A revolução Pix

O Pix – Sistema Brasileiro de Pagamentos Instantâneos – começa a operar em 16 de novembro. Muito mais rápido e simples, o serviço controlado pelo Banco Central (BC) poderá ser usado por quem possui uma conta bancária. Com o Pix é possível transferir e pagar contas à vista em tempo real, sem custos para pessoa física e sem restrições de dias ou horários. No entanto, o Pix é parte de algo muito maior.

Para revolucionar um mercado de pagadores e recebedores pelas transações, como acontece com DOCs e TEDs, nas mãos de poucos competidores, o BC concentrou o Pix na própria instituição, como único provedor da infraestrutura. A concorrência vai se dar na esfera da prestação de serviços.

O mercado financeiro calcula que os bancos, processadoras de cartões e bandeiras deixarão de ganhar com a entrada do Pix algo próximo dos R$ 100 bilhões nos próximos cinco anos com tarifas de transferência. No entanto, não reclamaram. Como diz um executivo de banco: “Eu não vivo de receita de TED”.

Talvez o motivo do silêncio é o processo de digitalização, que já está em andamento e o Pix vem acelerar, com a consequente redução de custos de toda a estrutura física e número de funcionários. O setor bancário brasileiro eliminou 9.463 postos de trabalho em 2019, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Bradesco, Itaú e Banco do Brasil devem fechar cerca de 1,200 agências até o final de 2020.

De acordo com uma pesquisa da Febraban, as transações financeiras feitas por celular no Brasil cresceram 41% em 2019, passando de 3,2 bilhões para 4,5 bilhões de operações em plataformas digitais. Com o dinheiro migrando para o universo online, analistas acreditam que o fim do papel-moeda como conhecemos está mais próximo. No Brasil, essa ideia vai ganhar força por meio do sistema de pagamentos eletrônicos Pix.

Controle de ponta a ponta

A autoridade monetária também conta com a vantagem de que essa modalidade dá maior visibilidade às transações – especialmente àquelas que antes eram feitas com dinheiro em espécie -, com rastreamento de ponta a ponta. Oficialmente o BC diz que o Pix não tem por objetivo aumentar a capacidade de monitorar transações financeiras.

O país onde 40% dos trabalhadores estão em situação informal, de acordo com o IBGE, as transações em papel moeda geralmente acontecem sem registro, muitas vezes sem a emissão de nota fiscal. A transformação proporciona justamente o acesso aos ‘desbancarizados’.

Mais de 45 milhões de pessoas vivem sem acesso a instituições financeiras no Brasil. Ao simplificar e baratear a transferência de dinheiro entre pessoas físicas e jurídicas, o novo arranjo de pagamentos deverá acelerar a inclusão de, pelo menos, a metade desses brasileiros.

Substitui o boleto

Uma das principais mudanças potenciais para os consumidores é que o Pix pode substituir o boleto, cartão de débito e dinheiro vivo. Antes do lançamento oficial do Pix, bancos e fintechs já está disputando clientes através da conta digital desde cinco de outubro.

O Nubank liderava esta semana com 8,1 milhões de cadastros, seguido pelo Mercado Aberto, 4,7 milhões de chaves. Depois vem o PagSeguro, com 4,3 milhões e somente no quarto lugar vem um grande banco, o Bradesco, com 3,7 milhões.

Segundo o jornal Valor Econômico, a competição está cada vez mais acirrada entre as carteiras digitais. Varejistas, marketplaces, operadoras de telefonia, grandes bancos e fintechs têm ampliado a oferta de produtos e serviços financeiros por aplicativo de celular. Ao todo, o Brasil tem cerca de 600 ‘wallets’ (carteira digital que guarda as informações bancárias, dinheiro depositado, transações financeiras e senhas do usuário)

O Bradesco vai investir R$ 100 milhões no primeiro ano de operação do Bitz, sua nova empresa de carteira digital e contas de pagamento. A plataforma é um dos três pilares da estratégia digital do grupo, que conta ainda com o Next e o banco tradicional.

Com tanta concorrência, já começou a aparecer reclamações nas redes sociais de clientes que foram incluídos em cadastros sem autorização. Os bancos e fintechs negam e o Banco Central informou que está monitorando.

As chaves

Para usar o Pix, basta que o cliente peça o cadastramento no banco ou instituição financeira onde possui conta corrente, conta poupança ou carteira digital. A instituição vai fazer no Banco Central o cadastramento da “chave” escolhida pelo cliente.

Os quatro tipos de chaves Pix que poderão ser usadas e cadastradas são: número de CPF, número do CNPJ, endereço de e-mail e número do telefone celular. Esses dados ficarão registrados em uma plataforma operada pelo Banco Central, o Diretório Identificador de Contas Transacionais (CICT).

Já para usar o Pix, ou seja, para fazer transferências ou pagamentos usando o sistema, será necessário acessar o aplicativo, site ou o caixa eletrônico do banco, assim como é feito atualmente com o DOC e o TED, por exemplo. Ao invés de digitar uma série de informações, como nome completo, dados bancários e CPF, com o Pix basta inserir a chave da pessoa ou empresa que vai receber o pagamento ou transferência.

Em novembro, quando o Pix entrar no ar, vai aparecer como uma opção de pagamento dentro do aplicativo do seu banco ou carteira digital. Esses aplicativos vão ser atualizados para acomodar o Pix.

Com centenas de matérias por toda a mídia, o Pix está sendo bem vendido à população. Mesmo assim, uma sondagem feita no fim de setembro pela Globo aponta que apenas 37% das pessoas têm alguma ideia sobre o novo meio de pagamentos instantâneos, e 13% entendem o que é.

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