência a partir da década de 1990.

    Coleção “Ponto Final”

    Após o lançamento do seu livro de memórias, há nove anos, Rolim concluiu que estava na hora de desovar material acumulado ao longo de sua vida como editor de livros – a Insular tem um acervo de 1500 títulos.

    Confessa então que, ao transpor os 60 anos de vida, decidiu se desfazer de suas quatro paredes de livros, ficando somente com material sobre “os crimes da ditadura”.

    Sem um plano claramente delineado, escrevia freneticamente quando um de seus quatro netos lhe sugeriu que, em vez de fazer um catatau imensurável sobre as lutas contra a ditadura, dedicasse um livro a cada um dos seus personagens.

    Chegou assim à lista de 38 nomes.

    Ao se voluntariar como historiógrafo, não teve tempo nem recursos para colher depoimentos, atendo-se apenas ao acervo bibliográfico e à documentação disponível, além de imbuir-se da vontade de realizar o projeto, iniciado em pleno isolamento imposto pela pandemia do coronavirus.

    Entretanto, a experiência como editor de livros lhe deu amplo acesso a consultas de arquivos de jornais, obras literárias e teses acadêmicas.

    Além disso, ele tem conclusões próprias sobre a dinâmica da História. “A imprensa sempre foi a alma dos partidos e das organizações de esquerda”, escreveu na biografia de Alberto Aleixo, relembrando o nascimento do jornal A Classe Operária, lançado pelo recém-fundado PCB em 1º de maio de 1925, quando o mineiro Aleixo, nascido em Belo Horizonte em 1903, já trabalhava em jornal no Rio.

    Para produzir tantos livros em tão pouco tempo – se lançar dois livros por ano, terminará sua tarefa dentro dos próximos 16 anos –, Rolim dorme cedo e acorda antes das 4h da manhã para escrever.

    No início do horário comercial matutino vai para a Insular, empresa familiar onde se ocupa sobretudo de pesquisas para sua obra histórico-literária,

    A  rotina da editora está aos cuidados de dois eficientes funcionários: o filho Daniel e a secretária Renata.

    *A LISTA DE BIOGRAFIAS DA COLEÇÃO PONTO FINAL:

    -Alberto Aleixo

    -Alexandre Von Baumgarten

    -Antonio Benetazzo

    -Carlos Alberto de Freitas

    -Carlos Marighella

    -Carlos Nicolau Danielli

    -David Capistrano da Costa

    -Edmur Péricles Camargo

    -Elson Costa

    -Flávio Ferreira da Silva

    -Gerardo Magela da Costa

    -Gilberto Olimpio Maria

    -Hiran de Lima Pereira

    -Ieda Santos Delgado

    -Isarael Tavares Roque

    -Jane Vanini

    -Jayme Amorim de Miranda

    -Joaquim Câmara Ferreira

    -José Toledo de Oliveira

    -Lincoln Cordeiro Oest

    -Luiz Ricardo da Rocha Merlino

    -Luiz Ghilardini

    -Luiz Inácio Maranhão Filho

    -Mariano Joaquim da Silva

    -Mario Alves de Souza Vieira

    -Mário Eugenio de Oliveira

    -Mauricio Grabois

    -Nestor Veras

    -Norberto Armando Habegger

    -Orlando Bonfim Junior

    -Pedro Domiense de Oliveira

    -Pedro Pomar

    -Rui Pfutzenreuter

    -Sidney Fix Marques dos Santos

    -Thomaz Antonio Meirelles

    -Vladimir Herzog

    -Walter de Souza Ribeiro

    -Wanio José de Mattos

  • Luigi Rossetti, o editor dos Farrapos, na Feira do Livro de Porto Alegre

    Luigi Rossetti, o editor dos Farrapos, na Feira do Livro de Porto Alegre

    O jornalista  Elmar Bones  autografa hoje, às 19 horas, na Feira do Livro de Porto Alegre, seu livro O Editor sem Rosto, que resgata a história e as ideias de Luigi Rossetti, o revolucionário italiano que criou e editou O Povo, o lendário jornal dos farroupilhas.

    “Ele não podia aparecer, porque era um estrangeiro e acabou completamente esquecido”, diz o autor.

    Hoje, segundo Bones, “está clara sua importância, pois seus escritos no jornal e suas cartas são documentos valiosos para o entendimento de certos aspectos ainda não bem estudados da guerra dos farrapos e da República Riograndense, que manteve o Rio Grande do Sul por quase dez anos separado do Brasil.

    Rossetti era filiado a La Giovine Italia, organização que pregava a insurreição republicana para derrubar os reis e os privilégios da aristocracia. Vivia exilado no Rio de Janeiro quando Garibaldi chegou ao Brasil, em 1836.

    Foi ele quem levou Garibalbi para falar com Bento Gonçalves na prisão, onde ficou acertada a participação dos italianos na Revolução Farroupilha.

    Temperamento “veemente e fogoso”, segundo sua própria descrição, Rossetti foi, dos três italianos influentes no comando da Revolução Farroupilha, o único a morrer na guerra.

    Foi morto na batalha do Passo do Vigário, em Viamão, em novembro de 1840. Ele estava na retaguarda do exército farroupilha que se retirava para a campanha, quando foram atacados de surpresa.

    Publicado pela JÁ Editora, o livro terá uma sessão de autógrafos na Feira do Livro de Porto Alegre, nesta terça-feira, 5/11, às 19 horas.

     

     

  • Rossetti

    Rossetti

    Luigi Rossetti, o editor dos Farrapos,

    na Feira do Livro de Porto Alegre

     

     

    O livro O Editor sem Rosto, do jornalista Elmar Bones, resgata a história e as ideias de Luigi Rossetti, o revolucionário italiano que criou e editou O Povo, o lendário jornal dos farroupilhas.

    “Ele não podia aparecer, porque era um estrangeiro e acabou completamente esquecido”, diz o autor. Hoje, segundo Bones, “está clara sua importância, pois seus escritos no jornal e suas cartas são documentos valiosos para o entendimento de certos aspectos ainda não bem estudados da Guerra dos Farrapos e da República Rio-Grandense, que manteve o Rio Grande do Sul por quase dez anos separado do Brasil.

    Rossetti era filiado à La Giovine Italia, organização que pregava a insurreição republicana para derrubar os reis e os privilégios da aristocracia. Vivia exilado no Rio de Janeiro quando Garibaldi chegou ao Brasil, em 1836.

    Foi ele quem levou Garibalbi para falar com Bento Gonçalves na prisão, onde ficou acertada a participação dos italianos na Revolução Farroupilha.

    Temperamento “veemente e fogoso”, segundo sua própria descrição, Rossetti foi, dos três italianos influentes no comando da Revolução Farroupilha, o único a morrer na guerra.

    Foi morto na batalha do Passo do Vigário, em Viamão, em novembro de 1840. Ele estava na retaguarda do exército farroupilha que se retirava para a Campanha, quando foram atacados de surpresa.

    Publicado pela JÁ Editora, o livro terá uma sessão de autógrafos na Feira do Livro de Porto Alegre, na terça-feira, 5/11, às 19 horas.

    O Editor se Rosto – A utopia de Luigi Rossetti, o italiano que criou o jornal do Farrapos

    De Elmar Bones

    2024, 3a ed., JÁ Editora

    Sessão de autógrafos na Feira do Livro de Porto Alegre nesta terça-feira, dia 5/11, às 19 horas.

  • A FEIRA QUE SAIU DA ENCHENTE

    A FEIRA QUE SAIU DA ENCHENTE

    A primeira conclusão salta aos olhos:  a Feira do Livro de Porto Alegre encolheu. Nesta 70a. edição conta com apenas 64 barracas de livrarias e editoras, menos do que no ano passado, menos da metade do que já teve nos seus melhores momentos.

    Outra conclusão vai-se impondo à medida que se entra no espaço da  feira nas alamedas da praça.

    Neste domingo, por exemplo, por volta das duas da tarde, sob um calor de 32 graus, o centro histórico de Porto Alegre estava vazio. Até mesmo o bar Tuim, tradicional ponto da boêmia portoalegrense, na rua da Ladeira, estava fechado.

    Pois a feira já estava lotada, com uma pequena multidão percorrendo os corredores e se aglomerando diante dos balcões das livrarias e das caixas de saldos.

    Às duas da tarde, seis autores já atendiam seus leitores na fila de autógrafos.

    Na praça de autógrafos, seis autores já estavam sentados diante de enormes filhas assinando dedicatória nos livros em lançamento.

    Só na tarde de domingo, até o encerramento às 20 horas, seriam mais de 40 sessões de autógrafos.

    No total, nos 20 dias da feira, serão mais de 700 autores lançando livros dos mais variados títulos dos mais diversificados assuntos –   desde a legislação sobre a presença de cães e gatos nos condomínios, até uma antologia da poesia medieval japonesa.

    Além de menor, a feira ficou mais pobre. Mesmo tendo apoio dos maiores anunciantes do Estado e das leis de incentivo à cultura, o orçamento, ainda que bastante reduzido só fechou à última hora, quando os promotores já desesperavam.

    Outra constatação evidente neste novo cenário é uma aproximação das raízes da feira, agora toda montada em torno do livro, com menos representações institucionais e eventos de marqueting.

    Também é perceptível ao primeiro olhar a garra e animação de editores e livreiros para se refazer das perdas que sofreram com a grande enchente.

    Editoras que perderam quase tudo, estão lá na esperança da retomada.  É o caso da Libretos, por exemplo, que reduziu seu stand a menos da metade por que perdeu todo o se estoque, mas está com 14 lançamentos na Feira. (segue)

    Praça de autógrafos já com filas de leitores às duas da tarde de domingo.
    Muitas pessoas em busca de informação, uma das deficiência da organização.

    Sob calor de 32 graus, a área infanto juvenil já estava lotada

  • Feira do Livro de Porto Alegre: Patrono pede “mais bibliotecas e livrarias”

    Feira do Livro de Porto Alegre: Patrono pede “mais bibliotecas e livrarias”

    Está aberta, até o dia 20 de novembro,  a 70ª Feira do Livro de Porto Alegre, na Praça da Alfândega.

    A solenidade de abertura, nesta sexta-feira, 1, teve a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes, do prefeito Sebastião Melo e da secretária  estadual da Cultura, Beatriz Araújo, que representou o governador Eduardo Leite.

    O presidente da Câmara Riograndense do Livro, Maximiliano Ledur, falou das dificuldades este ano em que o Estado foi atingido por um desastre climático. E agradeceu ao grupo Zaffari pela quota de patrocínio que à última hora permitiu fechar o orçamento e viabilizar o evento.

    Depois das falas e discursos da autoridades, houve a transmissão do cargo de Patrono, a figura mais importante da Feira a cada ano.

    O escritor e cineasta Tabajara Ruas, patrono da feira passada, falou da obra de seu sucessor, Sérgio Faraco. Obra rigorosa e original, que tem entre suas fontes o universo pampeano do Alegrete, terra natal de Faraco.

    O patrono destacou a importância do livro e da palavra escrita e enumerou os crimes cometidos, desde os romanos, contra o conhecimento depositado nos livros.

    Concluiu dizendo que “precisamos de mais bibliotecas, livrarias e feiras como esta”.

    No encerramento, uma homenagem ao Patrono: o “Canto Alegretense” interpretado pelos irmãos Fagundes.  O público cantou o refrão (“ouve o canto gauchesco e brasileiro, desta terra que amei desde guri”) acompanhando com palmas.

    Números da 70a. Feira

    Organizada pela Câmara Riograndense do Livro, a feira conta com 72 expositores, estandes dos patrocinadores e a Praça de Autógrafos. Mais de 700 autores estarão autografando seus lançamentos este ano.

    A programação oficial, bem como a de expositores e parceiros, pode ser acessada no site www.feiradolivro-poa.com.br.

  • Artista visual Vitor Hugo Porto e sua trajetória na mostra “Linha do tempo”, na Galeria Delphus

    Artista visual Vitor Hugo Porto e sua trajetória na mostra “Linha do tempo”, na Galeria Delphus

     

    O artista visual Vitor Hugo Porto apresenta na Delphus Galeria de Arte e Molduras, a partir de segunda-feira (04/11), a exposição “Linha do tempo”. Um dos principais nomes das artes de Caxias do Sul e do estado, ele fez 70 anos dia 19 de outubro na plenitude de sua capacidade criativa em uma carreira que já dura meio século.

    “Minha inspiração nesta mostra é a percepção do tempo passando. Percebo, ao encontrar amigos que não via há tempo, como houve uma mudança; com certeza, eles também percebem o mesmo. Inconscientemente passei a pintar esses personagens nos meus quadros, na técnica mista, grafite, carvão, pastel e caneta Bic”, conta Vitor Hugo, que é homenageado pela galeria no “Mês do Artista Delphus”.

    Obra do artista -Divulgação

    As figuras focalizadas pelo artista não são mais as jovens e exclusivamente mulheres. Aparece a figura masculina ao lado da feminina, ambas mostrando as linhas marcadas pelo tempo. “São personagens mais maduros, que encontro no dia a dia”, relata Vitor Hugo, que, com bom humor, cede à máxima segundo a qual “o tempo passa para todos”.

    Vitor Hugo Porto na Galeria Delphus, em Porto Alegre-Divulgação

    “Às vezes percebo um olhar melancólico, às vezes, aquele olhar da eterna procura que, mesmo com a idade, até avançada, continuamos a procurar ou sentir emoções, sensações”, constata o artista, ligado às artes desde criança.

    Vitor Hugo frequentou como ouvinte a Escola de Belas Artes de Caxias do Sul; participou de vários concursos de vitrinas, obtendo o 1º lugar várias vezes; estudou formas, cores e técnicas sobre vários materiais, como pastel seco, acrílica, óleo, carvão e técnicas mistas; cursou a Escola Internacional Gráfica de Veneza, onde fez curso de Gravura e permaneceu por seis meses na Itália, pintando e fazendo esculturas; depois, desenvolveu o costume de passar cerca de quatro meses ao ano no país europeu, pintando e expondo.

    A Delphus também comemora 50 anos de atividade neste 2024. Liderada pela galerista Salete Salvador, possui acervo de obras de mais de 300 artistas de diversos lugares do Brasil, nos estilos clássico, moderno e contemporâneo. A galeria trabalha com acervo de obras originais superior a 2 mil itens, entre pinturas, esculturas, fotografias e gravuras seriadas.

    SERVIÇO

    Exposição “Linha do tempo”, de Vitor Hugo Porto

    Período: de 4/11 (segunda-feira) a 30 de novembro

    Visitação: de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h45; sábado, das 9h às 13h Endereço:

    Av. Cristóvão Colombo 1501, Floresta

    Entrada grátis

    -FOTOS divulgação artista/galeria

  • NÓS – Performance teatral, com mais de 80 artistas, chega ao Theatro São Pedro

    NÓS – Performance teatral, com mais de 80 artistas, chega ao Theatro São Pedro

    Experiência única e rica em emoções, o espetáculo NÓS – Performance teatral, da Nós – Cia. de Teatro, chega ao palco do Theatro São Pedro (TSP) nos dias 1, 2 e 3 de novembro, com sessões às 20h (sexta e sábado) e às 18h (domingo). Dirigida por Everson Silva, a montagem que mistura teatro, dança, poesia e show musical levará à cena um volumoso elenco, formado por mais de 80 artistas de diversas áreas. Os ingressos custam entre R$ 30,00 (galeria) e R$ 80,00 (plateia e cadeira extra) e podem ser adquiridos pelo site do TSP ou na bilheteria do espaço cultural, uma hora antes de cada apresentação.

    Com o tema “existir entre nós”, a obra utiliza o corpo coletivo como elemento central – que serve tanto de cenário como de impulsionador das cenas que se misturam –, criando um caleidoscópio de memórias, desejos e sentimentos, vivenciados e revisitados pelos performers que surgem de forma fragmentada. A encenação acontece a partir de um grande grupo de pessoas, que adentram o palco, calçam sapatos (que parecem abandonados, dispostos ao chão) e, assim, vestem seus personagens e ampliam suas experiências em acontecimentos vibrantes.

    Em uma atmosfera poética que constrói uma relação de reconhecimento do espelho social através desta performance, a música se transpõe das vozes e sons dos corpos dos artistas. O figurino vermelho que compõe a cenografia faz uma alusão ao sangue que bombeia as veias humanas, com a intenção de significar a vida pulsando através da arte.

     

    Concebida no início de 2023, a montagem surgiu como um chamado à convivência, à empatia, e ao retorno do compartilhar, após o longo período de isolamento social, por conta da pandemia de Covid-19, que mudou hábitos de vida de muitas pessoas. Também celebra os 20 anos de carreira de Everson Silva (diretor da companhia teatral), que idealizou a experimentação composta por um total de 100 pessoas.

    Outro objetivo traçado desde o início do projeto era estrear a performance no palco mais antigo e prestigiado de Porto Alegre. “Fomos fazendo as temporadas e juntando recursos financeiros, sempre no intuito de conseguir chegar ao Theatro São Pedro, até que, este ano, abriu o Edital de Ocupação desse importante espaço cultural”, revela a produtora e uma das atrizes do espetáculo, Kacau Soares. Segundo ela, a realização deste “sonho” compartilhado entre o diretor e o elenco chegou como um presente de aniversário para Silva, em maio de 2024 (época em que a montagem foi inscrita no edital).

    Desde sua estreia, em abril do ano passado, no Teatro do Sesc Canoas (quando contava com um elenco formado por 22 artistas), o espetáculo tomou uma proporção bem próxima do desejo de Silva. De lá para cá, com o objetivo de ampliar o corpo cênico desta obra, a Nós – Cia. de Teatro realizou uma série de oficinas/ensaios, incluindo seus participantes no elenco da montagem. Até o momento, a Nós – Performance teatral cumpriu cinco temporadas, sendo que – além da estreia em Canoas – quatro ocorreram em espaços culturais da Capital, a exemplo da mais recente, em janeiro deste ano, realizada no Teatro Renascença, dentro da programação do 25º Festival Porto Verão Alegre. Na ocasião, Silva dirigiu 60 pessoas em cena. Nos meses seguintes, esse número aumentou, a partir de novas oficinas/ensaios. “É uma realização para a Nós Cia. de Teatro, encontrar tantos artistas em cena – uma experiência inesquecível e uma grande celebração da arte que existe em nossos corpos”, afirma o diretor.

    A performance que chega ao palco do Theatro São Pedro ainda conta com as participações especiais de outros quatro artistas convidados locais (a bailarina Ana Medeiros, o ator Jairo Klein, a atriz e percussionista Nina Fola, e a atriz e produtora Silvia Duarte), com o intuito de apresentar trabalhos relevantes e prestigiar personalidades da cena cultural.  Uma oportunidade imperdível para vivenciar as artes cênicas em suas diversas formas.

    NÓS – Performance teatral

    Local: Theatro São Pedro – palco principal (Praça Mal. Deodoro, s/n)

    Datas: dias 1 e 2 de novembro (sexta e sábado), às 20h; dia 3 de novembro (domingo), às 18h

    Gênero: dança, teatro, música, poesia.

    Classificação: 16 anos

    Ingressos* pelo site theatrosaopedro.eleventickets.com

    • Plateia: R$ 80,00
    • Camarote central: R$ 60,00
    • Camarote lateral: R$ 40,00
    • Galeria: R$ 30,00

    *meia-entrada: estudantes, pessoas acima de 60 anos, pessoas de baixa renda, PCDs e acompanhantes, membros Associação Amigos do Theatro São Pedro, assinantes ZH e acompanhantes, doadores de sangue, pessoas trans, artistas, professores e profissionais da rede pública municipal e estadual.

    Ficha técnica:

    Direção/criação: Everson Silva

    Produção: Kacau Soares

    Texto e dramaturgia: Nós Cia. de Teatro, citações de Fernanda Bastos, Caio Fernando Abreu, Ana Martins Marques, Paul Éluard, Miguel Poveda, Lilian Rocha e Augusto Branco.

    Operação de som: Pedro dos Santos

    Operação de luz: Veridiana Mendes

    Coordenação de comunicação: Mariana Ruduit

    Mídias e redes sociais: Amanda Hamermüller, Carol Pinheiro e Gabriela Tarouco

    Assessoria de imprensa: Adriana Lampert (contato:51- 98412.8832), Gabriella Scott (contato: 51-8136.1260) e Giulliano Pacheco (contato: 51- 8442.3997)

    Realização:

    Nós – Cia. de Teatro, Iacen, Theatro São Pedro RS

    Apoio Cultural:

    Clube do Assinante ZH, TVE e FM Cultura, RBS TV
    Outros apoiadores:

    Jerônimo Café, Restaurante Casa Lee, Café Mal Assombrado POA, Bar do Alexandre, Tiny Café e Armazém Café 47

    Sobre a Nós – Cia. de Teatro: reúne artistas que pesquisam teatro e realizam obras com o objetivo de aprofundar o estudo sobre a linguagem cênica e gerar novas experiências para o grupo e para o público. Capitaneada pelo ator e diretor Everson Silva, a companhia produziu – ao longo de 16 anos – 11 espetáculos, que são a expressão das inquietações dos artistas envolvidos.