Doutora em artes visuais pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas/SP), uma das principais do país, a artista gaúcha Márcia Rosa mostrará em Porto Alegre, pela primeira vez, a exposição “Escuta silenciosa: ruídos da natureza”. A abertura será no dia 24/01 (quarta-feira), às 18h, na Galeria 506 (Avenida Nova York, 506, bairro Auxiliadora). A visitação irá até 29 de fevereiro, com entrada gratuita.
A produção artística de Márcia, cujo mestrado foi feito na Faculdade Santa Marcelina, na capital paulista, tem as plantas, as flores, a terra, a natureza, enfim, como principal fonte. Preocupada com a questão ambiental, na mostra ela apresenta plantas do Bioma Pampa ameaçadas de extinção, como forma de chamar a atenção para o problema. Estão entre as plantas sob ameaça, por exemplo, as ervas conhecidas popularmente como gravatazinha (Dyckia remotiflora) e jalap escarlate (Mandevilla coccínea). “Tenho esperança na recuperação dessas e de outras plantas. A preservação é um tema urgente”, defende ela.
TÉCNICA MILENAR
Composta por obras de grande formato, a exposição abriga trabalhos produzidos em diferentes técnicas, como washi-ê, pastel seco, monotipias e um vídeo. Washi é um tipo de papel produzido artesanalmente no Japão em diferentes texturas, cores, tonalidades, a partir do qual a artista engendra suas colagens.
“É um trabalho demorado rasgar, recortar, desfiar, dobrar, sobrepor, justapor e colar o papel para compor um desenho. Mas é um processo muito gostoso”, diz Márcia, lembrando que o milenar papel japonês foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco em 2014.
A especialista em arte botânica é admiradora da cultura japonesa e já fez cursos sobre a técnica washi-ê na Aliança Cultural Brasil-Japão (SP), com a professora Luíza Okubo, sansei que busca conhecimento diretamente com mestres no país do Oriente.
Outro sinal de identificação da artista com a cultura nipônica é o fato de Márcia assinar seus quadros com as iniciais MR em formato alusivo a um ideograma japonês que significa “Guerreira”.
Na opinião das curadoras da exposição, Fabiane Machado e Lurdi Blauth, a artista porto-alegrense “penetra a natureza como uma forma de perceber o mundo em profundidade, simultaneamente em que é tocada por ele, nos sensibiliza poeticamente. Seus trabalhos revelam sutilezas e nuances de cores que prendem e instigam o olhar do espectador”.
SERVIÇO
Exposição “Escuta silenciosa: ruídos da natureza”
Vernissage: 24/01 (quarta-feira)
Horário: 18h
Visitação: de 25 de janeiro a 29 de fevereiro
De segunda a sexta, das 13h às 19h
Visitas podem ser agendadas pelo fone/whats 51 9 8209 3526
Entrada gratuita
Galeria 506 – Rua Nova York, 506, Auxiliadora, Porto Alegre
Com entrada gratuita, o espaço conta a história de sete décadas da Orquestra. No Memorial da OSPA, o público pode conhecer a fundo a história de uma das mais longevas orquestras do Brasil, a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA) – fundação vinculada à Secretaria de Estado da Cultura (Sedac-RS). Inaugurado em 21 de novembro de 2023, o espaço funciona de terça a sexta-feira, das 12h às 17h, nas dependências da Casa da OSPA, no centro de Porto Alegre.
Durante a temporada de concertos, que vai de março a dezembro, o Memorial também funciona em horário estendido nos dias de concerto, das 12h até o fim do espetáculo. A entrada é gratuita.
Sobre o Memorial
O Memorial da OSPA traz à luz o acervo acumulado pela Orquestra ao longo de seus 73 anos de história. São milhares de itens documentando mais de 3 mil concertos, incluindo programas, cartas, documentos, contratos, registros de viagens, partituras, desenhos de cenário e figurinos para óperas.
O espaço é resultado de um trabalho que durou mais de três anos, capitaneado pelo curador Paulo Amaral, com pesquisa de José Francisco Alves e Dorvalina Gomes, e design expositivo de Ceres Storchi e Emily Borghetti.
Visita guiada ao memorial . Foto: Lucia Moreira, / Divulgação
Destaques do Memorial
Linha do Tempo – Resultado de três anos de pesquisa, a linha do tempo estampada na parede do Memorial percorre toda a história da OSPA, desde a fundação em 1950 até 2023. Em destaque, há grandes óperas e concertos, fotos das diferentes formações da orquestra ao longo das décadas, notícias e materiais gráficos de divulgação.
Diorama – Por meio de uma tela sensível ao toque, o visitante seleciona e escuta o som de todos os instrumentos presentes em uma orquestra.
Mesa interativa – Na mesa interativa, os visitantes podem navegar por mais de 2,5 mil artigos digitalizados do acervo da Fundação OSPA, incluindo fotografias antigas, partituras, atas, recortes de jornais, fôlderes, programas de concertos, cartas e desenhos.
Homenagem a Pablo Komlós – Vitrine dedicada ao maestro húngaro Pablo Komlós, fundador da OSPA, exibe uma estátua do maestro, a sua batuta, partituras, cadernos de anotações, fotos e documentos pessoais, como passaporte e título eleitoral.
Documentos originais – Gavetas com documentos históricos originais, como atas, programas de concertos, desenhos de figurinos e cenários de óperas.
MEMORIAL DA ORQUESTRA SINFÔNICA DE PORTO ALEGRE
Onde: Casa da OSPA (CAFF – Av. Borges de Medeiros, 1.501, Porto Alegre, RS).
Visitação: de terça a sexta-feira, das 12h às 17h.
ENTRADA GRATUITA
Estacionamento: gratuito, no local.
Classificação indicativa: livre.
Visitas-guiadas: durante a temporada de concertos, com agendamento pelo e-mail atendimento.ospa@gmail.com.
Em 1984, estreava em Porto Alegre o espetáculo Tangos e Tragédias, com Hique Gomez e Nico Nicolaiewsky. Em 2024, a famosa ilha flutuante de onde vieram Kraunus (Hique) e o saudoso Maestro Pletskaya (Nico) completa quatro décadas de diplomacia com o Brasil. Para celebrar os 40 anos de Sbørnia, ocorre em janeiro a tradicional temporada de verão A Sbørnia Kontra`Atracka, de 19 de janeiro a quatro de fevereiro, no Theatro São Pedro (Praça Marechal Deodoro, s/n°), sempre de sexta a domingo. Os ingressos variam de R$ 70,00 a R$ 160,00 e já podem ser adquiridos pelo site: https://theatrosaopedro.rs.gov.br/a-sbornia-kontr-atracka
Foto: Samira Samara/ Divulgação
No show, Kraunus (Hique Gomez) e Nabiha (Simone Rasslan) apresentam as canções e causos sbørnianos junto a seus convidados especiais: o Professor Ubaldo Kanflutz (Cláudio Levitan), reitor das Universidades de Ciências Fictícias da Sbørnia, MenThales (Tales Melati), o tocador de gaita-foles e hipnotizador das montanhas da Kashkadúnia, Pierrot Lunaire (Gabriella Castro) a grande sapateadora do Ballet Hiperbølico da Sbørnia e o “Stela Maritmus Sborniani”, as Estrelas do Mar Sbørniano, uma seleção de 12 vozes do Jungst Korhal Sbøniani. Um show de luzes e projeções especiais promovem uma imersão ao universo sborniano.
“Lá vamos nós em direção à nossa 38ª temporada no Theatro São Pedro de Porto Alegre. A felicidade de compartilhar essa temporada, por tantos anos, pode ser comparada ao Natal em nossas vidas. Quando iniciamos nossa Jornada em 1984, Nico Nicolaiewsky e eu não pensávamos em ocupar o palco do recém reinaugurado Theatro São Pedro. Supostamente um local para os grandes artistas nacionais: Paulo Autran, Bibi Ferreira, Tom Jobim e Nicanor Zabaleta. E antes ainda da Reforma, Heitor VillaLobos, Arthur Rubeinstein e outros tantos. 30 anos depois, éramos disparado os artistas que mais pisaram naquele palco, ao mesmo tempo em que encerrávamos o mais longo e importante episódio de nossas vidas que foi “Tangos e Tragédias”, quando lamentamos através da triste notícia no Jornal Nacional, a passagem do gênio Nico Nicolaiewsky. Tudo parecia perdido. 30 anos de sessões de euforia, catarse e momentos de pura magia genuína. Três dias de Luto Oficial decretado pelo Governador Tarso Genro. Um grande ciclo chegara ao fim. Acabou!
A atriz Simone Rasslan.; Foto Samira samara fotografia/ Divulgação
Dois anos depois retomamos o projeto, agora com Simone Rasslan, que há 5 anos antes havia perdido sua parceira de palco, Adriana Marques, no espetáculo Rádio Esmeralda. Um longo processo de adaptação instalou-se, enquanto nós e nosso público processávamos o luto. A palavra luto é a mais próxima da palavra luta. O luto e a luta. Enquanto isso lutávamos para manter viva uma história que estava introjetada em nossa comunidade. Muitas pessoas relatavam sonhos que tiveram com os personagens.
Foto: Wanderlei Oliveira/ Divulgação
Sofremos os impactos pesadíssimos das perdas, mas sucumbimos totalmente a uma história que não quer parar de ser contada. 10 anos depois, seguimos na ativa para celebrarmos 40 anos de Sbørnia desejando a todos um 2024 cheio de alegria, de amor pelo trabalho, de Inspiração e acima de tudo cheio de FÉ. A Fé é um atributo do espírito criativo. Sem ela não há possibilidade de o ser humano ser merecedor de nada. Não há acordo possível sem a fé, não há quem acredite em algo ou em alguém. Assim como Nicolaiewsky depositou sua fé em mim para ser seu parceiro nessa viagem, eu depositei minha Fé nele, em nome da história da Sbørnia, na vida ou na morte! Confiar é “fiar com”… Assim, com nossos companheiros, Cláudio Levitan e Simone Rasslan, e quem mais vier, como o grande tocador de gaita de foles Tales Melati e a grande sapateadora do Balé Hiperbølico da Sbørnia nossa Pierrot Lunaire Gabriela Castro e mais e Coro Jovem da Sbørnia, seguiremos fiando a fábula da Sbørnia ou seguiremos servindo de roca fiadora, para que a história siga sendo contada por si mesma. Não somos nós que fiamos a história da Sbørnia é ela própria que tem fé em nós e assim, fia-se a si própria através de nossos movimentos.
Foto: Samira samara fotografia/ Divulgação
Óbvio acrescenta- se a Fé em toda nossa equipe, com um projeto de animações especiais para o telão engendrado e operado por Rique Barbo, com um desenho de som Surround, operado pelo engenheiro de som Edu Coelho, com um desenho de luz impecável criado e operado por Heloiza Averbuck, incluindo a gestão e direção de produção do projeto por Marilourdes Franarim e sua equipe e claro todos os nossos patrocinadores e apoiadores os quais tornam a solidez do nosso projeto cada vez mais aparente. A todos um Feliz 2024, na certeza que estaremos fiando a história da Sbørnia até o final dos tempos, sabendo que lá na Sbørnia, o Maestro Pletskaya estará aplaudindo.”
Hique Gomez
Foto: Edson Filho/ Divulgação
SERVIÇO
O QUE: A Sbørnia Kontra´Atracka
DATA: De 19 de janeiro a quatro de fevereiro
HORÁRIO: sexta e sábado às 20h / domingo às 18h
LOCAL: Theatro São Pedro (Praça Marechal Deodoro, s/n°) 51 32275100
Descontos Obrigatórios
50% para idosos com idade igual ou superior a 60 anos;
50% para estudantes em até 40% da lotação do teatro:
– até 15 anos mediante RG;
– acima de 16 anos portando carteira da UGES, UEE, UNE;
50% para jovens entre 16 e 29 anos, pertencentes a famílias de baixa renda, mediante comprovação de matrícula CADÚNICO;
50% para pessoas com deficiência, inclusive seu acompanhante quando necessário, e doadores de
sangue.
Outros descontos
50% para artistas com registro profissional e regulamentado na carteira de trabalho
50% para até 50 associados da da AATSP Clube do Assinante ZH (50% assinante e acompanhante) Unimed (50% cliente e acompanhante)
Foto: Samira samara fotografia/ Divulgação
FICHA TÉCNICA
Criação e direção geral: Hique Gomez
Arranjos e atuação: Hique Gomez e Simone Rasslan
Elenco de apoio: Cláudio Levitan, Tales Melati e Gabriella Castro Projeções visuais: Rique Barbo
Desenho de iluminação: Heloiza Averbuck
Engenharia de som: Edu Coelho
Assistente de produção: Camila Franarin
Assistente técnico: Rafael Pacheco
Camareira: Nelli Schineider
Preparadora vocal: Ligia Motta
Redes Sociais: Fernanda Pertile
Administração Projetos de Lei – Daniela Ramirez
Assessoria de Imprensa: Adriano Cescani (51) 99664.4888
Fotógrafo Oficial: Nilton Santolin
Empresa de Som/Luz – Alternativa Som e Luz
Painel Led – WB Painéis de Led
SbørniaProjectus® Criado por Hique Gomez e Nico Nicolaiewsky para Tangos e Tragédias.
DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: Marilourdes Franarin (51) 999716021
Depois do sucesso da temporada de estreia, realizada em agosto de 2023, o monólogo O Espantalho, com Werner Schünemann, retorna ao Theatro São Pedro (Praça Marechal Deodoro, s/n° – Centro Histórico) para uma noite de apresentação. Dirigida por Bob Bahlis, a peça que relata a grande jornada sentimental em meio a escolhas difíceis que envolvem pais e filhos, poderá ser conferida dia 25 de janeiro, às 20h, dentro da programação do Porto Verão Alegre. Os ingressos já estão à venda no www.portoverãoalegre.com.br.
“A estreia nacional de O ESPANTALHO foi em Porto Alegre. Foi no Theatro São Pedro e foi um grande sucesso. Por isso é tão gratificante retornar ao São Pedro, agora dentro desse maravilhoso festival que é o Porto Verão Alegre. Esse retorno é para reencontrar o público de Porto Alegre, para reencontrar aquela emoção tão grande e bonita que foi a estreia”, afirma Werner. Schünemann interpreta um ator bem-sucedido, que vai ao sítio do pai jogar as suas cinzas. Ao chegar na horta cultivada pelo patriarca, ele se depara com um espantalho e caixas de madeiras com objetos pessoais, que revelam vestígios de sua vida e de suas relações.
O Espantalho – Foto: Heloiza Averbuck/ Divulgação
O personagem faz um exercício de recriação de sua memória, debruçando-se sobre a complexa relação estabelecida com o pai, desde a infância até a vida adulta. Entre as lembranças estão o período no internato, as primeiras relações amorosas, o casamento, a chegada do filho, a perda da mãe e reflete ainda sobre a alma masculina e a finitude humana. “O ESPANTALHO vai emocionar e divertir como sempre e as pessoas na plateia irão se emocionar e se divertir como sempre acontece com esse espetáculo. Estou no Rio de Janeiro gravando a novela DONA BEJA, mas ansioso para voltar a Porto Alegre, ao Theatro São Pedro e ao público da cidade que amo’, afirma.
O Espantalho – Foto: Heloiza Averbuck/Divulgação
Parceria
O encontro de Bob e Werner não se deu por acaso e a diferença geracional revelou-se como ingrediente especial que permeia toda a concepção e a montagem. “Sempre achei que devemos buscar uma sociedade igualitária, mas sinto também que o papel masculino dentro da sociedade, que foi construído, ao longo de milênios, sobre o patriarcado, a opressão e o machismo, em breve não vai mais existir. Fui assistir a Velha D+, da Fernanda Carvalho Leite, que tem a direção do Bob e texto dele também. Ao final, disse ao Bob que era exatamente o que eu queria, mas voltado para a alma masculina. Tivemos experiências de trabalhos juntos em leituras de textos da Clarice Lispector, há dois anos. Eu queria que fosse um monólogo sobre o masculino, sobre pais, filhos e como as ideias gastas e perversas de masculinidade passam de geração em geração. Bob criou a história do personagem e me entregou uma estrutura, um breve relato da vida de um homem. E essa teatralização está sendo feita por nós dois juntos”, conta Werner.
Bob Bahlis
Otávio Bahlis tornou-se Bob no início dos anos de 1990, inicialmente como personagem de Bob Pop Show, depois virou nome artístico. Ator, diretor, dramaturgo, radialista, produtor, professor e jornalista são algumas de suas categorias profissionais. Mas, Bob quer mesmo é contar histórias, suas e de diferentes autores. Assim foi com Dez (quase) amores, primeira obra literária de Claudia Tajes e De volta para a garagem, inspirada em Pode ser só o leiteiro lá fora, de Caio Fernando Abreu ou Coração de Búfalo, musical com Carlinhos Carneiro, vocalista da banda Bidê ou Balde. Atualmente, está em cartaz com o espetáculo Velha D+.
Werner Schünemann
É ator, cineasta e historiador. Nasceu em Porto Alegre, mas foi criado entre Novo Hamburgo e São Leopoldo. Apaixonou-se pelos palcos aos 15 anos, primeiramente na escola e depois no Grupo Faltou o João. Integrou o grupo Vende-se Sonhos e a turma do Super-8, com jovens cineastas de Porto Alegre. Foi ator em Deu Pra Ti Anos 70, Verdes Anos e Inverno. Formado em História pela UFRGS, também foi professor desta disciplina. A partir de 2021, passou a se aventurar na literatura e lançou Alice deve estar viva, seu romance de estreia. Coleciona prêmios por sua atuação no cinema, televisão e teatro. Tornou-se nacionalmente conhecido por sua participação na minissérie A Casa das Sete Mulheres (2003) da Rede Globo. Desde lá, integrou elencos televisivos de novelas e séries em diferentes emissoras, sem nunca abandonar os palcos e a Sétima Arte.
Comentários:
“Assisti aos ensaios e conheço o Werner de longa data. Acompanho ele na televisão, no cinema, no teatro. Ele é um ator que tem um peso histórico nas artes performáticas brasileiras e eu achei o texto muito bacana. Vai ser muito lindo esse trabalho! Tudo que eu percebi no ensaio eu tratei de jogar na trilha para criar ambientes sonoros emocionais. A peça é muito emocional, trata-se da relação de pai e filho e achei a ideia muito bacana. Aquele espantalho que fica no palco acho que muita gente vai se identificar, assim como eu”. – Hique Gomez, que assina a trilha sonora do espetáculo.
“Tive o privilégio de assistir a um ensaio de O Espantalho, monólogo com meu querido irmão Werner Schünemann dirigido pelo talentoso Bob Bahlis. Momento extraordinário. Mais do que presenciar o profundo e comovente ajuste de contas entre um filho e seu pai ausente, pude vislumbrar naquele ensaio um Ator (com “A” maiúsculo) na plenitude de sua maturidade técnica e profissional, apropriando-se de um texto complexo e fascinante. Dizem que – para os atores – o palco é o lugar que separa os meninos dos homens. Werner é um homem de Teatro. Um grande Ator fazendo um grande Teatro. Ambos maiúsculos. Imperdível”. – Marcos Breda
“Despretensiosa e delicada, a peça “O Espantalho” convida a embarcar em uma jornada sentimental pelas escolhas tortuosas nas quais pais e filhos muitas vezes se envolvem. Problemas familiares não têm endereço. O público se vê envolvido em cada situação, palavra, emoção, contidas na narrativa. Fredi, um homem de meia idade, bem sucedido em sua profissão de ator, vai até um sítio jogar as cinzas do pai, mas ao chegar na horta se depara com um espantalho. Diante do espantalho, Fredi vê a sombra do pai e faz um exercício de recriação de sua memória, debruçando-se sobre a complexa relação entre pai-filho na infância, juventude e vida adulta. A paternidade se revela como algo mais, além dos laços biológicos. No mesmo instante que a morte do pai se constitui num elo entre o passado e presente, também instaura uma necessidade de recomeço e renovação da própria vida. Uma peça sobre a alma masculina com emoções à flor da pele. Um monólogo conduzido pelo ator Werner Schünemann com direção de Bob Bahlis” – Peninha
SERVIÇO
O QUE: monólogo O ESPANTALHO
DATA: 25 de janeiro
HORÁRIO: quinta às 20h
LOCAL: Theatro São Pedro (Praça Marechal Deodoro, s/n° – Centro Histórico)
Tradicional exposição da Bublitz Galeria de Arte estará na SABA de 6 a 14 de janeiro, com entrada franca e pinturas ao vivo de Marcelo Hübner.
O verão também é inspiração para a arte. A Bublitz Galeria de Arte apresenta no litoral a tradicional Semana de Arte na Sociedade dos Amigos do Balneário Atlântida (SABA). A programação inicia no sábado, 6 de janeiro, e continua até domingo, 14. Um dos destaques da mostra são as apresentações de pintura ao vivo produzidas, durante toda a exposição, pelo artista, conhecido pela série “Banhistas”, que retratam cenas do cotidiano nas praias.
O artista visual Marcelo Hübner – Foto:: Angelita Hübner/ Divulgação
Além das pinturas ao vivo de Marcelo Hübner, os visitantes também poderão conferir (e adquirir) produções reconhecidas do artista como as da série “Floristas” e “Urbanos” e a nova “Paisagens Gaúchas”, que retrata paisagens do interior.
Obra Floristas – Marcelo Hübner/ Divulgação
“A Galeria Bublitz está presente com sua sede em Porto Alegre, mas se orgulha de levar arte, objetos de decoração e tapetes orientais para todo Estado. Em 2023, quando completamos 35 anos de história, estivemos em cidades como Alegrete, Bagé, Cachoeira do Sul, Caxias do Sul, Santa Cruz do Sul, São Gabriel, Teutônia e Uruguaiana. Agora, estamos muito felizes e honrados por abrir a temporada 2024 com essa Semana de Arte na SABA e com as produções ao vivo do artista Marcelo Hübner”, destaca o marchand Nicholas Bublitz.
Paisagens Gaúchas – Marcelo Hübner/ Divulgação
Ao todo, estarão mais de 200 itens, com destaque também para as obras de Erico Santos, reconhecido por suas icônicas pinturas de camponesas. Quem visitar a exposição vai conferir ainda produções de Antonio Soriano, Vitório Gheno, Flávio Scholles, Fernando Ikoma, Kenji Fukuda, Marcelo Zeni, Paulo d’Avila, João Carlos Bento e Sergio Lopes
Outra tradição da Galeria Bublitz são os tapetes orientais em fibra natural feitos à mão, nó por nó. São tapetes tradicionais exclusivos e importados da Índia e do Irã dos tipos: Kashan, Tabriz, Hamadan, Shiraz, Ziegler, Nain, Mood, Kazak e Beluche. Além disso, a exposição contempla objetos de decoração, como porcelana europeia, em itens em cristal checo e polonês e faianças vindas de Toscana, na Itália.
Porcelana Europeia/ Divulgação
O evento funcionará como um outlet, com todos os itens à venda com descontos de 25% a 50%, com pagamento em até 12 vezes sem juros.
Serviço:
Semana de Arte no Litoral com Bublitz Galeria de Arte
Local: SABA –Av. Central, 5 – Atlântida
Período: 6 a 14 de janeiro de 2014 Horário: das 10h30
Violência explícita. Violência psicológica. Violência urbana. Violência disfarçada. Violência implícita. Violência de todas as formas. É assim “Sangue e Pudins”, o novo espetáculo de Luciano Alabarse, que estreia dia 16 de janeiro, às 20h30min, no Teatro Renascença (Av. Érico Veríssimo, 307 – Menino Deus). A montagem escrita pelo diretor gaúcho é uma adaptação dos textos originais de Mark Ravenhill (Shopping and Fucking) e Brontez Purnell (Johnny, você me amaria se o meu fosse maior?).A peça inglesa e o texto americano se cruzam, se esclarecem e dão lugar a um terceiro texto, sem negar suas influências, é original, fluente, ágil e ríspido. A curta temporada fica em cartaz até o dia 18 de janeiro, dentro do Porto Verão Alegre.
O diretor Luciano Alabarse. Foto: Juliana Alabarse/ Divulgação
“Eu estava trabalhando no texto e, como sempre ouvindo muita música. Em um determinado momento, a voz de Simone me remeteu a uma canção que eu não ouvia há muitos anos, e que sempre me impactou pela contundência de sua letra. A canção era “Sangue e Pudins”, parceria de Fagner e Fausto Nilo. O resto veio naturalmente, inclusive o título da montagem”, afirma Luciano Alabarse. “Sangue e Pudins” retrata, em cenas duras e impactantes, personagens de uma geração que entende o consumo e as transações da sociedade capitalista como única forma de interação possível. As pessoas e seus manuais de sobrevivência, o pragmatismo cínico de quem precisa sobreviver num mundo hostil, as relações contaminadas por interesses financeiros e sexuais, as histórias cruzadas de personagens perdidos, o jogo e a manipulação desesperada, as trapaças e os oportunismos de vidas desesperadas, a esperança esfacelada, mas presente, gritos e silêncios, omissões e oportunidades, os corações partidos, o consumismo desenfreado, dinheiro e a falta de amores e ciúmes, posses e um mundo distópico e indiferente.
Os atores no ensaio da peça. Foto: Juliana Alabarse/ Divulgação
“É uma peça cujo tema central é a violência, em todos os seus aspectos e formas, escancaradas ou sob disfarce, violência social e violência individual, com ou sem sangue, com ou sem “bullying”, com ou sem prévia manifestação. Uma peça sobre violência, uma encenação vigorosa e urgente. Um texto corrosivo. Um texto cruel. Um texto que dói”, reforça Alabarse, que assina, ainda, o cenário e a trilha sonora. O elenco reúne nomes conhecidos da cena gaúcha, como Ângela Spiazzi, Pingo Alabarce e Elison Couto, profissionais em ascensão no teatro gaúcho como Jaques Machado e Li Pereira, e novos atores como Vini Gomes e Vítor Stifft.
Foto Alisson Fernandes/ Divulgação
A HISTÓRIA
Logo no início da peça, Mark, Lulu e Robbie estão vivendo os últimos momentos de uma problemática vida de excessos. Um triângulo amoroso que está ruindo, como tudo ao redor dos personagens: a vida sempre no fio de arame, o equilíbrio instável, o grito engasgado na garganta. Mark mal consegue digerir a comida que os outros dois tentam lhe oferecer. Está só, se sente mal, quer mais. Vomita. O vício em heroína deixou seu corpo e sua mente debilitados, mas o que não lhe desce mais no estômago é tudo aquilo que lhe foi vendido como sonho e que, de uma hora para outra, se tornou pesadelo. Uma roda-gigante desgovernada, um mundo sem faixas de segurança. O mundo presente em ruínas espalhafatosas, um mundo que dispensa afetos, mas consolida transações impessoais entre os homens, agigantando angústias e necessidades.
Os atores em ensaio; Foto: Alisson Fernandes/ Divulgação
O mundo de “Sangue e Pudins” é um grande supermercado onde tudo, inclusive pessoas, é vendido sem escrúpulos ou constrangimentos. Dois outros personagens cruzam a vida do triângulo central. Brian, um empresário inescrupuloso, e Gary, seu enteado – que é abusado sexualmente pelo padrasto, com violência. Insegurança, medo, transtorno, doenças e drogas marcam o cotidiano desses personagens à deriva de qualquer porto seguro.
Foto: Juliana Alabarse/ Divulgação
A violência permeia o texto, marca suas digitais nas falas, arranha o presente, agiganta a ação da peça. Violência do início ao fim. Festas que duram dias, desfiles de moda glamorosos, programas de sexo e aplicativos de compra e venda de drogas e pessoas. O mundo de “Sangue e Pudins” é punk, mercadológico, estiloso, quente e frio. Tudo no entorno dos personagens impessoaliza as possíveis relações sentimentais. Os relacionamentos são efêmeros, calculados, por conveniência e cálculo. Vidas que gritam por ajuda, vidas sufocadas por uma sociedade industrial – que não facilita a trajetória de nenhum dos membros dessa história.
Diretor e atores em ensaio; Foto: Juliana Alabarse/ Divulgação
Em quatorze cenas e oito sub-cenas, o desespero, a impotência e o pragmatismo dos personagens aparecem e desaparecem, em uma espécie de parque de diversões sem alegrias. Quando começa o espetáculo, o público flagra o trio central morando em um apartamento quase vazio, sem recursos financeiros e com Mark abandonando o lugar em busca de uma clínica de tratamento antidrogas. Sua dependência de heroína o exclui do mundo dos afetos. Lulu e Robbie começam, sozinhos e abandonados, a buscar seu próprio caminho, seus recursos, a concretização de seus sonhos de sobreviventes. A trajetória de todos embaralha os planos do grupo, os cinco personagens se cruzam em cenas curtas, vorazes e impiedosas. Não há misericórdia ou empatia. Há apenas cálculo, pragmatismo e cenas dilacerantes. A linguagem é crua, o roteiro é sucinto.
SERVIÇO
O QUE: Espetáculo “Sangue e Pudins”
DATA: de 16 a 18 de janeiro
HORÁRIO: terça a quinta às 20h30min
LOCAL: Teatro Renascença (Av. Érico Veríssimo, 307 – Menino Deus)
A história é inspirada nos filmes High School Musical 1, 2 e 3. As músicas foram adaptadas da trilha sonora original por Bruna Guimarães, que também é responsável pelo roteiro original, e Débora Neto. A direção é de Débora Neto e Patrick Bublitz. Fazem parte do elenco 20 atores-cantores-dançarinos, que integram a Bublitz Academia de Musicais.
A direção do espetáculo é de Patrick Bublitz e Débora Neto.; Foto: Divulgação
“High School Musical Experience” conta a história de alunos de uma escola de ensino médio, que enfrentam os desafios e as aventuras do seu primeiro baile de formatura. Junto disso, ocorrem as audições para o musical de fim de ano do clube do teatro. Neste ano, resolveram participar o capitão do time de basquete e a menina do clube de ciências, o que causará uma confusão no equilíbrio do mundo escolar.
Bublitz Academia de Musicais
Criada em 2019, a Bublitz Academia de Musicais tem a missão de colocar o Rio Grande do Sul no mapa dos musicais. A escola nasceu do sonho de Patrick Bublitz, que se encantou com musicais pelo mundo. A estreia ocorreu com o espetáculo “Os Miseráveis Experience” no palco do Theatro São Pedro. Nos últimos anos, também apresentou outros musicais da Broadway, como Matilda, Pequena Sereia, Escola do Rock, Come from Away e O Corcunda de Notre Dame com o solista da Broadway Pedro Coppeti. Também produziram três filmes musicais: A Última noite em Madame Bublitz, Os Felizardos e One, com estreia no Cinema Capitólio, no dia 11 de dezembro.
Com entrada franca, espetáculo será dia 16 de dezembro, às 20h, na Praça da Matriz, em Porto Alegre
Depois do sucesso do Concertaço de julho, realizado na charmosa Praça Gustavo Langsch, no Bairro Bela Vista, na capital gaúcha, o espetáculo com Hique Gomez, Renato Borghetti e Orquestra da Ulbra ganha uma edição natalina. O “Consertaço de Natal” será dia 16 de dezembro, às 20h, na Praça da Matriz, em Porto Alegre. A entrada é franca. Leve sua cadeira de praia e garanta o seu lugar.
“Borghetti é uma força da música brasileira. É o próprio HiperPampa. Trouxe um dado de legitimidade na relação entre os principais gaiteiros do Brasil como Dominguinhos, Sivuca e Luiz Gonzaga. Borghetinho é nossa voz no diálogo entre as regiões na música brasileira. Um privilégio dividir o palco e tê-lo em algumas de minha composições. A Orquestra da Ulbra tem feito inúmeros concertos de música regional, o Maestro Tiago Flores e os músicos tem domínio da linguagem deste concerto que já fizemos 4 vezes. Depois do concerto que resultou no Dvd do Tangos e Tragédias 20 anos ao vivo na Praça da Matriz, nenhum outro espetáculo foi feito ali. Um lugar que nos traz as mais felizes lembranças!”, fala Hique.
O Concertaço une os repertórios de Hique Gomez e Renato Borghetti, como “Barra do Ribeiro” e arranjos especiais de Hique Gomez para clássicos gauchescos como “Couro Cru”, além de outras surpresas. “Buenas. Dividir o palco com o Hique é sempre uma alegria, pura energia. Ainda mais com o costado do maestro Thiago e Orquestra da ULBRA”, diz Borghetti.
SERVIÇO
O QUE: CONCERTAÇO DE NATAL – com Hique Gomez e Renato Borghetti com Orquestra da Ulbra
DATA: 16 de dezembro
HORÁRIO: 20h
LOCAL: Praça da Matriz
ENTRADA FRANCA
Em caso de chuva, o evento será transferido para uma data a ser definida.
A mítica torre citada na Bíblia é usada como referência na produção de obras em diversas linguagens e técnicas
Obra de Luis Filipe Varella/ Divulgação
“Babel, Caos Adentro”, mostra que reúne obras de 36 artistas gaúchos, será aberta quinta-feira, dia 14, às 18h, no Espaço Cultural Correios. “Refletir sobre o caos na sociedade e do planeta enquanto organismo vivo, situá-lo no contexto da história da arte e da arte contemporânea, é o desafio posto aos artistas convidados”, explica a curadora Denise Giacomoni. A exposição vai até 3 de fevereiro de 2024, e a visitação é gratuita.
Denise Giacomoni, curadora da mostra Babel, Caos Adentro Foto – Wanderlei Oliveira/ Divulgação
Durante o mês de outubro, a curadoria proporcionou aos artistas dois encontros sobre o mito bíblico da Torre de Babel associado à ideia de caos com a professora de História da Arte Maria Helena Bernardes. Ela conduziu análise da temática desde a histórica representação de Pieter Bruegel, o Velho, no século XVI, passando por outros casos até chegar à arte recente.
Obra de Márcia Baroni/ DikvulgaçãoObra de Heloiza Averbuck/ Divulgação
Símbolo da incomunicabilidade, da confusão, do desentendimento, a Torre de Babel foi representada de diversas formas pelos artistas e interpretada, inclusive, como um convite à superação e à valorização da diversidade. A curadora, também autora de uma obra, acredita, por sua vez, que “o enfrentamento do caos nos transforma, faz surgir a força, a criatura, a reação, o alerta, a busca de recursos e a descoberta daquilo que nem sabemos que somos: a libertação”, diz Denise.
Obra de Liana Timm/Divulgação
Liana Timm, que figura como artista convidada, apresenta obra inédita em técnica mista, digital e analógica, de 1,20 x 1,20 cm. A mostra abriga diferentes linguagens e técnicas, como pintura (em acrílica, óleo, pastel seco, carvão), fotografias, colagens, instalação.
Obra de Paulo Abenzrragh/ DivulgaçãoObra de Milena Julianno/DivulgaçãoObra de Leila Knijnik/ Divulgação
Participam da exposição os seguintes artistas:
Clau Sieber, Cynthia Jappur, Daisson Flach, Deja Rosa, Delise Renck, Denise Giacomoni, Elisa Zattera, Fátima Pinto, Heloiza Averbuck, Isabel Marroni, Isabella Lacerda, Ita Stockinger, Leda Zimmermann, Leila Knijnik, Leonardo Loureiro, Lu Gaudenzi, Lúcio Spier, Luis Carlos Macchi, Luiz Filipe Varella, Marcelo Zeni, Márcia Baroni, Marcia Rosa, Marina Sapper de Menezes, Mery Bavia, Milena Julianno, Miriane Steiner, Nara Fogaça, Paulo Abenzrragh, Rejane Wagner, Rogério Pessôa, Sandra Kravetz, Selir Straliotto, Sérgio Barcellos, Silvana Gaudenzi, Soraya Girotto
Artista convidada: Liana Timm
SERVIÇO
“Babel, Caos Adentro”
Abertura: 14/12 (quinta-feira), 18h
Visitação: até 3 de fevereiro de 2024
Horário: de terça a sábado, das 10h às 17h.
Entrada gratuita
Rua Sete de Setembro, 1.020, térreo – Praça de Alfândega, Centro Histórico de Porto Alegre (entrada pela Av. Sepúlveda)
Foto das obras: Divulgação dos artistas/curadoria
*Haverá performance de Chana Manica, Régis Kovalski e João Lima, com sonoplastia de Kuka Medina
Partindo da essência das formas orgânicas das plantas, a artista plástica Amélia Brandelli conduz o público a uma jornada que transcende os limites da representação botânica na exposição “Desenho”, na qual explora a complexidade formal do reino vegetal. A mostra será inaugurada no dia 12 de dezembro, terça-feira, das 18h às 21h, no espaço localizado na Avenida Nova York, 130, em Porto Alegre. A mostra pode ser visitada até o dia 07 de janeiro 2024 (confira horários no “Serviço”). A entrada é franca.
No cenário de seu ateliê, onde se entrelaçam reproduções de Ophelia, de John Evertt Millais, e elementos cotidianos como listas de supermercado, Amélia Brandelli cria uma “união instável”, entre a realidade e a reflexão artística. Sua abordagem detalhista revela uma natureza reconstituída, desafiando o espectador a explorar a cadência do tempo vivenciado e praticado pelo traço gráfico.
A exposição também destaca a exploração da tela e a divisão em módulos como uma provocação visual. Os materiais, como o lápis grafite e o lápis-de-cor, desempenham papéis distintos, revelando a relação direta com o grafite em pó e a sutil dramaticidade das cores.
A artista visual Amelia Brandelli . Foto: Ocre Galeria/ Divulgação
– Os desenhos de Amélia Brandelli são um convite a adentrar a trama emaranhada da matéria e avançar os obstáculos das margens em uma unidade desigual. O lápis grafite, material amplamente presente na trajetória da artista, revela a crueza de uma relação direta, persistente e insistente, define o artista visual Marcos Fioravante, doutor em Poéticas Visuais pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGAV-UFRGS), que assina o texto de apresentação da mostra.
Ele observa que, em investigações recentes, o grafite em pó aparece solúvel em aguadas de aquarela explorando manchas, camada a camada. Sombras em meio aquoso e mineral. – Ao contrário dos trabalhos a lápis, a agilidade e fluidez dos líquidos é intercalada por tempos de secagem e decantação imprecisos. Já os desenhos a lápis-de-cor trazem uma pesquisa cromática de nuances e contrastes que recortam e se fundem ao plano do papel. A cor, com destaque para o vermelho sedutor e improvável, satura o apelo das folhas retorcidas com certa dramaticidade e leveza, interpreta o artista.
A dracena, uma presença constante em seu cotidiano, torna-se um motivo recorrente que ecoa décadas de prática artística, reafirmando o desenho como um agente de resgate do fazer. Ao desenhar plantas, Amélia transcende a estética superficial do florescer, mergulhando nos desencontros e detalhes das falhas, testemunhando a vida e o tempo.
Com formação em Artes Visuais e experiência como professora de desenho, em seu ateliê e nas salas de aula do curso de design da ESPM, Amélia Brandelli compartilha sua paixão pela prática artística como uma forma de sensibilizar a percepção e o pensamento. “Desenho” é um convite a explorar a interseção única entre a natureza, a arte e o tempo, capturada nas linhas e sombras de suas criações.
“Desenho” permanecerá aberta até 07 de janeiro de 2024. A visitação pode ser feita de segunda a sábado, das 9h às 18h, e domingos e feriados das 9h às 17h.
Ocre Galeria na Maiojama
A parceria com a Maiojama marca um momento importante na vida da Ocre Galeria de Arte, que se consolida ao ampliar as possibilidades de difusão da obra artística. A Ocre Galeria é localizada no Centro Histórico de Porto Alegre, próxima à Casa de Cultura Mario Quintana, ao Margs e à Usina do Gasômetro. É administrada por Felix Bressan, Nelson Wilbert e Mara Prates. A Ocre foi inaugurada em maio de 2022 e realizou, até o momento, 18 exposições, entre individuais e coletivas de artistas com forte produção contemporânea. A galeria tem buscado preservar a história, difundir a cultura e apoiar a produção de arte, disponibilizando um amplo acervo de artistas representados.