Projeto Semear une artes cênicas e permacultura em Mampituba

Na pequena Mampituba, predomina a paisagem rural. São três mil habitantes com pouco ou nenhum acesso a atividades culturais. É ali, na região de Osório, já na divisa com Santa Catarina, que o projeto Semear oportuniza novas experiências na pacata cidade, unindo atividades artísticas e a sustentabilidade ambiental na comunidade escolar.

O projeto Semear – Arte Multidisciplinar, começou em março com recursos da Lei Paulo Gustavo, quando guardiãs de sementes crioulas vieram compartilhar saberes com a comunidade. Agora continua com recursos da Política Nacional Aldir Blanc.

A segunda edição do projeto, que começa dia 18 (as inscrições se encerram hoje), pretende aprofundar a cultura das sementes crioulas e a produção de mudas, além de oferecer novamente diversas oficinas, incluindo conceitos da Permacultura, somando conhecimentos ancestrais aos modernos, com o objetivo de mitigar o impacto ao meio ambiente.

Além das oficinas, gratuitas, três espetáculos que são referências no cenário das artes cênicas do Rio Grande do Sul serão apresentados com entrada franca para a comunidade em geral: “Bonecrônicas”, do grupo Anima Sonho com trajetória de 40 anos; “Trabalhadores”, do Ponto de Cultura Varanda Cultural, com 16 anos de história; e “Circo pra toda gente”, de Eveliana Marques Ekin – Palhaça Leontina, que contabiliza 20 anos de experiência teatral. O violonista Jorge Corrêa, da comunidade do Rio da Invernada de Mampituba, estará presente em uma das apresentações.

O público-alvo é a comunidade escolar com idade acima de 15 anos e adultos.

Programação das atividades

Oficinas, encontros presenciais e virtuais e visita ao quilombo

A jornada terá nove encontros presenciais, dois virtuais e uma visita ao Quilombo São Roque, em Praia Grande, SC, divisa com Mampituba, RS.

O projeto oferecerá oficinas que incluem expressão corporal, autocuidado, agroecologia e sustentabilidade:

-Sementes e Mudas

-Horta Fukuoka e Canteiro Agroflorestal;

-Permacultura em ambiente escolar;

-Impressão Botânica;

-Palhaçaria;

-Desenho;

-Cultura Mbyá Guarani;

-Construção de Bonecos com inclusão de LIBRAS;

-Elaboração de Projetos Culturais;

-Pintura com Tinta de Terra;

-Corporificando o Sentir.

 

Oficinas virtuais

-“Permacultura em ambiente escolar”, será ministrada por Skye, permacultor australiano radicado no Brasil, apresentará sua experiência junto à SEDUC do Ceará com o tema Escola Sustentável, sendo o idealizador da disciplina de Permacultura nas atividades escolares;

Oficina com a cultura Mbyá Guarani e o processo de reconstrução da aldeia e da escola indígena, após a enchente que devastou o município de Eldorado do Sul, com o professor Artêmio Marques, da escola indígena Pekuruty. Compartilhará sua experiência com a cultura Mbyá Guarani e o processo de reconstrução da aldeia e da escola após a calamidade.

Coordenado pela atriz, bonequeira e produtora cultural Elaine Regina, a segunda edição do projeto Semear-Arte Muldisciplinar apresenta diversidade cultural, reunindo profissionais de diversas áreas: Jorge Herrmann (artista visual), Maria Aparecida da Silva e Lorena de Jesus (guardiãs de sementes), Eveliana Marques (atriz/palhaça), Patrícia Berg  (produtora cultural), Ester Fabiana  (arte educadora), Anete Schroder  (terapeuta somática), Sarita Klasmann, Marli Damacena e Eveliana Marques (Coletivo Grimpas).

Equipe do projeto

Elaine Regina, Leandro Nunes, Tais Abel, Dinorah Araújo, Mayssa Nunes, Titi Lopes, Tamires de Moraes, Maria Zanetti da Silva (Café com Mistura), Luiz e Fernanda Ramos (Produção de orgânicos).

 

Produção: Ativa – arte e educação

Apoio: Morada Sustentável, ABTB – Unima Brasil (Associação Brasileira de Teatro de Bonecos), Casa Odara Torres e da Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Mampituba/RS.

Este projeto foi contemplado no EDITAL SEDAC nº 28/2024, PNAB RS – CULTURA E EDUCAÇÃO. Conta com recursos do Ministério da Cultura, Governo Federal, Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB).

 

Serviço

Período das inscrições: até 16 de setembro de 2025

Vagas reservadas: 2 inscrições para PcD.

Contato para as inscrições: 51-9.9968.0605 (somente WhatsApp)

Início das oficinas: 18 de setembro de 2025

Local de desenvolvimento do projeto: Escola – EMEF Demétrio A. Fogaça, na Estrada Geral, Roça da Estância, Mampituba/RS.

(Todas as atividades serão desenvolvidas, sempre no período da tarde, às quintas-feiras).

Foto de Taís Abel/Divulgação

 

 

“Conscientização” é a última etapa da exposição Memorial das Águas em Porto Alegre

O projeto Memorial das Águas – Solidariedade e Reconstrução abre sua terceira exposição, intitulada “Conscientização”, convidando à reflexão sobre os impactos e aprendizados da maior catástrofe climática do RS, no dia 13 de setembro (sábado), às 15h, na Praça da Alfândega (imediações do MARGS). Esta é a última etapa em Porto Alegre da iniciativa, coordenada por Marcos Monteiro e produzida por Edison Nunes, após o sucesso das mostras que emocionaram milhares de visitantes: “Voluntariado”, que ficou no local de 12 de julho a 7 de agosto e “Resiliência”, em cartaz de 9 de agosto a 11 de setembro. A visitação ocorre diariamente, ao longo de 24h, até o dia 9 de outubro.

Memorial das Aguas – Andréia Kris / Divulgação

“Conscientização” propõe um olhar aprofundado sobre os impactos da enchente de 2024 e a urgência de uma nova relação com o meio ambiente. Através das lentes de 28 talentosos fotógrafos, a coletiva  busca não apenas registrar a devastação, mas também inspirar a reflexão sobre a resiliência humana e a necessidade de ações preventivas e sustentáveis.

Memorial das Águas – Conscientização – Lari Pieta/ Divulgação

Participam: Alê Bruny, Ana Shtlr, Andréia Kris, André Lisboa, Carmen Salazar, Cerise Gomes, Cláudia Bento Alves, Cynthia Recuero, Diego Costa, Gustavo Ludecke, Gustavo Mansur, Gustavo Toigo, Gustavo Vara, Janderson da Silva, Juliano Verardi, Jorge Lansarin, Lari Pieta, Leandro Lopes, Leandro Selister, Lucian Brum, Marco Faria, Marco Resende, Nadia Weber Santos, Nely Alves, Rogério Soares, Selmar Medeiros, Valder Valeirão e Wanderlei de Oliveira.

Memorial das Aguas – Conscientização – Gustavo Mansur/ Divulgação

Da capital gaúcha, o projeto migrará para Pelotas, onde ocupará o Largo do Mercado, de 25 de outubro a 20 de novembro com a mostra “Gratidão” e de 22 de novembro a 20 de dezembro, com “Retomada”. O Memorial das Águas nasceu da urgência de transformar o luto em legado, documentando a maior catástrofe climática em solo gaúcho e a extraordinária onda de solidariedade que a acompanhou. Composto por cinco exposições – três em Porto Alegre e duas em Pelotas – o projeto registra os impactos da enchente, os resgates, a força do voluntariado e os movimentos de reconstrução afetiva e social nas comunidades atingidas.

O cavalo Caramelo, símbolo da catástrofe climática em Porto Alegre;/ Gustavo Vara/Divulgação

“Mais do que um registro documental, o Memorial das Águas é um tributo coletivo e um convite à reflexão. A exposição ‘Conscientização’ reforça a importância de aprendermos com o passado para construirmos um futuro mais resiliente e sustentável”, destaca o designer e fotógrafo Marcos Monteiro, idealizador e curador do projeto.

MemorialdasAguas – Conscientizacao – Diego Costa1/ Divulgação

Realização: Ministério da Cultura – Lei Rouanet, Galeria Escadaria e Clube Arte Para Todos

Apoio: Secretaria de Cultura da Prefeitura de Porto Alegre, Secretaria de Cultura da Prefeitura de Pelotas, Valorize Projetos, Gestão de Recursos e Patrocínios Ltda, CDF Locações de Materiais Cenográficos e Culturais Ltda.

Patrocínio: Grupo RBS, Paraflu do Brasil Indústria e Produtos Químicos Ltda, Nutrire Indústria de Alimentos Ltda, Soma Sul Equipamentos Ltda.

Memorial das Aguas – Conscientização – Marco Faria/ Divulgação

 Serviço:
Memorial das Águas – 3ª Exposição “Conscientização”
Abertura: 13 de setembro (sábado) de 2025, a partir das 15h.
Local: Praça da Alfândega – imediações do MARGS – Centro Histórico de Porto Alegre
Encerramento: 9 de outubro de 2025.
Visitação: Diária, ao longo de 24h. Entrada franca.

“Verissimo”: documentário mostra o cotidiano do grande escritor

Última chance para ver o documentário de Angelo Defanti sobre Luis Fernando Verissimo, na Cinemateca Paulo Amorim, na Casa Mário Quintana.

Nesta terça, 9, às 19h15, encerra-se o ciclo em homenagem ao escritor, falecido no último 30 de agosto, aos 88 anos.

Ingressos à venda na bilheteria do cinema,

O documentário “Verissimo”, de 90 minutos, foi produzido em 2024 e revela o cotidiano do escritor. Em 2016, às vésperas do aniversário de 80 anos de LFV, Angelo Defanti ficou durante 15 dias na casa da família, mostrando a rotina e os hábitos de um cronista observador e de poucas palavras.

Britto Velho abre 52ª exposição de obras inéditas, na Delphus Galeria de Arte

 

O acúmulo de seis décadas de dedicação profissional à pintura permeia a exposição de 19 obras inéditas que o reconhecido artista visual gaúcho Britto Velho apresenta na Delphus Galeria de Arte e Molduras, com abertura no dia 4/9 (quinta-feira), às 19h.

Aos 79 anos, idade incapaz de abalar o espírito jovial do artista, traço de personalidade que se reflete na sua obra, Carlos Carrion de Britto Velho contabiliza a atual exposição como a 52ª individual realizada ao longo da carreira, ao lado de cerca de 400 coletivas e participações em mais de 150 salões de arte.

Britto trabalha na criação de uma nova tela/Divulgação

A mostra se estenderá até 3 de outubro, reunindo trabalhos em acrílica sobre tela criados este ano em diferentes tamanhos. Britto curte “o prazer da cor”, que é, para ele, talvez maior que o do desenho. “Me divirto muito com cores”, confessa o pintor, cuja trajetória inclui anos vividos em Buenos Aires, Paris e São Paulo.

Mesmo que já tenha exposto no MASP e participado de grandes eventos de arte, como a Bienal de São Paulo e a Bienal do Mercosul, por exemplo, além das muitas individuais e coletivas realizadas ao longo do tempo, o mestre empolga-se ao ver seus trabalhos saírem do ateliê para espaços expositivos.

Detalhe de um dos quadros de Britto Velho/ Divulgação

“Gosto de saber o que as pessoas pensam do trabalho. Uma obra só passa a ser arte no momento em que ganha um outro significado perante o público. Ela se recria; sem o espectador, ela morre”, declara o também escultor e gravador.

No momento, Britto não se preocupa em dar título às suas obras e até mesmo à exposição. “Acho que o título induz a pessoa a ver de uma forma em que eu estou dirigindo. Gosto de deixar a pessoa livre para recriar e conseguir um conteúdo novo”, explica com a experiência de quem, paralelamente à carreira de artista, deu aulas de arte durante 48 anos.

Britto Velho diante de figuras de uma de suas telas/ Divulgação

Em 1991, foi apresentada em Porto Alegre, em São Paulo (no MASP) e no Rio de Janeiro (no Museu Nacional de Belas Artes) a exposição O Realismo Mágico de Britto Velho. Se o título de então aludia à singularidade do trabalho do artista pelas formas, cores e composições de suas figuras e objetos, ainda mostra-se válido, apesar da passagem do tempo. Britto continua único. Quem visitar a mostra na Delphus poderá constatar isso.

SERVIÇO

Exposição de Britto Velho na Delphus Galeria de Arte e Molduras

Abertura: 4/9 (quinta-feira), 19h

Visitação: até 3/10

Dias e horários: segunda a sexta-feira das 9h às 18h45; sábado das 9h às 13h

Endereço: Avenida Cristóvão Colombo, 1501, bairro Floresta, Porto Alegre

Entrada gratuita

FOTOS: Wanderlei Oliveira

Chega a Beirute obra de pintor brasileiro para Museu do Estado Palestino

Já está em Beirute a obra “Natal em Gaza”, do pintor Enio Squeff, gaúcho, radicado em São Paulo.

O autor foi um dos artistas brasileiros convidados pela Embaixada do Brasil no Líbano a contribuir com obras para o Museu Palestino, em Beirute.

A obra, um painel em acrílico sobre madeira, foi pintada, segundo Squeff, sob o impacto das primeiras imagens na televisão sobre o genocídio em Gaza!.

“Fiz num impulso. Mais tarde, quando recebi o telefonema do embaixador Tarcísio Costa, não tive dúvidas, esse era o destino desta obra”, diz o autor. O Museu Palestino é uma associação não governamental dedicada a apoiar uma cultura palestina, nacional e internacionalmente. (E.B.)

“O pai acaba de falecer. Tranquilo”

Às 2h42 da madrugada deste sábado, 30 de agosto, a filha de Luís Fernando Veríssimo mandou mensagem aos amigos mais próximos: “O pai acaba de falecer. Tranquilo.”

 Veríssimo, 88 anos, estava internado na UTI do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, há  três semanas com princípio de pneumonia. 

Verissimo tinha Parkinson e problemas cardíacos – em 2016, implantou um marcapasso. Em 2021, sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC), e segundo a família, enfrentava dificuldades motoras e de comunicação.

Filho do romancista Érico Verissimo, Luis Fernando  atuou como cronista, cartunista, tradutor, roteirista, publicitário,  e dramaturgo.

Foram mais de 80 livros publicados, entre eles clássicos como “As Mentiras que os Homens Contam”, “O Popular”, “A Grande Mulher Nua” e “Ed Mort e Outras Histórias”. Com “O Analista de Bagé”, lançado em 1981 pela L&PM, Verissimo ganhou consagração nacional. A primeira edição esgotou-se em uma semana.

Do pai, herdou também a paixão pela música e dedicava-se ao saxofone, que aprendeu a tocar quando morou nos Estados Unidos, ainda adolescente.

Verissimo deixa a esposa Lúcia Helena, os filhos Pedro, Mariana e Fernanda, e os netos Lucinda e Davi.

Luís Fernando vVeríssimo nasceu em Porto Alegre, em 26 de setembro de 1936. Viveu parte da infância e adolescência nos Estados Unidos porque o pai, o escritor Erico Verissimo, dava aulas de literatura brasileira nas universidades de Berkeley e de Oakland.

O primeiro livro, “O Popular”, foi publicado em 1973. No total, foram mais de 80 livros publicados e quase 6 milhões de cópias vendidas, entre crônicas, romances, contos e quadrinhos.

Discreto nos hábitos e nas declarações, Verissimo ainda vivia na casa onde cresceu depois do retorno ao Brasil. O imóvel no Bairro Petrópolis, em Porto Alegre, foi comprado em 1941 pelo pai.
O humor marcou sua obra. Entre os personagens mais conhecidos criados por ele estão os de “Ed Mort e outras histórias”, de 1979, “O analista de Bagé”, de 1981, “A velhinha de Taubaté”, de 1983 e “Comédias da vida privada”, de 1994, que deu origem à série da Rede Globo produzida durante os três anos seguintes.

“Não tenho uma vocação humorística, mas consigo eventualmente produzir humor. É uma coisa mais deliberada, mais pensada, do que espontânea, no meu caso”, disse em entrevista na época.

No final da década de 80, foi um dos roteiristas do programa de humor “TV Pirata”. Entre sucessos comerciais também estão “Comédias para se ler na escola” e “As mentiras que os homens contam”, de 2000.

Quando morou nos Estados Unidos, Veríssimo estudou no Roosevelt High School, em Washington. Foi lá que conheceuo gosto pelo Jazz e teve aulas de saxofone. Mas, por trás do saxofone e das páginas dos livros, se escondia um homem tímido.

“Eu sempre digo que não dominei a arte de falar e escrever ao mesmo tempo, são duas coisas que se excluem, então é nesse sentido é que se manifesta a minha timidez”, declarou em entrevista.

Em entrevista ao programa “GloboNews literatura”, em 2012, ele falou sobre o seu conhecido comportamento introspectivo. Conhecido por respostas concisas em entrevistas, Luis Fernando Verissimo negou que fosse uma pessoa calada. “Não sou eu que falo pouco, os outros é que falam muito”.

 

Usina do Gasômetro: suspensão do leilão é oportunidade para se discutir o projeto

O modelo da parceria, desenvolvido pela empresa São Paulo Parcerias, para viabilizar a operação prevê um “aporte inicial” de R$ 7,5 milhões e um repasse de até R$ 4,9 milhões por ano ao parceiro privado a partir do terceiro ano de contrato. No total, a subvenção pública para a PPP poderá chegar a R$ 95 milhões em 20 anos.

A prefeitura justifica a necessidade dos repasses pela constatação de que a receita gerada apenas com atividades culturais e comerciais não seria suficiente para sustentar a manutenção do equipamento.

Com o leilão suspenso e uma disputa judicial pela frente, vai se abrir um espaço para o debate, que até agora não houve, sobre o projeto cultural para ocupação e utilização dos 12 mil metros quadrados da Usina do Gasômetro.

 

Obras de ícones da escultura e da arte, neste sábado, dia 30, na Galeria Duque

Exposição com obras de nomes como Brecheret, Vasco Prado, Di Cavalcanti, Pablo Picasso, Tarsila do Amaral, Juarez Machado e Volpi inaugura no sábado, 30 de agosto, às 14h.

Milton Dacosta/ Divulgação

Uma imersão na arte. Essa é a proposta da Galeria Duque na exposição imperdível “Chão.Parede.Arte”, que traz obras de grandes nomes do Brasil e do mundo em uma oportunidade única para os visitantes. A mostra, que tem curadoria de Daisy Viola, inaugura no sábado, 30 de agosto, às 14h, na Galeria Duque, e fica no espaço até o dia 10 de novembro. A Galeria Duque está localizada na Rua Duque de Caxias, 649, no Centro Histórico de Porto Alegre. A entrada é franca.

Obra de Di Cavalcanti/ Divulgação

Visitar a exposição “Chão. Parede. Arte” é uma celebração com artistas como Antonio Volpi, Burle Marx, Cândido Portinari, Daniel Senise, Di Cavalcanti, Carlos Vergara, Cícero Dias, Djanira da Motta e Silva, Luiz Sacilotto, Manabu Mabe, Milton Dacosta, Ione Saldanha, Ivan Serpa, John Grass, Juarez Machado, José Pancetti, Tarsila do Amaral e Thomas Ianelli. A exposição também contará com esculturas de Sonia Ebling, Carybé, Alfredo Cheschiate, Bruno Giorgi, Joaquim Tenreiro, Franz Weissmann, Xico Stockinger, Vasco Prado, Yutaka Toyota, Alberto Giacometti, Salvador Dali e Picasso.

Obra de Ivan Serpa/Divulgação

Há 13 anos, a Galeria Duque foi fundada como espaço para abrigar obras do acervo de um colecionador e amante da arte e para promover talentos contemporâneos. Daisy Viola participou desse projeto desde a fundação. E foi o olhar sobre a origem do acervo deste templo da arte que inspirou Daisy na construção da exposição “Chão.Parede.Arte”.

Obra de Alfredo Ceschiatti- “As Gêmeas”/ Divulgação

“O impacto que tive ao entrar na Galeria Duque numa tarde de sábado me trouxe a ideia desta exposição. Percebi o espaço como suporte de um acervo. O cenário foi sendo construído organicamente. Esculturas importantes foram chegando e sendo colocadas no chão junto à parede, e o conjunto formou um corredor de formas, texturas e cores”, recorda. “A primeira obra que ocupou o local foi um grande guerreiro do Xico Stockinger, e aí vieram as vermelhas de Joaquim Tenreiro, mulheres em bronze de Alfredo Ceschiatti, o sensível e quase vazio de Alberto Giacometti, as vermelhas de Franz Weissmann. Escolhas de um colecionador que foram sendo colocadas no prédio”, detalha a curadora.

Obra de Bruni Giorgi/Divulgação

“Na exposição, parede, chão, olho e arte se materializam em formas, volumes, cores, que se completam com o olhar de cada um de nós”, percebe. “Um caminho que aguça a imaginação, a criatividade, conecta nossas emoções, e permite que possamos entender nossas relações com o mundo”, conclui.

SERVIÇO

Exposição Chão.Parede.Arte

Galeria e Espaço Cultural Duque

“Poéticas daqui” – com obras do acervo
Endereço: Duque de Caxias, 649 – Porto Alegre
Vernissage: sábado, 30 de agosto, das 14h às 16h30

Período da exposição: de 24 de maio a 10 de novembro
Horário de funcionamento: Seg/Sex: 10h às 18h | Sáb: 10h às 17h
Entrada Franca

Doença de Alzheimer é tema de exposição da artista visual Graça Craidy

Mostra da artista visual gaúcha será aberta terça-feira, 2 de setembro, mês mundial de conscientização sobre esse transtorno neurodegenerativo, no Memorial do MPRS

A exposição “Saudade de mim – ensaio sobre a memória,” da artista visual Graça Craidy, apresenta 20 pinturas que abordam poeticamente as alterações de memória causadas pela Doença de Alzheimer. A mostra será aberta na terça-feira, 2 de setembro, mês mundial de conscientização sobre o Alzheimer, no Memorial do Ministério Público do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.

Obra “Saudade dos filhos”/ Divulgação

Os trabalhos criados pela artista retratam “as muitas ausências” causadas pela doença, principalmente em idosos, diz Graça. Nas suas representações, os personagens aparecem junto a elementos que aludem à memória perdida de situações positivas e afetivas que se transformam em saudade. Por exemplo, saudade de brincar, de ler, de amar, de casar, de jogar, de rir, de viajar, de falar.

Artista Graça Craidy – FOTO Kin Viana/ Divulgação

“Quem, principalmente na dita ‘melhor idade’, não tem medo dessa doença terrível? Confesso que tenho. É só não conseguir lembrar de alguma coisa, nomes de pessoas e de objetos, e já acende o sinal amarelo. Então decidi transformar o medo em arte. Quem sabe a arte me salva e ajuda também a salvar outras pessoas”, observa a artista de 74 anos.

Obra “Saudade de abraço”/ Divulgação

No dia 18 de setembro (quinta-feira), às 17h, acontecerá uma conversa sobre esse sério problema de saúde com a participação do psicanalista Abrão Slavutzky, da artista visual Zoravia Bettiol, do promotor de Justiça Marcos Ferraz Saralegui, do coordenador técnico do Memorial do MPRS, Gunter Axt, e da própria artista, com entrada gratuita.

Obra “Saudade dos filhos”/ Divulgação

 Grande desafio

Com o envelhecimento populacional, as doenças neurodegenerativas como a Doença de Alzheimer tornam-se um grande desafio à saúde pública e qualidade de vida dos portadores. A DA é uma desordem crônica, progressiva e irreversível, com causa desconhecida, cujas principais manifestações são a perda de memória e de autonomia, levando a prejuízos nas relações sociais e na cognição.

Obra “Saudade de Ogum”/ Divulgação

A doença acomete cerca de 5% dos indivíduos acima de 65 anos e embora os cientistas ainda não tenham descoberto a causa, sabe-se que os maiores fatores de risco são idade avançada e história familiar positiva.

No Brasil, onde há mais de 29 milhões de pessoas acima dos 60 anos, de acordo com o IBGE, acredita-se que quase 2 milhões de pessoas têm demências, das quais mais da metade são do tipo Alzheimer.

Obra “Saudade de amar”/ Divulgação

A proposta da artista Graça Craidy e do Memorial do MPRS é trazer à tona as grandes questões sobre esse tema que envolvem não apenas o doente, mas a família, os cuidadores, o grupo social, a sociedade, os cientistas, o Estado.

SERVIÇO

 O quê: Exposição Saudade de mim – ensaio sobre a memória, de Graça Craidy

Abertura2 de setembro (terça-feira), às 17h

 Visitação: até 26 de setembro, de segunda a sexta, das 9h às 18h

 Onde: Memorial do Ministério Público do RS (prédio histórico também conhecido como Forte Apache)

 Endereço: Praça Marechal Deodoro (Praça da Matriz), esquina da Rua Jerônimo Coelho. Centro Histórico de Porto Alegre

Entrada franca

Imagens das obras: Divulgação da artista

Daniel de Andrade (1948 – 2025) 

CARLOS CARAMEZ

O meu amigo Dani Boy ou Daniel de Andrade Simões, que faleceu hoje, era um baiano gaúcho muito retado, talentoso fotógrafo e jornalista, que vai deixar muitas saudades e um acervo fotográfico importantíssimo.

Nascido em Rio Real(BA), adotou o Rio Grande do Sul como sua morada definitiva. Casou com a socióloga Carmem Crayd com quem teve os filhos José Daniel e Ana Creyde Simões e depois viveu com a historiadora Stela Petrasi, até os dias atuais.

Mudou para Salvador, ainda guri, onde começou a estudar como seminarista, mas devido a sua falta de vocação sacerdotal, foi mandado embora do colégio.

Continuou em Salvador e mais tarde foi trabalhar na Petrobrás, de onde foi expulso por imprimir panfletos do Partido Comunista. Caiu na clandestinidade e se tornou subversivo e militante aguerrido contra   a ditadura militar. Acabou preso com armas, dinheiro de um assalto e livros sobre a luta armada, em Alagoinhas(BA), quando iria treinar camponeses para a guerrilha e encontrar o cap. Carlos Lamarca.

Não delatou ninguém,  foi muito torturado e ficou preso cumprindo pena no quartel do Barbalho, no quartel de Amaralina e na penitenciária Lemos de Brito, em Salvador. Quando deixou a prisão adotou o nome fictício de “Reginaldo Farias”, para despistar a repressão e saiu clandestino do Brasil. Esteve exilado no Chile, Itália, Dinamarca, Alemanha e França onde estudou fotografia e cinema, em Vicennes, e conheceu Daniel Cohn Bendito, ” o vermelho”, líder das manifestações de maio de 68, na Europa. Depois foi para Moçambique, colaborar com a FRELIMO e trabalhar na AIM- Agência de Informações Moçambicana, sob a direção do escritor e poeta  Mia Couto, que se tornou seu amigo para a vida toda. Na sua volta ao Brasil, depois da anistia, trabalhou no Amapá com a família Capibaribe e o jornalista Élcio Martins. Aqui no RS fundou a agência “Em Foco”, com os fotógrafos Eduardo Tavares e Pablo Fabian e depois a Gaya Produções Fotográficas com Stela Petrasi.

Trabalhou no Coojornal, Zero Hora e fundou o Jornal Denúncia com Carlos Alberto Kolecza. Também colaborou com os mais importantes veículos da imprensa brasileira.

Fizemos juntos um documentário sobre o sen.  Teotônio Vilela, entre outras coisas. Éramos amigos e cúmplices. Daniel usava a máquina fotográfica como uma arma.

Seus clics certeiros e personagens únicos fazem parte da história da luta contra a ditadura brasileira e também retratam o Brasil de hoje, novamente ameaçado pela truculência militar golpista. Como ele gostava de falar, “Yankees Go Home, para sempre”.

A praia de Itapeva, onde ele morava e pescava, entre uma foto e outra, não será mais a mesma, nem continuará preservada e bonita, sem ele por lá. Chefia nós seguiremos juntos. Até…
Foto Mirian Fichtner.